Golden College

12 Big Brother Night


Notas iniciais
Hello, peoples Voltei rapidinho dessa vez, podem me amar. Ok, não é uma coisa que se diga “minha nossa, como ela foi rápida”, mas foi bem mais rápido do que as outras atualizações, não foi não? E tenho que agradecer isso tbm a Sarah, beta linda, que betou super rápido. E também não posso deixar de agradecer, claro, aos leitores que não desistiram de mim. ♥ Obrigada meus amores. ♥ E obrigada a Dhimy Jr, Lilith Rose, Sheilinha, Automne Chemin, reneev, KS Guerra, Mirajane, Nane yagami, Selene, Lunna Starlight e Orphelin pelos comentários lindos no capítulo passado. Gente, vocês trouxeram minha inspiração de volta. ♥ Então é isso, vamos ler o capítulo, que está ENORME (tive até que cortar cenas, “cês” acreditam? Hahaha...)

– GOLDEN COLLEGE —

Big Brother Night

Na aula de Estrutura Literária, a professora explanava para seus alunos sobre a Jornada do Herói.

— (...) esses estágios que falei foram estabelecidos por Joseph Campbell na primeira parte de O Herói de Mil Faces, intitulada "A Aventura do Herói". A tese do autor é de que todos os mitos seguem essa estrutura em algum grau. Alguém poderia me dar um exemplo?

— Prometeu, o rei Arthur... — um estudante respondeu, e, antes que a professora confirmasse, outra aluna deu mais exemplos:

— Star Wars e Matrix...

— Esses são excelentes exemplos — falou a professora. — Nós iremos comparar e contrastar exemplos de heróis da literatura com heróis do cinema e suas relações com o paradigma de Campbell. Vocês trabalharão em duplas nesse projeto durante essa semana. Meu assistente colocou o nome dos parceiros no mural no corredor. Então é isso por hoje, boa sorte no trabalho de vocês.

Todos se levantaram e foram até o mural conferir quem seria o seu respectivo parceiro.

— Quem é Marin? — Aiolia quis saber, ao ver esse nome ao lado do seu na lista.

— Sou eu. — Ela estava bem atrás dele.

Aiolia deu uma conferida na garota. É de uma ruiva dessa que eu preciso!

Depois do sonho erótico que tivera e das fantasias que rondavam a sua cabeça em relação ao seu colega de quarto, ele estava certo de que assim que saísse com uma garota gostosa deixaria de pensar em Mu daquela maneira.

Ainda que a sua tentativa no final de semana passado houvesse sido um fracasso, pois, durante todo o tempo que ficara de amasso com Lyfia, imaginava como seria se fosse Mu quem estivesse ali. A coisa ficara pior quando ela confessara que estava insegura porque ainda era virgem. Que garota na faculdade ainda era virgem nos dias de hoje? Bem, essa dizia que era, e ele não iria de maneira nenhuma tirar a virgindade da menina para depois chutá-lo no dia seguinte. Ele era um cafajeste com princípios, afinal. Sendo assim, tudo o que acontecera foram mais alguns beijos desinteressantes, e não demorara muito para que ele inventasse a desculpa de que estava muito cansado por conta do jogo e fosse embora.

Talvez ela não fosse gostosa o suficiente. Chegou a conclusão. Mas a ruiva parecia ser. Com certeza, ela ajudaria a resolver o seu problema. Embora o seu “amiguinho” ali embaixo não tivesse ficado tão empolgado, como costumava ficar antigamente quando estava perto de uma garota como aquela. Era incrível como as coisas mudaram depois que conhecera Mu! Bem, de qualquer forma, aquela seria sua última tentativa.

— E, aí, parceira! — Ele acenou. — Eu sou Aiolia.

Marin o olhou de cima a baixo. A primeira coisa que reparou foi no quanto ele realmente era bonito! Depois deu uma olhada nas letras gregas bordadas em seu moletom e suspirou, enfadada.

