Golden Years
31 Pais e filhos II
Notas iniciais
Tudo ainda está rodando rápido demais na minha cabeça. Eu pareço ter dormido numa cama feita de pregos e meu corpo reclama, mas ele não reclama mais do que minha razão, mais do que o medo de vê-lo.
Eu dormi e os fantasmas de meu sonho ainda estão aqui e eu queria que eles fossem embora. Mamãe afundada no seu âmago, papai apoiado na sua coragem. E eu gritei, gritei para quem quisesse ouvir. Eu não quero ir embora, eu não quero quebrar a promessa que fiz a Sasuke. Não quero deixar Gaara, não quero deixar Neji.
Fazer Ino chorar, fazer Naruto se desesperar. Temari e Tenten enlouquecer. Não quero que a preguiça do Nara seja substituída por tristeza e jamais quero fazer Hinata acreditar que conto de fadas não existem. Não quero fazer o meu príncipe encantado morrer com uma espada no peito, feito romeu e julieta.
E minha cabeça ainda borbulha e meus olhos ainda a vê. Agora mais decidida e muito estável. Eu disse que não queria aceitar outra submissão a um bisturi abrindo minha cabeça, eu disse que não queria perder os movimentos das pernas, disse que não queria ficar vegetando sobre uma cama.
E o que eu ouvi foi: Querida, são apenas efeitos colaterais. Colateral, eu não sei bem o que isso significa, mas não tenho muita empatia a esta palavra. Eu sei dos efeitos que ele me causa, mas não sei o efeito que eu vou causar.
E agora, por um momento eu queria voltar no tempo. No mesmo dia em que cheguei atrasada na escola, no dia que eu queimei meu secador, no dia que nossos olhos se cruzaram pela primeira vez. Por que talvez, eu pudesse evitar a minha paixão.
Por que então, agora, no presente as coisas fossem mais fáceis. Mesmo sabendo que apaixonar se pelo garoto mau é um pouco inevitável. Eu queria tanto fugir da minha realidade e ser uma garota normal, que segui a risca as listas dos clichês. Me apaixonei pelo garoto mais popular da escola, as garotas me odeiam e tenho amigos extraordinários.
Mas o primeiro ato chegou ao fim e agora vem o segundo. Ela está ali, sentada no sofá para me lembrar de tudo enquanto papai insiste em empacotar as minhas coisas favoritas. O meu mundo que criei está desmoronando. Tudo parece ser um devaneio escrito numa pagina qualquer de um caderno.
E estou com medo de sair por aquela porta e bater na da frente. Por algum motivo ele ainda não veio me convocar e não aguento mais chorar. Chorar por ter que deixar tudo para trás. E o pior de tudo é que eu sabia, eu sabia que isso iria acontecer.
Entretanto fiquei lá. Sentada feito uma boa garota, feito uma miss sorridente esperando ser escolhida para ser miss universo. Com um sorriso congelado no rosto e agora estou aqui. Apenas absorvendo os impactos de minha escolha.
Contudo uma coisa eu posso dizer. Este tempo, este tempo que eu vivi apenas tomando as doses desnorteantes de medicamentos, foi meu ano dourado. Mesmo que não seja completo, este de longe é o melhor ano que eu já tive.
E eu queria achar minha caixa de antidepressivo e tomar uma pílula ou talvez quatro. Por que o episódio seguinte desta novela, vai ser o que a mocinha morre. E mesmo que eu seja acostumada a abandonar as coisas quando elas ficam difíceis demais, desta vez, ao menos vou ter que dar um breve até mais ou um adeus.
Eu sempre fui positivista demais e deveria ser ao contrário. Contudo meus fantasmas já gritam em meus ouvidos a catástrofe eminente. O pessimismo já dança na minha cabeça com lindos passos de ballet.
E estou com medo. Medo do que vai acontecer agora, medo de feri-lo, quando o que eu menos quero é isso. E chorar não vai resolver muita coisa, não vai fazer o tempo voltar. Estou com medo de explicar a ele, estou com medo de me despedir.
E acima de tudo, estou com medo que ele quebre a parte de sua promessa, pois a minha já se estilhaçou no chão feito uma taça de vidro. Eu não vou poder ficar ao seu lado, Sasuke.
E estou com medo de que você não queria, pois, poder você não vai. E por mais que eu esteja ciente disto, eu não quero que você a quebre. Não quero que você vá embora, mesmo que eu vá.
Escuto batidas na porta e as lágrimas regressam mais grossas. Mamãe atende e nada diz, mas eu sei que é o Hyuuga. Meu enfermeiro temporário.
— Mãe, nos deixe as sós. – A peço sem ânimo e ela o olha interrogativa. Ele não é lerdo e já deve ter entendido tudo sem precisar de explicações. E ela se vai silenciosa, feito naquela casa em Suna, tudo silencioso. – Eu nem sei por onde começar, Neji.
— Não foi a escola hoje, deveria ter nos avisado. – Levo a mão a boca para segurar um soluço idiota, quando ele segura minha mão. – Você vai ir embora.
Afirmo diante de sua observação e encosto minha cabeça em seu ombro. Eu não quero te deixar, Neji. Não quero deixar nenhum de vocês. Sua cabeça está baixa e seu semblante relaxado, como se quisesse transferir uma calmaria inexistente.
