Golden College
11 Fifty shades of lilac
Notas iniciais
– GOLDEN COLLEGE –
Fifty shades of lilac

Com a boca seca e o coração parecendo que iria pular para fora do peito, Aiolia observou Mu despir-se lentamente. Primeiro a camisa, depois os sapatos, as meias e, por último, a calça jeans; ficando somente com uma cueca boxe lilás, num tom um pouco mais escuro do que os seus cabelos.
Aiolia analisou com deleite o corpo esbelto do seu colega de quarto. As pernas torneadas, cobertas por uma fina penugem loira quase imperceptível, a bunda empinada, a cintura um pouco mais fina do que o quadril, que ia se alargando ligeiramente até chegar aos ombros; a pele alva como algodão que parecia ter uma textura macia...
Deus! Como ele é lindo!
Aiolia estremeceu em expectativa, sentindo o sangue correr quente por suas veias, numa mistura de adrenalina, luxúria e desejo. Sim, ele estava excitado com a visão de um homem nu. E, sim, ele achava que poderia lidar com isso.
Ainda que não soubesse dizer ao certo como chegara àquela situação.
A última coisa de que se lembrava era que, mais cedo, estavam na república, bebendo e comemorando o resultado do julgamento com os demais colegas da Sigma Tau; até que os dois foram comemorar sozinhos no quarto.
Sem conseguir tirar os olhos daquele corpo bonito diante de si, Aiolia também arrancou as suas roupas com pressa e as jogou em cima da escrivaninha.
Mu, que permanecia de pé, ao lado da cama, sorriu para ele com doçura e sedução ao mesmo tempo, de um jeito convidativo.
Aiolia suspirou, friccionando as mãos em ansiedade, e resolveu aproximar-se um pouco mais. Passou os dedos pelos cabelos longos de Mu, carinhosamente, depois puxou a fitinha marrom que os prendia, fazendo as madeixas lilases caírem sobre as costas.
Mu inclinou a cabeça para um lado quando Aiolia agarrou uma mecha, na altura da nuca, e foi deslizando o nariz pelo pescoço descoberto, inspirando profundamente.
— Seu cheiro tem me deixado louco, sabia disso? — sussurrou ao dar um beijo embaixo da orelha de Mu, arrancando-lhe um gemido.
Aiolia nunca imaginara que poderia achar tão sexy o gemido de outro homem, e decidiu que queria arrancar de Mu muitos outros gemidos como aquele.
— Você confia em mim? — perguntou, olhando nos olhos de Mu, que apenas acenou com a cabeça, confiante e sereno. Aiolia sorriu, satisfeito. — Coloque suas mãos juntas na sua frente.
Mu fez o que lhe foi pedido, sem hesitar; e Aiolia amarrou depressa seus pulsos com a fita que tirara do seu cabelo, dando um nó firme. Em seguida, agarrou-lhe os antebraços e o empurrou delicadamente para trás, na direção da cama, deitando-se ao seu lado. Segurou os pulsos de Mu e os ergueu acima da cabeça.
— Fique com as mãos nessa posição, sem abaixar, entendeu?
— Sim... — respondeu Mu.
— Sim, o quê? — O tom de Aiolia era levemente autoritário.
Mu mordeu os lábios no que pareceu um momento de incerteza; mas, em seguida, respondeu:
— Sim, mestre Aiolia...
Aiolia não conseguiu conter um grande sorriso de satisfação.
— Eu vou te beijar... — ele anunciou, com a voz rouca, tocando levemente os lábios de Mu. — Vou te beijar inteiro...
Então Aiolia o beijou de uma forma quase que desesperada. Quando percebeu que não seria mais possível aumentar a intensidade do beijo, foi diminuindo, aos poucos, até que o interrompeu, ofegante. A boca de Aiolia roçou o maxilar de Mu e foi descendo os beijos pelo queixo, pescoço, garganta...
Mu rolou a cabeça para trás, enquanto Aiolia descia os lábios cada vez mais pelo seu corpo; os dentes roçando levemente por sua pele, fazendo-o se contorcer.
