Golden College
15 Trick-or-treat
CAPÍTULO 15 — GOLDEN COLLEGE
Trick-or-treat

Na fila, Mu observava as fantasias das outras pessoas enquanto aguardava a sua vez de entrar no Sanctuary. Algumas chamaram a sua atenção por serem bastante originais e muito criativas, outras eram inspiradas em seus heróis favoritos, só do Batman ele viu umas duas passando por ali. A maioria, no entanto, eram fantasias de figuras assustadoras, como fantasmas, bruxas, zumbis, caveiras e monstros. E, claro, sempre tinha também aquelas garotas que escolhiam as roupas dos manequins de sexy shop. De repente, um grupo delas passou por ele, gargalhando alto. Mu reconheceu Lyfia e Helena, vestidas de diabinha sexy e coelhinha. Elas aparentavam estar muito animadas, remexendo-se ao som da música que o DJ tocava, e que Mu achou muito alta, mesmo ainda estando fora da boate.
Ele desviou seus olhos de Lyfia quando ela pareceu olhar de volta em sua direção e fingiu prestar atenção nas várias abóboras assombradas espalhadas pela rua. Desperdício de comida, foi o que pensou no momento. Tanta gente passando fome, e tanta abóbora desperdiçada para ser transformada em careta assustadora. Reparou melhor no restante da decoração que haviam feito ali na entrada, e que parecia ter saído direto de um filme de terror. Se perguntou onde arrumaram tantos bonecos de bruxas e tantos esqueletos. Obviamente, aquilo era só uma amostra, e a decoração mais elaborada estava lá dentro. Shaina até já havia lhe contado que tinham feito um pequeno “cemitério” perto do bar, com bonecos de zumbis saindo das tumbas.
Mu suspirou.
Com toda certeza o seu pai o recriminaria se soubesse que ele estava naquele lugar, ao invés de estar em seu quarto estudando ou descansando, como garantira que estaria para ele no telefone, mais cedo. Mu nunca havia mentindo para Shion antes, quando morava no Tibete, mas, depois de vir estudar na Golden College, esconder coisas de seu pai se tornara uma rotina. Não estava mais se reconhecendo e sentiu-se estranho e culpado por isso. No entanto, as reclamações de Afrodite o fizeram interromper seus pensamentos e desviar sua atenção para o amigo ao lado.
Afrodite não parava de reclamar. Primeiro, porque ele fora obrigado a deixar de lado a sua fantasia incrivelmente maravilhosa para vestir um uniforme preto e branco de empregada doméstica, além daquela toquinha ridícula. E a culpa era de quem? Claro que era de DeathMask, que havia obrigado todos os calouros dos Ômega Chi a irem à festa vestidos assim. Como se ter que passar a noite toda à disposição dos veteranos da fraternidade já não fosse um castigo ruim o suficiente.
— Você sabe que isso não afeta em nada a sua beleza, Dite — Mu tentou consolá-lo. — Além do mais, tem gente em situação pior do que você.
Simultaneamente os dois direcionaram o olhar para outro calouro Ômega Chi que estava na fila, logo atrás deles. David era um garoto bonito e musculoso, mas que estava tão desengonçado dentro daquele uniforme que mais parecia uma aberração. Certamente, ele pegara emprestado um vestido preto de sua namorada, uma loirinha bonitinha que estava ao lado dele, e apenas jogara um avental branco por cima. Afrodite o cumprimentou de longe quando o garoto notou que estava sendo observado. Só que David não parecia estar incomodado por ir à festa vestido daquele jeito, muito pelo contrário, parecia estar achando graça e se divertindo com tudo aquilo. Mas David era um bobo que se divertia com tudo, achava Afrodite.
— Bem, ao menos eu não sou peludo como a maioria dos garotos — disse, dando uma última olhada nas pernas de David. — Mesmo assim, ainda me sinto mal por vir a festa com essa roupa sem graça. E por falar em roupa sem graça, eu nem vou dizer mais nada sobre a sua fantasia... — Afrodite estalou a língua e balançou a cabeça negativamente.
O outro motivo que o deixara revoltado fora a fantasia que Mu escolhera, rejeitando todas as suas dicas. Como alguém que poderia — e deveria — escolher uma fantasia “arrasadora” preferira ir à festa com aquele Quimono sem graça e com aquela faixa amarrada na testa? Oh, Deus! Tem gente que não sabe aproveitar a beleza que tem!
— Acho que Aiolia vai gostar de me ver fantasiado de Daniel San... — Mu se justificou, com um sorriso discreto, enquanto entregava o bilhete de entrada para o cara da portaria. — Além disso, eu não teria coragem de me vestir de Tarzan, como você me sugeriu.
— É uma pena. Você iria ficar tão sexy de tanguinha, e Aiolia iria adorar... — falou ao mesmo tempo que entraram na boate. — De qualquer forma, se não queria vir sensual, poderia ter escolhido a fantasia de príncipe encantado que é comportada e bonitinha...
— Nossa! Tem muita gente aqui, eu nunca vou conseguir encontrar Aiolia no meio desse povo todo. — Mu queria desviar o foco do assunto, pois já haviam discutido sobre isso o dia todo. — Tem certeza de que aqui tem extintor de incêndio e saída de emergência? — quis saber, imaginando de onde saía aquela fumaça perto da pista de dança. Era a primeira vez que estava indo a uma festa como aquela; já havia visto em filmes antes, claro, mas, pessoalmente, era diferente.
— Provavelmente sim — Afrodite deu de ombros. — Mas não se preocupe com isso, vamos procurar o seu crush. Você ao menos sabe qual fantasia ele está usando?
Mu balançou a cabeça em negação. Havia saído para comprar sua fantasia com Afrodite e se arrumara lá mesmo, no quarto do colega.
— Vamos para o bar então, todo mundo acaba passando por lá.
Os dois se dirigiram para o bar e, assim que se aproximaram do balcão, Afrodite foi logo notado por DeathMask, que fez um sinal com a mão para que ele se aproximasse. Afrodite revirou os olhos, já antevendo do que se tratava.
