Golden Years

12 Primeira canção


Notas iniciais
Oi queridos, mais um capítulo! Gente é complicado deixar evidente quais personagens estão cantando no momento da música, espero que consigam entender qual é qual. Bom a música é do ABBA - Knowing Me, Knowing You de 1975. Espero que gostem do capítulo, boa leitura.

Vamos lá, mas um dia da minha vida descendo por ralo abaixo em completo desperdício. Aula, mais aula e para melhorar mais ainda tem o clube de música. Isso está atrapalhando minha vida, nem mesmo consigo tempo para sair com meus amigos direito. Falando em sair, da última vez que fiz isso, ou seja, este sábado o que presenciei foi de cortar o coração.

Coitada da Hinata, fazer a menina pagar de palhaça, isso foi baixo até em meu conceito e olha que não sou exemplo para ninguém. Vê-la levantando com lágrimas formando nos olhos foi de dar pena. Até pensei em fazer algo mais não era da minha conta e Karin surtaria, não estava com vontade de ouvir suas reclamações.

Ela ainda não chegou, acho que não irá vir, mas com o pai que ela tem não duvido nada que apareça. Provavelmente a maioria da escola está sabendo da brincadeira idiota do Kiba, fiquei sabendo que tudo aquilo era uma aposta. Mas será que não tinha outra garota para fazer está brincadeira?

Admito que se fosse outra menina eu teria me divertido muito, entretanto rir da menina que passou a primeira infância brincando comigo não parece justo e animador. Na verdade agora sinto-me um otário, devia ter dito algo ou não ter deixado a garota ir para casa e sob chuva. Tsc, maldição.

— Bom dia meu amor, sentiu saudades? – Na verdade nem um pouco, Karin está torrando minha paciência mais rápido do que pensei. Antes a minha paz tinha tempo maior, mas agora é só ela abrir a boca que tudo se vai.

— Não. – Ela abre o sorriso, será que ela não percebe que estou falando sério? Irritante. Os alunos começam a preencher seus lugares, mas nada da Hinata chegar.

— Acho que a Hyuuga não vem hoje, eu não veria depois daquilo, que burra. – A loira sem cérebro chega falando para completar o circo, que inferno.

— Nem eu, deveria ter tirado uma fotografia para eternizar o momento. – Karin diz e continua a falar e falar coisas que não me interessam. Fotografias, faz tanto tempo que não toco em minha câmera, não faço ideia onde ela esteja. O meu último negativo não foi revelado e não pretendo revela-lo, nele apenas tem foto da Ino por Konoha inteira.

O professor entra na sala com mais sono que eu. Acostumei acordar cedo por conta do meu pai e seus exercícios loucos. Karin está com a saia tão curta que deixa a calcinha a mostra, deve ser de propósito.

Naruto já está aqui faz tempo, foi um dos primeiros a chegar deve ser por isso que está babando na carteira toda, acordou muito cedo. Vendo ele assim me faz lembrar dos outros que estão na mesma encrenca que eu. Alguns ainda não chegaram e ela está entre eles.

Sakura não gostou de eu tê-la salvado da pancada que iria levar na aula de educação física, mal agradecida. Se ela soubesse o tanto que eu ouvi por conta da minha ação nobre. Da próxima vez deixo ela ser atingida.

— Agora que a maioria já chegou vou sortear as duplas para trabalho. Que trabalho? Muitos devem estar se perguntando. O trabalho é muito simples.

O professor de arte o qual não me recordo o nome diz animado. Tsc, quando as palavras simples e trabalho estão na mesma frase isso significa que se ferramos, droga.

— Muito de vocês vão gostar e outros nem tanto. Iremos montar uma exposição e vocês alunos podem utilizar o que quiserem. Talvez quadros, esculturas ou fotografias, desde que seja dentro do tema proposto. O simples, o singelo, o cotidiano tem que ter foco. Coisas simples que não damos importância no dia-a-dia.

O professor fala e parece ter um orgasmo a cada palavra que diz. Continua a falar como é excitante, revigorante e apaixonante as formas artísticas.

— E os melhores trabalhos serão enviados para diretoria de ensino da região. Agora vamos ao sorteio. – Ele tira a boina e coloca os papeis com os nomes dentro, será que isso é realmente necessário? Sorteio para que, afinal todos aqui na sala têm duplas definidas.

— Professor não é melhor fazer outro dia? Está faltando muito alunos. – Shion diz algo que presta enquanto passa a mão no cabelo do Naruto.

— Não, os alunos que estão aqui avisará seu respectivo parceiro. Vamos lá. – Ele começa a abrir os papeis e conforme as duplas são definidas muitos torcem o rosto de desgosto. Karin saiu com Nara, coitado. Naruto com Hinata, acho que ela vai fazer essa porcaria sozinha se depender dele.

O meu nome demora a ser dito, bom seja com quem for, vai ser bem rápido. Neji irá fazer dupla com Shion. Temari com Ino e TenTen com Gaara. Falando nos irmãos estes faltaram. O ruivo ainda deve estar no hospital e é lógico que a irmã está com ele. Bem eu ficaria com Itachi no hospital em qualquer situação, apesar de tudo ele é meu irmão.

— E Sasuke e Sakura, bem estas são as duplas. O trabalho é para semana que vem, não me decepcionem. Agora vou dar exemplos do que vocês podem utilizar. – Parei de prestar atenção na palavra Sakura. Ela vai querer morrer quando souber já que não está na sala.

— Será que não pode trocar? Não quero que você fique nem um segundo sequer perto daquela umazinha. – Às vezes me esqueço porque fiquei com Karin, deveria ter escolhido Shion ou qualquer outra.

— Não Karin, não pode, Não ouviu quando ele começou a falar? – Na verdade o professor não disse nada em relação a isso, mas não precisa ser um gênio para saber que não. E no fim das contas talvez não seja ruim assim passar meia hora com Sakura. Pensando pelo lado positivo pelo menos não formo par com Ino.

— Com licença professor. – E pensando nela... ela aparece, Sakura está um pouco ofegante e descabelada, não consigo imaginar quem goste dela, deve ser doído ou muito chapado para isso. O que será que ela faz para chegar atrasada assim?

— Agora que vocês já têm uma noção, podem se sentar com seus parceiros para discutir o que irão fazer. Vamos meus amores. – As palminhas que ele bate deixa sua masculinidade em dúvida. Observo minha parceira juntar as sobrancelhas em confusão. Karin acerta um beijo em meu rosto e diz algo que não consigo ouvir e não faço questão de saber o que era. Levanto-me da cadeira e vou a passadas lentas até a pessoa alheia de tudo.

Ajeito me do lado da esquisita que torce o rosto ao me ver. Tenho má notícias! Para ela, é claro. Porque para mim tanto faz.

— O que está acontecendo? – Ela questiona ao ver que todos estão trocando de lugar. – Se você chegasse no horário saberia.

Acho que sua vontade de bater-me agora é enorme. Revira os olhos e vira o rosto em seguida. – Um trabalho de arte, isso o que está acontecendo. Sou seu parceiro por pura obrigação, então facilite as coisas para nós dois.

Digo e cruzo meus braços ela abre um sorriso falso. Até parece castigo, desde do dia em que pedi para ela sair da minha frente ela está presente em quase tudo feito na escola.

— Ah é claro e o que você propõe? Já que nem me explicou direito o que temos que fazer. – Levanto a cabeça para ver a expressão horrorosa da garota, contudo apenas encontro um par de olhos verdes com pupilas dilatadas.

— É simples, temos que fazer algo para a exposição. E este algo tem que ser singelo e do nosso cotidiano, coisas que são invisíveis ou não atribuímos importância. Pode ser exibido por esculturas, quadros entre outras coisas – Tento explicar da melhor forma possível para a rosada entender. Ela coloca a mão no queixo provavelmente pensando em algo.

— Podemos utilizar a paisagem da cidade, as pessoas não prestam muita atenção. – Até que tem razão, mas muitos vão ter a mesma ideia, já que é para capturar algo simples e presente nas nossas vidas.

