Golden College
19 Happy Birthday, Milo!
Notas iniciais
CAPÍTULO 19 – GOLDEN COLLEGE
Happy birthday, Milo!

Milo acordou com o celular tocando. Ainda com os olhos fechados, ele jogou o braço para o lado, alcançando o criado mudo e pegando o aparelho. Esfregou os olhos ao abri-los e sorriu ao ver que era uma mensagem do seu amado.
“Feliz aniversário, meu amor. Espero que vc tenha um maravilhoso dia! ❤”
Milo espreguiçou-se, sem a menor dúvida de que aquele seria realmente um dia maravilhoso.
Primeiro, porque ele e Camus estavam se entendendo — graças a Deus —, além dos planos incríveis que eles tinham para esse final de semana. E, segundo, porque finalmente chegara o Milo day! — como ele gostava de nomear o dia do seu aniversário —, e ele adorava toda a atenção especial que costumava receber nesse dia.
Ainda sem tirar o sorriso do rosto, respondeu a mensagem. Em seguida, levantou-se e foi para o banheiro. Tomou um banho revigorante, escovou os dentes e se preparou para ir para sua aula do turno Matutino. Por sorte, não teria aulas à tarde. Seria um desperdício ter que passar a maior parte do dia de seu aniversário enfurnado numa sala de aula. Estava agradecendo mentalmente por isso, enquanto descia as escadas.
— Bom dia, pessoal — Bem-humorado, ele cumprimentou os colegas que se encontravam na sala; alguns se preparando para irem à aula e outros estudando para a aula da tarde.
— Bom dia — responderam alguns dos garotos, concentrado em suas tarefas, sem nem olhar na direção dele.
— Lindo dia hoje, não é não?
— Sextas-feiras sempre são lindas, principalmente à noite — respondeu Aldebaran de boca cheia, terminando o seu café da manhã.
— Ah, mas hoje não é uma sexta-feira qualquer... — Milo falou, aproximando da cozinha conjugada, onde o colega estava. Começou a preparar um sanduíche para si.
— Não? O que tem de especial hoje? — Aldebaran perguntou, parecendo mais interessado no sanduíche do que na resposta.
— Tá bom, vou fingir que você realmente não sabe... — Milo achou que o colega estava de brincadeira. Só podia estar!
Aldebaran apenas deu de ombros, com desinteresse.
— Oh, Deus, Milo! Eu já tinha me esquecido! — Algol interrompeu sua leitura, olhando para a direção da cozinha. Milo voltou a sorrir. — Hoje é o aniversário de casamento dos meus pais. Preciso ligar para dar os parabéns. — Algol fechou o livro, pegou o celular e afastou enquanto fazia uma ligação, ignorando o olhar mortal que Milo o lançara.
— Vocês estão de sacanagem?! — Milo parou de fazer o seu lanche e cruzou os braços.
Nesse momento, a companhia tocou e um dos garotos foi atender, ignorando seu questionamento.
— Entrega Fedex! — gritou.
Milo suspirou, com certo alívio, mordendo o seu sanduíche. Devia ser o presente dos seus pais. Com certeza eles estavam brincando quando disseram que não comprariam nada para ele esse ano. Bem, ao menos isso, já que seus colegas pareciam mesmo ter se esquecido de seu aniversário.
— É para você, Aldebaran — falou o garoto.
— Oh, deve ser o celular novo que comprei pela Internet, chegou rápido — Aldebaran seguiu animado para a porta, recebendo sua encomenda.
— Ah, vão à merda! — Chateado, Milo jogou o restante do seu sanduíche no prato e marchou para a saída, antes que acabasse perdendo o seu bom-humor. Afinal, Milo day estava só começando.
— Ei!! Não vai comer o seu lanche? Posso comer então? — Milo ainda escutou Aldebaran perguntar, antes de deixar a casa.
* * *
Era aproximadamente meio dia e meia quando Milo estava saindo do refeitório. Ele havia almoçado com Camus, mas este ainda tinha mais uma aula no início da tarde, o que o obrigou a voltar para o prédio de Física. Milo aproveitaria a tarde para ficar um tempo com seus amigos na república. Ele estava seguindo para casa quando alguém o abordou, chegando por trás e falando no seu ouvido:
— Feliz aniversário! — Milo pulou com o susto inicial, mas depois sorriu quando viu que era Lune. Até que enfim, alguém, além de Camus, havia se lembrado de parabenizá-lo. — Muita paz, saúde, felicidade, essas coisas...
Lune estava todo sorridente, e Milo agradeceu ao novo amigo pela felicitação.
Desde que eles começaram a “trabalhar juntos” para descobrirem o responsável pela armação contra Aiolia, que os dois iniciaram uma espécie de amizade. Às vezes, Milo se sentia meio ridículo ao lembrar-se de que julgara o outro mal, antes de conhecê-lo.