— Preciso ir servir aquele folgado. É parte da minha tarefa como calouro hoje, sabe, além de precisar ter vindo vestido de empregada. Ninguém merece! — Revirou os olhos novamente. Mal tinha chegado à festa e aquele idiota já o encontrara para explorá-lo. Droga! Hoje, definitivamente, não era a sua noite de sorte.
— Tudo bem. Vai lá então. Eu vou dar uma volta para ver se encontro Aiolia.
— Ficarei te esperando por aqui. Não demore. Qualquer coisa me liga...
— Você está me tratando como uma criança que é levada pela primeira vez ao playground — Mu reclamou.
— E não é mais ou menos isso? — Afrodite deu uma piscadela para o amigo antes de ir em direção ao seu colega de fraternidade. Mu seguiu abrindo caminho pela multidão.
Afrodite se aproximou de DeathMask com uma expressão de desagrado.
— O que você quer, traste?
— Você demorou muito para me atender... — ele reclamou. — Estou a fim de tomar uísque com bastante gelo, e quero ser servido pelo meu servo.
Depois de suspirar, Afrodite pediu duas doses de uísque ao barman, que estava mais do que ocupado. Então ele se preparou para uma longa espera.
Nesse meio tempo, não deixou de dar uma olhada discreta no colega de fraternidade, já que o idiota havia ido seminu para a festa. Provavelmente para mostrar aqueles músculos bem definidos e aquelas tatuagens incríveis que ele tinha nos braços.
Afrodite bufou. Era revoltante não poder escolher sua própria fantasia, enquanto aquele troglodita idiota estava lindo e chamando atenção daquele jeito, vestido de Bambam. Se bem que era uma fantasia bem apropriada para ele, afinal, DeathMask parecia mesmo um homem das cavernas. Ainda mais com aquela barba por fazer e aquele cabelo despenteado, que, ao invés de deixar o infeliz feio, deixava-o ainda mais atraente aos olhos de Afrodite.
— Perdeu alguma coisa aqui — DeathMask, convencido, perguntou ao notar que o loiro fazia bico enquanto o olhava.
— Estava observando que essa sua cara suja está precisando de uma limpeza. — Afrodite esfregou o espanador, que compunha sua fantasia, no rosto dele.
— Ei, para com essa merda — ele rosnou, tentando tomar o espanador da mão do outro, que conseguiu evitar, puxando-o rapidamente.
— É injusto você nos obrigar a vir com esse uniforme para uma festa desse porte. Poderia muito bem ter feito isso numa festa da fraternidade. Foi mesmo uma ideia estúpida.
— Não foi nada estúpida. Além do mais, você já se fantasiou do seu gosto mais cedo. Eu vi você no refeitório. Não tem vergonha não?
— Fantasia não tem... — Estava prestes a fazer a defesa de sua fantasia, dizendo que esse negócio de escolher roupas por gênero estava fora de moda e que era coisa de homens da caverna como ele. Já tinha se preparado até para citar algumas celebridades masculinas, como o Jaden Smith¹, que usavam vestidos e saias às vezes; no entanto, o seu discurso foi abortado quando DeathMask acrescentou:
— Não tinha um vestido mais curto para usar não?
Oi?! Afrodite arqueou uma sobrancelha em interrogação. DeathMask estava questionando o tamanho do seu vestido ao invés do fato de ele, um garoto, ter usado um vestido?
— Está criticando o tamanho do meu vestido? — perguntou só para conferir.
— Se queria se mostrar tanto, deveria ter ido logo pelado para a aula.
Ultrajado, Afrodite esfregou outra vez o espanador de pó no rosto de DeathMask, que reclamou, enfezado, conseguindo arrancar o objeto da mão dele dessa vez.
— Eu já disse para não fazer isso, porra!
— Deveria se preocupar com o tamanho da fantasia da sua namorada! — retrucou. — Aliás, ela não deveria estar aqui com você? Eu a vi toda animada lá fora com as amigas, diferente daquela cara de sonsa que ela tem quando está ao seu lado...
DeathMask fez uma cara feia e resmungou antes de responder.
— Terminei com ela. — Mas fora Helena quem terminara com ele, alegando falta de atenção e carinho e excesso de grosseria.
Nesse exato momento, Afrodite finalmente recebeu a bebida que pedira ao garçom e a entregou a DeathMask. Sentiu vontade de jogar a bebida na cara dele, mas conseguiu conter o impulso.
— Com certeza, ela encontrará coisa melhor...
— Duvido. — DeathMask virou o copo de uísque na boca. Tinha que admitir que sentira um pouco de ciúmes ao ouvir aquilo, mas não fora muito. Uma sensação leve de perda, que ele tinha planos de superar rapidamente. Afinal, ele não era homem de sofrer por mulher nenhuma. — Sou o melhor partido dessa faculdade, e logo ela vai se arrepender e implorar para me ter de volta.
— Claro que vai... — Afrodite ironizou. — Bem, posso me retirar então, senhor homem das cavernas? Ou precisa de mais uma limpeza? — Tentou pegar de volta o espanador da mão de DeathMask, que deu um jeito de impedir.
— Nem pense! — rosnou, de cara feia. — E não. Você não pode ir. Tem que me seguir aonde eu for, fazer o que eu pedir. É meu empregado esta noite.
Afrodite suspirou. Como é que ele iria se encontrar com Shura tendo aquele troglodita em sua cola o tratando como um capacho? Droga! Droga! Droga! Pegou o uísque que pedira para si e virou na boca de uma só vez. Fez uma careta ao sentir a bebida descer queimando.
Pouco depois, um cara que havia encostado no bar mexeu com Afrodite achando que era uma garota. DeathMask resmungou, emburrado, segurando no seu porrete, que era parte de sua fantasia. Por pouco não o tacou na cabeça do filho da puta. Bem, era melhor beber e fingir que não se incomodara. Ao menos Afrodite mesmo dispensara o sujeitinho.
* * *
Em outro lugar do Sanctuary, mais afastado do bar e da pista de dança, Aiolia se sentia entediado. Estranhamente, ele não estava nem um pouco com interesse em ficar naquela festa, preferia mil vezes estar em seu quarto, na companhia de Mu. Eles tinham tanto o que conversar!