— Hum. Podemos usar a fotografia. – Digo e observo ela afirmar positivamente com a cabeça.

— Eu não tenho câmera e sou uma péssima fotografa. – Já desconfiava disto antes mesmo dela dizer, mas isso não é problema.

— Eu tenho e sei fotografar, escolhe você um lugar da cidade. – Ela escuta atenta, até que isso está sendo mais rápido do que imaginei. Bom eu já vou tirar as fotos, ela tem que fazer algo, nem que seja escolher o lugar que vou ter que escolher outro, pois tenho certeza que vai ser uma merda.

— Bom, tem um lugar que é muito lindo, mas fica um pouco longe. Sabe aquelas planícies a pouco quilômetros ao sair de Konoha? Então lá tem o pôr do sol mais lindo que já vi. – Ela tem cara mesmo de gostar destas coisas, eu não gosto, todavia uso em minhas fotos.

— Poucos quilômetros? Não é tão perto assim e por que ao invés do pôr do sol não fotografamos o nascer do sol? – É um ótimo lugar, mas fica longe pra caramba. Cada coisa que tenho que ouvir. Ela concorda com minha proposta.

— Ué? Você tem carro para que? Só para vir e voltar da escola? – Abusada, ela abre um sorriso vitoriosa.

— Está bem. Que dia você pode? – Essa conversa já deu o que deveria dar, nem imagino que vou ter que passar no mínimo uma hora com ela para ir até a planície. Não quero nem pensar.

— Como assim? Você pode ir sozinho, afinal você que vai bater a foto. Eu vou fazer o que lá? – O que ela disse é verdade, não vai fazer nada. É algo tentador, ir sozinho até lá, mas eu não vou fazer isso sozinho para nós dois conseguirmos uma nota descente.

— Mesmo que você não vai fazer nada, você vai. O trabalho é em dupla. – Ela suspira, até parece que vou acordar cedo e ela vai ficar dormindo.

— Está bem, só posso no domingo. – Nossa, que garota ocupada, mas domingo não é tempo suficiente para revelar a foto, mesmo que eu faça isso.

— Domingo não é o melhor dia, não vai dar tempo de revelar a foto sem noção. – Ela sorri falso. O que era para ser fácil já está complicando-se, melhor ela está complicando.

— Está bem e no sábado? Você quer tirar foto do nascer do sol e isso é de manhã, a semana inteira temos aula esperto. Tem mesmo que ser o nascer do sol? Os dois são iguais; o nascer e o pôr do sol, você está complicando Sasuke!

Isso só pode ser brincadeira, eu estou complicando? É só faltarmos na aula irritante. Já não suporto mais está garota.

— Não, não são iguais. Não tem orvalho e o jogo de luzes são diferentes irritante. Tudo bem pode ser no sábado. – Ela franze o cenho por algum motivo, espero que não seja outra desculpa para complicar minha vida.

— Está bem, que horas? – Ela apoia a mão na cabeça, até parece que está tento algum trabalho. Tsc.

— Quatro e meia estou na frente da sua casa. – Ela arregala os olhos, sabia que iria ficar surpresa por conta do horário. Quem mandou escolher um lugar longe.

— Pra que tudo isso, você está brincando né? – Ela faz uma expressão de descrente que ouviu o que eu disse, é claro que não estou brincando.

— Não, precisamos chegar antes que o sol nasça. E chega deste papo, sábado eu passo na sua casa e espero que esteja acordada e vestida, não quero vê-la novamente naqueles trajes.

Seu sorriso por entender o motivo de irmos cedo some conforme assimila o que eu disse. Seu rosto fica vermelho e antes que ela saia do seu estado levanto-me indo para minha carteira.

Volto ao meu lugar e Karin ainda não está. Tsc, mais um sábado perdido. Observando Sakura daqui ela parece quão feliz quanto eu. Só tem um problema não estou nem um pouco feliz.

Gaara Povs.

Tento abrir meus olhos, entretanto estão muito pesados, minha cabeça doí e eu não consigo lembrar de nada útil. Abro meus olhos e a claridade faz retroceder automaticamente. Pisco diversas vezes até acostumar com a claridade, todo este trabalho para encontrar o teto branco. Viro-me para o lado e uns aparelhos estão encostados na parede. Onde estou?

Viro a cabeça para o outro lado encontrando Temari dormindo sentada em uma poltrona. Já sei onde estou. Retiro a máscara do meu rosto respirando normalmente, apoio me nos meus cotovelos forcando para levantar meu próprio corpo. Finalmente consigo, tudo está dolorido. Situação similar as outras vezes que fui parar no hospital. A única coisa que consigo lembrar é uma mulher gritando meu nome, contudo não sei a quem pertence a voz.

A dor em minhas costas é forte, acho que devo ter levado uma pancada forte. Temari se remexe desconfortavelmente na poltrona, seus olhos tão verdes como o meu se abrem devagar, porém ao me encontrar aumenta sua velocidade. O que será que ela está fazendo aqui?

— Gaara, finalmente você acordou. – Ela levanta e vem em minha direção, mas trava os passos por algum motivo.

— O que aconteceu? – Realmente não consigo me lembrar, isso chega a ser ridículo. Temari me olha com uma expressão triste na face, o que foi? Alguém morreu?

— Gaara você sofreu uma overdose de cocaína e álcool. – Seu suspiro soa alto o suficiente para eu perceber o problema que isso vai dar. Agora recordo de tudo antes de apagar. Se Temari está aqui; ele está.

— Onde está nosso pai? – Não dou a menor importância pelo o que aconteceu, é a segunda vez. Meu pai deve estar louco de raiva.

— Está em casa, ele disse que iria esperar você acordar para ir embora. – Ela diz e senta na cama. Tenho certeza que vou ouvir o maior sermão da vida. Não esperava vê-lo cedo deste modo. Não era para a overdose ter ocorrido, perdi a noção de quantidade e o álcool apenas piorou.

— Por que? Por qual motivo você fez isso Gaara? – A voz forte da minha irmã nunca soou tão baixa como agora, seus olhos estão borrados de lápis preto. Por que? Por que eu fiz não sei, apenas precisava sentir me eufórico, fugir... nem mesmo que sei.

— Temari eu não quero falar disto. Eu já posso ir embora? – A ansiedade em saber a resposta some do seu semblante enquanto afirma que sim com a cabeça em referência a minha pergunta.

— Foi por causa da gente não é? Por conta do papai, do Kankuro e de mim. Afinal que espécie de família nós somos né? Eu só quero dizer que sinto muito pelo o que aconteceu.

Seus olhos ficam brilhantes pelo acumulo de água, cada palavra que ela diz os seus olhos desviam e retornam rapidamente. A culpa não é sua Temari, a culpa não é de ninguém ou quase ninguém. É apenas de uma pessoa. Seu suspiro soa alto novamente.

— Vou avisar a enfermeira que você acordou. – Ela levanta da cama, sua camiseta longa demais cobre sua saia jeans desfiada. Seus cabelos encaracolados estão desarrumados, acho que ela ficou um bom tempo nesta poltrona. Logo ela retorna e o médico vem junto.

— Ah, bom dia. Vamos checar como o senhor está. – O médico começa a analisar-me como um produto qualquer. Temari para na porta encostando no batente de braços cruzados. Afinal o que foi aquilo? Nós nunca fomos próximos o suficiente e agora vem com aquele papo de culpa? Eu nunca facilitei para você Temari.

— Bom, você está instável e pode ir para casa, mas seria bom ficar para sua completa recuperação. Vê se não dá mais este susto na sua irmã e namorada, elas ficaram apavoradas.

Recebo os costumeiros “tapinhas” no ombro e o médico se vai. Do que ele está falando? Acho que não sou o único a usar drogas neste hospital. Temari sorri e vai para o armário que tem no quarto.

— Que dia da semana é hoje? – Uma enfermeira entra pela porta e vem até mim começando a retirar os fios que estão em mim.

— segunda-feira. – Ela retira do guarda roupa minha camiseta vinho e a calça jeans preta, nunca gostei desta camiseta.

