Golden Years
15 Gamba hostil
Notas iniciais
Ansiedade. Não sei se é está a palavra correta para usar neste momento, mas esperar Naruto tocar a campainha não está sendo meu esporte favorito. Sábado, como este dia demorou chegar, como se fosse um grande final em seu livro favorito ele demora a chegar. Só espero não me decepcionar, como as vezes acontece no livro.
Hoje o dia que combinamos de sair, entretanto tenho minhas dúvidas se isso vai acontecer, nem mesmo para o trabalho da escola Naruto parece que não vai vir, imagina a noite! E os outros que são menos sociáveis do que Naruto? Minhas dúvidas se foram, ninguém vai aparecer.
O relógio de pulso denuncia o atraso do loiro, já são oito e meia e o horário combinado era as sete e meia. Talvez seja culpa minha em marcar neste horário, afinal quem acorda cedo além da família Hyuuga nesta cidade?
A biblioteca da cidade estaria completamente vazia se não fosse pela minha presença e da bibliotecária, a qual estranhamente não usa óculos de lentes grossas e um coque firme preso por um lápis e muito menos está concentrada em algum livro. E sim é uma jovem que está debruçada sobre o balcão provavelmente dormindo e se não está, ela disfarça muito bem.
— Hinata, me desculpe pelo atraso, é que realmente perdi o horário. – A imagem alta o suficiente bloqueia minha visão. Finalmente ele chegou, eu deveria chamar sua atenção, mas o seu sorriso fraco e a mão esfregando os cabelos próximo a nuca me impede, provavelmente deve ter acontecido algo.
— Tudo bem, eu cheguei a pouco tempo também. – Não diria que estava esperando o aqui desde a sete horas, não mesmo.
— Então vamos? – Chamo sua atenção que está totalmente desviada para alguma coisa em sua própria mente. Seus olhos pairam sobre minha imagem e tenho uma leve impressão de que sou uma desconhecida para ele.
— É claro, pensou em algo? – Seus passos largos acabam me deixando para trás sem a percepção dos que lhe aplicam na calçada, deixamos a biblioteca sem mesmo a moça nos ver partir. A blusa de frio laranja o destaca em meio ao marasmo da cidade, enfim ainda é cedo, quem acorda cedo em um sábado de sol? Muita gente.
Ele caminha até o outro lado da rua e mal lembra que estou o seguindo. Será que está tudo bem. Chego até seu carro e o ronco do motor soa alto e a certeza que seus olhos encontraram se com os meus pela primeira vez me vem a cabeça, seu sorriso parece se abrir em câmera lenta, apenas falta o preto e branco dos filmes antigos para se tornar uma cena de um filme de romance, falta isso e apenas um detalhe insignificante: amor.
— Desculpe Hinata é que hoje o dia não começou bem. – Aponta para o banco do passageiro e eu apenas afirmo com a cabeça. Nem todos os dias são dourados, tenho a certeza disto.
Sento no banco e ele começa a dirigir sem rumo, os raios solares estão fortes o suficiente para queimar minha pele branca demais que nem chega ao tom bronzeado de Naruto, é como se ele morasse no litoral e seu esporte favorito fosse surf. O silêncio é desconfortante tanto para eu, tanto para ele que fixa os olhos na estrada.
— Eu pensei em pintar algo, talvez uma paisagem, não sei. – Retiro a franja dos olhos apenas para não encontrar seus olhos perdidos novamente e com os mesmos vejo o afirmar que sim.
— Pensou em algum lugar? – O vento gelado apesar do dia quente bate em meu rosto. Sei que seria clichê desenhar a paisagem de flores ou do horizonte, entretanto o que tem de errado com o clichê? Todavia não quero ser contrariada.
— Não, eu pensei que você poderia resolver isso. – Conforme a velocidade aumenta a intensidade do vento acresce fazendo meus fios voarem.
— Sei de um lugar, é um pouco longe, mas vale a pena. – A tonalidade do azul presente em seus olhos adquirem um brilho surreal e logo fogem dos meus. Encosto a cabeça no vidro, acho que algo está errado.
É estranho reparar assim em Naruto, mas é interessante ver que, quando suas palhaçadas somem por motivos que ninguém gosta de viver, têm algo que chama atenção de pessoas como eu.
Os minutos passam e a saída oeste da cidade apresenta-se com suas arvores seculares. Estes carvalhos devem estar aqui desde que mundo é mundo. O vento sacode suas folhas, fazendo seus galhos marcados pelo tempo dançar uma valsa. A escuridão ao fim, onde o sol ainda não deu o ar da graça deixa o local incrivelmente assustador, como se no fundo daquele breu, olhos atentos observassem cada movimento meu.
— Pronto, chegamos! – O freio de mão sendo puxado para trás atribui mais veracidade em suas palavras. Então o lugar é aqui? No meio da reserva ambiental. Desço do carro e minha mochila com o necessário faz peso rente as minhas costas.
As costas de Naruto retornam a aparecer, isso é incomodador. – As folhas secas no chão choram a sentir o peso dos meus pés, a única coisa que diz algo no local são elas, folhas mortas.
Caminhamos por tempo suficiente para sentir dor em minhas pernas. Eu deveria ter escolhido o local.
— Estamos quase lá, só mais um pouco e pronto. – Meus olhos fixados no chão para não pisar em algo que me faça cair seguem automaticamente para o horizonte.
A cerca de arame farpado enferrujado revela que estamos no fim da reserva e do outro lado uma estrada com o asfalto trincado pelo desgaste e de péssima manutenção é visível. Entretanto, mais a frente um Carvalho enorme rouba toda a atenção para si. Suas raízes são tão extensas que chegam a engolir a beira do asfalto e atrás da grande árvore existe uma plantação de trigo.
Se meus olhos não tivessem visto isso eu diria que é mentira. A imagem parece ter escapado de um quadro.
— Bonito, não é? – O perfume indica que está próximo demais, mais especificadamente ao meu lado.
— É maravilhoso, até a cerca com a placa enferrujada de proibida a entrada que deveria estar para o lado de fora combina espantosamente. – O sorriso em seus lábios, os costumeiros resolvem aparecer por completo.
— É como se fosse proibido entrar lá, é não na reserva. – O riso breve logo some, causado pela mera coincidência de falarmos a frase ao mesmo tempo. Isso só mostra que compartilhamos do mesmo pensamento.
— Eu não conhecia este local, acho que nunca passei por esta estrada, ela parece velha e sem uso. – Enquanto retiro o material necessário para desenhar espero o comentário sobre o que eu disse.
— É velha e ninguém vem a este lugar a muito tempo. Antes de existir a entrada ou saída por qual viemos, as pessoas usavam está estrada, mas depois da construção da outra ela foi perdendo o uso, por suas curvas e sua extensão demora muito para chegar na cidade.
Escuto cada palavra atentamente, eu realmente desconhecia sobre isso. E como ele conhece este lugar? As pessoas não sabem o que estão perdendo.
— Enfim, acho que fecharam está via antes mesmo de eu e você nascer. – Naruto senta ao meu lado em uma distância considerável curta e apoia o cotovelo nos joelhos afastados devido a abertura de suas pernas. Coloco o caderno no colo, agora vamos registrar está beleza.
— E como você sabe deste lugar? – Nem mesmo questiono se devo ou não retirar a cerca e a placa enferrujada do desenho, acho que isso deixa a imagem intocável.
— Meu pai me trouxe aqui um tempo atrás. –Rapidamente e automaticamente o observo atentamente, sua expressão neutra não diz nada, mas os seus olhos não mentem a nostalgia que sente em relação a este momento, o qual deve ter sido importante em sua vida. Melhor não dizer nada, as vezes o silêncio gritando em nossos ouvidos é a melhor coisa que podemos ouvir.
— Sabe ele me trouxe aqui para mostrar o lugar onde beijou pela primeira vez minha mãe. – O desenho no caderno perde toda minha atenção e provavelmente meu sorriso idiota deve ter tomado meu rosto. Deixei as coisas de lado e abracei meus joelhos esperando calmamente o desenrolar da sua fala, eu não conhecia este lado de Naruto, na verdade não conheço nenhum, exceto suas brincadeiras descontraídas.
