Golden College

7 My favorite teacher


Notas iniciais
Olá, meus amores... Obrigada a todos os leitores lindos que deixaram um comentário no capítulo passado. Vcs são demais! Obrigada tbm a Sarah Hardt, que betou esse capítulo em tempo record. Beijão e até mais.

— GOLDEN COLLEGE —

My favorite teacher

O cheiro de café invadiu os sentidos de Afrodite assim que o Starbucks ficou à vista. Ele fora até lá para se encontrar, ou melhor, esbarrar no seu professor de História da Arte, o senhor David Hoffmann, com o intuito de colocar o seu plano em ação. Era um plano simples, prático e funcional. Afrodite entornaria café na camisa do senhor Hoffmann, de modo que ele seria obrigado a ir até o banheiro lavar a mancha no tecido antes de seguir para a aula. Então, Afrodite aproveitaria o momento e, disfarçadamente, fotografaria o professor sem camisa.

Não era como se Afrodite tivesse interesse em ver um homem de meia-idade, careca e com uma barriga saliente, nu da cintura para cima. Mas era o professor que se enquadraria melhor e com mais facilidade em seu plano, já que Afrodite sabia que o senhor Hoffman sempre passava na cafeteria antes da aula para tomar a sua dose diária de cafeína. Ikki lhe dera essa informação.

Estava cedo ainda quando Afrodite chegou na cafeteria, e havia apenas um punhado de clientes; um deles era o Senhor Hoffman, lendo um jornal no canto.

Afrodite foi até a fila, agradecendo mentalmente por haver apenas duas pessoas na sua frente, e assistiu Ikki, de mal humor, substituir o filtro, medir o café e definir os controles para atender um cliente exigente e antipático.

Ikki trabalhava no Starbucks três vezes por semana, além de fazer alguns bicos como professor de artes marciais, entre outras coisas, para ajudar nos gastos da faculdade. Havia conseguido meia-bolsa de estudos, porém, não era o suficiente. Ainda que sua família tivesse dinheiro para pagar, ele, orgulhoso como era, recusava-se a aceitar a ajuda do pai desde que levara uma surra dele, ao ser encontrado aos beijos com outro garoto no porão de sua casa. No dia, Ikki ficara com hematomas por todo o corpo e só não revidara a agressão por conta do desespero de sua mãe e de seu irmão caçula.

— Americano hoje, ou algo mais? — Ikki perguntou quando chegou a vez de seu colega de quarto.

— Americano — respondeu.

— Que figurino é esse? Não vai me dizer que é a nova moda em Paris... — Ikki zombou, registrando o pedido.

— Tarefas da fraternidade. — Afrodite abanou a mão como se aquilo não fosse nada demais. — Você também não está nada bem. Parece que nem dormiu.

— E não dormi mesmo. Tive que aguentar uma noite inteira de chantagem emocional, mas isso não vem ao caso. Sinceramente, não sei o que vocês veem nesses eventos gregos¹, mas estou achando que não terei saída...

— Não me diga que você também está pensando em entrar para uma fraternidade?! Meus Deus! Se for, eu não duvido de mais nada nesse mundo.

— Não era minha intenção, mas estou pensando sobre isso. — Ikki acrescentou uma capa protetora e uma tampa antes de entregar o copo. — Agora tenha um bom dia! — Olhando por cima do ombro de Afrodite, ele disse. — Próximo?

Afrodite sorriu de lado. Ikki bancava o durão, mas, no fundo, era uma manteiga derretida. Não aguenta ver alguém mais sensível chorando, que ele acabava fazendo o que a pessoa queria. Afrodite acenou para o colega ao despedir-se e saiu soprando o seu café a fim de esfriá-lo; afinal, não era sua intenção causar uma queimadura em seu professor. Seguiu na direção onde vira o senhor Hoffmann e, quando percebeu que o professor já não estava mais lá, quase se descabelou. Que droga! Afrodite resolveu dar uma olhada pelo ambiente com a intenção de procurá-lo, ficando desatento à outras coisas. Foi então que ouviu uma voz conhecida.

— Afrodite... — Na saudação inesperada, ele pulou, derrubando o copo de café sobre a camisa de seu professor de Espanhol.

— Oh, Meu Deus! — Afrodite rapidamente pegou um lenço de papel em cima da mesa ao lado e esfregou sobre a camisa de Shura, tentando secá-la, enquanto murmurava uma maldição. A última coisa que ele queria era que o seu professor gato fosse testemunha de seu estado deprimente. Sentiu-se péssimo por Shura vê-lo com aquelas roupas rasgadas e com os cabelos despenteados. Tinha ficado tão aliviado por não ter aula de espanhol naquele dia! Shura sempre lhe direcionava toda a atenção nas aulas e sempre rolava aquele flerte sutil. Mas, agora, duvidava de que o professor fosse continuar flertando com um aluno que saía vestido como um mendigo pelo campus e ainda derrubava café nele. — Me desculpa, me desculpa...

— Tudo bem — Shura falou, fazendo um muxoxo ao olhar a mancha de café em sua camisa. Ainda bem era de uma cor escura.

