Golden Years
13 Imprevistos
Notas iniciais
Hoje não tenho como fugir, meu pai vai começar a desconfiar que não estou doente como eu disse segunda e terça. Talvez seja melhor encarar a situação de vez, quem sabe se o pessoal da sala não se comporte como o pessoal do grupo, bem contando com eles são menos nove para rir da situação.
Como pude ser tão otária em acreditar naquilo tudo e agora vou ter que suportar, contudo vou aprender alguma coisa com isso, chega de acreditar nas pessoas.
Quarta-feira, seja o que as mocreias quiserem! Nem mesmo tenho coragem de acertar um belo tapa no rosto de Kiba, como nos filmes. Descer do carro nunca foi tão difícil como agora. Agir com naturalidade e que nada aconteceu é a única opção.
Os corredores estão quase vazios, apenas algumas pessoas que cochicham quando me notam. Até que são discretos, mas o problema maior está na classe onde estudo. Droga, por que elas têm que estudar aqui?
A porta é aberta antes mesmo de pedir permissão. Kakashi me olha convidativo e faz sinal para que eu entre e sente. Não tenho coragem de encarar as pessoas, nem uma palavra do que aconteceu até agora. Acho que não vai ser ruim como pensei.
Sento sozinha o mais longe possível da mesa do Kiba, dele apenas quero distância.
—Sentiram saudades? Agora vamos a chamada oral. – O professor diz e volta para sua mesa, alguns protestam e não parecem saber o que aconteceu, nem mesmo uma palavra sobre o assunto foi dita. E todos que falariam algo estão na sala.
Kakashi começa a chamar os nomes, olho para lousa e nela está um exercício de divisão atômica. Muitos fazem com facilidade, mas outros nem tanto.
— Hinata sua vez. – Kakashi apaga e passa outro exercício, este é fácil. Mas antes que eu comece a resolução as risadas se iniciam. Faço que não com a cabeça para o professor, não quero mais responder nada.
— Vamos lá, não é nenhuma brincadeira de mal gosto. – Viro-me e encontro o amigo de Kiba rindo feito retardado e ao seu lado o próprio, feliz como se não tivesse feito nada. Volto minha atenção para lousa, o professor parece não entender o que está acontecendo.
— Vai Hinata eu juro que não tenho nada a ver com isso. – Escuto Kiba dizer e tento não dar atenção a ele, as meninas começam a rir. Como queria que isso acabasse.
— Cala a boca imbecil. – Ino grita com Kiba, ela está irritada. Ela levanta da cadeira e Kiba para de rir.
— Qual é? isso não é assunto seu. – O próprio reclama da intromissão de Ino e o professor se aproxima provavelmente prevendo o desenrolar da discussão. Ela está fazendo isso por que?
— Qual é a sua? Da próxima vez tenta fazer isso comigo e não com ela. – Ino aponta o dedo em minha direção e logo em seguida empurra Kiba que se desequilibra, porém se estabiliza e parte para cima de Ino.
— Não, você não vai colocar a mão nela. Além de idiota bate em mulher? – Naruto entra na frente antes que Kiba acerte Ino com um empurrão. Ele está sério e Ino chega estar vermelha de raiva. Kakashi separa e os dois se sentam. Ino pega sua bolsa e vem na minha direção.
Senta-se ao meu lado e suspira, valeu mesmo por isso, mas acho que isso não vai mudar muita coisa, mas por hora foi um alivio.
— Obrigada Ino. – Mas tudo que consigo é agradecer simplesmente, ela afirma que sim e a vez dela na chamada oral chega. Seus olhos azuis estão delineados perfeitamente, como todas outras meninas, mas nela cai muito bem.
— Ele é um idiota e você não merece isso. – Ao terminar escuto ela dizer, seu sorriso combina com o batom rosa. O que será que aconteceu para ela voltar a ser como era? Não faço ideia mais está mudança fez muito bem a ela. Afirmo que sim com a cabeça, elas estão se aproximando rápido, quero dizer Ino, Sakura e Temari.
Temari sempre me chama para voltarmos para casa juntas e sempre conversamos, Sakura de vez em quando troca umas palavras comigo e Ino fez isso. Deve ser por conta do grupo de música, antes dele nenhuma conversava comigo.