— Tenho um presente para você — Lune falou.
— O que é? — Milo não resistiu em perguntar, curioso para saber onde estava o tal presente, já que não via nenhum embrulho.
— É uma surpresa! Venha... — Lune foi andando até o seu carro, sendo seguido por Milo.
Quando Lune fez-lhe sinal para que entrasse no veículo, Milo achou estranho só que não falou nada, apenas obedeceu. No entanto, quando Lune tentou amarrar uma tira preta em seus olhos, ele sobressaltou.
— Relaxa, criatura! Eu prometo que você vai gostar.
— Isso está ficando esquisito...
— Confie em mim...
Milo ainda ponderou por alguns minutos antes de finalmente se deixar ser vendado.
Durante o caminho, eles foram conversando sobre coisas aleatórias. Lune chegara a questionar a Milo se ele havia conversado com Abel, uma vez que já havia lhe revelado o que sabia. Milo contou que tinha conversado com o colega sem entrar em detalhes sobre o teor dessa conversa. Disse apenas que o colega negara e que ainda estava refletindo sobre como lidaria com isso, de maneira que fizesse a coisa certa, no momento certo.
O carro finalmente parou em seu destino, e Milo, literalmente, roendo as unhas de curiosidade, foi longo tentando tirar a venda dos olhos; só que Lune não deixou, pedindo para que esperasse mais um pouquinho. Eles desceram do carro, e Milo foi conduzido por Lune para dentro do lugar. Milo sabia que não estavam mais no Campus da Universidade, pois haviam demorado um pouco para chegar. Por alguns instantes, se perguntou se fez bem em confiar tanto no outro, mas depois relaxou. O que Lune poderia aprontar, que ele não conseguiria se defender?
Foi então que eles pararam de andar de repente.
A venda dos olhos de Milo finalmente foi retirada, e ele arregalou os olhos, pasmado com o que viu.
— Escolhe o que você quiser...
Milo ainda piscou umas duas vezes para ter certeza de que não estava tendo uma ilusão de ótica ao ver aquela variedade de modelos de carros esportivos na sua frente.
Eles estavam mesmo em uma concessionária de automóveis?! Com Lune o mandando escolher o que quisesse?!
Bem, qualquer um ficaria maravilhado com aquilo. No entanto, a reação de Milo foi franzir a testa e perguntar:
— Você é louco?!
A alegria no rosto de Lune transformou-se numa expressão de confusão.
— Você não gostou de nenhum desses modelos? — Foi o que Lune pensou, uma vez que ele já havia se informado de que Milo desejava um carro. Além do mais, quem não gostaria de ganhar um presente daquele?!
— O problema não é esse?
— Qual o problema então, criatura?
— Você não pode me dar um carro...
— Claro que posso — Lune prontamente retrucou. — Isso não é nada para mim...
Milo queria um carro; Lune queria agradá-lo e tinha dinheiro para isso. Tão simples como dois e dois são quatro na visão de Lune.
Visão que não era compartilhada por Milo.
— Não é possível que você não entenda... — Milo passou a mãos pelos seus cachos. Cara sem noção!
— Não, não entendo.
— Que amigo dá um carro de presente para outro?
— Um amigo rico?
— Não estou falando de dinheiro, Lune. A gente é amigo há quanto tempo mesmo? Uma semana?! E mesmo que fossemos amigos de infância... Isso não faz o menor sentido — Milo suspirou, passando as mãos pelos seus cachos novamente. — Olha, agradeço a sua boa vontade, só que não posso aceitar. Eu quero um carro, mas vou comprá-lo com meu dinheiro.
E então Lune finalmente compreendeu os motivos de Milo. Ah, o orgulho! Embora fosse uma das coisas que admirasse nele, achou um pouco desnecessário naquele momento.
— Vejamos isso de outra forma então. Na verdade, eu não estou te dando o carro, estou devolvendo o seu dinheiro, aquele que você gastou comigo no Sanctuary. — Estava se referindo a disputa num jogo de sinuca que houve entre eles, em que Milo perdera e tivera que pagar a conta de Lune. Conta altíssima por sinal. Milo nem sabia que no Sanctuary vendia bebidas tão caras quanto as que Lune consumira. — Eu exagerei naquele dia de propósito, bebi muitas doses de uísque do qual uma garrafa é praticamente o valor de um desses carros. Além disso, eu te manipulei para jogar comigo, mesmo sabendo que você estava bêbado. Se não fosse por isso, você provavelmente teria ganhado.
— Foi uma aposta. Você não me manipulou. Eu aceitei porque eu quis e perdi porque fui idiota, você não me deve nada. Agora chega dessa conversa...
