Notas iniciais
Boa leitura queridos. Desculpem me pela demora. Troquei a sinopse, acho que agora está mais compativel.

O vento rasga meu rosto, essa sensação de liberdade e adrenalina faz me sentir vivo, como se a realidade não existisse e o único momento que importa, é o agora. Coloque na segunda marcha e acelere, isso te fará ficar em primeiro lugar até a primeira curva. O motorista do Opala preto na minha frente, ira comer a poeira do meu V8 em questões de segundos, coloco na primeira marcha quando a curva está próxima, a descida do almirante de Konoha nunca me pareceu tão tortuosa, quanto mais curvas melhor. O ronco do motor anuncia a hora, alcanço o possante preto deixando-o lado a lado com meu. É agora, a estrada é larga, mas não o suficiente para permitir a passagem de dois carros ao mesmo tempo. Um terá que ceder e não serei eu. O motorista do Opala não me parece seguro, perfeito, segurança é a chave de tudo. Acelero mais um pouco e consigo atingir o ápice da curva, freio e o volante gira com brusquidão para o lado esquerdo, fazendo as rodas do carro acompanharem o movimento, obstruo a curva com meu carro deslizando de lado, como uma patinadora no gelo. O momento me faz esquecer de tudo, ou quase. A curva se acaba e a rua se estreita ainda mais, retorno a posição inicial e pelo retrovisor consigo ver meu adversário comer poeira. Poderia sorrir agora, mas comemorar antes da vitória atrai azar. Acelero ainda mais meu Corvette e mais alguns quilômetros consigo ver a rua que corta a cidade ao meio, rua que some no horizonte deixando tudo para trás. A vontade de seguir até o seu fim e tentadora. Porém ainda tenho uma corrida para ganhar. O curso é simples, ainda mais pelo horário que não se encontra nenhum pedestre nas ruas. Descer do ponto mais alto da cidade, ou seja, do almirante e ir até a placa que anuncia aos motorizados da cidade onde começa o perímetro urbano, ou seja, no começo da cidade, chegar até este ponto e voltar para o Almirante. Sigo pela rua principal e não vejo pedestres, não sei se é devido a velocidade do carro ou pelo fato de ser três horas da madrugada. Tsc, isso não me importa agora, não consigo achar Hidan com seu carro pelo retrovisor, isso indica que ou ele trapaceou ou ficou muito para trás, alternativa número um, é claro que ele deve ter trapaceado, como sempre. Após minutos alcanço a placa e um pouco da plateia está mais a frente com seus carros, apenas esperando ver quem realmente veio até a placa e entre eles está Deidara, um dos organizadores de racha na cidade. Faço o carro virar sem dificuldade e sigo novamente pelas ruas que já corri. Passa pela outra mão um motorista furioso. Vamos lá Hidan ou você quer perder seu Opala para o Uchiha aqui?

Certifico se o Opala chegou até a placa pelo retrovisor do carro já distante, observo as ruas laterais e percebo que elas levam a bairros bem distintos do bairro Europa. A vulnerabilidade social é evidente, um dos bairros onde ela morava. Se fosse como antes, ela estaria lá, com shorts jeans curto e camisa justa esperando seu namorado ganhar a corrida, mas agora deve estar dormindo ou em qualquer canto da cidade mais distante possível da minha pessoa. Ino, você já esteve em tempos melhores, no tempo que você era minha. A curva que passei a poucos minutos atrás já está a pouco metros na minha frente, mais alguns quilômetros vou vê-la com sua saia curta e sua blusa absurdamente justa. Mas está não é loira e muito menos tem olhos azuis, é eu lhe substitui Ino, o mais rápido que pude e não me arrependo disto, não por enquanto, afinal não iria dar certo.

A vontade que eu tenho e acelerar o carro e não parar mais quando vejo a aglomeração de jovens bebendo, fumando, dançando enfim fazendo a maior algazarra possível, só aumenta. Quando veem meu carro eles vibram como loucos, é claro excluindo os amigos de Hidan, este que chega poucos minutos atrás. Estaciono o carro e o pessoal vem em cima como formiga vai em cima de açúcar. Os parabéns começam por ter ganho a corrida. Tento sair do centro e a vejo esperando alegre sentada em cima do carro com suas amigas ao seu lado bebendo no gargalo da garrafa. Seu cabelo vermelho está preso em um rabo de cavalo.

— Ei Uchiha. – Me forçam a sair de minha observação em cerca da minha mulher, viro-me para trás e vejo a figura de cabelos brancos. – Seu carro está te esperando. – Hidan me joga a chave do Opala e sorri, afinal ele é um homem de palavra e este foi o trato, quem perdesse a corrida ficaria sem o seu carro, como no caso dele.

— Quem sabe na próxima. – Jogo a chave do carro para seu respectivo dono que a pega no ar sem dificuldade. – Melhor de três, mas não hoje, tenho uma máquina melhor me esperando. – Aponto para trás fazendo referência a Karin. Hidan sorri e eu lhe dou as costas indo até a ruiva.

— Uchiha as mulheres irão te matar um dia. Melhor de três. – Escuto Hidan gritar. Quando este dia chegar, eu dou um jeito, mas até lá vou aproveitar.

— Querido você arrasou, como sempre! – Entrelaça seus braços em volta de eu pescoço me presenteando com um beijo caloroso, após isso olho além dela que começa a falar coisas triviais e ao longe vejo as sirenes subindo até o almirante por uma rota alternativa, droga a polícia chegou!

— Vamos Karin, temos que sair daqui a polícia chegou. – Mal termino a frase e a movimentação dos carros e das pessoas correndo começa, Karin entra no carro enquanto suas amigas somem com outras pessoas. Ligo o carro e saio em disparada pela via alternativa.

— Sasuke o que você está fazendo? A polícia está vindo nesta direção, vamos ser pegos! – Ás vezes penso que ela poderia falar menos, então ela seria a namorada perfeita, é obvio o que a polícia está planejando.

— Karin, aposto que são apenas duas ou três viaturas, mas se formos pela rota principal a estrada estará bloqueada. – Constato minha suposição quando vejo apenas duas viaturas da polícia, será fácil despista-la. Alguém deve ter denunciado o racha, para a polícia vir tão segura de si, como disse segurança é tudo, já foi capturado uma vez e não vou passar pela a humilhação do meu pai com seus sermões sobre disciplina e educação, como da vez que ele foi pagar a fiança. Acelero ainda mais quando as duas viaturas me localizam, a estrada é de terra fazendo o carro se desequilibrar a cada buraco, recebo uma batida na traseira por uma das viaturas e vejo a outra vir pela lateral, droga, pelo visto meu carro será detonado se eu não agir rápido, mas fica difícil elaborar alguma coisa com Karin aos gritos, mulheres!

Já que meu carro está com a traseira danificada não vejo mal danificar um pouco mais, acelero e dou ré fazendo a viatura se afastar um pouco com a batida que receber, dou partida para frente e em questões de segundos a outra viatura ira bater na lateral do meu carro, mas só se eu permitir. Giro o volante ao ponto de virar meu carro na lateral, freando. A viatura que iria bater na lateral acertando o lado do carona acaba por acertar a traseira já danificada, droga como irei explicar ao senhor militar Uchiha Fukagu a lataria amassada? O ponteiro que indica a velocidade do carro só tende a aumentar e quando percebo já estou na área plana da cidade, ótimo agora só falta despistar as viaturas com frentes amassadas.

Entro em um bairro que pouco frequento e em questão de segundo vejo outro carro que disputa racha numa velocidade mortal, mas me engano ao pensar que o dono do automóvel aposta racha, não que eu saiba, forço meus olhos além das arvores de troncos finos e vejo o aluno novo da mesma classe que eu em um Dodge Charge, sem dúvida o cara dirige bem, mas não o lembro de ter visto no almirante.

Decido ir em direção oposta a dele, já que uma das viaturas que me seguiam foi atrás dele, Karin finalmente se acalma e o medo que sentia se transforma em excitação, se é que isso é possível. Agora é fácil, mas duas quadras e o policial não me captura. Vou para a fábrica abandonada da cidade, onde pode-se passar sem dificuldades pelos latões abandonados e espalhados por todo lado, mas só passa sem bate-los que conhece a área. Castigo ainda mais o acelerador do carro que faz o motor rugir. Desvio de uns latões e me perco entre eles, desligo o carro que cessa o barulho em segundos, a viatura ronda o local procurando uma viela por qual eu tenha passado, nem desconfiam que estou dentro da fábrica abandonada e com certeza não se darão o trabalho de dirigir entre os latões. Após uns segundos escuto a sirene se afastar e jogo a cabeça para trás em sinal de alivio, foi por pouco, mas escapei. Fecho os olhos e começo a pensar em como vou arrumar a lataria do Corvette antes que meu pai veja o estrago, porém sinto um peso sobre minhas pernas.