Olhou no relógio. Pelo horário, o seu pequeno gafanhoto já havia voltado da biblioteca e, com toda certeza, já tinha dormindo. E era isso que eu também deveria estar fazendo! Estava cansado e com sono. Mas fora muito azar o dele ter sido designado para ser motorista da fraternidade esta noite, e ser obrigado a ir à festa. E logo na noite que ele tinha finalmente sido liberado pelo treinador e queria descansar!
Estava pensando nisso quando um trio de mulheres vestidas como “As panteras” foi falar com ele. Ele as ignorou e, quando elas saíram, ele decidiu dar uma volta perto do bar com o intuito de tomar algum energético para se livrar do sono. No entanto, antes mesmo de se mover, alguém cobriu os seus olhos com as mãos.
Aiolia colocou suas mãos grandes sobre as mãos delicadas em seus olhos e não conseguiu identificar de quem eram.
Será de Lyfia?! — Pensou. Estou ferrado! Ele vinha evitando se encontrar com a garota depois da última vez que ficaram, e havia ignorado todas as suas mensagens e ligações. Ela deveria estar uma fera.
Vendo que ele estava perdido sem saber de quem eram as mãos, a pessoa resolveu falar alguma coisa no ouvido dele.
— Se não dizer o meu nome, vou atirar uma flecha no seu calcanhar — Fez uma referência ao mito de Aquiles, fantasia que Aiolia usava.
— Ah... é você, Marin... — Aiolia disse, sem humor, assim que reconheceu a voz dela.
Marin tirou as mãos dos olhos dele e apareceu em sua frente, vestida de mulher-maravilha.
— Ainda está chateado comigo? — sondou, meio sem graça.
— E não deveria? — Ele cruzou os braços musculosos.
— Me desculpe. — Ela se aproximou mais dele, falando próximo ao ouvido, por conta da música alta. — Sei que invadi a sua privacidade e, apesar dessas coisas fazerem parte da minha profissão, saiba que não costumo ser tão idiota como fui naquele dia. Não sei o que me deu. Bem, na verdade, sei sim. Odeio que me ignorem quando estou conversando, e você não desgrudava daquele celular. — Não fora o único motivo, mas ela não iria contar a ele que sentiu certo ciúme. — De qualquer forma, eu não tinha o direito de ter feito o que fiz.
— Tudo bem. — Descruzou os braços, saindo da defensiva. — Deixa pra lá... — Também se aproximou do ouvido dela para evitar o grito. — Foi mesmo bobo da minha parte deixar de dar atenção a você que estava conversando comigo para ficar lendo aquele tipo de coisa na Internet. Acho que mereci as críticas.
— Não — ela falou rápido. — Eu é que fui idiota e, se te servi de consolo, confesso que também já fiz aquele tipo de busca na web. Só que eu era mais nova, claro.
Eles acabaram rindo ao mesmo tempo, achando graça da situação.
— Estamos bem? — Marin estendeu a mão para ele, que aceitou. — Você parece ser um cara legal, Aiolia. Eu fui com a sua cara desde a primeira vez que te vi e geralmente não erro em meus julgamentos.
— O sentimento é recíproco... — foi o que ele respondeu, ainda segurando a mão dela.
Havia ali uma sintonia boa entre os dois, que indicava uma bela amizade. Eles sentiram isso e trocaram olhares de forma carinhosa, ainda de mãos dadas. Quem visse aquela cena de longe acharia muito bonitinha.
Mas Mu achou mais que bonitinha. Achou que parecia uma cena romântica e, de repente, teve a impressão de que as placas tectônicas estavam se abrindo embaixo dele. Mas foi quando Aiolia soltou a mão dela, aproximando-se mais para falar algo em seu ouvido, que Mu começou a tremer e fugiu o mais rápido possível dali. Não esperaria para ver o beijo dos dois.
* * *
Afrodite e DeathMask estavam discutindo por alguma bobagem quando Mu passou rápido por eles, em direção à saída da boate. Afrodite o chamou, preparando-se para segui-lo, só que foi segurado por DeathMask.
— Aonde pensa que vai? Eu não te liberei...
— Preciso falar com Mu...
— Se acha que vou te... Ei... Ei... — DeathMask não conseguiu terminar a frase, porque Afrodite não ficou ali para ouvi-lo. — Que porra! — rosnou, batendo o porrete no balcão no bar, assustando algumas pessoas por ali. Em seguida, virou o copo de uísque na boca, observando o loiro seguir o namoradinho.
Afrodite conseguiu alcançar o amigo, puxando-o pelo braço.
— Mu, o que foi? Por que está desse jeito? — Apesar das perguntas, já imaginava que fosse algo relacionado a Aiolia.
— Eu estou indo embora — disse, choroso. — Na verdade, eu nem devia ter vindo aqui...
— Mas o que aconteceu, criatura? Você encontrou com Aiolia?
— Foi tudo coisa da minha cabeça, Dite...
— Como assim foi tudo coisa da sua cabeça? O quê que foi coisa da sua cabeça?
— O quase beijo, aquela conversa de Aiolia sobre “o que eu faria se um garoto estivesse a fim de mim”. Eu entendi tudo errado... Acabei de ver Aiolia com uma garota — Mu despejou, apertando as mãos para parar de tremer e fazendo um esforço para não chorar.
— Mas que filho da mãe! — Afrodite exclamou, depois passou as mãos no rosto de Mu, enxugando as lágrimas que começavam a cair. — Não chora, vai acabar chamando atenção das pessoas...
— Por isso estou indo embora, quero chorar à vontade no meu quarto, antes que ele chegue lá...
— Não, se você se enfurnar sozinho naquele quarto será pior. Venha, vamos nos sentar ali e beber alguma coisa para você se acalmar e me contar essa história direito. — Afrodite levou Mu até o bar, pediu duas margaritas para o garçom, enquanto sentavam-se nos banquinhos. — Agora, sim, me conte tudo o que aconteceu.
— Foi o que eu disse, eu acabei de ver Aiolia com uma garota.
— Eles estavam se beijando?
— Eu não fiquei para ver isso, mas estavam prestes a se beijarem.
