Golden Years

7 Encontros casuais


Notas iniciais
Oi queridos, demorei, né. Boa leitura.

Finalmente o meu esperado final de semana chegou, esta semana pareceu ser a mais longa do ano, mas tudo bem, porque ela já acabou. Estou seguindo para o bairro Vila Nova, hoje o time improvisado de futebol se une para jogarmos uma partida. Vou a pé, pois não tenho mais carro, meu pai retirou por conta do mau comportamento, na verdade eu só não quis lavar a louça. Decidi que minha vida não pode parar pelo divórcio entre os meus pais, é meio embaraçoso, mas não pode-se fazer nada. O dia está agradável e o sol queima minha pele, vou descendo a rua e logo vejo o campo de futebol, o pessoal já estão presentes e devidamente vestidos. Meus pais não se importam de que eu venha jogar futebol aqui na Vila, eles sabem que a maioria das pessoas não são ricas, porém para eles isso é o que menos importa e sim o carácter das pessoas. Forço a visão e chego pensar que vi a menina da minha classe na arquibancada, acho não, tenho certeza, mas o que TenTen está fazendo aqui? Afinal ela é rica não é? Bom eu também tenho dinheiro e mesmo assim estou em um bairro vulnerável. Chego e jogo minha mochila no chão, o pessoal nota minha presença e acenam para que eu entre em campo. Faço um movimento que indica que vou me aquecer, alongo-me por alguns minutos, não quero ficar com o corpo moído após o jogo. Olho discretamente para a menina da minha classe, suas roupas são compostas por uma regata preta e um short azul, seu cabelo está estranhamente amarrado em dois coques, nunca tinha visto com aquele penteado, na verdade quase a não vejo então não tenho propriedade para falar de nada.

— Vamos Naruto a partida já vai começar. – Uma cara gente fina me chama, vou correndo para onde existe a concentração de jogadores e quando chego recebo um colete fedido no rosto.

— Vocês podiam passar uma água com sabão as vezes, antes que alguém morra com este treco. – Escuto risos enquanto visto o colete laranja. – Pois é Naruto, só que a TenTen pertence ao outro time e ela não quer lavar estes coletes que ela diz ser nojentos. – Como é que é? Então quer dizer que a menina quieta da minha classe pertence ao time de futebol. Procuro a com os olhos e a encontro sentada na arquibancada improvisada de madeira colocando as chuteiras.

— Ela vai jogar? – Aponto o dedo para a garota e os meninos afirmam com a cabeça. – Com a gente? – Faço outra pergunta que é respondida da mesma maneira.

— Na verdade é contra nós, ela está no time do Shino hoje. TenTen, vamos a partida vai começar. – Ele chama a garota aos berros que causou efeito, pois a menina pôs se a correr.

— Desde quando ela joga aqui? – Perguntei e o rapaz começou a estranhar o porquê de tantas perguntas. – Cara ela joga aqui faz um tempão já, ninguém manda você sumir e não vai esperando moleza não, ela joga muito, até demais para uma menina.

Ele sai para sua posição e eu vou para minha de zagueiro, olho para a garota que finalmente me viu, sua expressão é de surpresa com um misto de vergonha, bom não sou muito bom em saber o que as pessoas demostram. O apito toca e a movimentação começa, volto minha atenção para o jogo que pelo visto hoje promete. O ataque do outro time está sincronizado, mas não vai passar por mim, porém para minha surpresa a bola é desviada para lateral direita e o zagueiro não consegue devolver a bola para o meio de campo e em questão de segundos o juiz anuncia o gol, qual foi o lance que perdi? Vejo o outro time comemorando e batendo na mão da garota.

— Foi ela que marcou o gol? Ela é atacante? – Pergunto para o goleiro que assiste o contra-ataque do nosso time. Ele afirma com a cabeça entediado.

— É cara, foi ela, por que o espanto? Nunca viu uma menina jogar bola? – Na verdade não, nunca vi. O jogo continua emocionante, com direito até torcida de uma criançada, mas para o time adversário. Quero trocar umas palavras quando o jogo terminar com a menina, ela podia fazer parte do time da Lions, assim eles paravam de perder. Por fim o juiz apita após noventa minutos de jogo e me sinto moído, o alongamento não deu muito certo, o outro time comemora a vitória, perdemos por 2 a 1, foi uma partida boa.

— Ei Naruto, não vai embora não cara, vem com a gente na lanchonete Donna. E ai topa? – O time vencedor me convida para sair, penso em negar, mas eles insistem.

— Está bem, vamos nessa. – Me junto com o pessoal que vai para o ginásio público para tomar banho, olho para TenTen que junta suas coisas.

— Ela não vai Shino, afinal ela que fez um gol. – Entramos no ginásio do outro lado da rua, que fica aberto para praticar esportes, só que o time prefere jogar no campo do outro lado para deixar os idosos fazerem ginástica.

— Vai sim, mas ela vai tomar banho na casa dela, no quarteirão de baixo, naquela rua sem saída. – Vamos para o chuveiro e a conversa acaba. Shino é um cara quieto, porém legal, foi ele que me chamou para jogar quando a bicicleta dele quebrou e fui eu que ajudei a consertar, foi então que viramos colegas de time. Após banho tomado, alguns integrantes do time saem e outros me esperam, totalizando cinco. Creio eu que são os que vão até a lanchonete Donna.

— Aliás onde que fica está lanchonete? Nunca fui nela. – Pergunto para alguns dos meninos enquanto vamos até a saída, meus cabelos estão encharcados e molham minha regata preta, mas o sol irá secar.

— Fica a três quadras para baixo da avenida principal do centro, temos tempo de sobra para chegar lá, mesmo indo a pé. – Estranho eu desconhecer um local que vende comida, mas tudo bem vou conhecer agora. Estamos na esquina quando ela chega, seus coques já não existem e a regata foi trocada por uma camisa vermelha e o short preto. Ela faz uma expressão de desgosto a me ver ainda entre o pessoal, pelo visto ela esperava que eu já estivesse longe daqui.

— Até que enfim TenTen! Este é o Naruto, ele joga futebol conosco nos fins de semana. – Faço um aceno e lanço meu melhor sorriso destes tempos.

— Oi Naruto, nós já nos conhecemos, ele é da mesma classe que eu. – Ela informa para o restante do grupo que dizem algo de como isso é legal. Começamos a andar lado a lado enquanto o resto anda de skate.

— Não sabia que você frequenta bairros pobres. – Ela diz enquanto prende o cabelo, coloco a mãos no bolso da bermuda cinza que uso, nunca gostei dela. – Eu não sabia que você jogava futebol e morava no Vila Nova. – Ela fica envergonhada, não sei por qual motivo.

— Sabe, você deveria ensinar aquele time da Lions como que se joga bola. – Faço ela rir, vejo que ela está carregando um livro nas mãos. – O que é isso? Eu sei que é um livro, mas pensei que você iria na lanchonete conosco. — Ela fita o objeto que carrega ao lado do corpo.

— Ah, e eu vou, mas depois vou aproveitar para devolve-lo na biblioteca da escola. – Faz sentido, olho para o resto do grupo que arrebentam-se nas manobras. – Quer guarda-lo na minha mochila, pois acho que vamos passar no hospital antes. – Digo e aponto para Shino que leva um tombo feio. Ela faz que sim e me entrega o livro.

— Obrigada. E ai, sabe andar? – Aponta para o skate, faço que não com a cabeça. – E você sabe? – Pergunto e ela nega, continuamos a andar e depois de quarenta minutos chegamos ao centro um pouco movimentado. O grupo se junta a nós e param de se matar no skate.

— TenTen, você já foi a esta lanchonete? – Pergunto novamente e ela para de fitar as lojas de roupa. – Ah, sim é muito boa. – A conversa entre nós não é fluente, talvez pelo fato de nunca termos conversado anteriormente, mas ela se esforça para manter o diálogo. — E está gostando da sala este ano?