— Eu sei quem é você — ela respondeu.

— Sabe, é? — Aiolia sorriu com gracejo.

— Não seja convencido. É difícil não notar quem é você quando a faculdade inteira grita o seu nome nos jogos, e ainda sou obrigada a noticiar sobre isso no jornal da faculdade. — Ela olhou para cima, como que agradecendo ironicamente. — Eu mereço! Com tanto aluno bom nessa aula, logo um jogador de futebol, e ainda membro de fraternidade, vai ser o meu parceiro. Não deve nem ter lido a matéria. Pelo visto terei que fazer o trabalho sozinha, mas pode deixar que eu faço e coloco o seu nome, já deve até estar acostumado com isso... — disse com desdém e já ia se retirando.

— Ei! — Aiolia protestou. — Eu sou um excelente aluno de Literatura — mentiu. Só havia escolhido aquela disciplina no início do semestre porque alguns amigos haviam dito que a professora era muito gostosa e dava mole para os alunos. Mas era tudo mentira. A professora nem era tão gostosa assim, mas não dava mais para desistir da aula sem comprometer a carga horária. Se ele já tivesse conhecido Mu, não teria feito essa besteira. Depois sacudiu a cabeça. Merda! Porque eu não paro de colocá-lo em tudo? — Principalmente sobre essas coisas de herói — ele acrescentou.

— Está bem. Faremos o trabalho juntos. — Marin inspirou fundo, contrariada, e começou a caminhar em direção a biblioteca. — Então vamos acabar logo com isso.

— Me desculpa. Te ofendi de alguma maneira? — Aiolia se colocou na frente dela. Marin soltou um suspiro e fez que não com a cabeça. — Então qual é o problema?

— Não tenho paciência com jogadores de futebol, menos ainda com garotos de fraternidades — foi sincera.

— Por quê?

— Para começar, vocês são imaturos, encrenqueiros, acham que são os donos do mundo...

— Você está generalizando. Existem homens de todos os tipos nas fraternidades e fora delas. Eu vou te mostrar que sou um cara legal — Aiolia sorriu de modo charmoso.

Marin sentiu um solavanco incomum no estômago enquanto observava aquele sorriso. Ela não queria admitir, mas a presença de Aiolia estava mexendo com ela.

— Olha, antes de qualquer coisa, quero deixar bem claro que eu não sou uma de suas fãs, não fico impressionada com suas jogadas, nem com o seu charme de garotinho, então pode tirar esse sorrisinho da cara e vamos nos concentrar no trabalho, ok?

— Ok! — Ele respondeu, colocando as mãos para cima, como que se rendendo. Que garota é essa?! Normalmente aquele sorriso derretia as mulheres. De qualquer forma, isso o fez esmorecer em relação a tentar alguma coisa com a ruiva. Ele gostava de garotas mais pacíficas, meigas, tímidas, que se irritavam somente quando realmente tivessem motivos para isso; ele gostava de alguém com o jeito igual ao de... ao de Mu, por exemplo. E lá estava ele se lembrando de Mu outra vez.

— Então, sobre qual personagem você quer fazer a jornada do herói? — ela perguntou, cruzando os braços.

— Keanu Reeves.

— Mas ele não é um personagem, é um ator... Oh, Deus! — Marin revirou os olhos. — Isso será pior do que eu pensava. Acho melhor fazermos sobre Prometeu. Será bem interessante...

— Ah, não! É chato. Vamos fazer sobre Matrix mesmo...

— Você teve sua oportunidade de escolher e jogou fora.

Aiolia pegou os óculos que estava em sua cabeça e colocou sobre os olhos. Em seguida, tirou da sua mochila, com a mão esquerda, uma caneta vermelha e, com a mão direita, uma caneta azul, e estendeu os dois braços em direção a Marin.