— Cachorro! — Afrodite balançou a cabeça. — Não fique assim, ele não te merece... E essa tal de Lyfia nem é bonita, se quer saber. Ela é mesmo uma oferecida, deve ter se jogado para cima dele como da outra vez, e ele, machista, quis fazer bonito para os amigos novamente, foi isso o que aconteceu... — Imaginou que seria Lyfia porque estava no Sanctuary no dia em que Aiolia saiu com a garota. Na ocasião, não achara que deveria contar para Mu, até porque no dia pensara que era só um casinho de uma noite, nada com que se preocupar.
— Não era a Lyfia — Mu falou. — Era a garota do jornal, a Marin.
— Opa! — Afrodite arregalou os olhos. Tudo bem, agora Mu podia se preocupar.
— Marin?! Tem certeza que era a Marin do jornal? Uma ruiva bonitona que está fantasiada de mulher-maravilha? — Afrodite recebeu as bebidas do garçom e entregou uma a Mu.
— Sim, é a ruiva bonitona! — Mu confirmou. — E eu não bebo...
— Um pouquinho não vai te fazer mal, vai te ajudar a se sentir melhor. Você está precisando...
Em outras circunstâncias, Mu jamais teria aceitado a bebida. No entanto, naquele momento, sentia-se incapaz de pensar direito sobre qualquer coisa. Além do mais, um golinho não iria mesmo fazer mal.
— Ele já tinha me apresentado a ela esses dias, estavam juntos num trabalho de Literatura... — Bebeu seu primeiro gole, e passou a língua pelos lábios, saboreando a bebida. — E eu achando que ele estava interessado em mim, Dite. Eu achando que poderia ter alguma coisa com Aiolia, mas tudo não passou de ilusão da minha cabeça. — Mu bebeu mais uma generosa dose.
Nesse momento, o telefone de Afrodite tocou. Ele o pegou para atender, imaginando ser uma ligação de Shura, mas quando viu que era o número do mestre dos candidatos de sua fraternidade ignorou e guardou novamente o aparelho, voltando a consolar Mu, que continuava se lamentando.
Depois de longos minutos bebendo e ouvindo as lamúrias do amigo, Afrodite tentou animá-lo.
— Ah, meu querido, esquece Aiolia, ele não te merece. Você é lindo, e tem um monte de caras gays nessa festa que dariam tudo para ficar com você. Logo você vai conhecer alguém legal, eu tenho certeza. Então pare de pensar nele...
— E como eu faço para parar de pensar, Dite?
— Simplesmente pare, ora essa! — Bebeu o último gole de seu copo. Já estava sentindo os primeiros efeitos da bebida. — É só não ficar aí colocando coisas na sua cabecinha, imaginando que Aiolia possa estar agora completamente encantado pelas curvas perfeitas da Marin, acentuadas pela fantasia sexy que está usando, com aquele decote tomara-que-caia sexy que faz os seios dela parecerem pular para fora, e que isso tenha feito ele perceber que gosta mesmo é de mulheres. Pare de pensar que os dois possam estar juntinhos e felizes, conversando sobre o momento em que vão conhecer os pais um do outro, ou em como será a cerimônia de casamento deles em alguma praia paradisíaca na Grécia depois que eles se formarem. Pare de pensar que eles possam até já estarem escolhendo o nome dos três filhinhos que eles planejam ter. Pare de pensar nisso! Simplesmente pare!
— Sabe, Dite. Eu não estava pensando nisso... — Mu fez uma carinha de choro. — Mas agora eu estou... — Deu um fungada, antes de beber todo o conteúdo do copo.
— Oh, meu Deus! Eu disse para não pensar nessas coisas... — Afrodite fez um carinho em seu cabelo, e pediu mais duas bebidas para o garçom.
Incontáveis doses de margarita, várias mensagens enviadas e pouco mais de uma hora depois, era Afrodite quem também estava se lamentando.
— Aquele desgraçado do Shura prometeu vir à festa para ficar comigo e simplesmente sumiu, me abandonou. Quem não dá assistência, abre espaço para a concorrência, Mu... Eu estou falando... — Bebeu mais um gole.
— Ele também é um idiota, igual o Aiolia — disse Mu, com a voz já bem embolada e num tom bem mais alto do que de costume. — São uns idiotas, Aiolia e Shura...
— E DeathMask... — Afrodite acrescentou.
— Isso. E Death... Espera! Por que DeathMask está entrando na história? — Ficou confuso.
— Não sei, mas ele é um idiota também, então o coloque na lista... — Ficou gesticulando com os braços.
— Tudo bem. São três idiotas: Aiolia, Shura e DeathMask. — Mu contou nos dedos, depois pegou o celular de volta no bolso. — E eu vou mandar agora mesmo uma mensagem para Aiolia dizendo o quanto ele é um idiota...
— Isso... Isso mesmo... Mande mais uma mensagem dizendo algumas verdades para ele, já que ele não respondeu as outras que você mandou... Não! — Tomou o celular da mão de Mu e se levantou de supetão. — Quer saber, chega de ficar nos lamentando por esses bocós. Nós dois somos lindos e merecemos dois morenos gatos, musculosos e atenciosos que nos deem o devido valor. Esquece esse Aiolia, eu já esqueci Shura, e vamos para a pista de dança nos divertir... — Puxou o braço de Mu, que quase perdeu o equilíbrio quando se levantou. — Hoje você será o meu gafanhoto...
— Você tinha que me lembrar desse apelido...
— Ah, esquece isso! Vamos dançar... — Saiu arrastando Mu em direção à pista de dança. No caminho, ele arrancou a touca da sua cabeça e jogou-a para o alto, balançando seus cabelos como se estivesse numa propaganda de shampoo.
Afrodite começou a se remexer animado, mas Mu ficou apenas olhando para ele, sentindo-se meio zonzo com toda aquela agitação. Sem contar que aquela sensação de câmera lenta que o jogo de iluminação provocava o estava deixando agoniado.
— Vamos dançar, criatura...
— Dite, eu não sei dançar...
— Não tem segredo, é só balançar o corpo... — Afrodite colocou as mãos na cintura de Mu, conduzindo o amigo a seguir o seu ritmo. Os dois ficaram animados com a perspectiva de se divertirem e esquecerem seus amores e, alguns minutos depois, já haviam se misturado com outros dançarinos e davam um show na pista de dança.