Não tinha parado para pensar nisto, mas agora pensando, não mudou muita coisa, apenas uns alunos novos. – É não mudou muita coisa, para mim está legal. – Ela afirma com a cabeça em concordância. Até que fim chegamos a tal da lanchonete Donna, um local de faixada vermelha e aconchegante. Entramos pela porta escancarada e o cheiro de lanches invade meu nariz. Os rapazes sentam-se na mesa maior no fundo, TenTen também se senta e começam a rir de algo que desconheço, afinal eles riem a toa. Tiro a mochila e sento do lado da menina, o silêncio entre o grupo se instala, eu conheço eles, estão tramando algo.

— O que foi? – Perguntei como se não soubesse de nada. – É que vendo você tão perto da TenTen, parecem namorados. – Olho para a garota que parece um pimentão e os meninos começam a rir novamente, retardados.

— Larga mão de idiotice e se o namorado dela chega quem vai ganhar porrada vai ser eu e não vocês. – Digo e olho para a ela que me parece com vergonha, a garçonete chega e eu me surpreendo pela terceira vez no dia. Cabelo rosa, com uniforme rosa claro ela vem até nossa mesa devagar, o local não está cheio deve ser por isso.

— Boa tarde, bem vindos a lanchonete Donna, o que desejam? – Olho para TenTen que sorri, Sakura fala e olha para a caderneta de pedidos e nem sabe que dois colegas de classe estão sendo atendidos por ela.

— Vou querer o que os meninos pedirem. – TenTen diz e Sakura franzem as sobrancelhas, retira os olhos da prancheta e sorri, não fica surpresa por ver a equipe, mas até seus olhos pousarem sobre mim e TenTen. Seu rosto se contorce rapidamente.

— E o que os meninos vão querer? – Shino começa falar e ela anotar. – E você Naruto, o que irá pedir? – Seu sorriso de atendente já está no rosto novamente, mas some quando olha para porta e vê outro grupo entrando, sigo seus olhos e dou de cara com o pessoal da escola, mais precisamente Karin, Sasame e Tayuga, espera onde está Shion?

— Vou querer o mesmo que eles. – Digo e a menina sai de seus devaneios, jogo meu braço no sofá vermelho atravessando os ombros de TenTen, mas sem toca-los. Sakura afirma que sim e sorri. – Esperem um segundo e já trago os pedidos.

Ela sai e vai até o balcão arrancando a folha e dando para outro rapaz. – Não sabia que ela trabalha. – Digo para TenTen que é a única quieta, já que o resto só faltam se matar.

— Sakura trabalha, ela é bolsista também assim como eu e moramos no mesmo bairro. Pensei que você soubesse. – Continuo observar ela atender as meninas que soltam risos por qual quer coisa.

— Não, eu não sabia, nem sabia que você mora na Vila Nova e bolsista, aliás eu não sei de quase nada. Aquelas meninas só veem aqui para irrita-la não é? – Apontei para mesa da Karin e Tenten olhou. — Acho que sim, não sei.

— Sakura o pedido da mesa 11 está pronto. – Uma senhora grita para Sakura que fica feliz da vida em sair da mesa em que a gangue da minha namorada esta, pelo menos foi o que ela demostrou. Pega o pedido e vem até nossa mesa.

— Obrigada Sakura. – TenTen diz, acho que ela deveria falar mais na escola também. – Obrigado. – Também agradeço e ela sai com seu sorriso de atendente.

— Naruto não estou vendo a Shion, não vai dar problema para você se ela te pega conosco? – Problema certamente vai ter, mas não estou nem atribuindo importância a isso.

— Com certeza sim TenTen, mas ela não está junto das meninas. – Ela afirma e começa a comer, depois de quinze minutos rindo feito idiota resolvemos deixar a lanchonete e voltar para casa. Pagamos a conta no balcão e vamos para saída.

— Naruto, o que você está fazendo aqui? – Karin me questiona quando passo em frente da mesa onde ela ocupa, só me faltava essa, dar satisfações para a ruiva. – Oi Karin, eu estava comendo com meus amigos, mas já estou de saída.

Digo e ela repara em cada membro presente do time de futebol, as meninas começam a rir, mas não faço ideia por qual seja o motivo.

— Seus amigos? A Maria homem também está entre eles? — Começa a rir e suas amigas acompanham, eu pensei que ela fosse mais madura, mas só tem cara de velha mesmo.

— Vamos embora TenTen, deixe elas para lá. – Pego na mão e a puxo, os meninos já estão esperando lá fora quando decido ir.

— Shion sabe que você anda com este tipo de gente? – A ruiva diz e minha paciência começa a sumir, o que ela quis dizer este tipo de gente? Percebo que o pedido delas ainda não chegou.

— Karin quando seu pedido chegar, faz favor de encher a boca com ele, porque você só fala merda. – Olho para TenTen que parece envergonhada, puxo novamente para ir embora, mas ela parece travada.

— Isso, sumam daqui, já basta eu ter que suportar esta pobretona na escola. – Karin faz sinal para sairmos, não dou importância para suas provocações e começo a andar. – Não dê importância não TenTen, a tinta vermelha do cabelo dela está afetando o pouco de cérebro que ela ainda tem. – Ela torce o rosto e suas amigas param de rir. TenTen finalmente começa a andar.

— Pelo menos tenho dinheiro querido, não sou como elas que não tem. – Aponta para TenTen e Sakura que vem distraída com o pedido em mãos. – Olha só o cabelo desta umazinha. — Os risos retornam, Sakura percebe que é dela e parece não se importar, damos as costas para elas e vamos para a porta, mas minha atenção é chamada quando escuto o grito agudo da ruiva. Olho para a mesa enquanto TenTen segura o riso.

— Me desculpe, eu me desiquilibrei, tome um lenço, desculpe novamente. – O pedido que Sakura trazia estava sobre as três, mas a mais atingida era Karin, Sakura fazia um drama digno de Oscar como se aquilo não tivesse acontecido de propósito.

— Sakura o que você fez sua desastrada? preste mais atenção, agora saia daqui eu irei cuidar disso! – Uma senhora de cabelos curtos começa a limpar a bagunça.

— Sim dona Chiyo. Me desculpe mais uma vez. – Paramos de observar a cena e saímos do local aos risos, visualizo os rapazes mais a frente, no outro lado da rua.

— Fizeram por merecer! – A garota finalmente diz algo e logo em seguida Sakura sai pela porta da frente, observo ela se afastar como se nada tivesse ocorrido a poucos segundos. Pega sua bicicleta apoiada na lateral da lanchonete. Cor laranja algo que também aprecio.

TenTen se despede dos rapazes e eu faço o mesmo, claro com menos educação, enfim coisas de homens!

— Obrigada Naruto por carregar meu livro, agora vou entrega-lo na biblioteca. – Ela estica os braços em minha direção com um belo sorriso nos lábios. Nunca havia reparado, mas ela chega a ser bonita, claro um pouco fora dos padrões das meninas da escola.

— Nada disso! Minha casa fica na mesma direção da escola. Vou com você. – Não espero ela responder e começo a andar e ela me acompanha pouco passos atrás.

— Então, já se escreveu para algum clube sem noção da Tsunade? – Percebo sua atenção retornar para mim e após uns segundos sua resposta chega devagar.

— Ainda não, vou ver se consigo me registrar no grupo de leitura, mas provavelmente as vagas já tenham sido preenchidas. – Diminuo o passo para que ela fique ao meu lado sem que perceba. – E você, vai se inscrever em qual?

— Acho que de futebol. Você não achou estranho o clube de música não abrir este ano? – Ela escuta com atenção e parece que se deu conta apenas deste fato agora.

— É verdade, não tinha me atentado para isso. Então é por este motivo que os outros grupos estão cheios.

— Pois é. Chegamos. – Digo quando paramos próximo a escola que está aberta em pleno sábado, coisa da diretora. Fico em silêncio e ela também. – Então até mais Naruto.

Faço que sim com a cabeça e ela se afasta, neste mesmo momento vejo Hinata sair pelos portões da escola e quando volto a atenção para TenTen ela já não está mais em meu campo de visão. Retorno a andar devagar, hoje o dia foi realmente agradável e não quero que ele termine mal.

