Golden Years
11 Apenas uma mágoa
Notas iniciais
O sol nascendo é uma das coisas que eu gosto, é tão lindo. Mais um dia começa, estou muito ansiosa pelo encontro entre eu e Kiba. Ficamos de nos encontrar as nove em uma lanchonete que não é muito frequentada pelo pessoal da escola, segundo ele para que eu me sinta mais à vontade.
Desço as escadas rapidamente, hoje estou atrasada. Meu pai está viajando e só irá voltar semana que vem, não me disse onde foi e nem o que foi fazer, entretanto deve ser assuntos da empresa. Saio no jardim e o carro já está me esperando. Mal dou bom dia para o motorista e ela começa a dirigir para a escola.
A paisagem é agradável de se observar, as arvores parecem correr conforme o carro adquire velocidade. O sol bate na janela esquentando meu rosto, hoje o dia tem tudo para ser perfeito. O motorista do meu pai para em frente da escola e depois de desejar-lhe um bom dia ele vai embora.
O pátio está quase vazio e todos que ainda está nele, estão correndo para as salas. Sigo para minha igualmente, as pressas. Hoje temos ensaio, espero que seja breve, não quero permanecer muito tempo com aquele garoto. Melhor eu ir ao banheiro antes de ir para sala, pois Shizune não deixa ninguém sair da classe. Desvio da rota principal e logo estou no banheiro, apenas passo uma água no rosto. Observo minha imagem no espelho.
O rosto pálido demais e o cabelo um pouco bagunçado, acho melhor arruma-lo. Pego uma caneta do estojo e prendo no alto, deixando bem firme. Semelhante aos de Hanabi quando vai para as aulas de dança. Agora somente minha franja está solta, meus lábios estão levemente secos, melhor passar algo. Procuro na bolsa meu hidratante labial, mas não encontro, apenas acho o batom rosa da minha irmã. Tenho certeza que ela escondeu nas minhas coisas, já que papai não deixa ela usar nenhum tipo de maquiagem alegando que ela é muito nova. Tadinha! Passo um pouco, mas ficou rosa demais, retiro o excesso com papel atingindo um resultado bom. Olho para minhas roupas, acho que estão boas. Ah, Hinata porque está preocupação com o visual?
É não tenho motivos para agir assim, afinal Kiba me convidou para sair porque sou deste jeito. Vou para sala, antes que alguma coordenadora resolva vir ao banheiro para ver se ninguém está matando aula ou fumando.
Bato na porta e logo ela é aberta, isso é estranho. Chegar é ver tudo mundo sentado em seu lugar encarando o aluno que chegou atrasado, no caso eu. A professora indica para o lugar vazio, quase no fundo da sala.
Consigo ver Kiba do outro lado da sala conversando com seu amigo, acho que ele não deve ter me visto. Sento me sozinha, alguns alunos faltaram hoje. Abro me caderno e começo a fazer as atividades, mas não consigo me concentrar. Tudo está tudo muito bem, minha vida é praticamente perfeita, só falta umas coisas pequenas, que eu acho que não vai demorar para que elas cheguem.
Eu não sei o que vai acontecer conosco, quero dizer entre eu e Kiba. Não posso negar que não sou apaixonada por ele, na verdade não me interesso por ninguém, mas não seria mal nenhum se apaixonar por Kiba. Ele é um rapaz bonito e muito legal em todos aspectos. Ele flagra meu olhar sobre ele e sorri acenando com os dedos em um movimento mínimo e logo cede sua atenção para seu amigo.
Acho que nunca desejei um sábado como desejo agora, antes dos dias da semana eram todos iguais. Termino de copiar depois de meia hora, acho que a professora não irá passar mais nada. Está quase no fim das aulas dela, depois vem o outro professor. Retiro eu caderno de desenhos, gosto muito de desenhar, mas não sou muito habilidosa.
Começo a desenhar algo considerado infantil por muitas pessoas, mas flores com abelhas não é um desenho infantil em meu conceito. Hoje fiquei longe da janela e praticamente no fundo da classe, nunca sentei aqui, mas é interessante. Daqui dá para olhar todos da sala, alguns jogados sobre as carteiras, outros conversando e alguns fazendo a tarefa. Observo os alunos nas carteiras do lado da minha. O da esquerda se chama Sasuke e o da direita Naruto, não tenho problema com nenhum deles ainda bem, mas com as meninas que estão aos seus lados não me dou muito bem.
O sinal toca e a professora sai, este sinal me faz sentir que estou em uma cadeia. Os ânimos se exaltam, alguns alunos saem de seus lugares e outros sentam-se nas mesas. Eu não sei porque as líderes de torcida usam o uniforme fora do campo, deve ser por conta do status que ele proporciona.
— Alunos da creche voltem aos seus lugares. – O professor mal entra pela porta e já aplica ordem na bagunça. Achei que fosse o horário do Asuma, mas é outro professor. Quando o restante da sala nota a substituição ficam em silêncio.
— Eu tenho certeza que vocês não me conhecem, pois sou novo nesta unidade de ensino. – O cabelo penteado para trás está brilhante devido ao excesso de produto. Suas roupas são uma calça moletom preta e uma regata branca, que roupas mais estranhas para um professor a não ser que... ah não!
— Sou o novo professor de Educação Física, aposto que muitos estão felizes em saber que irão tem está disciplina. – Alguns alunos vibram com a ideia, eu não estou entre eles.
— Agora vão para seus armários e peguem seus uniformes apropriados para aula, quero vocês na quadra em dez minutos. Ouviram meninas? – Ele sai antes mesmo de se apresentar, acho que está muito animado. Levanto-me e vou para o armário, os uniformes de Educação Física ficam neles para uso, caso tenha aula prática.
Está disciplina havia sido removida da grade por conta dos clubes, os quais quase todos são de esportes. Nós, meninas tínhamos uma professora, mas pelo jeito a partir de agora vamos ter a disciplina juntos com os meninos.
Desmancho meu penteado e faço um rabo de cavalo. Vou para o vestuário feminino cheio com as meninas da classe. Muitas trocam as roupas na frente das outras, mas eu prefiro fechar a porta de repartição. Coloco a calça de moletom azul e a camisa branca rapidamente, é o uniforme que usamos quando estamos no inverno, mas como vamos estar com os meninos acho melhor vestir este em vez dos shorts e os tops. Quando saio percebo que apenas eu e mais umas garotas tiverem está ideia. Guardo minhas roupas no armário e vou para quadra.
— Oi, isso me pegou de surpresa! – Viro-me para trás e encontro Sakura nos mesmos trajes que eu. – Oi, eu também.
Digo um pouco sem graça, afinal nunca conversamos e isso é meio desconcertante. Deve ser por conta do clube de música. O grupo das líderes de torcida passam na nossa frente com os shorts justos e os tops colados, apenas algumas estão com uma camisa cinza, mas provavelmente irão retirar quando começarem os exercícios.