Do lugar onde estava no bar, dava para DeathMask assistir todo o espetáculo, bebendo cada vez mais. Principalmente quando Afrodite olhava em sua direção, parecendo querer provocá-lo, ou quando parava para fazer poses e tirar fotos com o namoradinho.
Mas DeathMask não era o único a observar a dança dos garotos. Algol, Abel e Aldebaran, que estavam ali por perto, levaram um grande susto quando avistaram um garoto de cabelos lilases saracoteando no meio de dois garotos fantasiados de Tico e Teco.
— Aquele ali não é o Mu? — Abel perguntou para Aldebaran, apontando com o dedo.
Aldebaran quase teve uma parada cardíaca quando confirmou que era realmente Mu dançando daquele jeito, com dois garotos o cercando.
— É ele mesmo. Vamos até lá... — Iria lá colocar aqueles abutres para correr.
E foi o que ele fez. Assim que os garotos avistaram Aldebaran ao lado deles, os encarando com cara de poucos amigos, correram.
— Debas!!! — Mu gritou de um jeito eufórico, jogando os braços no pescoço do amigo. Passou a mão pelos os chifres do capacete dele, depois as desceu para alisar uma das tranças que haviam nos longos cabelo do moreno. — Adorei a sua fantasia de... de... de que mesmo é a sua fantasia?
— Cara, o Mu está bebaço! — Algol ficou de queixo caído.
— Gente, quem é esse tourão? — Afrodite quis saber, fazendo Abel e Algol gargalharem enquanto Aldebaran fazia uma careta para os dois amigos. — Você é grande, heim?
Afrodite avaliou o moreno, pensando no quanto ele devia ser “bem-dotado”. Meu Deus! Olha só o que a minha mente desesperada por sexo está pensando! A culpa era de Shura por deixá-lo na seca, chegou a sábia conclusão.
Enquanto isso Algol e Abel estavam zoando o amigo de fraternidade, o apelidando de Tourão. Mas Aldebaran os ignorou, preocupado apenas com o seu irmão de fraternidade, que estava todo corado e alegre, claramente afetado pela bebida.
— É Stoico, o Imenso². Chefe da aldeia dos vikings em “Como treinar seu dragão” — respondeu para Mu sobre a pergunta da fantasia, ao mesmo tempo em que fazia uma pose para a foto que Mu queria tirar com ele. — O que você está bebendo?
— Se chama margarita. Uma delícia. Experimenta um pouquinho, você vai gostar... — Mu guardou o celular no bolso e deu o copo para o amigo, que só pegou para tirar-lhe a bebida.
— Chega por hoje, né...? — despejou o restante do conteúdo do copo no chão.
— Ei, você não podia ter feito isso... — Mu ficou bravo e estava a ponto de começar uma discussão com Aldebaran, quando este o interrompeu.
— E onde está Aiolia? — Apesar de gostar da ideia de não ver o colega de time “urubuzando” Mu, achou aquilo muito estranho. Sabia que Aiolia era possessivo demais com o colega de quarto para deixá-lo ali, sozinho, bebendo numa festa como aquela e ainda dançando com desconhecidos.
A pergunta fez Mu esquecer a vontade de discutir com Aldebaran, e a onda de dor no peito voltou a subir em sua garganta.
— Escolhendo o nome dos três filhinhos dele... — Fez um biquinho, que Aldebaran achou adorável.
— O quê? — Franziu o cenho — Aiolia tem filhos?
Então Mu começou a contar para ele todo o seu drama sobre Aiolia e Marin. Aquela fora a primeira vez que falava tão abertamente dos seus sentimentos, e Aldebaran logo deduziu que Mu bêbedo falava demais. De qualquer forma, o moreno não estava gostando daquela conversa, pois sentia ciúme, mas ainda assim o ouvia atentamente.
— Acho que está na hora de você esquecer Aiolia, Mu. — Aldebaran fez um carinho no cabelo dele. — Você é lindo e inteligente, e deveria dar uma chance a alguém que realmente gosta de você, sem medo de assumir isso.
— Você me acha mesmo bonito e inteligente? — perguntou, os olhinhos piscando de um jeito que Aldebaran achou a coisa mais linda do mundo. — Ou só está dizendo isso porque é meu amigo e quer me consolar?
— É claro que acho. Você é o garoto mais bonito e inteligente que conheço... E sei de uma pessoa que...
Aldebaran não pôde dar continuidade a conversa, porque Mu foi puxado por um Afrodite eufórico. O DJ começara a tocar Thriller, fazendo todos na pista de dança gritarem e se agitarem, animados.
— Eu adoro essa música! — Afrodite começou a fazer a coreografia, fazendo com que Mu o acompanhasse.
— Tourão, a gente tá indo para o bar — Algol informou ao colega.
— Tudo bem. Eu vou ficar por aqui... — Aldebaran ficou para proteger Mu. Ele tinha que cuidar do amigo, evitar que alguém se aproveitasse daquele estado dele. Além do mais, Mu estava andando com um Ômega Chi, portanto, era sempre bom ficar de olho. O outro podia ter embebedado Mu de propósito para algum trote.
Quando se afastaram, Algol cochichou no ouvido de Abel.
— Cara, a gente estava queimando nosso filme ali. Iriam achar que a gente também é veado... — Abel apenas sorriu de lado, e Algol continuou. — Os caras estão virando tudo gay, até Aiolia...
— Você se sente incomodado com isso?
— Você não?!
— Não. — Abel deu de ombros. — É bom que sobra mais mulher para nós...
— Que mulher?! Os caras só estão chamando machos pra festas ultimamente! Sabe, vou te contar uma coisa aqui, você jura que não conta para ninguém? — Depois de receber a confirmação do colega, prosseguiu. — Eu estava pensando em sair dos Sigma Tau, ir para uma fraternidade menos gay, sabe... — Algol confidenciou. — Dizem que as festas dos Kappa Zeta são lotadas de mulheres gostosas...