Sakura Povs.

Vingança é um prato que se come frio. Ah isso não faz bem para alma, mas ver aquelas meninas tomando banho de suco de laranja foi uma cena ótima e com isso até consegui ir para casa mais cedo. Tomara que a dona Chiyo não desconte do meu salário. Arrumar a corrente da minha bicicleta já custou-me os olhos da cara, mas graças a ela vou embora voando. Foi surpreendente encontrar TenTen e Naruto juntos, mas o rapaz parece ser menos idiota que a maioria e da garota não tenho nada a declarar.

A tarde está em perfeita harmonia, o sol não castigava a minha pele e de quem ousa a caminhar fora das sombras concedidas pelas enormes árvores que o vento arrancava as folhas de ora em outra. A brisa alterna entre o calmo e o feroz, bagunça os cabelos de umas moças que aqui passam e de outras levanta os vestidos. Nossa como estou inspirada!

E com ela não estava sendo diferente. Ao longe consigo ver uma figura de cabelos soltos, algumas pessoas a não reconheceriam de costas, mas eu sei que está mulher é a Yamanaka. Anda com uma lentidão questionável, a velocidade é tão pequena que pode duvidar da vontade dela de chegar a sua residência ou não sei se sou eu que estou pedalando rápido demais. Ela é bonita, mas chata. É o que dizem as línguas, porque eu mesmo nunca troquei uma sílaba com ela e pretendo continuar assim. Deveria aproveitar a oportunidade de estar perto da escola para trocar umas palavrinhas com a peituda da Tsunade, mas pensando bem posso adiar isto para a segunda. Olho novamente para a loira e vejo que ela mastiga algo. Que fome, mais um motivo para chegar em casa o mais rápido possível. Aumento as pedaladas impulsionando a bicicleta a ir mais depressa, vou retirar a barriga da miséria, enfim algo positivo neste dia fatídico, que trágico!

Escuto uma buzina de carro soar forte, mas não estou no meio da rua e sim na calçada, olho para trás para ver o motorista retardado. Quando volto a olhar para onde estou indo percebo a porcaria que vai acontecer. A pouco metros está a Yamanaka alheia de quase estar sendo atingida por um veículo em alta velocidade dirigido por mim, mas posso evitar tal acidente acionando o freio. E só apertar e pronto.

— Como é que é? – Droga a bicicleta está sem freio, se eu desviar para esquerda vou ser atropelada por carros e para direita vou machucar um gravida, é Ino vai ter que ser você mesmo. Fecho os olhos e espero pela dor que logo surge quando sinto o cimento da calçada em meu rosto. Abro os olhos e procuro o alvo que acertei acidentalmente e a encontro deitada no chão com a roda traseira em cima de si. Ai, ela vai me matar. Levanto o mais rápido para retirar a bicicleta.

— Você está bem? – Pergunto na maior cara de pau após retirar meu meio de transporte de cima da loira. Ela franze o cenho e começa a levantar-se. Aposto que ela está se perguntando ainda o que a atingiu. – Sim, você deveria prestar mais atenção Sakura.

Enfim ela diz algo e me surpreendo por dois fatos. O primeiro ela sabe o meu nome, é quem diria e segundo ela parece estar enfurecida. – É claro me desculpe, isso não costuma acontecer com muita frequência. – Só de vez em sempre. Ino arruma seu vestido florido, não acho graça nestas estampas. Subo em minha bicicleta um pouco sem graça pelo o que ocorreu, está certo que não ligo para o que as pessoas dizem ou pensam, mas eu tinha que atropelar logo ela? Vejo a expressão de histérica dela e resolvo me ausentar daquele local.

— Novamente desculpe, é obvio que não foi minha intenção trombar em você. Tchau. – Começo a pedalar feito louca que não sou é claro, pois o silêncio entre atropelada e atropeladora estava constrangedor. – Ei, Sakura espera.

Pancadas são perigosas ainda mais aquelas que afetam a cabeça. Coloco os pés no chão já que não tenho freio para olhar para trás já que ouvi a voz da loira chamar meu nome. E por mais estranho que seja ela está vindo em minha direção. O que será que ela quer hein? Se for dinheiro eu não tenho. Finalmente ela chega. Espero ela falar, mas o seu silêncio é absoluto a única coisa que indica que não vou ser ferida e sua expressão calma.

— É, teria como você me deixar perto de casa? – Como? Isto era o que eu queria dizer, mas somente fiz sinal que sim com a cabeça, eu nem sei onde está garota mora, vai que é no outro lado da cidade. – Obrigada, dei-me conta que estou atrasada. – Ela fica parada e só então percebo que não disse nada, nem para ela subir no quadro da bicicleta.

— Está bem, sobe ai. – Ela senta no quadro e eu começo a pedalar. O leve vento retorna a bater em meu rosto, perfeito se não fosse pelo peso extra. – Onde você mora? – Pergunto para que eu possa começar a voltar para o outro lado da cidade, ou seja, na parte rica. – No mesmo bairro que você, só que no início.

Está ai uma coisa que não vai mudar o mundo, mas é interessante. Ino Yamanaka mora em um bairro periférico. O relevo do terreno começa a ficar visível e as descidas começam. – Então Ino, eu tenho que te contar uma coisa, a bicicleta está sem freio.

A ladeira começa e a bicicleta ganha força pela inclinação favorável. As mãos de Ino estão com os nós dos dedos aparecendo de tanta força que ela aplica ao segurar no meio dos guidões, mas consigo chegar viva até o final do escorregador colossal. Sem dor e sem ralados.

Continuo a pedalar e não sei se começo uma conversa civilizada com minha carona. Nossa, até parece que tenho um carro pensando deste jeito, mas está valendo! Só espero que a correia não rompa novamente.

— Então Sakura, você mora aonde no bairro? – Meu adorado silêncio é interrompido, está certo que nem aprecio o silêncio tanto assim, mas não estou a fim de conversar, porém tudo bem.

— Nas últimas ruas, sabe o prédio da dona Marieta então eu moro em um dos apartamentos. – Falando em dona Marieta ela não está mais no prédio apenas conversou comigo para informa-la de qualquer coisa em relação a garotinha que está morando com o senhor grosseria.

— Sei sim, então você pode me deixar lá? É que eu tenho que conversar com ela sobre as costuras dos cobertores, já que a verba para os novos foi cortada novamente para o orfanato. – Outra coisa que não vai mudar o mundo porém é interessante, Ino presta voluntariado no orfanato. Atitude nobre.

— Claro, mas a dona Marieta está indo embora, não sei se vai conseguir acha-la hoje. – Está certo que ela não está fazendo esforço algum para chegar na rua da minha casa, mas saber que não vai ter ninguém pode fazê-la desistir e não perder a viagem. O silêncio retorno e meu constrangimento também, será que ela pensou que eu não quero que ela vá comigo até a dona Marieta? Bom melhor fazer esclarecimentos para não ter aborrecimentos.

— Ino eu não quis insinuar nada, só disse isso porque talvez você perca seu tempo. – Ela virou o rosto para mim com os olhos mais grandes que eu já vi e sorriu. Parece que não sou a única doida da região. – Obrigada Sakura, qualquer coisa eu deixo um recado ou algo do tipo.

Dobro a esquina e consigo ver o terreno abandonado e do lado esquerdo as casas, pedalo um pouco mais e pronto, estamos em frente ao prédio amarelo e desbotado. Ino desce do quadro da bicicleta e eu também, olho mais a frente e não vejo o carro do vizinho estacionado, é claro que ele não deve estar em casa. A loira observa os materiais de costura sendo retirados, sinal que Marieta não está mais no prédio.

— É acho que você tem razão, ela não está mais aqui. Vou nesta! Obrigada pela carona. – Ela começa a andar na mesma direção que viemos, penso em chama-la para entrar, mas porque eu faria isto? Só pelo ralado no cotovelo que ela ganhou pelo atropelamento? Ou para oferecer alguma bebida e ser gentil?

