Golden Years
30 Pais e filhos
Notas iniciais
O sol está se pondo novamente rente ao horizonte do deserto em que estamos. Por algum motivo misterioso, elas, as meninas do grupo quiseram ver o pôr do sol. Não achei ruim, mas até elas proporem vir em uma das planícies a quilômetros de Konoha.
Entretanto tenho que admitir. Ver Temari apostando queda de braço com Naruto está sendo uma programação em tanto. E bem, o loiro perdeu. Minha namorada não é deste planeta.
— Revanche, Temari! – Desvio a atenção de Naruto para observar os outros indivíduos, enquanto Temari aceita novamente o desafio de Naruto.
Gaara, Neji, Sasuke e TenTen estão jogando taco. E pelo o que eu entendi a TenTen está ganhando junto com Sasuke. Ela caçoa da cara do seu namorado a cada ponto marcado e Neji apenas da lhe as costas. Faz tempo desde que ele pagou aquilo mico no refeitório e desde daquele dia tudo segue bem.
Ino está deitada sobre o capo do carro de Naruto e acho que Sakura está dormindo no banco detrás. Hinata brinca com Coral mais ao longe e bem eu estou aqui, sentado feito um idoso apenas esperando a morte chegar. Exagero meu, na verdade apenas estou esperando Temari ficar livre, coisa que não vai acontecer tão cedo.
— Ah! Perdeu de novo. – Vejo ela comemorar e Naruto fazer birra. E antes que ele, novamente, peça revanche ela nega. – Morra com isso, Naruto.
— Ah, não é para tanto. É só uma brincadeira idiota. – Naruto retruca fingindo estar aceitando perder e dá as costas para Temari. – Ei, deixa eu jogar?
E sai gritando para as pessoas que estão praticando esporte. Temari lembra da minha existência e finalmente senta-se ao meu lado. E passa a ser uma espectadora feito eu. Observa cada um e abre um sorriso nostálgico.
— Acho que nunca estive tão bem. E olha só para o Gaara! Ele nem parece o mesmo garoto. – Na verdade, acho que ninguém parece o mesmo depois de tudo. De nos tornamos amigos. – Estamos em reta final, Shikamaru.
— Pois é, Temari. O campeonato vai acabar, a fase escolar também e ano que vem seremos adultos. – Ela torce a face a ouvir tal afirmação me causando risos.
— Bem que todo o período da escola podia ter sido assim, não é? Tsunade poderia ter inventado o grupo de música mais cedo. – Afirmo para ela compreendendo onde ela quer chegar. Caso Tsunade tivesse fundado a equipe mais cedo, seriamos amigos por mais tempo.
— E como será que vai ser quando acabar? – Ela escora a cabeça em meu ombro e fica observando o horizonte. – Eu não quero que acabe.
Escuto sua afirmação e acabo sorrindo, pois eu também não quero que isso acabe. No final das contas ser do clube de música trouxe mais benefícios do que ser do clube de xadrez. Variar as vezes ou por vontade própria ou obrigado como fui, pode ser beneficiador. Arriscar de vez em quando é bom.
Ino P.O.V
O verão chegou. A estação mais esperada do ano por várias pessoas e me incluo nesta lista. Mais este verão era especial, era o verão que eu mais aguardei, pois seria o meu último verão em Konoha. O verão significava a etapa final na minha vida nesta cidade, onde eu deixaria tudo para trás.
E agora o verão está aqui e bem os planos já não são os mesmos. E por mais que eu odiasse o inverno, foi está estação que o trouxe. Foi nesta estação que eu o vi pela primeira vez. E nem em mil primaveras eu poderia imaginar que naquele inverno um garoto ruivo com um corte no lábio seria a minha salvação.
E agora ele está aqui, na verdade a poucos metros jogando algo que não faço ideia do que seja e muito menos as regras. E bem olhando para estas pessoas percebo que são os melhores amigos que tenho. Sakura está no banco detrás fitando o céu tingindo de laranja, rosa e roxo por causa do pôr do sol.
Naruto nem se importou que eu e a rosada tirasse a cobertura, bem ele não se importa com muita coisa.
— Ino, vem jogar. – E pensando nele, ele aparece. Naruto já está sem camisa e um belo ralado no braço. – Estou sem par e eles não quer me deixar jogar.
Aponta para Gaara, Neji e Sasuke. Como assim, Naruto? Você estava jogando até agora que eu vi. – Chame outra pessoa, estou com preguiça.
Aponto para Sakura logo atrás e ele sorri animado. Isso chame ela, pois quero ficar sentido a brisa e os últimos raios solares.
— Sakura, Sakura! – Me viro para ver a cena e a parte que a Sakura sempre soca o Naruto. A Hinata não curte muito esta atitude, mas o restante sim. – Morri, Naruto. Chama a Temari.
— Santa Tartaruga, vocês duas estão afundadas na preguiça. Hinata! — E sobrou para a bonequinha de porcelana. Naruto nos deixa aos risos e corre na direção da Hyuuga.
— Ino, vem fazer dupla comigo. – E mal Naruto vai e ele chega. Tiro meu óculos de sol para fita-lo. Gaara, eu não estou nem um pouco disposta. – Ah, não!