— Depois desta você merece tudo. – Abro os olhos só para ver o que eu já deduzi Karin está de frente para mim com as pernas abertas sentada em meu colo. E sua blusa já não cobre seu tronco, rápida como sempre, o sutiã vermelho combina com as mechas vermelhas do seu cabelo, puxa minha camisa branca numa tentativa de tira-la, não consegue até que eu permita levantando meus braços para puxa-la para mais perto. Com uma alavanca embaixo do banco o empurro com o corpo para trás, para obter mais espaço. Karin beija meu pescoço e o mordisca, sempre achei isso desnecessário, então a retiro do seu divertimento, logo em seguida calando-a com um beijo, antes mesmo de ela questionar o motivo por tê-la afastado. Ela me conhece o suficiente para saber que não aprecio enrolações, tenho objetivos e gosto de cumpri-los o mais rápido possível. O pedaço de jeans que a cobre roça em meu quadril fazendo algo que ela adora ficar mais acordado. Retiro seu sutiã e seus seios ficam totalmente a mostra, o lábio inferior dela é castigado pelos seus dentes superiores quando enfio minha mão em seu short, já prevendo o que vem em seguida, separo dois dedos e afasto a calcinha de tecido fino para o lado, sua boca próxima ao meu ouvido escuta seu gemido baixo quando a penetro rapidamente e giro meus dedos devagar para não machuca-la. Seus suspiros começam a soar em meu ouvido, conforme o carinho se intensifica. Com a mão esquerda que me resta aperto seu seio direito com vontade. Beijo seu pescoço, mesmo que eu não aprecie isso, mas ela anda merecendo. Porém ela puxa meu braço fazendo-me retirar a mão da sua intimidade.

— Eu quero outro. – Sua voz carregada de desejo sussurra em meu ouvido, é claro que quer. Me beija com vontade enquanto suas mãos entram em minhas calças e em pouco segundos o que ela tanto deseja está em sua mão. Rapidamente ela retira sua peça de baixo apenas deixando a calcinha vermelha, esta que é afastada para o lado com velocidade, fecho meus olhos pelo o que vira em seguida, mordo meu lábio inferior para conter qualquer sussurro que for. Sinto meu pênis preencher a cavidade de Karin. Que lança um sorriso travesso, começa com um leve rebolar e minha respiração se descompassa denunciando minha satisfação, o movimento fica cada vez mais brusco e veloz, fecho meus olhos brevemente e quando os abro, vejo o sobe desce mínimo dos seios da ruiva que apoia uma mão em meu ombro e outra na lateral do carro. Seus ruídos ficam cada vez mais altos e um sorriso toma-lhe o rosto quando apoio a minhas mãos em seu quadril, ajudando-a na tarefa de descer e subir. Percebo que em poucos minutos ela irá chegar a seu ponto máximo e eu também não ficarei atrás.

— Gosta disto Vadia? – Minhas palavras soam entre cortadas quando a velocidade do movimento é aumentada, seu arfar aumenta denunciando seu ápice. Fecho meus olhos quando estou preste a atingir meu ponto máximo.

— Vadia? A sua vadia. – Karin diz entre sussurros e sinto seu corpo vibrar levemente.

Não esquece que sou sua vadia Sasuke, a sua vadia!

Como um lampejo as palavras ditas por Ino com olhos cheio da água invade minha memória, abro meus olhos rapidamente e vejo Karin suada em cima do meu membro. Droga, por que tenho que lembrar dela agora?

— Sai Karin. – Peço para a ruiva sair de cima, ela para os movimentos e fica confusa sem entender, minha vontade acabou em um estalar de dedos, a palavra vadia me fez lembrar dos velhos tempos. – Sai agora. – Grito com ela que obedece sem questionar e senta-se no banco ao lado. Abro a porta do carro e termino o que estava preste a terminar. Droga, eu a odeio. Após uns minutos entro no carro sem dizer nada. Karin já está vestida e apoia a cabeça no vidro da janela fumando seu cigarro em total silêncio. Começo a dirigir novamente em direção ao nosso bairro. Já havia acontecido isto antes entre nós e ela nunca questionava o motivo daquilo, o de não gozar dentro dela. Mas desta vez o motivo era outro e acho que ela deve ter percebido, mas a vontade de ficar sozinho é maior que tudo agora, até mesmo de consolar Karin. Após um tempo estaciono em frente da casa dela e espero ela descer.

— Não quer dormir aqui hoje? Meus pais estão viajando. – Sua voz um pouco rouca anuncia seu desejo, fito o relógio de pulso verificando as horas, tsc.

— Já são cinco e meia Karin, as aulas começam as sete horas, irei para casa. – Vejo ela concordar com a cabeça. – E seu carro, quer deixar ele aqui? – Faço que sim com a cabeça. – Tudo bem, então pode entrar. – Karin fecha a porta que havia abrido. Ligo o carro e levo-o até a garagem, descemos após desliga-lo.

— Até daqui a pouco Sasuke. – Se afasta e vai em direção as escadas, levanto a sobrancelha esquerda em questionamento a raiva que Karin deve estar sentido.

— Até! – Saio da residência da ruiva partindo em direção a minha casa. Não gasto nem meia hora para chegar em casa já que as residências são próximas. Entro pelos fundos e subo as escadas sem fazer barulho, afinal não desejo ser pego em flagrante por nenhum integrante de casa. Abro a porta do meu quarto e me jogo na cama, já são seis horas, quinze minutos de sono irá me fazer bem.

Sakura Povs.

Vamos baby, levante da sua cama e se anime porque hoje é sábado. Eu não sei porque insisto em manter está linha de pensamento positivista, hoje ainda é sábado? Por raios parece que esta semana é a mais longa da história. Vamos lá baby, levante-se da cama porque já são seis horas e você está atrasada lembra? Atrasada deveria ser meu segundo nome, acho que fica até melhor, Sakura Atrasada do que Sakura Haruno.

Vamos rir, porque rir é o melhor remédio as vezes, mais melhor mesmo é tomar antibiótico em grande quantidade e ficar meio dopada, então você encontra graça em qualquer coisa. Me levanto da cama e olho para o relógio na parede, como ele é lindo! Com seu ponteiro menor no número seis e o maior no número quatro. Como é bom não ter aulas ao sábado, então não estou atrasada e não preciso levantar meu corpo da cama antes do meio dia. A não ser pelas batidas na porta do meu apartamento, não acredito, porque não solicitou minha presença humilde ontem, pois então eu já me encontrava de pé e pronta para batalha. Faço um bico enorme quando percebo que as batidas na porta não cessão, já que o plano era fingir não estar em casa e continuar de baixo do cobertor, droga, droga, droga. Olho-me no espelho para certificar minhas roupas, afinal não quero parecer nua para seja lá quem for que está quase derrubando minha porta.

Arrasto-me até a entrada com meus cabelos desgrenhados e meu pijama curto de cor desconhecida, pois coloquei meu pijama antes branco para lavar junto com peças coloridas, resultado o pijama está todo manchado de várias cores, uma peça exclusiva da famosa estilista Sakura! Eu já disse que deveria parar com este positivismo? Acho que não.

Abro finalmente a fortaleza do meu castelo encantado que impossibilita a entrada do príncipe valente que veio me resgatar do que sei lá que bicho.

— Bom dia Sakura – Não é que o príncipe veio mesmo. Arregalo meus olhos quando minha ficha cai, na minha frente está o vizinho novo, o aluno novo devidamente vestido com peças pretas e uma blusa de frio cinza olhando me sem expressão alguma e certamente rindo internamente pela minha aparência. Meu Deus!

— Oi eu posso ajudá-lo em algo? – Ele deve pensar que tenho problemas mentais para me olhar deste jeito ou ele é um robô que veio do futuro para me exterminar. Vejo ele acender um cigarro e guardar o isqueiro no bolso, será que ele sabe que temos que passar por detectores de metal na escola? Ah, hoje é sábado não tem aula.

— Está tudo bem com você? – Saio dos meus devaneios quando a voz séria demais rasga a garganta do rapaz, é combina com ele, mas pensei que fosse mais relaxado, ser paz e amor por ter este cabelão e tudo mais, pelo visto minha conclusão foi errada. Sua sobrancelha esquerda levanta-se em questionamento em relação a algo desconhecido. Até eu me dar contar que estou demorando demais para responder sua pergunta, meu Deus que gafe Sakura. Por isso que você não tem namorado.

— Ah, é claro, está sim e porque não estaria não é? Pensando bem foi você que veio até aqui, então suponho que é você que está com algum problema. – Observo seu rosto voltar a seriedade habitual, creio eu e finalmente minha fixa cai, outra vez, nem ao menos o convidei para entrar.

— É gostaria de entrar no meu castelo? Quero dizer casa? — A maldita sobrancelha levanta-se novamente, ai que crueldade, eu estou parecendo uma retardada, eu disse para dona Marieta não me dar remédios para dor de cabeça, olha só o que ela fez comigo.

— Não obrigado Sakura, na verdade estou precisando de algo sim, mas isso a dona Marieta irá me auxiliar. – Fez uma pausa e me olhou da cabeça aos pés e depois esbouçou um sorriso rapidamente, é né senhor não sei o nome porque não lembro, gostou do que viu, pode dizer. Eu sei que poderia estar melhor, mas é o que tem para agora, contente-se.