— Eu sinto muito, muito mesmo... — Afrodite não sabia onde enfiava a cara. Por que sempre tinha que fazer papel de bobo na frente de Shura?

— Está tudo bem, mesmo. — Shura tentou tranquilizar seu aluno, apesar de ter se chateado com o incidente. — A culpa foi minha, eu não queria assustar você. Acho melhor eu ir a um banheiro lavar isso, enquanto tenho alguns minutos antes da minha aula.

Afrodite suspirou. Não era exatamente assim que havia planejado, mas, fazer o quê?! De qualquer forma, ver Shura sem camisa seria bem mais interessante do que ver o senhor Hoffmann, pensou antes de seguir o seu professor.

No banheiro, enquanto Shura desabotoava lentamente a camisa, Afrodite vidrava os olhos nele, apatetado. Ele era mais bonito do que imaginara. Era a visão do paraíso! Ficou paralisado observando o tórax definido de seu professor e quase se esqueceu de sua tarefa. Quase! Ao se lembrar, pegou seu celular e aproveitou-se que Shura estava de costas abaixado sobre a pia, e capturou a cena. Mas, ainda que Afrodite tenha tido o cuidado de fazer isso de modo discreto, Shura percebeu.

— O que você está fazendo?! Ficou maluco?! — Shura se irritou. Qual era o daquele garoto?! Queria tirar fotos suas para fazer graça nas redes sociais?! Queria sacaneá-lo? — Apaga isso agora!

Afrodite esbugalhou os olhos, completamente sem graça. Só queria que o chão se abrisse para que pudesse se esconder. Estaria o professor achando que ele era algum tarado?

— Oh, me desculpa...

— Apaga essa foto agora. Quero ver você apagar... — rosnou.

— Eu não posso... sinto muito. Preciso dessa foto para conseguir entrar para a fraternidade. — Ai, meu Deus! Eu quero morrer! Que vergonha!

— Então você derramou café em mim de propósito?!

Afrodite nunca imaginara que o seu professor, que sempre fora tão atencioso com ele, pudesse lançar-lhe um olhar tão rígido.

— Não! Quer dizer, eu tinha planejado isso, mas não com você. Eu estava procurando o senhor Hoffmann quando você apareceu... — Afrodite tentou se explicar. — Eu... eu nem queria que você me visse assim...

O olhar de Shura se tornou avaliativo antes de ele respirar fundo, abrandar a sua expressão e passar as mãos pelo cabelo, ao perceber o quanto Afrodite parecia constrangido com a situação. A verdade é que ele entendia os motivos do garoto. Também fizera muitas coisas para entrar para os Sigma Tau na sua época de universitário.

— Você é candidato de qual fraternidade? — quis saber, já mais calmo.

— Ômega Chi — Afrodite respondeu.

— Eram nossos maiores rivais. — Shura torceu os lábios. — Eu era dos Sigma Tau, a melhor fraternidade do campus. Por que escolheu logo os Ômega Chi?

— Tem um garoto lá que...

— Seu namorado? — Shura interrompeu, depois se deu conta de sua indiscrição. — Quer dizer, me desculpe se perguntei bobagem, não estou afirmando que você seja...

— Tá tudo bem, professor... — Afrodite fez um gesto de descaso com a mão, entendendo o motivo do receio de Shura. — Eu sei que eu dou a maior pinta.

Shura sorriu de uma forma que Afrodite achou encantadora, então fez questão de esclarecer.

— Ele não é meu namorado não. É só um imbecil homofóbico que se acha bom demais. Me deu uma lista de coisas quase impossíveis para que eu não consiga entrar para a fraternidade, só porque eu sou gay — disse, omitindo a parte do beijo. Sim, ele sabia que essa implicância de DeathMask era por conta daquilo, entretanto, não permitiria que aquele babaca o diminuísse. O problema era de DeathMask se ele não enxergava direito.

— Bem, você não pediu a minha opinião, mas como alguém mais experiente e seu professor, me sinto na obrigação de questionar. Não acha desnecessário ter todo esse trabalho para ficar com pessoas que não te querem por perto? Tem tantas outras fraternidades legais aqui.

— É mais forte do que eu. — Afrodite suspirou. — Sou competitivo demais e não vou dar a ele o gostinho de se sentir vitorioso. Se ele acha que sou uma rosa, como ele diz, que não dou conta do recado, vou esfregar tudo isso na cara de tacho dele. Além do mais, não tenho problemas com os outros garotos. Até sou amigo de um deles.

— Você parece decidido. — Shura refletiu por uns segundos, enquanto tentava secar sua blusa no secador de mãos do banheiro. Não queria que Afrodite o achasse um carrasco, queria que o garoto o visse com carinho, como um amigo, e tomou uma decisão. Devia estar ficando louco por isso, pensou. — Tudo bem, vou fingir que não vi você tirando essa foto.

Shura não pode deixar de rir quando Afrodite soltou um gritinho animado.

— Não é à toa que você é o meu professor favorito!