— Ino... – Chamo ela que me olha interrogativa, talvez não seja a melhor coisa para se falar, mas espero que concorde.
— Que tal sairmos no sábado? Como agradecimento por conta do que você fez. – Concluo minha frase o mais rápido possível, não sei se ela vai aceitar, mas espero que sim.
— É claro, podemos ir onde você quiser. – Seu sorriso demostra confiança. Talvez seja a hora de começar amizades e porque não elas?
— Então temos que chamar o Naruto, afinal ele impediu o empurrão que eu iria receber. – Observo Naruto tentando convencer o professor a deixa-lo resolver o problema depois. Sinto me mal pelo modo que o tratei quando foi em casa. Ele é o único popular que presta na escola, Ino também era uma, contudo não é mais depois do fim do relacionamento entre ela e Sasuke.
— Claro que sim. –Digo e ela afirma positivamente. Vai ser uma oportunidade para pedir desculpas, mesmo que eu faça isso no dia em que iremos fazer o trabalho de Arte. A chamada acaba e Kakashi sai da sala, tomara que não comece de novo.
— Naruto vem aqui. – Ino grita para o loiro e recebe um olhar fulminador da Shion. O loiro chega sorrindo alegre.
— Hinata quer lhe fazer uma proposta. – Ino diz e toda atenção dele volta-se para mim, seu sorriso some.
— Obrigada por ajudar a Ino e quero convida-lo para sair no sábado, quero dizer nós três. – Ele passa a mão na nuca e olha para namorada indeciso.
— Beleza, eu posso levar uma pessoa? – Ino aponta discretamente para Shion e ele nega, se não é ela, quem é? Naruto aponta discretamente para TenTen e Ino me olha.
— Claro, pode levar quem você quiser. – Ele afirma com a cabeça e volta para seu lugar, por um momento pensei que ele não iria aceitar.
— Hinata você canta muito bem. – Ino diz enquanto passa a mão na nuca bagunçando seu cabelo.
— Obrigada, você e a Sakura também. – Observo a Sakura deitada na carteira, é surpreendente sua voz.
— Por que não convida ela também? –Observo Ino, por qual motivo ela quer que convide-a? Daqui a pouco ela vai falar para convidar o Sasuke. Mas por que não? Teremos que passar um bom tempo juntas e uma boa convivência não faria mal a ninguém.
— É claro, você pode chama-la? E se ela aceitar diga que pode trazer quem ela quiser. – Nem ao menos sei onde vamos e o número de pessoas está aumentando. Só espero que ninguém desista.
— Ok, vou chama-la e provavelmente o Neji também, já que eles só andam juntos. – É verdade, os dois vivem juntos. Entretanto não sei se é uma boa ideia que ele seja convidado, porém pensando por outro lado é uma oportunidade para sonda-lo sobre a nossa semelhança.
— Sim, chame-o também. – Ino afirma e levanta da cadeira mesmo com Kakashi em sala. O professor a observa, mas não diz nada, acho que a aula hoje acabou. Ino abaixa apoiando as mãos no joelho fazendo Sakura levantar a cabeça. Gaara a observa atentamente, será que ele está interessado?
E como será que é a convivência entre ele e Neji? Pensando bem se Neji foi convidado, melhor convida-lo, não quero que pensem que estou desprezando ninguém, pois apenas as pessoas do grupo estão sendo convidadas.
Fito Ino que convida Sakura animada, acho que ela não vai aceitar. Levanto-me da cadeira e sigo até a mesa de Temari, melhor convida-la do que Gaara. Entretanto se eu vou convidar quase todos, melhor convidar Shikamaru e Sasuke por educação já que sei que eles não irão aceitar.
— Oi Temari. – Digo e ela tira os olhos do livro, seu irmão que está ao seu lado me olha por um instante e desvia sua atenção para qualquer coisa.
— Oi Hinata, posso ajuda-la em algo? – Seu sorriso sincero aparece e Gaara volta sua atenção novamente para mim. Isso vai ser um pouquinho estranho, porque não tenho nenhuma desculpa como fiz com Ino.