Milo se desculpou com o vendedor, que estava todo cabisbaixo por ter perdido uma venda, e já estava se afastando quando ouviu Lune resmungar.
— Poxa! Eu não acerto uma com você, heim! Eu só queria te dar um presente que você gostasse.
— Você pode me dar um relógio — Milo parou de andar e olhou para Lune, tentando amenizar a situação. Também não queria ser grosseiro com alguém que estava sempre tentando ser legal consigo. Sem contar que também queria um presente. — Adoro relógios e deixei o meu sumir na última festa na república.
— Tudo bem... — disse Lune, com um muxoxo. Um estúpido relógio não iria competir com uma viagem romântica. Lune já estava sonhando com a cara de empolgação de Milo com o presente e a cara de tacho do ruivo antipático quando visse o carro. Mas Milo parecia adorar dificultar as coisas, o que, de certo modo (tinha que confessar), o tornava ainda mais interessante. — Mas eu escolho o relógio.
Milo não fez objeção, e os dois deixaram a concessionária.
* * *
O restante da tarde estava sendo entediante para Milo. Ele tinha planejado aproveitar o momento com seus amigos de fraternidade, já que viajaria com Camus no finalzinho da tarde. No entanto, havia sido ignorado por seus amigos, que tomaram um chá de sumiço bem no dia de seu aniversário. Bastardos traidores! De todos os seus colegas, o único que chegara a ir à tarde na república tinha sido o seu primo, Aiolia. E este havia o procurado apenas para pedir a chave de seu quarto emprestado a fim de que pudesse dormir lá com Mu naquela noite. Milo não entendeu muito bem os motivos, já que os dois dividiam um quarto, mas imaginou que seria por conta do banheiro, a cama de casal, entre outras privacidades que não tinham no minúsculo dormitório da faculdade. Ainda se lembrava de quando dormia lá e recebia muitas reclamações dos colegas de suíte por conta do barulho que ele e Camus faziam à noite. Bem, de qualquer forma, Aiolia não quis entrar em detalhes, e Milo também não estava mais com humor para ouvi-lo, uma vez que nem os parabéns seu primo havia lhe dado.
Por conta disso, mais de uma hora antes do combinado, Milo já estava chegando no quarto de Camus, com sua mochila nas costas, pronto para viajarem logo. Porém, seus novos planos também não deram muito certo, pois encontrou o namorado sentando em frente ao computador, ainda fazendo um trabalho da faculdade. Era só o que faltava!
— É um questionário de Economia, mas já estou quase terminando — Camus se explicou. Milo havia se aproximado, dando um selinho nele e questionado sobre o que ele estava fazendo, quando deveria estar se arrumando para viajarem.
A verdade é que Camus já estava de banho tomado, sua bolsa já devidamente organizada e, portanto, com um tempo de folga. Quer dizer, estaria com tempo de folga se o seu professor de Economia não tivesse enviado um roteiro de questões para se entregue na semana seguinte.
— E você não poderia fazer isso depois que voltássemos? — questionou Milo, se jogando despojadamente na cama de Camus, como se fosse a sua própria cama.
— Poderia. Mas você sabe que eu não gosto...
— ... das coisas esperando para serem feitas — Milo conclui a frase.
— Isso — Camus confirmou, sem desviar a atenção do computador. — Além do mais, você está bem adiantando. — Confirmou o horário pelo relógio do notebook — O que foi? Isso é novidade para mim. Não iria aproveitar a tarde com seus amigos...
— Iria, mas resolvi vir logo... — se limitou a responder, ligando a TV e abaixando o volume para não atrapalhar.
— Hum... — Camus também se limitou a expressar, concentrando-se em seus afazeres. — Já estou quase acabando aqui...
— Tudo bem... — Milo deu de ombros, “passeando” pelos canais da TV.
Depois de uns trinta minutos, Camus finalmente concluiu seu questionário, sem nenhuma dificuldade. Ele não entendia por qual motivo alguns alunos se descabelavam tanto na aula de Economia, com algo tão simples. Depois de enviar o questionário por e-mail para o professor, desligou o notebook e se levantou, avisando a Milo que já há havia terminado. Este, então, desligou a TV e ajudou o namorado a pegar a suas coisas.
— Você conferiu tudo, não está esquecendo de nada? — Camus perguntou a Milo, enquanto dava uma última conferida rápida em suas próprias coisas, só mesmo por garantia, uma vez que ele arrumara a mala de acordo com a sua listinha previamente organizada.
— Está tudo aqui... — Milo bateu a mão em sua bolsa.
E foi então que Camus retirou de sua bolsa uma caixinha preta enrolada num laço de fita azul, com um cartão do lado.