— Anda logo senão eu vou sumir com o seu secador de cabelo. – Vejo o seu sorriso diante da minha expressão de descrente. – Ameaça ridícula essa, viu.
— Eu sei, foi só para você prestar atenção. Vem, até a Hinata vai jogar. – Ele me puxa pela barra do short jeans e em consequência escorrego sobre a lataria. – Está bem.
E eu mal concordo e ele sai correndo. O que tem demais neste jogo? Eu não sei, mais vê-lo correndo em direção a nossos amigos me causa uma felicidade tonta. Eles são demais, ele é demais.
Sasuke P.O.V
— Gaara, você chamou a Sakura? – Questiono assim que o ruivo retorna da convocação que foi fazer a sua namorada. – Não, não sabia que era para chama-la.
Diante disto deixo o taco de lado para ir até a senhorita preguiça. A ideia de vir para o meio do nada e brincar de taco foi uma das melhores que ela já teve, umas das mais absurdas também.
— Sakura, vem jogar com a gente. – A puxo pelo pé e ela não reage. Sua camisa está com um nó na lateral deixando sua barriga amostra, seu jeans está rasgado no joelho. E a blusa de frio desnecessária sobre o seu rosto.
— Chama o Naruto, ele acabou de vir até aqui. – Escuto sua voz arrastada. Tsc, será que é tão difícil assim? Até Shikamaru cedeu, Sakura.
— Então já que não quer ir, vou deixar você voltar para cidade a pé. – Ela tira a blusa do rosto e cede pouca importância na minha ameaça. – Assim você faz um pouco de exercício.
Vejo seu sorriso abrir e apoio os cotovelos na lataria do carro. E ao longe consigo ver Hinata negar sua participação no jogo. – Isso me traz péssimas recordações.
Minha atenção retorna para ela, quando ela estende as mãos em minha direção, para que, eu a ajude a levantar. Provavelmente ela está se referindo ao dia que fizemos o trabalho de Arte e furou o pneu do carro.
— Foi a maior tortura da minha vida. Caso, nada de certo em sua vida Sakura, você pode pensar em seguir esta carreira.
— Engraçadinho! Você também não fica a trás em torturar as pessoas. – Ela diz e me deixa para trás. Tsc, como fui gostar logo desta garota?
— Eu quero ser do time da TenTen. – Escuto ela gritar para o restante. Ino caçoa da cara de Neji por algum motivo que eu gostaria de saber apenas para rir também.
— São duplas, Sakura. E a TenTen já faz dupla comigo. – Neji retruca, ele de longe é o cara mais ciumento do grupo, creio que eu fique na última posição.
— Hein? Não, quem vai fazer dupla com ela sou eu. – Naruto argumenta e TenTen revira os olhos. Afinal todo mundo quer ela, pois ela é a garota com o melhor condicionamento físico dentre todos.
— Não, não! Eu vou fazer dupla com a Tema. – Ela pisca para o Naruto e Neji faz cara de paisagem causando risos nos outros. – Ui, já ganhei!
Temari comemora antes mesmo de o jogo começar. E o Nara fica olhando tediosamente o balançar de seu quadril, não estou fazendo o mesmo apenas para deixar claro.
— Afinal, vamos jogar o que? – Sakura coloca as mãos na cintura e Shikamaru se afasta fazendo sinal com a mão. – Não sei vocês, mas eu não vou jogar nada.
— Qual é, Shikamaru? – Ino o reprende e antes que o Nara conteste Coral o segue. No final, ele se ferrou. – Eu sou café com leite.
Hinata diz, suas bochechas estão coradas devido o calor e a pele alva demais. Tomar sol um de vez em quando não mata ninguém, mas está quase.
— Eu também. – Ino diz e Gaara balança negativamente. Elas não querem jogar. E antes que a rosada levante a mão para dizer a mesma coisa em a impeço. – Você não.
— Vamos logo começar com isso, já está ficando escuro. – Neji se estressa e segue para a base fazendo sinal para Gaara, creio eu que seja o ruivo o seu parceiro.
— Não quero mais jogar. – Digo e Sakura me olha torto. A puxo pela mão enquanto o restante segue em frente com a brincadeira. – Então por que raios você me tirou de lá?
Aponta para o carro do Uzumaki desacreditada. Para você ficar comigo, Sakura. Apenas para isso.
— Você pode jogar ainda se quiser. – Digo e ela nega com a cabeça. Tsc, como se minha desistência fosse afetar suas vontades e decisões. – Prefiro ficar olhando para sua cara feia.
— Eu também, detestável. – Ela sorri e eu também. Este vai ser de longe o melhor verão que vou ter. O primeiro ao lado da esquisita de cabelo rosa. E não pense que eu concorde com este título. Sakura não é esquisita, ela é detestável e um tanto peculiar, entretanto ela é única. E acho que não tem exemplar, para minha sorte e azar dos outros estou com a original Haruno Sakura. Ou seria ao contrário?