— Esta é a sua última chance. Depois disso não haverá retorno. Se escolher a caneta azul, será o fim da linha, porque eu realmente não li o livro sobre Prometeu. Mas, se escolher a caneta vermelha, ficará feliz em descobrir até onde vai a toca do coelho.

Marin mordeu o lábio para reprimir um sorriso e pegou a caneta vermelha. Ela tinha que admitir: o garoto era meio bobo, mas tinha senso de humor. Bem, ao menos isso, já que eles teriam que passar uma semana trabalhando juntos. Além do mais, ele poderia de alguma forma ser útil para a matéria que ela estava planejando escrever para o jornal da escola. Ela só não sabia ainda de que maneira ele poderia ajudar.

* * *

Alguns dias depois, Mu e Aiolia estavam no quarto se preparando para saírem. Aiolia havia combinado de se encontrar com Marin na biblioteca para terminarem o trabalho, enquanto que Mu estava indo à lavanderia.

Assim que eles deixaram o quarto, acabaram esbarrando por acaso com Marin, que passava pelo corredor. Antes de ir para a biblioteca, ela havia ido àquele prédio para conversar com Evan que também residia ali. Queria dar uma força para o amigo, que andava tristonho e entocado no quarto depois da violência que sofrera há alguns dias.

Marin os cumprimentou, e Aiolia apresentou Mu a ela.

Marin não pode deixar de notar o jeito carinhoso e ao mesmo tempo possessivo com que Aiolia tratava o seu colega de quarto, e achou aquilo um pouco incomum, mas deu de ombros.

Já Mu se sentiu incomodado com a presença dela. A ruiva era linda, sensual e só de pensar que ela passava muito tempo ao lado de Aiolia já o fazia sentir calafrios. Além disso, ele nunca tinha visto Aiolia ser tão atencioso com uma garota. Será que os dois estavam ficando?! Ele sentiu uma sensação de peso no peito ao pensar nisso.

— Bem, eu preciso ir. Com licença... — Mu falou, realmente incomodado em ficar perto dos dois.

Marin percebeu o tom de ciúmes na voz de Mu, mas não deu importância. Amigos muito chegados costumavam ter ciúmes um do outro. Ela e Aiolia, então, seguiram conversando para a biblioteca, depois que Mu saíra em direção a lavanderia.

Algum tempo depois, Mu retornou da lavanderia pela escada de serviço, parando na escada a poucos degraus da porta quando seu telefone tocou. Era uma mensagem dos Sigma Tau convocando os calouros para a “Noite do irmão mais velho” que aconteceria mais tarde. A mensagem também alertava aos calouros sobre a importância de terem enviado o e-mail com as respostas do questionário onde eles escolhiam os veteranos com os quais mais se identificavam. Mu estava enviando uma mensagem, avisando de que já havia mandado a sua ficha, quando a porta abriu e fechou. Ele ouviu passos subindo atrás dele, mas não deu atenção. Havia centenas de residentes naquele prédio, e, embora alguns gostassem de usar o elevador e a escada principal, a maioria utilizava aquela escada quando se deslocava entre os andares próximos. Mu terminou de enviar a mensagem e levantou-se em direção a saída.

Foi então que ele deu de cara com alguém.

— Eu jamais esqueceria esse rostinho de anjo — Paul sorriu enviesado, enquanto uma expressão assustada desenhava-se no rosto sereno de Mu.

— Não me toque! — Mu deu um safanão, afastando a mão de Paul que pegava numa mecha de seu cabelo.

— Eu sei que o que aconteceu naquela noite não foi culpa sua. Aquele outro lá é que se meteu no que não era da conta dele... E ele só conseguiu me desarmar porque eu estava bêbado.

Paul se pôs de frente para Mu, inclinando-se para se aproximar mais, e passou um braço em volta de sua cintura dele, puxando-o para mais perto. Mu sentiu o estômago embrulhar. Era horrível ser apalpado contra a sua vontade.