Quando os lábios chegaram à virilha, Aiolia moveu-os para a coxa, chupando, beijando, lambendo, mordendo delicadamente a pele macia, enquanto puxava a cueca lilás para fora do corpo de Mu.
— Por favor, Aiolia! — Mu implorou, gemendo de modo sedutor, com os lábios entreabertos e o seu peito arfando com cada inspiração veloz.
Aiolia se sentiu ainda mais excitado com as reações de prazer e desejo Mu. Mesmo assim, ele hesitou por um momento. Queria mesmo fazer aquilo com outro homem?
Respirou fundo.
Sim, ele queria. E queria isso desde a primeira vez em que Mu entrara naquele quarto. Queria muito beijar cada parte daquele corpo, queria muito vê-lo gemendo o seu nome, suspirando de prazer, desejo...
Então Aiolia fez. Seus lábios se fecharam em torno de Mu.
E seus olhos se abriram imediatamente.
A única coisa que Aiolia sentia era o próprio coração martelando no peito, e uma pressão forte em seu baixo-ventre. Levantou-se de supetão, olhando para os lados à procura de seu colega. Franziu a testa quando notou que ele estava dormindo tranquilo e sereno, como de costume, vestido no seu pijama com estampas de carneirinhos. Foi só um sonho?! Coçou o olho. Mas parecia tão real!
Notou que a TV ainda estava ligada. Na tela, uma cena de uma moça entrando num elevador olhando para um cara parado feito um bobo na porta. Depois disso, vieram os créditos do filme que ele reconheceu ser o famoso “Cinquenta tons de Cinza”.
Foi então que ele se lembrou de que havia ligado a TV para assistir a um filme quando chegou da república, porque estava sem sono. Acabou cochilando e sequer percebera que o filme tinha acabado e entrado outro na sequência.
Era só o que faltava! Ele não tinha mais idade para ficar tendo aquele tipo de sonho, foi a primeira coisa que pensou. A segunda, foi que aquilo, com certeza, era porque estava sem sexo há muito tempo! Qual era a última vez que tinha transado? Nem se lembrava direito. Ou melhor, se lembrava, mas se recusava a admitir que perdera um pouco de interesse nas garotas depois que começara a sentir aquela curiosidade em relação a Mu. Curiosidade que estava ficando cada vez maior, ele tinha que admitir. Bem, para ser sincero, estava ficando quase que incontrolável. Merda! Isso não devia estar acontecendo. Ele gostava de mulheres.
Olhou o relógio em cima do criado-mudo. Eram duas horas da madrugada, e ele tinha um jogo importante no dia seguinte. O treinador Kanon finalmente havia lhe devolvido sua posição de quarterback titular do time, e ele não queria dormir novamente no meio do jogo. Respirou fundo e tentou voltar a dormir. Só que ele não conseguiu, seu baixo ventre latejava e aquilo estava o deixando louco.
Puta Merda! Eu preciso transar! — Pensou enquanto jogava as cobertas para o lado, levantando-se e dirigindo-se ao banheiro. Amanhã mesmo, depois do jogo, cuidaria desse pequeno problema indo a um bar e pegando a mulher mais quente que encontrasse, depois transaria com ela até esquecer essas fantasias. No momento, entretanto, teria que se contentar em se aliviar sozinho.
* * *
No dia seguinte, assim que Aiolia entrou no campo de futebol, seus olhos seguiram para a arquibancada à procura de Mu. Não foi difícil notar os cabelos lilases se destacando no meio da multidão, principalmente porque Mu estava nos assentos da frente. Aiolia sentiu uma enorme vontade de acenar para o amigo, mas se conteve, evitando dar ainda mais motivos para os bastardos do seu time ficarem fazendo piadinhas sobre os dois. Quer dizer, mais do que já faziam.
Ainda assim, Aiolia não pode deixar de sorrir para o seu colega quando este o olhou de volta, balançando a sua bandeirinha de torcedor. Era muito bom vê-lo ali, torcendo por ele. Sim, Aiolia sabia que Mu só fora assistir ao jogo por causa de um pedido seu, quando, mais cedo, Mu havia dito que passaria o resto do ano trancando no quarto, porque se sentia constrangido em sair andando por aí com aquele cabelo tão chamativo; o que era uma bobagem, achava Aiolia. O cabelo de Mu havia ficado tão lindo!