— Foi lá, embaixo daquela árvore velha, que eles trocaram suas salivas. – A risada escapa indelicadamente pela boca, mas não tem como não rir como está descrição de supostamente um gesto de amor. Sua risada some, contudo, o sorriso singelo permanece.
— E então depois de um tempo, neste mesmo lugar ele a pediu em casamento. – Eu não sei distinguir se ele almeja o mesmo ou se é o fato de reviver algo bonito que não lhe pertence deixa o assim, com saudade das coisas que não viveu.
— Deve ter sido maravilhoso. – A única frase que consigo balbuciar ainda imaginando a cena romântica.
— É deve ter sido sim, mas eu acho que seria mais fantástico se minha mãe não tivesse dito que não, não aceitava. – Ele se levanta e segue até a cerca, é talvez não fosse memorável do jeito que é se ela tivesse dito que sim.
— Vem, vamos até lá. – Levanto me e vou até ele que empurra o arame com o pé para eu passar em meio ao vão entre um fio de arame e o outro. Passo e logo em seguida Naruto também ultrapassa o cerco do limite.
A cada passo que dou, sinto que estou violando uma memória, a qual pertence aos pais de Naruto, mas ao invés de imagina-los eu os trocos por mim. Mas o papel de encenação interpretado pelo senhor Minato está vazio, tanto nos sonhos como também na realidade. Enfim estou sozinha.
— Olhe aqui. – Naruto chega e apoia a mão no tronco da árvore, fazendo minha reflexão sobre minha situação expirar-se.
— Então consegue ver o sinal na árvore? – Com dificuldade consigo ver que algo foi feito ali, mas não dá para saber com exatidão o que foi expresso.
— Eles desenharam o símbolo do infinito para definir o relacionamento deles, que seria como está árvore, sobrevive até mesmo o tempo. Consegue acreditar?
Estranhamente o sorriso se foi e eu não consigo perceber o motivo, mas até lembrar da situação atual do casamento entre seus pais. Apenas afirmo, não quero agravar ainda mais a revolta que deve sentir.
— Deveria trazer sua namorada neste local tenho certeza que ela vai gostar muito. – Retorno para fazer o desenho antes mesmo de ouvir sua resposta, não quero tocar em um assunto delicado como o divórcio de seus pais. Sua risada fraca e sem graça invade meus ouvidos, acho que disse algo absurdo, entretanto seria a lógica a ser seguida.
— Hinata, Shion odiaria este lugar, não perderia meu tempo para trazê-la aqui. – As mãos no bolso do jeans preto parece segurar algo. Não deveria ter dito nada. Apenas afirmo, seu jeito de agir no momento mostra que este trabalho está sendo um martírio, ele está outra pessoa comparando com o dia que esteve em minha casa. Isso me faz lembrar do pedido de desculpas, vem bem a calhar.
— Naruto, eu queria pedir desculpas pelo dia em que você foi contar sobre o trabalho de Arte, não estava sendo um dia fácil. – A surpresa em seu rosto me causa curiosidade, será que ele estava pensando que eu era aquela chatice?
— Ah, tudo bem. – Volto para o desenho que quase está completo e depois é só reproduzir na tela. O silêncio que segue após é extenso, Naruto está aparentemente pensando em algo, mas sua expressão leve indica que não são em problemas que sua cabecinha está pensando.
— Hinata, já acabou? – Naruto arca seu corpo para frente para olhar o caderno e constata que sim.
— Já, podemos ir se quiser. – Levanto me e quase acerto minha cabeça no queixo de Naruto, juro que pensei que ele havia se afastado.
— Desculpa. – A única coisa que consigo dizer pela sua aproximação curta, suas mãos em meus ombros, os quais servem de apoio para ele não cair para trás devido ao movimento rápido para se livrar da pancada que iria receber, se retiram.
— Eu que peço, deveria ter me retirado. – Sua estatura é maior que a minha, olhando aqui de perto ele parece intimidador.
— Então, vamos? – Afasto antes que minha vermelhidão atinja a cota máxima. Que vergonha, mesmo que, a culpa não fosse minha. Acho que estou paranoica depois do episódio Kiba, o qual está em noventa por cento em processo de conclusão de ser superado.
— Claro. Hinata está com fome? É que como eu estava atrasado não comi nada, então se importa de passar na cafetaria antes de eu deixa-la em casa? – Sua fala é rápida demais e a reação que tenho a essa ação é balançar a cabeça positivamente. Não vejo problema em passar alguns minutos a mais com Naruto. Após a caminhada extensa consigo finalmente sentar-me em algo confortável denominado banco do carro. O relógio informa que são nove e pouco, como o tempo voa.
— Então Naruto, você irá hoje no encontro com o pessoal? – Tento quebrar o gelo com Naruto que dirige atentamente.
— Ah, acho que sim, tenho que ver se TenTen vai querer ir. Esqueci de avisa-la. – O sorriso aparece logo em seguida. A leve impressão de que existe algo entre eles invade minha cabeça. Entretanto talvez seja somente a impressão mesmo, não consigo imaginar os dois como um casal.
Naruto Povs
Vê-la sentada ao meu lado é estranho. Está bem que ela já entrou no meu carro, mas enfim é estranho. É como se tivéssemos alguma relação a mais do que simples colegas, pois a única garota que entrou neste carro a qual eu não tenho interesses amorosos, por assim dizer, foi TenTen e agora ela.
Ligo o rádio para ver se espanto o silêncio. Admito que estava tratando-a com frieza por conta do dia em que fui até sua casa. Ela estava fria e chata e como é a primeira impressão que vale a define deste modo, contudo acho que me precipitei. Percebi que ela estava em um momento difícil e decidi trata-la da forma que merece, começando convidando para tomar café da manhã.
— Você acha que os outros vão? Quero dizer, os rapazes? – Os olhos grandes me olham compreensivos, acho que ela entendeu, não tem cara de ser lerda como eu sou.
— Sinceramente Naruto, acho que nem a Ino vai aparecer. – Apoia a cabeça no vidro do carro, é notável seu desanimo em relação a isso, talvez seja hora de anima-la com algo. Estaciono em frente a uma cafeteria qualquer.
— Vamos? – Antes que responda desço do carro enquanto ela faz o mesmo. Espero na porta do recinto, suas roupas, as quais não havia notado antes parecem serem de bonequinhas. Não que eu tenha bonecas, mas deixa para lá. Escolhemos uma mesa mais ao fundo e a garçonete chega para realizar algumas de suas tarefas.
— Bom dia, o que vão querer queridos? – O uniforme rosa me faz lembrar do dia em que estive aqui com TenTen. Calma está lanchonete é onde a Sakura trabalha, mas onde ela está?
— Gostaria da opção número três do cardápio por favor. – Hinata realizando o pedido me tira da análise que levaram anos de pesquisas.
— Eu quero o mesmo. Onde está a outra garçonete? – A loira de trinta e poucos anos levanta a sobrancelha questionando o motivo do meu questionamento. Responde, quem faz as perguntas aqui sou eu.
— Ah, você deve estar falando da Sakura, ela está de folga hoje. Com licença.
— Sakura trabalha aqui? – Me lembro que Hinata está aqui quando seu rosto de boneca está congelado na mesma posição.
— Pois é, também não sabia a pouco tempo. – Admito que é difícil conversar com pessoas reservadas com ela, não tem assunto que flua. O pedido chega e eu me assusto, que raio de comida é essa? A bandeja com monte de coisas verdes, as quais não conheço parecem ter um gosto horrível. A única coisa boa são as torradas com geleia. Onde está meu macarrão instantâneo? A risada da Hyuuga faz minha atenção desviar para ela. Isso não tem graça nenhuma, não vou comer isso.
—Deveria experimentar não são ruins como parece. – A voz suave some para que o suco de laranja seja ingerido. Mas nem agora e nem nunca vou comer isso.
— Quem sabe na próxima. Garçonete, pode trazer o número onze? – O acenar positivo com a cabeça dá até uma felicidade interna. Apenas a cara de incrédula de Hinata que não consigo entender.
— Você está pedindo hambúrgueres e refrigerante no café da manhã?
— Sim, já que não tem macarrão instantâneo no cardápio vai isso mesmo. – O balançar negativo da cabeça e o riso frouxo no lábio é algo bonito de se ver. Por que Hinata é sozinha?