— Mas olhe lá, depois que mostrar a eles, quero que apague. — Shura fez uma ressalva. — Não quero vê-la em redes sociais. Infelizmente, o que acontece com nossa vida fora da sala de aula interfere no nosso emprego. O presidente daqui é muito rigoroso com seus professores.

— Eu prometo que você nunca mais vai ouvir falar dessa foto. — Afrodite cruzou os dedos e o levou aos lábios, dando um beijo, antes de abrir um largo sorriso.

Shura sorriu. Afrodite era tão alegre, tão carismático. E mesmo vestido daquele jeito continuava irresistível. Eu definitivamente estou ficando maluco!

— Quer jantar comigo essa noite? — Shura convidou, ao mesmo tempo em que ajeitava sua camisa no corpo.

Afrodite arregalou os olhos. O seu professor maravilhoso, dono de um abdômen também maravilhoso, estava o convidando para um encontro?! Ah. Meu. Deus!

— Claro! — respondeu e, só depois, lembrou-se de um pequeno detalhe. Droga! — Na verdade, hoje temos uma reunião com os veteranos para dar conta das tarefas. Mas podemos combinar amanhã, o que acha?

— Tenho um compromisso importante amanhã — Shura falou e se lembrou de que estaria sozinho no final de semana. — Que tal sexta-feira, às oito?

— Já está marcado! — falou rápido, e Shura sorriu de leve.

— Tudo bem, então. Você gosta de comida japonesa?

— Adoro! Quem não gosta de um peixe cru?

Shura riu novamente.

— Tenho que ir para aula agora. Se eu ficar mais um segundo, acabo me atrasando. Te vejo na sexta, ou melhor, te vejo na aula amanhã... — Shura falou, charmoso, e se despediu.

— Ah, professor Shura... — Afrodite o chamou. — Eu sinto muito por ter derramado café em você.

— Espero, ao menos, que você consiga esfregar a lista na cara desse garoto idiota. — Piscou para Afrodite.

— Ah... tenha certeza de que eu vou sim!

Shura saiu e Afrodite aproveitou para comemorar o encontro com alguns gritinhos e pulos. Depois, se recompôs e saiu para continuar suas tarefas. Mais um dia de aula perdido!

* * *

Quando Milo chegou na sala onde aconteceria aula de Física, ficou impressionado. Não imaginava que estaria tão cheia. Parado em frente à porta, seus os olhos percorreram as fileiras até que avistou Camus sentado na fila da frente. Sorriu. Aquele cabelo ruivo perfeitamente arrumado, a familiar camisa de tecido liso e botões, impecavelmente passada, e seus sapatos lustrosos, livres de arranhões. Lindo! Camus estava entre um garoto moreno que usava óculos de grau e um rapaz loiro, bonito, de nariz empinado. Milo fez uma careta. O loiro devia ser o tal do Christian.

Não havia uma cadeira vaga perto deles, mas havia uma cadeira vazia duas fileiras atrás. Não seria o bastante, pois Milo queria sentar-se ao lado de Camus, que estava tão concentrado numa conversa com o garoto loiro que nem o notou, parado na porta da sala.

O professor Saga entrou, e Milo abriu a boca, surpreso. Se não fosse por aquele semblante sério e aquele terno de modelo clássico, poderia jurar que era o treinador Kanon. A única diferença era que Kanon tinha o corpo um pouco mais musculoso e se vestia de um jeito mais esportivo.

— Se todo mundo estiver sentado, vamos começar — O professor falou, e Camus virou-se para frente, arregalando os olhos ao ver Milo, o único “aluno” de pé. O que diabos ele estava fazendo ali, na aula de Física?!

Christian bufou quando Milo acenou e sorriu para Camus, antes de se dirigir até a cadeira vazia entre uma garota tagarela e um cara sonolento.

— Este assento está ocupado? — Milo sussurrou para o garoto sonolento.

— Tanto faz — o cara disse, frio, sem ao menos olhar para Milo, que deu de ombros e sentou-se. Cara estranho!

Como o assento era angular, de onde Milo estava dava para observar perfeitamente Camus, vidrado na aula.

Milo pegou uma folha de seu caderno, escreveu um bilhete, fez uma bolinha com o papel e jogou na carteira de Camus. Só que ele errou o alvo, e a bolinha bateu na cabeça do garoto de óculos. O garoto virou para trás, e Milo fez um gesto amistoso pedindo-lhe para que trocassem de lugar; contudo, o garoto apenas olhou torto para Milo e voltou sua atenção para a aula.

Milo suspirou. Fez outra bolinha de papel e, dessa vez, sua mira foi realmente na cabeça do garoto de óculos. Nada. Depois outra bolinha. E outra...

— O que você quer afinal? — o garoto se irritou, virando-se para trás, chamando a atenção de algumas pessoas.

Milo recostou-se na cadeira, fingindo que não era com ele, olhando para os lados como se procurasse com quem o garoto estava falando.

Saga olhou atravessado para o garoto, sem interromper sua palestra.

Camus suspirou, fazendo um movimento circular na testa com os dedos, como se previsse uma dor de cabeça. Sequer olhou para trás, sabia que aquilo só podia ser coisa de Milo.