— Você já está liberado, qualquer sintoma entre em contatos conosco. Com licença. – Ela sai batendo os saltos no chão, como ela socorre alguém usando aquilo?

— Bom se veste ai, estou te esperando lá fora. – Temari joga minhas roupas na cama e sai. Pelo visto ela já está normal.

Tiro essa roupa ridícula do hospital e coloco a camiseta. Quem será que me socorreu? Meu “papai” não vai ter que assinar para que eu saia daqui? Termino de me vestir e abro a porta. O corredor longo tem vários médicos e enfermeiros, todos de branco.

— Quer comer alguma coisa? – Temari desencosta da parede, ela está feliz ou contentada com algo, deve ser pela minha recuperação.

— Não. Quem foi que me socorreu? Você tinha viajado e a empregada estava de folga. – Minha garganta está seca, meu corpo doí a cada passo. Fiquei muito tempo imóvel.

— A Rosanna, ela foi buscar as roupas para lavar e quando entrou no seu quarto para pegar as suas te encontrou. – Temari me responde quando estamos fora do hospital, o sol está fraco, contudo consegue esquentar minha pele, deve ser onze horas nesta posição do sol. Admito, tive muita sorte. Temari atravessa a rua e eu a sigo. O hospital não é longe de casa, mas creio que ela não veio caminhando.

— Espero que não se importe, mas peguei seu carro emprestado. – Ela vira para informar o uso do meu carro enquanto coloca a chave no meu Mustang preto.

— Estou vendo. – Mal uso este carro, só o comprei para provocar meu pai, mas ele nem se importou. Sento no banco de carona e ela da partida.

— Está preparado? – Ela me pergunta séria sem desviar os olhos da rua. Observo a paisagem verde. O encontro que vou ter com o senhor Sabaku não vai ser fácil e muito menos agradável.

— Sempre estive. – Temari vira seu rosto um instante para me observar. Aumenta a velocidade consideravelmente.

— Então quando mais rápido isso começar, mais rápido vai acabar. E não quero mais meu pai em nossa casa, mesmo que seja ele que pague as contas. – Ela diz rindo na última parte. Nossa casa? Isso é novo para mim, já que Temari passou um mês inteiro jogando na minha cara que a casa era dela e então eu devia seguir suas regras. Quando mais rápido começar, mais rápido vai acabar.

Tsunade Povs.

Problemas, problemas e mais problemas. E quando você pensa que está resolvendo todos aparecem mais alguns. Já não bastava Sasuke, Neji e agora Gaara.

Está certo que eu tenho escolha em não me envolver, mas o que será deste garoto? E afinal eu preciso dele, de todos eles. E quando o senhor Sabaku veio pessoalmente tratar da vaga do ruivinho, até mesmo eu, Senju Tsunade fiquei impressionada com a frieza do homem. Aquele garoto deve passar poucas e boas na mão dele.

Neste momento estou tocando a campainha da casa de Gaara. Venha o que vier eu estou pronta.

— Pois não? – Uma mulher uniformizada atende a porta. – O senhor Sabaku está? Preciso conversar com ele, diga que é a senhora Senju, a diretora do colégio onde seus filhos estudam.

A mulher faz que sim com a cabeça e entra deixando-me plantada na soleira da porta. Contudo retorna rapidamente.

— Me acompanhe Senhora Tsunade. – Ela faz sinal para que eu a siga, como ela sabe meu nome? Bom todo mundo que se prese sabe meu nome. Sigo até a sala onde sentado no sofá está o tal pai.

Ele larga o jornal e levanta do sofá apertando minha mão. Onde será que aquelas crianças abençoadas colocaram a educação que provavelmente receberam do pai?

— Bom dia senhora Senju em que devo sua presença? – Ele aponta para o sofá para que eu sente. Abro um sorriso, isso não vai ser fácil.

— Soube do quadro de Gaara e gostaria de saber como ele está. – A frieza em seu rosto é absurda, não deve ser normal.

— Creio que ele esteja bem, acho que daqui uns dias receberá alta. Rosanna por favor, providencie um chá. Alguma preferência senhora Senju? E como vai os negócios da família?

Que negócios? Não sobrou quase nada e as empresas Senju quebraram. – Seguem bem, falindo, mas prefiro conversar sobre Gaara. Quais medidas pretende tomar agora em diante?

A empregada retorna com a bandeja de chá em mãos e logo some da minha visão. Antes que ele me responda serve-se e faz sinal para que eu me sirva.

— Não tenho nenhuma providência a tomar, já fiz tudo que tinha que fazer. – Bebe do chá e fala a coisa mais absurda que já ouvi e olha que não são poucas.

— Creio que reconsidere sua decisão, afinal filho não é como dinheiro. – Ele me olha descrente que ouviu isso, ainda mais de uma desconhecida. Seu sorriso fino aparece, mas logo some. Quando vejo que ele se prepara para falar educadamente em resposta a minha provocação a porta abre.

— Rosanna por favor, faz um lanche para Gaara, ele já saiu do hospital. – Temari grita sem notar a presença dos adultos na sala. Então Gaara já saiu. O senhor sentado no outro sofá leva a mão no queixo. Respiro profundamente por que tenho certeza que o clima nesta casa vai esquentar e eu sempre no lugar certo e na outra certa ou seria ao contrário.

— Temari não seja sem educação, comprimente a senhora Senju. – O único pai da casa levanta do seu assento olhando para porta além de Temari. Quer vê-lo no fim das contas. Temari abre a boca surpresa por minha presença, eu não sei porque eles fazem está cara de desespero. Deveriam ficar felizes em me ver.

Antes que a garota diga alguma coisa, o motivo de eu estar aqui aparece atrás de Temari. Como está pálido. Seus olhos caem na figura igual a sua, porém mais velha.

— Que bom que saiu filho, venha temos que conversar. A senhora Senju poderia nos dar licença? – Ele está me mandando embora, que cordialidade. Acho que não tenho alternativa, levanto-me do sofá.

— Não a necessidade, não tenho nada a conversar com o senhor. – A voz do garoto soa alto o suficiente para causar desconforto nos presentes.

— Se você prefere assim. Nunca pensou mesmo no nome da família ou em sua dignidade. – Que papo é esse? Gaara é adolescente é obvio que ele não vai se importar com isso. O pai do garoto coloca a mão no bolso do terno e pega ar para falar.

— A partir de hoje você não é mais o meu filho e não vai mais viver nesta casa. Já gastei muito do meu tempo com você. Agora você não passa de um desconhecido para os Sabaku.

A empregada coloca a mão na boca abismada pela naturalidade em que seu empregador diz. Temari respira fundo e fica sem reação, mas o garoto está como o pai, duas pedras. Que absurdo dizer isso. Filhos são as coisas mais preciosas no mundo e aparece este sem noção.

— Pai, o senhor não pode estar falando sério. – Temari perde a linha e grita com seu pai, mas Gaara continua o mesmo. Até parece que não foi ele a ser expulso de casa.

— Deixa Temari, eu não quero nada que venha dele. – O menino diz e tenta sair pela porta sem hesitar, porém sua irmã o impede segurando em seu braço.

— Sempre fugindo das situações Gaara, nunca vai deixar de ser o fracassado que é. – Temari escuta as palavras do pai e parece conhecer o lado da outra moeda. Isso já basta. Que absurdo falar assim de um filho. Gaara franze o cenho em dor, afinal não parece ser tão duro quanto tenta aparentar, ao contrário dele, meu sangue já ferveu.

— Senhor Sabaku espero que se arrependa e volte atrás na sua palavra. – Digo e o homem me fita com desprezo, afinal quem sou eu para se intrometer. Bom agora que comecei vou terminar e como vou!

— E mais o fracassado aqui é você, um péssimo pai. E se você não cumprir com seus deveres de pai para com Gaara vou te denunciar por abandono de incapaz.

Digo tudo de uma vez e pego minha bolsa no sofá. O silêncio de todos é a coisa mais normal para mim. Que se dane, ele não pode tratar seu filho assim, quem ele pensa que é?

