Golden College

20 I never did before


Notas iniciais
Vejam só quem voltou rapidinho dessa vez! *comemorando o feito* Obrigada, férias. Bem, para que eu conseguisse postar tão rápido, acabei não fazendo algumas revisões e o capítulo NÃO está betado. Então, perdoem-me alguns erros. Meu objetivo no momento é seguir logo com a história... Quero deixar aquele agradecimento especial a SadGirl, Nane yagami, Sheilinha, reneev, NiHerondale e Kiba-Ino por terem deixado um comentário no capítulo passado. ❤ Então, chega de conversa e vamos ver o que temos pra hoje, aqui.

CAPÍTULO 20 – GOLDEN COLLEGE

I never did before

Quando os garotos estavam jogando uns aos outros na piscina, Aiolia dera um jeito de sair de fininho, puxando Mu pela mão para se esconderem no quartinho de despensa que tinha ao lado da cozinha. Mas isso não foi só porque ele estava fugindo de ser jogado na piscina não; na verdade, o que ele queria, desde que começara aquela festa, era uma desculpa para ficar a sós com o namorado num lugar mais tranquilo.

Durante toda a semana, havia sido complicado para os dois conseguirem um tempo, à vontade, ainda que dormissem no mesmo quarto. Pois, além do período de jogos, das reuniões de iniciação com os candidatos da fraternidade e da organização do aniversário de Milo, eles estavam em época de Midterms¹, e tinha muitos trabalhos para fazerem. Mu se dedicava aos estudos, afinal, o seu pai não admitiria que ele tirasse menos do que a nota máxima ou algo perto disso, e Aiolia precisava garantir boas notas para continuar no time de futebol. Então o que sobrava para eles eram uns poucos momentos de trocas de beijos entre uma atribuição e outra.

Claro que, enquanto Mu se concentrava em ler muitas páginas do seu livro de Anatomia, Aiolia dividia o seu tempo de leitura entre Biologia e pornografia gay. Este era outro motivo pelo o qual ele ainda não havia tentando ir além dos beijos com Mu, nesse pouco mais de uma semana de namoro.

Aiolia era inexperiente nessa questão de sexo com outro garoto e ele não queria fazer feio, já que sentia uma necessidade enorme de impressionar Mu, como nunca sentira com nenhuma outra garota. Não sabia se isso era por Mu ser garoto assim como ele, ou por Mu ser uma pessoa especial; talvez as duas coisas.

Porém, agora, depois de ler, pesquisar e até ver alguns vídeos na internet, ele tinha certeza de que estava pronto. Ele estava mais do que pronto! E não via a hora de avançar o namoro para a fase dois. Chegava até a sonhar, literalmente, com esse momento.

Depois de um tempo ali, escondidos na despensa, trocando beijos que iam ficando cada vez mais intensos, as coisas começaram a esquentar, e Aiolia sugeriu então que os dois fossem para o quarto deles no dormitório. Aproveitaram que todos estavam envolvidos com um bolo gigante que havia chegado e saíram à francesa.

Assim que entraram no quarto, Aiolia agarrou Mu novamente e o prensou contra a parede, voltando a beijá-lo de maneira insaciável, o que fazia com que todos os pelos do corpo de Mu se eriçassem. Principalmente quando Aiolia começou a descer os beijos pelo pescoço, enquanto as mãos grandes passeavam pelo abdômen por baixo da camiseta.

Mu gemeu quando o namorado começou a mordiscar a sua orelha. Timidamente, ele levou a sua mão para debaixo da blusa de Aiolia, tocando o abdômen, subindo e descendo a mão lentamente, explorando cada músculo com cuidado e leveza. Mu ouviu o namorado gemer em seu pescoço e sua respiração quente lhe calçar arrepios fortes enquanto seu corpo tremia de leve.

Aiolia então se afastou um pouco para puxar sua camiseta para fora do corpo numa agilidade impressionante, ajudando Mu a fazer o mesmo logo em seguida. Sua mão foi parar na bunda de Mu, puxando-o ainda mais para junto dele, enquanto ele pressionava mais e mais o seu corpo contra o do namorado, friccionando-se contra ele, na tentativa de encontrar algum alívio para a sua ereção.

O coração de Mu estava acelerado, e aquele frio na barriga seguido dos arrepios que percorriam todo o seu corpo estava deixando-o um pouco assustado.

— Melhor continuar na cama — Aiolia sussurrou no ouvido de Mu.

Mesmo inseguro, Mu se deixou ser conduzido até a cama. Ele só pensava no fato de que suas pernas pareciam gelatina e que se sentar o impediria de fazer algo embaraçoso como desmaiar, por exemplo.