— É... eu e Ino iremos sair sábado e então pensei em convida-la já que sempre voltamos juntas para casa e estamos no mesmo clube. – Sua sobrancelha arcada não demostra se a resposta será positiva ou negativa. Achei uma desculpa rápida para justificar o convite inesperado, porém não sei se vai ser o suficiente.
— É... você também está convidado Gaara. – Coloco os braços para traz, não quero demostrar ansiedade nos movimentos da mão.
— Está bem, eu vou. – Temari diz, por um momento pensei que ela iria negar. Espero a resposta de Gaara, mas ele fica quieto até Temari o cutucar com o cotovelo.
— Obrigado, mas não vou poder. – Afirmo com a cabeça, era até obvio que ele não iria aceitar. Aceno com a mão e volto para meu lugar e Ino vem logo em seguida.
— Ela aceitou, eu disse que seria a noite tudo bem? – Afirmo que sim, nem sei onde vamos. Sento-me e o sinal toca para o intervalo.
— Ino eu convidei a Temari e o Gaara espero que a presença deles não seja desagradável. – Ela afirma e continua sentada esperando o tumulto na porta diminuir.
— Também pretendo convidar o Shikamaru e Sasuke, eu sei que vocês não se falam, mas eu vou convida-lo para não ficar chato já que todos do grupo foram convidados. – Ino franze as sobrancelhas e sorri.
— Hinata você pode chamar que quiser a ideia foi sua. É verdade iria ficar chato. – Seu sorriso some e finalmente ela levanta.
— Vou para o refeitório, você não vem? – Sempre estive no refeitório sozinha, mas a ideia de ir com alguém me parece atraente. Afirmo que sim e levanto-me, isso vai ser interessante.
Shikamaru Povs.
O castigo de acordar cedo não é suficiente, tem que ter aulas de biologia. A únicas coisas que manterão me acordado foram, a estranha defesa de Hinata feita por Ino e a movimentação entre os integrantes do grupo dos infernos. As duas só não conversaram comigo e com o Uchiha, seja o que for nós estamos de fora.
Outro castigo realmente devastador é o trabalho de Arte. Eu não sei como Sasuke suporta a ruiva, que garota mais nojenta. Ela deve ser muito, mais muito boa de cama mesmo para alguém ficar com ela, não vejo outro motivo além deste.
Porém tudo bem já que vou executar o trabalho sem ela, certo que Karin não é feia pelo contrário, entretanto é insuportável e isso basta para acabar com qualquer pessoa. Ando para minha casa devagar, não estou animado para receber o sermão da mamãe como todos os dias, talvez nem fosse para casa, mas estou com fome e sono e onde melhor para sanar estas necessidades pessoais? Correto, em casa.
São tantas coisas a serem feitas que só de pensar minha preguiça sobe de nível. E só de pensar que depois de tudo ainda tem a fase adulta, ou seja, mais responsabilidades e menos tempo livre. Ah é a morte.
— Shikamaru, espere um segundo fazendo o favor. – Uma voz feminina solicita minha atenção, não sei quem é, pois a criatura está atrás. Paro e espero, não quero saber de quem se trata, afinal vou saber de qualquer modo. Para que tanta ansiedade ou seja lá o que for.
Os passos estão mais perto, espero que não seja Karin, mas não houve escândalo então posso anular esta possibilidade. Hinata para em minha frente ofegante, então é ela? Não esperei que fosse outra garota como Temari por exemplo.
— Shikamaru eu queria lhe convidar para sair no sábado. – Seus dedos anelares começam a se bater. Como? Sair com ela por qual motivo, não me diga que tem interesse romântico, não pra cima de eu! Se não for isso vou negar de qualquer modo.
— Obrigado Hinata, mas irei estar ocupado. – Finalmente ela levanta a cabeça e uma vermelhidão em seu rosto que me assusta, vai dizer que vou ter que leva-la ao hospital.
— Desculpe, acho que você entendeu errado, mas quando disse para saímos no sábado eu seu referia a todo mundo. Quero dizer o do grupo. – Começo a andar e ela me acompanha, agora sim, tudo está claro ou quase tudo. Por qual motivo este rompante de amizade entre todos ao ponto de sair juntos? Um mal olhava para cara do outro, como tudo muda muito rápido.