— Ino você não quer entrar? Deixe o bilhete com um destes rapazes, certamente eles irão conversar com a dona Marieta. – Tento fazer o meu melhor sorriso e ser educada com mamãe ensinou, agora não sei se a loira vai perceber que faço isso só por educação.

— Está bem. – É já vi que não, faço para ela me seguir e vou até a lateral do prédio para deixar minha bicicleta com a garota em meu encalço. Quando retornamos para frente, ou seja, para varanda encontro Coral com uma sacola de comida nos pequenos braços, sacolas que vão ao chão quando ela me vê.

— Tia Sakura. – Largo minha mochila no chão e pego a garotinha nos braços, ela é tão bonitinha e parece tão feliz. – A vovó Marieta disse que você iria chegar mais tarde. – Dou um beijo na sua face e vejo sua curiosidade desviar para a loira um pouco atrás. – Quem é ela? – Sussurra em meu ouvido, mas Ino escuta formando um sorriso para a menina.

— Está é a Ino, ela estuda comigo. – Ino faz um gesto de comprimento com a mão. E minha atenção volta para a sacola, ai que fome! – Tia ela é sua amiga?

Ai Coral porque você tem que fazer perguntas deste tipo? É claro que não, mas vou responder educadamente, porém Ino resolve responder primeiro. – Somos amigas sim e como é o seu nome? – Coral parece se animar com a resposta, mas não responde a pergunta e resolve descer do meu colo.

— O nome dela é Coral, mora aqui no prédio. Vamos subir. – A menina sai portão à fora e deixa a sacola no chão, eu sei quem irá vir com ela quando retornar. Dona Marieta não me disse o real motivo para deixar a garota com ele, porém disse que era confiável. Ino espera que eu vá primeiro para depois me seguir, claro ela não sabe qual é o meu apartamento, né dona Sakura! Começamos as escadas que quase me matam toda vez que as subo. O som de risada da Coral aproxima indicando sua proximidade, qual será a reação da Yamanaka ao vê-lo? E o que vou verificar em seguida. Só vejo o senhor grosseria na classe desde do dia da carona.

— Não é para subir correndo. – Vejo o cenho de Ino franzir ao escutar a voz. – Nossa o pai dela não deve ser muito maleável.

Comenta a chamada de atenção que a menina recebeu e me dá vontade de enrolar só para ele ver o suposto pai da menina. – Ah, com certeza não é. É um grosseiro. – Digo para ela quando procuro a chave do apartamento na mochila, os passos nas escadas são claros, em questões de segundos as duas figuras irão aparecer no final do corredor. Coral é a primeira que fica de costas esperando o outro aparecer.

— A tia Sakura já chegou sabia? – Finalmente acho a chave e Coral corre até nós. – Tia você deixa eu dormir com você hoje? – Ela fala baixinho, porém animada. Olho para Ino que sorri e eu começo a estranhar que o responsável não termina de subir as escadas.

— Já pediu para ele? – Coral faz que não com a cabeça e olha para o fim do corredor. Abro a porta e entro, faço sinal para Ino entrar e a menina já está sentada no sofá quando percebo. Encosto a porta.

— Sente-se Ino, vou pegar um pedaço de papel para mandar um bilhete. – Vou até meu quarto e espero as batidas na porta, ele deve estar acabado, mas isto não é da minha conta, não totalmente. Volto para sala após pegar o que eu queria e me sento no sofá enquanto Ino escreve no papel. Coral mastiga algo e eu lembro que estava morrendo de fome.

— Vou preparar um lanche, aceita Ino? – Levanta os olhos em minha direção e vejo ela afirmar com a cabeça, volto minha atenção para a menina que observa Ino a todo instante. – Eu já volto. – Deixo as duas na sala e vou-me para cozinha preparar o lanche. Pego as coisas na geladeira e o pão no armário. Não vou colocar tomates quem é que gosta disto? A Coral com certeza não. O silêncio é intenso na sala, provavelmente Ino está olhando meu lindo castelo e Coral está ocupada demais observando Ino. Faço quatro lanches, pois provavelmente vou querer mais um. Volto para sala e deposito o prato com os lanches na mesinha de centro e retorno para buscar os sucos. Finalmente consigo sentar meu traseiro no sofá quando as batidas na porta começam. Coral sorri e eu pisco para ela.

— Ela não está aqui não. Deve ter descido pela privada. – Dou risada da careta que a menina faz que denuncia sua presença inocentemente. – Mentira, eu não desci não!

— Olho para Ino que está quieta e tímida? Não sei. – Pode entrar. – Anuncio ao visitante que abre a porta em seguida. Sua aparência é razoável, não está fumando e não parece muito contente. – Entre e sente.

Aponto para o acento vago ao lado de Ino que está com uma expressão confusa. Neji finalmente a vê e levanta a sobrancelha em questionamento.

— Coral o que conversamos ontem? – Ele continua de pé e nem cumprimenta os presentes, como disse um grosseiro. – Para não entrar na casa de estranhos e quando for na da Sakura é para pedir licença. – Olho para Ino que me fita intensamente, como se pedisse explicações eu apenas jogo os ombros para cima em resposta.

— Isso mesmo. Oi para vocês duas. – Sua frase até poderia soar bonitinha se não fosse a seriedade. – Oi Neji, não quer se sentar, Coral vai demorar um pouquinho aqui. – Eu não consigo ler suas expressões, mas a cara dele no momento não é muito boa. Ele senta-se no sofá ao lado de Ino que nem tocou no lanche.

— Bom acho que já vou indo. – Ela sorri constrangida, acho que se sentindo um peixe fora do aquário, ao certo pensando que a cena que se prossegue é habitual. – Come primeiro, ainda está cedo. Sirva se também Neji. – Eu tenho que concordar que é muito estranho a presença de três colegas de classe que não conversam estar lanchando como três bons amigos.

— Está bem. – A loira pega o copo de suco e bebe, olho para Neji que faz não com a cabeça. – Então tá, sobra mais! – Digo e o silêncio retorna, começo a comer para não puxar conversa, pois não tem nada a ser conversado.

— Não sabia que vocês eram amigas. – A voz forte interrompe o silêncio e eu vejo Ino sorrir e olhar para a menina que come distraidamente. – Então. – Começo uma frase tentando dizer que não somos amigas, mas não termino pois Ino faz isso.

— Não somos, Sakura apenas me deu uma carona e foi gentil em me convidar para entrar em sua casa. Sua irmã é muito bonitinha, mas não parece um pingo com você. – Neji olha para Ino e coloca as mãos no bolso retirando o maço de cigarro. – É somos irmãos de pais diferentes e você o que faz deste lado da cidade? – Vejo Ino sorrir e eu apenas continuo a matar minha fome vendo a conversa civilizada dos dois presentes.

— Venho ver a dona Marieta e eu não moro no outro lado da cidade, também moro neste bairro. – Neji faz que sim com a cabeça como se soubesse, fala sério eu moro neste bairro mais tempo do que ele e não sabia. Neji a encara descaradamente e o constrangimento de Ino fica visível fazendo seu rosto virar-se para mim. – Então Sakura, mora sozinha? – Engulo o pedaço do lanche com dificuldade o empurrando com suco, olho para Neji que acende um cigarro e levanta-se do sofá em seguida encostando no batente da porta para fumar.

— Pois é, moro sim. – Desenho meu melhor sorriso, está sem dúvida está sendo a conversa mais estranha que já tive nos últimos tempos. Ela levanta do sofá rapidamente. – Legal, bom eu agradeço pelo lanche, mas agora eu já vou. – Me levanto também e Neji sai da porta para dar passagem.

— Obrigada Sakura e até mais. Até mais Neji. – Ela acena para Coral que retribuí o gesto. – Até mais. – Neji a responde e ela se vira começando a andar, mas para logo em seguida como se lembrasse de alguma coisa.

— Ah, vai ter um evento no ginásio do bairro hoje, organizado pelo pessoal do orfanato para arrecadar fundos, é aberto para o público se vocês quiserem comparecer seria bom. Começa a sete, leve a Coral vai ter vários brinquedos para as crianças. – Ela diz e nós afirmamos com a cabeça.