— Eu perguntei se você estava bem, pelo fato de ainda estar de pijama. – Ele falou sem expressão nenhuma. Ah então era isso que ele estava olhando, meu pijama? – E bom hoje tem aula e pelo que me lembro você não pode chegar mais atrasada e a dona Marieta me fez subir aqui para chama-la.

Aula, atrasada, Marieta, quem é Marieta? Vejo ele se afastar e encostar na parede do corredor enquanto encosto no batente da porta.

— Qual é o seu nome? – Ele percebe que estou conversando com ele e para de fitar o relógio de pulso de aparência cara.

— Neji, bom eu estou indo, você quer... – Por um momento eu pensei que ele iria me oferecer um carona, mas hoje é sábado e nos sábados não temos aula, seu idiota! Me faz levantar da cama pra nada, da vontade de xinga-lo, mas vai que ele resolve me bater não é.

— Neji hoje é sábado e não temos aulas aos sábados, não sei se onde você estuda anteriormente tinha, mas no Lions não tem. – Vejo ele colocar uma mão no queixo e retirar o cigarro com a outra. – Olha não querendo me meter não, mas cigarro faz mal. – Digo a ele que sorri mostrando os dentes brancos por segundos. Lanço meu maior sorriso para ele que nem se dignou a me proporcionar um similar, faço um sinal com a cabeça em despedida, pego a maçaneta para fechar a porta, ele é louco, só pode ser. Fecho a porta, mas ele coloca o pé no vão entre porta e batente, qual é garoto eu pretendo ir dormir.

— Sakura, só mais uma coisa. – A voz dele denuncia sua irritação, então decido abrir, fito sua expressão que parece estar normal. – Eu não sei se você está brincando com minha cara ou o que, mas hoje não é sábado, hoje é quinta-feira, dia 22 de agosto de 1992 e você está atrasada.

Quinta-feira? Não pode ser, eu deveria ganhar o prêmio de idiota do ano. Vejo Neji no final do corredor preste a descer as escadas, olho para o relógio em cima da porta da sala e confirmo o desastre nuclear. Seis e trinta e cinco.

— Ai caramba, eu vou me atrasar, droga de remédios. – Deixo o bonitão de escanteio, cara grosseiro, não precisava falar o ano que estou, eu sei qual é, o dia também, a única coisa que eu estava um pouquinho confusa era o dia da semana, dúvida já sanada. Volto para me castelo de areia, vamos sua retardada, você tem apenas dois segundos para o se arrumar. Ligo o chuveiro, pego o uniforme da escola mesmo, não terei tempo de escolher qualquer coisa. A água ainda está fria, mas terá que ser assim mesmo. Ai que gelo, acho que não vou mais para a escola porque vou morrer de hipotermia se a água não esquentar, escovo meus dentes em baixo do chuveiro mesmo e quando acabo está tarefa pego a bucha e o sabonete, esfrego meu corpo o mais rápido que posso. Santa erva, estou perdida, nem que eu consiga me arrumar. Não terei chances de chegar até a escola a tempo. Passo o condicionador de qualquer jeito, gastei tempo de mais esfregando o couro cabeludo. A água escorre pelo ralo cheia de espumas, estou limpa.

— Ai meus olhos, meus olhos estão ardendo demais. – Será que se eu usar a desculpa que fiquei cega por um período de tempo bem curto, tipo umas duas horas, eles perdoariam meu atraso? Acho que não, enxugo me rapidamente e visto a roupa intima de cor lilás em seguida, coloco a camisa branca com a saia de prega preta, era o único par dos uniformes separados, limpos, cheirosos e passados disponíveis. Por raios, estou parecendo uma integrante da gangue das mocreias. Pentear meus cabelos não foi difícil, já que são curtos. Pego minha mochila e saio sem comer nada, vou morrer de fome antes da nove da manhã e a culpa é toda daqueles remédios malditos. Desço e fito o relógio pendurado na porta que cede acesso a sala de costura da dona Marieta, a nossa avó falsificada. Vamos baby, pois já são nada menos do que mais, dez para sete. Vou até a lateral e pego minha bicicleta laranja, meu transporte.

— Sakura, eu lhe dou uma carona se você quiser. – Ai meu Deus, derrubo a bicicleta no chão quando o maldito do meu vizinho que me informou o ano, o mês e o dia aparece do nada. Levanto a bicicleta e a encosto na parede, viro me para o senhor grosseria.

— Não obrigada, eu irei de bicicleta. – Lanço um sorriso mais falso do que a cor dos meus cabelos, eu não conheço este homem, vai que ele é um estuprador, tenho muito o que viver ainda. Acompanho seu olhar fixo em meu quadril, que tarado, eu tenho conhecimento que está saia é um fiapo de pano, mas não vejo necessidade para olhar assim tão fixamente, uma olhadinha pode, mas deste jeito meu caro, vou chamar a polícia para você. Descido chamar lhe a atenção grosseiramente, mas ele é mais rápido que eu com a voz carregada de sarcasmo.

— Ah, você pretende ir de bicicleta, mas vire a cabeça um pouco para trás, a corrente partiu-se ao meio, não vai ter como arrumar outra agora, a não ser que tenha uma escondida por ai. – Sua seriedade me assusta, ele desvia o olhar e percebo que ele não olhava para meu quadril e sim para a bicicleta e sua correia partida ao meio, ainda bem que ele é mais rápido que eu, chega de gafes né dona Sakura.

— Me desculpe, eu não quis ser grosseiro com você, agora se quiser mesmo chegar a tempo, entre no carro, pois temos sete minutos senhorita Haruno. – Ele me deixa sozinha com meu pedaço de pano denominada saia e vai até seu carro. Me dou por vencida e sigo logo atrás. Chego na rua e me deparo com o carro do senhor grosseria e o lavo com baba, este carro sem dúvida é uma criação em tanto, mas minha curiosidade se sobre sai. Qual é o motivo dele estar morando neste lugar pobre, com muito respeito, se ele tem dinheiro para ter um carro deste porte? Suspeito.

— Vai ficar ai fora ou vai entrar? – O motor já está roncando quando percebo que ainda estou do lado de fora, idiota, não eu vou a pé. Entro no carro e ele sai em disparada, é de hoje eu não passo, vou morrer de acidente de carro, causa da morte, excesso de velocidade.

— Olha aqui. – Ele virou o rosto para mim. – Não, não olha não, olha para a estrada. Me desculpe, eu não estava tirando uma com sua cara, os remédios que eu tomei me deixou deste jeito, estava com muita dor e precisei toma-los. – Vejo ele diminuir a velocidade e virar o rosto em minha direção.

— Não tem problemas, seu sutiã lilás é bonitinho agora acho melhor você fechar o botão da sua camisa, a não ser que você queira deixar aberta. – Sinto meu rosto queimar de vergonha, como isso pode acontecer, acho que vou me isolar por um tempo depois desta. Nós chegamos em frente da escola e ele estaciona o carro no quarteirão da frente, viro me rosto para a janela, não vou olhar para ele, devo estar um pimentão.

— São três para a sete, temos que estar na sala antes da sete e cinco, então estamos no horário. – Droga Sakura, está com vergonha deste desconhecido, que se dane. Me viro e faço que sim com a cabeça, vejo ele tirar o isqueiro do bolso e abrir o porta luvas para guardar.

— Obrigada Neji. – Pego minha bolsa e saio do carro e como uma dama espero ele sair e trancar, ele traga pela última vez o cigarro e joga no chão, joga a mochila em um ombro e vem até mim.

— Não vai fechar a camisa? Pensei que você tivesse esquecido, mas agora vejo que você usa assim mesmo. – Qual é deste cara, ele só pode estar tentando me irritar, eu fechei minha camisa dentro do carro, ops. Olho para os botões e os três primeiros estão abertos mostrando meu sutiã e os seios que deveriam estar ali, mas só existe um projeto deles. Olho para cara do senhor grosseria que continua parado a minha frente e numa distância considerada curta.

— Até que fim a garota de cabelo rosa conseguiu um macho, olha só nem deu conta de fechar os botões, isso mesmo garota repõe o tempo perdido. – Isso só pode ser brincadeira, uma garota de cabelos castanhos, se não me engano o nome dela é Sasami confunde as coisas entre eu e o rapaz aqui e resolve anunciar para todos da escola aos berros. Fecho os botões novamente.

— Olha aqui, eu nem te conheço então não venha com intimidade para cima de mim ok? – Falo para o senhor grosseria e saio batendo os pés para sala, então eu percebo que os botões estão se abrindo sozinhos, isso só pode significar duas coisas. A primeira meu uniforme está pequeno, porém eu comprei está peça de roupa no início do ano letivo e segunda meus seios cresceram, ai que alegria, pelo menos uma coisa positiva neste dia que acabou de começar. Meus seios estão desenvolvendo, antes tarde do que nunca. Subo as escadas e chego em frente a sala com as portas ainda abertas e o professor ainda não está na classe, fito o relógio fixo em cima do quadro negro que é verde e as horas são sete e quatro, sete e quatro! Eu sou campeã, a primeira vez que não chego atrasada na escola e pelo visto para o espanto de todos. A sala me olha como se eu fosse algo bizarro, não que eu seja, mas eles não sabem disto.