No entanto, ao invés de alívio, a tensão elevou-se a um nível maior no momento em que Aiolia o fez deitar-se e ele ouviu o clique do metal do zíper de sua calça, e, em seguida, Aiolia retirá-la de seu corpo. Resistiu à vontade de pegar a colcha da cama e se cobrir, envergonhado com olhar predador que Aiolia mantinha sobre seu corpo, ao mesmo tempo que tirava a própria calça.

Aiolia se aproximou novamente e seus lábios começaram a percorrer pelo pescoço Mu, passando pelo pomo de adão, deslizando pela clavícula e o peito, chupando o mamilo por alguns segundos, depois descendo e parando perto do umbigo.

Mu gemia o nome do namorado e enterrava suas mãos nos cachos bagunçados dos cabelos dele. Uma sensação queimava em todos os seus poros, das extremidades até os fios de cabelo. Ele podia sentia a pressão aumentando cada vez mais em seu baixo ventre e todos os músculos das suas pernas estavam puxados, tensos, enquanto ele esperava pelo que sabia que viria.

Aiolia começou a brincar com o elástico da cueca de Mu e quando fez menção de tirá-la, algo no cérebro de Mu foi detonado e o encheu de pânico.

Instintivamente, ele pousou as mãos sobre as mãos de Aiolia para impedi-lo de fazer aquilo e o empurrou levemente para cima.

Aiolia recuou, com os olhos escurecidos, os cabelos bagunçados e os lábios inchados por conta dos beijos. Ele percebeu que Mu parecia tremer de cima a baixo.

— Aiolia... eu...

— Relaxe — Aiolia falou, transmitindo confiança. — Não vou fazer nada que você não queira.

— Eu nunca fiz isso antes...Eu nunca fiz nada assim antes... — revelou com o tom de voz baixinho.

— Eu não esperava que já tivesse feito... — Aiolia deu um meio sorriso. — Mas se serve de consolo, eu também nunca fiz isso antes com um garoto...

Isso não deixou Mu nem um pouco mais tranquilo. Aiolia nunca tinha feito sexo com outro garoto, mas Mu nunca havia feito sexo com ninguém. Ele não tinha nenhuma experiência e, provavelmente, seria terrível nisso. O pior sexo da vida de Aiolia, com certeza. E ele nunca mais iria querer fazer isso com ele outra vez. Vários temores rondavam a cabeça de Mu, o deixando totalmente inseguro.

— Mas olha só como você me deixa... — Aiolia interrompeu as conjecturas de Mu quando pegou a mão dele e a levou até sua ereção, que pulsava dolorosamente. Mu lembrava-se de que era grande, mas tocá-lo o causou grande surpresa, o que o deixou ainda mais amedrontado, e ele sobressaltou.

Mu sabia como acontecia o sexo entre dois homens. E se, naquele momento, já era difícil imaginar fazendo aquilo, imagina fazer com "aquilo" daquele tamanho?

— Eu não sei se estou preparado para isso... — Mesmo se sentindo constrangido, ele tinha que admitir, pois não poderia seguir em frente. Aiolia com certeza deveria estar decepcionado, mas ele não poderia fazer uma coisa na qual não se sentia seguro para fazer. — Me desculpe... Me desculpe...

— Tudo bem, meu pequeno gafanhoto... — Aiolia suspirou, fazendo um carinho nos cabelos do namorado.

O problema é que, apesar de imaginar que Mu nunca tivesse feito sexo — e essa ideia o agradava e muito — ele não chegou a pensar nos receios que no namorado poderia ter; ao contrário, achou que Mu estivesse tão ansioso por esse momento quanto ele estava. Nunca tinha transado com alguém virgem antes e o sexo acontecia naturalmente, sendo levado pelo calor do momento. Esse foi o seu erro, talvez tivesse ido com muita sede ao pote.

Só que ele também não poderia ficar parado, esperando que os receios de Mu passassem por si só, então ele precisava fazer com que Mu desejasse aquilo, aumentando as carícias gradativamente.

— Não vai acontecer hoje, eu já entendi... Mas deixa, pelo menos, eu te ajudar com isso — Aiolia levou sua mão até o membro de Mu, acariciando-o por sobre a cueca.

Mu cerrou os olhos e deixou um suspiro escapar, o que incentivou Aiolia a enfiar a mão dentro da cueca dele, fazendo-o abrir a boca em busca de ar. Aiolia deu um sorriso convencido antes de voltar a dominar-lhe a boca novamente, beijando-o e o deixando ainda mais ofegante.

Ainda que nunca tivesse masturbado outro homem, não parecia algo tão difícil. Era só fazer como gostava de fazer consigo mesmo, pensou. E pelas reações de Mu parecia que estava dando tudo certo.

— Faz em mim também... — pediu baixinho, sua voz um pouco abafada pelos beijos.