— O que vou dizer a eles, Neji? O que vou dizer a Sasuke? – Neji se afasta e se senta no outro extremo do sofá. Faz sinal, para que, eu deite e apoie a minha cabeça em suas pernas. Logo sua mão pesa sobre minha cabeça e a visão da parede é a única.
— Você vai dizer o necessário. – Sua voz soa tão segura e fico a pensar se ele concorda com meus pais. Ele nunca se intrometeu, ele nunca me questionou. Acho que ele já desconfiava que um dia algo bateria na minha porta.
— Que vai tirar umas férias, pois cansou da gente. – Uma lágrima escorre do meu olho esquerdo, quando ele ri diante da sua declaração. – E depois você volta.
— Eu não sei se vou conseguir voltar. – E a minha ficha cai, estou por um triz. Afinal, cada minuto pode ser o meu último. – Sim, você vai.
Levanto para abraça-lo e chorar. Eu não sabia que eu iria tê-lo, eu não sabia que iria ganhar nenhum de vocês, juro. Juro que não queria ver ninguém triste por minha causa.
— Agora, Sakura. Você tem que se despedir. – Escuto Neji dizer afetado, mas visivelmente mais calmo, afinal ele era o único que já sabia. – Com um até mais?
Vejo seu sorriso. Vou sentir tanta falta dele. Vai ser difícil sem você. Mas tenho que ir, não é?
— Exatamente, com um até mais. – Sinto os seus lábios na lateral de meu rosto. Percebo os olhos de minha mãe observando a cena. Vejo papai sorrindo com a ideia de mais um apoiando uma causa perdida.
— Vamos para o ensaio. – Digo e vejo o afirmar. Mebuki me olha resignada. Está entendendo agora, mamãe? – Eu já volto, prometo.
— Estaremos aguardando, querida. – Afirmo e olho para porta onde Neji me aguarda. Meus olhos retornam a lagrimejar e a dor aumentar. Eu tenho que fazer isso.
Hinata P.O.V
As luzes do Super Trouper vão me cegar
Mas eu não ficarei triste
Como eu sempre fico
Porque em algum lugar da multidão está você
Começo novamente o solo, mas não consigo me concentrar na letra da música que iremos usar na grande final. E como fui a única garota que não cantou solo, TenTen sugeriu esta ideia. Para não perder o costume, Neji e Sakura estão atrasados.
Temari não compareceu na aula hoje e acho que nem vai vir para o ensaio. Gaara afina seu instrumento tranquilo enquanto Ino e TenTen ensaiam a coreografia em um canto do estúdio. Shikamaru está visivelmente incomodado com o sumiço de Temari e estou começando a me preocupar.
Naruto e Sasuke conversam animadamente em um canto invés de ensaiarem. E eu deveria alerta-lo sobre o que meu pai pensa.
— Hinata, onde você vai? – Shikamaru pergunta e faço sinal para ele me acompanhar. – Vou beber um pouco da água, você vem?
Ele nega com a cabeça e sigo sozinha pelo corredor vazio da escola. Mesmo tendo aquecido a voz, minha garganta está reclamando. Acho que hoje não é um dia propício.
— Olá, Hinata! – Viro para trás e a vejo em seu uniforme de líder de torcida. Estava demorando mesmo para Shion fazer algo. – Como vai o relacionamento?
Ela apressa o passo para ficar do meu lado, quando retorno a andar. Eu fui tola o suficiente para pensar que Shion tinha seguido em frente.
— Calma, estou querendo conversar com você. – Ela segura meu braço e eu cesso o passo. Vejo ela escorar num armário com um sorriso grande nos lábios e cruzar logo em seguida com dois pompons em mãos.
— Seu primo é mesmo lindo, não é? – E estranho ela mencionar Neji na conversa, quando pensei que ela falaria de Naruto. – O que tem o Neji, Shion?
Ela abre a boca e coloca a mão na frente, como se fosse fazer uma confissão secreta. Arrancando um logo suspiro meu diante de sua encenação barata.
— Então você não sabe? – Ela olha para os lados como se quisesse certificar se que não já ninguém além de nos duas. – Pensei que você pudesse me contar.
E diante de tal revelação fico perdida, pois não sei onde ela quer chegar com isso. Balanço a cabeça para afastar as coisas sem nexos que ela diz. Não vou dar credito a ela.
— Agora espero que você aproveite muito bem o seu relacionamento, Hyuuga. – Vejo ela se afastar sorrindo e lhe dou as costas.
— Hyuuga! – Ela me chama e viro para ouvir mais algum absurdo sair da sua boca. Vejo ela balançar os pompons para o alto e mandar um beijo no ar. – Mande lembranças minhas a Neji.
Se vira e sai animando uma torcida inexistente. Eu não entendi absolutamente nada, acho que Shion está apenas querendo me confundir.
Retorno para o auditório e me aproximando vejo Neji escorado no batente da porta com o semblante sério. Será que ouve alguma coisa? E ele a me ver balança a cabeça negativamente.
E antes de questiona-lo vejo Sakura de rosto inchado e do outro lado Sasuke a observando estático. E como seu fosse um presságio meu peito queima. Alguma coisa já aconteceu.
Sasuke P.O.V
Naruto é mesmo uma criança disfarçada de um jovem. Está com o joelho todo ralado por brincar com carrinho de rolimã. Eu iria dizer isso a ela, mas vê-la entrar sem fazer escanda-lo me chamou a atenção. E eu iria caçoar perguntando se alguém tinha abduzido, mas também não brinquei, pois é evidente que ela não está bem.