— O que é isso? — quis saber, ainda sua intuição já gritasse “presente de aniversário”.
— O seu presente... — Camus confirmou.
— Ah, meu amor, não precisava — Deu um beijo, empolgado, no namorado, enquanto abria a caixinha e tirava de dentro dela um relógio prateado. — Uau! É lindo! Mas o presente não era a viagem?
— Era, se tivesse dado certo a viagem que eu planejava... — Camus respondeu, meio desanimado.
Infelizmente não conseguira dar a Milo a viagem que queria, pois, como foi muito em cima da hora, não conseguira achar nenhuma cabana disponível nas Montanhas Adirondack¹, o melhor refúgio de outono nos EUA, que era onde Camus planejava ir com Milo. Então decidirão adiar essa viagem para o feriado de ação de graças que aconteceria no final do mês e resolveram apenas irem para o litoral, ali mesmo em Connecticut² (ainda que Camus não curtisse praia, ainda mais no outono). Contudo, a melhor opção naquele momento, em que fariam uma viagem rápida, era mesmo ir para algum lugar perto de onde ficava a Golden College.
— Para onde vamos será maravilhoso do mesmo jeito... Além do mais, vamos para as montanhas no final do mês. — Diferente de Camus, Milo não estava se importando muito para onde iriam. O que ele queria mesmo era passar o final de semana juntinhos, sem a interferência de Christian, de Lune, de garotos de fraternidade e de projeto de Física. Um momento para se reconectarem outra vez. — De qualquer forma, amei o relógio, ele é lindo! — Milo falou, tirando do pulso o relógio dourado que Lune lhe dera e colocando o que Camus havia lhe dado.
Camus, sempre muito observador, estranhou o fato de não ter notado aquele relógio antes, assim que Milo chegara.
— Achei que você tivesse perdido o seu relógio — disse. Milo vivia perdendo as coisas, só não perdia a cabeça porque estava colado no pescoço.
— Ah... esse eu também ganhei de presente hoje.
— Hum...
— Foi o Lune quem me deu — Milo contou, como se tivesse lido a interrogação na mente de Camus, enquanto procurava a caixinha do relógio na mochila para guardá-lo.
— Vocês dois parecem bem próximos ultimamente — Camus comentou, de modo lacônico, tentando esconder que não gostara de saber que Lune agora dava presentes a seu namorado. Já havia deixado bem claro para Milo o que ele pensava a respeito da “amizade” dele com esse garoto.
— Está com ciúmes? — Milo deu um meio sorriso. Estava adorando essa implicância de Camus com Lune, às vezes falava sobre o outro de propósito, só para arrancar, mesmo que mínima, alguma reação possessiva de Camus.
— Até parece... — Estalou a língua, com desdém — o que foi? — Camus notou que o namorado, de repente, pareceu inquieto, procurando alguma coisa na mochila, mesmo depois de guardar o relógio.
— Minha carteira não está aqui... — Milo olhou em toda a sua bolsa, chegando a tirar algumas coisas de dentro dela, sem conseguir encontrar a carteira.
— Você deve ter esquecido na república.
— Eu tenho certeza de que a coloquei aqui... — Foi então que retirou da bolsa um envelope contendo dois ingressos. Sorriu, logo percebendo que era um presente de aniversário de seu primo. Leu o cartão: “Para: Milo palestrante. De: Aiolia e Mu, o casal mais foda da faculdade”. — Deve ter caído quando Aiolia colocou isso... — Balançou os ingressos — Final do mês vamos para New York ver os Yankees contra os Red Sox³ — Milo estava doido para assistir a esse jogo, mas era difícil conseguir ingressos, mesmo eles sendo bem caros, principalmente nos melhores lugares. Chegou a tentar comprar e não encontrou mais, provavelmente Aiolia já havia providenciado bem antes. Então por que ele fingiu que havia se esquecido de seu aniversário?
— É melhor irmos logo então — Camus falou, interrompendo as conjecturas de Milo. — Já que teremos que passar na república.
Milo guardou os ingressos, fechou a bolsa e os dois deixaram o quarto.
***
Quando chegaram à república dos Sigma Tau, Milo franziu o cenho depois de descer do carro e encontrar a porta trancada, naquele horário. Estranho! Ele tocou a companhia, e nada. Silêncio total. Respirou fundo, temendo que não houvesse ninguém lá, já que suas chaves tinham ficado com Aiolia. O que havia dado nesses garotos hoje? Então, uma possibilidade de resposta passou pela sua cabeça.
Caramba! Será?! Milo começou a roer a unha do mindinho.
Olhou para Camus, meio preocupado. O que ele faria se os garotos tivessem armado o que ele estava cogitando que os garotos tinham aramado?! Depois ele pensou novamente: Não, os meninos sabiam que ele iria viajar com Camus. Eles não fariam isso. Fariam?!