O garoto bufou e voltou sua atenção para a aula. Minutos depois, outra bolinha de papel. E outra... e mais outra. Até que ele se levantou de supetão, lançou a Milo um olhar ameaçador, e se dirigiu à outra cadeira vazia na fileira de trás, bem longe do alcance de Milo. Só queria assistir sua aula em paz, droga!

Milo não esperou nem um segundo para levantar-se, pegar seu caderno e rolar escada abaixo, sentando-se na cadeira ao lado de Camus.

— O que você está fazendo aqui? — Camus sussurrou. — Você nem está matriculado nessa aula...

— Claro que estou — mentiu.

— Você? Fazendo Física Avançada?! — Christian deu um risinho em descaso.

— Eu conheço você de onde mesmo? — Milo olhou para Christian com um brilho frio nos olhos e a mandíbula apertada.

— Shih...! — Camus fez, voltando sua atenção para Saga. — Fiquem quietos, vocês dois.

Milo se recostou na cadeira, depois de trocar olhares desafiadores com Christian, e virou-se para frente. Fez uma careta ao perceber que não entendia nada do que o professor falava. Fótons? Átomos de rubídio? O que era aquilo?!

— ... diferente da maioria das partículas, fótons não tem uma massa intrínseca detectável, e, a despeito disso, eles têm um momento proporcional a sua frequência e seu momento pode ser transferido quando um fóton colide com outro...

— O que diabos ele quis dizer com isso, Camus? — Milo perguntou, baixinho.

— Se você disparar dois feixes de laser um em direção ao outro, eles simplesmente vão passar um pelo outro, sem se afetar, porque eles são partículas sem massa.

—Ah... — Milo sorriu. — Será que ele nunca viu as espadas dos mestres Jedi em Star Wars? — brincou.

— Isso é ficção científica, idiota. Não há como criar sabres de luz². — Christian se intrometeu, e Milo mostrou-lhe o dedo do meio, fazendo Camus suspirar mais uma vez.

— E não tem como fazer uma, Camus? — Milo perguntou. — Vocês físicos não conseguem isso? Seria demais!

— Para isso teríamos que criar um novo estado da matéria, Milo, de maneira que os fótons se comportassem como moléculas.

— A criação de "moléculas fotônicas" contraria o conhecimento científico aceito há décadas sobre a natureza da luz. — Christian se intrometeu novamente, com um risinho sarcástico para Milo. — E mesmo que conseguíssemos criá-las, não seria para construir espadas luminosas, e sim algo muito mais produtivo...

— A sua opinião é um zero absoluto para mim — Milo o interrompeu.

— Shih... — Camus fez novamente. — Dá para vocês dois pararem? Eu quero prestar atenção na palestra.

— Tá bom... Tá bom... — Milo se recostou na cadeira novamente e colocou o braço atrás das costas de Camus, alisando os longos e macios cabelos ruivos do ex-namorado.

Camus suspirou e voltou sua atenção para o professor.

— ... Desafio vocês a fazerem um experimento que explore as propriedades dos fótons e faça com que eles se agrupem de uma maneira diferente. Me procurem quando tiverem uma boa ideia.

Saga finalizou a aula, e todos se levantaram, guardando seus materiais de estudo. Camus conferiu as horas no relógio, estava na hora do almoço.

— Você já pode ir embora, Milo. A aula de Física “Avançada”, tão importante para o seu currículo de jogador de futebol, acabou. — Christian foi sarcástico. — Camus e eu vamos almoçar agora e conversaremos sobre nossos projetos “juntos. Coisas realmente relevantes, sabe... e que você não entende.

— Você também já pode ir, Christian, porque eu vou almoçar com o Camus antes de irmos “juntos” para a aula de Ciências Políticas. E depois, quem sabe, fazer algo mais interessante do que conversar sobre física quântica, se é que você entende o que quero dizer... — Milo piscou para Christian, que ficou indignado com aquela ousadia.

Eu mereço! — Camus revirou os olhos.

— Quer saber, vão almoçar vocês dois “juntos”. Sozinhos, vocês ficarão mais à vontade para o concurso de mijo³. Eu vou falar com o professor agora mesmo; aproveitar a ideia que Milo me deu — Camus falou e saiu em direção ao escritório de Saga.

Milo estufou o peito, olhando para Christian como que dizendo “viu só?”

— Eu dei uma ótima ideia a ele! — falou e depois pensou: Mas que ideia mesmo eu dei ao Camus?!

— Idiota! — Christian saiu pisando duro, em direção ao refeitório.

* * *

No mesmo corredor, Saga já estava de saída para o almoço quando Camus o abordou na porta de seu escritório, pedindo-lhe que o ouvisse por alguns minutos sobre as ideias que tinha em mente para o seu projeto. Saga assentiu e o convidou a entrar.

Camus já havia entrado naquela sala antes, mas sempre ficava impressionado com tamanho bom gosto na decoração. A sala também era rodeada por estantes com livros de todos os tipos e de todas as línguas.

— Desculpe-me interromper o seu intervalo, professor.