— Então até mais tarde. – Acena e vai embora finalmente, tenho que admitir que a presença deste dois foi estranha, mas ninguém morreu e está ótimo. Viro-me para Neji finalmente, apenas eu e o senhor grosseria.

— Você vai? – Ele traga o cigarro e faz que não com a cabeça. – Sinceramente não pensei que ela se envolvesse com este tipo de coisa. Pelo jeito o que dizem dela é pura mentira. – Olha, olha quem diria que ele gosta de comentar sobre a vida de alheios, mas na verdade ele não disse nenhuma mentira, chega até ser surpreendente. – Pois é, até que ela é legalzinha.

Digo e vejo ele jogar o ombro para o lado em sinal de tanto faz ou sei lá. – E você, vai? – Ele me questiona depois de alguns segundos, na verdade eu não sei, faz tanto tempo que não vou a lugar nenhum e hoje a noite não tenho minhas preciosas aulas de dança. É seria interessante. – É acho que vou dar uma passadinha, quem sabe é legal. Não vai mesmo? Seria bom para a Coral se distrair.

Entro e ele fica na porta, começo a tirar meus calçados enquanto ele escora na porta novamente pensando se vai ou não no evento. – Acho melhor não. Quer levar a Coral? – Nossa e custa ele ir, não vai morrer. – É pode ser, se eu for e ela quiser ir por mim tudo bem. – Ele afirma com a cabeça e sai da minha porta indo em direção de seu apartamento, então me lembro de algo importante.

— Ei, ela pode dormir comigo hoje, ela iria pedir para você de qualquer jeito e então você tem a noite livre para fazer o que quiser. – Ele me fita da porta do seu apartamento e faz sinal positivo. – Tudo bem, mas qualquer coisa me chame, não vou sair daqui hoje. – Fecha a porta na minha cara mesmo eu estando do outro lado do corredor é falta de educação. Sinceramente pensei que ele não fosse um vegetal, sociável está na cara que não é, mas que usasse a oportunidade de não ficar com a menina para se divertir um pouco. Ah, isto não é da minha conta. Este sábado está realmente estranho.

Recolhi a bagunça da casa e lavei as roupas sujas, fazer as tarefas domésticas não é meu passa tempo preferido, porém não tenho escolha. Limpei deste do banheiro até a cozinha que é um completo desastre e foi assim que o tempo passou e no relógio os ponteiros apontavam seis horas. Lembrei do evento e a preguiça foi majoritária, mas a minha boca grande já tinha dito para a menina que eu iria leva-la para passear. Levantei-me derrotada do sofá e fui até o vizinho, bati na porta que não abriu e então decidi entrar sem autorização. Olhei para o local arrumado demais para meu gosto. – Ei, estou entrando.

Eu avisei, entrei e na sala não havia ninguém, na cozinha limpíssima também não, acho que vou paga-lo para ver se ele topa limpar meu apartamento. Cheguei em frente a porta do quarto que estava fechada e oscilei em abri-la, mas abri. O quarto estava escuro pois as janelas estavam fechadas, forcei a visão para tentar enxergar se Neji estava dormindo porém não tive êxito. Dei uns passos até a cama para tentar ver qualquer coisa suspeita.

— O que está fazendo? – As luzes se acederam e meu grito foi inevitável, levei um susto tremendo com Neji de pé próximo a porta. – Estava te procurando, onde está a Coral ela tem que se arrumar. – Engoli em seco pelo susto e pela expressão nada amigável do senhor grosseria, acho que ele não gostou da invasão que fiz em sua casa. – Está no quarto dela, vem. – Apagou a luz me deixando no escuro e logo fui para o corredor, não sou fã de escuro. A porta da frente do seu quarto foi aberta e lá estava a menina em trajes limpos e lindos, bem melhores do que eu que estou vestida feito mendiga. Olhei para Neji que estava com uma cara estranha, não sei por qual motivo, mas devia ser bem sério.

— Você está bem? – Sorri para ele, é claro que estou bem, que pergunta sem cabimento. – Sim estou por que? – Ele agarrou no meu braço e isto me assustou, me puxou até outra porta e abriu logo em seguida acendendo a luzes. Estávamos no banheiro, ele me soltou e abriu o gabinete pegando lenço de higienização e me estendeu. Minha expressão deve ter denunciado minha confusão pelas suas ações o fazendo se explicar. – Seu nariz está sangrando.

Não, eu não acredito. Peguei o lenço e sai do banheiro, que droga! Isso não podia acontecer. Apertei o passo para ir até me apartamento, olhei para trás e não vi Neji, apenas Coral um pouco assustada. Olhei para o lenço e ele estava com uma macha enorme de sangue. Respirei fundo e minha cabeça latejou, droga. Senti meu corpo formigar e antes de sair pela porta principal minhas pernas fraquejaram, fui ao chão feito fruta madura. Escutei o grito de desespero da menina e logo em seguidas senti meu corpo sendo suspendido do chão, tudo ficou escuro por uns segundos, mas a luz se acendeu, senti o macio do colchão em minhas costas e a mão segurando minha cabeça. Meu nome foi chamado diversas vezes, mas não consegui responder.

Acordei com minha cabeça pesada e a luz do teto me cegou, pensei em estar no hospital, mas quando virei minha cabeça para o lado vendo Coral sentada com os olhos estatelados e fixos em mim percebi que não. Seu sorriso foi grande e logo seu rosto sumiu. Levantei sem dificuldade e apoiei meus cotovelos na cama macia, olhei para o lençol branco da cama e me recordei do que aconteceu.

Coral retornou e com ela veio o dono da cama, sua expressão não dizia completamente nada, mas é claro que ele deveria estar um pouco preocupado, afinal não é todo dia que alguém desmaia em sua casa. Sentou-se na cama próximo a mim, sorri constrangida pelo o que aconteceu.

— Se sente melhor? – Perguntou devagar e a tanto tempo que eu não ouvia uma voz diferente fazendo esta pergunta para mim a não ser a da dona Marieta fez me ter vontade de chorar. Fiz que sim e mordi meu lábio inferior, agora viria as outras perguntas como sempre.

— Que bom não é Coral, ficamos preocupados não foi? – Levantei meu rosto para fita-lo e senti o amargo em minha garganta, era obvio meu constrangimento e ele pareceu já estar acostumado as estas cenas.

— Foi. – A voz adocicada chamou minha atenção e eu a olhei, estava tão bonitinha em sua roupa pouco tempo atrás, mas já estava com as roupas de dormir e então lembrei do evento que não poderia leva-la mais. – Bom é melhor nós dormimos porque já são duas horas da manhã.

O tempo voou e provavelmente eu apaguei e pareceu passar meros minutos. Fui me levantar, mas Neji não deixou, olhei questionadora, mas sem coragem para dizer uma palavra sequer.

— Você disse que iria dormir com a Coral hoje, esqueceu? Mas ela não. – Olhou para porta e eu segui para ver a figura pequena com seu travesseiro vir correndo em minha direção. Olhei para os criados mudos do quarto e meus remédios estavam todos ali.

— Boa noite. – Senti os pés frios da menina encostarem em minha perna e a voz suave e carregada de sono soar. Estava no quarto do meu vizinho, colega de classe, um desconhecido e preste a dormir em sua cama.

— Estou no quarto ao lado, boa noite. – Disse para Coral e depois olhou para mim. – Dorme, porque seis da manhã ela acorda fazendo a maior zorra. – Ele levantou e passou a mãos no cabelo soltos e compridos, iguais ao que eu queria ter, só que rosa. Pegou mais um cobertor no guarda-roupa novo e nos cobriu. Seguiu para porta e apagou a luz, deitei-me e esperei ele fechar a porta, mas não fechou e logo em seguida sua imagem desapareceu. Olhei para a garotinha que já dormia e concordei com Marieta. Ele saberia cuidar dela. Me aconcheguei e senti o corpo amolecer e tudo ficou escuro novamente.