— De stripers e prostitutas gostosas, você quis dizer. Além disso aqueles caras são uns escrotos. A nossa fraternidade é a mais famosa, mais bem vista e a melhor daqui. Quer dizer, empatamos com os Ômega Chi, mas você não vai querer se juntar com aqueles babacas, não é?
— Claro que não! Odeio os Ômega Chi.
— Então esquece essa besteira. Vamos pegar umas bebidas e colocarmos em prática o que planejamos para esta noite.
— E o que vamos fazer essa noite?
— A mesma coisa que fazemos em todas as festas, Pinky. Tentar dominar as mulheres...
Os dois riram e, fantasiados de Pinky e Cérebro, saíram pela multidão cantando tudo quanto era garota bonita que viam pela frente.
Enquanto isso, Mu, Aldebaran e Afrodite continuavam dando um show na pista de dança.
Quando “Thriller” acabou, o DJ começou a tocar outras músicas de Michael Jackson, mas Afrodite parou de dançar para dar mais uma olhada pelo ambiente à procura de Shura. Mas onde está esse homem, gente?Embora estivesse tentando se divertir, o sumiço de Shura o estava deixando chateado. Foi então que avistou o cara fantasiado de Jack, o estripador, ainda o encarando. Afrodite já havia o notado antes, quando estavam no bar, e parecia que a pessoa havia seguido-o até a pista de dança. Ou seria apenas coincidência? Mas por que, então, a pessoa não parava de olhar em sua direção? Afrodite deu de ombros. Que se dane!Estava mais interessado em se divertir do que se preocupar com um possível psicopata.
Olhou novamente para o bar e pegou DeathMask também o observando. O idiota não iria sair de perto do bar, não? Será que estava bebendo daquele jeito por conta de Helena? Sentiu uma estranha sensação ruim ao pensar nisso. Fez uma cara de desdém e falou com Mu que iria ao banheiro, antes de se afastar, deixando-o sozinho com o Tourão
Como Aldebaran já tinha percebido que aquele não era um bom momento para tentar algo com Mu, já que ele estava alcoolizado, decidiu então apenas se divertir ao lado dele e começou a fazer o passo Moonwalk de um jeito engraçado, depois tentou ensinar para Mu. Eles estavam tão concentrados nos passos que não notaram que outras pessoas tinham se aproximado. Só foram perceber quando Aldebaran foi empurrado com força e saiu cambaleando, puxando Mu junto com ele.
Foi tudo tão rápido, que Mu só se deu conta do que estava acontecendo quando sentiu seu quimono sendo puxado para outro lado.
— Você vem comigo agora! — a pessoa ordenou, enfurecida. Só então Mu percebeu que era Aiolia. Mas antes que ele pudesse dizer alguma coisa, ele viu Aiolia cambaleando para o lado com o empurrão que havia levado de Aldebaran.
Aiolia levantou-se para revidar, mas foi segurado por Milo.
— Eu vou te arrebentar, seu babaca...
— Você não é homem para isso... — Aldebaran era segurado por Abel e Algol.
Antes, Milo estava conversando com Aiolia sobre o time de futebol, quando os outros dois garotos se aproximaram e comentaram com eles que Mu estava na festa, bêbado e dançando com Aldebaran. Aiolia saiu rugindo, esmagando tudo que via pela frente na direção de onde os garotos falaram que viram Mu, e todos foram atrás dele para evitar a briga.
— Vocês dois querem parar com essa merda! — Milo bradou aos dois homens que olhavam um para o outro. — Lembrem-se de que se brigarem serão expulsos do time.
Por sorte, nenhum deles havia bebido, o que tornava a tarefa de se controlarem algo possível.
— Ele estava se aproveitando de Mu! — Aiolia acusou.
— Eu estava era cuidando dele...
— Aiolia, eu vou te soltar. Mas você vai ficar quieto no seu canto.
— Ele me agrediu...
— O que você queria? Você já chegou dando uma “voadora” nele! Ele só revidou... — Milo disse, soltando Aiolia. Abel e Algol também soltaram Aldebaran, que, do mesmo jeito, prometera ficar na dele, caso Aiolia ficasse.
Mu piscava, aéreo, ainda sem entender direito o que estava acontecendo e sentindo tudo rodar.
Aiolia apontou o dedo para Aldebaran.
— Depois eu resolvo com você... — Segurou na mão de Mu. — Vamos...
— Eu não vou com você... — Mu soltou a mão de Aiolia, que ficou surpreso com a atitude. — Por que você não volta a planejar o futuro dos seus três filhinhos com a ruiva lá?
— O quê?! — Aiolia ficou sem entender do que Mu estava falando. — Que palhaçada é essa?! — Segurou outra vez a mão de Mu, mas ele novamente se soltou.
— Eu disse que não vou com você!
— O que deu em você, meu pequeno gafanhoto?
— Não sou mais seu pequeno gafanhoto... — Mu retrucou, antes de dar uma fungada.
— Não mesmo? — Aiolia olhou para a fantasia de Mu e sorriu, mostrando satisfação. Se soubesse que Mu iria para a festa fantasiado daquele jeito, teria se vestido de Senhor Miyagi.
— Ah, é isso. — Mu desamarrou a faixa preta em sua cintura, tirou a parte de cima de seu Quimono e jogou no chão, para a surpresa de todos.
Aiolia arregalou os olhos e, antes que Mu ficasse pelado ali, rapidamente pegou a roupa do chão e puxou Mu pelo braço. Mu reclamava, enquanto tentava se soltar, o que deixava Aiolia mais irritado do que nunca. Quando eles chegassem no quarto deles, o seu pequeno gafanhoto ouviria um belo sermão.
— Ele disse que não quer ir... Ele não é sua propriedade... — Aldebaran se colocou na frente deles.
Aiolia sentiu sua mandíbula apertar com mais força, largou o braço de Mu e voltou a bater boca com Aldebaran.
— Ah, não. Vocês não vão começar essa merda outra vez... — Milo olhou para o céu e suspirou. — Olha, vocês sabem que se brigarem seremos expulsos do time, e isso vai dar uma confusão das grandes. Eu vi o treinador Kanon aí, ele não estava brincando. Como líder da fraternidade, do time e representante do deus do trovão nessa festa, se continuarem terei que usar o meu martelo em vocês. Além disso, não se esqueçam de que somos irmãos, e os manos vem antes das minas, mesmo que Mu seja um mano também, mas enfim, vocês entenderam. O que quero dizer... — Milo começou a dar mil e um motivos para os garotos não brigarem entre si.