— Tudo bem, não se constranja com isso. Sempre tenho um tempo para alunos brilhantes como você. — Saga deu um sorriso simpático, e Camus corou, meio encabulado. Tinha tanta admiração por aquele professor! Um elogio dele era algo precioso para Camus.

Eles já haviam trabalhado juntos num projeto de física, no verão passado, e ambos faziam parte do grupo de Astrofísica, mas, ainda assim, Camus sempre ficava muito impressionado com ele.

Saga era um dos professores mais respeitados e mais importantes da Golden College, além de ser uma personalidade admirada, não só nos Estados Unidos, mas em vários outros países. Já ganhara muito prêmios por suas teses e projetos na área da Astrofísica, além de ter vários livros publicados, entre eles, “Outra Dimensão” e “Explosão Galáctica”, que dissertavam sobre vida em outros planetas e sobre a teoria do big bang.

Somado a todo esse currículo, Saga também era um homem incrivelmente bonito e de presença marcante. Alto, corpo atlético, seus longos cabelos castanho-escuros e esvoaçantes causavam inveja em muitas garotas daquela faculdade.

— Por favor, sente-se. — Saga fez um sinal para que Camus se acomodasse, fazendo o mesmo em sua poltrona. Com outro sorriso, foi direto ao ponto.

— Qual a proposta da sua tese?

— Acredito ser possível criar um meio de fazer os fótons interagirem e agirem como se tivessem massa.

— E como acha que pode fazer isso? Até onde sabemos, os fótons têm sido descritos como partículas sem massa que não interagem uns com os outros.

— Mas isso em condições ambientais "normais", e se mudarmos o meio onde os fótons se propagam? — Camus falou, dando uma pausa para observar as reações de seu professor, que estava com as duas mãos cruzadas abaixo do queixo, prestando atenção em suas palavras. Então, Camus continuou. — Acredito que se esfriarmos os átomos até alcançarmos a temperatura do zero absoluto, as partículas da matéria deixarão de se mover e, então, poderíamos estimulá-los a se unirem e se comportarem como partículas moleculares. Assim, ao interagirem entre si, ao invés de se atravessarem, iram empurrar e defletir uns aos outros.

Saga sorriu, entusiasmado.

— Se conseguirmos isso, abriremos um imenso campo a ser explorado, e poderemos usar esses conhecimentos para construir computadores quânticos.

E, quem sabe, até mesmo um sabre de luz, pensou Camus. Já imaginando a cara de Milo.

— Sim, professor.

— Gostei da sua ideia. O zero absoluto tem se tornado nosso santo graal e é considerado como a porta para muitas novas tecnologias. Acredito que pode dar certo. Serei o seu orientador e trabalharei com você nesse projeto. — Saga olhou no relógio. — Entretanto, tenho pouco tempo agora para o almoço, pois darei uma palestra logo mais. Vamos combinar de nos encontramos mais tarde no laboratório de física de partículas, para colocarmos o trabalho em prática o mais rápido possível.

Camus respirou profundamente, feliz com seu novo projeto. E mais feliz ainda pelo apoio do professor pelo qual ele tinha a maior estima e admiração.

* * *

Já era final de tarde quando Aiolia, sentado no banco de reservas, chateado, observava seus companheiros em campo. Aquilo era injusto! Era totalmente injusto! Ele era o melhor jogador daquele time e estava no banco de reservas por um erro que cometera em apenas um jogo. E pior, ele nem sabia exatamente o que tinha acontecido direito naquele dia, tudo era uma verdadeira incógnita. Entretanto, uma coisa era certa: ele precisava reassumir o seu posto de quarterback titular do time.

— Está bom por hoje — o treinador Kanon gritou antes de apitar, liberando seus atletas do treino.

Milo correu até a mesa, pegou uma garrafa de água dentro do isopor e bebeu tudo numa golada só, antes de se jogar deitado no gramado.

— Você errou demais no treino de hoje. — Kanon se aproximou do capitão de seu time. O treinador tinha um carinho com todos os seus jogadores, mas havia desenvolvido uma estima especial por Milo desde o primeiro ano em que o garoto entrara na faculdade. O treinador percebera que tinham muitas afinidades, achava-o bastante parecido consigo na juventude. — Você estava muito desatento, sem concentração...

— Eu sei, foi mal. Prometo me concentrar mais nos próximos jogos.

— Foi péssimo! Futebol é coisa séria, quero mais dedicação.

Milo levantou um pouco o tronco, escorando-se em seus cotovelos, e riu, balançando a cabeça.

— Estudo há dois anos aqui e não sabia que você tinha um irmão gêmeo. — Na verdade, Milo já cruzara com Saga pelo campus de forma rápida, mas como os irmãos se vestiam e se comportavam de forma tão diferente, ele não notara a semelhança. — Eu o vi na aula de Física.

— Física?! Achei que não fosse esse o seu curso.

— E não é. Eu não suportaria estudar aquilo. — Milo bufou. — Achei muito maçante a aula. Agora, me diga, treinador, o que leva alguém a gostar de uma coisa tão chata quanto física quântica?