Timidamente, Mu colocou a mão por dentro da cueca de Aiolia, envolvendo o pênis dele com os dedos.

Aiolia soltou um gemido enrouquecido, aumentando a intensidade do beijo, enquanto Mu o masturbava lentamente.

— Amor, coloca mais força...

E foi o que Mu fez. Os dois se masturbavam, iam e vinham cada vez mais rápido, enquanto não largavam a boca um do outro. E Mu achou bom que o beijo não parasse, pois assim Aiolia não via o seu estado de constrangimento.

Mu foi o primeiro a gozar, gemendo contra a boca do namorado.

Aiolia se afastou um pouco para olhá-lo. Mu ofegava, seus lábios carnudos estavam avermelhados, os olhos entrecerrados e a respiração ruidosa. Era uma visão deliciosa, que fez com que aumentasse ainda mais a sua vontade em dar a Mu todos os prazeres possíveis. Internamente ele se perguntou como iria resistir àquilo.

Então ele gozou, gemendo o nome de Mu.

* * *

Em outro ponto da cidade, Shura e Afrodite acabavam de chegar no apartamento do professor. Já fazia algum tempo que os dois se encontravam lá, normalmente eles iam para um motel. Shura lhe explicava que era por conta do amigo com quem dividia o apartamento. Ele não confiava no amigo o suficiente para contar-lhe sobre sua bissexualidade e ainda por cima que estava saindo com um aluno.

— Não posso fazer o que você está me pedindo, Dite — Shura falou, ao mesmo tempo em que abria a porta. Esperou que Afrodite entrasse primeiro e, em seguida, também entrou. Como Shura também trabalhava escrevendo numa coluna de esportes no New York Times, Afrodite o pedira para que ele desse um jeito de publicar a matéria de Marin sobre a violência sexual que acontecia dentro das Universidades. — Além disso, eu escrevo crônicas esportivas.

— Não estou pedindo para que você mesmo publique — Afrodite falou. — Mas você deve ter algum amigo que possa fazer isso, é só entregar a matéria e pedir para ele publicar.

Shura respirou fundo, colocando as chaves e o pacote com as compras para o jantar em cima da mesinha de centro, antes de desfazer o nó da sua gravata e abrir alguns botões de sua camisa.

— Como você quer que eu convença alguém a publicar algo que vai gerar um escândalo no meu ambiente de trabalho?

Afrodite se aproximou, o ajudando a desabotoar a camisa. Shura o puxou pela cintura fazendo com que seus corpos se chocassem.

— Isso não vai afetar em nada o seu trabalho, só vai fazer com que o a polícia e reitor da universidade tente resolver logo o caso, já que eles não estão fazendo nada.

Shura deu um sorriso enviesado.

— Não é assim que as coisas funcionam. Eles estão trabalhando no caso sim, loiro, mas essas coisas demoram mesmo. Você só precisa ter um pouco de paciência e tentar ver por outro ângulo... — Afrodite fez um beicinho. — Ah, vamos lá, esqueça essa conversa sem cabimento, vamos para cozinha, eu vou fazer o melhor jantar que você já comeu.

— Conversa sem cabimento?! — Afrodite se afastou do abraço. — Esse garoto está ameaçando o meu amigo, que teve que sair da faculdade, enquanto o delinquente está por aí, tendo apoio dos amiguinhos dele. O presidente da faculdade tinha que expulsá-lo imediatamente e nada faz. E você diz que isso é uma conversa sem cabimento.

— Eu quis dizer conversa sem cabimento para o momento. A gente quase não tem tempo para nos encontrarmos, deveríamos estar aproveitando o tempo falando de outras coisas relacionadas a nós. Eu entendo sua revolta, de verdade. Eu também me revolto com essas coisas. Mas não é fácil resolver esse tipo de caso, principalmente por conta de denúncias falsas que acontecem também, é preciso uma investigação antes para não cometer injustiças.

Shura pegou a sacola da mesa de centro e caminhou até a cozinha conjugada. Colocou a sacola em cima da mesa e foi até a geladeira para pegar uma garrafa de água, reprimindo aquela vontade de dizer a Afrodite que já estava de saco cheio da insistência com aquele assunto, isso estava quebrando o clima.

Afrodite foi atrás dele.

Shura encheu o copo e o virou na boca.

— Mas eu tenho certeza de que a denúncia do Evan não é falsa, então quero ajudar a agilizar as coisas. Poxa! Eu só estou te pedindo um favor. Você me ajuda e a gente encerra esse assunto. É algo que é importante para mim... custa me ajudar? — Afrodite pediu num tom de voz manhoso.