Hinata P.O.V
Aquele jogo me causou uma bela torção no pé esquerdo. Torção que me fez sentir dor e Naruto me carregar no colo, coisa que ainda ocorre no momento. Ele é meu cavalheiro de armadura brilhante e de pele bronzeada. TenTen e Temari realmente ganharam o jogo.
— Hinata, eu quero te apresentar aos meus pais. – Arregalo os olhos diante de tal informação e a dor parece sumir. Eu não esperava que eu fosse querer isso tão cedo. Apresentação que me faz lembrar que meu pai não sabe de Naruto ainda.
— Mas já? – Ele franze o cenho e me embaraço. Não quero que ele conclua que não gostei da ideia, mas isso nunca me ocorreu antes. E eu conheço a Kushina e o Minato, mas ser apresentada como namorada do seu filho são outros quinhentos.
— Não gostou? Eu sei que ainda é cedo e se você não concordar tudo bem. – Vejo ele se desesperar. Naruto apenas se desespera quando a comida está no fim e ele quer mais.
— Não, não, Naruto. É que seria uma experiência nova. E se eles não simpatizam comigo? – Vejo ele sorrir e massagear meu tornozelo. – Sabe que gostar de você é inevitável, não é? E tem mais eles que pediram para que eu te apresentasse.
— Está bem, Naruto. – E como negar isso a ele? Mesmo que isso cause um medinho e um calafrio no estômago eu sei que posso fazer um esforço. Por ele e para ele.
— Isso me lembra que tenho que lhe pedir em namoro para seu pai. – Passo a mão em seu cabelo enquanto ele exibe um sorriso nervoso. E isso sim será um grande problema, não sei como Hiashi irá reagir. Bem, eu poderia aproveitar que sou a mediadora entre ele e Neji e falar já que estou com credibilidade, mas sei que sua reação não vai ser a melhor. E tem mais, estou omitindo sobre a equipe de música.
— Acho que isso possa esperar mais um pouco, não acha? Afinal eu tenho que falar com ele sobre este assunto. – Naruto afirma positivamente e veste sua camisa. Acho que vamos embora agora.
— Eu posso esperar mais um pouquinho, só um pouquinho. – Sinto seus lábios nos meus efemeramente e o vejo passar a mão na nuca. – Hina, você viu onde eu deixei meu tênis?
— Não faço ideia, Naruto. – Ele sempre perder as coisas. Ora é a carteira, outra o casaco e assim segue desde chaves a bonés e agora calçados.
— Me ajuda a achar meu tênis! – Convoca seus amigos para ajuda-lo e a maioria nega me causando riso. – Está aqui!
E logo depois o vejo achar. Sua busca não demorou nem dez minutos. Sasuke balança a cabeça negativamente e entra em seu carro. Temari ri entre os braços de Shikamaru. Eles estão tão apaixonados. Feito meu primo e TenTen, mas eles não demonstram tanto.
— Neji! – O chamo assim que ele passa ao meu lado com Coral apagada nos braços. TenTen sorri e se afasta até Naruto. E só de pensar que tive ciúmes dela com Naruto me causa vergonha, afinal eles estão mais para irmãos. – O que foi, Hinata?
— Meu pai quer te ver, o que acha? – Ele franze o cenho e eu abro um sorriso encorajador, afinal quero que eles se acertem. – Ainda é cedo.
E um desanimo me toma. Neji e sua resistência aos Hyuuga. Bem ele já me aceitou e a Hanabi também, já é um avanço animador.
— Ele vai esperar o tempo que você quiser. – Vejo ele afirmar e acabo sorrindo diante do seu sorriso a ver o cabelo da sua menina, vou colocar assim, preso em dois coques. Ela é tão linda!
— Está bem, acho melhor ir para casa agora. – Ele se despede e entra em seu carro enquanto Naruto e TenTen chegam rindo um da cara do outro. – Não sei como você deu conta de nascer, Naruto.
— Olha quem está falando. – Eles se despedem e ela se vai junto de Neji. E bem o dono do sorriso mais lindo da face do planeta fica aqui, comigo. E eu não quero que ele não se vá nunca.
Além de nós, ainda permanece Ino e Gaara. Franzo meu cenho e Naruto se mostra confuso. Os dois parecem estar numa discussão. Acho que de todos os relacionamentos, o deles é mais instável.
— Ei, está tudo bem? – Naruto grita e Ino cai na risada, Gaara balança a cabeça e segue para seu carro. Ino faz sinal afirmativo e segue o ruivo logo o abraçando por trás. Ele está visivelmente nervoso.
— Nunca dá para saber o que está acontecendo com eles. – Afirmo positivo diante da seriedade de Naruto, os quais são antônimos. – Eles estão brincando.
Digo e entro no carro prendendo o cabelo, pois está um calor terrível. Naruto continua sério e isso me preocupa.
— Por isso que prefiro você, dez mil vezes você. – Ele sorri em seguida e pela primeira vez soco seu ombro levemente. – Não seja cruel, Hinata. Não seja cruel.
E desvio de seus olhos para fitar a paisagem sendo engolida pelo breu. E sua mão pousa em minha nuca. Umas das tarefas mais difíceis de realizar e ser namorada de Uzumaki Naruto, por vários motivos.