E Neji rente a porta se segurando para não pegar um cigarro e ascender é um sinal de que algo não estava bem, na verdade que nada está bem.
— Eu vim me despedir. – Sua voz saiu tão falhada que não pude assimilar de imediato. Ela está dizendo que vai embora? E desta vez ela não parece estar pregando peça em ninguém.
— Como, Sakura? – Ino larga suas sapatilhas no chão e segue até sua direção. Sakura, você não pode ir embora, você vai romper com minha promessa. – Sasuke, eu quero falar com você.
Vejo Hinata retornar e permanecer estática rente a porta. Estou confuso então apenas a sigo, quando sem dizer mais nada ela deixa Ino sem resposta. Neji está tão sério que chega a me confundir ainda mais. Apenas consigo perceber que esta conversa não vai ter um tema comum.
— O que foi, Sakura? – Questiono assim que aponto no corredor e acho encostada no armário. Ela força um sorriso e escorrega até atingir o chão. – Me desculpa, Sasuke.
Sento se a seu lado e ela enxuga uma lágrima solitária. Ela parece estar falando outro dialeto, pois não consigo compreender absolutamente nada que saia de seus lábios. Fica em silêncio e aguardo mesmo querendo bombardeá-la de perguntas.
— Eu tenho que te contar uma coisa que você já deveria saber. – E o receio em sua voz é evidente, afirmo positivamente e aguardo pelo seu prosseguimento. Ela abraça as próprias pernas e respira profundamente.
— Já ouviu falar em tumores cerebrais? – Franzo meu cenho. E fico tentando imaginar o que isso tem com o assunto. Ela me olha com uma expressão dolorosa e droga, sei exatamente o que ela quer dizer. – Eu deveria ter lhe contado antes.
Passo a mão na face com um certo desespero. Isso não pode ser verdade. Eu queria dizer algo, entretanto minha garganta está bloqueada. Sakura está doente. Esta informação faz todo um quebra cabeça se juntar. Isso está doendo, está queimando.
— Deveria ter contado antes. – E feito um idiota repito a mesma frase. E não foi tão doloroso quanto ouvir no tom habitual da voz dela. Tenho que fazer alguma coisa. Sakura não pode morrer, pode? Eu sei que isso é egoísta, mas eu não posso ficar sem ela.
— E por conta dele eu vou embora. – Jogo a cabeça para trás e fecho os olhos, para que, quando retorná-los a abrir, rir e ver que tudo foi um terrível pesadelo.
— Eu não quero ir, Sasuke. Eu não quero ir para nunca mais voltar. Quero ficar aqui com você. –Sua declaração sai entrecortada e na minha cabeça toca uma banda barulhenta me impedindo de entende-la.
— Eu não quero quebrar mais uma promessa.
— Mas você tem que ir. – Afirmo para nos. Isso é surreal e a falta de oxigênio está me afetando. O ar sumiu. E eu não consigo reagir, pela primeira vez não consigo reagir.
Ainda estou tentando ligar os pontos, ainda estou tentando formar as frases em minha cabeça. Ela não pode ir embora. Para sempre? Eu não quero que ela vá, eu não posso romper a única coisa boa que me resta.
Sinto sua mão sobre a minha e logo os dedos se entrelaçarem. Seus olhos verdes estão perdidos e eles são o meu Norte. O que eu posso fazer?
— Nós...podemos, podemos tentar remover, Sakura. – As frases não se formam e ver suas lagrimas engrossarem fico pensando em quão tolo eu possa ter sido. Eu não sei! Não consigo pensar, droga.
— Sim, podemos remove-lo. – A puxo para mais perto e não entendo. É uma operação simples? Sem riscos, não é? E ela vai ficar bem. — Então vamos ao médico amanhã. Eu vou falar com meu pai e certamente ele não vai se importar em me dar dinheiro para sua operação.
— Não, não, Sasuke. Não precisa fazer isso. – E fico confuso e acabo por rir nervoso. Como assim, Sakura? – Eu sou tão rica como você.
E novamente não consigo encaixar o quebra cabeça desta história. E percebo que eu não sei absolutamente nada sobre a garota que está a ponto de me ver chorar por ela. Tsc, eu preciso dormir.
— Então por que você não tirou o tumor? – Percebo que me exaltei assim que a vejo arregalar os olhos. Droga, Sakura! Você não pode fazer isso comigo. – Por que você estava morando naquele apartamento? Trabalhando como garçonete?
Vejo ela negar com a cabeça e as perguntas que fiz. Nada mais são do que uma válvula de escape. Eu não vou culpa-la, eu não preciso saber de suas razões, mas eu quero. – O que mais você não me contou, Sakura?
A abraço e o seu silêncio responde todas minhas questões. Eu estou nervoso, preciso me acalmar imediatamente. Ela se afasta e se levanta. – Eu errei com você, mais tudo parecia fazer sentido na minha cabeça.
Ela limpa o rosto com as palmas da mão e tenta a abrir um sorriso. – Mas percebo que me equivoquei agora. E mesmo querendo ficar com você, não quero que veja os efeitos colaterais.
Sua frase sai confusa e não entendo. Que efeitos colaterais? Levanto do chão e percebo que deveria ter ficado.