E era exatamente isso que Afrodite estava dizendo para Mu, na arquibancada, quando o amigo revelou que, apesar daquelas pessoas estarem ali por conta do jogo, ele se sentia o centro das atenções.
— É impossível passar despercebido com esse cabelo — ele se queixou.
— Bobagem! — Afrodite abanou a mão. — Confie em mim quando digo que o seu cabelo está ma-ra-vil-ho-so! Para ser sincero, eu estou até cogitando tingir o meu também. Pensei no tom azul piscina, para destacar os meus lindos olhos. Eu ficaria um arraso com o cabelo azul, não acha? — Afrodite parou de falar quando percebeu que, ao invés de Mu estar prestando atenção em suas palavras, estava mesmo era distraído, olhando com cara de bobo para o quarterback do time de futebol da Golden College. Afrodite deu uma risadinha e aproximou os lábios dos ouvidos de Mu. — Você está caidinho por ele.
— O quê?! — Mu pareceu acordar de um transe, sentindo suas bochechas pinicarem. — Você fala cada coisa sem noção, Afrodite.
— Só falei o que vejo. Não sou cego, sinto muito... — Afrodite deu de ombros.
— Não é cego, mas anda vendo coisa onde não existe — Mu disse, sem graça.
— Não sei porque você fica assim, com essa cara de quem foi pego fazendo algo errado. Não tem que se sentir constrangido por gostar de alguém. Não há nada de errado nisso.
— Há tudo de errado! Para início de conversa, eu não sei se você percebeu, eu sou um garoto e não uma garota para ficar fantasiando com um príncipe encantado.
— Em primeiro lugar, esse negócio de príncipe encantado está meio fora de moda até em contos de fadas, sabe. E segundo lugar... É sério que você está dizendo logo para mim que um garoto gostar de outro é um problema?!
Mu inspirou fundo, sentindo-se meio idiota por ter dito aquilo para Afrodite e tentou se explicar.
— São situações diferentes.
— Não entendi a diferença. — Afrodite arqueou uma sobrancelha.
Mu inspirou fundo outra vez.
— Você é gay! Eu gosto de garotas.
Afrodite o olhou como que dizendo “você está brincando?!”
— O quê?! Qual a surpresa nisso? Eu nunca te disse que eu era gay.
— Meu amor, você não precisa dizer nada, porque eu reconheço um gay a quilômetros de distância. E desde a primeira vez que pus meus lindos olhos em você, vi que era dos meus.
— Eu já tive uma namorada no colégio, se você quer saber... — Mu informou. Ainda que ele tivesse que admitir que não gostava da garota tanto quanto deveria, nem sentira por ela aquele formigamento que sentia toda vez que Aiolia estava por perto. Para falar a verdade, eles sequer se beijavam direito, era mais uma espécie de amizade. Mas caramba! Isso era só porque eles eram praticamente crianças na época.
— Você pode até ter tido mil namoradinhas no colégio, ou até mesmo arrumar uma namorada aqui, mas está estampado na sua cara, quase que como um letreiro luminoso, que o que você curte mesmo são os músculos do nosso quarterback — Afrodite falou.
Mu fez um muxoxo. Era tão evidente assim?!
Afrodite passou a mão pelos seus cabelos e continuou:
— Pare de tentar negar o óbvio para mim, ou melhor, pare de negar o óbvio para você mesmo e se permita experimentar. Não há nada de errado em se sentir atraído por outro garoto. Não há nada de errado em ficar encantado por aqueles músculos bronzeados do seu colega de quarto. E se quer saber, esse Aiolia é mesmo um tipão. Se ele não fosse o seu crush, e se eu já não estivesse saindo com um espanhol mais atraente do que o Rick Martin, eu também me encantaria por ele, assim como você.