— Puxa, acho que seria melhor elas irem nuas. – Sakura diz e ri fazendo me acompanha-la, ela tem razão. Está certo que elas já usavam quando tínhamos educação física, mas era somente com as meninas e estes uniformes estão muitos provocativos.
— Elas parecem dançarinas da noite. – Uma voz diferente soa atrás de mim e da Sakura, viro-me para ver que é e encontro Ino. Por incrível que pareça ela também está vestida como nós, exceto pela regata preta. Também está abatida, como se algo tivesse acontecido, mas ela sempre está assim. Sakura ri, seu cabelo é muito curto que seria impossível prendê-lo, a não ser que seja duas Maria Chiquinha bem próximas ao pescoço.
— Acho melhor nós irmos, antes que o professor venha buscar a gente. – Sakura diz e nós retornamos a andar em silêncio. Eu não tenho assunto para conversar com elas a não ser sobre o grupo, mas não quero falar disto.
— Hinata você tem primos ou irmãos? – Ino me pergunta enquanto solta o cabelo e em seguida massageia o couro cabeludo. Pergunta estranha, por que ela quer saber disto.
— Não, eu não tenho primos apenas uma irmã. – Digo e observo Sakura que também está interessada na conversa, será que elas também notaram a semelhança entre eu e Neji? Mais isso é impossível, a não ser que meu pai tenha traído minha mãe. Tenho certeza que ele não seria capaz.
— Mas porque Ino? – Ela está surpresa por conta da pergunta que fiz, como se não esperasse por isso. – Por nada, mas se você tivesse ele iria ser uma graça, você é bonita.
Paro de encara-la depois desta, nunca ninguém me disse isso além dos velhos amigos do meu pai. E eu não sou tonta para cair nesta desculpa, ontem Ino conversou a metade do período com Neji ela deve ter percebido.
— Obrigada, seria sim! – Sakura começa a rir sutilmente quando chegamos na entrada da quadra. – Olha só para eles todos vidrados no corpo da mulherada, também com está roupa até eu.
Sakura é engraçada, não é muito tímida como pensei, seguimos até a aglomeração, tenho que admitir que Sakura está com razão, nem mesmo eu não consigo evitar de olhar, será que o professor não vai falar nada?
— Agora sei o motivo de separarem os gêneros nesta escola. – O professor sussurra, mas consigo ouvir sua observação. Kiba não tira os olhos das meninas, isso é constrangedor, mas elas não se importam.
— Bom, agora que todos estão aqui, eu quero que se dividam em duas equipes. Hoje vocês vão jogar queimada para eu avaliar o potencial de cada um.
— Isso! – Naruto desvia minha atenção para ele que está muito animado e com razão, afinal ele não está em nenhum clube que tem o esporte como foco.
— Ai, vou tomar bolada na cara, que legal. – Sakura resmunga e eu não consigo evitar a risada. – Vocês conhecem as regras, é impossível que não conheçam. Agora vocês dois formem os seus times. – O professor aponta para Naruto e Rock Lee, ele está tão animado como o primeiro. Eu odeio isso, sempre fico sobrando nas escolhas. Eles começam a chamar.
Lee chama os seus colegas mais chegados e outros nem tantos como Shion, Kiba e Matsuri. Naruto escolhe os provavelmente mais fortes e entre eles está Sasuke, TenTen e Chouji.
Procuro por Gaara e não encontro, ainda bem que ele faltou, levar uma bolada dele não deve ser fácil. – Hinata.
Meu nome é chamado e Naruto faz sinal para que eu vá para o lado da quadra onde está o seu time. Ainda tem pessoas a serem escolhidas e entre elas está Sakura e Ino. Procuro por Neji e encontro no mesmo time que eu. Lee chama Karin e Sasame por insistência das suas amigas. Sakura e Ino acabam no mesmo time que eu. Quase todos do clube de música está no time de Naruto, apenas Shikamaru ficou com Lee e os irmãos estão ausentes.
— Meninas se vocês quiserem ficar no fundo vocês podem ir. – Naruto fala e vai para frente numa animação fora do comum. Tem apenas quatro meninas no time contando comigo, as outras estão no outro. O apito do professor soa e minha barriga gela, isso não vai acabar bem.
O jogo mal começa e Sasame leva uma bolada na perna lançada por Sasuke. – Que violência. – Sakura diz e só agora que percebo ela ao meu lado. A bola vem em nossa direção com uma força enorme, Lee a lançou com vontade, mas antes de ela nos atingir é interceptada por Naruto, graças a Deus.
Naruto corre para frente e o time adversário recua, ele se posiciona para jogar a bola e quando vai fazer passa a bola para TenTen que acerta Shion na barriga. Naruto vibra por tirar mais um do jogo.
— Naruto! – Shion corta sua felicidade no grito e sai do campo furiosa. – Acho que vou acertar uma certa ruiva. – Ino que estava quase escondida atrás da Sakura diz e corre um pouco para frente.
— Acho melhor a gente sair deste cantinho por que elas querem nos acertar. – Olho para frente e vejo Karin jogar a bola na minha direção, mas erra feio. Apanho a bola do chão.
— Vai Hinata, joga a bola neles. – Naruto me incentiva a jogar a bola, ele está todo suado e Sasuke também. Corro um pouco para frente para pegar impulso e passo a bola para Ino que a lança diretamente em Karin que desvia.
Os eliminados formam uma pequena torcida, são poucos que estão em campo, mas o time adversário tem menos pessoas, mas Rock Lee compensa todas elas. A bola vai e vem, Sasuke e Naruto não querem perder. Neji mal se move, apenas desvia e passa a bola quando está na sua mão. Enquanto Ino e Sakura desvia com dificuldade da bola.
— Não! – Naruto chama minha atenção, TenTen foi queimada e saiu de campo. Shion não gostou do jeito que o namorado dela reagiu.
— Ai! – O grito de Sakura foi alto demais, cheguei até pensar que ela foi queimada, mas foi só o desespero de levar uma bolada. E se escondeu atrás de Neji.
— Naruto! – Sasuke grita para o loiro para que ele desvie da bola que Shikamaru lançou, mas não foi em tempo suficiente e Naruto é queimado.
— Qual é? por que eu, por que? – Ele faz um drama fazendo a maioria rir e sai para arquibancada. Agora tem apenas eu, Neji, Sasuke, Ino e Sakura contra Shikamaru, Rock Lee, Karin, Matsuri e Kiba.
A bola é lançada com força de um lado para o outro. O professor está gostado do show e sua torcida é para o time do Rock Lee, ele não devia ser neutro? A bola é lançada por Rock Lee novamente e segue em direção de Ino, dessa ela não escapa. Porém Sasuke a puxa pelo braço em tempo de desviar. Ino arranca seu pulso da mão de Sasuke e se afasta rapidamente. Neji pega a bola e pelo jeito resolve queimar alguém ou tentar.