Primeiro, você nunca vai conseguir ficar brava com ele por mais de dez minutos por besteiras. E as coisas mais graves? Pois bem, vou dizer ele raramente as comete, muito raramente. Segundo, ele vai te expor, mas só para afirmar para ele mesmo que ele é o cara mais sortudo do planeta, palavras dele eu só as repito. Terceiro, caso tenha problema com seu peso e autoestima ele vai te convencer que uma porção de batatas fritas ou mais uma taça de sorvete não é problema, pois ele vai continuar te amando do mesmo jeito.
Quarto, você não vai conseguir ficar longe de seus lábios. Quinto, ele vai querer te apresentar aos pais deles. Sexto, ele é o garoto mais popular da escola e um dos mais bonitos também, mas a meus olhos ele é o mais bonito.
E sétimo, ele vai te fazer sentir a única garota da face da Terra quando em uma tarde ou uma noite quente de verão você estiver a sós com ele. Mas não pense que para por aí, na verdade é o tempo todo, a cada minuto, a cada segundo. Ele vai ser o seu cara.
TenTen P.O.V
Não consigo conter a risada, quando ele escuta o choro agudo de Coral e claro que ele me olha feio. O vejo diminuir a velocidade do carro e esticar a mão até o banco detrás onde ela está para colocar a mão sobre uma de suas pernas e a chacoalhar bem devagar. E logo ela retorna a dormir.
E o sorriso dele também e agora ainda mais aberto. Não vou mentir, acho que ele vai ser a única paixão da minha vida. Pois depois que nos acertamos, conseguimos pela primeira vez concordar em alguma coisa. E bem depois disto ele cede e eu também.
As noites que eu perdia pensando nele, ainda continuam sendo perdidas e com o mesmo problema, entretanto agora apenas com o atestado que realmente eu e ele somos alguma coisa. Não vou omitir, ainda lembro de cada detalhe do momento em seu apartamento, exatamente debaixo de seu chuveiro.
Contudo, mesmo que isso seja um fator desencadeante em meu humor não é o mais forte, afinal já se passou tanto tempo. É um conjunto de ações que me deixa fora de orbita. Ele é de longe o melhor namorado que tive, pois ele é o primeiro e se depender será o único. Agora ele me ajuda em meus treinos e acabei entrando numa fria ao deixar visível nos corredores da escola nosso relacionamento, pois acabei descobrindo que ele tem um fã clube.
E passar o tempo com ele é um dos meus esportes favoritos mesmo que seja apenas para ficar vendo ele discutindo com a Gaara, chamar atenção da Sakura e de Coral. A garota mais importante da sua vida tem cinco anos.
— O que foi? – Questiono assim que ele retorna a olhar para pista e ser ultrapassado pelo Mustang de Gaara, o qual está sendo dirigido por Ino. E bem, eles são o meu casal favorito superando até mesmo Naruto e Hinata.
— Hinata disse que seu pai quer me ver. – Ah, ele me contou isso também, me contou sobre Coral e desmentiu a história de ser irmãos de pais diferentes. E eu sei que ele ainda não foi falar com Hiashi por causa dela.
— Você poderia tentar, afinal ira ser somente uma conversa, não? – Viro no banco para ficar o tempo inteiro olhando para ele e seu afirmar negativo aparece. – Nunca é só uma conversa, Ten.
Diante de tal afirmação me calo. Acho que ele tem que resolver esta questão sem ser influenciado, entretanto ele demora tanto para reagir a algo e quando reage é uma explosão.
— Eu só não quero ficar longe dela e claro de você, mas Hiashi irá encrencar com isso tenho certeza. – E ele deixa seus motivos amostra. Eu também acho, afinal ele nem quer que Hinata se misture com pessoas que não pertencem ao mesmo patamar social, imagine saber que seu sobrinho abriga uma garotinha e namora com uma pessoa comum?
Namorada. Isso soa de forma tão surreal a meus ouvidos, pois ainda estou me acostumando com este título. De resto já estou bem habituada. – Quer que eu vá no treino com você amanhã?
— Claro! Vou adorar te ter por perto. – Como sempre, mas é tão difícil ficar com ele sozinha, na verdade é impossível. Mas mesmo assim não abro mão. Ele para em frente da minha casa e a hora de se despedir aparece. Acho que esta é a pior parte do dia.
— Até amanhã. – Digo e lhe roubo um beijo. Segundo ele roubar beijos é abuso, mas nunca ouvi nenhuma reclamação. E o vejo acenar logo em seguida. E pela mesma viela que me trouxe ele se vai, mas não para sempre. Para meu alívio amanhã de manhã vou estar a menos de três metros de você, Hyuuga Neji.
Gaara P.O.V
Ela me faz oscilar em espaços muito curto de tempo. Do nada fico irritado e logo calmo, mas claro apenas quando ela vem com suas adulações. Acho que nunca falei tanto em minha vida inteira sobre trivialidades e ouvi tanto sobre moda e coisas de garotas.