— Tá bom, Milo... já entendemos... — Aldebaran cortou, antes que Milo não parasse mais com aquele discurso.
— Me deixa terminar de falar...
Com medo de Milo recomeçar a falação, Aiolia voltou-se para Mu...
— Vamos embora... — Mas Mu não estava ali... — Ué? Cadê ele? — Olhou para Aldebaran. — Viu só o que você fez, seu imbecil...
— Alguém viu o Mu saindo? — Foi Milo quem perguntou. Estava tão entretido em dar um sermão nos meninos, que não vira Mu deixando a companhia deles.
— Ele foi em direção ao bar... — Algol respondeu
— E você não fez nada para impedir, seu bastardo...? — Aiolia reclamou, já se virando para ir atrás de Mu. Os outros o seguiram.
Já estavam próximos do bar quando perceberam um pequeno tumulto ali.
— Por favor, parem com isso. Vocês dois estão bêbados... — Eles reconheceram a voz de Shaina, tentando evitar uma briga. Ela segurava o porrete que havia pegado de DeathMask.
— Já estou por aqui com você! — Mu gritava, passando a mão por cima da cabeça, num gesto de corte. — Deixa o Dite em paz...
— Vai se foder, seu veadinho filho da puta... Só porque está comendo Afrodite, acha que tem algum direito sobre ele?
— Não me chame de veadinho novamente... — Mu gritou para DeathMask, antes de partir para cima dele, dando socos, que mais o irritaram do que machucaram.
DeathMask tentou acertar Mu, mas como estava zonzo, só conseguiu mesmo empurrá-lo com tudo no chão.
Aiolia fez uma careta e apertou fortemente os punhos quando se concentrou no filho de uma cadela que colocou suas mãos sobre Mu. Sem dizer uma palavra, ele caminhou até o bastardo e o socou com força, o fazendo cair sobre algumas mesas.
— Pare com isso. — Shaina se colocou entre eles, impedindo que Aiolia continuasse agredindo DeathMask. — Ele está bêbado, e vocês estão em grupo, isso é covardia.
— Covardia?! — Aldebaran achou um absurdo. — Covardia é um cara do tamanho dele querer bater em Mu.
— Então chama os outros Ômega Chi e vamos resolver isso de fraternidade para fraternidade... — Algol propôs. — Estou doido para pegar esses bastardos...
— Não! — Milo interferiu, como o bom líder que precisava ser. Ele mais do que ninguém detestava DeathMask e os outros Ômega Chi, mas se começassem uma briga de fraternidades ali, aquilo duraria mil dias. Além do mais, tinha a proibição de Kanon em relação às brigas. Deixaria passar esse período de jogos, depois eles se vingariam das afrontas que os Ômega Chi vinham fazendo para eles. — Ele está muito bêbedo, não vale a pena.
Aiolia apontou o dedo para DeathMask.
— Fique longe de Mu, ou não vai te sobrar um osso para contar história...
— Foi Mu quem procurou confusão com ele. — Shaina defendeu o primo.
DeathMask levantou-se cambaleando, mostrando seu estado de alcoolismo. Havia passado um bom tempo sentando no bar, bebendo uma dose de uísque atrás da outra, enquanto observava Afrodite sensualizando na pista de dança para aquele maldito veado Sigma Tau.
— Isso não vai ficar assim, seus merdas... — DeathMask ameaçou com a voz bastante embolada, limpando o sangue que saía de seu nariz. — Me devolve meu porrete, Shaina. Eu sozinho dou conta desses veadinhos...
Shaina revirou os olhos. Até parece que o primo iria conseguir vencer aquele grupo de garotos usando um porrete de plástico.
— O idiota está morto de bêbado, vamos embora daqui.... — Milo estava falando, quando viu Mu passar por ele, como que na velocidade da luz, em direção a DeathMask.
— Não vai mesmo, seu bastardo! Eu vou acabar com você por tratar mal o meu amigo... — Se Aiolia não tivesse sido ainda mais rápido e conseguido segurar Mu pela calça do Quimono, e depois passado o braço pela sua cintura, com certeza Mu teria pulado em cima de DeathMask novamente.
— Me solta, Aiolia! Eu vou dar uma lição nesse bastardo! — Mu lutava com unhas e dentes para se soltar.
Milo e os outros garotos não conseguiram conter as risadas. Nunca imaginariam aquela cena: Aiolia tendo que segurar Mu para não brigar. Era mesmo uma ironia do destino, ou melhor, da bebida.
— É melhor eu te levar de volta para o dormitório, antes que você crie mais confusão... — Aiolia também sorria, de certa forma se sentindo orgulhoso. Seu pequeno gafanhoto ficava ainda mais bonitinho valente daquele jeito. Apesar disso, fez uma anotação mental para manter Mu longe da bebida. Sendo do tipo bêbado valente, aquilo poderia colocá-lo em muitas confusões desnecessárias. — E você está proibido de beber outra vez.
— Eu não quero ir embora!
— Vamos embora sim, já chega de travessuras por hoje... — Aiolia teve que jogá-lo por cima do ombro para conseguir levá-lo em direção a porta de saída.
— Você tem sorte, DeathMask! — Mu gritou. — Da próxima vez eu vou chutar a sua bunda.
Aiolia se segurou para não rir mais.
Mu agarrou a cintura da calça jeans dele com o intuito de ajudar a empurrar-se mais para cima, a fim de que pudesse olhar mais uma vez para o rosto de DeathMask.
— Imbecil! Inútil...— Ainda o insultou, antes de perdê-lo de vista. — E fique longe do Dite...
* * *
Já no estacionamento, Aiolia colocou Mu no chão, ao lado do carro de Mime, que estava sob sua responsabilidade naquela noite.
Mu grunhiu e chutou o vento.
— Devo correr por segurança? — Aiolia reprimiu um sorriso enorme que estava ameaçando surgir.
— Você não devia ter me segurado. Eu vou voltar lá e acabar com ele...