A bola acerta o braço esquerdo de Matsuri que sai reclamando da quadra. Nunca estive tão segura em um jogo de queimada. Sakura está visivelmente com medo de levar uma bolada similar à de Matsuri. E parece que Karin está querendo acertar lá de qualquer modo, tanto ela quanto Ino.
Sasuke pega a bola e em vez de joga-la em alguém passa para Neji que pega impulso para acertar nosso maior problema: Rock Lee, a bola vai em cheio no alvo, porém o garoto a segura com as duas mãos e joga diretamente em Sakura que está sem proteção e um pouco desatenta.
— Sakura olha a bola. – Neji grita para ela, pelo curso da bola ela irá acertar bem na cabeça da Sakura, isso vai doer! Conforme ela vê a bola vir em sua direção elas apenas coloca os braços na frente ficando imóvel. Neji corre muito para tentar tira-la de lá antes que a bola a acerte, mas não vai conseguir. Viro meu rosto para não ver a bolada que ela vai receber, apenas escuto Naruto vibrar. Calma tem alguma coisa errada.
Olho na direção da Sakura e não a encontro, até olhar para o chão encontrando Sasuke sobre a Sakura que tenta empurra-lo de cima de si. Agora entendi o motivo da comemoração. Sasuke estava quase na mesma distância que Neji, mas conseguiu evitar que Sakura levasse uma bolada, ele realmente está querendo ganhar este jogo. Ino aproveita a distração do time adversário e acerta a bola com toda força na perna esquerda de Karin que sai fuzilando Sasuke.
— Professor não estou me sentindo bem, quero sair. – Sakura grita para o professor, ela está muito cansada, porém mal correu. O professor percebe o cansado da menina e deixa ela sair.
— Hinata. – O professor grita meu nome e eu espero que ele termine a frase. – Escolhe alguém do time para substituir sua colega.
Olho para a arquibancada e todos pedem para ser escolhido, mas sem dúvida o que mais deseja isso é Naruto. – Por favor Hinata, me escolhe. Eu prometo que não vão me queimar.
Ele junta as mãos e todos gargalham da cena que ele faz. – Naruto, professor. – Ele comemora e volta correndo para quadra. O jogo retorna e Shikamaru joga a bola em minha direção, é acho que não vai dar tempo de desviar.
— Abaixa Hinata! – Ino grita e automaticamente eu me abaixo, mas não rápido suficiente para desviar da bola. Sinto o impacto no estômago e minhas costas baterem no chão. Agora tudo está ardendo, mal consigo levantar.
— Hinata você está legal? – Abro meus olhos e vejo o rosto de Naruto logo acima do meu, depois de Sasuke e Ino.
— Sim. – Sasuke me ajuda a levantar e eu saio do campo com a mão na barriga, tomará que isso passe logo. Sento-me na arquibancada e fico feliz em assistir ao jogo daqui.
— Nossa eu não sei como você conseguiu ficar todo este tempo lá, olha só a força que eles colocam na bola. – Eu que diga, nem me dou o trabalho de virar para ver quem foi que fez esta observação.
Acho que rompeu alguma coisa dentro de mim. Volto a observar o jogo e todos estão atentos, meu time está ganhando por um. São quatro contra três.
Kiba ainda está em jogo junto a Rock Lee e Shikamaru. Ele joga a bola com força para cima de Ino, qual é o problema deles com mulheres? Mas Neji pega antes que chegue até ela. Foi assim que permaneci no jogo, sendo protegida.
Naruto tenta queimar Rock Lee a todo custo, mas o garoto é muito bom. Neji olha todo momento para a arquibancada e acaba sendo queimado. Estranho, ele podia desviar desta bola. Ele sai de campo, ficando apenas os três, todos estão com os olhos fixos no jogo que nem percebem Neji sair da quadra. A bolada não foi forte o suficiente para machuca-lo, ele mal passou a mão sobre a região atingida. Diferente da minha situação, que dor, acho que este jogo devia ser proibido.
— É isso ai! – A comemoração de Naruto me faz voltar prestar atenção no jogo, Shikamaru foi queimado. Kiba joga a bola em Sasuke que desvia. Ino finalmente pega a bola que vai até seus pés, ela corre até a linha divisória e ameaça a jogar a bola em Rock Lee que por reflexo acaba girando o corpo. Ino passa a bola para Naruto que acerta Rock Lee em cheio.
— Mandou ver Ino. – Naruto está tão animado que pega Ino no colo, coitado vai ter problemas sérios com Shion. Kiba fica sozinho, ainda tenta queimar Naruto, mas dificilmente vai ganhar o jogo. E depois de alguns minutos recebe uma bolada na perna lançada por Sasuke.
Os integrantes do time vencedor comemoram. Sasuke retira a camisa e passa pelo rosto, Naruto faz o mesmo enquanto Ino traz a bola.
— Muito bem! Apesar de alguns se destacarem mais que outros. Os times mostraram espirito de equipe, protegendo seus companheiros. Chuveirada e depois sala, as aulas restantes são minhas.
Ino entrega a bola para o professor e vem na minha direção. – Vamos para a chuveirada? – Ela me pergunta, sempre tenho vergonha em me juntar em momentos como esse, mesmo que o box seja fechado. – Vou esperar esvaziar um pouco.
Ela afirma que sim, mas não vai para o vestuário. – Onde está a Sakura? – Passo meus olhos sobre todos que estão na quadra e não consigo ver onde ela está. – Talvez já tenha ido para o vestuário.
Ela afirma novamente com a cabeça e vai tomar banho. TenTen passa por mim e acena com a mão, acho que ela não está muito afim de conversar. A quadra fica vazia e então decido ir. Vou até meu armário para pegar produtos de higiene e quando estou retornando para o vestuário Kiba vem em minha direção.
— Nossa, você é difícil de derrubar. Tudo certo para amanhã não é? – Ele passa a tolha nos cabelos molhados, acho que estou demorando muito para ir tomar banho.
— É claro. – Digo e ele abre o sorriso enorme. – Que bom, vou te esperar hein. – Ele sai andando de pressa até o seu amigo que está sorrindo por aparentemente nada. Sigo para o chuveiro. Está quase vazio quando chego, apenas umas garotas passando batom o secando o cabelo, mas logo elas saem.
— Ei, alguém me tira daqui por favor. – Escuto uma menina gritar da parte mais ao fundo do vestuário. Deixo minhas coisas no banco e vou até lá. – Quem é?
Todas portas estão fechadas, mas na parte de cima a repartição é aberta. – Sou eu, TenTen a tranca emperrou.
Ela bate na porta e eu consigo ver qual porta é. Com os dedos empurro aquela parte que diz se o lugar está livre ou ocupado com dificuldade, mas consigo abrir. A porta se abre lentamente, mas TenTen segura antes que eu veja algo. Seu rosto aparece logo em seguida.
— Obrigada e se quer um conselho, não gire a tranca. – Ela ri e encosta a porta, que fica entre aberta. Volto para pegar minhas coisas e sigo para o box que não tem a tranca enferrujada. Tomo meu banho com a água quente, lavo meu cabelo e visto minhas roupas.