Na maioria do tempo ela é quieta, contudo tem momentos que ela chega a comentar até a cor horrível da cortina do meu quarto, onde ela está agora despreocupadamente. Pois ela não se importa se estou bravo ou se fui rude poucas horas atrás.
Por que ela sabe que me seguro bem como sabe que irei adula-la logo em seguida. Faz mais de um mês que depois de toda a rotina ela acaba na minha cama. Geralmente folheando uma revista qualquer ou sem umas peças de roupas.
— Gaara, vem cá. – Ela chama manhosa e a olho de canto. Como se esquecer suas provocações fosse instantâneo. – Ainda está chateado só porque falei que iria te trocar pelo Naruto? Estava brincando você sabe disto.
Na verdade, a ideia de que você possa me trocar por qualquer um já me irrita o suficiente e eu sei que ela é ciente disto. Sigo para cama e ela me cede espaço com aquele sorriso debochado na face.
— Eu não faria isto nem que eu quisesse e acho muito improvável que eu queria. – Ela diz e retorna a folhear a revista assim que aninha sobre meu corpo. – Gaara, você não acha uma loucura estas pessoas que se apaixonam na adolescência e ficam juntas o resto da vida?
A olho e vejo seu semblante interrogativo em busca de uma resposta que parta diretamente dela. De fato, é estranho.
— Veja bem. Irão conhecer outras pessoas, vivenciar novas experiências, conhecer novos ares e mesmo assim a paixão do colégio ainda permanece. – Ela prossegue em sua análise sem deixar espaço, para que, eu diga alguma coisa, pois sabe que não direi nada.
— Acho que é loucura se prender alguém tão cedo. – Como eu estou fazendo com você, Ino? Enfim acho que ela chegou onde queria.
— Dê uma chance para o amor, Ino. – E ela cai na risada logo em seguida, pois sabe que estou satirizando o que ela disse. E essas pequenas provocações que ela me faz me arranca o sono. Por que eu fico pensando como seria ficar sem ela.
— Estou dando, Gaara. Mas só temos dezessete anos! – Isso, apenas dezessete anos e pela primeira vez eu sei o que quero na vida.
— Onde quer chegar, Ino? – E seus olhos demonstram confusão. Também estou confuso, afinal está justificando o fora que quer me dar ou apenas conversando trivialmente? E vejo ela abrir a revista no meio deixando amostra uma matéria sobre o assunto.
— Não quero chegar a lugar algum. Apenas estou tentando conversar com você. – E ela lança a revista longe para afagar com ambas mãos meu cabelo. Leitura perigosa está. – Está achando que vai se livrar tão fácil?
E aquela expressão provocativa e de deboche já está em seu rosto. Não sou exatamente fã de suas provocações, entretanto eu as prefiro invés de vê-la chorando em um canto qualquer. Mesmo que na maioria das vezes ela seja tão dura e uma ótima atriz, quando alguém começa a comentar sobre nós.
E usando este termo agora acabo rindo, pois, falar “nós” me soa um tanto ridículo. Entretanto eu gosto e ela também.
Sasuke P.O.V
— Sasuke, desça para o jantar! – Deitado em minha cama, após deixar Sakura em casa, escuto a minha mãe me convocar, novamente para o jantar. E só de pensar que todo meu bom humor irá se esvair neste momento a comida já nem me desce. Entretanto vamos lá.
Sento rente à mesa já suspirando, onde meu pai está e minha mãe o serve. Será que ele não pode fazer isso sozinho? Me fita em completo silêncio e espera algo que desconheço para iniciar o jantar silencioso de sempre.
— Desculpem o atraso! – E me surpreendo a ver Itachi. Eu não sabia que ele estava aqui. Bem, até hoje de manhã ele não estava. Minha mãe sorri e inevitavelmente eu também. Meu pai continua sério.
— Itachi veio nos visitar. – E meu sorriso morre. Eu pensei que ele tinha voltado para ficar. Vejo ele jogar os ombros para cima, quando nem Mikoto e Fugaku estão vendo.
— Eu achei que você merecia ver seu irmão, já que está se comportando feito gente, Sasuke. – E me surpreendo pela segunda vez na noite. Meu pai, me elogiando? Teria algo errado nesta equação caso eu realmente não estivesse agindo com mais responsabilidade, mas estou. E pela primeira vez vejo meu pai não me repreender.
— Obrigado, pai. – Mamãe sorri, Itachi também e o jantar se inicia e desta vez, realmente parece uma família de verdade. Sem dúvida, este de longe vai ser o melhor dia da minha adolescência.
Temari P.O.V
Deixo tudo para trás a pressas, quando percebo que estou atrasada. Me despeço de Shikamaru e das meninas assim que deixo a passos apertados o portão da escola para trás. Por que está pressa toda?
Papai do coração veio me ver e me aguarda em casa. Nem mesmo falei para Gaara que ele está aqui em Konoha. Mesmo que Gaara esteja bem mais estável em suas atitudes não quero que papai o veja. Seria uma forma de regressão, de retrocesso em tudo que meu irmão avançou.
Abro a porta às pressas, deixar ele esperando não é a melhor coisa a se fazer. Invés de largar minha mochila rente a porta, desta vez a coloco em um lugar adequado, afinal ninguém quer ter a atenção chamada, não é? Eu não.