— Ainda que eu goste de Aiolia desse modo. E não estou afirmando nada — ressaltou. — Aiolia nunca vai me olhar dessa maneira, Dite. Ele gosta é de garotas e está sempre rodeado delas. Se um dia ele ao menos imaginar que eu estou tento esse tipo de conversa sobre ele, nossa amizade nunca mais seria a mesma. Eu tenho medo só de pensar que ele poderia se afastar de mim, ou pior ainda, me odiar por causa disso.
— Ele iria era te adorar mais, isso sim. Vai por mim, ele pode até gostar de garotas, e eu acho que ele gosta mesmo, mas que ele também tem uma queda por você... Ah, ele tem... Você mesmo me disse outro dia que ele estava com ciumes das aulas que você estava fazendo com o Ikki. E, por favor, vamos combinar, que cara hétero gruda no amigo o tempo todo, tem ciúmes do vento e ainda coloca apelidinhos... — Afrodite ficou apertando a bochecha de Mu, para implicar com ele. — Heim, "meu pequeno gafanhoto"...
— Para com isso... — Mu reclamou, mas estava tentando reprimir um sorriso.
— Você é um bobo. Para mim está claro que ele está na sua. Se eu fosse você, saia dessa defensiva toda e partia era logo para o ataque. Você tem todas as ferramentas necessárias para conquistá-lo. — Afrodite começou a contar nos dedos. — Vocês dormem no mesmo quarto, estão na mesma fraternidade, ele faz tudo para te agradar...
— Você falando desse jeito, faz as coisas parecerem bem simples. Mas não é não. Aiolia é hétero e eu não vou ficar criando expectativas com algo que não vai acontecer. Então chega dessa conversa, é melhor prestarmos atenção no jogo. E aqui nem é lugar para falarmos esse tipo de coisa, alguém pode escutar.
— Está todo mundo prestando atenção nesse jogo sem graça. Oh Deus! Não acredito que estamos perdendo outra vez... — Fez bico, enquanto direcionava seu olhar para o jogo. Poucos minutos depois, ele voltou a falar: — Seu crush até que joga bem mesmo!
— Ele é o melhor! — Mu disse, com admiração.
Afrodite deu uma risadinha da cara de bobo que Mu fez.
— Gosto desse estilo meio selvagem que ele tem, sabe. — Aproximou para falar no ouvido de Mu. — Isso na cama deve ser igual a um leão esfomeado... Será que você dá conta, Muzinho?
— Afrodite! — Mu exclamou, corado dos pés à cabeça, desejando que o chão se abrisse embaixo dele e o engolisse. Principalmente porque ele já tinha imaginado algo assim.
Afrodite achou graça da timidez do amigo e ficou imaginando Mu como um carneiro indefeso sendo devorado pelo leão faminto. Que horror, Afrodite, ficar pensando na vida sexual dos amigos! Sacudiu a cabeça, afastando esses pensamentos. Nesse momento, a torcida começou a vibrar ensandecida, e ele voltou a sua atenção para o campo, vibrando e balançando sua bandeirinha.
— Mas que interceptada! — berrou o comentarista. — ... e ele vai para a linha de quarenta jardas, para linha de trinta, para linha de vinte... E os Golden Saints marcam um touchdown.
Alguns minutos antes, estavam todos apreensivos porque o time adversário, os Espectros, tinha uma certa vantagem no placar e ainda estavam com a posse de bola.
No entanto, quando o lançador dos Espectros arremessou para o seu quarterback, Milo interceptou a bola, para a alucinação da torcida, e rompeu o campo com ela na mão.
— Milo, você é lindo! Eu te amo... — gritou uma garota da arquibancada, segurando um cartaz com uma declaração para Milo, que jogou beijinhos de volta.
Christian torceu o nariz, de modo esnobe.
— Quanta bobagem! Qual a graça em ver um bando de idiotas correndo com uma bola na mão? Até um chimpanzé é capaz de fazer isso que eles fazem.
— Se não gosta de jogo de futebol, Christian, porque veio assistir? — Camus questionou, com cara de paisagem. Sequer fez questão de olhar na direção da garota que gritava por Milo, isso já nem o incomodava mais. Não era como se tivesse deixado de sentir ciúmes do ex-namorado, era só que já estava acostumado com esse tipo de situação.