Ino Povs
Acompanhar Temari até em casa não foi ruim, mas ela mora praticamente do outro lado da cidade. Resumindo até eu chegar em casa agora demora. O trabalho de Arte está pronto finalmente, a experiência não foi ruim, entretanto Temari disse algo que não sai da minha cabeça. Como assim, Gaara soube que eu o socorri naquele dia? Eu pedi para Rosanna não dizer nada, mas pelo visto isso não aconteceu.
Ele deve estar se perguntando por qual motivo eu estava por perto, enfim que vergonha. No entanto isso explica seus olhares constantes em minha direção, até mesmo sua irmã notou. Pensei que era apenas algum interesse sexual, como os de todos os outros garotos, mas enganei-me. Acho que não faço o seu tipo, o ideal de mulher por qual ele se apaixonaria. Isso chega a ser hilário, jamais isso iria acontecer, por ambas as partes.
Hoje é o dia em que vou sair com a Hyuuga e o pessoal do clube de música, ainda acho que esse negócio não vai para frente, nem mesmo depois daquela dura que a Senju nos deu. Enfim, nem mesmo sei se este encontro vai acontecer e caso venha se concretizar, vai ser um desastre.
Me acostumei mal com as caronas de Neji, caminhar não é como era antes, ou seja, uma tarefa fácil. É como se eu fosse uma senhora de setenta e cinco anos. E pensando em Neji, vou visita-lo. Não tenho motivo nenhum para vê-lo a não ser por Sakura. Já que os dois vivem grudados, aposto que vão estar juntos. E alias a casa dele é mais perto que a minha.
Após de encontrar pessoas conhecidas nas ruas e ficar de papo com elas, consigo ver o carro dele estacionado em frente do prédio. Subo os lances de escadas com as pernas pesadas. Soco a porta com exaustão e depois de alguns minutos esperando ela é aberta.
Sem camisa, com a bermuda caindo e deixando a roupa intima a mostra Neji aparece com cara de poucos amigos.
— Ora, ora que surpresa. O que você quer? – Acho que tive uma péssima ideia, onde estava com a cabeça?
— Bom dia para você também. A Sakura está aí? Bati na porta dela e ela não atendeu. – Mentira, mas ele não precisa saber disto.
— Não, ela saiu com o Uchiha. – Automaticamente a imagem de Sasuke vem em minha cabeça. Saiu? Com Sasuke, isso é novidade.
— Foram fazer o trabalho de Arte, daqui a pouco ela deve estar de volta. – Isso explica tudo.
— Eu posso espera-la, é importante. – Abro um sorriso e passo a mão no cabelo jogando charme, como mamãe ensinou. Ele deve malear depois desta. Não sei, mas depois de voltar a me vestir como sempre, também meu comportamento mudou, entretanto, algumas coisas podem ser mantidas, outras não.
— Está bem. – Abre por completo a porta logo em seguida some do meu campo de visão. Admito que a casa é muito, mais muito mesmo arrumada que a minha. Ele é um garoto estranho.
No sofá a garotinha dorme com o rosto coberto e o resto do corpo não. Que fofa! Sento na poltrona vermelha, a única vazia no momento e espero por Sakura com foi informado. Neji não cede sua atenção sequer um momento, estou tão mal assim?
— Neji, você viu o creme de barbear? Não está onde deveria. – Viro para trás e a imagem dele secando o cabelo com uma toalha enquanto outra enrolada na cintura não o deixa completamente nu.
— Eu que vou saber, pergunta para dorminhoca no sofá. – A voz vinda do outro cômodo da casa alcança a sala perfeitamente. Gaara suspira e pelo jeito ainda não notou minha presença na casa. Agora recordando assim tão vivamente que Gaara está aqui, foi uma péssima ideia vir aqui.
Ele senta no sofá e cogita se deve ou não acordar a menina, entretanto não chega a conclusão nenhuma e encosta no sofá olhando para o teto. Não posso negar que a visão é deleitosa, mas melhor manifestar me antes que ele perceba sua exposição.
— Então vai apenas ficar olhando? – Os olhos de cor indefinível por conta da luz solar me pega de surpresa. Bem eu deveria ter desconfiado que ele não é cego do modo que pensei. E quer que eu faça o que? Não consigo formular absolutamente nada em argumento.
— Loira quer algo? – O outro ser aparece desmontando o clima desagradável que se formou.
— Não Neji, eu já estou de saída. – Os olhos fixos em minhas pernas descobertas por conta do short jeans deslocam-se para Neji que continua em pé segurando uma vasilha.
— Não, quero dizer fique um pouco mais. Sakura já deve estar chegando. – Neji percebe o clima desconfortável e resolve piorar. Esses dois parecem conviver muito bem. Não acredito que estou desconfortável por conta do convite muito inesperado do ruivo. Então vai ficar apenas olhando?
— Está bem, eu aguardo. – O acenar positivo com a cabeça e o sorriso fino no rosto some no momento que Gaara resolve observa-lo. E a leve sensação que já fui pauta de assunto entre esses dois me parece concreta. Neji larga o que tem em mãos e pega a garotinha do sofá provavelmente para levar para o quarto.
— Não quero que Coral escute coisas inapropriadas. – A risada aparece junto com os dentes brancos e alinhados. Neji deve sofrer de dupla personalidade. Gaara não dá a mínima para o que ouviu e levanta-se segurando a toalha.
Os dois somem pelo corredor e eu fico sozinha na sala. As fotos em cima de uma mobília chamam minha atenção. Me levanto para observar melhor. Neji era fofinho quando criança e o homem com ele no colo deve ser seu pai. Estranho parece que já vi este homem.
— Senhor Hiashi? – Sim é ele, é difícil de ver o pai da Hinata, mas uma vez é suficiente para não esquecer mais. Calma deve ter algo errado nesta equação a não ser que Neji seja filho do Hyuuga ou...
— Não! Está eu quero ver. – Sei que não é assunto meu mais, dane-se. Coloco o retrato na estante novamente e vou para a cozinha, é hora de descobrir a verdade e cuidar da vida dos outros, mais especificadamente da vida do Neji.
O barulho da louça sendo lavada indica sua posição. Está sozinho na cozinha, onde será que foi o outro? Será que Sakura nunca percebeu?
— Quer ajuda? – Paro ao lado do rapaz concentrado em sua tarefa, que apenas balança a cabeça negativamente.
— Gaara a abandonou na sala? – Faço que sim com a cabeça escorando no balcão.
— Sabe, você era um fofo quando criança. – Seu rosto congelado pela seriedade tenta desenhar um sorriso.
— Era? Então não sou mais? – Larga o prato e levanta os braços e gira para que eu avalie o material. – Não consigo segurar a risada e ele acompanha com menor intensidade. Coitado nem sabe onde quero chegar com esta conversa.
— E se continuar assim vai ficar igualzinho ao homem da foto. – As sobrancelhas levantam-se como se eu tivesse acabado de falar a descoberta do século.
— É não seria ruim... meu pai era bonitão, não acha? – Coloca a louça para secar, ele parece executar tudo com facilidade.
— Claro, eu me casaria com ele, mas com todo aquele dinheiro e status ele nem olharia para mim. – Espero a reação mais grosseira possível que venha dele, contudo apenas recebo um olhar perdido. Ele se afasta para guardar os utensílios de cozinha e para ter tempo de formular algo em resposta.
— Neji você é irmão da Hinata? – A risada sarcástica e o passar de mãos na cabeça mostra sua irritação. Droga. O silêncio dele faz me arrepender.
— Sabe acho que a Sakura vai demorar e não, não sou irmão da Hinata. – Isso é surpreendente me mandou embora sem gritar comigo. Não foi está a fama que ouvi sobre ele.
— Neji desculpa, afinal isso não é assunto meu. Eu já vou mesmo. – Desencosto do balcão, droga eu deveria saber que não iria arrancar nada dele. Mas sua reação foi inesperada, existe algo aí. E está na cara que existe parentesco entre eles, apenas falta uma prova concreta.
— Tudo bem. – Ele senta na cadeira, acho que vou até a porta sozinha.
— Você vai hoje à noite né? Quero dizer na lanchonete em frente ao teatro municipal? – Abro um sorriso como se nada tivesse acontecido.