— Não estou nem aí, vou ficar com você. – Digo e ela nega e um misto de sensações percorrem meu corpo. Eu não a entendo e estou me esforçando. – Não, não vai. Estou indo para longe e você tem que ficar, Sasuke.
Suas palavras parecem farpas a meus ouvidos. Ela vai me deixar, ela está rompendo com nossa promessa.
— Você vai ficar por nós, prometa. – Nego com a cabeça e ela sorri, provavelmente sabendo o que direi.
— Não vou prometer, você me obriga a quebrar minhas promessas. – Este tal de amor fere. E está doendo mais do que imaginei, mais do que poderia prever. – Eu gosto mesmo de você.
— Eu sei, Sasuke. – Concordo com ela. Ela sabe, acho que sempre soube. E sua demora em assumir o mesmo faz sentido agora. – Eu gosto de você, senhor convencimento.
Meus olhos ardem e minha boca fica seca. E não tenho coragem de pronunciar exatamente nada. Eu sinto tanto, sinto por nós dois. Eu não quero a chamar de detestável pela última vez, me nego.
— Se eu ficar, promete que irá voltar? – Tsc, e as drogas das promessas retornam. Mas eu não sei o que dizer. – Talvez eu não volte, mas prometo.
E eu quero beija-la, quero ter completamente, quero apagar tudo o que ela disse. Fingir que nada passou de uma peça de teatro ou de um grande desentendimento.
— Você é a pior namorada que já tive. – Digo e ela ri efemeramente. E eu não vou cumprir com minha parte desta promessa, Sakura. Eu não vou conseguir ficar longe mesmo você querendo. – Você também não é o melhor.
Sinto seu abraço e a aperto tanto que ela chega a reclamar. Irei cumprir minha promessa de ficar a seu lado. Nem que isso me custe tudo o que conquistei nesses últimos meses.
— Eu acho que amo você – Sussurro em seu ouvido. Eu sou orgulhoso demais para dizer que a amo. Isso, eu a amo. E não vou aceita-la perder. – Estou começando a suspeitar da mesa coisa.
E antes que ela se solte a puxo para um beijo. O beijo mais desesperado que já lhe dei. O beijo que confirma e reafirma a minhas hipóteses. Haruno Sakura é mesmo uma variável constante, ela é mesmo a minha detestável.
A detestável que me fez mudar e agora quer ir embora. Tem que ir embora e por mais que eu reprovo esta ideia sei que é para seu próprio bem. E não vou mentir. Uma ilusão lá no fundo da minha memória diz que tudo não está sendo um devaneio horrível. De que a estrofe deste poema é um delírio. Uma completa loucura.
Gaara P.O.V
Ainda não compreendi muito bem o que Neji acabou de dizer. Sakura é mesmo uma garota de riscos. E estou afetado por saber do estado real de sua saúde. Todo este tempo e nem desconfiei daquele corpo esquelético.
Ino está em choque e não consegue aceitar tal fato. Naruto já achou mil e uma saídas para Sakura enquanto TenTen consola Neji perturbada em um canto. Shikamaru está tão quieto que juraria que morreu senão fosse seu cenho franzido denunciando que está vivo.
E ela está chorando, Hinata está num choro cálido e sem fim. Esta breve notificação veio em péssima hora. Sakura sempre demonstrou tanta espontaneidade, sempre alegre, sempre provocando. E agora nos vem com essa.
Nunca gostei do conceito de perda mesmo não o conhecendo a fundo, entretanto esta ideia de evasão não me desce bem. Perder uma pessoa não é muito agradável, na verdade não tem nada de agradável.
E Sasuke, estou com medo por você. Deve estar sendo difícil ouvir da garota que ele gosta que ela está morrendo. Confesso que não entendi muito bem todo o contexto, mas sei que tem um fator determinante nesta história toda: os pais.
Neji disse que eles apareceram e agora ela vai embora junto deles. E por mais que eu goste dela, não consigo avaliar este ressurgimento como negativo. Eles estão aqui por ela. E ela deve partir.
Contudo eu sou apenas o espectador desta cena toda e é sempre mais fácil quando está fora ou parcialmente fora. Sou apenas seu amigo, não sou seu namorado e muito menos o seus pais. As coisas mudam de figura dependendo dos títulos e seus papeis.
E não tenho como mentir que estou triste e afetado. Afinal, é a Sakura. A sem noção de horário, a irmã falsificada de Neji, a melhor amiga da minha namorada e a vizinha peculiar da porta da frente. Sakura, eu vou sentir sua falta.
— O que aconteceu? – E pensando em irmãs, a minha resolveu aparecer. E eu que deveria perguntar o que houve, pois, seu semblante está mergulhado numa tristeza. Seus olhos pousam sobre o Nara e diferente do que pensei ela não segue até ele, pelo contrário chega ignora-lo.
— A Sakura está doente, ela vai embora. – E a pose de durona de Temari vai se desmanchando. Como se o seu péssimo dia adquirisse força com esta notícia ruim. – O que?
Ela questiona um pouco perdida e procura explicação, mas ninguém está disposto a explicar nada.
— Gaara, temos que ir. – Escuto ela dizer afoita e não compreendo esta aflição. Temari explode muito raramente e pelo visto hoje ela está quase aderindo. – Temos visita.
Ela conclui e sai pela porta sem se despedir. Como se a notícia que recebeu não tivesse a impactado. Ino me olha e não sei decifrar sua expressão. Estou quão perdido como todos e Temari acabou de piorar mais as coisas. Na verdade, ele acabou de piorar as coisas.