— Não vim pelo futebol, vim por você, para lhe fazer companhia — Christian respondeu.
— Então pare de reclamar.
Christian torceu o nariz novamente e deu um sorriso de desprezo quando Milo e os colegas começaram a fazer uma dancinha de comemoração, provocando os adversários.
— Eu não acredito que você vai mesmo convidar esse idiota para ser seu assistente no projeto de Física. Olha só para ele, é um ridículo! O que ele vai fazer para te ajudar, ficar dançando?
Camus suspirou. Embora compartilhasse a mesma ideia de Christian sobre aquilo da dancinha ser infantil e sem propósito, ele não gostava de ver outra pessoa falar daquela forma sobre seu ex-namorado. Afinal, ainda que Milo muitas vezes se deixasse influenciar pelos idiotas da sua fraternidade, ele era um garoto muito inteligente, com grandes possibilidades. Porém, Camus não precisava explicar aquilo para Christian, então, apenas disse:
— A maioria dos estudantes de Física são muito competitivos e cada um já tem o seu próprio projeto, inclusive você. Além do mais, quem decide sou eu.
— Eu sei, Camus. Mas você pode convidar um calouro, por exemplo. E esse Milo nem está indo mais às aulas — Christian sorriu com deboche antes de continuar: — Provavelmente, percebeu a própria estupidez e desistiu.
Camus não respondeu por um simples motivo: não devia satisfações a Christian. Então, apenas ignorou seu comentário e continuou olhando para jogo. Até porque, ele sabia que Milo não tinha desistido coisa nenhuma. Conhecia muito bem o ex-namorado, ele nunca desistia. E essa era uma das características que Camus mais admirava nele. Além do fato dele ser lindo, charmoso, talentoso, bom coração... Sem contar que era uma ótima oportunidade pera afastar Milo daquela fraternidade idiota. Porque, sim, Camus também sabia que Milo ficaria encantado com a possibilidade de ajudá-lo a fazer um Sabre de Luz.
Camus ficou um bom tempo imaginando a felicidade de Milo quando o convidasse, mas seus pensamentos foram interrompidos assim que ouviu o barulho do apito do juiz, indicando o intervalo do jogo.
Algumas pessoas se levantaram para irem ao banheiro, outras para comparem mais bebidas ou comida, e algumas apenas permaneceram sentadas, assistindo aos comerciais que passavam no telão enquanto jogavam conversa fora. Era o caso de DeathMask, que estava sentado com sua namorada, Helena, uma amiga dela e alguns de seus colegas de fraternidade, dois deles também acompanhados de suas namoradas.
— Você viu como o Aiolia joga bem? — DeathMask ouviu Lyfia comentar com Helena, que confirmou numa espécie de apoio a amiga. Ele revirou os olhos.
— Pois eu acho que ele joga muito mal — Faraó, que também ouviu o comentário, intrometeu-se na conversa. — A prova disso é que estamos perdendo...
— O nosso time joga muito bem — Orpheu também quis dar a sua opinião. — A questão é que nossos adversários também são bons, mas confio no nosso time. Acredito que eles irão fazer um bom jogo, independente de ganhar ou não.
DeathMask estalou a língua, entediado. Cara chato! Odiava o jeito como Orpheu estava sempre querendo bancar o politicamente correto, o compreensivo, o defensor dos fracos e oprimidos.
De repente, Helena deu um gritinho, chamando atenção das outras garotas para a propaganda do filme “Cinquenta Tons mais Escuros”, que passava no telão.
— Olha, meninas. É o Christian Grey!
As garotas suspiraram, e Orpheu protestou com sua namorada, fingindo-se de indignado.
— Ei, eu estou aqui!
— Foi mal, amor... — Eurídice desculpou-se, dando beijinhos no rosto dele. — Mas é o Christian Grey, você tem que entender.
DeathMask fez uma careta. O que diabos havia sido isso entre as mulheres e esse tal Christian Grey? Ele não fazia ideia. A única coisa que sabia naquele momento era de que precisava fumar um cigarro e fugir dali, ao menos por alguns minutos. Então ele se levantou.