— Olha só, não é que se ela se arrumar melhor ela fixa até ajeitadinha. – Vadia, mil vezes vadia, porque ela não cuida daquele cabelo loiro falso? Ou do seu namorado em Shion?

— Vai se ferrar garota. – Falo para desmiolada e vou para minha carteira, mesmo assim meus colegas de classe continuam a olhar, droga, acho que é a primeira vez que xingo alguém em voz alta. Logo em seguida o professor entra, como gostaria que hoje fosse o Kakashi, só para ter o gostinho de esfregar na cara linda dele que não cheguei atrasada, mesmo que Neji mereça uns créditos por esta conquista. Pensando em créditos, onde está o senhor grosseria?

Neji Povs.

Antes não tinha certeza de absolutamente nada, mas agora tenho, a minha vizinha é louca, mas sua loucura chega a ser encantadora, estranho ela não ter namorado e por que toma remédios que a deixam daquela maneira? Fora do ar, bom isso também não me importa o fato é que hoje não irei assistir aula, a doída sai batendo o pé e nem me deixou avisa-la que a dona Marieta gostaria de conversar com ela, também dane-se! Vou até a direção devagar, passos pelo detector de metal e nada desta estrutura ridícula não alerta nada e o guarda me libera. E falando de pessoas que deveriam garantir a segurança das outras, ontem a noite uma viatura com a frente amassada seguiu me por nada, está certo que a velocidade do carro estava um pouco exagerada, mas eu vi seu alvo principal, um Corvette preto que se livrou da bucha e deixou comigo, não foi difícil despista-la. Vou até o último andar onde fica a sala de Tsunade que enviou um bilhete solicitando minha presença. Bato na porta levemente e escuto sua voz pendido para entrar. Abro a porta e vejo ela sentada na cadeira vermelha mexendo na papelada, levanta seu rosto para ver quem atreve-se a perturba-la tão cedo.

— Oh, você já veio até mim, sente-se. – Não, não o que você está vendo é uma imagem projetada diretamente do futuro. Aponta para uma das duas cadeiras em frente à mesa.

— Não obrigado, espero que seja rápido senhora! – Vejo ela levantar a sobrancelha e jogar o ombro pra cima, em um sinal de tanto faz.

— Será Hyuuga, agora preciso que seu responsável legal assine uns papeis que ficou pendente da sua transferência, quando ele poderá assinar Neji? Necessito disto o mais rápido possível – Coloco a minha mochila em uma cadeira e me sento na outra, pelo tema, a conversa se estenderá alguns minutos.

— Não tenho nenhum responsável legal, meu pai está morto, era o único parente vivo que eu tinha. – Observo seus olhos se espremerem levemente e sua boca entreabrir, que decote discreto!

— Neji eu sei que seu pai faleceu e como também tenho informações suficientes para saber que ele não era seu único parente. Sua prima estuda na mesma classe que você e seu tio é dono da maior empresa de carros do país, não me faça de tola! – Pelo visto o que ela tem de seios, não tem de paciência, outra louca.

— Com todo respeito senhora Senju, ter o mesmo nome não significa ser parente em meu conceito, minhas primas e meu tio como você diz, são completos desconhecidos e pretendo continuar assim. Não são minha família, a minha família era meu pai e minha mãe.

A veia em sua testa começa a saltar, temperamento instável para uma diretora de escola. Respira fundo e volta a sua calma normal, pelo visto o estresse dela está matando-a, coisas de adultos que eu gostaria de experimentar, mas minha mostra grátis já chegou.

— Neji, eu preciso da assinatura do senhor Hyuuga, legalmente ele é o responsável por você, eu não sei qual é o seu relacionamento com ele, mas é necessário. – Relacionamento? Qual foi a parte que ela tapou os ouvidos e não escutou o que eu disse? Porque eu realmente não conseguir ver.

— Senhora, como eu disse não temos um relacionamento, aliás ele nem desconfia sobre a minha existência e eu gostaria muito que isso continuasse. – Ela levanta da cadeira e começa a andar de um lado para o outro.

— Neji, como eu disse você estuda na mesma sala que Hinata, uma menina muito gentil e você não me parece ser burro então suponho que a garota já tenha desconfiado da sua aparência similar dos seus familiares. – Faz uma pausa e volta a sentar se em sua cadeira ridiculamente vermelha, seu batom vermelho me chama a atenção por um segundo e as palavras que sairão logo em seguida é o foco principal. – Então sabendo disto você acha que é um completo desconhecido pelos seus familiares Hyuugas, seu tio a qualquer momento vai entrar por esta porta e me obrigar a falar de você, facilite este processo. Seu tio tem tudo, você vai ficar bem.

Eu não acredito que ela disse isso, meu tio tem tudo, ele não tem nada, o dinheiro, o sucesso dele não significa nada para mim. Mordo meu lábio inferior e olhos nos olhos castanhos ou sei lá que cor seria e como queria que eles não estivessem em minha frente. Levanto da minha cadeira e pego minha mochila.

— Eu não quero nada daquele cara, nada você me entendeu, foi por culpa dele e o dinheiro maldito que meu pai sofreu um grande período da vida dele e quando ele finalmente se estabilizou e eu pude ficar um pouco com meu pai, ele morreu, está me entendendo, morreu. – Percebo que estou gritando com a mulher pela sua expressão assustada, passo a mãos em meus cabelos e abro a porta.

— Me desculpe diretora, mas eu não quero nada daquele homem, na verdade quero sim, quero distância, com sua licença. – Saio pela porta e vou em direção a saída, eu não posso sair, mas quero ver quem vai me impedir, ando pelo corredor com pressa, como queria fumar agora, mas nem a droga do isqueiro está comigo, como nada.

— Neji espere, eu não terminei de conversar com você, volta aqui, pare de agir feito uma criança mimada. – Eu não acredito que essa louca está vindo atrás de mim, escuto seus gritos e seus saltos batendo contra o chão liso e verde, quem coloca piso verde? Olho para trás para tentar vê-la e quando me viro esbarro com uma pessoa de frente sinto o corpo bater contra o chão e por um segundo penso ter machucado o ser, abro meus olhos e dou-me de cara com um par de olhos castanhos arregalados, seu corpo está preso pelo peso do meu. Levanto-me e a ajudo a levantar, acho que é uma garota da mesma classe que estou inserido.

— Me desculpe pelo tombo, espero que esteja tudo bem. – O bater dos saltos altos malditos soam mais perto, bater em retirada soldado! Espero ela responder, mas o silêncio dela chega ser mortal.

— Desculpe novamente. – Alcanço as escadas e começo a desce-las rapidamente.

— TenTen, para onde foi o Neji, ele entrou em alguma sala? Obrigada e vai para classe você está atrasada. – Então este é o nome da garota TenTen. Termino a sessão de degraus e chego ao térreo, bom agora é só sair.

— Neji, me espere por favor eu quero lhe fazer uma proposta. – Me viro e encontro a diretora em carne, osso e seios na minha frente, como ela pode descer tão depressa? Freio meus passos quando o guarda do portão chama o outro, pelo que eu saiba Konoha está em um país que adota a democracia livre. Desisto e a espero chegar próximo a mim. O tom de voz antes calmo começa a se alterar, entendo como ela dirige está instituição, na base da ditadura.

— Não saia da sala sem minha permissão entendeu? Agora me escute, eu não sei nada sobre você ou que aconteceu na sua família, mas isso já passou entendeu? Se seu pai queria que você estudasse nesta cidade e porque eu suponho, que ele desejava uma aproximação entre vocês. – Ela para de falar e espera um rebatimento mas minha disposição para isso acabou, os mortos pertencem ao passado e eu gostaria que suas rixas, seus problemas fossem para o tumulo com eles, mas isso ficou comigo, meu pai não o chamou quando estava morrendo e não me fez jurar para reatar laços.

— Está bem, eu proponho uma coisa, você pode ao menos tentar? Só uma vez Neji se não der certo eu atraso suas documentações e você assina daqui um ano, mas isso irá atrasar sua vida acadêmica, por favor considere meu pedido. – O pátio extremamente vazio faz o vento parecer soberano ao silêncio quase completo se não fosse pelas palavras da Senju.

— Então atrase as documentações, enquanto atrasar minha vida acadêmica, bom na vida em geral não vamos sair vivo dela mesmos não é? O que são mais dois ou três anos, dane-se! – Dou as costas para Tsunade e vejo os guardas virem na minha direção, mas parão, olho para trás e vejo a diretora fazendo sinal para deixar me ir, ótimo, porém estranho. Ela me segue portão a fora e chega vir até meu carro, essa mulher está tramando algo e não estou nem um pouco preocupado, o que mais ela pode fazer, já me expôs ao ridículo gritando deste jeito no meio da rua.

— Dane-se e sua resposta para tudo? Então vamos se danar, mas vamos nos danar juntos. – Que linguajar inapropriado para uma diretora, mas pelo visto ela não se importa já que diz isso aos berros. Se danar juntos? O que ela quis dizer com isso?