— Eu vou ver o que aconteceu. – Digo olhando para Shikamaru visivelmente preocupado. Afinal, não é para menos. Sua namorada se ausenta e quando aparece finge que ele nem existe. Algo aconteceu. Temari não é assim. – Vou esperar pela Sakura.
Afirmo para Ino que passa a consolar Hinata. Vê-la chorar é de partir o coração. Encontro Temari em frente da escola, quando me vê acena desesperada.
— Da para você falar logo o que ele quer desta vez? – Questiono direto. Nada desnorteia mais Temari do que nosso pai. Ela puxa ar e solta numa tentativa tonta de acalmar-se. E logo em seguida vejo seu cenho franzir e seus olhos brilharem.
— Você vai saber. — Deixa o mínimo de informação e segue rumo a seu carro. Sigo sem mesmo saber se devo acompanha-la. Hoje não quero mais receber notícias ruins, mas apenas a presença de Sabaku no Rasa em Konoha, por si só já é uma péssima notícia.
Ela dirige com calma e não consigo decifra-la neste meio tempo. Temari está triste, contudo parece conformada com a situação, a qual ela não quis me adiantar. Entretanto antes de ver o que ele quer desta vez, Temari me segura pelo braço.
— Dê uma chance. –Fico perdido diante de sua declaração. E antes que possa questiona-la sobre o que ela está falando, Temari me deixa sozinho e resolve me esperar na soleira da porta. Suspiro pesadamente. Eu não consigo pensar concretamente, Sakura me desnorteou e meu pai por si só já me abala.
O que ele quer desta vez? E por que tenho que dar uma chance, Temari?
Temari abre a porta e logo depois de suas costas sumirem eu o vejo. Faz tanto tempo da última vez e foi neste mesmo local. Tinha acabado de sair do hospital por ter uma overdose e neste mesmo dia ele disse em alto e bom som. Que eu não era mais o seu filho.
E agora estou aqui, novamente, com ele sentado no sofá pacientemente. E minha voz parece ter sumido mesmo querendo saber o que ele faz aqui já que não cometi nenhuma besteira. Ficar sem pai foi a melhor coisa que me aconteceu, até estou me recuperando da dependência química, tenho amigos, tenho ela.
— Gaara, como você está inteiro. – Reconheço a voz de um terceiro e a surpresa me toma. Faz muito tempo que não o vejo. Dois ou três anos. Kankuro me abraça e eu correspondo. Por mais que seja fragilizado nosso vinculo eu aprendi que eles. Os vínculos devem ser preservados e fortalecidos.
— Faz tempo desde a última vez. – Temari sorri de canto enquanto observa a felicidade de Kankuro e eu não consigo fingir que ele não está aqui, esperando meu irmão me soltar para nós lembrar de sua presença.
— Gaara, venha até aqui. – E o ar parece ter adquirido peso diante de sua convocação. Temari afirma positivamente e Kankuro apenas sorri. Aproximo e fico a sua frente. Seus olhos me observam como se eu fosse um automóvel a venda. Rasa sempre gostou de carros.
— Você está bem, filho. – E por estar perdido diante de sua declaração acabo por rir. Filho? O que está acontecendo com você, pai? Pegou o meu vício pelas drogas? E está droga de palavra mexeu comigo.
Temari me puxa pela mão, para que, eu sente a seu lado e de Kankuro no sofá ficando de frente a nosso pai. Eles ansiosos e eu perdido.
— Papai, tem uma proposta para nós fazer. – Kankuro me diz enquanto Rasa me observa com cautela, afinal quem conhece melhor minhas mancadas do que ele? Ninguém. E Kankuro deixa visível que ele e Temari já conhecem o conteúdo da tal proposta.
— Gaara, eu sei que nós nunca fomos uma família de verdade. – Temari começa hesitante e preparando terreno para receber a bomba que esta proposta deve ser. – Temari, deixe comigo.
Enquanto ela fez uma pausa para procurar as palavras certas ele a poupou desta tarefa com sua voz fria e por incrível que pareça estou sentindo falta de algo característico nela. Onde está o desprezo, pai?
— Gaara, seus irmãos concordaram e eu espero que você também adira a esta ideia. – E diferente dela, ele não está receoso e muito menos procura palavras certas, pois ele sempre está preparado e sempre irá fazer cumprir suas vontades. – Quero que você faça parte desta família.
— Que família? – O questiono sem demora, pois a meu ver isso nunca foi uma família. E por mais que eu tenha ansiado todo este tempo ouvir este convite. Uma coisa mudou, eu tenho uma agora e não preciso mais de você, pai. – Desta família que seremos de agora em diante.
— Então reconhece que nunca fomos uma? – Vejo ele afirmar positivamente e Temari apertar minha mão. Agora entendo com mais clareza o seu pedido de dar uma chance. E cara, se eu não estivesse vendo e ouvindo não acreditaria no esforço que ele está fazendo. Pela primeira vez!
— Reconheço. E devido a isso quero tentar ser um pai para vocês. – Não consigo ficar sentado depois desta. Ele só pode estar brincando comigo. Deve ser isso.
— Temari, você vai cair nesta conversa? – Questiono incrédulo, pois sua reação indefere da minha. Ela está aceitando muito fácil. Ah, mais então lembro que fui o último a ser notificado da sua nova vontade. É obvio que ela já negou, pensou e aceitou. E isso tudo explica seu abatimento e seu sumiço. Pois apesar dos pesares, Temari sempre quis ter uma família.