Retorno para sala e sento sozinha novamente, todos já estão aqui, até mesmo Sakura. O professor chama nossa atenção com a programação das atividades. Somente agora percebo que não fomos para o intervalo, a fome começa a se manifestar, entretanto já estamos quase no horário de ir embora, o tempo voou hoje. O sinal de saída toca, mas nenhum aluno se levanta. Isso é sinal que gostaram do professor.
— É isso ai pessoal, até quinta que vem. Com o professor Maito Gai. – Ele termina e faz um sinal de joia com o polegar assustando a turma com seu jeito. A sala esvazia rapidamente e após isso e eu também sigo me caminho. Hoje o tempo está voando.
Shikamaru Povs.
Com tantas pessoas para acertar e eu derrubo logo Hinata coitada, tenho que lembrar de pedir desculpas quando chegar na escola. Hoje é sexta-feira exatamente as seis e quarenta e cinco e ainda estou em casa. Minha animação de ir para o clube é igual a zero, melhor ela não existe.
Bato a porta principal de casa antes que minha mãe consiga me ver saindo. Ela está querendo assistir um ensaio sendo que nem isso fizemos ainda. Isso vai ser problemático. Porém tudo bem, não tenho nada de especial para fazer até ano que vem.
Ando pelas ruas observando as pessoas, algumas com roupas bem coloridas e seguindo a onda do momento, dança. Até que o pessoal do grupo é reservado no vestuário, bem não vi nenhum com uma calça roxa e uma camisa laranja usadas ao mesmo tempo.
Minhas pernas estão pesadas e não estou com pressa de chegar ao meu destino, qualquer coisa Temari cuida da minha tarefa, afinal ela também sabe o que fazer. Pensando nela, a mesma faltou hoje junto com seu irmão. Não que sejam pessoas que façam falta, mas desde que estou passando mais tempo que o habitual com eles percebo a ausência dos mesmos.
Espero que ela não tenha a mesma ideia de cedo, ou seja, faltar no ensaio. Ah, isso cansa! Para começar todos não são nem um pouco sociáveis exceto por Naruto que está em seu comum. Mas de uns tempos para cá anda do mesmo modo que os outros. Espero que isto melhore, pois não sou obrigado. Ah eu sou sim!
Passa meus quinze minutos de caminhada, agora estou atrasado oficialmente, mas já consigo ver a escola no final da avenida. Maldição, acho que já passo tempo suficiente nela. Agora nem mesmo os horários de meu pai combinam, ou seja, adeus as nossas partidas de xadrez.
Bem ficar reclamando não vai mudar o mundo. Aceno para o guarda que deixa o seu posto quando chego. O pátio completamente vazio, acho que nós somos os únicos na escola com mais de quinhentos alunos. Entre todos eles, ela tinha que escolher logo eu. Isso é castigo.
Chego no auditório que agora é nosso lugar de ensaio ou preparação, tanto faz e alguns indivíduos já estão no recinto. Aceno com uma vontade tremenda, espero que não confundam minha preguiça com descaso ou como um ato de desprezo, por que no fechamento das contas não quero levar porrada de ninguém.
— Ei, Shikamaru só faltou você no nosso time ontem. – Escuto Naruto dizer enquanto retiro e largo minha mochila no chão, viro me para ele. O cara ainda está animado pelo jogo? Ou está se acostumando com a ideia de uma equipe? Sei lá.
— É claro e valeu pela bolada Sasuke. Desculpe Hinata não queria que se machucasse. – Sasuke não diz nada, acho que é a primeira vez que dirijo a palavra. – Não foi nada.
Ela está animada também, mas quase se esconde quando alguém conversa com ela. Essa menina é um poço de timidez. Procuro o restante, mas não acho ninguém com os olhos. E eu pensando que estava atrasado, olha só para eles ainda devem estar em casa.
— Será que a vovó não vem hoje? – Vovó quem? Naruto diz e ninguém presente sabe dizer de quem ele está falando, ele percebe enfim. – Tsunade, diretora, dragão entre outros nomes.
Assim! O próprio ri do que falou tenho que admitir que está foi demais. Vovó? Provavelmente ela surta se alguém chama-la assim. A porta se abre e por ela entra Sakura e Neji. Estou começando achar que este dois são irmãos adotados, só vejo os dois juntos.
Bom se eles chegaram ninguém chega mais. Tsunade vai amar saber que apenas alguns vieram, mas nem mesmo ela está aqui. O silêncio impera, cada um no seu canto quieto.
Ligo o aparelho e ajusto-os mesmo que ninguém cante ou toque, pronto minha parte está feita. Alguém abre a porta e por ela entra Ino, por um momento pensei que fosse Tsunade, nem mesmo TenTen chegou.
— Oi, onde estão os outros? – Ela senta-se cansada ou abatida não sei definir o que acontece com ela. Também puxo uma cadeira e sento-me novamente, acho que passo a maior parte da minha vida nesta posição, feito um vegetal, como minha mãe me chama.
— Acho que não vem. – Sakura responde com tédio perceptível na voz, que pessoas animadas! Não imagino eles em uma festa ou são deste jeito ou são muitos diferentes. Sakura se pendura na cadeira enquanto os outros observam esperando pelo tombo que ela vai levar se não parar.
A porta abre de repente surpreendendo a todos e finalmente por ela entra Tsunade com uma cara péssima, aguenta que lá vem bomba. Ela olha todos sentados sem fazerem nada.
— Mas que porcaria de ensaio é este? Onde está TenTen e os irmãos? – Apoia o braço na porta, acho que não veio para ficar, ninguém responde nada e a paciência dela vai para os ares, mas antes de xingar todos e o mundo TenTen entra pelo vão que a diretora deixou.
— Foi mal, acabei me enrolando com umas coisas. – Ela se afasta o máximo que pode de Tsunade, escolha inteligente.
— TenTen os irmãos avisaram porque não viriam? – Sua voz estridente está mais baixa. Tinha me esquecido disto, TenTen ficou responsável de organizar e executar todo o processo. Todos olham para ela que está hesitante em dizer, talvez eles tenham abandonado.
— Não, não disseram, mas eu sei. – Tsunade coloca a mão na cintura e espera que TenTen continue. – Temari foi viajar para ver o pai, mas provavelmente já voltou pois Gaara está no hospital. – Tsunade franze o cenho fazendo a mesma pergunta que todos mentalmente. O que aconteceu com o pavio curto?
— Ele teve uma overdose, minha madrasta me contou. – Ela termina e Tsunade não move um dedo em surpresa, acho que ela já esperava por isso. Diferente de alguns desta sala, surpresos ou nem tanto.
— Calma, você diz que o pai dele está com Temari e ela está voltando ou já retornou? – Não entendo qual é o problema desta mulher, a menina diz que um aluno de sua escola sofreu uma overdose e ela apenas sabe questionar o paradeiro da irmã e do pai?