— O que está esperando? — Impaciente, foi Camus quem tocou a companhia.
E a porta se abriu.
— FELIZ ANIVERSÁRIO, MILO! — a galera que estava reunida ali dentro gritou.
— Oh, meu Deus! — Milo colocou a mão na boca, olhando para o ambiente. A república estava lotada de amigos, o teto estava cheio de bexigas azuis, com longos fios dourados pendendo sobre uma faixa também azul escrita em dourado: Happy Birthday, Milo! — Seus filhos da puta! Cheguei a pensar que tinham mesmo esquecido...
— Impossível, Milo. Você fez questão de nos lembrar do seu aniversário o semestre inteiro — disse Aiolia, devolvendo-lhe a carteira e as chaves. — E aí gostou do seu presente?
— É claro que eu gostei... — Abraçou o primo, mas sua mente pensava na reação de Camus com aquela festa surpresa e em como resolveria aquele conflito sem magoar os garotos e sem brigar com o namorado.
Assim que todos o abraçaram e desejaram feliz aniversário, ele finalmente se virou para Camus, que vinha andando em sua direção.
Respirou fundo, preparando-se para encarar a fera.
Mas então notou algo no semblante de Camus.
— Você sabia?! — Ele percebera que, diferente de si, Camus, além não parecer surpreso, mantinha um rosto sereno, de quem não se incomodara com aquilo; o que era estranho, conhecendo o namorado que tinha.
Camus confirmou que sabia com um balançar de cabeça.
Obviamente que Camus havia detestado a ideia. Mas não quis parecer chato aos olhos do professor Saga, dizendo não aos garotos e estragado tudo o que eles já haviam planejado antes de saberem da viagem. Sim, aqueles meninos haviam dado um jeito de convencer o treinador Kanon a conversar com o professor Saga para falar com Camus se ele poderia adiar a viagem ao menos por algumas horas. Além disso, se o treinador estaria na festa, significava que não teria tanta bebida, já que Kanon era rigoroso com seus garotos, segundo Saga. E tinha mais, Milo iria sair daquela casa daqui a um mês, assim que acabasse o semestre, então era meio que esperado que os amigos fizessem uma festa de despedida. E se tinha que fazer, era melhor que fosse logo. E, bem, eles já tinham adiado a viagem para as montanhas mesmo...
— E a nossa viagem?! — Milo questionou, ainda surpreso com a atitude de Camus. Ele, que sempre previa as atitudes do namorado, nunca preveria aquilo. Não que ele não tivesse gostado de ver Camus interagindo com seus amigos. Por Deus! Aquilo tinha sido a sua melhor surpresa do dia. Só que ele também queria ficar o final de semana a sós com o namorado.
— Vamos depois da festa. — Camus deu de ombros. — Eu não quis te privar dessa comemoração com seus amigos que, pelo o que eu soube, já estavam planejando tudo antes de reatarmos o namoro. Mas não podemos ficar muito tempo — fez questão de deixar claro —, pois pegaremos a estrada ainda hoje.
Milo abriu um largo sorriso sem conseguir esconder a felicidade que sentia, abraçando o namorado e o agradecendo.
Nesse momento, Aldebaran aumentou o volume do aparelho de som, e todo mundo vibrou.
— Vem cá, Milo! — Mime saiu o arrastando até a cozinha. Chegando lá, alinhou vinte e dois copinhos ao redor de um bolo que estava em cima da mesa, pegou uma tequila no bar e encheu os copos até a borda.
Milo pegou um copo, enquanto vinte e um de seus amigos pegaram os outros.
Camus olhou na direção do treinador Kanon. Ele iria deixar aquele monte de garotos se embebedar e não iria fazer nada?! Perguntou isso ao professor, que apenas respondeu:
— Relaxa, é só um copinho de tequila.
Antes que Camus pudesse retrucar alguma coisa, todos começaram a gritar e cantar o “Parabéns a você”.
E, então, Milo e os garotos viraram o copo na boca. Era como sopravam as velinhas.
Quando todos se dispersaram, Milo se aproximou de Camus e encostou a cabeça no ombro dele.
— Prometo que não vou me embebedar... — falou um Milo todo animado.
Camus suspirou, já começando a se arrepender de ter compactuado com essa festa.
* * *
Algum tempo depois, Camus já estava completamente certo de que ter concordado em participar dessa festa ao invés de ter seguido sua viagem com Milo tinha sido uma péssima decisão. Encostado numa parede, sozinho, enquanto Milo e seus amigos cantavam versões alcoolizadas de algumas músicas no Karaokê, ele reparava em algumas líderes de torcida em pé no sofá, dançando como colegiais desajeitadas, rindo do nada e balançando os braços com a batida da música.