— Olha, eu vou comprar cerveja, essa aqui está parecendo mijo. Helena você vai querer alguma coisa?
— Eu quero um cachorro quente, amor — Helena falou.
— Traz um para mim também — pediu Lyfia.
— Está bem. Eu já volto.
Ele saiu e se dirigiu até uma barraquinha de cachorro quente que estava próxima das arquibancadas. Antes de chegar até lá, escorou-se numa pilastra e acendeu o seu cigarro. No entanto, mal o colocou na boca, avistou Afrodite conversando e rindo animadamente com um cara de cabelos lilases, enquanto acabava de degustar um cachorro quente.
Ele apertou sua mandíbula com força. Se antes estava se sentindo entediado, agora estava possuído por uma raiva sem tamanho. E por dois motivos:
Primeiro, porque ele sempre ficava uma pilha de nervos quando via aquele veado afetado, que estava fodendo com a sua cabeça de todas as formas possíveis, andando por aí, com aquele sorrisinho autoconfiante no rosto bonito.
Segundo, porque identificara quem era o garoto de cabelos lilases e já estava de saco de cheio de vê-lo andando para todos os cantos daquela faculdade ao lado de Afrodite. Porra, aquele garoto filho da puta parecia um carrapato que não desgrudava! Será que eram namorados?!
Ah, não! Não e não...
DeathMask sentiu uma pontada no peito. Porém, obviamente ele nunca admitiria, nem para si mesmo, que aquela pontada era ciúmes. Claro que não. O problema era ver aqueles dois veadinhos namorando por aí, na frente de todo mundo como se fossem um casal normal. Isso era um insulto, uma afronta, e ele não permitiria uma coisa dessas. Então, jogou o seu cigarro fora e resolveu ir até lá implicar com o “casalzinho”.
— Olha só, as bichinhas também assistem futebol.
— O que você quer, DeathMask? — perguntou Afrodite, crispando aqueles lábios lindos!
Merda! DeathMask fechou os punhos, com raiva de si mesmo por ficar reparando nos lábios de Afrodite.
— Eu quero você suma daqui, que vá para bem longe das minhas vistas com suas viadagens. Ou melhor, quero você e o seu namoradinho bem longe dessa faculdade, desse país, desse planeta...
Namoradinho?! Mu inclinou a cabeça e piscou duas vezes consecutivas.
— Se você me quer longe, porque diabos não me deixa em paz? — Afrodite cruzou os braços, com um sorrisinho sarcástico, ignorando o comentário sobre o namoradinho, enquanto pensava: Devia ser proibido homens lindos serem tão babacas!
DeathMask apontou o dedo para Afrodite.
— Eu só vim te avisar que não há a menor chance de você entrar para os Ômega Chi. Eu nunca vou deixar isso acontecer.
Afrodite abriu a boca para dizer alguns desaforos, só que Mu respondeu primeiro.
— Ótimo, já avisou. Agora dê o fora daqui!
O queixo de Afrodite foi ao chão, não reconhecendo a atitude do amigo. Talvez aquele carneiro não fosse uma presa tão fácil assim como parecia.
A verdade é que, em outra época, Mu realmente teria ficaria calado, na dele, evitando um confronto. Mas as coisas mudaram. E ele não iria mais tolerar ser destratado, muito menos ver alguém destratando um amigo querido. Ainda que ele achasse que poderia apanhar feio, visto que o outro garoto tinha um físico bem mais avantajado do que o dele.
— E se eu não der o fora, o que você vai fazer? — DeathMask aproximou-se mais de Mu, cruzando os braços fortes sobre o peito, querendo intimidá-lo.
Mas não intimidou. Ainda assim, Afrodite entrou no meio dos dois, antes que Mu falasse alguma coisa, colocando a mãos sobre o peitoral de DeathMask — que ele pode sentir como realmente era forte e firme —, e o empurrou.
— DeathMask, já chega! É melhor você ir embora. Você não vai querer começar uma briga aqui agora, não é mesmo? Você é forte, mas nós somos dois. Além do mais, os Sigma Tau não vão deixar barato se você brigar com Mu, o que vai obrigar os outros Ômega Chi a se meterem também, e isso vai se transformar numa confusão sem fim.