Ela coloca a mão na testa sem reação, eu sei que não é algo agradável de se ouvir, mas nem sequer ele é seu parente. – Tenho que ir, acertem o que faltam. Só mais uma coisa quando isso aconteceu?
— Ontem à tarde. – Ino responde antes que TenTen. Como ela sabe disto? Vai saber, mas fofoca nesta cidade é um esporte favoritíssimo. Tsunade vai embora tão rápido quanto chegou deixando nos sozinhos. Acho que não vai rolar nada aqui hoje, perdi meu tempo ocioso.
— Nossa, tomara que o Gaara fique bem. – Naruto resmunga enquanto os outros pensam no que foi dito ou em qualquer coisa.
— Não sei vocês, mas eu estou indo embora. – Digo e todos me olham, desligo tudo e pego minha mochila, não vou ficar aqui sendo que não Tsunade não está para me obrigar. TenTen me olha desacreditada, afinal era para o ensaio acontecer.
— Tem razão, está faltando integrantes e isso é falta de respeito. – Naruto diz, mas não sei se é uma desculpa ou se realmente pensa assim.
— Depois nós nos entendemos com Tsunade, ela vai entender. – Sakura diz e tenho certeza que ela quer ir embora mais que todos aqui. Por fim até mesmo Hinata levanta e acena despedindo-se e sai pela porta.
— Bom se Hinata foi né, quem não vai? Tchau para quem fica. – TenTen diz e sai logo em seguida, que bela coordenadora. Enfim todos saem e eu fecho a porta. Pelo menos concordamos em alguma coisa, tenho certeza que não foi a mais certa, porém já é um início. Eu não sei se todos pretendem permanecer resistentes a está tarefa, mas eu já desisti. Claro que na medida do possível, sempre que haver uma brecha não me envolverei, mas caso o contrário irei fazer o que? Se não pode com Tsunade se junte a ela. Que absurdo! Agora eu irei para casa dormir o resto da noite e o final de semana inteiro, felicidade enfim.
Temari Povs.
O carro segue numa velocidade enorme, mas tenho a impressão que o motorista está a vinte quilômetros por hora. Talvez seja o desespero. A paisagem seca do deserto começa a ganhar vida finalmente. Será que Gaara está bem?
Meu pai recebeu uma ligação na quinta à tarde, mas fiquei sabendo do que se tratava somente hoje, no sábado. Meu pai simplesmente disse que Gaara estava no hospital e não sabia por qual motivo em sua frieza habitual. Pedi para que nós fossemos para Konoha mais cedo, porém ele informou que tinha uma reunião muito importante e ainda alegou que Gaara não iria sair de onde estava.
Eles são iguais, tão iguais que nãos se toleram. Suspiro cansada desta rixa entre os dois, pensei que meu pai fosse mais maduro nesta questão, porém na menor provocação feita por seu filho caçula ele explode. Recebe a notícia que ele está no hospital e não dá a mínima para isso. Ai Gaara o que você fez? Conseguiu que nosso pai fosse até você.
Estou muito preocupada com o que vai acontecer quando os dois se encontrarem. Acho que faz mais de seis meses que Gaara não vê o rosto do meu pai, como ele diz.
A placa de bem-vindo a Konoha é vista pelo meu pai, mas não tem tanta importância chegar assim não é? As árvores estão paradas, sem nenhum sinal de vida. Ainda não sei por qual motivo escolhi está cidade para morar.
— Senhor Sabaku, qual é o primeiro destino? – O motorista atento nas ruas questiona meu pai que está distante. – Ao hospital.
Sua frieza na voz chega a ser assustador. Está certo que ele sempre é deste jeito, frio, quieto e distante, mas hoje está superando. O distrito industrial fica para trás e logo os residenciais começam a aparecer. Finalmente vou saber o que aconteceu com Gaara e como ele está. Meu pai nunca me disse o que acontece com Gaara, somente explicava alguma coisa quando trocava o de cidade. Nunca fui uma irmã presente para ele, sempre distante e nem em datas comemorativas não aparecia.
Desde que ele veio morar comigo acho que mal conversamos, sinto-me culpada por qualquer coisa que tenha acontecido. Mas isso não vai me fazer chorar, não na frente do meu pai.
O motorista estaciona e a porta se abre, meu pai alinha o terno preto e desce do carro. Nem ao menos me espera. Desço do carro e o vejo mais a frente, sua presença é altiva. Deixa a impressão que é implacável e chega a dar medo. Acho que eu e Gaara não passamos de castigo para ele. Sigo e somente o alcanço na recepção. A moça que está atrás do balcão informa o médico responsável pelo telefone fixo sobre a presença do responsável legal pelo internado.
— Senhor o médico responsável pelo seu filho estará aqui em questão de minutos para informar sobre tudo. Não poderá ver seu filho pois não é horário de visita. – Seu sorriso de recepcionista se desmancha conforme meu pai demonstra impaciência.
— Senhorita onde meu filho está? Não quero saber se é horário de visita ou não, vou vê-lo de qualquer maneira. – Diz sem se exaltar e antes que a pobre mulher diga algo o médico se aproxima cansado.
— Senhor Sabaku por favor me acompanhe. – Diz e começa andar para o setor de internações, pensei que não poderíamos ver Gaara. O silêncio no corredor branco é horrível, mas o médico resolve se manifestar finalmente. – Senhor seu filho estava na UTI até ontem, mas foi transferido para o quarto comum, estamos indo para lá.
Unidade de Terapia Intensiva, o que aconteceu com ele? Deve ter sido muito grave. Minha garganta resseca e a vontade de perguntar tudo que diz respeito a Gaara é enorme, mas a frieza do meu pai me impede. Não esboçou nenhuma reação quando o médico disse onde seu filho estava. Chegamos em frente a uma porta igualmente branca como todas.
O médico a abriu e entrou logo em seguida sendo seguido pelo meu pai. A porta ficou aberta, mas não o enxergo daqui. Admito que estou com medo de entrar e encontra-lo todo machucado. Gaara sempre se meteu em brigas era a única coisa que sabia dele até então.
Finalmente a coragem que faltava chega quando escuto o médico dizer algo sobre Gaara. Preciso escutar pois da boca do meu pai não vai sair nada. A cama vai aparecendo conforme caminho, meus olhos começam a arder. Não sou próxima de Gaara, mas ele é meu irmão no final das contas. Finalmente vejo seu rosto e sinto o alivio de saber que está aparentemente inteiro.
— Senhor o que aconteceu com seu filho foi uma overdose, uma combinação de álcool com cocaína senão fosse socorrido a tempo ele iria a óbito. – Overdose? Fito ele na cama quieto e dormindo. Não sabia que ele usava isso, pelo jeito não sei nada do meu irmão. Meu pai coloca as mãos no bolso e continua com aquela expressão de nada. O médico faz uma pausa para pegar a prancheta.