— Eu disse para você não me tocar! — Mu o empurrou, mas dessa vez Paul não cambaleou, nem mostrou sinal de embriaguez.

— Hoje você não me escapa... — O sorriso debochado continuava estampado em seu rosto.

— Alguém poderia muito bem passar por aqui e nos ver.

Paul riu, cínico.

— A porta está travada. De qualquer forma, eu também acho que aqui não é o melhor lugar, essa escada é malcheirosa e desconfortável, e eu não quero machucar você. Seria melhor se nós podemos ir para o seu quarto, eu sei que o seu colega não está lá, eu o vi saindo do prédio com uma ruiva quando eu estava vindo pra cá. — Paul tentou agarrar Mu novamente.

Mu havia aprendido algumas técnicas de autodefesa com Ikki e com Aiolia. Entretanto, Paul poderia estar armado como da outra vez, e Mu precisava de cautela para sair daquela situação, ainda mais ali, naquele lugar.

— Tudo bem. Vamos para o meu quarto — Seria muito melhor que ele enfrentasse Paul no corredor, onde haveria outras pessoas.

Os olhos de Paul brilharam. Ele confundiu a respiração instável e ofegante de Mu com tesão e ficou animado.

— Eu sabia que você também estava querendo. Bem, é como dizem, esses com carinha de santo são os piores.

O quarto de Mu ficava a seis portas a partir da escada. Ele avaliou as pessoas que estavam no corredor. Dois rapazes na extremidade oposta do salão estavam praticando kickflips em um skate. Uma garota estava no meio do corredor, falando com outro cara. Quando esse cara os viu, cumprimentou Paul, e Mu parou de andar.

— Vamos — Paul o segurou pelo cotovelo. — Temos pouco tempo para terminar o trabalho. — Paul virou o rosto na direção do garoto. — A biblioteca está lotada, Joe, estamos tendo que fazer o trabalho por aqui mesmo. — Paul falou para o garoto, que acenou positivamente com a cabeça. — Vamos... — Paul insistiu.

Mu sorveu o ar com ansiedade. É agora!

— Eu não vou ficar com você! — falou alto, atraindo a atenção das pessoas.

— O quê?! — Paul arregalou os olhos. — Você está maluco?!

— Eu quero que você pare de me assediar, ou eu vou denunciar você para o reitor e para a polícia.

Paul se virou para o amigo.

— Esse garoto pirou. Eu gosto de mulher, cara... — gritou. Depois falou baixinho apenas para Mu escutar. — Isso não vai ficar assim, vai saber do que eu sou capaz.

Paul saiu resmungando para o seu amigo que Mu era um maluco. O outro cara o seguiu, parecendo concordar com ele.

Quando eles sumiram de vista, Mu inspirou fundo e expirou devagar. Só então percebeu que algumas pessoas o observavam e cochichavam. Suspirou, contrariado. Que ótimo! Ele odiava chamar atenção, e agora ele seria o assunto da fofoca no seu dormitório. E, para piorar, estava preocupado com as ameaças de Paul. Aquele garoto parecia ser capaz de coisas horríveis. Ainda se lembrava do que ele havia feito com Aiolia. Na época, só não o denunciara porque Aiolia estava preocupado com o jogo. Porém, agora, não havia nada que o impedia de denunciá-lo. E, ainda que nenhum providencia fosse tomada pelo reitor, era a única coisa que ele poderia fazer naquele momento, além de ficar alerta.

Então ele respirou fundo e rumou em direção à sala do reitor.

Evan, que estava saindo do quarto no exato momento em que a cena acontecera, sentiu um bolo se formar em sua garganta e uma sensação angustiante de medo e nojo ao ver Paul. Ele pensou em voltar para o seu quarto, mas acabou ficando quando escutou o que Mu disse. Achou que foi muito coragem daquele garoto e se sentiu mal por não ter feito nada em relação ao abuso que sofrera por aquele mesmo desgraçado, que agora parecia querer fazer outra vítima. Nesse momento, as palavras de Shaina e Marin ecoaram em sua mente: “Se você não o denunciar, ele vai fazer o mesmo com outras pessoas”. E foi então que Evan percebeu que não podia mais se calar. A culpa do acontecido não era dele, e sim de Paul que não sabia ouvir um não.