— Eu gostaria muito de te agradar e te ajudar, mas eu não posso. Se eu fizer o que você está me pedindo, isso prejudicaria a minha carreira de maneira que você nem pode prever...

— O que pode acontecer?

— Para início de conversa, posso ser demitido.

— Eles não podem demiti-lo por isso. Ainda mais um professor tão bom como você.

— Olha, eu já vi casos de excelentes professores que tomaram partido nessas histórias e acabaram perdendo o emprego. Uma amiga minha, que trabalhava em Harvard e tinha um dos titulares vitalícios mais distintos para docentes, perdeu tudo, depois de advogar num caso de abuso sexual na Universidade. Depois disso, ela teve dificuldade de encontrar emprego, mesmo tendo recebido prêmios importantes em sua área, porque quando um professor é taxado de ativista ou encrenqueiro, é difícil conseguir ser admitido em outras instituições. É essa a razão de professores não se envolverem com isso. — Shura caminhou novamente até Afrodite. — Assim que comecei a lecionar na Golden College, inúmeras vezes fui chamado por outros professores veteranos dizendo que para ter sucesso ali, eu teria que ser um “filho obediente”. Se ouvir, finja que não ouviu. Se vir algo, cale-se sobre isso.

— E você aceitou esse conselho... simples assim... Isso não te causa revolta?

— Causa. Mas eu preciso do meu emprego. Nem todo mundo nasce em berço de ouro — Afrodite entendeu a indireta. — Além do mais, é minha obrigação ser fiel à instituição onde trabalho.

— Isso está errado. Você não deveria ser preocupar em ser fiel a uma instituição que se preocupa tanto em proteger estupradores. Eles têm que se preocuparem em proteger as vítimas, isso sim.

— Eles não estão protegendo estupradores, loiro. Esse pensamento é um pouco infantil...

— Você está me chamando de infantil?! — Afrodite cruzou os braços, emburrado.

— Não é isso, loiro. — Shura suspirou, massageando as têmporas. — Olha só, deixa eu te explicar uma coisa: São bilhões de dólares sendo gastos todo ano para manter uma intuição daquele porte funcionando. Grande parte desse dinheiro vem de doações, e eles não querem que nada estrague isso. A Golden College está no meio de uma campanha de USS 6 bilhões de dólares, e eles sabem que os doadores poderiam se aborrecer se tivesse conhecimentos de que agressão sexuais estão ocorrendo dentro do campus. Sem contar a quantidade de matrículas de alunos que eles podem perder — Afrodite sabia disso, porque seus pais eram, inclusive, um dos doadores. — Parte do esforço de se silenciar o problema é isso.

— Os presidentes das faculdades tinham que fazer o que é certo, custe o que custar.

— Nunca vi, até hoje, um presidente que faça a coisa certa, como você diz, custe o que custar. Eles não são heróis da Marvel ou da DC, eles são presidentes de uma grande intuição e são cobrados por isso. É parte da liderança deles. Noventa e cinco por cento das instituições lidam com denúncias de agressão sexual com cautela, mas isso não significa que eles não estejam resolvendo o problema. — Não resistiu e tentou morder aqueles lábios carnudos, que ficava tão sedutor com aquele biquinho. — Eu acho muito bonitinho que você se preocupe em proteger os seus amigos, mas acho que um bom advogado fará muito melhor. Então deixa os adultos responsáveis resolverem o problema do jeito deles, tá bom?

— Até parece que vou conseguir ficar esperando a boa vontade desses “adultos responsáveis” — fez um sinal de aspas — que só se preocupam com dinheiro, sem tentar fazer nada.

Ah, eu desisto! — Shura pensou e respirou fundo, pedindo paciência aos céus. Às vezes se esquecia de que Afrodite era ainda um adolescente teimoso e um pouco mimado. E o pior é que quando ele colocava alguma coisa na cabeça, não tinha quem tirava. Acostumado a ter tudo o que queria, não sabia ouvir um não como resposta.

— O garoto vai ser preso se for culpado, Afrodite, e você não pode fazer nada para agilizar. Eu não posso fazer nada. Gostaria, mas não posso, entenda isso. Além do mais, não é uma matéria de jornal que vai mudar nada. Você parece que está tentando estragar o clima com esse comportamento de criança birrenta... E está conseguindo. Parabéns!

Afrodite não gostou do tom de voz de Shura e, imediatamente, se dirigiu para a porta de saída.

— O que foi? — Shura quis saber. — Para onde está indo?

— Está na hora de criança ir para casa — disse, jogando seus cachos para trás com a palma da mão. — Aproveite bem o seu jantar.

Bateu a porta ao sair, deixando um Shura indignado dentro do apartamento.