— Eu não vou aceitar. Posso me virar sem você, sempre me virei e não vai ser agora que vou precisar. – Sigo em rumo a porta para deixar tudo de vez, mas Kankuro me faz parar.
— Deixe ele ir, Kankuro. – E está sua nova característica me desnorteia. Ele não vai impor como das outras vezes? – E Gaara, pense com mais calma. Estarei aqui para ser seu pai.
Escuto sua afirmação resignada e deixo a casa aos risos. Pois, caso isso tenha sido uma brincadeira, ele se superou. Isso é demais. E não sou obrigado a aceitar, não desta vez.
E por mais que sua proposta tenha sido um sonho meu e de Temari, acho que ela chegou tarde demais. E a ideia de que nunca é tarde demais, esta anulada. Tudo parece ter saído dos eixos novamente ou estou tendo uma noite ruim, de pesadelos ruins.
Primeiro a Sakura e depois meu pai. E mesmo que sua proposta, o perceptível esforço e sua mudança repentina tenha sido positiva. Para eu tudo o que venha de meu pai será negativo, ainda mais sabendo que sua proposta vai me afastar completamente dela.
E de Ino eu não abro mão nem mesmo para ter o pai que eu sempre quis ter.
Ino P.O.V
Eu não quero solta-la do meu abraço massacrante. Eu não consigo acreditar que ela fez isso. Que omitiu todo este tempo sobre seu estado de saúde. E a primeira coisa que fiz foi gritar com ela. E isso está doendo, está doendo por ter gritado sendo que deveria abraça-la, como agora.
Mas eu fiquei brava, essa notícia me feriu, está ferindo e a ideia de perde-la é pior do que tudo. É pior do que ter feito ela aumentar o soluço, é pior do que ver ela tentar bancar a forte. E eu não quero agir conforme seus pais devem ter agido, entretanto estou desesperada demais para pensar.
Sasuke está completamente transtornado e perdido. Não seria diferente, neste último mês sua rotina se defina nela, sua felicidade dependia de uma mistura louca de provocação e sorrisos. Sorrisos dela, para ele. E a ideia de que tudo vai evaporar, de que ela vai embora está sendo um péssimo fato. Por que ela tem que ir e ela vai nem que eu a obrigue.
Por que assim, talvez eu possa tê-la de volta. E os seus olhos negros deixam escapar o tanto que sua cabeça está rebobinando diversas vezes está ideia, pois é a mais aceitável, a única viável, é melhor deixa-la partir do que perde-la para sempre.
E para que, depois de tudo, ela possa voltar para nós. Ela tem que voltar. A solto e ela força um sorriso e este foi o pior sorriso que já recebi dela. Supera até mesmo aquele falso que ela meu deu no primeiro dia que vi Coral, no primeiro dia que entrei em seu apartamento. Que entrei definitivamente para sua vida.
E Hinata a abraça e assim que a deixo. E o vejo encostar ressentido, visivelmente abalado. Acho que sua vida é uma roda gigante, Sasuke. Com vários altos e baixos numa constância sem fim, mas mesmo assim você não quer que a roda pare, pois isso significaria seu fim.
E o observando ao lado de Neji percebo o quão isso deve estar sendo difícil para ele. Como deve estar sendo difícil para todos nós. Para TenTen, para Shikamaru e Gaara.
O qual se foi com Temari e eu queria que ele estivesse aqui agora, para abraça-la e tentar me conformar. A ideia que perder a melhor torturadora na face da Terra não é aceitável e tragável, não consigo engolir.
— Ino, já está tarde. Vamos embora. – Shikamaru me tira do meu estado observatório. E percebo que é tarde, muito tarde. E eu acato sua ordem mesmo querendo ficar, ficar com ela.
— Te vejo amanhã, não é? – Questiono Sakura e ela me nega. Será assim nossa despedida? E agora não consigo mais conter as lágrimas. Isso é uma despedida e talvez uma despedida definitiva. Aprendi a me acostumar com situações depressivas e me tornei uma pessoa um tanto pessimista, mas ainda sou melhor que Gaara neste aspecto.
— Até mais, Ino. – Escuto ela dizer e novamente a abraço. E assim que a solto Tenten faz o mesmo. – Vença o campeonato por nós. – Escuto Sakura e acabo sorrindo. Caso não fosse este campeonato eu jamais teria a conhecido.
— Vou fazer o meu melhor. – Shikamaru se despede igualmente. Seu abatimento é terrível, mas não chega nem aos pés de Sasuke. – Eu sei que vai.
Deixo para trás com apoio de Shikamaru e assim que chego no corredor não consigo mais me conter. E pela primeira vez uma frase faz sentido na minha cabeça. Se você realmente ama uma pessoa tem que deixar ela ir, caso ela queria, caso precise. E Sakura, por mais que eu queria não isso você tem que ir.
— Calma, Ino. Ela vai ficar bem. – Shikamaru me consola enquanto deixo todos para trás. Ela vai ficar bem, ela tem que ficar bem. – Ela resistiu a Sasuke, isso ela vai tirar de letra.
Shikamaru segura minha mão firmemente. E eu me agarro a ela como se fosse uma âncora de salvação deste mar de pesadelo. – O Sasuke até que está reagindo bem, não é?