— Ei... Ei... Espera aí... — Aiolia o puxou pela cintura outra vez. — É melhor você se vestir. — Entregou a blusa do Quimono para Mu, que pegou e a vestiu. Ela ficou aberta porque a faixa havia sumido.
— Você não devia ter me segurado... — repetiu, inquieto. — DeathMask teve muita sorte por vocês terem aparecido e me impedido de dar uma boa lição nele.
Aiolia começou a rir com gosto.
— Para de rir de mim! Você estava lá, você viu quando eu chutei o traseiro de DeathMask... — Aiolia não conseguia mais controlar o riso. — Idiota! Para de rir ou vou chutar o seu traseiro também!
Como Aiolia não parava de rir, Mu começou a dar alguns socos nele, mas este rapidamente o segurou pelos braços e prensou o corpo de Mu no carro.
— Tudo bem, meu pequeno gafanhoto, chute a minha bunda. Eu estou morrendo de medo de você — disse, tentando controlar a risada. Mu ficava tão bonitinho nervoso. Aquilo era raro, deveria provocá-lo mais vezes, pensou.
Enquanto Aiolia se divertia com a situação, Mu ficava cada vez mais nervoso, se debatendo e tentando empurrar Aiolia, sem sucesso.
— Vamos lá, meu pequeno gafanhoto, estou esperando...
Mu gemeu alto quando aumentou as suas tentativas e, ainda assim, não conseguiu se soltar dos braços fortes de Aiolia. Vendo que não tinha jeito, ele começou a exigir que o soltasse.
— Só se você me chamar de mestre...
— Nem em seus mais lindos sonhos, Aiolia... — deixou claro.
Aiolia riu novamente.
— Você não vai querer saber como são os meus sonhos com você.
Mu corou pelo tom malicioso e desviou o olhar.
— Você tem sorte por meu estômago está revirando, e isso está me deixando tonto e me impedindo de usar toda a minha força para chutar você.
Aiolia rapidamente soltou os braços de Mu, e segurou o seu rosto.
— Você está passando mal? — Ele ficou realmente preocupado. — Você não deveria ter bebido. Afrodite vai ouvir poucas e boas. Eu sabia que ele não era uma boa companhia para você...
— Você não sabe de nada — Mu gritou, escandalosamente. — Você é um idiota! Um idiota! — Mu começou a estapear Aiolia.
— Para com isso! O que deu em você, meu pequeno gafanhoto? O que diabos você bebeu? — Tentou controlá-lo. Mu parecia ter se transformado em outra pessoa.
— Para de me chamar de meu pequeno gafanhoto, eu já falei que não sou seu pequeno gafanhoto. Vai procurar sua ruiva e planejar o futuro dos seus três filhos com ela, vai...
— Isso de novo!? Do que você está falando?!
— Não se faça de desentendido! — Mu soluçou. — Estou falando de você e Marin. Por que você não volta para a festa e vai ficar com ela, e me deixa logo em paz. Para de fingir que se importa comigo quando o que você quer é se casar com a ruiva numa ilha paradisíaca na Grécia...
— Mas que loucura é essa?!
— Eu vi vocês dois juntos no maior amor, assim que cheguei aqui...
E então Aiolia se deu conta do que estava acontecendo.
— Então é isso. — Ele abriu um largo sorriso. — Você está com ciúmes de mim...
— Eu não estou com ciúmes de você! — Mu soluçou novamente. — Eu nem me importo com você...
— Olha, eu não sei porque você cismou comigo e Marin, mas não existe nada entre nós dois além de amizade. — Aiolia enfiou os braços por dentro do Quimono de Mu, segurando sua cintura e alisando. Mu sentiu a cabeça girar ainda mais do que já estava girando e suspirou ao experimentar o toque das mãos de Aiolia em sua pele.
— Não era o que parecia — falou com a voz já mansa, parecendo um gatinho manhoso que se derretia depois de um carinho do dono.
— Eu realmente tive uma conversa rápida com Marin no início da festa, mas foi só isso. Eu não tenho esse tipo de interesse nela.
— Tem certeza? Ela é tão bonita!
Aiolia balançou a cabeça negativamente.
— Eu não te disse que estava interessado em um garoto? Eu achei que meus sentimentos fossem óbvios e que você havia entendido de quem eu estava falando.
Mu ofegou.
— Olha, eu vou falar com todas as letras que é para não haver mal-entendido dessa vez. — Aiolia estreitou as mãos na cintura de Mu, puxando-o quase inconscientemente para mais perto, apertando o corpo contra si. Estava com receios de falar tão diretamente antes porque não tinha certeza se Mu queria a mesma coisa. No entanto, depois do momento que tiveram no início da semana e dessa cena de ciúmes, ele não tinha mais dúvidas. Aproximou os lábios da orelha de Mu, fazendo a pele dele eriçar. — Desde que eu te conheci, que eu não consigo me interessar por mais ninguém, e Deus sabe que eu tentei muitas vezes. Mas...
Mu puxou o ar pela boca, o coração pulsando na garganta.
— Toda vez que olho para você, meu pequeno gafanhoto, eu quero você. Quero você o tempo todo, e não é como um amigo...
Mu não conseguia pensar, não conseguia respirar, não conseguia falar. Suas pernas não estavam fazendo um bom trabalho ao apoiá-lo, e ele tinha certeza de que estava derretendo. Ainda bem que Aiolia o segurava. Mesmo assim, ele jogou seus braços sobre os ombros de Aiolia, agarrando-o com força. Seria aquilo efeito da bebida ou da declaração? Talvez dos dois.
— Aiolia... — conseguiu sussurrar, com os olhos já se fechando involuntariamente ao sentir os lábios de Aiolia roçando nos seus. O beijo era suave, hesitante, apenas seus lábios roçando levemente um contra o outro, mas arrepios de excitação percorrem o corpo de ambos com o toque, fazendo suas respirações se agitarem. Sem saber como, Mu ainda conseguiu pronunciar com a voz arrastada. — Eu também quero você...
Então, com um movimento rápido e quase agressivo, Aiolia aprofundou o beijo com a gula de quem não aguentava mais esperar por aquilo.
* * *
Fale com o autor