— Não, eu não vou iniciar uma briga. — DeathMask afastou-se, sentindo seu corpo quente por conta do toque de Afrodite. — Mas não para evitar confusão com os babacas do Sigma Tau, e, sim, porque eu não sou idiota de brigar aqui, com esse tanto de gente ao redor e policiais por todos os lados. Isso acabaria atrapalhando a minha candidatura a presidente da fraternidade. Só que isso não vai ficar assim. — Apontou o dedo novamente para Afrodite. — Foi bom saber que esse daí é dos Sigma Tau. Quero só ver o que os outros vão achar quando descobrirem que você anda com o inimigo. — Ele deu um sorriso debochado. — Mas eu vou dar a você o castigo que traidores merecem.
Afrodite engoliu em seco. Não pela ameaça de DeathMask sobre castigos e tudo mais, pois já havia percebido que aquele lá era do tipo “late, mas não morde”. O que o havia deixado receoso fora pensar que os outros Ômega Chi pudessem criar caso em relação a sua amizade com Mu, devido a rivalidade entre as duas fraternidades. Ah, meu Deus! Só me faltava mais essa!
* * *
Mais tarde, os jogadores de futebol se reuniram no Sanctuary para beberem e comemorarem a vitória.
— Galera, um brinde a nós, que arrebentamos no jogo de hoje! — Aldebaran gritou, todo animado, levantando seu copo para um brinde com os demais colegas.
— Cara, eu achei que a gente fosse perder quando vi aqueles filhos da puta só marcando pontos, e a gente nada. Mas quando o Milo interceptou aquela bola... — Argol aumentou o tom de voz, empolgado — eu falei: a gente vai virar essa porra!
Os demais jogadores vibraram com ele, fazendo muita algazarra e chamando a atenção das pessoas que estavam no local.
— De quem foi a ideia mesmo de usar a estratégia com o on side kick no terceiro tempo? — Aldebaran quis saber.
— Foi do nosso quarterback — Milo respondeu, virando o copo de cerveja na boca e reparando no garoto de cabelos loiros platinados que não tirava os olhos de si.
Abel ficou emburrado. Era ele quem deveria estar dando as coordenadas do jogo. Ele era muito melhor jogador do que Aiolia, no entanto, o treinador puxava o saco do outro só porque eram conterrâneos. Com certeza era isso.
— Aquilo pegou os Espectros desprevenidos — Mime falou, enquanto bebericava sua Margarita.
— Você mandou muito bem naquele chute, Mime. Acho que foi o melhor que você já deu, o treinador ficou impressionado — Aldebaran elogiou, e Mime piscou para ele, convencido.
— É, mas temos que admitir que aquele touchdown de Aiolia, faltando seis minutos para acabar o jogo, foi crucial... — Argol falou, fazendo Abel crispar os lábios novamente. — Tiramos as calças daqueles Espectros filhos da puta.
— E por falar em Aiolia, onde está aquele bastardo? Ele estava aqui agora mesmo... — Aldebaran questionou, fazendo Milo desviar sua atenção do bar por uns instantes para responder:
— Provavelmente, enfiado entre as pernas de alguma garota.
— Filho da mãe! — Algol exclamou. — Eu vi ele saindo daqui com a gostosa que eu estava de olho.
— Está falando daquela loirinha de mechas azuis? Sinceramente, não sei o que vocês acham naquela garota, ela é tão sem sal.
— Você diz isso porque é gay, Mime — Algol retrucou.
— Deixa de ser ridículo, Algol. O fato de eu ser gay não me faz cego para a beleza feminina, eu sei admirar uma mulher bonita, mesmo que eu não me sinta atraído por ela. A garota do bar, por exemplo — Mime falou, olhando na direção de Shaina, que servia uma bebida para um cliente. — Ela, sim, é uma mulher gostosa.
— E também é muito braba! — Algol acrescentou, arrancando risadas de todos. — Oh mulher difícil...
Os garotos, então, deram início a uma discussão sobre as garotas mais bonitas da faculdade.