Shikamaru Povs.

Domingo. Quem não gosta deste dia da semana deve ser doente. Nada para fazer e é o dia que as tias solteironas reúnem-se para fazer quilos e quilos de comida. As pessoas julgam mal o domingo, muitos não gostam pois quando o domingo chega, muitos lembram do dia que vem depois dele, ou seja, a segunda-feira. Pronto! O domingo paga o pato por causa da segunda.

Ficar deitado sem se preocupar com nada é ótimo. São oito da manhã e ainda está frio, resquício do inverno que se foi a pouco, mas incrivelmente não estou com preguiça o suficiente para ficar na cama. Isso é algo estranho.

Não tenho absolutamente nada para fazer. Meu amigo foi passar o final de semana em outra cidade e eu fiquei completamente só. É meio estranho pensar assim, mas é a verdade.

Levanto finalmente da minha cama macia e logo em seguida a porta do meu quarto recebe leves batidas.

— Pois não? – Minha mãe não costuma bater na porta de meu quarto, ela simplesmente entra então deve ser o meu pai. Visto minha camisa e calço meus chinelos. Quando abro a porta vejo meu pai com um cara de poucos amigos. Espero ele dizer algo afinal foi ele quem bateu na minha porta e não eu.

— O que você aprontou Shikamaru? – Levanto a sobrancelha em questionamento e vejo ele suspirar fundo. Bom eu não recordo de ter feito nada demais, mas afinal por que da pergunta? – A diretora da sua escola quer conversar com você, arrume-se ela está te esperando lá embaixo.

Ele sai e me deixa sozinho escorado na porta, não sei porque mais me deu uma preguiça profunda agora. O que a Tsunade quer hein? Hoje é domingo, será que ela não tem vida social? Vou ao banheiro no final do corredor e lavo meu rosto. Olho no espelho e a mesma coisa de sempre é refletida nele, ainda bem!

Começo a descer as escadas devagar, se ela esperou até agora uns minutos a mais ou a menos não irá fazer diferença. Chego até a sala e vejo a figura de costas e logo em seguida o olhar fuzilador de minha mãe.

— Shikamaru, por que demorou tanto querido? – Seu sorriso é dócil, mas eu sei que é falso. Se não houvesse visitas minha mãe estaria aos berros comigo. – A senhora Tsunade está te aguardando. Espero que ele não tenha aprontado nada.

Vou-me e sento no sofá fazendo um comprimento com a cabeça para mulher loira de expressão pacífica. – Vou pegar mais chá. – Minha mãe diz e sai para cozinha.

— Então o que devo a honra? – Pergunto entediado, sei que não fiz nada que trouxesse a diretora em minha casa. – Oi Shikamaru. – Minha mãe retorna com o chá, mas que rápida. Seu sorriso é tão bonito, mas sua curiosidade chega ser absurda.

— Então Shikamaru venho até você, pois preciso de sua ajuda. – A voz que geralmente escuto sempre aos berros está calma. Olho para minha mãe que está animada, se ela está assim é porque já sabe o que a diretora quer.

— Não vi seu nome em nenhum clube, até mesmo o de xadrez já esgotou. – Ela olha para minha mãe que continua com o seu sorriso, só que agora maior do que antes. – É não tive tempo para me inscrever. – Dou uma mentira descarada, na verdade eu esqueci desta babaquice.

— Pois é, mas você sabe que são obrigatórios. – Ela bebe do seu chá e a animação da minha mãe é tanta que ela esquece do seu. Ela me causa medo, as duas. – Sei.

Respondo sem vontade, eu posso me inscrever em qualquer atividade, depois eu dou um jeito de ser expulso e fica tudo certo. – Então Shikamaru como as maiorias dos grupos que você provavelmente iria selecionar já estão cheios, eu resolvi enquadra-lo em um. – Sinto que vai dar merda, minha mãe só falta saltar de alegria. Com certeza não é algo bom. Tsunade olha para ela e sorri.

— O inscrevi no torneio de música, representado a escola. – Eu poderia tossir ou fingir que engasguei, mas somente levanto a sobrancelha. Eu não vou participar disto de jeito nenhum. Penso em dizer algo, mas quando vejo minha mãe quase saltando de alegria entendo o propósito da diretora vir aqui em casa.

— Não faça esta cara Shikamaru, só os melhores são escolhidos filho. Você é o orgulho da mamãe. – Droga, olho para Tsunade que está vitoriosa.

— Então aceita Shikamaru? Se não eu posso te encaixar em outra atividade. – Tsc, isso foi golpe baixo.

— É claro que ele aceita, ele vive com estes amplificadores de som e com aqueles instrumentos barulhentos. Você vai adorar né filho? – Minha mãe me olha ameaçadora e quando olho além dela vejo meu pai rir. Eu sei que ele também tem medo dela. – É claro mãe.

Seu gritinho de comemoração é de morrer. Tsunade murmura algo e bebe o chá enquanto minha mãe não para de falar. O que será de mim, eu apenas sei gravar as fitas e ajustar algumas coisinhas. É obrigado mãe!

— Bom agora tenho que ir vou conversar com outro pai a respeito disto. Shikamaru, segunda-feira eu te informo melhor. Você é um aluno muito especial, tinha certeza que iria me ajudar. – Ela levanta do sofá e minha mãe também para acompanha-la até a porta.

— Pode deixar mãe que eu acompanho a senhora Tsunade até a porta. — Minha mãe faz que sim e se despede da diretora. Acompanho até a porta em silêncio.

— Golpe baixo. – Ela sorri e coloca a mão em meu ombro. – Não vai decepcionar sua mãe, é muito importante para ela. – Aplica dois tapinhas e vai embora. Filha da mãe.

— E agora? Qual é a próxima vítima? – Vejo ela entrar em seu carro e acelerar feito louca, sigo o carro com os olhos até ele sumir. Entro na minha casa e escuto minha mãe falar sem parar no ouvido do meu pai. Quem está sorrindo agora hein?

Tsunade Povs.

Tenho que admitir que foi mais fácil do que pensei. Desde do festival da primavera do ano passado eu sei do temperamento forte do garoto. Desculpe, mas era a única maneira de fazê-lo participar. Bom com ele são dois. Shikamaru e Neji. Pelo que sei o primeiro sabe alguma coisa, mas o segundo não faço a menor ideia de que ele saiba algo do ramo. E pensando em Hyuuga vou até um. As casas parecem próximas demais quando eu dirijo.

Estaciono em frente a mansão Hyuuga, ainda são oito horas e poucos minutos, porém tenho certeza que Hiashi já está de pé. O portão é aberto após alguns minutos e uma senhora me atende.

— Senhorita Tsunade a quanto tempo. – Ela abre o portão e faz sinal para que eu entre. – A quanto tempo Nane. O senhor Hyuuga está? – Questiono enquanto observo o local.

— Está sim, venha vou chama-lo. – A senhora faz sinal para segui-la e entramos na casa. – Espere um minuto iriei chama-lo. – Me deixa na sala gigantesca de móveis rústicos e o leve som do piano sendo tocado é interrompido. Passa alguns minutos e a figura altiva aparece. Seu terno fino o deixa elegante e por um momento penso no que seu sobrinho me disse. Será que realmente Hiashi desconhece da existência do sobrinho? E qual seria sua reação ao descobrir.

— Senhora Senju, o que devo a honra? Sente-se. – Sua cordialidade é seca e fria, mas estou acostumada, comportamento típicos dos Hyuugas, até mesmo seu sobrinho que não conviveu com eles é desta maneira. Somente Hinata que é diferente.

— Olá Hiashi como está? Venho conversar sobre Hinata. – Sento-me em uma poltrona desconfortável e ele faz o mesmo, porém agora com o semblante ainda mais sério. – Nane poderia chama-la fazendo o favor? – Ele olha para a senhora que afirma com a cabeça e sai logo em seguida. Depois volta seus olhos para mim. – O que tem que ser dito? – O relógio faz um barulho irritante e quando vou responder Hinata chega na sala.