— Mesmo assim, vou estar ocupado. Entretanto agradeço a consideração em me convidar. – Ela afirma com a cabeça, até parece desanimada pela minha confirmada ausência.
— Tudo bem, se mudar de ideia em última hora, passe em minha casa por volta das oito horas. –Deixa-me na esquina e continua sua caminhada em linha reta e logo sua silhueta some. Acho que a primavera está afetando as pessoas, é a única explicação, porém não irá me afetar.
Não tenho nada para fazer no sábado a não ser dormir. Seja o qual for o plano, não quero participar, aliás não quero participar de nada.
Gaara Povs.
Que revira voltas! Olha só como estou, onde estou. A garotinha já dormiu e parou de infernizar como diz seu pai substituto, pensar assim chega engraçado. Quinta-feira, hoje não tem ensaio e pensando nisto até que a execução da nossa primeira música não foi ruim do modo que pensei que seria.
Desligo o chuveiro, já está tarde da noite e não quero ouvir reclamações, mesmo que eu contribua com o aluguel. Meu colega de apartamento, tsc pensei que diria está frase somente quando estivesse na faculdade a qual, talvez eu cursaria. Enfim Neji é semelhante com aquela garotinha fofa que me convidou para sair, claro junto da Tema. Quando criança costuma a chamar minha irmã assim, não sei por que parei, afinal não sei de muita coisa.
Vou para meu quarto, não imagino o que aconteceria se Temari me flagrasse pensando neste termo, fofa! Mais é verdade, como também sei que convidou-me somente por educação, entretanto não me importo com cordialidades e muito menos educação.
O relógio corre nesta casa, antes na casa de Temari as horas pareciam congeladas ou o relógio estava quebrado. Deito-me e me recordo que amanhã já é sexta e tenho o tal trabalho de artes pendente. Irei tratar disto amanhã com TenTen. Será que somente eu notei o tanto que a garota parece um peixe fora da água nos ensaios?
Eu não me sentia bem nos grupos de apoio psicológico os quais tinha que frequentar querendo ou não. Entretanto adaptação é a chave de tudo, mas se não conseguir abandone, é muito mais fácil e prático.
A porta se abre com brusquidão e me faz ficar atento, não me incomodo quando isso acontece, mas se não acontecesse seria ótimo. Levanto a cabeça para ver a figura menor de um metro. Que diabo, era para ela estar dormindo.
— Onde está Neji? – Se aproxima sem permissão, vejo um pouco de mim nesta garota. A pergunta que ela fez tem uma resposta muito interessante.
— Não sei. – Deito-me novamente e a porta se fecha, pelo jeito ela se foi, porém descubro que não quando a luz é acesa e a linda criança está plantada no chão. Como será que era seu pai? Semelhante ao meu? Tantas perguntas sem resposta e onde está Neji? Quando disse que aceitava morar aqui, não ouvi a parte que eu seria a babá em sua ausência.
— Ele não está no quarto pensei que estaria aqui. – Desloco minha visão do teto para olhar o chão, onde ela está deitada com um urso nos braços. Já são duas e pouco da manhã e ela ainda está acordada, pensei que havia dormido quando eu tomava banho.
— Será que ele está com a tia Sakura? – A voz fina diz e a figura se põe em pé. É existe está possibilidade, mas acho que não é apropriado deixa-la ir até lá. Afinal um flagrante de uma cena inapropriada entre duas pessoas de sexo oposto não parece certo. Levanto-me e sigo a pelo corredor, porém quando chego na sala vejo Coral feito estatua.
Neji está dormindo no sofá sem camisa com uma moldura sobre o peito. É acho que me precipitei em pensar onde o cara estava. A menina vai até ele, observo para ver o que ela irá fazer. Se fosse eu lhe acertaria um tapa fazendo o acordar, mas ela apenas está interessada em tirar o retrato das mãos de Neji.