Milo cutucou Aldebaran, que estava ao seu lado, para que se aproximasse, e perguntou baixinho se ele conhecia o garoto de cabelos platinados que estava próximo do bar. Aldebaran deu uma olhada disfarçadamente e respondeu para Milo.
— Eu sei que ele é filho daquele promotor famoso que quer ser presidente dos EUA, aquele tal de Minos de Griffon. E sei também que ele é um Ômega Chi. Ele estava na república no dia da competição do Beer Ping, você não se lembra?
Milo balançou a cabeça em negação.
— Não me diga que está interessando nele?
— Não... Claro que não! — Milo respondeu rápido. E não estava mesmo. Ficara apenas curioso, pois não era a primeira vez que notara aquele garoto tentando flertar com ele. Milo nunca correspondia, ainda que o achasse muito bonito, pois tinha decidido não flertar com mais ninguém além de Camus; tinha esperança de que voltassem. E ele não tinha desistido do seu ruivo ainda, só estava mesmo dando um tempo porque ficara chateado por ele ter fugido do quarto, e também porque queria ver se o ruivo sentia a sua falta.
— Menos mal — falou Aldebaran, voltando sua atenção para a conversa que estava ficando animada.
Alguns minutos depois, Milo levantou-se para ir ao banheiro. Na volta, deu uma passada no bar para pegar mais uma cerveja. Mal fez o pedido, e ouviu alguém o cumprimentar.
— Parabéns pela vitória no jogo. — Lune aproveitou a oportunidade para, enfim, se aproximar de Milo. — Você jogou muito bem.
Milo agradeceu de forma seca, enquanto pegava a cerveja que Shaina o entregava.
— Obrigado, gatinha — ele piscou para ela. Quando estava prestes a pagar, Lune o interrompeu.
— Pode deixar. É por minha conta. Um presente para o nosso campeão.
Milo fechou o semblante.
— Posso muito bem pagar a minha bebida, Ômega Chi — falou rude, sem nem olhar no rosto do outro.
Naquele momento, Lune sentiu vontade de chicotear Milo de todas as formas imagináveis e inimagináveis também. Quem ele pensava que era para destratá-lo daquela maneira? Logo aquele idiota que flertava com qualquer coisa que se mexesse naquela faculdade? Olhou para Valentine, que o estava acompanhando, e ficou feliz por vê-lo entretido no celular e não presenciando o fora que levara. Ainda assim, ele não iria desistir de Milo. Quando Lune cismava com alguma coisa, não sossegava até ter o que queria. Ainda mais percebendo que Milo, aparentemente, somente o rejeitara por conta da disputa das fraternidades. Sendo assim, ele decidiu insistir. Depois que o conquistasse, lhe daria a devida punição. Sentiu-se excitado com a imagem de um Milo submisso, sendo punido com um chicote.
— Minha presença te intimida, Sigma Tau? — Lune quis provocá-lo.
Milo, que já estava se retirando, estancou os passos imediatamente e virou-se com um meio sorriso sarcástico.
— Não fale bobagens. Não tenho porque me intimidar com nenhum Ômega Chi idiota. Afinal, nós somos melhores do que vocês em tudo.
Lune abriu um sorriso que era ao mesmo tempo irônico e sedutor.
— É mesmo?! Não sei não. Acho que você me evita porque sabe que não pode competir comigo.
Milo se sentiu insultado. Nunca que um Ômega Chi seria melhor do que ele em qualquer coisa que fosse.
— Pois eu desafio você no que quiser — esbravejou Milo, com firmeza. — E vou te provar que você não é de nada...
Lune reprimiu um sorriso.
— Então, que tal uma partida de sinuca? Quem perder paga a conta do outro. E já te aviso que eu não consumo pouco não.
Milo levantou a cabeça, numa posição desafiadora. Sabia que não era o melhor jogador de sinuca do mundo, ainda mais bêbado como estava. Entretanto, ele não iria, de jeito nenhum, admitir isso para o inimigo.
— Escolha o seu taco, Ômega Chi.
Lune sorriu largo. Lindo e bobo! Aquilo seria melhor do que ele imaginava.
* * *
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