— Tema, estou com saudade de você. – E não consigo conter a felicidade a ver Kankuro. Faz tanto tempo que não o vejo.
— Você também veio? Que bom, estava com saudade também. – O abraço apertado e ele retribui. Pensei que o veria apenas no Natal. – O pai não disse que você viria.
— Pois é. E onde está Gaara? – E meu sorriso se desmancha. Kankuro sempre foi apegado a Gaara e provavelmente não deve saber sobre as decisões que papai tomou.
— Ele está bem. Depois eu o levo para vê-lo, onde está o todo poderoso Sabaku? – Digo entre risos e Kankuro me acompanha.
— Estou aqui, Temari. – E antes que Kankuro responda ele aparece. Rosanna não está aqui e Kankuro fica mais contido.
— Oi, pai. – O abraço um pouco sem jeito. É estanho, mas mesmo assim o faço. Não quero que meu pai pense que eu não gosto dele, na verdade eu apenas discordo de suas atitudes.
— Vejo que Gaara manteve sua decisão. Isso é surpreendente. – Ele se senta no sofá e Kankuro o acompanha. Me sento a sua frente um pouco apreensiva, pois não acho que Gaara aprove que eu fale de sua vida.
— Pois é, mas você veio até aqui para me ver, não foi? – Tento desviar o foco da conversa e ele afirma positivamente. – E vejo que está ótima. Como sempre, o meu orgulho.
Kankuro fica visivelmente desconfortável diante desta afirmação, afinal ele sempre se esforçou tanto para ser reconhecido por Sabaku no Rasa, vulgo papai.
— Obrigada, pai. – Vejo ele afirmar e suspeito de sua presença, afinal ele raramente comparece em meses finais do ano. – Quero que chame Gaara o mais rápido possível. Tenho um comunicado a fazer a vocês.
Escuto, mas não assimilo. Fato que me faz rir nervoso. Droga isso sempre, sempre significa somente uma coisa. E por favor, pai. Não faz isso conosco.
— Comunicado? – Questiono já sabendo o que vira em seguida. Kankuro força um sorriso sem mostrar os dentes e segura a minha mão. Papai levanta e abotoa o paletó.
— Sim, querida. A matriz da corporação irá mudar de país e nós iremos nos mudar também.
— Mas pai! Por que temos que ir? Quero dizer, eu e Gaara? Nós sempre moramos em países diferentes. – Levanto do sofá aflita. Meu pai não pode fazer isso comigo... eu, eu tenho amigos. Eu tenho o Nara.
— Isso não está aberto a discussão. Acate meu desejo e conforme-se, Temari. — Isso está sendo um balde de água fria. Eu não entendo seus motivos. E o que eu vou fazer? Isso só pode ser um pesadelo, um terrível pesadelo.
— Mas eu nem terminei o ano letivo, pai. Eu tenho amigas agora, sabia? Eu tenho um... namorado, pai. – O digo mesmo ele não estando mais na sala. Eu acho que vou chorar pela primeira vez dentre todos estes anos que fiquei migrando de lugar a lugar. E agora que achei o meu lugar, ele quer que eu vá.
— Tema, o pai está tentando reatar nossos laços. Algo aconteceu com ele. Ele também me arrancou da minha vida e parece estar se esforçando mais do que as outras vezes.
— Ele sempre faz isso, Kankuro! Sempre faz. – Me jogo no sofá, agora tudo parece ter voltado como era antes. Tudo está desmoronando e eu não posso ser o pilar de sustentação, pois estou estilhaçada. Meu irmão me abraça e o silêncio impera neste castelo de gelo.
— Dê uma chance a nossa família, Tema. Iremos ficar juntos. – Sim, Kankuro. Iremos ficar juntos. E eu sempre quis isso, mas agora o preço está alto. E vai me custar muito, muito caro. Já me custou.
Hinata P.O.V
— O almoço esta servido, meninas! – Saio do sofá assim que escuto Nane dizer. Estou faminta e Hanabi também, pois ela já está sentada na sua cadeira batendo os talheres como se fossem paletas de bateria.
— Hanabi, pare com isso. – E faz bico diante da repreensão de papai. E acabo rindo de sua cara. Acho que estou ficando muito tempo com Naruto.
— Hinata, você falou com Neji? – Vejo papai questionar assim que me sento a mesa. E sua ansiedade em receber a resposta chega a ser palpável. E isso é impossível.
— Claro e sua resposta não é bem o que senhor aguarda, papai. – Vejo ele suspirar e Hanabi brincar com a comida desatenta. – Ele ainda não está preparado.
— Compreendo. Agora me diga, a senhora Uzumaki perguntou sobre você quando a encontrei. Tem algo a dizer sobre isso, filha? – Não brinca que ela fez isso? O que vou dizer para ele? Afirmo sem saber o que dizer e juntando o tanto de coragem que tenho para dizer logo de uma vez.
— É que Naruto me convidou para jantar com eles um dia destes. – Hanabi larga o garfo e passa prestar atenção na conversa. – Vocês são namorados, Hina?