— Por sorte a overdose foi classificada como não fatal e seu filho irá se recuperar. A combinação entre estas substâncias, o álcool e cocaína é muito tóxica para o coração. O uso de álcool e cocaína está associado a risco de morte imediata, é 18 a 25 vezes mais alto do que se a cocaína fosse ingerida sozinha. O socorro imediato do seu filho foi essencial para sua salvação, pelo contrário não estaria mais aqui.
Meu pai desvia os olhos do médico e observa Gaara por um instante, parece imparcial com o que está ouvido. Mal me sustento em pé a cada informação que o médico diz.
— A overdose foi classificada como não fatal, Gaara não sofreu depressão total do SNC – Sistema Nervoso Central, apenas perdeu a consciência e parada cardíaca. Senhor seu filho não injetou diretamente as substâncias na corrente sanguínea, a conhecida Cocaetilino. Seu filho inalou cocaína, mas antes havia ingerido alta dosagem de bebida alcóolica.
Eu não entendo porque o médico está dizendo tudo isso, não basta dizer que Gaara vai ficar bem? Meu pai escuta com atenção, mas eu sei que está louco para deixar este lugar.
— Doutor, por favor diga logo o que tem a dizer. – Meu pai corta o médico sem hesitar, estou certa a paciência dele acabou.
— Senhor Sabaku, o que tenho a dizer é muito simples. Gaara sofreu overdose por que assim quis. Quando a droga é inalada o indivíduo pode interromper o uso quando se sentir sinais que indica que não está bem, porém seu filho não fez isso. Não é a primeira vez que seu filho inala cocaína, ele já é resistente as dosagens mínimas. Espero que o senhor tenha compreendido o que quis expressar. O aconselho manter em uma clínica, pois ele pode sofrer insuficiência respiratória e ataques cardíacos levando a óbito. Com licença.
A únicas coisas que conseguir filtrar desta explicação foram: que meu irmão era para estar morto e que ele sofreu overdose porque quis. Sento-me na poltrona de acompanhante e meu pai apenas passa a mão pelo queixo, talvez pensando o que fazer ou no que o médico disse, principalmente na parte onde expressa veladamente a tentativa de suicídio de Gaara.
— Pai o que vamos fazer? – Abaixo a cabeça para destruir a lagrima que se formava, porque tem que ser assim? Sempre tivemos tudo, mas parece que não é suficiente para Gaara.
— Temari, seu irmão não tem mais jeito. Já fiz tudo o que estava ao meu alcance por ele. – Levanto a cabeça para encara-lo, como assim fez tudo o que podia? Olho para Gaara inconsciente. Em que mundo eu estava vivendo?
— Como assim fez tudo pai? O senhor não escutou nada que o médico disse. – Não consigo engolir nada o que ele disse, fez tudo! Esse tudo não funcionou nada.
— Temari não é a primeira vez que isso acontece. Eu não vou mais insistir nesta causa perdida. – Sua frieza me causa repulsa. Olha para Gaara sem expressar o mínimo de amor, pena ou compreensão. Será que ele não entende que é culpa dele, culpa nossa?
— Causa perdida? Pai! ele também é seu filho, ele é meu irmão. – Sinto o molhado no meu rosto e perco o controle da minha voz. Como ele pode dizer isso?
— Não, não é mais. – Retira a mão dos bolsos e gira a maçaneta. Levanto-me da poltrona antes de ele sair, para dizer qualquer coisa em defesa de Gaara, mas não consigo formular nada. Observo meu irmão deitado na cama, acho que nunca o vi assim. Sempre quando iria acorda-lo ele já estava em pé, como se não tivesse dormido a noite toda.
— Não Gaara, você não é nem um pouco parecido com nosso pai. – Passo a mão no cabelo vermelho escarlate. Me desculpa, mamãe queria que fossemos amigos e era para eu ter cuidado de você. Como ela disse naquela carta, antes de morrer e antes de você nascer.
Ino Povs.
Levantar da cama está muito difícil hoje. Já está tarde, mas não consigo sair daqui, está muito confortável. Me falta ânimo para fazer qualquer coisa. Acho que é o primeiro sábado que não tenho obrigações nenhuma depois que voltou as aulas. Se fosse antigamente não estaria mais na cama e sim me preparando para sair de noite ou estaria em qualquer lugar da cidade com Sasuke, bem maquiada e sempre sorrindo. Fico feliz que isso acabou, afinal aquela não era eu de verdade.
Meu cobertor florido, a paredes cor de rosa claro, os ursinhos de pelúcia espalhados por todo canto, preciso me livrar disto. Tudo isso me faz recordar de como eu era, da vida que levava. Óculos de lentes cor de rosa, assim era o mundo aos meus olhos. Escuto batidas na porta, deve ser meu pai.
— Pode entrar. – Digo sorrindo, a última vez em que meu pai entrou sem bater eu estava trocando de roupa. Foi uma confusão, depois disto nunca mais entrou sem bater. A porta se abriu e por ela entrou o homem número um da minha vida.
— Bom dia senhora dorminhoca, não vai levantar daí? – Balanço a cabeça em sinal negativo, ele me olha fazendo uma careta e senta sem na cama. Fica em silêncio isso não é comum nele. Deve estar querendo dizer algo, sempre que faz isso é algo complicado.
— O que foi pai? – Ele pega em minha mão e crispa os lábios. O que será que aconteceu desta vez?
— Ino eu queria conversar sobre você. – Franzo o cenho, conversar sobre mim? O que poderia ser dito sobre. Aguardo em silêncio para que ele continue.
— O que aconteceu com você filha? Quero dizer, eu sei o que houve, mas isso não é motivo para você deixar de ser quem era. Uma jovem alegre, que tinha amigas e sempre estava sorrindo. Onde está a Ino que me deixava de cabelos em pé?
Ele ri passando a mão no meu cabelo. Como assim pai? Por que isso agora? Acho que estava na hora de crescer, de deixar de ser inconsequente.
— Ino, você não precisa ser assim. Não precisa ter tantas responsabilidades, você está adiantando sua fase adulta. Pense nisto. Eu quero minha filha de volta, aquela que estava sempre maquiada e feliz, a qual que ninguém maltratava.
— Pai, eu cresci. Não quero ser mais deste jeito. – Meu pai está certo afinal, antes de tudo eu era valente. Em outros tempos jamais Karin falaria daquele modo e sairia ilesa.
— Ino eu não estou falando para você deixar de lado o que você aprendeu, mas não precisa ser deste jeito. Você não sai mais, não vejo suas amigas, sempre está quieta ou pensativa demais. Uma das melhores fases da sua vida está passando e você não está aproveitando como deveria, depois não diga que não avisei.
Ele beija minha testa e vai porta a fora. Se ele soubesse que não sobrou ninguém ou que não tenho mais onde ir. Porém ele está certo, não é porque tudo se foi ou está ruim eu tenho que ser assim. Não que eu não goste, mas já fui mais feliz.