— Neji Hyuuga, você está inscrito no grupo que irá representar a escola no campeonato de música de 93, eu não me importo se você sabe cantar, tocar, dançar ou qualquer coisa, mas você irá participar, isso será seu castigo garoto. – Depois desta pego um cigarro e coloco na boca e acendo com o meu isqueiro após pega-lo. Abro os braços e começo a rir, retiro o cigarro da boca e solto a fumaça no ar, vejo ela colocar as mãos na cintura.

— Ah é, então me conta como pretende fazer isso sua doida? Você é só a diretora desta escola de merda. – Ela fecha os punhos e bate na lataria do meu carro. Respira fundo e dá uns passos em minha direção. Puxa o cigarro da minha boca e coloca na sua o fumando. Se afasta sem devolver meu cigarro, completamente louca.

— Simples Neji, agora eu serei sua responsável legal, seu pai previu esta reação sem freio e pediu ao advogado que arrumou toda documentação para fazer uma procuração que possibilitasse eu ser sua tutora, já que conheço seu pai a décadas, sim eu conheço, conheço a família Hyuuga, conheci seu avô e sua mãe. É pode chorar agora querido, eu não pretendia ser responsável por ninguém, mas já que você insiste, que escolha eu tenho? Quando as aulas de canto, os ensaios, a tia aqui, irá te avisar. – Se afasta em passos lentos, eu não acredito nisto, pai eu não creio que o senhor fez isso, me deixou com uma louca que roubou meu cigarro. Conheceu meu avô? Quantos anos ela tem afinal.

— Ah! e eu não quero ver o mocinho fumando novamente, está me entendo? Amanhã quero você na classe de aula sem falta Neji ou eu irei até você. – Ela poderia ter dito isto enquanto ainda estava próxima, mas acho que ela tem uma certa preferência por gritar, chamando atenção de todas pessoas que passam na rua. Entro em meu carro e parto para casa, o plano de terminar as compras dos moveis por enquanto está suspenso até a segunda ordem. Hoje o dia começou agitado e ainda são oito horas, tenho que conversar com a dona Marieta. Passando por uma rua, vejo o garoto que sentou comigo a passos lentos nas calçadas, olhando de um lado para o outro, já tive este comportamento e sei muito bem o que ele irá fazer, melhor irá comprar, se não me engano seu nome é Gaara, é cara sinceramente espero que o responsável por você seja mais centrado do que a radical da minha nova tutora. Ele me vê e desvia o olhar, faço que não o vi, afinal não tenho nada ver com ele.

Hoje só quero me deitar e esquecer de tudo, não faz nem uma semana direito que estou em Konoha e parece que estou em um período de guerra. A cidade de carro parece um ovo, mas a pé parece a capital. Dobro mais umas esquinas e chego a rua onde moro. Estaciono e tranco o carro, já que quase foi furtado na primeira noite. Nos fundos vejo o vestido florido da dona do prédio, penso em subir antes que ela me peça algum favor, como buscar pão, levar o lixo e chamar algum residente, porém ela é mais rápida.

— Neji, você não deveria estar em aula? – Pensei que somente havia alugado o apartamento, mas pelo visto a cobrança e o cuidado da minha vida por alheios veio incluído no pacote. Afirmo com a cabeça e fito a escada com vontade de subi-la.

— Bom isso não é da minha conta. – Não me diga dona Marieta. – Venha aqui, quero conversar com você sobre a Coral. – A garotinha que me ajudou na faxina de casa estava sumida a dois dias, porém resolveu dar o ar da graça ontem com um belo roxo no braço esquerdo. Ficou com a dona Marieta por um tempo e quando retornei da escola ela foi até meu apartamento, quando ela dormiu no colchão aproveitei a deixa para questionar o roxo no braço da menina a dona Marieta que perguntou a Coral o que havia ocorrido e esta disse que caiu de lado quando corria. Uma mentira evidente, mas algo fez ela mentir. Não questionei, depois de um tempo ela disse que teria que ir embora, mas a dona Marieta impediu sua saída.

— Então foi até o endereço que lhe pedi? – Ontem após a conversa sobre o machucado a senhora me pediu para ir até um endereço, mais especificadamente o endereço onde seria a casa da Coral.

— Sim achei o endereço, porém não havia ninguém em domicilio. – E quando voltei fui perseguido por nada pela polícia. Notei seu cansaço sobre o problema da menina, pelo visto ela está envolvida nesta questão a um tempo, ela aperta as mãos em sinal de receio e me olha estranhamente.

— Sente-se Neji, eu gostaria muito que você prestasse atenção no que eu irei falar. – Fez sinal para eu segui-la até sua sala de costura, ela puxou uma cadeira e sentou-se e me indicou a outra. Por um momento pensei estar voltando ao passado, quando meu pai chegou tenso e pediu-me para sentar, com apenas seis anos não entendi, ele iria comunicar a morte da minha mãe. Dona Marieta parecia ser ele, sua tensão era visível, como se o que fosse dito naquela sala pequena deveria ficar somente entre nós dois e mudaria tudo em questão de segundos. Abriu a boca, mas a voz não saiu, o único som naquele cômodo pequeno era o tic tac irritante do relógio o tempo parecia ter parado e as palavras que iriam anunciar o fim dos tempos ter dissipado no ar.

— Neji eu não tenho o direito de pedir-lhe isso, mas vou. – Sua tensão começa a me irritar. Droga eu não estou gostando do que irá vir em seguida, hoje o dia já está complicado, vai senhora, diga que a garota está bem, que não foi nada demais.

— A Coral passa uma situação complicada, a Assistente Social já realizou visita diversas vezes na residência e nunca acha os responsáveis por ela, a menina não está estudando ainda e nem frequenta a creche então antes ela ficava comigo com o consentimento da mãe enquanto esta trabalhava, eu já conheci a mãe dela que adoeceu e após disto não deixou mais a menina vir até aqui, o pai da Coral é um rapaz muito difícil. – A pausa que ela fez indica seu receio em continuar, seus lábios tingidos de um tom rosa estão trêmulos, seu peito subiu pelo tanto de ar que inspirou, tomando coragem para continuar.

— Quando Coral completou cinco anos apresentou umas atitudes estranhas para uma menina de sua idade, sua alegria havia sumido e vivia quieta, sempre aparecia machucada e quando dormia aqui no prédio demorava a pegar o sono, foi quando eu fui dar banho nela que meu mundo foi ao chão. – Minha garganta está seca e o ar está pesado, não quero ouvir o que virá em seguida, isso não pode ser verdade. A senhora sentada na cadeira de frente a mim estão com os olhos sem brilho.

— O pai da menina estava abusando da garota, uma menina de apenas cinco anos na época, após disto eu tentei ficar com a garota ainda mais quando descobri que a mãe abandonou a menina. O pai da Coral tem sérios problemas com o tráfico de drogas. Depois da denúncia que fiz a guarda da menina foi retirada e ela foi institucionalizada, foi para o orfanato, mas o sistema judicial é falho e Coral acabou retornando para casa após três meses. Foi quando eu fui até ela e conversei com o pai, ele não queria mais a meninas e acabou deixando ela vir comigo.

Eu realmente pareço infantil agora, a morte, os problemas que tive não parece nada em comparação aos problemas e traumas que a menina sofreu, por Deus eu não sei onde ela quer chegar, mas a única coisa que eu quero é que ela termine está conversar, o mundo parece mais triste agora. Ela é só uma criança.

— Nos primeiros meses ocorreu tudo bem, mas eu adoeci, a maldita doença veio bater na minha porta e estragar tudo. – Bateu a mão na mesa, conseguia notar a culpa no fundo dos seus olhos, como se tivesse adoecido de propósito, como se a responsabilidade de propiciar proteção, um lar a Coral fosse sua obrigação, mas na verdade que devia lhe proteger de tudo, foi o que mais a feriu. Respira novamente e toma mais uma dose de coragem para continuar, como se fosse possível piorar a conversa com fatos mais angustiantes do quais já foram apresentados.

— Fiquei doente e eu tenho filhos que não compreende as situações, acham que cada um deve somente cuidar do que é seu. Eles vieram até aqui e encontraram uma garotinha de cinco anos e poucos meses, acharam linda e gostaram dela, mas até saber de todo o ocorrido. Me levaram embora imediatamente e não deixaram a menina ficar comigo, ela teve que voltar para antiga casa dela. As vezes ela vem aqui e na maioria dos dias ela passa na rua. Eu não moro aqui Neji, apenas visito as vezes com a desculpa esfarrapada de visitar os moradores e cobrar o aluguel, mas que fará está tarefa de agora em diante será uns dos meus filhos que também concorda em achar que corro perigo cuidado da Coral. – Outra pausa, minutos se passam, como se ela aguardasse eu compreender o tanto de informações complexas, seu silêncio continua e isso me angustia.

— O que espera que eu faça dona Marieta? – Sua expressão habitual volta e um tímido sorriso brinca no seu rosto, ela inclina o corpo me alcançando após empurrar a mesa para o lado e agarra minha mão.