Quando já estava fora, Afrodite respirou fundo, tentando conter seus nervos. Estava chateado, muito chateado. Havia planejado uma noite incrível para os dois, já tinha planejado uma maneira bem sexy de agradecer a Shura pela ajuda, só que acabou dando tudo errado. Sabia que tinha sido ele quem, de certa forma, estragara isso. Mas de jeito nenhum iria aceitar que Shura o tratasse como uma criança que não sabia o que dizia ou que deveria fazer. Até porque não era a primeira vez que Shura o tratava assim. É sempre uma conversinha de “não posso me prejudicar no meu trabalho”, “meu trabalho isso”, “minhas responsabilidades aquilo” Trabalho, trabalho e eu lá, sempre no último lugar no ranque de prioridades dele.

— E ainda me chama de criança birrenta! Onde já se viu!? Deve se achar o senhor maduro só porque é alguns anos mais velho do que eu. Mas não vou aturar isso, não vou mesmo — falou para si, empinou o nariz e jogou os cabelos longos ao vento, antes de sair pisando alto em direção ao elevador.

O professor estava merecendo levar um gelo para ver se aprendia a dar importância às suas opiniões.

* * *

No outro dia, assim que amanheceu, Mu e Aiolia não ficaram nada satisfeitos por terem sido convocados tão cedo para ir à república dos Sigma Tau. Estava tão gostoso na cama, os dois quentinhos, enrolados um no outro. Tao bom! No entanto, Aldebaran estragara aquele momento quando ligou insistentemente, dizendo que os calouros que não fossem para lá imediatamente, estariam fora da fraternidade.

Bastardo! Aiolia reclamou.

Assim que chegaram à casa do Sigma Tau, os olhos de ambos arregalaram com o que viram. A casa estava um caos, uma verdadeira bagunça.

— Vocês demoraram — Aldebaran reclamou. Estava zangado. Muito zangado, o que era algo raro de acontecer.

— O que foi que houve aqui? — Foi Mu quem perguntou. — Mas que cheiro é esse?

— Cheiro de cerveja, de sujeira e de gente sem tomar banho... — Aldebaran respondeu.

— Recebemos um presente de grego ontem — um calouro que estava catando as latinhas de cerveja no chão da casa respondeu.

— Alguém nos mandou um bolo gigante com duas mulheres e um garoto dentro dele. — Aldebaran complementou. — Na hora todo mundo ficou entusiasmado. Mas os filhos da puta pintaram e bordaram aqui. Se aproveitaram da situação, colocaram alguma coisa nas nossas bebidas para nos embebedar rápido e, aproveitando de que estávamos bêbados, eles nos roubaram. E ainda cortaram a nossa luz, provavelmente para facilitar a fuga deles.

— Cara, como vocês foram dar essa mancada? — Aiolia comentou.

— As garotas eram lindas demais — Algol se justificou. — Você também teria entrado nessa se não estivesse namorando.

Aiolia deu graças a Deus pela existência de Mu em sua vida, porque o colega estava certo em seu comentário. Ele, com certeza, também teria aproveitado.

— E ainda por cima, somos tão azarados, que deu um problema no encanamento e estamos sem água. Ninguém aqui tomou banho depois da festa... — Algol complementou.

Nesse momento, Mime chega à república com uma expressão que demonstrava sua insatisfação.

— E aí, Mime? Bem, pela sua cara parece que não conseguiu grandes coisas — Aldebaran falou. Mime havia ido até o clube de Love striper atrás dos ladrõezinhos.

— Não consegui nenhuma informação do paradeiro deles. Mas descobri que não foram o pessoal do Love stripper que mandou o bolo. Dei a descrição das garotas e do garoto para o pessoal que trabalha lá e eles falaram que não havia ninguém com aquelas características trabalhando ali. E pareciam estar dizendo a verdade.

— E vocês já foram na delegacia fazer a ocorrência? — Mu questionou.

— Não podemos, Mu — Foi Aldebaran que respondeu. — Se formos a polícia contar o que aconteceu aqui, isso vai dar o que falar. Vamos manchar nossa reputação em plena final de temporada, o treinador nos mata. Temos que resolver isso sozinhos.

— Verdade — disse Aiolia. — Melhor deixar isso quieto e lidar com o prejuízo.

— Porque não foi você que foi assaltado — disse um dos garotos que não participavam do time. — E cadê o presidente dessa fraternidade, ele deveria estar aqui...

— Cala a boca, calouro — Aldebaran falou, irritado. — E vai terminar a limpeza. — À propósito — Se dirigiu para Aiolia e Mu —, vocês dois peguem logo uma vassoura e um rodo e vão ajudar os outros calouros a terminar de arrumar essa bagunça. Nós, veteranos, temos que nos reunir agora na sala do conselho.

— E como vamos limpar a casa sem água?

Aldebaran coçou os cabelos. Droga!