— É acho que você está certo pai, está na hora de eu voltar, mas agora em uma versão melhorada. – Se fosse fácil assim! Mas vai ser mais difícil se eu não começar. Levanto-me da cama e vou até meu espelho.
Meu rosto pálido demais, olheiras aparentes, meus lábios ressecados. Nossa como deixe me chegar neste ponto? Pego o batom vinho, meu favorito e aplico sobre os lábios apenas para teste. É sinto-me bem! Sorrio abertamente com o resultado que consegui.
Vinho, essa cor me fez lembrar dele, por conta do cabelo. Será que ele está bem? Não fui mais ao hospital desde daquele dia e não vi mais Rosanna. Espero que sim, acho melhor não ir ao hospital, afinal sou apenas uma colega de classe. Rosanna me informará, aliás pensando em Rosanna não sabia que era madrasta da TenTen. Que mundo pequeno, melhor dizendo que cidade pequena.
Hinata Povs.
Finalmente o esperado sábado chegou! Admito que estou muito ansiosa, mas tenho certeza que vai dar tudo certo. Kiba é excelente rapaz, confio nele.
Olho pela janela o tempo está mudando, espero que não venha chuva. Olho-me no espelho novamente. Estou tão parecida com elas, as garotas lindas e populares da escola. Usando o delineador tão costumeiros sobre os olhos da maioria. Não costumo usar maquiagem, na verdade não uso, mas abri uma exceção. Quero que Kiba me aprove.
Isso parece tão absurdo, essa ansiedade para ver um garoto com o qual convivo todos os dias, mas é diferente! É um encontro ou quase isso. O vestido regata azul escuro é ajustado na cintura por uma tira de tecido da mesma cor do vestido, ela está me apertando demais, mas vai permanecer assim. O vestido nem chega atingir os joelhos, é um pouco curto.
Eu não sei se é certo o que estou fazendo, afinal ele me chamou para sair pelo jeito que sou, pelas roupas que uso. Não vejo nada de errado com minhas roupas, mas outras pessoas sim. Minha franja está grande demais, talvez seja melhor prende-la ou não. Ando muito indecisa.
Será que ele vai gostar? Estou parecendo aquelas garotas que só pensam em arrumar um namorado. Namorado, acho que a uma possibilidade, não sei, entretanto porque não? Sei que meu pai aprovaria e pensando nele, nem ao menos pedi permissão. Ele apenas volta segunda e me esqueci de avisar. Prendo o cabelo em um coque alto apenas deixando a franja solta. Olhando no espelho meus lábios estão apagados, melhor passar algo. O hidratante é o mais apropriado, mas por que não o batom? Passo nos lábios a tonalidade rosa, ficou um pouco forte, mas não vou retirar.
Suspiro mais uma vez antes de olhar para o relógio. Oito e meia, está na hora de ir, não quer chegar atrasada. Visto minhas sapatilhas pretas, não consigo usar aqueles saltinhos e vou para o andar de baixo apenas com uma bolsa pequena em mãos. A cada passo que dou minha animação aumenta, tenho certeza que vai ser algo muito agradável.
— Oh, está linda querida. – Antes mesmo de terminar de descer as escadas Nane me elogia. Agradeço com um sorriso enorme, ela não mentiria para mim.
— Obrigada. – A agradeço abertamente, ela sempre foi uma mãe. Vou para a porta principal, o motorista deve estar me esperando e eu não gosto de fazer ninguém me esperar.
— Hinata não vai levar o casaco? O tempo está instável, seria apropriado. – Antes que eu saia Nane me faz recordar deste detalhe. Ai, tomara que não chova.
— Acho que não a necessidade. Não irei demorar muito. – Seu sorriso amável é fixo no rosto, mas a preocupação em seus olhos é visível.
— Não se preocupe Nane, eu vou estar bem. É o Kiba, meu amigo. – Dou um beijo em sua face envelhecida não sei o que farei quando ela se for.
— Está bem, vou ficar te esperando. – Ela me solta do abraço e eu finalmente saio pela porta. O vento ameaça a levantar o tecido leve do vestido, acho que não foi uma boa ideia. Mas logo chego no carro.
— Oi Dimas, você pode me levar neste endereço? – Abro a bolsa e entrego o endereço que Kiba me deu sexta-feira após as aulas. Não sei onde fica, não costumo a sair muito.
— É claro senhorita Hinata, está encantadora. – Agradeço o elogio com um aceno de cabeça, confesso que fiquei envergonhada. Entro no carro e espero Dimas ir. O motor do carro ronca e minha barriga gela. Será que é demais? Olho para o retrovisor, estou bonita.
Logo as arvores começam a caminhar, melhor dizendo começam a ficar para traz. A iluminação fraca da rua deixa a cidade e uma claridade suficiente para deixa-la bonita. O tempo passa rápido e o carro está lento demais. Depois de um tempo o carro para, acho que chegamos. Olho para o local aparentemente calmo. Com carros estacionados e jovens bebendo e fumando.
— Dimas tem certeza que este é o endereço? – Questiono o motorista idiotamente, é claro que ele sabe que é o endereço correto, mas este lugar não é calmo como Kiba disse. Bom talvez hoje o movimento esteja mais forte.
— Tenho sim senhorita. Quer que eu a busque que horas? – Ele me olha pelo retrovisor meio relutante em algo. – Ah eu irei voltar com meu amigo Dimas, está livre hoje e desculpe por fazê-lo me trazer além do seu horário.
— Imagine senhorita, não foi incomodo nenhum. – Faço sinal positivo com a cabeça. Tem dois motoristas em casa, mas um foi viajar com meu pai e então Dimas foi gentil em me trazer. Desço do carro e não consigo pensar em mais nada. Não consigo ver Kiba, talvez ele já esteja lá dentro, pois acho que vai chover em questão de minutos.
Caminho até a lanchonete, as pessoas que estão aqui me olham estranhamente. Acho que é a roupa, não deveria ter me vestido assim. Meu estômago começa a arder, não deveria ter aceitado isso. Conforme me aproximo consigo destingir alguns rostos, alunos da escola.
Entro pela porta principal, o local é espaçoso e tem bastante gente. Alguns grupos sentados sobre a mesa e rindo muito. Não me sinto muito confortável, mas irei encontrar Kiba já, já.
Passo os olhos pelo local a procura dele, mordo meus lábios quando não encontro. Ele deve estar do outro lado. Uma mesa vazia perto da janela me convém. Se Kiba não chegou ainda ele vai me enxergar deste lugar.
— Vai querer o que benzinho? – A garçonete me arranca dos meus pensamentos, onde está Kiba? – No momento não, obrigada. A senhorita teria horas?
Questiono o horário, tenho certeza que não estou adiantada e muito menos atrasada. – Oh querida, senhorita? São nove e dez, quando quiser algo é só assoviar.
Ela sorri e deixa me sozinha, algumas pessoas me observam sorrindo, talvez seja melhor ir embora, mas ainda é cedo. Só se passaram dez minutos, Kiba deve estar chegando. Olho dentro da minha bolsa pequena, não tem nada que eu queira no momento, mas faço isso para disfarçar quando estou nervosa. Suspirar não foi a ideia, mas estou muito nervosa.