— Eu me pergunto isso todos os dias. — Kanon estalou a língua, antes de suspirar, fazendo Milo sorrir novamente. — Agora chega dessa conversa de maricas, não quero vê-lo desatento nos treinos, ouviu bem? Já basta ter que deixar no banco de reservas o meu melhor quarterback, não quero deixar o capitão do time de fora também. Estamos entendidos?

— Entendido, capitão! — Milo se levantou, fazendo o cumprimento de militares. O treinador Kanon era o melhor professor daquela faculdade, pensou.

Kanon ficou observando Milo dirigir-se para o vestiário junto com os demais jogadores do time, implicando uns com os outros, e sorriu. Adolescentes!

* * *

Depois de horas de treino duro, os jogadores de futebol estavam no vestiário tomando banho e cuidando de seus ferimentos.

— Vocês vão ao Sanctuary esta noite? — Algol perguntou aos colegas, enquanto vestia uma cueca. — Soube que as calouras de Zeta Delta Zeta estarão competindo com as calouras da Delta Psy num desfile de camisetas molhadas.

— Acho que vou terminar o meu trabalho de Biologia com Mu — respondeu Aiolia, enquanto passava um desodorante. Ele já havia tomado banho e estava com apenas uma toalha branca enrolada na cintura. — Perdi aula de hoje porque, claro, eu não iria sair do quarto só de cuecas. — Olhou para Milo, que apenas sorriu da expressão de desagrado do primo.

— Qual é Aiolia, estava contando com sua companhia, cara. Somos poucos héteros aqui nesse time, temos que marcar presença no evento. Mostrar que aqui também tem macho. — Algol levou uma toalhada de Aldebaran, na bunda, e soltou um suspiro de frustração. — Os caras da Ômega Chi estão faturando as garotas mais gatas...

— Primeiro, eu também gosto de garotas, senhor macho alfa — Milo gritou do chuveiro. — Mas acho loucura fazer esse tipo de competições em dia de aula. Deveria deixar isso para o final de semana.

— Você está de sacanagem?! — Aiolia se indignou. — Hoje teve aula e treino, e você nos fez dormir ao relento, ou melhor, ficar sem dormir à noite toda. Mu está revoltado porque perdeu aula.

— Mas isso foi só para os candidatos. As aulas são mais fáceis para vocês, calouros, nos primeiros dias. E eu também preciso ler uns textos sobre física quântica. — Sim, porque Milo não iria deixar Christian chamá-lo de idiota novamente. Mostraria àquele nerd metido, na próxima aula de Física, que também conhecia algumas coisas sobre fótons, átomos e essas coisas. Camus se orgulharia dele. Ainda que tivesse achado o assunto muito chato.

Mime deu uma gargalhada, enquanto se ensaboava dentro do chuveiro.

— Meu Deus! O que o Milo não faz por causa de sexo.

— Vá se ferrar, oh, veado. — Milo gritou, em tom de brincadeira, enquanto saía do chuveiro e enrolava uma toalha na cintura. — E para de ficar tentando me seduzir com esse sabonete pra lá e pra cá...

— Não é para o seu bico!

— Ei... Cuidado que seu passado te condena. Não cospe no prato que te comeu.

— Até você, Mime?! — Aiolia exclamou.

— Mentira! Ah... Milo, seu conversador!

— Então ninguém aqui vai? — Algol quis saber.

— Eu vou — Abel disse e, em seguida, alguns outros jogadores confirmaram presença.

— Tudo que penso nesse momento é tomar um Gatorade e bater um rango — disse Aldebaran. — Além disso, eu não vou porque estou de olho num certo calouro loirinho e meigo que acabou de entrar para nossa fraternidade, então vou me comportar direitinho...

Aiolia bateu com força a porta do armário e apontou um dedo para Aldebaran.

— Eu já disse para você ficar longe dele.

— Oh, foda-se, você. Ele não é sua propriedade!

Aiolia sentiu sua mandíbula apertar com mais força.

— Eu arrebento a sua cara primeiro.

Aldebaran gargalhou.

— É preciso dois de você para conseguir fazer isso.

— Isso já está enchendo o saco, Aiolia! — Mime saiu do chuveiro. — Você diz que não o quer, mas fica nesse ciúme louco. Se você está interessado, fala logo com o garoto, ao invés de ficar fazendo cu doce. Cara problemático!

— Somos apenas amigos. Eu não tenho interesse nele desse jeito que você está pensando.

— Até parece que ele já não está transando com o cara. Só não quer que a gente saiba, Mime — Abel comentou, maldoso.

— E eu vou logo te avisando: amizade colorida é uma merda quando apenas um se apaixona, não é igual nos filmes e livros onde amigos perfeitos viram casalzinho perfeito, não — Mime falou por experiência própria. Arrependia-se todos os dias por ter se apaixonado e “estragado” sua amizade com Ikki.

— Do que vocês estão falando, eu e Mu não estamos juntos. Vocês estão loucos! — bradou Aiolia.

— Ah é? — Abel retorquiu. — Então por que você não sai mais com garotas? Quando você chegou aqui, saía atirando para tudo quanto é lado, mexendo até com as namoradas dos amigos. Parecia um bicho no cio. Depois que começou a andar com esse Mu, você dispensa todas as garotas que chegam em você. Está na cara que você está caidinho pelo loiro.