— Vou pensar. – Afirmo e o deixo sozinho, despeço me apenas com um acenar de mão, não tenho direito de dizer mais nada. Sigo para sala por onde vou sair, vou dar um fora daqui.
Recolho minha bolsa do sofá e vou em direção da porta, nem mesmo vou despedir-me de Gaara por hoje chega de confusões. Desço as escadas quase correndo e a imagem da fotografia ainda persiste em minha mente. Aí se eu tivesse como ver seu sobrenome ou qualquer documento sanaria minha curiosidade.
Saio da estrutura de concreto e o brilho advinda da lataria do carro me cega. Carro este pertencente ao possível senhor Hyuuga. Passo ao lado do automóvel e pela janela consigo ver a mochila de Neji. Deve haver algo nela, não?
A casa dele é muito arrumada, isso quer dizer que ele é todo certinho, então presumo que ande com seus documentos.
Fito a janela do apartamento e não vejo ninguém, abro a porta do carro que incrivelmente não está trancado. Qualquer dia vai ser roubado.
Entro dentro e vasculho a mochila com coisas comuns e finalmente acho a carteira.
— Hora de saber a verdade. – Aquela sensação de flagrante surge enquanto abro a carteira e procuro o documento de registro.
— É Neji você não engana ninguém. – No verso do documento com foto o nome completo aparece e a filiação também.
— Hyuuga ele é, mas quem e Hizashi? – É o que vou descobrir, arrumo tudo e saio do carro encontrando Gaara do lado de fora. Que susto!
— Neji não vai gostar de saber disso. – Pela primeira vez Gaara me irrita, droga!
— Mas ele não precisa saber, não é? – Me afasto do carro e Gaara acompanha na caminhada.
— Depende. – Paro de andar para encara-lo. Será que é sério isso? Chantagem, na realidade não tenho tanto medo do Neji assim.
— O que você quer? – Minhas mãos vão para cintura automaticamente.
— Não quero nada, apenas distancia de você. – Gaara afasta-se, não consigo entender. O sentimento de inconformismo afeta-me diretamente.
— Não se preocupe, desejo o mesmo que você. Mas querido frequentamos os mesmos locais. – Gaara retorna sua atenção para mim, ele e o resto das pessoas que passam na rua. Está certo que não deve se gritar para Deus e o mundo ouvir, mas que alternativa que tenho se ele me dá as costas?
— Vai ter que me engolir. Saio antes que ele rebata minha provocação. Qual é deste cara? Eu não fiz nada para ele além de ajuda-lo. Esquisito. E o que ele está pensando? Que eu estou seguindo-o? Bom, isso não importa, agora vou prensar Neji contra a parede antes que ele me denuncie.
Temari Povs.
Hoje o dia está incrível, até agora perfeito. Eu poderia ficar na minha cama e pensar no trabalho de Arte, este que se diga de passagem foi bem produtivo ou em como vai ser a cara do Gaara quando eu passar para pega-lo em sua nova residência. A qual obtive endereço com Ino.
Sete e meia e estou quase pronta, apenas falta calçar minhas botas. Eu poderia sim faltar neste compromisso, mas a questão vigente é: porque não ir? Não consigo achar motivos suficientes para não ir. A Hinata é legal e não tenho nada melhor para fazer.
E ainda ele vai estar lá, eu acho. Bom o Nara foi convidado. Admito que depois do episódio de sexta o qual gentilmente ele me emprestou a blusa, não sei o que aconteceu. Surgiu um certo interesse que não vejo mal em cultiva-lo. Está certo que ele é um vegetal, mas eu não sei definir o que está acontecendo comigo, talvez seja carência, não sei.
Enfim o combinado fora as oito horas, digo que estou atrasada. Por dois motivos, primeiro vou devolver a blusa do Nara, segundo vou convocar Gaara.
O motorista está a minha espera, vou pedir gentilmente para ele me deixar em frente a casa do Shikamaru. Pois acho um absurdo a pessoa ter habilitação e não dirigir, feito o meu pai, mas estou atrasada não consigo ver outra alternativa.
Sento-me na frente com o homem adulto e um piscar de olhos estou em frente da casa do Shikamaru. Agradeço gentilmente e desço, essa foi a parte fácil.
Aquela sensação dentro do peito é desesperadora, será que ele vai estar em casa? Toco a campainha e espero ansiosamente. Ansiedade o mal do século.
A porta se abre e através dela aparece uma mulher adulta, provavelmente é a mãe dele.
— Olá posso ajuda-la em algo querida? – Abro meu melhor sorriso, isso não estava nos planos.
— É eu queria devolver isso ao Shikamaru. – Os olhos deslocam-se para minhas mãos e o sorriso dela se abre completamente.
— Querida, entra! Vou chama-lo e você mesma pode devolver. Shikamaru. –Ela me deixa na soleira e sai gritando o nome do filho. Nem mesmo um minuto se completa e ela retorna sorridente.
— Ele está se vestindo em um minuto ele vai estar aqui. – A garrafa de bebida alcoólica em sua mão não combina com sua delicadeza.
— Entra meu amor. Me desculpa mais o que você é do meu bebê? – Ela senta no sofá e cruza as pernas perfeitamente. Acho que ela não bate bem.
— Eu sou apenas uma colega da escola. – O sorriso sinistro em seu rosto ganha mais efeito com afirmar da cabeça.
— Ah e você se importa de dizer o motivo de estar com o agasalho dele? – Ela deve ser um pouco bitolada.
— Ele me emprestou apenas. – Por incrível que pareça o sorriso dela aumenta ainda mais, provavelmente ela está equivocada em seus pensamentos.
— O que foi mãe? – Finalmente o vegetal aparece, nunca fiquei tão feliz em vê-lo. A surpresa por me ver fica evidente em seu semblante.
— Filho a sua colega chegou. Veio devolver seu casaco. – Os dedos fazendo aspas na palavra “colega” me assusta. O que ela está querendo insinuar com isso?
— Vem, vamos jantar queridos. – Shikamaru pega a blusa e joga no sofá e faz sinal para que eu siga para a porta.
— Mãe, nós vamos sair. Deixa o jantar para outro dia. Daqui a pouco estou de volta. – Apenas consigo acenar para ela enquanto Shikamaru empurra me porta a fora.
— Desculpe pelo jeito dela. É meio estranho. – As mãos são postas no bolso e seu rosto sério me faz querer correr.
— Tudo bem, eu não sou a pessoa apropriada para avaliar o comportamento de pais, olhe o meu. – O afirmar com a cabeça indica que não está com vontade de conversar.
— Bom, agora vou ter que sair. – Hum, isso quer dizer que não iria juntar-se a nós.
— Bem eu estou indo encontrar com a Hinata, vamos? – A avaliação dele demora e me faz ter arrependimento de ter aberto a boca.
— Tudo bem, vamos. – Ele entra novamente em casa e sai rapidamente. Atravessa a rua e abre o carro.
— Aceita uma carona? – Sem dúvida é tentador aceitar, mas tenho que ir convocar a cabeça de fosforo.
— Não obrigada, tenho que tirar Gaara da cama. – Ele afirma com a cabeça e entra em seu carro de pintura preta.
— Eu levo você lá. Entra aí. – Jogo meus ombros para cima. O que vier depois desta é lucro. Sento me e ele pergunta o endereço. Acho que não ficou muito contente em me ver. O silêncio torna-se um pouco constrangedor, mas a costumeira expressão de preguiça retorna ao seu rosto.
— Desculpe qualquer constrangimento. – A voz arrastada quebra o silêncio quase em frente ao endereço que Ino me passou.
— Imagina eu que peço desculpa por ter ido na sua casa sem aviso prévio. – A linha fina aparece em seu rosto. Boa tentativa de sorriso Nara.
— Chegamos no endereço. Tem certeza que é aqui? – Boa pergunta, espero que sim. Desço do carro e ele me acompanha.
— Posso ir com você, não é? – Afirmo que sim, o vento gélido indica que terá chuva mais tarde. Subimos o lance de escada e a porta que indica ser o apartamento aparece.
— Bem, segundo Ino aqui é o local. Só espero não ser atendida por outra pessoa. – Bato na porta e logo ela é aberta.
— Ainda bem que você chegou. Por que essa demora toda? – A decepção no rosto do cabeludo é evidente, deve estar esperando alguém.