— Algol, vai lá ver se o encanador já resolveu o problema no encanamento. Enquanto isso vocês vão varrendo o chão, jogando esse lixo fora. Façam alguma coisa...

Aiolia e Mu suspiraram, nada satisfeitos. Mas, fazer o quê? Era parte das atividades dos calouros limpar a casa depois das festas. Então eles se juntaram aos outros, enquanto os outros seguiram para a sala de reuniões.

Lá, os veteranos começaram a debater sobre como eles resolveriam essa situação e sobre como encontrariam os ladrõezinhos e os fariam pagar o prejuízo. Depois de algum tempo de discussão, Mime falou:

— Quer saber, eu tô cismado de que fomos vítimas de um trote.

— Será?! — Aldebaran franziu a testa.

— Quando passei pelo campus, eu reparei os Ômega Chi comemorando alguma coisa e meu sexto sentido disse que foram eles que fizeram isso. Devem ter pagado aqueles três para nos sacanear...

— Eu também acho — Algol entrou na sala falando. — Acabei de falar com o encanador. Alguém jogou bombinhas dentro do nosso encanamento. Provavelmente não ouvimos o barulho por conta do som alto.

— Filhos de uma puta! — Aldebaran bateu forte a mão na mesa. — Ah, mas se foram eles mesmo, isso não vai ficar assim... Não vai mesmo...

Por conta dessa nova informação, o assunto mudou de “procurar os ladrões” para “como eles se vingariam dos Ômega Chi”.

* * *

Bem mais tarde, quase anoitecendo, depois de terminar de limpar a república, Mu foi ao shopping com Afrodite. Os dois estavam sentados na praça de alimentação, comendo sanduíche e batata frita e tomando milk-shake. Mu ouvia com atenção o amigo reclamando do seu professor de Espanhol.

— Vê se tem cabimento, me tratar com uma criança birrenta! Logo eu! E ele nem me ligou de volta para pedir desculpas, não mandou uma mensagenzinha se quer de “sinto muito”, nada, nada... simplesmente me ignorou... Como se eu não fizesse um pingo de falta para ele...

No meio do discurso dramático, o celular de Mu tocou, atrapalhando o desabafo de Afrodite. Era uma mensagem de Aiolia.

— Aiolia está vindo para cá... — disse, depois de ler a mensagem.

— Ah, esse seu namorado não desgruda, não é? — Isso deixou Afrodite chateado. Com Aiolia ali, a conversa ficava limitada, já que ele não poderia desabafar seus dramas amorosos com o amigo. — Ele não devia estar treinando? A final do jogo é no próximo final de semana, não é?

— É — Mu confirmou. — Mas eles foram liberados do treino hoje. O treinador viajou para a cidade onde acontecerá o jogo, para fazer o reconhecimento da área.

Como era a final, os jogos não poderiam acontecer nos colégios de nenhum dos times que iriam se enfrentar, tinha que acontecer num lugar neutro, de acordo com a NCCA².

— Pena que eles não vão jogar aqui... — Afrodite pegou uma batata fria para comer. — Vai ser onde mesmo?

— Em Cambridge³, no estádio da MIT, se não me engano...

— Apesar de preferir que o jogo fosse aqui, vai ser bom dar um passeio em Cambridge um pouquinho. É bom que tento ocupar a minha mente com outras coisas que não seja o idiota do meu professor de Espanhol. Dizem que os garotos de lá são muito divertidos. Vou adorar ficar nos alojamentos dele. Adoro essa bagunça, você vai ver como é legal.

— Eu não vou... — Mu tomou mais um gole de seu milk-shake.

— Por quê? É um jogo importante para o seu namorado e você vai perder a chance de ir lá torcer por ele?

— O treinador ordenou aos jogadores que não era para nenhum deles levarem namoradas ou namorados, para evitar distração, principalmente porque, você sabe... O treinador acha que os garotos do time adversário podem usar isso para provocá-los durante o jogo e fazê-los ficar nervosos. Mas eu acho que a verdade é que ele está fazendo isso para punir Aiolia. Eu ouvi os meninos comentando isso, que o treinado não gostou do show que Aiolia fez para mim, e o repreendeu.

— O que que tem demais, gente?! Pois eu achei o show dele a coisa mais fofa do mundo, adoraria que alguém fizesse para mim também...

— É, mas o treinador do time não pensa assim... — ele estava falando quando avistou o namorado se aproximando. — É melhor mudarmos de assunto, Aiolia está vindo.

— Você devia ter vergonha de chamar Mu para sair, depois do que aprontou — Aiolia já chegou xingando, de cara emburrada para Afrodite. Em seguida, sentou-se ao lado do namorado, dando um selinho nele.