— Bom dia senhora Tsunade. – Faz uma referência e senta-se ao lado do pai. Nane chega logo em seguida com uma bandeja de chá. Serve duas xicaras e sai logo em seguida.

— Aceite um xicara de chá Tsunade. – Pego a xicara após fazer um sinal de aceitação com a cabeça. Não aguento mais chá, por que eles não servem Saquê no lugar do chá?

— Obrigada. Como disse venho conversar sobre Hinata. – Olho para a moça que arregala os olhos rapidamente e recebe o olhar questionador do pai. – Senhor Hyuuga não sei se tem conhecimento sobre as atividades complementares do colégio. – Vejo suas sobrancelhas arcarem-se por um momento. – Sim, Hinata me informou sobre as atividades. – O silêncio é tremendo, não poderia esperar algo diferente.

— Então Hinata não se inscreveu em nenhum grupo e os quais ela se identifica já foram esgotadas as vagas. – Sinceramente não creio que foi uma boa ideia vir até o pai da menina para pedir sua permissão, mas não tenho escolha e qualquer coisa eu grito com ele.

— Tsunade, poderia ir diretamente ao ponto? Tenho um compromisso inadiável as nove horas. – Bebo o chá sem vontade, isso explica suas roupas em pleno domingo. – Pois bem, vim pedir sua autorização para a participação de Hinata no clube de... – Olhei para o rosto de Hiashi e é claro que ele irá se opor a participação de Hinata nestes eventos. – Tsunade em que grupo? Espero que não seja nenhum desses grupos de dança ou música.

Só perco mesmo nas minhas apostas, pois no resto acerto tudo. Vejo a ansiedade de Hinata, coitada desta garota, estou começando a concordar com Neji em não querer morar nesta casa.

— É claro que não! Que absurdo. Na verdade é no grupo de exatas, mais precisamente nos campeonatos de física, matemática, química e astronomia. Hinata tem ótimos desempenhos nestas matérias e eu gostaria de sua permissão para que ela participasse.

O sorriso fino e orgulhoso toma a face do homem enquanto o semblante de Hinata não demostra animação. – Não é para menos. Tem minha completa aprovação – A voz de Hiashi soa cortando o silêncio. É claro que tenho!

— É claro, mas Hiashi estes campeonatos são de níveis estaduais e até nacionais, preciso que libere Hinata para estudos que irão ocupar muito seu tempo e para possíveis viagens onde eu sempre estarei presente. – O olhar de desapontamento da menina e visível, mas seu pai não parece perceber.

— Enquanto a isso não vejo problema. Hinata pode ter os melhores professores para seu aperfeiçoamento e enquanto as viagens para os torneiros eu responsabilizo a estar levando. – Sua proteção chega ser exagerada, mas eu já esperava por isso, não tão fácil Hyuuga.

— Não Hiashi, as competições são em equipe e Hinata tem que ter uma convivência com seus colegas, para melhor entrosamento. – Termino e vejo sua desaprovação, vamos Hiashi você não pode controlar tudo. Dar até vontade de dizer sobre Neji, apenas para vê-lo perder a linha. Suspirou e Hinata sorriu derrotada, eu sorriria derrotada de qualquer jeito mesmo com a aprovação. Por Deus quem é que gosta de participar destes campeonatos enquanto seus colegas participam de atividades interessantes e legais.

— Está bem, porém espero que Hinata seja destacada nestes campeonatos. – Ele olha para Hinata e passa a mão na cabeça da menina.

— É claro, ela vai ter um destaque notório. – Ah se vai! Agora são apenas sorrisos, Hiashi olhou em seu relógio e provavelmente decidiu que seria a hora de ele ir.

— Bom Tsunade, tenho que ir. Mantenha me informado e fique à vontade para conversar com Hinata sobre os detalhes. Tenha um bom dia Senju e até mais! – Ele levanta e aperta a minha mão, faço que sim com a cabeça e eu só quero ver quando ele descobrir a verdade. Ele sai e eu e Hinata ficamos a sós.

— Então ficou animada? – Hinata vacilou em seu sorriso e suspirou finalmente. Acho que a menina tem uma certa confiança em mim, mas não deve ser muita.

— Na verdade não senhora Tsunade, eu queria mesmo era participar do grupo de culinária. – Seu rostinho é encantador.

— Me diga Hinata, era você que estava tocando piano? – Ela levanta o rosto e faz que não. – Não, era Hanabi em suas aulas, mas eu também sei tocar. — Ótimo, agora são dois.

— Muito talentosa e me diga sabe cantar também? – Vejo a confusão em seu rosto pelo assunto que não tem relação com os campeonatos de exatas.

— Sei, nós também temos aulas de canto. Mas porquê Tsunade? – Olho para os lados e não vejo Nane, seria bom dizer logo em que ela está inscrita.

— Hinata você não está inscrita nos campeonatos em que disse para teu pai. – Suas sobrancelhas juntaram-se em confusão, sorri comemorando a passada de perna que dei no senhor todo poderoso.

— Hinata você está inscrita no campeonato de música de 93, representando a escola. – A menina ficou branca e eu me arrependi, balbuciou alguma coisa que eu não faço a menor ideia do que foi.

— Mas Tsunade, meu pai vai ficar furioso. – Levantei-me para ir embora e Hinata parecia desesperada. – Ah Hinata deixe seu pai comigo, ele não precisa saber, pelo menos não agora. Não se preocupe, seu pai não faz ideia do que o espera. Pode ter certeza que sua participação no campeonato não será nada.

Comecei a caminhar até a porta e Hinata me seguiu quieta. – O que quer dizer Tsunade? – Eu e minha maldita boca. – Nada Hinata, não quero dizer nada, agora tchau e até segunda. Tenho que visitar mais uma pessoa.

Deixe a garota na porta e fui até meu carro antes que ela dissesse mais alguma coisa. Entrei em meu carro e comecei a dirigir. Preciso reunir logo todos os membros para a equipe. Tenho pouco tempo para reuni-los e treina-los. Pego as folhas de endereço e leio o próximo. Ah ela vai querer morrer, tenho certeza. Troco a marcha do carro e logo estou em outro bairro da cidade, a movimentação nas ruas aumentam. Acelero mais o carro, estou com pressa. Tenho as relações de alunos que não se inscreveram para nada e uns tem perfil para o que eu quero, mas outros vou ter que encaixar nos grupos restantes. E como faço minha seleção? Simples, uns vão ser selecionados por pura vingança e outros porque tem potencial. Shikamaru e Hinata são porque tem potencial, mas Neji e está aqui são por castigo ou algo parecido com isso.

Estaciono em frente a um prédio amarelo, verifico novamente o endereço e desço. – Mais que lugar é este? Agora sei porque ela chega atrasada todos os dias. – Abro o portão e vou entrando sem me anunciar. A porta larga está aberta e o hall de entrada está vazio. Olho os lances de escadas e analiso o número do apartamento da mocinha, número 93. Subo os lances de escadas e paro no segundo andar. Ando no corredor que só tem somente três portas, do número 91 ao 93. Vou até a porta e bato gentilmente, espero uns minutos e não tenho resposta. Bato novamente e nada. Minha paciência começa a se esvaziar quando uma menina enxerida aparece.

— A Sakura não está. – Viro me para o pingo de gente e dou um sorriso para ela. – Obrigada e você sabe onde ela foi? – Vejo ela pensar se vai ou não me dizer ou não, mas decide no final das contas.

— Ela está na minha casa. – Coloca os braços atrás do corpo e minha paciência foi para o inferno. — Ah e onde você mora? – Ela sorri e me dá as costas. – Neji disse para não conversar com estranhos. – Como? Ela corre para a porta em frente ao apartamento de Sakura. Ela disse Neji? Tenho certeza que sim. Bato na porta com força, crianças acabam com a paciência de qualquer um. A porta abre e para minha surpresa ou não conheço o residente.

— Ah não! – Ele tenta fechar a porta, mas coloco o pé impedindo de fechar. – Quem é esta garotinha? – Ele desiste de fechar a porta e a abre por completo. – É a filha da vizinha, o que você está fazendo aqui? – Garoto mal educado!