— Quem você pensa que é para se intrometer em assuntos pessoais? – O homem finalmente perde a sua casca de frieza e sua raiva fica visível.

— Quem eu sou? Sou uma velha louca que fala o que quiser. Temari está mala é do Gaara? – A menina apenas consegue afirmar com a cabeça, está impressionada por conta do que eu disse.

— Quando o senhor estiver mais calmo e pensando melhor, espero vê-lo para conversamos em minha escola. Agora Gaara vai comigo, porque nem eu quero que ele fique aqui com o senhor.

Seus olhos se arregalam e eu já não consigo mais olhar para ele. Caminho até Temari e pego a mochila da sua mão. Gaara me olha estático, deve estar assim pelo fato de ver a primeira pessoa a defende-lo do ogro do seu pai.

— Ah e mais uma coisa, seus filhos são ótimos. É você que não consegue ver o potencial deles. – Agarro no braço de Gaara que não se nega a vir. Saímos porta fora e o garoto puxa o braço da minha mão. Tomara que eu não me arrependa. Que raio de pai é esse?

— Entra ai. – Abro meu carro e ele vai até o banco do passageiro. Jogo sua mochila no banco de trás e dou partida. Abro minha bolsa e acendo um cigarro, preciso me acalmar antes que eu resolva voltar lá e esganar aquele idiota. O garoto continua quieto me encarando rapidamente e desviando o olhar.

— O que foi? Seu pai merecia cada palavra que eu disse. Sou uma velha de quarenta anos, posso dizer o que eu quiser. – Abro um sorriso após diminuir dez anos da minha idade. Onde vou deixar este garoto? Não posso leva-lo para minha casa, não tem espaço suficiente nem para mim.

— Quarenta anos, sei... Por que você fez isso? – Tinha me esquecido que o garoto estava do meu lado por um momento. Que silencioso. Eu iria adorar ter um filho como ele, apesar de seu comportamento agressivo e outras coisas um tanto relevantes.

— Porque Gaara, filhos são preciosos e não devem ser desprezados como seu pai faz com você. Eu jamais faria isto com minha filha. – Minha amada filha, tenho tanta saudade dela. Gaara me olha quieto, contudo parece curioso.

— Onde ela está? Sua filha. – Ele pergunta pausadamente, provavelmente pensando se foi uma boa ideia ou não.

— O que foi? Pensou que eu era uma tiazona? Ela está morta. – Nunca se quer comentei isso com ninguém, porém acho que ele vai compreender melhor meu ataque histérico. Ele olha pela janela do carro sem reação.

— Sofremos um acidente de carro, meu marido e ela morreram. Ela tinha quase sua idade quando isso aconteceu. – Seu olhar recai sobre mim, mas não vou encara-lo. Já se passaram dez anos do acidente e isso faz parte do passado. Eu perdi tudo, tudo que era importante, agora só tenho a escola. A qual também vou perder senão conseguir dinheiro. Tudo que construí na vida está desmoronando.

— Sinto muito. Para onde a senhora está me levando? – Senhora? Que progresso animador, quem sabe ganhei o respeito deste aqui. Diferente dos outros cole... coleguinhas.

— Obrigada. Para casa de um colega, não se preocupe ele vai gostar de ter sua companhia, ele não vai se negar. – O garoto me olha resistente a minha ideia, eu também ficaria. Entretanto ele vai para onde? Vai dormir na rua? Não, não enquanto meu nome for Senju Tsunade.

Neji Povs

Já não bastava as matérias tem que ter também os trabalhos. Afinal porque não? Todo mundo tem tempo de sobra, não moram sozinhos e também não tem crianças em sua responsabilidade.

Depois de errar o nome daquela garota uma cinco vezes, acertei. Como é que Naruto suporta a Shion? Deve ser por conta dela que ele é daquele jeito, meio diferente.

Finalmente as aulas de hoje acabou e depois da Shion afirmar que não vai fazer trabalho nenhum porque não sabe. Não tem ideia, que seu talento é dança, eu disse que faria tudo e como mágica a garota burra calou a boca.

Desço do meu carro com sacolas na mão, estou com fome e desesperado para dormir. A garotinha dos infernos que tem na minha casa não cala a boca sequer quando está comendo. Mas hoje ela vai compensar as duas semanas de tortura que estou passando.

— Ah, você chegou. – Empurro a porta do meu apartamento e Coral vem até mim com energia suficiente para derrubar um elefante de cansaço.

— É sou eu, estava esperando quem? O pequeno urso? – Desenhos, acho que nunca assisti tanto desenhos como agora, nem quando eu era pivete. Ela mostra a língua e sai correndo. Seu cabelo está grande, talvez seja melhor cortar.

— Ei volta aqui, preciso que você me ajude em algo. – Largo minha mochila no sofá. Hoje está garota vai ficar ocupada por um bom tempo. Logo a criatura aparece curiosa.

Abro a sacolas e delas retiro papel cartão branco com o tamanho maior do que uma folha de papal comum. Ela olha curiosa, vai adorar, tenho certeza! E da outra tinta guache e seus olhos brilham.

— É o seguinte, está vendo estás coisas certo? Então você vai fazer um desenho bem bonito da coisa que você mais gosta. –Ela escuta tudo enquanto pega o pincel sentando-se no tapete da sala.

— Mas tem que ser bem feliz e na folha toda, certo? – Retiro os jornais para cobrir o chão prendendo as pontas com fita, abro os potinhos de tinta e ela só falta ter um ataque de tanto entusiasmo.

— Só pode pintar o papel, parede não, chão não e nem os móveis, certo? – Ela afirma que sim e coloca o dedo no pote de tinta. Adeus pincel!

— Vou fazer o almoço, estou na cozinha qualquer coisa me chama. – Levanto-me do chão deixando a dona encrenca sozinha, ela nem se importa com o que digo. A tinta é bem mais interessante do que eu.

Sigo para cozinha, o fogão me espera! Que ridículo! Mas antes que comece o ritual de cozimento a porta recebe batidas. Quem será uma hora desta? Escuto a porta ranger, melhor ir até lá, afinal pode ser o pai da menina.

Vou para sala e quando chego me arrependo profundamente de ter ido. O que ela está fazendo aqui desta vez?

— Não faça está cara quando me ver delinquente. Oi querida, o que você está fazendo? – Tsunade arca o corpo para frente para ver o que Coral desenha. Está fazendo meu trabalho de Arte Tsunade.

— Desenho do que eu mais gosto. – Responde animada e Tsunade volta sua atenção para mim, porcaria.

— Neji quero conversar com você. – Estou vendo né, já que invadiu minha casa. Ela senta no sofá.

— Preciso de um favor seu. Sabe eu estou arriscando minha pele por você e então como sua tutora...

— Diz logo o que você quer. – A corto e ela sorri, estranho. – Quem bom que você aceitou. Gaara venha aqui.

Como? Gaara não estava no hospital? E o que meu favor tem a ver com ele? O ruivo aparece na porta e quando me vê, não fica muito feliz, bem não dá para saber quando este cara está feliz ou não, contudo sua reação não foi a das melhores.

— Entre querido. Neji, Gaara vai passar um tempo com você. Agora tenho que ir, se comportem.

Ela sai pela porta deixando nos sozinhos. Qual é desta mulher? Gaara permanece de pé na porta desconfortável pela situação. Bom deve ter acontecido algo com ele.

— Entra ai. – Digo e sento-me no sofá, minha fome até sumiu depois desta. Não tenho problemas em hospedar Gaara aqui em casa, mesmo que eu não converse com ele, mas será que ela precisava pedir daquele jeito? Na verdade ela nem pediu, maldita hora que a cortei.

— Deixa ela só ir embora que eu vou. – Ele diz e Coral o olha estático que continua parado na porta.

— Relaxa, ela faz coisas bem piores. Entra ai, você quer alguma coisa? – Que situação, que eu sabia ele ainda estava no hospital, melhor esteve a pouco. O esparadrapo em seu braço indica que saiu a pouco tempo. Gaara finalmente entra e senta, observando o que Coral faz.