— O que que eu aprontei. Ficou doido? — Afrodite o olhou sem entender nada.

Aiolia fez uma careta.

— Você sabe muito bem... Não se faça de sonso.

— Ele já me disse que não sabia do trote, amor. Que nada disso foi falado na república — Mu defendeu o amigo, já inferindo que era sobre isso que Aiolia reclamava.

— Ah... — Afrodite estalou a língua em desconsideração. — É disso que você está falando...

— É. É exatamente disso que estou falando... — pegou o copo de milk-shake de Mu e deu um gole generoso, mantendo o olhar estreito direcionado para Afrodite. Já estava chateado com ele, desde que ele embebedara Mu.

— Olha só, garoto — Afrodite jogou seu cabelo para trás — Eu realmente não sabia de nada. E mesmo se soubesse eu não poderia contar. Você acha que Mu deve me contar as coisas que vocês combinam contra os Ômega Chi, em segredo? — Afrodite realmente não sabia, mas quando Mu o questionou, ele se lembrou de ter visto os veteranos cochichando e rindo pelos cantos. Haviam deixado os calouros de fora.

— Pois eu vou te contar uma coisa que não é segredo: Isso vai ter volta! E você não será poupado. — Apontou o dedo para Afrodite.

— Não aponte esse dedo para mim outra vez ou vai ficar sem ele...

— Tente se for capaz. E eu aponto o dedo o quanto eu quiser, e vou te falar mais...

— Ah, quer saber, perdi a paciência. Fala com a minha mão — Mostrou a palma da mão para Aiolia, o que o deixou ainda mais irritado.

Então, os dois começaram um bate-boca sem fim, que foi desde assuntos ligados a fraternidade até uma disputa pela atenção de Mu. Este permaneceu calado, tomando o seu milk-shake, enquanto assistia àquela cena entre o namorado e o seu melhor amigo.

* * *

Já era noite quando Mu e Aiolia retornaram do shopping. Eles haviam ido ao cinema, mas acabaram aproveitando o tempo para também fazerem umas comprinhas. Assim que eles chegaram ao quarto, Mu foi tirando das sacolas as roupas que comprou e arrumando no armário, enquanto Aiolia procurava uma tesoura para cortar a etiqueta do seu boné novo, que ele já queria usar.

— Mu, você sabe onde tem alguma tesoura? — perguntou, remexendo nas gavetas.

— Nessa caixinha branca, na primeira gaveta — respondeu.

Quando abriu a caixinha para procurar a tesoura, Aiolia notou uma pulseira diferente ali dentro.

— É sua? — Franziu o cenho, de maneira interrogativa. Por que ele não tinha notado essa pulseira de Mu antes?

Mu, que estava fechando a porta do armário, olhou na direção de Aiolia e reconheceu a pulseira de Shaka.

— Ah... não é minha não. Um garoto que me ajudou uma vez deixou cair, e eu a guardei para entregá-lo, caso um dia eu o visse de novo.

Aiolia já ficou desconfiado.

— Que garoto é esse? Quando foi que ele te ajudou? E por que você não me falou nada?

— Não foi nada demais Aiolia, eu tive uma síncope e o garoto impediu que eu caísse.

Aiolia fez uma careta, não gostando nada, nada daquela informação. Que ousadia desse garoto tarado ficar colocando as mãos em seu Mu? Ele questionou isso ao namorado.

Mu inspirou profundamente.

— Você iria preferir que eu caísse?

— Claro que não!

— Então esquece isso, o garoto só me ajudou. Eu nem o conheço.

— Tá certo então... — Aiolia falou, analisando a pulseira.

Vendo a curiosidade do namorado, Mu comentou:

— Essa é uma pulseira Rosário Budista Japamala, ela é utilizada para orações e mentalizações.

Aiolia enrolou-a no braço, por cima de sua pulseira de couro e sentou-se no chão do quarto, de olhos fechados e mãos juntas, fingindo uma meditação.

— Ah, umhhhhhhh... Ah, hummmm....

— Você é mesmo muito bobo — Mu riu da careta engraçada que o namorado fazia. — Não é essa a posição certa para meditar.

Aiolia se levantou, sorrindo e desenrolado a pulseira de seu braço.

— Cara, não sei como esses monges conseguem ficar horas fazendo isso. Eu fico impaciente.

— Eu já passei um dia inteiro meditando, várias vezes.

— Sério?

— Sim. Eu e meu pai frequentávamos o Mosteiro de Gyantse. Ele me levava para meditar desde que eu era criança.

— Ah, é? Meu mongezinho... — Aiolia colocou a pulseira em cima da mesinha e se aproximou do namorado, o abraçando. — Até consigo imaginar você fazendo isso.