— Oi o Gaara está. – Afirma com a cabeça e faz sinal para que eu entre. Surpreendente o apartamento está incrivelmente arrumado.
— Shikamaru, entre! – Neji chama o Nara para entrar enquanto eu já estou quase na cozinha.
— Onde ele está? – Neji fecha a porta e parece preocupado com algo. Quem será que ele está esperando?
— No corredor tem duas portas a porta a direita é o quarto dele, vai lá. – Faço sinal positivo, é claro que vou afinal faz tempo que não tiro Gaara da sua cama.
Abro a porta com brusquidão e o encontro como sempre, deitado sem camisa e com o travesseiro no rosto.
— Garotinha eu já disse para você não entrar no meu quarto. – Garotinha? Será que ele está falando com quem. Arranco o travesseiro de seu rosto e ele abre os olhos furiosos.
— Não sei quem você estava pensando que era, mas não é. Levanta daí, vamos sair. – Provavelmente ele está querendo me espancar e jamais estará feliz por me ver, está possibilidade é nula.
— Como soube do endereço? – Também já sabia desta pergunta, homens são previsíveis, bem Gaara é... as vezes.
— Informantes, vamos já estamos atrasados. E não adianta dizer que não vai, eu vim a pé até aqui. Vai ter que me levar, é o mínimo.
— Veio porque quis, não te chamei. – Gaara me responde e senta na cama, seu cretino. Acerto um murro em seu ombro e sua expressão é horrível.
— Anda logo, vou dar em cima do cabeludo lá na sala. – Gaara nunca gostou que eu tivesse interesse pelos seus amigos, mas é óbvio que não vou paquerar o tal do Neji. Mas isso vai fazer Gaara se arrumar e levantar o traseiro desta cama.
Fecho a porta e o deixo sozinho. Retornando para sala encontro Shikamaru com uma garrafa em mãos e sentando no sofá enquanto Neji veste uma camisa de manga longa preta. Pensando bem não seria má ideia Gaara.
— E então conseguiu alcançar seu objetivo? – Shikamaru pergunta descontraído, o que tem nesta bebida além de álcool?
— Pode ter certeza que sim. – Sento no sofá sem permissão e Neji não dá a mínima.
— E você não vai? – O Nara questiona Neji que apenas nega com a cabeça.
— Não, estou esperando a desmiolada da Sakura. – Ah, ele está preocupado assim com ela? Interessante.
— Ela também vai. Talvez nem venha para cá. – Sakura parecia animada com a ideia de saímos todas as meninas. Acho que ela não viria para cá.
— Não, ela saiu muito cedo e tem que voltar para tomar sequer um banho. – A voz grossa tenta explicar melhor o contexto, mas não consigo entender.
— Por que? Sakura também mora aqui? – Isso seria uma surpresa. Pensando bem faz sentido. O riso do Neji me diz que estou errada.
— Não, mas mora em frente. – Shikamaru levanta a sobrancelha deve estar se questionando em que pé está o relacionamento deste dois, quero dizer entre Sakura e Neji.
— Vamos Temari, quero voltar logo. – O esquentando número um aparece ainda vestido sua camiseta.
— Neji, o Gaara não quer deixar em pentear o cabelo dele. – Atrás de Gaara aparece uma criatura inferior a um metro como rosto emburrado. Gaara vira os olhos e Neji joga os ombros para cima.
— Não pode ter tudo o que se quer Coral. – Minha cara está no chão, mas que raio de lugar é esse? Onde tem dois adolescentes que moram juntos mais uma pirralha, é isso?
— Então Neji, acho que a Sakura deve estar com Hinata. –Shikamaru diz e levanta, Gaara abre a porta e Neji recolhe a chaves do carro e pega a garotinha no colo.
— Eu vou também, só vou deixar a Coral na vizinha. – Ele sai e em questão de segundos retorna sem a garota e fumando.
— Mostrem o caminho, estou logo atrás de vocês. – Todos seguem para o corredor, ainda estou um pouco perplexa pela situação estranha.
— Você disse que veio a pé, não foi o que Shikamaru disse. – Gaara diz enquanto descemos as escadas.
— Se eu não proferisse você não iria sair de casa, mas agora você vai. – Chegamos a rua e cada um vai em um carro. Prefiro ir com Shikamaru, já que Gaara dirige feito louco e não vejo razões para ir com Neji.
O Nara começa a dirigir e rir, deve ser uma das poucas vezes que o vi deste modo.
— Sem dúvida é a casa com pessoas mais estranhas que visito, agora encaixa a Sakura como vizinha. É para rir. – Sem dúvida, aquela menina vai ficar louca antes de completar dezesseis anos.
— Pois é. Não consigo nem ver à proporção que isso vai ganhar. – Shikamaru vai na frente dirigindo com calma, mas os outros dois não estão com tanta paciência assim e através das buzinadas faz Shikamaru dirigir mais velozmente.
Hinata Povs.
Péssima ideia, ninguém vai ir, mas melhor esperar como combinado. Desço do carro torcendo para que Ino já esteja no local, mas a surpresa é enorme. O Carro de Naruto estacionado do outro lado da rua.
— Ei! Hinata, espera. – Escuto a voz da Ino e olho para trás. E a encontro vindo a pé, aguardo como solicitado. Só não entendo por qual motivo Naruto não está em frente a lanchonete.
— Aquele é o Naruto? – Afirmo com a cabeça positivamente, estou feliz que os dois tenham vindo.
— Só não entendo por que não está na lanchonete. – Digo e Ino olha para o local que parece estar desativado.
— Vamos lá descobrir. – A caminhada até o carro é curta, mas tenho tempo suficiente para notar como Ino está bonita em seu semblante feliz.
— Oi meninas, tenho uma notícia ruim para informar, um papel diz que a lanchonete está em manutenção. – Ele desencosta do carro animado. Que péssimo!
— Será que vai vir mais alguém? – Ino questiona olhando ao longo da rua mal iluminada. Ótima pergunta.
— Onde está TenTen? — Questiono para o loiro que abre um sorriso. Não sei dizer se é por conta de eu lembrar dela ou se é algo além que meu cérebro possa processar.
— Ela está vindo. – Diz e aponta para além de eu, olho para trás e ela vem mastigando algo andando calmamente.
— Olá, o jogo de futebol me deixou com fome. – Oferece o sorvete apontando o alimento em minha direção como também para Ino que nega com a cabeça.
— Então acho que somos nós. – Ino coloca a mãos na cintura e Naruto joga os ombros para cima.
— Então vamos para onde? – TenTen pergunta já que a lanchonete está sem funcionar, droga deveria ter conferido o local antes.
— Eu conheço um local bacana. – Naruto abre a porta do carro e faz sinal para que nós, meninas entremos. Ino me olha e afirmo que sim. Não deve ser nenhuma espelunca. Mas antes de entramos um carro para na frente do de Naruto e mais dois chegam logo em seguida.
Dele desce Temari e Shikamaru, bom a Temari eu esperava, mas o Nara! Surpreendente.
— Oi, desculpe o atraso tive que arrancar alguém de casa. – Temari diz e aponta para Gaara que desce do carro com uma expressão péssima que piora quando seus olhos encontram os de Ino. Shikamaru e Gaara isso é mais do que esperava. Eles se aproximam de Naruto que se anima ao perceber que não vai ser o único garoto.
— Você? Não acredito nisto. – Ino diz e começa a rir, mas do que não tenho ideia, entretanto até eu virar me. Oh meu Deus.
— Fica quieta, onde está a Sakura? – Neji resmunga. Pena que não deixou a grosseria em casa e falando em Sakura onde ela está?
Sakura Povs.
Deus abençoe a América e amaldiçoe o Sasuke por favor. A caminhada nem foi difícil sabe, foi fácil para uma atleta como eu. O único problema foi com quem fui obrigada a caminhar. Tarefa a qual no momento não estou cumprindo. Sentar na beira do caminho e pensar na vida nunca foi bom como agora. Contudo melhor que isso é os olhos furiosos cheios de raios me fulminando. Já são oito horas da noite e a culpa de estarmos ainda na rodovia é minha, claro que não concordo com Sasuke.
Ainda falta treze quilômetros o que custa parar para descansar um pouquinho? Como nas últimas sete vezes? Não sou de ferro Sasuke.