Shikamaru faz uma observação e afirmo diante dela. Na verdade, Sasuke sempre acostumou sofrer calado. Ele está se desmontando inteiro e segurando seus pedaços para não desabar de vez. Como eu desabei.
— Está sim. Pena que ela tenha que ir, acho que desta vez ele ficaria ao lado dela. – E neste momento percebo o tanto que Sasuke amadureceu. E fico feliz por tal constatação. Sasuke se tornou o garoto que ela merecia e realmente é uma pena que ele não possa ficar a seu lado. Pois desta vez ele ficaria.
— O Gaara lhe disse alguma coisa sobre a Temari? – E vejo sua preocupação no tom abatido e melancólico de sua voz. E entendo sua preocupação, afinal Temari nem mesmo falou com ele ou ficou tempo suficiente para saber sobre Sakura.
— Não, Shikamaru. Mas ela só deve ter tido um dia ruim. – Tento anima-lo e afastar as possíveis besteiras de sua cabeça. Ele afirma sem muita convicção e me deixa em casa. – Hoje foi apenas um dia ruim.
— Até mais, Ino. – Desço em frente de casa e fito sacada. E vejo que nem mesmo apresentei ela a meu pai. A minha irmã postiça. – Até mais, Shikamaru.
Hoje foi apenas um dia ruim, com notícias ruins. E quando eu acordar amanhã de manhã e ir para mais uma entediante aula, sei que ela vai estar lá. Sentada no mesmo lugar, debruçada sobre a mesa dormindo e meu lugar vago a seu lado.
E assim que ela me ver, vai piscar e puxar a touca para dormir mais um pouco. Antes que o seu tempo acabe, antes que a aula comece, antes que eu comece a falar e falar. Caso eu soubesse que não tinha tanto tempo assim, eu a deixaria dormir por mais alguns segundos, apenas me contentaria a ficar com você, Sakura.
Naruto P.O.V
Eu sempre soube que havia algo errado com esta garota, mas nunca dei importância para isso, sabe? Apenas me afeiçoei a ela e seu cabelo cor de rosa. A suas brincadeiras fora de hora que me fez rir e tirar Sasuke do sério.
E por mais que eu quisesse ter levado Hinata para casa, pois vê-la chorando estava sendo um negócio difícil eu preferi trazer ele, Sasuke. E cara, eu nunca o vi como agora. E eu sou um péssimo amigo, pois estou vendo ele buscar a saída deste mundo paralelo e voltar para o normal, onde a sua detestável está o esperando com um copo de água na mão e um sorriso travesso no rosto.
E eu deveria dizer a ele que desta vez, este mundo não é o paralelo e tudo o que está acontecendo está sendo bem real, mas não consigo. Por que nem mesmo eu consegui aceitar.
Deve estar sendo difícil descobrir que gosta tanto de uma pessoa e depois ter que deixa-la ir. Eu acho que não aguentaria. E se despedir da Haruno foi algo complicado. Eu não gostaria de ter me despedido bem como não gostei de ver ele se despedindo.
— Ela vai voltar, Sasuke. – Coloco minha mão em seu ombro e meio perdido ele acena positivo. – Ela disse que talvez volte, Naruto.
Escuto a ênfase no talvez e percebo sua angustia. Afinal, Sasuke acho que você é mesmo um azarão. Ela apostou todas suas fichas em você e você fez o mesmo com ela. E agora está com medo de perder. Por que se ela não voltar ele vai perder e caso ela volte o mesmo acontece. Pois vai se culpar por não ter ficado a seu lado.
— Ela vai voltar e você vai estar aqui para quando isso acontecer. –Digo sem olhar em seus olhos. Não cometa nenhuma besteira, Sasuke. Mesmo sabendo que se forte é este. Vejo ele afirmar perdido. – Amanhã ela vai embora.
Escuto sua afirmação e chego a pensar que ele tenta se conformar com este fato a todo segundo. Fato, pois tanto ele bem como eu sabe que sua partida é necessária. Afinal, desta vez não foi ele a partir um coração, como eu pensei que ele faria com o dela. Os de ambos estão divididos.
TenTen P.O.V
Ela está indo embora e talvez nunca mais volte. E bem, o que vai ser de nós sem ela? E tentar consolar ele mesmo não deixando transparecer o impacto do afastamento da sua melhor amiga, está sendo complicado.
Acho que Sakura pegou sua mania de ser uma caixa de surpresas. E mesmo sendo fã das peças que ela pregava em Sasuke, esta não me desce bem. Pois ainda estou tentando me iludir que tudo não passa de mais uma de suas brincadeiras.
E estou esperando a parte que Neji a repreende, como das outras vezes. E ele apenas se segura para não fumar seu cigarro. Pois além da Sakura, Gaara chegou derrubando o prédio de tão nervoso. Não entendi muito bem a discussão entre ele e Neji que ocorreu na sala, enquanto eu aguardava no quarto.
E agora Neji está aqui, deitado do meu lado fitando o teto de seu quarto e perdido em seus pensamentos. E sua melancolia está me abatendo ainda mais.
— Amanhã é o teste. Você deveria dormir. – Aconteceu tanta coisa que nem lembrei disto. Afinal estava indo tudo tão bem antes da Sakura aparecer por aquela porta com o rosto inchado de tanto chorar. Imagem que ainda gira na minha cabeça. Esqueci me completamente do teste com olheiros de amanhã. Seria a minha oportunidade de ouro de ingressar de vez neste esporte.