— Isso é bobagem!

— Não é não, Aiolia — Milo que estava ao lado dele, passando uma pomada relaxante muscular nas pernas, falou. — Não estamos imaginando coisas, Aiolia. Você passou quase todos os segundos com ele nos últimos dias.

— Eu gosto da presença dele. Qual o problema nisso?

— Quando vejo você e Mu juntos, a única diferença que há entre eu e Camus quando nós namorávamos é que você e o Mu não estão transando. Fora isso, não tem diferença nenhuma.

— Tem uma enorme diferença, Milo. Você é que está imaginando coisas — Aiolia falou e se afastou, sentando-se na maca de massagens, enquanto calçava seu tênis. — Admita, você sente alguma atração por ele.

Aiolia respirou profundamente antes de falar baixinho, apenas para Milo escutar.

— Você sabe que não tem como eu me envolver com Mu. Primeiro, porque eu não tenho interesse em homens; segundo, porque, mesmo que eu tivesse, e não estou falando que eu tenho, eu nunca iria acabar com nossa amizade por conta de uma simples atração. Eu sei que vou ferrar com tudo... como sempre faço. Nunca consegui ficar mais que dois meses com alguém. Eu não quero magoá-lo.

— Então talvez você devesse se afastar um pouco, sair com algumas garotas, porque ele também pode achar que você está interessado nele... E se ele estiver também, pode se encher de esperança e acabar se magoando... — Milo falou, batendo a mão no ombro do primo.

Aiolia sentiu todo o sangue escorrer de seu rosto quando percebeu que Milo poderia ter razão. A última coisa que ele queria era magoar seu pequeno gafanhoto. Gostava demais dele para permitir que isso acontecesse! O que ele faria, então? Gostava tanto de ficar perto de Mu... Aiolia respirou fundo novamente, angustiado, passando as mãos pelos cabelos revoltos.

* * *

Mais tarde, DeathMask estava em seu quarto preparando-se para ir ao Sanctuary. Ele colocou uma camiseta preta, que deixava à mostra as tatuagens de seu braço, e um jeans claro; vestiu um casaco de couro e, em seguida, calçou suas botas. Faltavam apenas alguns minutos para encontrar-se com os calouros no bar e ele ainda teria que passar no dormitório feminino para buscar Helena. Já estava pegando as chaves da moto, em cima do criado mudo, quando Faraó entrou em seu quarto.

— DeathMask, Radamanthys mandou chamá-lo para uma reunião urgente.

— Agora?! Estou indo para o Sanctuary... — DeathMask coçou a parte de trás do pescoço. — Ele falou sobre o que era, exatamente?

— É sobre Afrodite e a iniciação dos calouros. E acho que é algo sério.

Merda! Será que aquele veadinho já foi se queixar de sua lista?!

— Já estou indo...

DeathMask desceu as escadas, seguido por Faraó, e dirigiu-se para a sala de reunião da diretoria. Quando entrou no recinto, encontrou Radamanthys de braços cruzados, escorado perto da janela, e Julian sentando, quase largado, tamborilando os dedos sobre a mesa. Pareciam preocupados.

— Qual é o problema? — perguntou.

— Afrodite foi pego no banheiro feminino por uma funcionária da coordenação da faculdade. — Radamanthys foi logo ao ponto. — Eles já me ligaram cinco vezes. Cinco vezes! Estão dizendo que foi trote.

— Que merda! — DeathMask exclamou. Não era essa a sua intenção, pois os trotes eram proibidos na faculdade, tudo era feito sob sigilo.

— O que diabos direi para a diretora?! — Radamanthys questionou.

— Somos a fraternidade mais bem vista pelo corpo docente. Temos uma reputação a zelar — disse Julian.

— Diga que ele está metido com drogas... — sugeriu Faraó. — Pronto! Diga que não temos nada a ver com isso.

Radamanthys balançou a cabeça e suspirou, virando-se para DeathMask.

— O que ele estava fazendo lá, DeathMask? O que você colocou na lista dele?

— Nada demais! As listas foram dadas de forma aleatória. — Olhou de relance para Faraó. — Quer saber, isso tudo é só porque ele é filho de gente famosa, se fosse qualquer outro garoto, ninguém se preocuparia. Todos sabem que as fraternidades pregam trotes nos candidatos e fazem vista grossa. Sempre foi assim. E mais... eu acho que foi uma boa coisa isso ter acontecido agora para nós.

— O que você quer dizer com isso?

— Esse garoto vai acabar nos trazer problemas, Radamanthys. Pensa bem, o que ele traz de publicidade para a fraternidade não será nada se comparado ao que teremos que fazer para lidar com reputação, caso ele cometa qualquer deslize.

— Isso é verdade — Faraó concordou.

— Ele vive sob observação, o que significa que viveremos sob observação também. Com ele aqui, a nossa discrição para certas coisas, oh... — Lançou-lhe um olhar significativo. — Já era! E se ele der qualquer mancada, nossos nomes irão ao lado do nome dele.