— Pronto? Agora vamos eu tenho mais o que fazer. – Neste nível do campeonato ele nem grita mais comigo e suas grosserias diminuíram pelo simples fato de eu não dar importância a elas.
— Espera mais um pouco, meus pés estão doendo. – Meus dedos dos pés estão formigando e estou morrendo de vontade de beber água.
— Não sei você, mas eu estou indo. – Sasuke levanta do chão e joga a mochila nas costas, sai caminhando no meio da escuridão que ganha força ao passar dos minutos. Isso some e vê se não aparece mais.
Um barulho rastejante pela relva me deixa em alerta. Visto meus calçados, acho que não foi uma boa ideia deixar Sasuke partir. Credo, nunca pensei que um dia pensaria assim.
— Sasuke me espera. – Pego minha mochila e saio correndo descalça atrás da minha cruz, mas não consigo alcança-lo. Droga, eu vou acabar morrendo, é sempre assim nos filmes de terror. Os que ficam para trás são os primeiros que morrem.
A escuridão é intensa e não consigo achar a chama do isqueiro do Uchiha, a qual nos cedeu luz até o momento. Ah, eu quero minha mãe, pensando bem não quero não.
— Sasuke! – Ridículo, ridículo Sakura em que nível você chegou. Olha só para você, gritando desesperadamente só porque está sozinha no escuro e no meio do nada. As meninas superpoderosas teriam vergonha de você.
E sabe qual é a pior parte disto. É que sentiriam vergonha com razão. Sinto até as lágrimas de decepção delas, ainda mais da Docinho. Ah, é apenas a chuva para melhorar a situação.
Eu poderia chorar. Ninguém está vendo mesmo. A luz que vem de trás ilumina a faixa amarela indicando que estou bem no meio da pista. Como eu sou rebelde! Logo em seguida uma buzina forte me faz voltar a realidade. Viro me e encontro uma enorme carreta vindo em minha direção.
— Droga! – Saio correndo feito retardada para o lado tropeçando no meu próprio cadarço indo de cara no chão. Quando eu tiver meu programa na TV ele irá se chamar: De cara no chão! Aí como isso doí. A carreta parou pelo jeito, já que ainda estou com o rosto no capim.
— Ei mocinha, está tudo bem? – Levanto meu rosto com dificuldade e consigo ver a cara do motorista com o braço apoiado na janela. Faço sinal que sim com a mão.
— Estou indo para Suna, quer uma carona? – Aí se você soubesse o tanto que desejei ouvir isso nas últimas horas, entretanto não quero ser capa do jornal local: Menina encontrada morta na beira da estrada. Se ao menos ele estivesse comigo.
— Não obrigada. – Ele não parece ser psicopata, e está chovendo, não falta muito para chegar em Konoha e qualquer coisa eu o acerto com minha mochila.
— Espera, eu aceito sim. – A carreta já estava em movimento quando entro na cabine apertada ou é o motorista que é obeso? Dou meu melhor sorriso amarelo e ele segue viagem. Não sei porque fiquei com receio de motorista de carreta, afinal foi assim que cheguei em Konoha pegando carona com completos desconhecidos. E bem, estou vivinha até o momento.
— E então o que uma mocinha linda como você faz nesta estrada deserta? – Droga, deveria ter ficado na chuva. Seus olhos cobiçam minhas lindas pernas.
— Procurando o retardado do meu irmão. Ele é envolvido com gangue de rua sabe, um pouco da pesada e veio descartar um cadáver pela região. Ele ficaria muito bravo se algo acontecesse com sua irmã favorita – O sorriso perverso some por um instante cedendo espaço para o sarcasmo. É obvio que ele não iria acreditar na minha resposta, entretanto até apontar o idiota do Sasuke.
— Você pode parar para ele? Ele está vindo na nossa direção. – Falando no diabo, olha ele ali. Aponto para Sasuke que segue em direção oposta de Konoha. O homem fica hesitante, mas para a carreta. Sabe eu deveria deixar este cretino terminar nossa caminhada sozinho, mas eu sou uma pessoa de alma boa e estou com medo.
Abaixo o vidro e ele fica surpreso em me ver. Retira o capuz da cabeça e abre a porta, acena com a cabeça para o motorista e finge que não estou ali.
— Cede espaço Sakura ou quer que eu e sente no seu colo. – É não seria má ideia, me empurra para o meio e me aperta contra o motorista. Ele volta a dirigir e toda vez que vai trocar a marcha esbarra a mão na minha perna. Que repulsivo! E o idiota do Sasuke com as pernas abertas olhando a estrada.
Aproveito a curva e inclino me totalmente para cima o Uchiha que me olha torto, mas enfim parece perceber a situação e me deixa fica literalmente grudada nele. Antes ele do que o motorista.
— Então ele é o seu irmão? – O homem resolve abrir a boca. Sasuke franze as sobrancelhas não entendendo. Faço que sim com a cabeça.
— Estranho, eu não sabia que o senhor Uchiha tinha uma filha e ainda mais que seu filho mais novo era envolvido com gangues de rua. – O motorista aponta para o brasão da família Uchiha colado no portal uvas. Sasuke solta sua risada sarcástica o mais baixo possível.
— Não atribua importância a nada que ela te disse. – A voz grave do Uchiha quase me deixa surda. A risada do homem me constrange, que vergonha! Melhor ficar quieta depois desta.
Uma placa na beira da estrada indica que falta sete quilômetros para chegar na área urbana. A chuva passageira resolve parar ao contrário da mão abusiva do motorista. Deixo um suspiro escapar, hoje eu só quero chegar em casa.
Fecho meus olhos por mísero instante, finalmente o cansaço chegou. Abraço minha mochila e espremo mais ainda para ficar longe do motorista. Que dia!
Sinto um peso na lateral do membro superior da perna. Depois desta vou ter que descer, que descarado. Abro meus olhos pronta para descarregar xingamentos ao motorista, mas vejo suas mãos no volante. Olho para minha perna e vejo a mão do Sasuke, nem mesmo percebi o momento que ele passou seu braço atrás do meu pescoço. Seu braço serve como um escudo. Sinto a pressão de seu braço segurando me junto ao seu corpo.
Procuro pelos seus olhos, mas seu rosto está virado para janela. Fico te devendo está. Encosto minha cabeça em seu ombro, se Karin me visse agora teria um infarto. Meus olhos voltam a pesar e esforço me para deixá-los abertos.
Estou com tanto sono que estou vendo até Neji descer do seu carro. Neji? Me movimento com brusquidão fazendo Sasuke me olhar torto.
— Senhor pode parar, eu vou descer. – Aí que saudades dele, nunca mais vou reclamar de suas grosserias.
— Sakura ainda não chegamos, é só um bar de estrada. – A voz irritadiça me informa de um fato que já sei. A carreta para e eu aponto para Neji encostado em seu carro. Sasuke olha e cede passagem.
— Você não vem? – Que pergunta idiota. Sasuke me ignora, pego minha mochila com o maior sorriso nos lábios. Entretanto antes de descer sinto me na obrigação de falar poucas e boas a este homem horripilante.
— Obrigado. – Sasuke me corta e puxa me para fora. Por que as carretas são tão altas? Sinto suas mãos contra minha cintura e logo me solta no chão. Acena para o motorista e consigo ver o desenho da família Uchiha instalado na lateral da carreta que segue viagem.
Sasuke Povs.
Eu deveria estar pulando de felicidade, mas a única coisa que consigo fazer e ver Sakura correndo na direção de Neji numa felicidade fora do comum. É, ela é realmente detestável. Tive que descer antes que ela começasse a xingar o motorista e hoje já está tudo saturado.
Inferno é a palavra ideal para descrever cada minuto que passei ao seu lado, entretanto os últimos não foram ruins como os outros, foram de paz.
Aproximo e percebo que além de Neji, Gaara também está presente observando Sakura falar sem parar e apertar Neji em um abraço recíproco. Veja só que cena detestável, ele está louco por ela.
Afirmo ainda mais a minha tese quando sua atenção desfoca da rosada e segue para mim. Além de louco está furioso, mas não diz nada.
— Resolveu dar o ar da graça? – O ruivo com uma garrafa na mão questiona em uma pergunta sem querer a resposta, mas mesmo assim afirmo positivamente.