* * *

Enquanto isso, na biblioteca, Marin e Aiolia terminavam o trabalho.

— Sério, eu estou cansada. Preciso parar por alguns minutos. Estamos aqui há o quê? Duas horas e meia, três?

— Por aí — Aiolia respondeu. — Eu também estou cansado. Que tal uma pausa para lancharmos? Vamos ver o que tem de bom na lanchonete da biblioteca.

Marin concordou e eles foram até a lanchonete, onde compraram hambúrguer, batata-fritas e refrigerantes. Depois disso, tiveram um pouco de trabalho para encontrar uma mesa vazia para se sentarem, o lugar estava lotado.

— E então, como é que você já sabia tanta coisa do filme Matrix? É um filme antigo... — Marin questionou, quando eles já estavam sentados e comendo.

— Eu já tinha assistido antes, e depois voltei a assistir recentemente para fazer um trabalho de Biologia sobre o Sistema Sensorial. Eu e Mu passamos um dia inteiro assistindo e falando sobre esse filme.

— Hum... Você fala o tempo todo desse Mu... Devem passar muito tempo juntos, deve ser por isso que ele parece ter ciúmes de você...

— Eu também sou um dos fãs de Keanu Reeves desde que assisti a The Replacements, um filme onde ele interpreta um jogador de futebol — Aiolia desconversou, reprimindo uma vontade interna de sorrir. Será que ele tem mesmo ciúmes de mim?

— Sabe, para um jogador de futebol você até que é gente boa.

— Vou tomar isso com um elogio — Aiolia disse, antes de dar uma grande mordida em seu lanche.

— Com certeza é — Marin falou, e ficou pensando que talvez ela estivesse errada em achar que todo garoto de fraternidade se enquadrava no clichê do garoto popular idiota. Durante o tempo em que passaram juntos para fazer o trabalho, Marin foi percebendo que Aiolia não era um garoto tão bobo quanto ela imaginava. Muito pelo contrário, ele era gentil, cavalheiro e inteligente, e estava gostando da presença dele. De qualquer forma, eles mal estavam se conhecendo, então era bom ela não criar muitas expectativas.

— Vai ter uma festa na fraternidade hoje à noite. Dá uma passada lá, você vai ver que a galera do futebol é legal...

— Obrigada, mas dispenso o convite. Quero distância de festas de fraternidade...

— Por que você tem tanta raiva de fraternidades?

— Para mim, o sistema grego não passa de uma desculpa para se ter bebidas em casa.

Nesse momento o celular de Aiolia apitou. Havia recebido uma mensagem dos Sigma Tau. Ele digitava uma resposta ao mesmo tempo em que devorava seu hambúrguer.

— Fraternidades são muito mais que bebedeiras... — respondeu de boca cheia, ainda olhando no celular.

— Ah, claro, como eu iria me esquecer da putaria... — Marin disse.

Depois que enviou a mensagem, Aiolia aproveitou para dar uma checada nos seus e-mails. Quando viu a notificação de um determinado site, no qual ele havia feito uma pergunta recentemente, foi dar uma olhada. Ele ainda se perguntava o que diabos havia dado na sua cabeça para entrar naquele tipo de site, mas, já que tinha feito a pergunta, estava curioso pela resposta.

— Sabe — Marin chamou sua atenção —, esse negócio de as pessoas ficarem olhando no celular o tempo todo me deixa agoniada.

Aiolia simplesmente riu, sem ao menos olhar para Marin. Estava entretido lendo a resposta.