— Aceita um pouco de ponche? — Mu se aproximou de Camus, com dois copos na mão. Um para ele e outro para Camus. Percebera que, até então, o ruivo não tinha consumido nada, nem refrigerante.
— Não, obrigado. Eu não curto bebidas alcoólicas — recusou, embora quisesse muito beber alguma coisa, já que fazia muito calor ali dentro.
— Não tem álcool, eu mesmo fiz o ponche.
Camus o olhou, como que duvidando daquilo.
— Alguém pode ter colocado, e eu vou dirigir logo mais.
— Eu posso te garantir que esse aqui não tem álcool... — Mu ainda se sentia mal só de lembrar do vexame que dera na noite em que resolvera beber “um pouquinho”. — Eu também não bebo.
Camus deu uma analisada no garoto, percebendo que realmente não estava alcoolizado e recebeu o copo da mão dele.
— Está muito cheio e quente aqui, você não prefere ir lá para fora? — Mu convidou, e Camus não recusou o convite. Apesar de não estarem no verão, aquela quantidade de gente ali na sala fazia a temperatura subir ao ponto de incomodá-lo
Suspirou satisfeito ao sentir o vento gostoso lhe refrescar, enquanto caminhava para a área da piscina.
O dois deram início a uma conversa descontraída sobre a faculdade, cursos, oportunidades de emprego depois da faculdade, entre outros assuntos que fez com que Camus se perguntasse o que um garoto como Mu estava fazendo ali. Achava que Milo fosse a única exceção à ideia que ele tinha de um garoto bobo de fraternidade.
Então, quando a bebida de ambos estava quase acabando e Mu se prontificou a ir buscar mais, Camus questionou como Mu conseguia se livrar dos trotes que envolviam álcool.
— Nunca fui obrigado a participar desse tipo de trote aqui...
Provavelmente porque Milo era um líder com algum juízo — Camus pensou. Ainda bem. Mas...
— Agora que os Sigma Tau terão um novo líder, não tem medo que ele adere a moda de aplicar trotes com bebidas?
Mu apenas olhou para Camus como se perguntasse “Que história é essa? Do que você está falando?”,
— Milo não sai dessa fraternidade tão cedo — Mu falou, com convicção.
Camus arqueou uma sobrancelha, sem entender por que Mu não sabia que Milo iria sair da fraternidade. Mas antes que ele pudesse questionar sobre isso, Milo e Aiolia apareceram.
Aiolia abraçou Mu pela cintura e lhe deu um beijo na bochecha, e Milo repetiu o gesto com Camus.
— Posso saber porque o senhor deixou de assistir ao meu show para vir para cá? — Aiolia questionou ao namorado.
— Estava quente lá dentro — Mu respondeu. Mas a verdade é que ele havia percebido Camus meio deslocado e resolveu se aproximar.
— Você já quer ir? — Milo quis saber do namorado, preocupado com ele. Embora estivesse gostando da festa, também não queria chateá-lo.
— Ah, mais a festa mal começou... — Aiolia reclamou.
Camus justificou dizendo que não queria dirigir muito tarde. Ele olhou no relógio, já era quase nove horas da noite. Não era para ficarem tanto tempo, deveriam ter seguido viagem assim que o treinador fora embora.
Então Aiolia iniciou uma conversa sobre a ida deles para New York (sim, ele havia comprado ingressos do jogo para ele e Mu também). Milo ficou empolgado, achando que seria divertido os quatro viajarem juntos. Já Camus não falou nada, tranquilo por ter tempo suficiente para tirar aquela ideia de encontro de casais da cabeça do namorado. Mu até que era legal, mas o tal do primo de Milo tinha fama e cara de encrenqueiro. Sem contar que era muito aparecido e Camus presava por sua discrição.
Uma música lenta começou a tocar, e Milo puxou Camus para a pista de dança.
— Temos que viajar... — Camus o relembrou.
— Só uma dança, amor. Para finalizar...
— Eu não danço bem, Milo, você sabe — Camus ainda contestou, mas Milo o arrastou mesmo assim.
Não levou muito tempo para Milo relembrar que Camus realmente não era o melhor dançarino do mundo.
— Desculpe — disse, depois de pisar no pé de Milo pela terceira vez.
— Você está indo bem — mentiu, dando um beijo na testa dele. — E, Camus, obrigado por isso. Foi um momento muito bom ter você e meus amigos juntos, hoje.
— Não se acostume...
Então a música lenta parou de tocar e Milo sentiu seus colegas se aproximando.
— Carteira, chaves, celular... — Aldebaran e mais dois colegas falavam, enquanto enfiavam as mãos nos bolsos de Milo.