Olho para o local mais uma vez e para minha surpresa Sasuke está aqui. Calma, Kiba disse que o pessoal da escola não frequentava o local. Ele não me viu, pois sua namorada sentada no seu colo atrapalha sua visão. Suas amigas também estão aqui, na verdade muitos dos alunos populares estão aqui.
Volto minha atenção para frente e ao fazer isso encontro Kiba. Ah, finalmente! Meu alivio é imediato. Talvez não seja o tipo de encontro que pensei ser, acho que é entre amigos. Ele finalmente me nota, aceno para ele discretamente colocando meu melhor sorriso no rosto. Ele bebe a cerveja que estava ao seu lado e começa a andar em minha direção.
Respiro fundo, eu não sei o que devo fazer. Levantar me ou continuar sentada ou muito menos o que dizer. Cada passo seu sinto meu estômago arder. Será que ele vai gostar de me ver assim?
Quando ele chega mais perto seu sorriso fica visível e seus olhos fixados em mim. Mordo meu lábio inferior, acho que estou começando a me apaixonar. Seu sorriso some, o que será que aconteceu? Seus olhos saem de mim e fita a frente, deve ter acontecido algo. Espero ele sentar, mas ele passa direto pela a mesa. Como se eu fosse uma estranha.
Por que Kiba está agindo assim? Sigo o com o olhar e ele vai até um grupo de meninos. São seus amigos? Minha garganta arde conforme as risadas começam. Kiba bate sua mão com do outro rapaz em comemoração. Eu não acredito, eles me olham rindo muito. Olho para os outros que também estão rindo. Minha mente grita que tem algo errado. Agora entendi, só não passou de ser uma brincadeira boba.
É uma mágoa
Nada mais que uma mágoa
— Você acha mesmo que ele estava interessado em você? Acorda garota. – Meus olhos ficam embaçados e não consigo ver quem disse isso. Limpo meus olhos e encontro a garçonete com uma expressão de penas na face enquanto segura a bandeja e mastiga seu chiclete. Isso está sendo doloroso.
Te pega quando é tarde de mais
Te pega quando você está triste
Todos estão rindo de mim? Estou sendo a palhaça da noite. Levanto me rapidamente, não aguento e não quero mais ficar aqui. Quando saiu a chuva está muito forte e as ruas desertas. Isso está doendo mais que eu pensei que doeria.
É uma brincadeira boba
Nada mais que uma brincadeira boba
Ficar na chuva fria
Sentindo-se como um palhaço
Nunca mais quero vê-lo, não quero ver ninguém. Como pude ser tão idiota em pensar nesta possibilidade. Ingênua, não passo de uma ingênua. Isso doí demais, ser enganada.
É uma mágoa
Nada mais que uma mágoa
Ama-lo até os braços quebrarem
E ele te decepcionar
Não é certo te amor para compartilhar
Quando você descobre que ele não se importa com você
Eu só quero voltar para casa e nunca mais sair dela. Estou encharcada pela chuva e muito distante de casa, meus olhos ardem muito. Para que enxugar as lágrimas Hinata? Por que? você está na chuva feita uma palhaça com o coração e orgulho esmagados no asfalto. Deveria ter desconfiado, eu sei que populares sequer olha para uma pessoa como eu, fui uma idiota.
Não é sábio precisar de alguém
Tanto assim como eu dependi de você
É uma mágoa
Nada mais que uma mágoa
Te pega quando é tarde demais
Te pega quando você está triste
É uma brincadeira boba
Nada mais que uma brincadeira boba
Só não entendo por qual motivo ele fez isso? Eu realmente cheguei pensar que alguém gostava de mim, pela primeira vez e me enganei feio. Deveria ter dito não, deveria ter me afastado, mas agora já é tarde demais. Sou a palhaça e ponto.
Nada mais que uma brincadeira boba
Ficar na chuva fria
Sentindo-se uma palhaça
Não é certo ter amor para compartilhar
Quando você descobre que ele não se importa com você
Não é sábio depender de alguém
Tanto assim como eu dependi de você
Como vai ser agora? Como vou dizer as pessoas que me amam que fui uma idiota? Mas isso doí tanto. Correr agora é a melhor e única alternativa que tenho, mas nem isso consigo. Estou machucada demais para esta possibilidade.
É uma mágoa
Nada mais que uma mágoa
Amá-lo até os braços quebrarem
E então ele te decepciona
É uma brincadeira boba
Ficar na chuva fria
Sentindo-se um palhaço
Isso é terrível demais. Ele foi muito cruel em fazer isso e mal tenho vontade de soca-lo. Eu juro que pensei que as coisas poderiam se diferentes. Tento abafar o choro alto, mas não tem ninguém aqui para escutar, nesta estrada deserta. Estou sozinha, como sempre.
É uma mágoa
Amá-lo até os braços quebrarem
E então ele te decepciona
É uma brincadeira boba
Ficar na chuva fria.
Eu não sei por que eles são assim, nunca quiseram ter contato comigo e eu deveria ter desconfiado desta aproximação. Eu não vou confiar em mais ninguém. Maldição! Tudo o que queria é chegar em casa ou não. Não quero ouvir perguntas sobre o que aconteceu e muito menos fazer Nane chorar por mim, já me basta.
Esse foi um golpe duro de receber e mal consigo parar de chorar, feito criança. Sinto tanto frio, fecho meus olhos, eu só quero esquecer. Pensar que tudo isso apenas foi um pesadelo ruim, mas ainda sinto a chuva fria tocar minha pele.
Isso doí tanto e eu estou sozinha. Diga algo sobre isso? Eu não quero mais nada, o que aconteceu foi demais para aguentar. Desmancho meu penteado. E sabe o que foi pior em tudo isso? Pensar que agora tudo irá ficar bem. Ao menos a chuva vai tirar a maquiagem que fiz e quando olhar me novamente no espelho, não vou sentir tanta vergonha como agora. Perco a noção do tempo, não sei mais que horas são e não faço questão em saber. A chuva perdeu intensidade e agora trata-se apenas de um chuvisco.
As luzes da cidade iluminam o asfalto, a única coisa que consigo olhar, meu choro já se foi cheguei à conclusão que ele não vai apagar ou melhor nada. Paro e mais ao longe consigo ver minha casa, tudo o que eu queria era não ter saído dela. Eu não sei como vai ser daqui para frente, só tenho a certeza que os tempos bons já se foram.
Sento-me na calçada e alguns carros passam pela avenida velozes. Eu não sei mais de nada, não tenho nem se quer amigas para ligar chorando ou para quando chegar o dia seguinte uma delas tirarem satisfações com o patife, como nos filmes.
Levanto e vou para casa não quero mais pensar no que aconteceu, isso agora não vai passar de uma mágoa, apenas uma mágoa.
Fale com o autor