— Acho que não consigo. – Seguro sua mão e ele parece sair de seus pensamentos. Lhe doou o meu melhor sorriso. – Ela vai ficar bem, Neji.
Tento conforta-lo da melhor maneira que posso. Afinal, a rosada significa tanto para ele. Ela foi um de seus primeiros vínculos criados em Konoha. E tudo faz tanto sentido agora e fico pensando quão cega fui. As evidencias estavam expostas a todo momento e ninguém percebeu.
— Eu sei. Gaara está com problemas para ajudar. – Escuto ele comentar, como se fosse o responsável pelos seus amigos. Como se não quisesse vê-los sofrer. – E não quero te ver mais triste por não ser selecionada amanhã.
Ele vira na cama e fecha os olhos. Como se estivesse certo que eu faria o mesmo. E fico o encarando tanto que ele abre os olhos. Ele não devia estar preocupado comigo com tudo isso acontecendo. Seus melhores amigos estão com problemas e eu quero ser a amiga que vai consola-lo.
— Valeu por ficar aqui. – Escuto ele dizer e forço um sorriso. Este é o único lugar que eu poderia estar, Hyuuga.
Neji P.O.V
Dizem que chorar causa sono, mas eu estou vendo ela acordada na minha frente. A menos de um metro. Entretanto diferente das outras vezes que eu me perdia em seus traços, agora ocorre diferente. Isso pode soar dramático demais, contudo meu mundo caiu e ela está tentado segurar. Ainda bem, pois eu me afundaria em uma substancia psicoativa caso ela não estivesse me olhando com tanta preocupação.
Tenten mesmo tendo se esforçado tanto para o evento que ocorre amanhã está aqui. E dentre todas estas coisas fico me perguntando a hora que a notificação de que irei perda também vai chegar. Como perdi Sakura e como vou perder Gaara. E caso isso venha ocorrer eu acho que não vou suportar.
E por mais que seu apoio silencioso esteja sendo fundamental, eu quero que ela pegue no sono de vez. Por que então ela esqueceria de tudo por um momento e eu poderia me afundar. Mas ela resiste firmemente mesmo eu lembrando das suas responsabilidades. Os olhos castanhos pairam sobre meu rosto de forma indecifrável e não consigo adivinhar seus pensamentos. Os meus estão confusos demais.
Lembro de Sakura, agora de Gaara. De Hiashi, de Coral e dela. Lembro do Nara e a provável ida de Temari. Lembro de Hinata em seu choro continuo e de Ino. Como a loira ira reagir a saber da proposta do pai de Gaara? Eu não consigo avaliar esta atitude. Não sei o nível de abalamento do ruivo sobre este assunto, pois Sakura desnorteou todo mundo e isso me confunde.
Suas pálpebras começam a pesar e seus dedos afrouxarem. O sono começa a pegar no colo, finalmente. Olho para Coral em sua cama e Tenten a meu lado. Se eu perder estas duas também acho que a razão se vai. Finalmente ela dorme e então me levanto. Esta cama parece ser feita de tijolos.
Abro a porta do quarto de frente com o meu e o vejo sentado, esfregando as mãos no rosto. Sua aparência está péssima devido todo este acontecimento e o horário muito avançado.
— Tenten dormiu? – Afirmo positivamente. Até mesmo ele sabe que eu queria que ela dormisse. Dormir às vezes é o melhor remédio. – Você só não quer deixa-la, não é?
Refiro-me a Ino e ele compreende perfeitamente. Neste tempo todo Gaara sempre gostou de ouvir sobre meu pai e nossa convivência. E sei o tanto que ele quer um pai. E agora que o dele vem com um comportamento novo e uma proposta, ele nega. Por causa dela.
— Ele vai estragar tudo como nas outras vezes, Neji. – Gaara diz e afirmo diante de sua declaração. Ser pai não deve ser fácil. Concluo a lembrar dos pais da minha torturadora número um.
— Você deveria dar uma chance, Gaara. Quem sabe desta vez não dê certo. – O digo novamente. Da primeira vez foi acalorada. A ver ele destruindo meio mundo depois da segunda noticia catastrófica do dia. E eu tentei convence-lo da coisa certa. Da coisa mais logica a se fazer.
— Olha quem fala. Seu tio está tentando falar com você as uns dois meses. – Seu arremate é indestrutível. E só de lembrar disto minha cabeça retorna a doer. – Acho que precisamos dormir.
— Sim, precisamos dormir. – Digo perdido e o deixo de lado. E eu deveria ir para cama, mas sigo para o sofá. Não irei conseguir dormir de maneira alguma mesmo querendo. E assim que me ajeito no sofá ela aparece com uma manta arrastando no chão e os pezinhos descalços. Eu sou um péssimo pai.
Logo sobe sobre meu corpo e escora a cabeça sobre meu tórax pegando no sono novamente. O que iremos fazer Coral? Me ajuda, estou sem reação e de mãos e pés atados. Tudo está se complicando de uma vez só. E estou me sentido um recruta na linha de frente na segunda guerra mundial. Desesperado e perdido.
E a única ideia que me alivia é que ainda tenho você e Tenten. Sakura já se foi e Gaara vai seguir o mesmo caminho, tenho certeza. Só espero que esta sequência cesse por aí. Pois perder vocês duas seria o meu fim.
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