— Ah, não...!!! — Milo já sabia do que se tratava antes mesmo de ter sido arrastado por seus amigos e ter sido jogado dentro da piscina.
Em seguida, alguns se jogaram e outros saíram jogando outras pessoas.
Algol tentou jogar Camus, mas desistiu ao receber dele um olhar tão gelado que o fizera se arrepiar de verdade.
— Camus, me ajude aqui... — disse Milo, dentro da água, estendendo a mão para que Camus o puxasse.
Por um instante, Camus se viu sendo puxado para dentro da piscina, mas fora só um susto mesmo. Milo fingiu que iria puxar, mas sabia que o ruivo não curtiria e acabaria brigando com ele. Talvez se estivessem os dois sozinhos, Camus não se importaria, mas ali, por farra, com aquela piscina cheia de garotos e garotas? Ah, Milo não se atreveria.
— Não acha que essa festa já durou o suficiente, não? — Camus perguntou seco, quando Milo já tinha saído da piscina.
— Acho. Só vou tomar um banho e trocar de roupa, então seguiremos viagem...
Milo pegou suas coisas que os meninos colocaram na mesinha ao lado, e os dois se dirigiram para o quarto de Milo. Quando mal começaram a subir as escadas, alguém gritou:
— Galera, venham ver o que temos aqui...
Milo olhou em direção ao colega que o chamava e segurava a porta da república, aberta, enquanto entrava por ela o que parecia ser um bolo gigante de aniversário, que poderia caber umas três pessoas ali dentro, sobre um carrinho de rodinhas.
— O que é isso — Milo desfez seu caminho, voltando a descer as escadas para ir matar a sua curiosidade. Camus permaneceu onde estava.
— Mandaram de presente para você.
Milo franziu as sobrancelhas e pegou o cartão que estava em cima do “bolo”, lendo em voz baixa:
— “Um presente para o aniversariante mais quente da faculdade. Com amor, Love Striper.” — Milo olhou em direção a escada, para se certificar de que Camus não havia o escutado lendo aquilo. Love Striper era o nome de uma casa de striper que tinha ali por perto e que ele e os amigos costumavam frequentar em algumas noites de curtição e safadeza. Claro que isso era quando ele não estava namorando Camus. — Bem, o presente fica para vocês... aproveitem! — Milo deu um tapinha no ombro do calouro, que saiu todo feliz puxando o grande bolo e gritando para os colegas, os quais foram se aproximando e se aglomerando ao redor.
Milo então deixou os meninos na sala e voltou a subir as escadas com Camus.
* * *
Agora, já dentro do quarto, a primeira coisa que Milo fez foi agarrar Camus pela cintura e atacar seus lábios com um beijo intenso.
— Enfim, sós...
— Nós, nós precisamos... — Pegar a estrada era o que Camus tentava dizer, mas Milo e seus beijos urgentes não deixava.
Camus desistiu de fazer qualquer objeção e retribuiu o beijo, enquanto era arrastado para dentro do banheiro, e seu pescoço passava a ser o alvo dos beijos e mordidas de Milo. Este ainda deu um jeito de empurrar a porta com o pé para que se fechasse antes de entrarem para dentro do boxe.
Prensado contra os azulejos, Camus esticou a mão abrindo o registro d’água, com a expectativa de que ela conseguisse acalmar um pouco daquele calor que se instalara por ali. No entanto, ainda que a água estivesse bastante gélida, como ele gostava, ela não conseguia apagar o fogo que sentia em cada lugar que Milo o tocava.
E a coisa esquentou ainda mais quando Milo arrancou bruscamente a camisa de Camus e depois a calça, jogando-as no chão. Não demorou muito para que a roupa de Milo tivesse o mesmo destino.
Os dois estavam agora despidos, excitados e ofegantes sob a água.
Camus soltou um gemido quando a mão de Milo desceu e começou a acariciar lhe entre suas pernas.
Milo estava adorando ouvir todos aqueles múrmuros de prazer que o namorado soltava. Sentia total fascinação com a maneira como Camus, geralmente tão comedido, se entregava daquele jeito quando recebia seus toques. Extasiado, ele aumentou o ritmo da masturbação. Ao perceber que o namorado estava prestes a chegar no clímax, parou, desligou a água e foi descendo os beijos pelos mamilos, depois o tórax, barriga, umbigo... até que se ajoelhou em frente dele.
Camus arfou em antecipação, mas se viu um pouco frustrado quando Milo começou apenas a despejar beijos por sua perna, virilha... sua perna novamente...
— Isso é tortura, Milo! — a voz de Camus denunciava sua urgência.
— Isso é uma pequena vingancinha por todas as vezes que tive que me virar sozinho aqui nesse banheiro por sua causa — Milo sorriu, sapeca, e continuou a provocar Camus por alguns segundos. Sem que ele mesmo pudesse segurar mais o seu desejo, Milo finalmente abocanhou Camus, arrancando-lhe um gemido.