— Não. – Ele diz e afirmo com a cabeça, este cara é mais calado do que eu, nem vou questionar o que ouve.

— Está certo. Se quiser alguma coisa é só ir até a cozinha, vou estar lá. – Aponto a direção da cozinha e ele afirma com a cabeça. Fecho a porta do apartamento que ficou aberta, passando a tranca, não quero que Tsunade entre mais na minha casa sem minha permissão.

— Você vai fazer comida? – Coral com as mãos cheias de tinta questiona, faço que sim com a cabeça.

— Eu quero batata fria. – Já deveria saber que ela diria isso, é a única coisa que come. Gaara olha a cena atento, provavelmente perguntando qual é a relação entre nós.

— Não, você vai comer o que eu quiser. – Digo e ela torce a rosto, mas até perceber que Gaara ainda está ali. Se ferrou! Vai o infernizar até cansar.

— Tem certeza que quer ficar aqui na sala? Ela vai começar a falar e não vai parar mais. – Gaara observa meu anjinho e levanta do sofá, escolha sabia.

Chegamos na cozinha e eu não faço ideia do que fazer, o cozinheiro era meu pai. Pego um pacote de macarrão e começo a preparar minha refeição.

— A garotinha é sua irmã? – Escuto Gaara perguntar enquanto eu tento achar uma panela. Coral tira do lugar para brincar.

— Mais ou menos isso. Saiu do hospital hoje? – Finalmente acho a panela. Volto a atenção para meu colega de classe, este que não quer responder minha pergunta.

— Como ficou sabendo disto? – Acendo o fogão e coloco a panela. Será que ele não sabe que está com cara de quem acabou de sair do hospital? Na verdade ele quer saber se ouve fofoca a respeito disto na escola, não precisa ser um gênio para saber disto.

— Você tem um esparadrapo no braço, onde retira sangue. E uma colega contou que você sofreu uma overdose. – Largo o que estou fazendo só para observar a reação. Mas apenas encontro um cara de cabeça um pouco baixa.

— Então a escola inteira sabe? – Será que realmente ele está preocupado com isso? Afinal ninguém se atreveria de soltar boatos sobre ele, não depois do capítulo do lixo. Pena que perdi, mas me contaram.

— Não, quero dizer não sei. Apenas o pessoal do grupo de música sabe. – Ele afirma com a cabeça enquanto abro a geladeira procurando tomates, pensando bem não vou colocar isso não. Abro o armário e acho as massas de tomates industrializadas.

— Obrigado por deixar eu ficar até Tsunade ir, agora já vou. – Largo o abridor de lata. Pelo que me lembro Tsunade disse que ele iria ficar um tempo aqui, mas porque será? Afirmo que sim, não vou contrariar.

— Você sabe onde tem uma pensão ou algo do tipo? – Não faço ideia e todos apartamentos estão lotados, isso segundo a Dona Marieta.

— Que eu saiba não. – Ele afirma e começa a ir até a sala. Será que ele pretende alugar alguma coisa? Estou indo à falência total.

— Gaara está disposto alugar um lugar para ficar? – Pergunto antes que ele saia da cozinha e começo a picar as cebolas.

— Sim, conhece algum? — Não paro de cozinhar, apenas faço que não com a cabeça sem olha-lo.

— Sabe você poderia dividir este comigo. – Lanço minha oferta, se aceitar bem se não também. Ele não fala nada e me viro para certificar se ele ainda está aqui.

— Tem dois quartos, você fica com um. – A faca na minha mão faz me lembrar que comprei a maioria das coisas aqui, quase tudo. Ele teria que fazer o mesmo.

— E por que está oferecendo me um quarto? – Estou vendo que este cara não confia em muitas pessoas. Eu faria o mesmo no lugar dele. Confiar em pessoas estranhas não é a melhor coisa a fazer.

— Simples, o aluguel está caro e você poderia dividir comigo. A não ser que você se importe com a criatura lá na sala, se sim a proposta está desfeita.

Digo e espero resposta, mas ele vai pensar ainda. Então retorno para o meu macarrão este que vai ser escorrido. Gaara continua quieto, nossa vou adorar morar com este cara, ele mal abre a boca. Procuro um recipiente para colocar o macarrão e logo acho.

Após passar uma água despejo a massa e depois o molho ainda fervendo. É o que tem para hoje. Meu dia está realmente agradável. Sakura não foi comigo para escola, disse que teria que passar em um lugar antes, mas onde? Só se for na padaria porque o comercio não está aberto a seis e meia da manhã.

— Está bem e você vai querer um viciado para dividir o apartamento? – Esqueci me do ruivo por um momento, ele é silencioso demais. Eu não tinha pensado nisto. Retiro os pratos e coloco os na mesa.

— Quem sou eu para dizer alguma coisa, desde que não use aqui, tudo bem. –Acho que não vou ter problemas, agora a única coisa que preocupa-me é a menina. Eu também já usei e sempre vou ser um viciado, mas a diferença é que estou limpo à quatro ou cinco meses, não sei perdi a conta. Contudo Gaara não precisa saber disto.

— Está bem, eu aceito. – Afirmo que sim com a cabeça e aponto para ele se sentar à mesa enquanto eu vou chamar Coral. Chego na sala e a encontro preste a pintar a parede.

— Não, não. Vem, hora de comer. – Me sinto tão adulto falando deste jeito, só faltou a frase” filinha do papai”. Levo a para lavar as mãos, sua camisa está toda manchada de tinta, este trabalho da escola está saindo muito caro. Finalmente volto para cozinha e encontro Gaara bebendo água. Coloco Coral na cadeira e pego o suco de uva que ele gosta, se tem um negócio ruim, é suco de uva.

— Coral este é o Gaara e ele vai morar conosco. Presta atenção, não é para atormenta-lo. – Acho que ela não sabe o que significa atormentar, mas faz que sim com a cabeça.

— Sirva-se não garanto que está bom, mas é tragável. – Tenho que admitir que isso é estranho, contudo é questão de adaptação. Tudo bem, um problema a menos, não vou ter que gastar tudo o meu dinheiro antes de sair de Konoha.

— Fico em qual quarto? – Começo a comer, enfim mais um homem neste lugar cheio de mulher, da escola, do prédio e da vizinhança.

— No dela, vou transferir as coisas dela para meu quarto. Você vai ter que comprar uma cama. – Levanto-me para pegar uma cerveja, ofereço-lhe uma garrafa e ele nega, acho que não foi legal oferecer bebida alcóolica para quem acabou de sair do hospital. Cada um com seus problemas.

— Neji, você viu como ficou bonito meu desenho? –Viro-me e encontro Coral com meu trabalho da escola na mão. No papel tem desenho de flores e um palito com cabeça, acho que é uma pessoa. Um céu azul com pintinhas pretas.

— É sim. Agora termina de comer. Vou guardar para não estragar está bem? — Coral afirma com a cabeça. Isso é normal, o que não é normal a presença de mais uma pessoa no ambiente. Acho que vou me arrepender. Gaara come quieto, deve estar com fome. Ele olha o desenho e Coral o observa. Está provavelmente é a composição de moradores do mesmo lugar a mais estranha que já vi.

— Porque sua mãe deixou você aqui? A minha vó deixou eu aqui porque ninguém queria ficar comigo. – Escuto Coral questiona-lo, a garota pensa que Tsunade é a mãe do Gaara. Jogo o desenho em minha cama e retorno a tempo de ouvir a resposta de Gaara, se é que vai responder.

— Porque ninguém quer ficar comigo. – Responde para a menina. Que momento estranho, o que deve ter acontecido não foi fácil. Só tragédia! No fim de tudo apenas a cidade deve ser bonita porque as pessoas que moram nela têm a vida muito trágica. Até parece novela mexicana.

Naruto Povs.