— Neji use a educação que se pai lhe deu e me convide para entrar. – Ele trinca os dentes e pelo visto não vai me convidar. Resolvo entrar assim mesmo. O empurro e quando vejo já estou na sala. Casa bem arrumada. Continuo a ir para os outros cômodos, não me importa o que ele vai pensar, afinal a responsável aqui sou eu.

— Tsunade, para de invadir minha casa. Da para falar o que você quer? – Coitado pensa que estou aqui por ele, mas foi bom descobrir onde ele mora. Vou para o corredor dos quartos e abro a primeira porta, meus olhos enxergam uma cama rosa e a menininha em cima dela. Ah Neji é bom ter uma explicação para isso. Fecho e abro a outra, quarto arrumado, provavelmente é o dele. Tento abrir a última porta, mas parece estar trancada. Retorno para sala e encontro Neji sentado com a cara fechada, sento-me novamente em uma poltrona vermelha.

— Quem é a menina? Você está morando com quem? E não me olhe deste jeito mocinho. – Sua cara é péssima mas e eu com isso. Espero ele responder e nada.

— Eu posso ficar esperando você responder o dia inteiro. – Encosto na poltrona ficando mais confortável. Até que o local é aconchegante.

— Não tenho nada para te dizer. – Sei, observo ele também encostar em outro sofá e cruzar os braços, será que ele também tem o dia inteiro? – Hum comece explicando quem é aquela menina? – Desencosto e levanto da poltrona. – Não me diga que você já é pai.

A expressão que ele faz é péssima, é claro que ele não é o pai da menina, mas isso vai fazer ele dizer alguma coisa. – Tsunade você não tem que se meter na minha vida e não, é claro que não sou o pai dela. – É funcionou, volto a me sentar e ele olha para o corredor a todo momento.

— Eu sei que você não é pai, mas me diga quem é ela ou você está morando com os pais dela. – Olho para os moveis e não vejo retratos ou quadros de família, somente um na estante, mas é da família de Neji. Volto meu olhar para ele. – Vou chamar um órgão competente para resolver está situação se você não começar a falar agora!

Exalto me e a irritação dele é maior que tudo, ótimo isso mostra que ele vai começar a falar. – Tá bem, ela mora comigo droga, vai fazer o que chamar o conselho tutelar? Ela não tem ninguém, somente eu.

Como previ, ele explodiu, previsível. Suspiro e espero ele sentar-se para explicar a situação. Essa menina não pode ficar com ele, a situação se complicaria se houvesse alguma denúncia ou coisa do gênero, porém ele parece saber disto.

— Você sabe que não pode ficar com ela não é? – Vejo ele afirmar com a cabeça e passar a mãos nos cabelos angustiado. Parece que ele está com mais problemas além de mim. – O que está acontecendo Neji?

Recebo como resposta o silêncio. Levanto-me e vou até o quarto da menina, pelo visto ele resolveu me acompanhar. Abro a porta e observo a menina brincar despreocupadamente e feliz. Volto me para Neji e vejo ele olhar para porta trancada.

— Vamos conversar civilizadamente. – Fecho a porta e volto para sala sentando me na poltrona enquanto ele senta no chão encostando a cabeça no assento do sofá. Espero ele começar a falar.

— Foi um pedido de uma senhora. – Ele começa a falar calmo sobre a situação da menina e as circunstâncias de ela estar com ele. Verifica com os olhos diversas vezes se ela não está escutando a conversa. Me conta superficialmente, mas creio eu que ressalta as partes principais. – É por isso que ela está comigo. E agora vai fazer o que?

Levanto-me e vou até a janela. E agora o que vou fazer? Não vou fazer nada a menina parece estar bem. – No momento não vou fazer nada, você parece saber da responsabilidade que tem ao ter assumido este compromisso. Mas já vou avisando, vou ficar de olho.

Sua expressão não demostra nada, mas sei que está aliviado. O silêncio seria completo se não fosse a bagunça que a menina está fazendo e seu quarto.

— Afinal o que você queria mesmo? – Ele levanta e retira a blusa de frio, pega um cigarro e acende. Filho de uma mãe.

— Vejo que tem a memória curta. Eu disse que não queria ver você fumando novamente. – Ele me fuzila e tenho certeza que quer me esganar. Ignora o que eu disse e volta a sentar, mas agora no sofá. – Eu não vim aqui por você.

Neste momento escuto a tranca da porta ser aberta e passos seguir para a sala, acho que não vou ter que perguntar do paradeiro da senhora atrasada. A poltrona fica de costas para o corredor naturalmente ela não irá me ver.

— Neji obrigada, mas agora acho que vou para minha casa. – O garoto me olha e não diz nada, a voz dela parece abatida demais.

— Antes você vai conversar comigo. – Digo e levanto-me e a olho. Parece extremamente abatida, está vestida com uma camisa masculina creio eu que seja de Neji. Ela olha para ele pedindo explicações, mas ele parece não querer colaborar com ninguém hoje.

— Vejo que já são amigos, que bom. – Digo e aponto para a camisa do garoto. – Sakura é rápido o que tenho a dizer e até bom os dois já estarem aqui, facilita minha vida!

Ela vai até o sofá e senta-se do lado do Hyuuga revoltado, por que ele não pode ser igual a prima. Sua calça moletom parece larga demais.

— Bom Sakura, seus atrasos continuam e precisamos resolver está questão. – Faço uma pausa e ela revira os olhos, garota desaforada! – Mas não é sobre isto que vim conversar com você hoje e sim sobre as atividades complementares. – Neji sorri já prevendo o que eu irei dizer.

— Sakura, você se ferrou. – A menina olha para ele confusa e ri sem graça em provocação, como disse crianças são horríveis.

— Não sei porque você está rindo dela, pelo que eu me lembre você está no mesmo barco. – Minha paciência está curtíssima e Neji insiste em dar cabo nela. Sakura espera a continuação sem ânimo e provavelmente elaborando a desculpa para não poder participar.

— Como todos grupos já se esgotaram e você não se inscreveu em nenhum, eu te matriculei no grupo de música. – Esperei alguma negação por parte da garota, mas ela pareceu aceitar bem ou sua cabeça está preocupada com algo mais urgente, porém Neji estava prestando atenção, acho que até demais para meu gosto.

— Hum, não vai dizer a melhor parte, tenho certeza que ela vai amar! – Minha veia da testa já deve estar saltando e Sakura cai feito patinha em sua manifestação, maldito.

— Diga Tsunade. – Finalmente ela manifesta sua curiosidade, fuzilo o infeliz fumante. – A melhor parte Sakura é que o clube de música está inscrito no torneio musical que ocorre no início de 93.

Seus olhos se arregalaram-se por um instante e Neji já parecia conformado com a situação.

— Não, eu não vou participar, eu nem seu cantar. – Mentira! Já esperava está resposta então me preparei. – Só que você não tem escolha e eu sei que você sabe. Amanhã eu dou os detalhes.

Levanto-me para ir embora antes que ela comece a dar justificativas concretas para não poder participar do grupo. – Mas Tsunade eu não tenho tempo. A tarde eu trabalho e a noite não dá! – Tarde demais.

— Nós nos organizamos, mas eu faço questão de ter você no grupo, você me deve essa vai. – Digo e vejo a sua cara de espanto. — Eu vou fazer você ir como também ele irá. – Volto a atenção para Neji que não se importa com o que eu digo.

— Sem mais um A sobre o assunto, agora vou me embora e espero ver os dois sem falta na escola e Neji. – Esperei ele me olhar. – Não se esqueça, eu sei onde você mora. – Esboço meu melhor sorriso e vou até a porta.

— Até mais! – Não espero resposta e vou em direção das escadas. Tenho certeza que eles querem me enforcar. Bom, agora só falta mais uns e esses pego na escola. Entro em meu carro e começo a dirigir, as tarefas de hoje foram cumpridas com êxito ou até melhor.

Notas finais
Espero que tenham gostado e já outro capítulo fresquinho.