— Eu sei que eu não posso pedir isso, mas vou fazer mesmo assim, eu levantei seu histórico e sei qual família você pertence, estranhei o fato de você está alugando um apartamento nesta área da cidade no início, mas eu vi em você o sinal que eu aguardei durante um tempo. Neji você é um bom rapaz, eu sei, não pela família que você pertence, mas por suas atitudes. Eu não poderia pedir para outro morador, todos vivem inúmeras dificuldades e não entenderiam, a única que poderia atender meu pedido além de você era a Sakura, mas ela não está nos seus melhores tempos e não teria estrutura emocional para sustentar uma informação desta complexidade.

Por um momento eu queria saber qual é o motivo do mundo se revoltar contra minha pessoa, eu sei que não fui muito bonzinho, mas agora sou!

— Neji não fique com está cara tão séria, eu sei que é difícil e você não conhece ninguém aqui ou criou laços afetivos com a menina, mas você tem que entender que você é a minha última alternativa. – Outra pausa, o aperto das suas mãos na minha se intensifica, desvio os olhos dos azuis intensos cercados por linhas de expressões, ela não pode fazer isso comigo, ela não deixaria está responsabilidade nas mãos de um desconhecido, eu não deixaria.

— Eu quero que você cuide dela. – Volto meus olhos para a figura de olhos esperançosos, o medo me apavora e a ansiedade por uma resposta a sufoca.

— Cuide dela Neji, eu confio em você e o foi a última alternativa que me deixaram, ela é preciosa e gosta de você, ela só tem nós três! Uma velha preste a morrer, uma menina com sérios problemas de saúde e você, um rapaz responsável e que pode dar uma acessória maior e melhor do que duas mulheres. Me diga algo. – Sinto sua mão afrouxar, jogo a cabeça para trás e fecho meus olhos por um instante, que droga, espero não me arrepender depois.

— Eu cuido dela, mas apenas por um tempo. – Seu sorriso compensa qualquer coisa que pode acontecer no futuro. – Mas como fica a questão legal sobre isso, eu tenho apenas dezessete anos, não respondo judicialmente e não posso adotar nenhuma criança.

— A lei não saberá sobre isso, diga que é sua irmã ou algo do gênero, ninguém nunca se importou com ela a família, a sociedade e o Estado, não vai ser agora que isso vai mudar. – Ela levanta da cadeira e vai até a máquina de costura. – E quanto ao miserável do pai, não preocupe, este está com os dias contados aqui no bairro, temos que afasta-la o mais rápido possível, a começar de agora.

— Está bem, vou sair e já retorno, onde ela está? – Levanto me e vou até a porta recém aberta pela senhora que anda com dificuldade.

— Está no seu apartamento, arrumado suas coisas. – Franzo minhas sobrancelhas e a dona Marieta sorri. – Eu esperava que você concordasse então só adiantei as coisas, me desculpe. – Unf, senhoras certamente não teme a vida.

— Tudo bem, vou até ela. – Meu mundo está no chão e as pessoas insiste em pisar em cima dela, de uma hora para outra, estou sem pai, em outra cidade, consigo arranjar uma louca como tutora que me inscreve em um concurso musical, a vizinha da porta da frente do meu apartamento é louca e por fim torno-me responsável por uma menina fragilizada e vulnerável. Acho que deveria ganhar um prêmio por isso, por conseguir me envolver em tão pouco tempo.

— Neji obrigada! – A voz da senhora escapa pela porta da sala ecoa pelo prédio pequeno, me encontro subindo o quarto lance de escadas, uma pessoa poderia sofrer um acidente nelas. A vontade de ver os redondos olhos castanhos aumenta a cada degrau que subo, freio meus passos por um momento, será que ela não ficará com medo? Afinal também sou homem e sua pouca idade pode faze-la concluir que eu farei a mesma coisa que seu pai, maldito. Deixo os pensamentos de lado e continuo a subir, não, ela não ficará com medo, afinal não ficou quando nós encontramos da primeira vez. Chego em frente à minha porta escancarada e quando entro vejo roupas espalhadas para todo lado, eu não conseguirei ser qualquer coisa para esta menina, acho que me adiantei e vou-me arrepender nos seguintes segundos.

— Você já voltou da escola? Eu estava arrumando minhas roupas, a vovó disse que vou voltar a morar com ela. Daí a gente vai morar no mesmo prédio. – Sua falação começa, acho que meu silêncio adorado foi para o ar, ela recolhe as roupas do chão, roupas minhas e dela. Vejo seus olhos pairarem sobre mim que continuo escorado na parede da sala quase sem nada.

— O que foi? – Larga as roupas no chão e vem até minha posição, abaixo e fico olho a olho. – Que cor são seus olhos Neji? – Suas sobrancelhas franzem e sua expressão é de puro divertimento.

— Isso não importa, ah, você não vai morar com a dona Marieta, você vai morar comigo. – Ela recua um passo para trás e seu sorriso some. – Não se preocupe, eu não vou fazer nada com você e preciso que você confie em mim, a Sakura vai estar logo ali. – Aponto para além da porta do meu apartamento indicando a porta da desvairada da vizinha, volto minha atenção ao seu rosto que está sem expressão. Ela afirma com a cabeça, mas não se aproxima, está sendo mais difícil do que pensei, mas entendo ou tento entender.

— Eu prometo que não vou fazer nada, absolutamente nada com você, mas eu preciso que você confie em mim Coral, a vó Marieta confiou! – Ela aperta o punho e aplica um passo para frente, uma expressão de dúvida aponta em sua face corada.

— O que quer dizer absolutamente? – Finalmente eu consigo sorrir abertamente por um longo tempo abaixo minha cabeça e depois volto a atenção para ela.

— Quer dizer completamente, tudo, que não vou fazer nada, agora quer ir ao centro comigo? Para comprar uma cama para você colocar no seu quarto? Só não vale ser rosa. – As informações ainda embaralhadas na sua cabecinha começam a fazer sentido, mesmo receosa afirma com a cabeça.

— Então vamos? – Lhe estendo a mão e ela pondera por um instante, mas aceita no final, certifico me que está bem vestido e vamos até a porta. Traço com a chave e descemos a escada devagar.

— Mas por que não pode ser rosa? – Sua voz antes firme soa baixa e fraca, pelo visto vou enlouquecer antes do previsto.

Gaara povs.

Aquela sensação de novo, ela surge do nada e precisa ser suprida o mais rápido possível, um vazio que te consome e não te deixa dormir, aquela dor dilacerante no estomago por estar vazio a horas, pelo simples fato que não aceita nada e colocar tudo para fora. Não fui a escola e não pretendo ir tão cedo. Temari nem desconfia do meu paradeiro, melhor assim. Estou em um bairro pobre da cidade, Alvorada, após uns dias na cidade você fica sabendo onde pode conseguir o que se quer. Eu tentei, mas está difícil, sempre esteve mas agora está pior. Estou longe de casa e pensei que meus colegas não me fariam tanta falta, mais afundar o nariz sozinho é tedioso. Estou próxima ao ponto de drogas quando um carro me chama a atenção. Droga o motorista me conhece de vista e o tal de Neji que sentou ao meu lado na classe. Ele me viu, viro meu rosto e espero que ele vá embora, pelo visto o rapaz gosta de ficar na dele.

— Ei cabeça de fogo? Está perdido por aqui? Eu posso te indicar o caminho. – Vejo um estranho me passar o esquema, com certeza é uns que gerenciam este ponto. Afirmo com a cabeça e coloco meu capuz, não quero ser surpreendido novamente por outro aluno do colégio. A blusa preta deixa minhas olheiras ainda mais profunda, pareço um zumbi.

— Toma ai cara é da boa, quando você precisar de mais você sabe onde encontrar, agora dá um fora daqui. – Estica a mão com o pacote de cocaína colocando no bolso da minha blusa quando me abraça fingindo sermos antigos amigos. Ele passa o preço durante o cumprimento e eu passo uma quantia acima do valor solicitado no aperto de mão.

— Foi bom negociar com você, nós vemos por ai cabeça de fogo. – Afirmo com a cabeça e saio sem direção para qualquer canto da cidade. Ando umas quadras e chego na rua onde detonei o carro do homem folgado, filho da mãe, me acertou um soco após perceber o estrago que fiz com o taco. Soco que cortou minha boca e deixou uma ferida, aperfeiçoando a minha caracterização de zumbi, resolvo voltar para casa já que se eu seguir em frente ficarei ainda mais longe, porém decido ir pela rua de cima para não passar perto do ponto de drogas. Dobro a esquina e vejo uma casa de dois andares charmosa. Continuo meu caminho calmamente, retiro meu capuz e passo as mãos no cabelo para bagunçar ainda mais. Não quero parecer ansioso, as pessoas já me encaram imagina quando estou alterado, deve ser uma atração bizarra em tanto. Minha casa nunca pareceu tão longe, passo perto de um grupo de senhoras que conversam animadamente em relação ao racha que a polícia boicotou e prendeu um monte de delinquentes. Delinquentes julgo eu de boas famílias, afinal não é todo adolescente que consegue comprar um carro, mas quem sou em para falar algo não é. Continuo meu caminho e volto ao bairro alvorada depois de andar mais de dez quadras, até chegar ao bairro de casa vai demorar. Escuto uma música alta vir de trás de um muro alto de cor amarela, apresso o passo para passar logo por este trecho, não gosto de barulho. Uma viatura aparece no final da rua. Vejo um dos policias apontar o dedo em minha direção, droga, hoje não!