— Devia tentar meditar também. Mas do jeito certo. É ótimo, dá muita paz, tranquilidade... — Mu falou, refletindo que ele próprio precisava voltar a meditar. Desde que chegara à Golden College, a sua rotina havia mudado completamente.

— Tranquilidade em ficar parado nessa posição por mais de um minuto? Isso não me daria nem um pouco de paz, me daria é uma agonia de ficar assim paradão, isso sim... — Apertou o abraço em volta da cintura do namorado. — Sabe o que me dá paz? É cheirar esse pescocinho... — Deu um cheiro no pescoço de Mu, lhe causando arrepios. — É beijar essa boquinha gostosa... — Deu um selinho na boca de Mu... — É pegar nessa bundinha durinha...

— Aiolia! — Mu corou, sem graça.

Aiolia riu da timidez do namorado, começando a morder distribuir beijos pelo pescoço cheiroso dele, enquanto apertava sua bunda.

Aiolia sabia que Mu ainda estava se acostumando com aquilo e que, provavelmente, levaria algum tempo para ele agir com naturalidade. Mas Aiolia estava disposto a ensiná-lo direitinho. Ah, sim, Mu era o seu pequeno gafanhoto e ele seria o seu grande mestre nessa lição também.

* * *

No dia seguinte, logo cedo, Afrodite recebeu uma mensagem de Shura, pedindo para que o encontrasse no estacionamento da faculdade. Afrodite comemorou o fato de o professor finalmente ter dado sinal de vida; já estava ficando preocupado. A raiva já tinha passado e a saudade de falar com o professor só aumentava. Foi difícil se segurar para não ser ele a tomar a inciativa.

Não demorou para que Afrodite chegasse ao estacionamento. Olhou para os lados, para ver se alguém o observava. Como era domingo, o lugar estava vazio. Fora exatamente por esse motivo que Shura marcou o encontro ali.

Afrodite reconheceu o carro preto do professor, foi até ele, abriu a porta e entrou rapidamente, suspirando aquele cheirinho gostoso de limpeza que o carro de Shura tinha. Ficou maravilhado em ver como o professor estava lindo, vestindo aquela camiseta esporte preta e uma bermuda cáqui. Acostumado a vê-lo sempre de roupa social, gostou de ver o professor de um jeito mais casual.

Shura tirou os óculos escuros do rosto e deu um selinho em Afrodite, que correspondeu.

— Que passar o domingo comigo?

Afrodite sorriu amplamente.

É claro que ele queria, sempre desejou que momentos assim acontecessem e eles passassem um dia inteiro juntos, como um casal costuma fazer. Eles sempre se encontravam à noite, às escondidas, como se Afrodite fosse apenas algum amante casual, e isso o aborrecia um pouco. Tanto que não fez questão de tocar no assunto do outro dia, dessa vez não iria procurar confusão e estragar o domingo. Isso não significava que ele tinha desistido, mas decidiu que ele cuidaria de suas coisas sem colocar Shura no meio. Então, sem tirar o sorriso do rosto, ele aceitou o convite.

— Vamos sair logo daqui...

Quando o carro já estava em movimento, Shura pediu para Afrodite pegar um papel que estava em seu bolso, e assim o loiro fez.

— O que é isso? — Perguntou, quando leu ali um nome e um número de telefone.

— Você vai procurar por essa cara. Ele gosta desse tipo de matéria e se a Marin escrever bem, como você diz, tenho certeza de que se interessará em publicar.

Os olhos de Afrodite brilharam e ele deu um beijo na bochecha de Shura em agradecimento, mas sua vontade era pular em cima do professor. Teria feito isso se Shura não estivesse dirigindo.

— Eu não tenho nada a ver com isso. Ninguém pode saber que fui eu quem te passou esse número, tudo bem?

— Pode deixar, ele nem vai saber que a gente se conhece.

Shura suspirou. O que uma pessoa não faz quando está muito a fim de alguém? Só esperava que isso não se complicasse.

— Como agradecimento, hoje sou eu quem vou cozinhar para você...

— Hum, gostei disso... mas quero ver você cozinhar somente de avental... — falou malicioso, dando uma piscadinha.

— Só você esperar nu em cima da mesa... — Escorregou a mão por dentro da camisa de Shura, descendo para tento de sua bermuda.

Shura gemeu, soltando um suspiro, e pisou o pé no acelerado. Estava com pressa, muita pressa para chegar em sua casa.

* * *

Notas finais
Hum... Será que essa matéria vai dar o que falar? Será que Mu ainda vai reencontrar com Shaka? Será que os Sigma Tau vão se vingar dos Ômega Chi? Será que Shura fez a coisa certa em ajudar Afrodite? ... Hahhha... Beijokas no ❤ de vocês e até os próximos capítulos.