E os gemidos iam ficando cada vez mais altos até que Camus gozou na boca de Milo.
Depois de respirar por alguns segundos, curtindo aquela sensação pós orgasmo, Camus trocou de posição com o namorado.
— Agora é minha vez...
Ele começou a mover a mão e a chupar o membro de Milo até que estivesse no fundo de sua garganta.
Milo jogou a cabeça para trás e suas mãos automaticamente foram para os cabelos de Camus. Quando Milo viu que o ápice estava prestes a chegar, ele puxou o namorado para cima novamente.
— Você não está gostando?
— Ao contrário, estou gostando demais... — disse, voltando a devorar os lábios dele com beijos intensos. — Mas quero fazer isso dentro de você...
Então, Milo interrompeu os beijos por alguns segundos, que pareceu uma eternidade, apenas para ir até o armário do banheiro pegar o potinho com lubrificante que já ficava num lugar estratégico.
Camus se posicionou contra a parede do boxe e de costas para Milo. Este começou a beijá-lo nas costas, nos ombros, na nuca..., enquanto acariciava o namorado e o lubrificava para prepará-lo.
Milo continuou acariciando Camus enquanto o penetrava, deleitando-se com o gemido longo que ele deu.
Em certo momento Camus gritou o nome de Milo bem alto, o que fez com que Milo começasse a arremeter com ainda mais força, apertando a coxa de Camus como se quisesse arrancar um pedaço, enquanto lambia e mordia seu pescoço, masturbando-o no mesmo ritmo com que entrava e saía.
Camus já mal conseguia respirar, queimando pela maneira possessiva com que era possuído. Já estava gemendo, aos berros, e ansiando ardentemente pelo orgasmo. Nesse momento, Milo segurou o seu rosto e o beijou arrebatadoramente, fazendo-o gemer agora dentro de sua boca. O ápice chegou primeiro para Camus, e depois de mais algumas investidas, ele chegou para Milo também.
Depois disso, os dois penderam para o lado, respirando ofegante. Camus girou, virando-se de frente e se aninhando no peito de Milo.
— Estou começando a ficar cansado e com preguiça de pegar a estrada... — murmurou, um pouco manhoso.
— Podemos cochilar um pouco, amor, antes de irmos — Milo falou, roçando os dedos na nuca do namorado. Depois sorriu com malícia... — Ou podemos repetir a dose antes disso.
— Talvez possamos fazer os dois... — Camus respondeu, deixando um Milo empolgado, e ligou a água do chuveiro novamente. Pegou o sabonete na saboneteira ao lado e começou a passá-lo pelo tórax e abdômen de Milo. — Mas eu quero tirar um cochilo primeiro... Acho que podemos deixar para sair quando amanhecer o dia, já está bem tarde agora...
Milo concordou e dois ficaram trancando beijos carinhosos embaixo da água. De repente, a água parou de cair.
— Será que acabamos com a água da república? — Camus perguntou. Não havia ficado tanto tempo com o chuveiro ligado, havia?
Milo deu um risinho da cara de indignação que Camus fez, mas a verdade é que também estranhara aquilo. Por sorte, os dois já tinham se limpado.
Depois de saírem do banheiro, eles se secaram e deitaram um pouco para descansar. Como estava se sentindo um pouco cansado, Camus foi o primeiro a cochilar, mesmo com o barulho alto da música que tocava lá em baixo.
* * *
Camus acordou no meio da madrugada com Milo o chamando.
— Amor, vamos... acorde...
— O que foi, Milo? — Esfregou os olhos. — Só mais cinco minutinhos...
— Temos que sair logo daqui...
— Por que não liga a luz? — Camus percebeu que Milo iluminava o quarto apenas com o celular.
— Estamos sem energia elétrica...
Só então, Camus se deu conta de que no lugar do barulho da música, havia barulho de pessoas falando alto, como se tivesse uma confusão no andar de baixo.
— O que está acontecendo?
— Eu explico no caminho. Precisamos sair logo daqui, antes que sobre para mim...
— Tudo bem — Camus levantou-se. — Vou só jogar uma água no rosto...
— Não tem água... — Milo informou. — Aqueles malditos aprontaram com a gente!
Ainda sem entender direito o que estava acontecendo, Camus pegou sua mochila, usando o celular para iluminar o ambiente, vestiu sua roupa e seguiu Milo até a saída, fazendo o máximo possível para evitarem serem notados.
Quando finalmente conseguiram sair, deixando a fraternidade, no que parecia um caos, Camus exigiu de Milo.
— Agora me explique o que está acontecendo...
* * *
Fale com o autor