Observo uma moça cheio de sacolas empilhadas no braço vir na direção oposta que a minha, mas na mesma calçada, as sacolas são tantas que chegam a cobrir seu rosto, é a deixa que eu precisava.

— Senhora, deixe me ajuda-la. – A mulher não diz nada, mas mesmo assim pego a sacolas de seus braços sem sua permissão, não a olho, porém pela direção dos seus pés antes de eu intercepta-la apontava para o portão marrom, então sigo até eles e os policiais me encaram, porém a mulher anda ao meu lado, por fim acabam desistindo de me investigar.

— Obrigada. – Olho para a mulher de olhos azuis e de sorriso leve, pega empurra o portão com dificuldade e eu consigo ver pela fresta crianças correndo para todo lado. – Pode deixar, daqui em diante eu levo. Já se livrou dos polícias. – Olho mais atento para a moça que está de costas e quando ele vira para pegar o restante de sacolas deparo-me com a loira que chegou atrasada na classe, ela sorri, mas brevemente, dou-lhe as sacolas restante.

— Gaara não é? Então, os polícias estão parando qualquer um devido ao racha de ontem, a partir daí qualquer jovem é barrado. – Ela sorri, você esqueceu de adicionar a palavra suspeito em sua frase. – Meu nome é Ino, então está gostando da cidade? Aqui não fica os melhores lugares da cidade, mas tem outros lugares bem bonitos.

Não a respondo, não quero prolongar ou começar nenhuma forma de diálogo com a tal, tenho coisas com mais prioridades no momento, afirmo com a cabeça e ela percebe que não estou querendo bater papo. O vestido de alça longo dela é cheio de flores pequenas, atribui um ar de frágil e de moça descente, mas não foi isso que ouvi da boca de umas meninas no colégio. Sua beleza é estonteante e a fama também.

— Bom obrigada. Até mais! – Ela tenta empurrar o portão, mas não consegue, então faço as honras. Não quero parecer desesperado para ir embora, então tento prolongar o máximo possível com ela que certamente irá dar com a língua nos dentes amanhã. Ela lança um sorriso tímido como forma de agradecimento e some atrás do portão, ótimo, agora é só continuar meu caminho sem interrupções.

Entre o intervalo da rádio consigo ouvir a comemorações das crianças em relação a chegada da mulher cheia de sacolas. Dobro a esquina e o silêncio torna-se soberano outra vez. Fito meu relógio e dou-me conta que já são nove e quinze da manhã. Tenho que chegar rápido em casa, para poder fazer o que quero, antes que Temari retorne das aulas.

Vai ser a última vez, prometo. Mas não sei se consigo sair vivo desta. Começo a andar mais depressa e o suor começa a ser visível, fito me em uma vitrine de loja e meu visual é pior do que eu imaginava, aquela garota deve ter sacado a jogada, se for verdade o que dizem dela, certamente ela percebeu, droga!

Depois de um tempo consigo chegar até o centro, grande merda, agora só mais umas quadras e chego em casa. A movimentação é um pouco intensa e o perfume das pessoas que passam próximo me faz mal. Desvio da rua principal e vejo algo estranho, pelo menos para ele. Neji com uma garotinha, ele não tem perfil de pai, mas cada um com sua vida e seus problemas, o comércio começa a desfazer-se e as casas elegantes e grandes começam a aparecer, a placa da rua indica onde estou, Avenida Europa. Casas, ruas e pessoas bem diferentes de onde eu estava a poucas horas atrás. Próxima vez não vou cair na besteira de ir a pé, vou de carro. Asfalto e mais asfalto, até chegar na caixa da correspondência com nome em letras prateadas Sabaku. Se eu pudesse jogava este nome na lata de lixo. Tento achar a chave no bolso da blusa, mas não tenho sucesso, devo tê-la perdido em algum ponto da cidade, merda, isso só pode ser castigo. Giro a maçaneta e a porta se abre, a empregada deve ter chegado. Fecho e vou-me até meu quarto branco, parece as clínicas de desintoxicação que passei uma temporada. Jogo o pequeno pacote na gaveta e a fecho com a chave, para não cair na besteira de ser surpreendido pela empregada. Vou-me até o banheiro e olho no espelho, o vermelho da ferida no meu lábio inferior, as olheiras profundas e fortes destacam-se na pele branca demais. Tiro meu casaco e a camisa de manga longa preta e jogo no cesto. Estou péssimo, mas já estive pior. Vou até o chuveiro e o ligo, retiro o resto da roupa e entro embaixo da água quente, quente até demais. Depois de um tempo indeterminado no chuveiro decido sair. Enxugo meus cabelos, vermelho, será que não tinha uma cor mais discreta? A mesma cor do meu velho e bom pai, aquele filho da mãe. Enrolo a parte inferior do corpo e vou para o quarto, umas das minhas atividades preferidas é ficar embaixo do chuveiro, isso me faz sentir paz ou calma, não sei. Acho que vou entrar para o clube da natação, já que é obrigatório. Após vestir-me deito na cama perfeitamente arrumada.

Odeio que mexam nas minhas coisas, seja o que for. Fito a gaveta do meu lado e depois o relógio. Dez horas, entre algumas horas Temari retorna, não sei se devo usar agora. Odeio também ficar indeciso, indecisão é perda de tempo e tempo é algo precioso. Abro a gaveta e pego o pequeno pacote. Me arrependo de ter mordido o lábio após sentir a dor causada pela pressão sobre a ferida. Escuto batidas na porta do meu quarto, deve ser a mulher que cuida daqui. Coloco o pacote embaixo do travesseiro.

— Entre. – Após isso a porta se abre devagar e o rosto da mulher aparece, se não me engano o nome dela é Rosanna.

— Gaara tem uma colega sua esperando por você lá embaixo. – Ela me informa e sai do meu campo de visão sem dizer de quem se trata, que colega? Eu deixei claro para as meninas que transei que não era para me procurar, droga. Decido ver quem é, e mandar embora o mais rápido possível. Desço a escada, ainda colocando a camisa e quando estou chegando nos primeiros degraus da escada consigo ver a barra do tecido florido e logo vejo sua dona por completo em pé, com uma faixa vermelha prendendo a franja e o restante de cabelos loiros. O que ela está fazendo aqui? Melhor o que ela quer? Quando ela me vê para de observar a casa com seus olhos azuis, não gosto de azul. Me aproximo e ela não fala nada, sua expressão é neutra, sem sorrisos ou demostra algum interesse.

— Desculpe vir até aqui, mas este chaveiro lhe pertence certo? – Ela tira da bolsa o chaveiro com umas chaves, fito ela com minha expressão habitual e continuo em silêncio. – Vim lhe devolver, ele deve ter caído do seu bolso quando me ajudou com as sacolas e eu pensei que você iria ficar trancado do lado de fora, tome. – Estica a mão com o chaveiro em minha direção, pego e me sinto forçado a falar.

— Obrigado. – Ela afirma com a cabeça e segue para a porta, mas para quando vê a empregada vindo da cozinha, acena com a mão para Rosanna e vai até abre a porta. – Tchau. – Se despede e sai, retorno ao meu quarto, mas invés de deitar na cama olho pela janela e consigo vê-la um pouco distante. Ela não me parece tão vagabunda como os outros alunos afirmam, mas as aparências enganam. Volto minha atenção para a cama, mais precisamente para o que tem embaixo do travesseiro. Fecho a porta e a tranco. Abro o pacote e despejo uma quantia sobre meu caderno da escola, faço uma carreira fina e vertical. Que se dane, hoje eu não quero saber mais de nada, inalo. Guardo tudo o que me incrimina e tranco na gaveta. Jogo-me na cama e espero, agora tudo parece mais leve. Você me enviará um anjo?

Hinata Povs

O relógio parece cansado, seus ponteiros cada vez mais lentos, não sai da dez para meio dia, hora que acaba as aulas. Vou aproveitar para me inscrever no clube de leitura antes que as vagas se esgotem, não consigo me identificar em outro clube. Estranho o de música não abriu este ano, acho que não deu muito certo nos últimos anos. O ambiente está assustadoramente quieto, apenas o giz batendo contra a lousa demostra sinal de vida. O professor Asuma finaliza o conteúdo e guarda sua coisa, professor de filosofia. Sete para meio dia, o tempo não passa quando nós queremos, leve batidas na porta anuncia alguém. Quem será? Minha pergunta chega junto com a professora de química.