— Sabe, eu não tinha pensado nisso. — Radamanthys coçou o queijo, meditativo. — Talvez você tenha razão...

DeathMask sorriu, satisfeito e aliviado. Havia males que eram para o bem. Enfim, se veria livre de Afrodite, ao menos na fraternidade. Havia ganhado essa guerra.

— Ele ainda é candidato e pode ser dispensado a qualquer momento. Devemos aproveitar isso... — DeathMask já iria concluir sua fala, quando alguém bateu na porta, abrindo-a em seguida.

— Com licença... — Era Afrodite. — Será que eu poderia ter um momento do tempo de vocês?

— Isso é uma reunião particular, Afrodite. Apenas monitores...

— Levará apenas um segundo.

— Acho que devemos ouvi-lo, Radamanthys. Afinal, a reunião é sobre ele — falou Julian.

— Tudo bem. Pode falar.

Radamanhys puxou uma cadeira, sentando-se nela, enquanto Afrodite entrava na sala.

— Sei que cometi um grande erro ao extrapolar com minhas tarefas. Estava só tentando provar que me enquadro no lema da fraternidade: Sempre podemos fazer melhor, e, por isso, talvez eu tenha ido longe demais.

— Você não tem que provar nada para ninguém aqui, Dite — falou Julian. — Nós queremos muito você como nosso irmão de fraternidade.

— Lembrem-se de que nós ainda temos que responder à diretoria e à universidade por causa dele... — DeathMask fez questão de lembrar.

— Na verdade, isso já foi resolvido — Afrodite o interrompeu, e todos se viraram para ele, espantados.

— Como assim?! — Radamanthys questionou.

— Meus pais se envolveram. Meu pai falou com o presidente da universidade e com um representante da diretoria das fraternidades, e sugeriu que é mais interessante para todos esquecermos esse pequeno incidente. Sabe como é, um escândalo sobre trotes não seria bom para a reputação da faculdade. Então... — Afrodite sorriu largo, fazendo um gesto de descaso com a mão. — Tudo foi esquecido.

Radamanthys e Julian sorriram, aliviados, enquanto DeathMask cerrava os punhos e fazia uma careta.

— Eu não poderia permitir que a minha infeliz mancada afetasse os meus companheiros de fraternidade.

Afrodite colocou a mão sobre o ombro de Julian e olhou para DeathMask, sorrindo de modo cínico. Se ele pensava que ia sair vitorioso, estava muito enganado! Não daria a ele esse gostinho. Não havia conseguido concluir a lista, mas sempre tinha o plano B.

— E por todo o transtorno que eu tenha causado a vocês, gostaria de me desculpar de alguma forma, quem sabe ajudando nos custos do nosso próximo evento... — Diante do olhar interessado de Radamanthys, ele ainda teve uma ideia: — À propósito, Radamanthys, essa semana o meu pai sentará com alguns jornalistas renomados em Nova York para uma coletiva em primeira mão sobre seu novo filme. Comentei com ele sobre a qualidade de seu jornalismo e ele se prontificou em recebê-lo. Sei que o jornal da faculdade tem uma coluna que fala do mundo do cinema e se você estiver interessado...

Os olhos de Radamanthys brilharam.

— Isso será maravilhoso, Afrodite. Será uma honra! Obrigada pela consideração.

DeathMask fez uma careta, arremedando Radamanthys. Bastardo puxa-saco!

Afrodite sorriu, satisfeito. Agora só precisava fazer chantagem emocional com seu pai para convencê-lo a receber Radamanthys. Mas isso seria algo fácil; ele sempre conseguia.

— E quanto a minhas tarefas?

— Não precisa se preocupar com isso. O que você conseguiu já foi o suficiente!

— Então, está bem! De qualquer forma, fiquem com as fotos que consegui.... — Afrodite colocou as fotografias sobre a mesa, na frente de DeathMask, olhando-o de modo petulante e desafiador.

DeathMask pegou as fotos por curiosidade.

— Mas que porra é essa?! — gritou, ao ver uma selfie de Afrodite dando um selinho em sua namorada. Jogou a foto em cima de Afrodite. — Explique-se.

— Eu tinha que tirar uma foto com uma garota...

— A garota mais feia, e Helena é linda!

— Isso é detalhe! — Fez um gesto de descaso com a mão. — Além do mais, essa questão de beleza é algo subjetivo.

Julian e Radamanthys colocaram a mão na boca, tentando conter uma risada.

— Então é isso. — Jogou seus cabelos para trás com as costas da mão. — Vejo vocês no Sanctuary! Bye, bye, honey...

DeathMask chutou a cadeira com força quando Afrodite saiu. Isso não ia ficar assim! Ah, mas não ia mesmo! A guerra estava declarada.

* * *

Notas finais
Sabre de luz – espadas luminosas do filme Guerra nas Estrelas. Eventos gregos – eventos das fraternidades. Concurso de mijo – concurso de ego entre dois homens, ou coisa do tipo. Espero que tenham gostado do capítulo. Beijos, beijos, beijos... Até mais.