— E o que vocês estão fazendo aqui? – Pergunto realmente querendo saber o motivo de estar neste fim de mundo. Pelo que eu sei, ainda demora para chegar no perímetro urbano.
— Resumindo estamos aqui por causa do Naruto, uma longa história. – Retiro minha blusa enquanto escuto Neji falar enquanto Sakura coloca uma blusa masculina.
— Ei, vocês não vão entrar? Naruto está esperando vocês para jogar sinuca. – Nem preciso olhar para saber de quem se trata, sua voz é inconfundível.
— Já vamos Ino, só estou esperando a Sakura. – Neji diz e sinto os olhos dela sobre mim. Suas roupas são discretas e provocantes ao mesmo tempo, bem diferente das roupas dela.
— Gamba Hostil? Não sabia que tinha este bar. – Sakura desce do carro rindo, parece que seu cansaço virou ar.
— Vem Sakura, as meninas estão lá dentro. – Ino agarra sua mão a puxando para dentro. Seu semblante mal iluminado, causa dúvida se olhou para minha direção antes de partir. Gaara e Neji observa as duas se afastando como se fossem melhores amigas. Tsc, mulheres.
— Gaara o que houve com você e a Ino, ela só falta te atropelar. – Neji ri e bebe da sua garrafa enquanto Gaara o olha furioso. Não me surpreenderia se surgisse algo entre os dois. Ino sempre gostou de caras difíceis, como Hidan por exemplo.
— Nada, mas já você está babando pela Sakura e não percebe. – Joga a garrafa e desencosta do carro como se não tivesse recebido nenhuma provocação.
— Não é o que você está pensando. – Pela primeira vez escuto Gaara rir, ele exala agressividade.
— Ei, vamos entrar... Sasuke? – Naruto chega com Shikamaru em seu encalço. Hilário, quem diria que todos estariam presentes, por livre espontânea vontade ou nem tanto.
— Gaara, sua irmã está bebendo bastante em questões de segundo ela sobe na mesa e não desce mais. – Shikamaru diz com as mãos postas no bolso despreocupado com tudo.
— Não vai ser a primeira e nem última vez. – A risada de todos faz parecer que são amigos e não colegas.
— Vamos que não quero perder este show. – Neji diz e começa a andar, Gaara não dá importância como se não fosse sua irmã.
— Vamos Sasuke, você não tem escolha, tem? – Naruto diz e parte para a espelunca junto aos outros.
— Não, não tenho escolha. – Olho para estrada escura e o bar aos pedaços. O que vier depois de hoje é lucro.
Empurro a porta do bar e para minha surpresa o local não está as moscas. Na mesa mais ao fundo estão o pessoal do grupo e no balcão motorista de caminhões bebendo cerveja a doses cavalares. No palco um grupo de mulheres dançam animadamente para o grupo de motoqueiros que observam o show particular.
O lugar é rustico, mas tem um certo charme, seus clientes combinam com o local e o nome então, sem comentários. As únicas coisas que parecem peças de outro jogo são as meninas e ainda mais Hinata bebendo suco de laranja e rindo discretamente junto de Temari.
— Eles não mordem por incrível que pareça. – TenTen para ao meu lado com duas garrafas em mãos e logo junta se ao grupo entregando uma garrafa a Naruto. Chego e puxo uma cadeira sentando próximo aos homens, já que elas resolveram fofocar entre elas na mesa.
Shikamaru me estende uma garrafa a qual aceito sem hesitar. Tenho que me lembrar de voltar mais vezes a este local, eles vendem bebidas a menores.
— Essa eu pegava. – Neji aponta para garçonete que tem idade para ser sua mãe fazendo todos rirem.
— Duas garrafas já te alteram deste jeito? – O Nara questiona zombando da sua capacidade de ficar bêbado rapidamente.
— Não, ele bebe o dia inteiro, está fazendo graça e eu também pegava. – Gaara responde a pergunta e recebe uns tapas no ombro de Neji pelo apoio.
— Cara, vocês falam como se elas fossem objetos. – Naruto diz em defesa destas pobres mulheres.
— E não são? Precisamos desvirtuar alguém aqui. – Viro o restante da cerveja no gargalo depois observo o Nara observar Temari discretamente, também com um irmão feito o dela qual cara vai ter coragem de partir o seu coração?
— Vai dizer que acredita no amor também? – Gaara diz para o loiro enquanto os outros riem, seria a mesma coisa que acreditar em Papai Noel.
— Cara, olha quem é minha namorada e tire suas próprias conclusões. Mas olha para elas, não seria maldade trata-las como objetos? – Naruto argumenta e aponta para as garotas. Todas sorrindo e Ino como sempre falando animadamente enquanto Hinata experimenta um drinque que Temari oferece. Sakura come algo indefinível e TenTen escuta uma cantada de um garoto.
— Não. – Todos chegam a mesma conclusão fazendo um coro enquanto Naruto nega com a cabeça. Ainda há salvação entre nós.
TenTen Povs.
Naruto, eu realmente não sei como consegue achar estes lugares. E não sei como ninguém foi embora ainda. Os meninos estão um pouco afastados rindo e bebendo enquanto Ino diz algo que não consigo entender. Sakura come salgadinhos e Temari embebeda Hinata.
Shikamaru não para de olhar para Sabaku e eu acho que ela já percebeu isso, só espero que não acabe em encrenca.
— TenTen, o que existe entre você e Naruto? Bom vocês sempre estão juntos e ele parece gostar bastante de você. – Temari questiona o que a maioria do pessoal da escola já perguntou. Não existe nada além de amizade, pelo menos por minha parte da dela também, espero.
— Somos apenas amigos, nada mais. – Observo o afirmar nada sincero com a cabeça. Será que um homem e uma mulher não podem ser amigos?
— Eu acredito, Sakura e Neji também não se desgrudam e são bons amigos. Algo a declarar Sakura? – Ino pergunta e Sakura engasga fazendo o restante rir. Neji é um rapaz estranho, quieto e quando fala ofende. Não muito diferente dos outros, exceto pelo Nara e Naruto.
Vejo eles acabarem com uma garrafa em questões de minutos, todos mantem uma conversa trivial, porém de suma importância. Um desavisado qualquer pensaria que, eles formam um grupo de bons amigos de velha data.
— Sim, apenas amizade. – Sakura chama minha atenção, ela deve estar cansada ao extremo pelo o incidente. E que a sinceridade prevaleça, mas passar o dia com Sasuke não deve ser fácil. Entretanto ela vive com Neji, então deve ser fácil.
Levanto me e vou até o balcão e algumas pessoas no local me olham torto. Eu hein, não fiz nada para vocês. Peço mais uma lata de refrigerante e vejo Sasuke vir em minha direção. O Uchiha está péssimo comparando com sua imagem habitual, bom ele passou o dia inteiro fora de casa para fazer seu trabalho. É justificável e pensando em trabalho me recordo do meu. Ai que desastre, entretanto poderia ser muito pior.
— TenTen, Naruto me disse que seu pai é mecânico, será que ele poderia concertar meu carro ainda hoje? – Meu Deus, Sasuke dirigindo a palavra a mim. Que milagre e que absurdo.
— Sasuke creio que isso é impossível, pois já está tarde. – Observo ele passar as mãos no cabelo aflito. Será que ele não pode ir a pé para escola amanhã?
— Entendo, mas apenas o pneu furou e eu não tinha outro para trocar. Iria aproveitar o incidente para verificar as bobinas.
— Ah sim, entendo, mas mesmo assim Sasuke. – Ele afirma com a cabeça e afasta-se. Droga, ele nunca me pediu nada e quando pede não sou capaz de atender.
— Sasuke espera. E se você pedir um pneu reserva dos meninos? As bobinas eu posso olhar. – Chamo atenção de umas pessoas perto pelo tom da minha voz incluindo Sasuke.
— Acho que não vai rolar, nenhum daqueles caras vão querer emprestar seu carro para eu arrumar o meu. – Ele fecha os olhos por um instante parecendo irritado com algo.
— Pelo jeito não conhece Naruto, vamos lá. – Deixo para trás e sigo para a mesa dos garotos. Quando aproximo Neji me olha surpreso enquanto os outros bebem.