Hanabi, por que você insiste em me colocar em maus lençóis? Meu pai espera a resposta e abro um sorriso forçado. Provavelmente devo estar vermelha agora.
— Não, quero dizer, não somos, Hanabi. – Meu pai franze o cenho e me olha de forma avaliadora. – Ele é só meu colega da equipe de exatas.
E faço tudo ao contrário do que pretendia. Isso é frustrante, mas meu pai é tão intimidador. Acho que posso guardar este segredo por mais um tempo. Ele não vai ficar tão furioso.
— Bom saber disto, Hinata. Não sei se aprovo aquele garoto. Afinal, agora ele se tornou amigo do filho problemático dos Uchiha. Sua credibilidade está no chão por isso. – Ai meu Deus! Como ele fica sabendo destas coisas? E só de pensar que também sou amiga de Sasuke as coisas parecem bem mais graves.
— Papai, o Neji também é amigo deles. – Digo na tentativa de fazê-lo retroceder nesta ideia mal fundamentada. E ele não esboça reação.
— Neji é um caso a parte, quando ele ceder irei orienta-lo melhor acerca de suas amizades. – Pelo visto não será hoje que irei falar que estou namorando, que faço parte da equipe de música e não de exatas. E muito menos será hoje que Neji vai vir para esta casa. E estou começando a achar que ele deva permanecer o máximo de distância deste endereço.
Pais e filhos, acho que nunca vão se acertar de primeira. Eu e papai já é evidente que não.
Sakura P.O.V
Estou atrasada para dar uma variada no quesito pontualidade, o qual eu sou especialista. Sim, estou pensando, novamente, através da linha positivista e banhada de ironia, mas o que posso fazer?
Na verdade, ainda é cedo. Entretanto ainda tenho que encontrar uma pessoa importante antes de ir para escola. E a lembrar disto, lembro que não falei nada a Sasuke. Eu sei que ele vai reagir bem. Novamente a linha positivista. Eu não consigo avaliar os impactos que incidirão sobre ele. Talvez foste por isso a minha resistência de não me entregar por inteira, mas isso foi complicado.
Papai já deve estar me esperando no mesmo café de sempre e eu aqui, atrasada. Coloco minhas roupas de sempre e procuro as chaves de casa, não faço ideia de onde eu as coloquei. E após mais cinco minutos desperdiçados a encontro debaixo do sofá.
E a abrir a porta o ar me falta, o que ela está fazendo aqui?
— Olá, filha. Sua mãe quer te ver. – Escuto Mebuki dizer e meus olhos ardem. Os seus estão brilhando e meu peito queima. O meu prazo passou rápido demais no final das contas. Vejo papai sorrir nervoso logo atrás da mulher sobre saltos altos.
Ela entra e avalia o apartamento logo lançando um olhar mortal a papai e segue recinto adentro. Papai finalmente me abraça forte e como sempre beija o topo da minha cabeça.
— Pai, o que ela está fazendo aqui? Era para ser segredo nosso, você prometeu. – Digo ainda entre seus braços. – Eu sei, querida. Eu sei, mas ela queria te ver.
O solto derrotada e passo a mão sobre o rosto. Nossa relação nunca foi a melhor. Sempre fui mais apegada a papai e quando fugi de casa a quase um ano foi ele que me achou três dias depois. Ela mal se dignou a me procurar e agora está fazendo o que aqui?
Minha cabeça está latejando e meu coração está se partindo a cada batida de seu salto alto no chão. Papai senta-se ao meu lado no sofá.
— O que ela quer? – Sussurro para ele. Kizashi sempre foi tão alegre e agora está com uma expressão tristonha na face. Não me responde, pois ela retorna para sala. Seu nariz sempre empinado e sua roupa sempre impecável. Pior do que um cubo de gelo.
— Sakura, sua mãe quer conversar com você. – Meu pai se levanta e eu agarro sua mão. Não me deixa sozinha com ela. – Vou esperar lá fora.
E ele se vai e bate a porta. E ela finalmente me encara, sorri e se senta a minha frente. Eu não consigo organizar meus pensamentos.
— Como seu pai deixou você ficar neste lugar? – Sua pergunta é retórica e deixa claro sua desaprovação. Mas mamãe sempre desaprovou tudo, então.
— Sakura, chega de brincar de casinha. – A encaro assim que ela termina sua fala, mas sempre tem mais, sempre a mais. – Você realmente pensou que eu iria deixar você seguir em frente com isso?
— Tanto faz, Mebuki. – A digo e vejo a magoa em seus olhos. E não sei porque deste sentimento. Eu sempre morei com minha avó. Ao contrário dela que nunca esteve presente minha avó sempre esteve por perto.
— Tanto faz? Sakura, não pense que não me importo e deixe de ser egoísta. – Egoísta? Eu só quero ser uma garota normal, mãe.
— Você ficou quase um ano longe de nós, está na hora de voltar, Sakura. – Ela resolve sentar se ao meu lado. – Querida, eu e seu pai não podemos mais suportar ver você se matando. Vamos tentar mais uma vez, uma última vez. Prometo.