Que vida maravilhosa. Finalmente meus pais se resolveram e agora está tudo como antes. Até Shion está melhor, coitada vai ter que fazer o trabalho com o novato mal encarado. Ainda bem que não sai com ele e sim com Hinata, pena que faltou, mas já estou indo para casa dela.

Já está quase na hora de ir para o ensaio de hoje e então eu pensei em dar lhe uma carona, claro se ela aceitar. Toco a campainha e espero alguém vir. Ai como eles demoram, olho para meu carro, finalmente meu pai me devolveu, acho que vou ter que contar quando vê-la na escola.

— Boa noite, quem gostaria? – Olho para trás e vejo uma senhora com sacola nas mãos, deve ser parente da Hinata já que não está com uniforme.

— Boa noite, sou Naruto eu gostaria de conversar com Hinata. Nós temos um trabalho para fazer, trabalho da escola. – A senhora sorri abertamente e faz que sim com a cabeça.

— Siga-me jovem. – Ela abre o portão e eu apenas obedeço, logo estamos no hall da casa, que casarão. Deve dar um medo danado ficar sozinho aqui a noite.

— Espere um segundo vou ver se ela quer te receber. – A senhora sai e me deixa sozinho, Querer me receber? Então está bem né! Esses ricos têm cada coisa, vai entender. O segundo dela demora mais que qualquer coisa, já estou ficando com fome.

A porta principal se abre e por ela entra um homem de cabelos longos enfiado dentro de um terno. Deve ser o pai da Hinata, ele faz me lembrar alguém. Quando ele nota minha presença arca as sobrancelhas, provavelmente perguntando que sou eu. Ai, caramba onde está Hinata?

— Boa noite rapaz, o que lhe traz em minha casa? – Sua filha, isso o que traz me até aqui. Melhor não responder assim, senão ele vai pensar outra coisa.

— Boa noite senhor Hyuuga. Venho para informar Hinata sobre um trabalho da escola que iremos executar juntos. – Minha mãe iria ficar orgulhosa pelo jeito que eu falei. Direitinho como ela sempre quer.

— Hum, aguarde um momento, ela estará aqui. Com licença. – O homem sai sem mesmo perguntar meu nome, povo estranho! E nada da senhora. Que quadro bonito pendurado na parede, uma figura de uma mulher bem parecida com Hinata.

— Naruto o que faz aqui? — Escuto uma voz vir atrás, viro-me e encontro Hinata. Será que aconteceu alguma coisa com ela? Não me parece bem. Seus olhos estão inchados e pálida demais.

— É... Oi Hinata eu vim aqui para falar sobre um trabalho de Arte e pensei em de dar uma carona para o clube de...

— Ah então você também está na equipe de exatas? Deve ser muito inteligente para estar na mesma equipe que Hinata. – O senhor aparece do nada e me corta. Que equipe de exatas? Eu nem sei matemática. Procuro entender o que o homem fala em Hinata que apenas nega com a cabeça.

— Está sim papai, Naruto já estamos atrasados. – Passo a mão na nuca perdido na conversa, do que eles estão falando? Afirmo que sim, mas ainda são seis e quarenta e cinco.

— Filha não acha melhor se trocar? – Então este é o poderoso senhor Hyuuga, admito ele dá medo. O que tem de errado com a roupa de Hinata? Camiseta branca e calça jeans um pouco rasgada nos joelhos.

— Pai não quero que Naruto fique esperando. – Ela abaixa a cabeça, eu não me incomodo em esperar. Se ela soubesse o tanto que espero Shion a passar aquelas coisas todas no rosto.

— Não se preocupe filha, eu faço companhia para seu colega e ele me conta sobre a equipe. – Faço que sim com a cabeça, mas Hinata não gosta da ideia já que nega com a cabeça, melhor ficar quieto então.

— Senhor Hiashi, o senhor Nara está aguardando no telefone. – A senhora retorna e Hinata some, acho que foi se trocar.

— Com licença. – O pai dela sai, que bela companhia hein. Fico sozinho novamente. Eles poderiam ter oferecido um suco, café ou um pedaço de bolo eu não iria fazer desfeita. Mamãe disse que isso é feio e então eu não faço.

Ninguém me ofereceu o assento, mas vou sentar-me mesmo assim. Os minutos passam, acho que esqueceram de mim. Eu hein!

— Naruto desculpe a demora, podemos ir agora. – Levanto a cabeça, agora meus sapatos não me interessam mais. Hinata usa um vestido cheio de florzinha e seu cabelo está prezo em um rabo de cavalo. Ela demorou tanto para colocar um vestido? O que estou pensando, Shion demora horas para colocar um sutiã que combine com a blusa transparente.

— Sim, não acha melhor me despedir de seu pai? – Vejo ela negar com a cabeça. Tenho que dizer que a recepção não é uma das melhores nesta casa, entretanto esperar o que né? Afinal nem conheço os moradores, não foi boa ideia vir até aqui.

Sigo Hinata que está silenciosa, ela deve ser assim o tempo todo. Constrangedor isso.

— Naruto eu não iria no clube hoje. – Agora entendi o porquê ela estava daquele jeito ao me ver, que furada.

— Ah eu vim te falar do trabalho de Arte, nós formamos uma dupla. Sorteio sabe. – Digo o real motivo de ter vindo até sua casa, mas ela não parece querer saber. O que será que o pai dela quis dizer com equipe de exatas?

— É Hinata o que seu pai disse sobre exatas? Entra aqui. – Saímos na rua e ela começa a andar, mas abro a porta do carro para ela. Será que ela é assim? Porque juro que ela era mais legal, foi esta impressão que tive ao cumprimentar ela na escola.

— Meu pai pensa que o clube de música é uma equipe de exatas, foi invenção de Tsunade dizer isso ao meu pai. – Ela entra no carro e coloca o sinto de segurança. Agora entendi o porquê de ela negar daquele jeito com a cabeça, pelo menos uma parte. Essa vovó sempre aprontando.

— Mas por qual motivo Tsunade fez isso? – Ela olha pela janela enquanto dirijo. Ela está constrangida com algo, todavia eu não fiz nada.

— Porque meu pai não permitiria que eu participasse do grupo. Naruto isso deve permanecer entre nós. Agora diga sobre o trabalho. – Estou começando a pensar que fazer o trabalho com Neji seria melhor, não sabia que ela era seca assim. Está feito as patricinhas da escola, me enganei feio. Acelero, não quero ficar muito tempo com ela.

— Temos que retratar algo do cotidiano, coisas que não damos importância. Ficará em exposição e os melhores serão mandados para diretoria da região. Tem que ser entregue na próxima segunda-feira. – Digo o que ela queria ouvir. Cara essa menina não pode ser desse jeito, ela parecia ser tão legal. Deve estar em uma fase difícil.

— Eu sei pintar, pode ser isso? – Pela primeira vez seus olhos encontram com os meus, seus braços estão cruzados e não tem sequer um sorriso na face. É, ela está em um momento difícil.

— É claro, eu posso ter levar onde você quiser ir. Meu pai devolveu meu carro. – Abro meu melhor sorriso para ela e volto a prestar atenção na estrada, não quero sofrer um acidente ainda mais com ela aqui.

— Faltou na aula hoje, sei como é, dá uma preguiça ir segunda para escola. – Comento sobre sua ausência, afinal se ela estivesse presente, eu não precisaria ir até sua casa. Não me responde e eu a olho, sua mão está sobre o rosto. Diminuo a velocidade para observar melhor, acho que disse bobeira.

— Está tudo bem Hinata? – Ela me olha com as sobrancelhas unidas, não está chorando como pensei, mas parece irritada.

— Aposto que sua namorada contou, não precisa se fazer de desentendido Naruto. – Quase não escuto sua voz por conta do barulho do motor. O que aconteceu que não estou sabendo? Shion não me disse nada.

— Hinata eu não sei do que você está falando? A Shion fez alguma coisa com você se sim me des....

— Não Naruto, ela não fez nada. – Estou mais confuso do que qualquer coisa, o que ouve? Melhor trocar de assunto antes que ela chore. Vou descobrir mais tarde, quando encontrar Shion, Geralmente ela me conta tudo, mas desta vez resolveu manter em segredo.