— Naruto, você pode emprestar seu carro por meia hora e seu pneu de reserva também? – Abro meu melhor sorriso enquanto o loiro processa a informação e tenta entender por que raios quero um pneu e seu carro, entretanto até Sasuke chegar.
— Ah, você vai ir arrumar o carro desse aí. – Bebe a cerveja e depois aponta para Sasuke.
— Hum, até parece que ela sabe concertar carros. – Escuto Neji dizer zombando do que Naruto disse. Não sabe de nada.
— Pode pegar, mas vê se volta logo. – Naruto diz um pouco relutante espremendo seus olhos para Sasuke, acho que o relacionamento deste dois não é bom.
— Ok, volto em uma hora. — Pego as chaves que Naruto lançou no ar e saio seguida por Sasuke. Vamos dirigir.
Ino Povs
Não sei se foi quantidade de bebida, mas acho que vi Sasuke e TenTen saírem juntos. Será que foram embora. Bom, hora de seu juntar com os rapazes.
— Meninas vamos conversar com os garotos, afinal era para ser assim desde o início, porem nos dividimos. – Temari que não está muito bem concorda, e eu que cheguei a pensar que ela era santa.
— Não sei se é uma boa ideia, eles estão bem sozinhos. – Ah, Hinata tão doce. Não sei como Temari fez ela beber tanto. No momento que vou argumentar Sakura puxa a Hyuuga pela mão.
— Vamos lá, o Sasuke saiu! – Sakura sai arrastando Hinata até a mesa dos garotos deixando eu sozinha, pois Temari já está lá. Acho que passar um tempo com Sasuke não foi a melhor experiência de sua vida.
Vou até a mesa sobre olhares constantes, mas nenhum me incomoda como o dele. Eu realmente queria entender o que passa na cabeça dos homens, especificadamente na cabeça de Gaara para ele agir deste modo repulsivo.
— Ei, onde foi TenTen? – Sento me próximo a Neji já que foi o único lugar a ficar vazio. Hinata e Naruto estão sentados próximo um do outro enquanto Temari e o Nara foram para o balcão apenas ficando Sakura escorada no Hyuuga e Gaara do outro lado da mesa.
— Disse que foi concertar o carro do Sasuke. – Neji diz rindo da possibilidade de TenTen saber concertar o carro.
— Sabe Neji, estou aqui me perguntando se é hoje que vou para o inferno. Já que é você que vai dirigir e não para de beber. – Sakura argumenta e parece exausta. Neji para de rir e de beber. Homens! Naruto começa a rir de algo que Hinata disse, eles são fofos juntos.
— Bom, eu já estou indo. Vamos Sakura? – Neji levanta e retira umas notas da carteira jogando sobre a mesa. Sakura afirma com a cabeça e também levanta se.
— Mais já, ainda está cedo. – Naruto diz animado. É Neji, ainda é cedo.
— Se você for, quem vai me deixar em casa? – Deixo a vergonha de lado e pergunto fazendo Neji me olhar.
— Hum é verdade, você não pode ir sozinha. Gaara te deixa lá, ele não vai se importar, não é? – O sorriso em meu rosto morre de imediato, pensando bem, eu me viro. Olho para Gaara que não diz nada. Os dois partem sem ao menos despedirem-se. Olho no relógio de pulso do Naruto e percebo que é tarde, muito tarde.
Olho para Shikamaru, talvez ele possa conceder uma carona até a cidade, mas ele e Temari estão entretidos demais para atrapalhar.
— Vou indo. – Gaara diz e acena discretamente para Naruto e depois me olha e sai. Qual é, esse é o modo de chamar alguém para ir embora. Me levanto, acho que vai ter que ser com ele ou não vai ser com ninguém. Aceno para Temari e para Naruto e vou me antes que eu tenha que correr atrás do carro.
Saio do Camba Hostil, que nome! Sinto o vento gélido de cortar a pele até achar Gaara encostado em seu carro paciente. Nossa, ainda não ligou os motores? Apenas quando aproximo que ele resolve entrar. Faço o mesmo e ao entrar sinto o cheiro agradável, porém forte.
O silêncio não me incomoda mais, ele deve ser assim calado. Contudo o modo que nos tratamos hoje cedo foi grosseiro e isso me incomoda. O vento entra pela janela fazendo minha pele ficar gelada. A velocidade do carro é alta, mas não sinto medo, afinal Sasuke sempre dirigiu assim.
— Por que? – Escuto a voz grave e minhas recordações afastam-se. Olho para Gaara que mantem seus olhos firmes na pista. Não entendo sua pergunta e mantenho me em silêncio.
— Por que você estava lá, naquele dia? – Como um flash lembro do dia do incidente. Apenas não entendo o porquê desta pergunta agora.
— Apenas estava acompanhando uma amiga. – O observo com o canto do olho, permanece estático, sem emoções na face.
— E por que não deixou eu morrer? – Fecho meus olhos, não creio que estou ouvindo isso. Jamais deixaria alguém morrer seja ela quem for. Não respondo, acho desnecessário. Encosto a cabeça no banco tentando relaxar e esquecer a imagem de Gaara fragilizado naquele dia, imagem muito oposta do momento.
Sinto a brusquidão do carro sendo parado sem diminuir a velocidade. No meio da pista, no meio do nada. A respiração de Gaara está descompensada feito a minha, porem existe uma diferença: a minha é pela freada repentina, mas e a dele? É porquê?
— Você está louco. – Exalto me, o carro poderia ter capotado. Qual é seu problema Gaara?
— E você não respondeu minha pergunta. Por que Ino? – Meu nome sendo dito por ele, causa comoção. Tento ver seus olhos, mas falho. Gaara, o que você quer ouvir?
— Jamais deixaria uma pessoa qualquer morrer, seja ela quem fosse. – Seu silêncio me sufoca, será que ele não pode conversar normalmente.
— E porque você ficou lá? No hospital até alguém chegar. – Me pergunto até que ponto Gaara sabe sobre o ocorrido. Surpreendo pela pergunta e não consigo achar resposta convincente. O silêncio que segue é perturbador.
— Eu não sei. – Não tinha parado para pensar, acho que talvez por obrigação ou pelo fato de ter visto Gaara anteriormente, eu não sei.
— Gaara, o que você tem contra mim? – Minha pergunta feita sem pensar pega de surpresa. Tanto ele como eu. Qual é a razão de saber disto? Qual é a importância de tudo? O ronco do motor volta a ser o único som a ser ouvido. E ao longe consigo ver as luzes da velha Konoha.
Gaara está visivelmente mais estável. Eu queria saber quais são os motivos que o fez tornar-se quem é. Minha pergunta não tem retorno. De ambas partes, não consigo entender. O carro para na esquina próxima a minha casa. Olho para Gaara antes de descer e confirmo minhas suspeitas. Ele é meu oposto, mas parece machucado com algo irremediável. Abro a porta do carro e coloco meus pés em uma poça de água formada pela chuva horas atrás. Entretanto antes de descer sinto o peso em meu braço.
Viro e encontro Gaara segurando-me firmemente. Está próximo o suficiente para tocar-lhe o rosto, contudo a única coisa que consigo ver são seus olhos com um brilho diferente. Nem mesmo o verde consegue esconder a dor. Esses olhos, estão tão parecidos com os meus naquela época. Escorrendo dor e por mais que acredite que tudo irá ficar bem, você não consegue achar saída e o fim de tudo parece atraente demais para não desejar.
Sem consciência me aproximo mais, agora parece tão fácil entender seus motivos, os quais não sei. Mas a dor em seus olhos eu não desejo a ninguém.
— Gaara, o que aconteceu com você? – Seu perfume me inebria e por um momento a vontade de abraça-lo surge. O silêncio retorna e sinto a mão em meu braço afrouxar-se. Está me deixando ir.
— Eu não sei. – Antes de descer escuto sua voz, mal coloco os pés no chão e ele parte. O que aconteceu aqui? E que desculpa medíocre, como assim não sabe o que houve. Aperto o passo, agora só quero dormir e esquecer de você Gaara. “ Gaara, o que você tem contra mim?”
Travo meus passos na soleira da porta, Ino você já foi mais esperta. A resposta dele foi para a para primeira pergunta. Eu não sei, então vamos descobrir. Por que agora até mesmo eu quero saber.
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