A porta está aberta, estranho, Neji sempre a tranca afirmando que não é para Coral fugir. Ele nunca diz nada, mas quando diz é para justificar alguma atitude suspeita. De repente escuto um barulho e volto minha atenção para a garota. Ela está em cima do encosto do sofá onde Neji dorme, já sei o que ela vai fazer. Finalmente ela se joga em cima da bela adormecida, fazendo o acordar assustado. Eu poderia sorrir com a cena, mas somente tranco a porta e Coral sai correndo para seu quarto.
Neji passa a mão pelo rosto, certamente está querendo socar a garota, se fosse eu tenho certeza que queria soca-la. Contudo ele mal gritou com ela, que paciência, porém quando explodir não haverá ninguém que o contenha.
Ele percebe minha presença na sala, mas não se importa com isso e volta a deitar no sofá. Sento-me na poltrona vermelha após apagar a luz. A janela aberta deixa a luz da rua entrar no cômodo deixando o ambiente um pouco claro. Só faltou as prostitutas, isso até parece a descrição de um puteiro.
Neji acende um cigarro, se ele continuar neste ritmo vai morrer cedo. Bom vamos morrer de qualquer modo não é?
— Ela vai dormir agora, foi mal se ela foi no seu quarto. – A fumaça sai pela sua narina, seu cabelo é enorme se não olhar direito pode confundi-lo com uma garota. Com a Hinata por exemplo.
— Tudo bem. –Ele volta sua atenção para eu, acho que demorei demais para responder. Acho que deveria existir um diálogo mais aberto entre nós, isso pode soar estranho, mas afinal nós moramos juntos e nada como mulheres para começar uma conversa.
— O que você acha da Hinata? – Suas sobrancelhas se franzem e seus olhos caiem sobre mim, como se eu acabasse de cometer um crime e acho que cometi.
— Como assim? – Ele percebe que estou observando, é acho que estou com certa razão em achar algo estranho entre eles.
— Ela é bonita, você discorda? – Ele balança a cabeça em sinal positivo, sério? Ela é bonita, só não se veste como as prostitutas da escola.
— Bonita é a Ino. – Acho que funcionou minha estratégia. E ele tem razão, Ino é muito gostosa e agora está chamando mais atenção com aquele visual novo.
— Tenho que concordar, mas fiquei sabendo que a fama dela não é muito boa. – Escuto Neji dizer, é eu também sei disto, mas a minha também não é.
— Mas isso não importa. O que acha da Sakura? – Novamente escuto sua voz, mas agora parece que quer uma aprovação, ele que me olha novamente aguardando a resposta.
— Esquisita, quero dizer seu jeito, mas é bonita o tanto quanto Hinata. – Ele ri, acho que não concorda.
— Está querendo se envolver com a Hinata? – Não é uma ideia ruim, mas não faz meu tipo, estou mais para a loira de fama ruim.
— Não e você está querendo a Sakura? – Os poucos dias que estou aqui percebi o tanto que ele é atencioso com ela, se não for isso, não sei o que é. Ele senta no sofá apenas para acender outro cigarro e me oferece um. Cruzo meus braços após negar, a fumaça já é suficiente.
— Estou mais para a loira, só que ela fala demais. – Depois de tragar seu cigarro diz e sorri, como seus dentes podem ser brancos se fuma tanto? Ino, acho que todos querem você afinal das contas.
— Mas sua irmã também não faria mal. – Escuto sua risada, acho que precipitei-me em enquadra-lo como uma pessoa séria.
— Vai nessa se quiser morrer. – Digo e encosto a cabeça na poltrona, o silêncio que se instala não é incomodador.
— Vai sair junto com o clube de música neste sábado? – Sua voz grave desperta-me, acho que meu sono finalmente chegou. Na verdade não sei se vou, pensando bem não vou.
— Provavelmente não, apenas se Temari passar aqui para arrastar-me, mas ela não sabe o endereço, então presumo que não. – Ele levanta e pega a camisa de manga longa cinza e se veste.
— Hum, trancar a porta é isso que vou fazer antes que Sakura retorne do seu trabalho com Sasuke, ela não vai me obrigar. – Ah ela comentou sobre isso quando estava presente, ela não parece ter muito tempo, porém quando está presente a maioria das vezes está aqui. Acho que ela deveria mudar logo de vez para cá.