— Chegamos, se quiser eu te dou uma carona para casa. – Retiro a chave e desço do meu Camaro SS. Adoro este carro, meu padrinho que deu, disse que teve muito encontros no banco de trás, imagino como era estes encontros. Até pedi para meu pai trocar o couro dos bancos.

— Não precisa. Amanhã conversamos mais sobre o trabalho e desculpe-me. – Hinata diz e começar andar. Ela pediu desculpas por que? Não fez nada. Ah, isso está muito estranho.

Fico parado esperando que ela se afaste, acho que não quer companhia no momento. E Naruto sempre na hora errada. Encosto-me no carro, está parecendo que a vida não é boa para todo mundo. Escuto o motor de outro carro estacionar atrás do meu. Arco-me para frente para ver quem é.

Encontro Sasuke, está ai uma coisa surpreendente. Pensei que o metido não iria vir nenhum dia no clube, mas esteve presente em todos. Ele me vê e levanta a mão em aceno, que cara ridículo. E começa a ir para dentro, espera a minha namorada vive com a dele então Sasuke deve saber do que Hinata estava falando.

— Ei Sasuke! – Credo, até pareço uma das garotas que vivem correndo atrás dele. Ele para e me espera, era o mínimo que podia fazer.

— Você sabe o que aconteceu com a Hinata? Ela disse que Shion sabia e se ela sabe Karin sabe. – Ele levanta a sobrancelha e pensa em algo. Será que custa ele responder?

— Você não ficou sabendo? A maioria da escola sabe. – Ele está com aquela cara de sempre, a coisa deve ser séria. Nego com a cabeça e ele suspira.

— Foi o seguinte, Kiba chamou Hinata para sair e ela aceitou, entretanto tudo não passou de uma brincadeira de mal gosto e na hora do encontro Kiba fingiu não conhecer Hinata na frente da maioria dos populares da escola.

Quem sem noção, não acredito que ele fez isso. Eles retornavam da escola todos os dias. Que vacilo! Toda a escola deve estar esperando para zoar com ela, por isso a falta de hoje.

— Que cretino! – Resmungo para mim mesmo, mas o Uchiha concorda com a cabeça.

— É capaz de ela nem vir no ensaio hoje, coitada. – Que cara fofoqueiro. Está certo que perguntei, mas ele precisava dar todos estes detalhes?

— Ela já está ai, eu a trouxe. Não sabia que tinha acontecido isso com ela. – Começo a andar e Sasuke me acompanha. As nossas namoradas devem ter espalhados por Konoha inteira o que aconteceu. Agora entendo o porquê dela agir seca daquele jeito. Droga, ele deve ter pensado que eu estava sondando.

— Claro, você dorme durante as aulas. – Que cara abusado, nem sou seu amigo para ele dar opinião no que faço ou deixo de fazer.

— E você que fica cheirando esmalte. – Estamos perto do auditório quando digo, ele junta as sobrancelhas, não disse nenhuma mentira. Era para sermos amigos já que nossas namoradas são.

— Você também idiota! Ou esqueceu quem é sua namorada? – Ele tem razão, Shion vive pintando as unhas. Espremo meus olhos para ele, idiota! O idiota aqui é ele. Deixar a gostosa da Ino pela ruiva sem noção.

Entro antes de começarmos uma briga, não quero machucar minha mão batendo neste cara. Hinata está em um canto bem quieta, talvez seja melhor deixa-la sozinha e suas amigas consola-la. Sasuke a olha com pena, é isso que parece.

— Temari, Shikamaru e ai? – Percebo que os dois já estão aqui. Shikamaru é um cara legal, deveria ter conversado mais vezes com ele. Temari parece aquelas meninas que se você espalha algo sobre ela, ela te arranca a cabeça. Ela parece estar esperando alguém. Será que o irmão dela está legal?

— Boa noite. – Viro me para porta e encontro minha amiga. TenTen é tão legal, jogamos bola neste fim de semana e até almocei na casa dela. Seus pais são legais. Ainda bem que ela está aqui. Ela acena para todos e para os olhos em cima de Hinata, será que só eu não sabia?

A porta abre e por ela entra Sakura, Neji e Gaara. Todos juntos em fila indiana, até parecem que vieram do mesmo lugar. Nossa ele já saiu do hospital, que bom.

— Gaara onde você estava? – Temari diz, ela está aliviada. Acontece tanta coisa, eu não ficaria surpreso com mais nada hoje. Não depois do episódio da Hinata.

— Não se preocupe, estou bem. – Acho que está é a frase mais longa que ouvi ele dizer. Não foi tão engraçada como aquela em que se explicou para a vovó. Quem em sã consciência se escreve no clube de natação se não sabe nadar? A desculpa do cara foi hilária.

— Naruto está rindo porquê? – TenTen pergunta-me, não tinha percebido que estava rindo. Todos me olham como se fosse um retardado.

— De nada, nada. – Sento-me e fico quieto, não quero levar porrada do ruivo, vai que ele pensa que eu estava rindo da cara dele. Nunca se sabe não é?

— Estou morando com Neji. Vou ficar um tempo lá. – Escuto Gaara dizer. Nossa isso é surpreendente. Não sabia que os dois eram amigos, não faria mal nenhum, os dois são parecidos na personalidade. Parecidos.

— Ai caramba. – Droga pensei alto e novamente todos me olham. O Neji é igual ao pai da Hinata, até o cabelo, só que o pai dela é mais velho obviamente. Nossa é a terceira vez que me surpreendo no dia. Eles têm que ser parentes. Só pode. A semelhança é gritante.

— Tsunade pediu para que eu fizesse uma mala com suas coisas, está no seu carro. – Temari joga as chaves do carro para Gaara que apenas faz um sinal de agradecimento. Um abraço na irmã de agradecimento não faria mal.

A porta retorna a abrir, deve ser a Ino ou a vovó. Tsunade sempre está em todo lugar, ele deve ser clonada ou ter uma irmã gêmea.

— Oi. – Observo a imagem da loira. O que aconteceu com ela? Ela está tão bonita. Igualzinho quando namorava com o idiota do Sasuke. Só que não está usando aquelas calcinhas jeans que usava. Sasuke a observa sorrateiramente e eu descaradamente, não vou apanhar de ninguém, Shion não está aqui.

— Gaara? – Ino sussurra ao ver o Gaara, mas o povo aqui é tão silencioso que todos ouviram. Sabe com ela falando assim até parece que os dois tem um caso. Eu não me surpreenderia. Ela fica sem graça por tudo mundo ouvir o que ela disse. Que besteira!

— É Gaara... nós temos que fazer um trabalho, depois eu te conto. Temari e Ino vocês também são uma dupla. – TenTen diz sobre o trabalho de Arte, é verdade os três faltaram hoje na aula como Hinata. O ruivo apenas afirma com a cabeça, será que este ensaio não vai começar?

— Então vamos começar? Antes que Tsunade chegue para obrigar-nos. – Digo e todos me olham, até parece que eu disse alguma besteira.

— Está certo. Que tal começar com aquela música que a Tsunade passou na fita? Eu tenho ela. – Shikamaru diz e todos concordam. Vou até meu instrumento. Aposto que Sasuke só aprendeu tocar para chamar atenção das garotas, como eu!

— Meninas aqui estão a letra se quiserem usar para acompanhar. – TenTen diz enquanto as três seguem até os microfones. Hinata está quieta demais, diferente das duas. Será que ninguém aqui sabe o que aconteceu ou estão fingindo?

E o Neji será que sabe? Ele só pode ser parente dela, é impossível não ser. Ele segue até a bateria enquanto Gaara e Sasuke coloca os fones e estudam as notas.

— Alguém sabe tocar piano? – Shikamaru diz e Sasuke levanta a mão. Ah tá, ele sabe tocar piano? Qual é? Esse cara não pode saber tudo.

— Vou beber água e já volto. – Escuto Hinata dizer e ela logo sai, aposto que ela queria estar em casa. Eu queria!