— Bom dia alunos, professor. – Ela acena com a cabeça comprimento ao professor, passa os olhos pela sala e para sobre mim. – Professor a Hinata pode sair por um instante? – Asuma afirma com a cabeça e eu me levanto. – Peque suas coisas Hinata. – A voz da professora me informa que não irei necessitar voltar para sala, mas por qual motivo? Levanto me e viro para tirar a mochila da cadeira e assim consigo ver meus colegas de classe, Sasuke deitado na carteira e Naruto no outro canto fitando além da janela, a maioria ansiosos para sair.

— Não acredito que a Hyuuga aprontou? – Estava demorando, a namorada de Sasuke se manifesta quando termina de pintar as unhas. Dou-lhe as costas e vou até a porta que se fecha logo em seguida. A professora demostra um sorriso, o que será que ela tem a me dizer?

— Hinata, seu pai pediu para te avisar que hoje o motorista não poderá leva-la para casa, pois ele foi para outra cidade e necessitou usar o transporte. Ah, Tsunade gostaria de conversar com você, mas não necessariamente hoje, a opção é sua. – Afirmo com a cabeça e ela vai embora, estranho meu pai usar os serviços do motorista, mais estranho ainda é Tsunade convocar minha presença. Aproveito que o sinal ainda não disparou indicando o termino das aulas e vou até o mural antes que o tumulto comece. Procuro a folha que contém a lista do clube de leitura, mas quando a acho ela já está cheia. Não acredito, em que clube irei me escrever. Os únicos vazios eu não me identifico, a seleção para líderes de torcida é diferente e mesmo que não fosse eu jamais tentaria uma vaga. O sinal toca e o tumulto em cima do mural de inscrições começam, então me retiro e vou-me embora para a sala de Tsunade, não sei o que ela quer, mas não deve ser nada grave. Subo as escadas e encontro alguns alunos dos outros terceiros descendo, como Hidan, Itachi, Deidara e Sasori. Passo por eles que não notam minha presença, após uns degraus chego até o terceiro andar e vou até a última sala, localizada no fundo do corredor. Bato na porta e ela me manda entrar aos berros.

— Senhora diretora, a professora Shizune disse que gostaria de falar comigo. – Entro e anuncio o motivo da minha presença já que a expressão de seu rosto denuncia não saber porque eu estou na sua frente.

— Unf, será que quando fica nervosa explode daquela maneira também? – Tsunade falou algo que não compreendo, do que será que ela está falando? – Sente-se Hinata. – Aponta para uma das cadeiras que está em sua frente e eu aceito. Ela fecha os cadernos e bebe do copo que está sobre sua mesa. Entrelaça os dedos da mão e apoia os braços sobre a mesa.

— Hinata está tudo bem com você? Tem algo que queira me contar? – Não entendo qual é o motivo das perguntas aparentemente sem nexo.

— Esta sim senhora Tsunade e não tem nada a contar, mas por que? – Vejo seu rosto se contorcer minimamente, ela está sabendo de algo que desconheço. – Por motivo nenhum, só queria saber como você vai, você sabe que conheço sua família a décadas. – Afirmo com a cabeça e espero ela dizer algo, o silêncio torna-se constrangedor, mas ela resolve quebra-lo.

— Hinata recebi a relação dos clubes que já estão esgotados e seu nome não consta em nenhum deles. Decidiu praticar algum esporte? – Ela tira os olhos da lista e fitam os meus.

— Não, é que quando fui me inscrever eles já estavam esgotados, agora não sei qual irei participar. – ela afirma com a cabeça. – Entendi, mas não se preocupe, eu irei te encachar em um. – Seu sorriso some depois da expressão que devo ter deixado escapar.

— Não se preocupe, vai ser em um que eu sei que você irá gostar, agora pode ir. – Tento formar um sorriso, mas acho que falhei, dou-lhe tchau e vou me embora, Tsunade não tem um histórico confiável de resolver as coisas. Está certo que meu pai só deixou eu estudar nesta escola porque pertence à família Senju, caso ao contrário ele desaprovaria, até mesmo os métodos utilizados pela Tsunade já não é de seu agrado, como por exemplo o não uso do uniforme e vagas para bolsistas. Quando dou me conta já estou no portão da escola, comprimento o guarda e começo meu caminho até chegar em casa.

— Hinata, espere! – Escuto meu nome ao longe e viro-me para ver quem solicita minha pessoa e consigo ver o Kiba acenando e vindo em minha direção, aceno novamente e espero. Desde do final do primeiro semestre ele vem se aproximando, não acho ruim, Kiba é um bom rapaz e é muito gentil.

— Oi novamente. – Ele diz ofegante pela corrida com um sorriso lindo nos lábios. – Então cadê o carro que vem te buscar todos os dias?

— Ah, hoje ele não poderá vir, irei a pé para casa. – Começo a andar e ele me acompanha, lado a lado. – Então hoje posso acompanha-la, é claro se você quiser. – Coloca as mãos no bolso da calça após retirar o capuz, ele é um ótimo amigo se é que posso chama-lo assim.

— Por favor, claro que sim. – Vamos pela calçada enquanto os carros passam a mil na avenida, olho para trás e vejo Naruto sair da escola andando calmamente na mesma direção que a nossa. Sakura correndo na direção oposta, engraçado ela sempre está com sua bicicleta, Rock Lee conversando animado com Chouji e Shikamaru. Volto para Kiba que está visivelmente constrangido pelo meu silêncio.

— Então, em que clube se inscreveu? – Começo com um assunto que todos terão algo a declarar, inclusive Kiba. — No de futebol, costumo ser bom neste esporte e gosto bastante, mas e você?

— Não me inscrevi em nada ainda, mas vou escolher algo em breve. – Arrumo os cadernos em frente do meu corpo quando Naruto passa por nós um pouco mais rápido, seu semblante está muito diferente do habitual, está triste.

— E ai Kiba, Hinata. – Nos cumprimenta e continua se caminho. – E ai Naruto. – Kiba o responde, mas eu não ele se afasta e dobra depois de duas esquinas.

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— Você sabe o que está acontecendo com ele Kiba? – O garoto para de olhar os carros que passam e volta sua atenção. – Parece que os pais estão se divorciando e Naruto está sentindo muito isso, foi o que a namorada dele disse. – Então é isso, o motivo pelo qual o garoto mais radiante da cidade está deste modo.

— Você deve achar que esta atitude é tontice né? – Pergunto qual é o posicionamento sobre a atitude de Naruto. – É claro que não, até entendo presenciar a separação dos pais não é algo legal. – Que lindo da parte dele, isso mostra o quanto maduro Kiba é. Lanço um sorriso e quando vejo já estamos na rua da minha casa, mesmo que esta fique no final da avenida.

— Então Hina, eu só venho até aqui. – Afirme a com a cabeça, Kiba sorriu envergonhado, mas desconheço o porquê. – Sabe se você quiser, qual quer dias deste podemos sair, o que você acha? – Ele abaixou a cabeça e fitou os pés, um que balançava devagar. Ele está me chamando para sair, nenhum garoto havia feito isto antes.

— É claro, é só marcar. – Tento responder rapidamente para não constrange-lo. – Claro que sim, este final de semana não vou estar na cidade, então pode ser no próximo sábado?

— Por mim tudo bem. – Ele sorri, acho que estou me saindo bem, afinal aqueles filmes servirão para algo no fim das contas. – Então tchau Hina. – Ele acena e segue seu rumo. – Tchau Kiba, até mais.

Despeço me e vou embora, não acredito que ele me chamou para sair, mas deve ter sido como amigos ou não? Bom tenho um ótimo tempo para descobrir. Nunca sai com ninguém, como devo me comportar? Acho que não foi uma boa ideia aceitar o convite.

— Hinata. – Surpreendo me por pensar que estava sozinha, viro me e encontro Itachi com seu sorriso sem mostrar os dentes. – Veio andando hoje? – Ele de vez em quando troca umas sílabas comigo, mas é bem difícil.

— Oi Itachi, pois é hoje eu vim e pelo visto você também. – Começamos a andar e na esquina fica a mansão Uchiha, onde termina a caminhada de Itachi. – Pois é, vou me adequar a este novo habito, deveria tentar também.

Meu rosto começa a arder pelo sol me deixando vermelha, tomara que Itachi não pense que é pela sua presença. – Bem que eu gostaria, vou tentar. – Chegamos em frente a casa do rapaz, sua blusa preta pendurada no ombro deixa o mais charmoso.

— Vou adorar ter sua companhia todos os dias letivos Hinata, até mais! – Ele se despede e começa ir para sua casa. – Até mais Itachi. – Tento dizer alto suficiente para ele escutar e vou me embora. Hoje o dia está estranho, primeiro meu pai utiliza o motorista de casa, depois Tsunade vem com aquela conversa estranha e logo em seguida dois garotos são simpáticos comigo. Deixo isto de lado e continuo meu caminho, quero chegar em casa e ler o novo romance que retirei da biblioteca, mas uma coisa me incomoda, aquele garoto novo é estranhamente parecido com os membros da família Hyuuga, mas pelo que tenho conhecimento meu pai só tem nós duas de filhas, eu e Hanabi a não ser que seja do Hizashi, mas o meu tio está sumido a anos.

Notas finais
Então o que acharam amores? O capítulo foi grande, né. Até o próximo!