— A propósito, você sabe onde a TenTen mora? Temos a porcaria do trabalho para fazer. – Esse trabalho mal começou e já está saturado.
— Não faço ideia, estou indo dormir. Até! – Responde minha pergunta e sai rumo ao corredor. É obvio que ele não iria saber, ele nem conversa com a garota. Aliás ninguém conversa com ela. Melhor procura-la amanhã.
TenTen Povs.
Sexta-feira de manhã e eu aqui, sentada na calçada da solidão. Brincadeira! Hoje o dia começou bem, treinei com as garotas do outro ano em um improvisado jogo de futebol. O primeiro horário ficou livre, não sei o que aconteceu para não ter as aulas normalmente, mas eu adorei.
— TenTen! – Estou saindo do vestiário quando escuto meu nome ao longe, viro-me para ver quem é e deparo-me com Naruto ao longe.
— Pensei que não tinha vindo hoje, entretanto a Temari disse que tinha te visto na escola. Daí eu te procurei pelo colégio inteiro e achei você só agora. – Meu Deus como fala, retorno a andar ao lado do escandaloso.
— Oi pra você também. – Dou risada pela cara que faz, leva a mão na nuca e bagunça seu cabelo.
— TenTen, vamos sair no sábado? – Fala normalmente como se fosse a coisa mais natural do planeta e seria se não existisse uma loira louca de pedra chamada Shion.
— Junto da sua namorada? – Dou risada, Naruto está muito presente em minha vida, acho que somos uma espécie de amigos, então tomo liberdade de zoar com sua cara as vezes.
— Não, é só a gente. – Seu braço esquerdo está enfaixado, o que será que aconteceu? Caminhamos para sala de aula, afinal as aulas já devem estar para começar.
— Vou tomar seu silêncio como um sim. – Ele entra e segue para sua carteira sossegado, vou para o meu lugar e finalmente sento-me. O jogo foi cansativo.
— TenTen posso falar com você? – Gaara está na minha frente. Temos o trabalho pendente e aposto que é sobre isso o que quer falar.
— Sim, é sobre o trabalho de Arte né? – Ele afirma com a cabeça, deixei este treco para última hora, porém acho que não vai ser difícil.
— E como vai ser? – Sua voz é grave demais ou é apenas impressão minha por ter dito algo diretamente a minha pessoa. Ele senta de pernas abertas e encosta o corpo na cadeira cruzando os braços.
— É...se quiser eu posso fazer e coloco seu nome. – Mordo meus lábios, acho que não foi uma boa ideia propor isso a ele, mas não dá para saber, sua expressão está congelada.
— Certeza? Eu posso te ajudar mesmo que seja em alguma coisa. – Não acredito que ele é deste tipo? O que faz as coisas. Pensei que iria negar como todos em que fiz está proposta.
— Podemos fazer hoje à tarde seja o que for? – Afirmo com a cabeça e começo a dedilhar sobre a mesa.
— Depois de acabar as aulas já fazemos. – Faz que sim com a cabeça e se levanta indo em rumo a sua mesa. Eu queria ser mais cordial com as pessoas, mais especificadamente com Gaara, porém ele causa me medo.
O professor entra na sala e a turma nem nota, continua com a algazarra total. Sentar na primeira tem seu lado positivo e negativo. Positivo que sentando se aqui consegue prestar atenção melhor no conteúdo o negativo é que se quiser ver o que está acontecendo com seus colegas tem que se virar e neste processo todo, todo mundo fica te encarando, droga.
O relógio fixado sobre o quadro negro cheio de números e letras está preste a atingir o número que finaliza a aula. Passou voando e agora vem a parte complicada.
— Vamos TenTen, deixo você em casa. – Naruto pega sua mochila e levanta-se antes mesmo de bater o sinal. O professor o fulmina com os olhos, mas antes de dizer algo o sinal soa anulando a possibilidade de chamar lhe atenção, como se fosse funcionar!
— Não precisa hoje eu vou fazer o trabalho com Gaara. – Seu sorriso corriqueiro some e logo uma expressão sacana toma-lhe a face. Ah não!