— Aconteceu alguma coisa com Hinata? – Ino pergunta, até mesmo ela percebeu. Todos as olham, eu não vou dizer, não me cabe.

— Está em um momento difícil. – Sasuke a responde após tirar o fone e passar para Neji. Até mesmo ele espera uma resposta mais descente. Ai tem coisa.

— Eu não vou dizer, não é assunto meu. – Sasuke diz e Ino revira os olhos. Sakura desce do patamar e Temari vai até o irmão. O Uchiha suspira recebendo olhares fulminadores da sua antiga namorada.

— Ela foi humilhada pelo Kiba, ele chamou ela para sair, porém não passou de uma brincadeira. A escola toda está comentando. – Ele levanta e descobre o piano, sentando-se no banco próprio.

— Canalha! – Ino balança a cabeça e volta para o patamar e Hinata retorna e todos fingem que não estavam comentando. Que situação desagradável.

— Quem vai cantar a parte masculina? A voz de fundo ou sei lá como chamam. – TenTen questiona e Gaara levanta a mão. O que será que aconteceu com ele? Está disposto a participar, aliás todos estão disposto porque Tsunade nem chegou e eles ainda não foram embora.

— Ino que tal você começar e nós entramos no refrão? Sua voz é a mais grave entre nós. – Sakura questiona Ino que afirma que sim.

— Tudo bem para você Hinata? Se eu começar. – Ino diz e Hinata afirma que sim, quem sabe ela não esquece o que aconteceu por um momento.

— Então tudo certo? – Shikamaru questiona enquanto Temari liga os microfones. Todos já estão no seu lugar e eu já sei minha parte. As meninas sobem no patamar ficando uma ao lado da outra, sendo que Ino com o microfone do meio. Todas com apenas um lado do fone em um ouvido, deve ser para não errar o tom.

TenTen Povs.

Não sei o que aconteceu com a maioria, mas todos estão aderindo bem ao projeto de equipe ou querem ir embora o mais rápido possível. Tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo e eu apenas sentada esperando que tudo comece. Me sinto uma inútil. Temari e Shikamaru estão nos equipamentos, o restante em suas respectivas tarefas. Eu nem mesmo sei o nome dos instrumentos. Espero que isso acabe logo, mas só de pensar que tenho que fazer um trabalho com Gaara, causa um medo, não pelo o que aconteceu com ele e sim porque ele não é muito maleável. Sasuke começa uma contagem e logo o som dos instrumentos se exibem.

— Não, espera um pouco. – Os meninos param de tocar e observam o motivo de eles pararem. Sakura derrubou as folhas. Sasuke suspira e os outros não se importam.

A contagem é feita novamente e o som retorna, as meninas se afastam do microfone deixando somente Ino próximo ao dela. Começa a cantar conforme o ritmo.

Não mais risos descontraídos

Silêncio para sempre após

Andando por uma casa vazia

Lágrimas em meus olhos

Sakura e Hinata se aproximam e cantam juntas e o som fica mais animado, muito semelhante a música original. As três continuam até o refrão, aparentemente não errando o tom.

Aqui é onde a história termina

Isso é adeus

Conhecendo a mim, conhecendo a você

Não há nada que conseguimos fazer

Conhecendo a mim, conhecendo a você

Temos que encarar isto agora

Este tempo que atravessamos

Romper nunca é fácil

Eu sei mas tenho que ir

Conhecendo a mim, conhecendo a você

Isto é o melhor que consigo fazer

Gaara cantou sua parte perfeitamente, como se fosse um eco e Naruto fez uma espécie de solo com o baixo. Ino retornou a cantar sozinha, mas até o refrão. E tudo se repete. Todos estão concentrados. Sakura sussurra em seu microfone algumas partes que Ino canta sozinha.

Memórias, dias bons, dias ruins

Eles estarão comigo sempre

Nestas salas velhas e tão familiares crianças brincarem

As três retornam a cantar, agora sem os papeis e o fone, acho que já aprenderam a música.

Agora há apenas vazio

Nada a dizer...

Conhecendo a mim, conhecendo a você

Temos que encarar isto agora

Este tempo que atravessamos

Romper nunca é fácil

Eu sei mais tenho que ir

Conhecendo a mim, conhecendo a você

Isto é o melhor que consigo fazer.

Naruto retorna a ficar mais evidente e as vozes se findam, Sasuke toca o piano e as meninas retornam a cantar o refrão com Gaara cantando quando elas elevam a voz.

Conhecendo a mim, conhecendo a você

Temos que encarar isto agora

Este tempo que atravessamos

Romper nunca é fácil

Eu sei mais tenho que ir

Conhecendo a mim, conhecendo a você

Isto é o melhor que consigo fazer.

Naruto toca junto cos os meninos e as vozes sem acabam, foi muito bom! Elas elevaram a voz em certos momentos, mais exatamente quando Gaara se aproximava do microfone e cantava numa espécie de sussurro. O som também se vai e apenas sorrisos aparecem.

Escuto palmas atrás de mim, mas todos estão no meu campo de visão, quando olho para trás encontro Tsunade bebendo. Nem notei quando ela entrou e pelo jeito dos outros também não.

— Nossa que bela apresentação... mas vão ter que melhorar muito. – Abro um sorriso, foi muito bom o que eles fizerem, mais ela quer mais. Que exigente. Sasuke revira os olhos e cobre o piano.

— Ei vovó quando você entrou aqui? – Naruto larga seu instrumento e grita pela distância, que na verdade é curta.

— O tempo suficiente, mas já estou indo, sabe vocês agora aparentam ser adolescentes normais. E não pensem que não estou sabendo do último ensaio, o qual não aconteceu. – Ai droga, como ela ficou sabendo disso? Ela pega a bolsa e acena com a mão.

— Já deu por hoje não é? – Sakura pergunta, é acho que sim. Faço que sim e todos guardam o que tinha em mãos. Arrumo a papelada em minha mão, letras de músicas. Tenho que lembrar de distribuir para todos.

— Sakura vamos embora? – Neji pergunta para ela que apenas concorda. Shikamaru desliga tudo em um piscar de olhos, que rapidez.

— Vem com nós Ino. – Sakura chama a garota como sempre. Hoje ela está bonita além do comum. E mais uma vez Naruto vai oferecer-me carona.

— TenTen quer ir comigo? – Essa voz não é do Naruto, retiro os olhos dos papeis e encontro Gaara. – No caminho você pode me explicar o trabalho.

Concluiu sua frase, ele está cansado. Faço que sim com a cabeça, não vou discordar. – Apenas vou deixar Temari próximo à casa dela.

Gaara informa e chama a sua irmã. Os três já não estão mais aqui e o Nara estava saindo sorrateiramente. Todos querem ir embora, como pensei.

— Hinata vem comigo. – Temari chama a Hyuuga, ela está distante, eu também estaria depois do ocorrido, pura crueldade fazer isso logo com ela.

— Gaara, pode deixar que eu levo a Temari, nós moramos na mesma direção. – Naruto grita e Gaara concorda. Temari apenas joga o ombro para cima.

— Vem também Hinata. – O loiro diz ela afirma, olho em meu relógio e como o tempo passou já está um pouco tarde. Coloco tudo na mesinha e pego minha mochila, não sei porque ando com ela, deve ser puro costume.

— Até. – Sasuke diz e sai com as mãos no bolso, vai Uchiha! Naruto acena e vai logo em seguida, agora tem apenas eu e Gaara. Saio da sala e fecho a porta, espero que isso não seja problemático. O quanto mais rápido acabar, melhor.

Estou começando a pensar que não existe coincidência, as casas serem próximas, estarmos na mesma classe, formarmos duplas e estar no mesmo grupo. Não cito apenas Gaara e eu, mas todos do grupo de música, é como se algo quisesse que nós nos envolvêssemos cada vez mais. É não é coincidência, é Senju Tsunade.

Notas finais
Agora que já se passaram dez capítulos, acho que pode-se começar as amizades e os possíveis envolvimentos. Até no próximo pessoal.