— Da última vez você também prometeu que seria a última vez. – Vejo ela voltar a sua soturnidade. Fico me perguntando se eu seria como ela, quando fosse adulta. Tão bonita, tão elegante. Acho que sou um castigo para ela no fim das contas.
— Meu amor, já se passou quase um ano e os medicamentos surtiram efeitos. – Diante de tal alegação, percebo que papai não cumpriu com sua promessa. Afinal, ninguém cumpre nenhuma promessa que me faz. Ele disse que não iria contar para ela sobre isso, sobre meu quadro de melhora. Sobre a contenção do meu pequeno e lindo tumor. E como sempre, ela vai querer remove-lo outra e outra vez.
— Eu não vou me submeter a outra operação. Chega, mãe! – Me irrito e me afasto. Vejo ela balançar a cabeça negativamente e o seu semblante sofrido. É sempre o mesmo roteiro. Ele é removido e depois volta.
— Querida, você não pensa nas pessoas que te amam? Não pensa no seu adorado papai? E que tal na mamãe? Você está se matando, Sakura. E eu não vou aceitar feito a sua avó, não vou ficar vendo você morrer.
E ela estoura, como sempre com sua voz severa. E mais uma discussão perdida vai entrar para coleção. Ela não aceita as minhas decisões. Ela ficou tão depressiva, quando soube que sua única filha estava doente que se afastou. E papai teve que segurar a barra toda sozinha, mas ela sempre volta. Sempre e agora é mais uma de todas as vezes que ela vai me submeter as suas vontades.
— Seu pai me contou sobre o pacto de vocês logo quando você fugiu de casa. E eu respeitei bastante sua loucura, Sakura. Mas, filha eu não posso mais suportar! Eu não vou desistir de você.
Vejo ela desatar no choro, acho que é a primeira vez que a vejo assim. Mas, mãe! É sempre a mesma coisa e eu estou cansada de tudo. Eu deveria saber que ela estava sofrendo tanto, mas ela mesmo nunca havia demonstrado como agora.
E isso está me machucando. Está doendo mais do que deveria. A ferida já era uma cicatriz, mamãe. Já era uma cicatriz.
— Mebuki, para com isso. – Digo segurando o choro, ela não vai fazer eu retroceder na minha decisão. Mesmo que meu prazo de um ano para viver como uma adolescente normal esteja no fim, eu irei prosseguir com esta ideia.
— Para com isso você. – Suas palavras parecem tão feridas, como se soubesse tudo o que eu diria. Vejo ela secar as lagrimas com as costas da mão e se recompor junto com o tic tac do relógio.
— Eu não vou mais respeitar sua decisão e se pai me apoia. – E uma pontada no meu peito me desmonta. Vai começar tudo de novo. Sem o apoio de papai, ela vai fazer o que quiser, ou seja, mais operações para coleção.
— E você acha que vai dar certo, mãe? Este treco já foi removido duas vezes! – Grito para ela, será que é tão difícil perceber e aceitar que eu vou morrer de qualquer jeito? Só não quero passar meus dias sobre a cama de um hospital ou uma cadeira de rodas. Sem poder dançar, sem poder fazer o que gosto.
— Sakura, me escute desta vez. Tem um método novo. Medicamentos novos lançados e de resultados animadores, filha. – Ela se aproxima e vejo o grau de seu desespero pelo tremer de seus dedos finos e gelados. Ela segura meu cabelo e afaga delicadamente.
— Você vai poder ter o cabelo grande novamente, como você sempre quis ter. O que acha? – Ela seca minhas lagrimas e sem jeito a abraço. E seus braços magros pesam nas minhas costas.
— Eu senti tanta sua falta, meu amor. – A aperto e molho sua camisa com lágrimas. Ela nunca deixou abraça-la para não amassar sua camisa da nova coleção lançada por ela. Escuto a porta se abrir e por ela vejo papai. Droga, o que eu faço? Eu estou perdida.
— Eu não vou te perder, Sakura. – Escuto seu murmúrio ainda entre seus braços. – Nem que para isso eu a force, mesmo que você me odeie.
Suas mãos seguram minha cabeça. E o desespero em seu rosto é evidente. Os olhos vermelhos e o batom delineado fazem seu rosto parecer uma moldura. Ela é mesmo bonita.
— Se for para te perder que seja lutando. – Ela beija minha testa e o ar me falta. Papai encosta a porta e faz minha mãe me soltar. Ela está chorando tanto, ela nem chorou quando a vovó morreu. Encosto na parede vendo meu pai acalma-la. Droga, eu não posso fazer isso de novo.
— Sakura, por favor. Dê uma chance. Sua mãe está sucumbindo e eu não estou mais conseguindo lidar com isso. – Kizashi se aproxima e diz baixo. Minha cabeça está um turbilhão. E eu não consigo assimilar os fatos, os argumentos. Eu só não quero mais ver ela chorar.
—E desta vez, você não terá escolha. Arrume suas coisas, vamos embora imediatamente.
Você culpa seus pais por tudo
Isso é absurdo
São crianças como você
O que você vai ser quando você crescer?
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