— Hum sei, está bem. Depois me conta como foi este trabalho. – Faz aspas quando diz trabalho, eu mereço. Só ele mesmo para pensar algo deste tipo, provavelmente deve ter tomado muito sol.
Ele acena e se afasta, no mesmo momento Gaara vem em minha direção. Olho para Naruto na porta esfregando as palmas das mãos com os olhos comprimidos e não consigo segurar a risada.
— O que foi? – Gaara pergunta, provavelmente o porquê da risada sem sentido aparentemente, tenho certeza que não irei dizer.
— Nada, vamos. – Levanto-me e fico ao lado do irmão da Temari. Perto dele eu sumo, minha altura é inferior a dele, para variar. A porta abarrotada de gente já está livre quando o Uchiha resolve passar, porém estranhamente seus olhos não estão fixos no quadril de sua namorada e sim pousando na figura adormecida apoiada na mesa. Por que Sasuke está olhando assim para Sakura? E não é um olhar de desprezo ou algo similar.
Deixo isso de lado e sigo pelo corredor atrás do dono da cabeleira ruiva. Suas roupas pretas o deixam mais pálido ainda. O corredor está ficando vazio quando encontramos Ino vindo na contra mão. Ela está tão bonita, não pelas roupas e pela maquiagem, mas isso tudo elevou sua alto-estima.
Seus olhos me fitam, mas logo se deslocam para Gaara que provavelmente a encara, tiro está conclusão pela posição de seu pescoço. Hum, ai tem coisa. Os olhos se desviam e seguem em direção opostas, Ino passa e acena discretamente, milagre!
De certo deve ser por conta do grupo de música, bom tanto faz. Chegamos ao pátio e o grupinho de populares ainda estão em frente da escola. Com a lataria do carro reluzindo e as garotas mais bonitas implorando por atenção, sigo em direção oposta.
Sigo Gaara, mas o ultrapasso quando o mesmo para em frente a um carro preto, mais precisamente um Mustang, o predileto do meu pai.
— TenTen. – Viro-me e encontro Gaara com a porta aberta. Qual é? Este carro é dele? Que lindo! Nunca entrei em um destes, o máximo que cheguei foi reparar um amassado na lataria.
— Onde vamos? – Pergunto, aliás nem discutimos o que iremos fazer. Vou até a outra porta e sento-me no banco do passageiro. Gaara gira a chave e o motor ronca alto suficiente para perceber sua potência.
— Vou passar em casa e depois faremos o que quiser. – Mal termina de dizer e acelera absurdamente. Desde jeito vamos chegar em um piscar de olhos, seja a onde for a casa dele. No meio do percurso o silêncio se instala. Não temos nada para conversar.
— Pensei que poderíamos fotografar algo. – Sua voz retira-me da minha observação. Afirmo com a cabeça mesmo sabendo que ele não me olha. Acho que muita gente vai fazer isso.
— Tudo bem, mas eu não tenho máquina fotográfica. – Ele suspira, deve estar entediado. Dobra a esquina e entra em uma das ruas do bairro onde moro e estaciona.
— Eu tenho. – Bate a porta e vai em direção do prédio enquanto eu o aguardo seu retorno no carro. De repente estaciona outro carro em frente ao prédio, estava tão veloz que nem vi quando chegava. Dele desce Neji visivelmente irritado com algo, segue até a porta do passageiro e abre facilmente e no banco aparece Sakura de olhos furiosos.
Ela sai e deixa o garoto fechar a porta, Neji balança a cabeça e tranca seu carro também preste ir para sua casa. Eles não notaram me. Gaara aparece, pensei que demoraria mais.
Cumprimenta Neji com um gesto de cabeça e segue seu rumo, ou seja, até seu carro. Entra sem dizer se sequer uma palavra e liga os motores.
— Quer passar na sua casa também? – Não seria uma má ideia, mas quero que isso acabe então apenas nego com a cabeça. Retiro a franja do olho, está grande demais, hora de cortar! Pela direção em que o carro segue estamos indo para área nobre da cidade. Quase não vou lá, não tenho nada o que fazer naquela área da cidade.
Pelo visto acho que já decidiu o que vai fazer sem minha opinião, bom ultimamente não estou valendo nada mesmo, nem no tal clube de música. Contudo ao menos acertei, depois de alguns minutos estamos na parte rica da cidade, hora de descer! Mas Gaara não estaciona o carro e seguimos para uma das saídas da cidade.
O ar quente bagunça meu cabelo e não refresca o calor do sol forte. Retiro minha mochila do meu colo e coloco entre minhas pernas. Logo o asfalto some e começa um trecho de terra, onde estamos indo.
Olho para Gaara com o canto do olho e logo em seguida para sacola que ele trouxe consigo, está cheia demais.
— Gaara onde estamos indo? – Estou começando a ficar preocupada, afinal não conheço realmente, ele é apenas um colega de classe. Desvia sua atenção da estrada que afunila. Tendo esconder minha preocupação, mas acho que não consegui pelo semblante sério.
— Já chegamos. – Retiro meus olhos de cima e observo o local, solto um sorriso de alivio. Ele desce do carro depois de pegar a sacola. Desço e o sigo, a vegetação é um pouco densa, falta manutenção.
Entretanto é um dos lugares mais lindos de Konoha, desvio de um arbusto e na minha frente vejo o lago com o píer com suas bases cheia de mexilhões encrustados. A água está absurdamente cristalina e sua extensão tem vários Ipês rosa floridos. Resumindo isso irá dar uma bela fotografia. Onde eu estava com a cabeça? Eu vinha aqui quando criança, mas depois a prefeitura isolou o local devido a um acidente e nunca mais ninguém teve acesso ou simplesmente esqueceram deste lugar.
Aproximo-me de Gaara que troca a lente da câmera, deixo e vou em direção do píer. Subo depois de certificar se a madeira ainda está firme. Ótimo, retiro meus calçados e sigo até a ponta do píer que se finda quase no meio do lago.
Procuro Gaara com os olhos e vejo que já fotografa o local, melhor sair daqui antes que eu saia na foto. Sento me na sombra, o sol está forte. Gaara para de fotografar, acho que já está bom.
No final das contas o trabalho não demorou mais que quinze minutos, o que demorou foi chegar aqui. Gaara vem até mim e guarda a câmera na sacola.
— Está com pressa? – Faço que não com a cabeça, na verdade poderia ficara aqui a tarde inteira. Ele se afasta e se parar arranca a camisa do corpo, nem notei quando retirou os calçados. Ele corre em cima do píer sem se preocupar se a madeira está podre e se joga na água. Deve estar um gelo.
Procuro com os olhos, mas não o localizo, levanto-me a sua procura. Só faltava está! Será que bateu a cabeça em algum lugar? Subo no píer e nada de acha-lo.
— Gaara, está tudo bem? – Meu Deus onde ele está. Travo meus passos, o píer acabou. Olho para a água, mas não enxergo nada.
— O que foi? – Meu corpo enrijece por reflexo, que susto. Gaara aparece atrás todo ensopado com a mesma carranca de sempre, porém ofegante.
— Pensei que tinha se machucado, você sumiu. – Acena com a cabeça positivamente, mas eu sei que é tanto faz. Ele balança a cabeça fazendo pingos de água voar para todo lado, recuo para não acertar me. Sinto um desequilíbrio muito grande.
— Eu não sei nadar. – O contado da água fria me encobre por inteiro, afundo feito pedra olhando a imagem embasada de Gaara na ponta do píer observando eu me afogar. O desespero da falta de ar me toma e por instinto começo a bater os braços. As bolas de ar nunca foram tão feias como agora.
Sinto a areia do fundo do lago entrar em contado com minhas costas, tento subir mais não consigo. Do nada Gaara aparece e puxa me pelo ombro, chegar a superfície nunca fora tão distante.
Agarro me a Gaara antes mesmo de encher os pulmões de ar, não quero de modo algum voltar lá para baixo. Meus costumeiros coques estão desfeitos e minha respiração é mais ofegante do que a dele.
— Ajuda-me a subir no píer. – A única coisa que consigo balbuciar para Gaara que me olha quieto. Meus olhos ardem e no movimento que ele faz para se afastar me agarro ainda mais desesperada.
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