Ela ficou realmente com raiva por ter sido ignorada. Por esse motivo, sem pensar muito no que estava fazendo, ela puxou o celular das mãos de Aiolia. Não foi de propósito que ela viu o que estava na tela, sua intenção era pegar o celular e colocá-lo em cima da mesa para que ele guardasse. Porém, seus olhos acabaram visualizando o site que ele olhava.

Love Doctor?!!! — Marin começou a gargalhar, deixando Aiolia vermelho de raiva e vergonha. Por essa ela não esperava.

— Marin, devolve o meu celular — ele berrou, autoritário. Se não fosse uma garota, Aiolia teria partido para a briga, com certeza.

— Isso deveria ser publicado no nosso jornal. A estrela do nosso futebol, o herói arrasador dos corações das garotas de irmandades e líderes de torcida está com problemas amorosos. — Ela riu, irônica. — Isso seria cômico, se não fosse trágico.

— Você sabe que eu consigo tomar esse celular de você num piscar de olhos, só que eu não quero te machucar. Então deixa de ser enxerida e devolve o meu celular.

— Nem preciso ler para imaginar a baboseira que tem aqui. — Ela devolveu o celular para Aiolia. Só que havia lido o início da pergunta e o apelido para que depois pudesse procurar o resto na Internet. — Estava bom demais para ser verdade. Tinha que ter um defeito. Qual é a sua idade mesmo? Parece garoto de colegial.

— Todo mundo tem dúvidas de vez em quando.

— Não tem um amigo para desabafar não?

Na verdade, ele tinha seu primo Milo e seu irmão Aiolos. Mas Aiolia ainda não se sentia à vontade para falar esse tipo de coisa com seu irmão, tinha medo da reação dele; e Milo andava tão mal-humorado por conta do ruivo que estava difícil conversar com ele sobre esse tipo de assunto.

— É complicado... — Ele falou, de cara emburrada.

— Deve ser muito complicado mesmo ficar indeciso entre a líder de torcida peituda e a barbie ninfomaníaca. — Tinha um pouco de despeito em sua voz. Droga! Porque estou agindo assim? Porque isso me deixou tão incomodada? — E eu aqui pensando que você até que não era tão bobo.

— E eu pensando que você era uma garota legal... — Aiolia levantou-se. — Quer saber, termina sozinha o trabalho. Nem precisa colocar o meu nome.

Dito isso, ele foi embora.

Marin respirou fundo, se sentiu estúpida com sua atitude. Aquilo era ciúmes?

Já Aiolia saiu de lá nervoso e com vontade de socar alguma coisa. Ele sentou no banquinho que ficava no jardim em frente à biblioteca e respirou fundo, antes de voltar a ler a resposta que esperava.

Leão pergunta: Olá, Doutor Love, tenho 18 anos e estou no primeiro semestre da faculdade. Eu sempre namorei muitas garotas, mas desde que conheci o meu colega de quarto comecei a sentir atração por ele, a ponto de sonhar com isso. Às vezes acho que ele está a fim de mim também, mas tenho medo de tudo não passar de um engano, e nossa amizade acabar sendo prejudicada. Gosto muito dele e não suportaria perder sua amizade. Estou cheio de dúvidas. Será que conto para ele? E se ele não for gay como estou pensando?

Olá Leão, tudo bom? Eu posso ser sincero com você, quando estava na faculdade passei por esta situação, mas infelizmente eu não tive coragem de chegar no menino e me arrependo muito. Mas deixando de lado a minha experiência pessoal, o que eu posso te dizer é o seguinte. Vá com calma. Você pode levantar o assunto numa conversa, como quem não quer nada. Deixa rolar aquele clima. Mas faça isso quando estiverem apenas vocês dois, outras pessoas podem atrapalhar o momento e deixá-lo receoso.

Na boa, não dá para dizer se dará certo ou não, mas eu optaria por contar. Se ele não for gay, fala que beleza, pede discrição e veja se a amizade continua na boa. Se ele não quiser, paciência.

Dá uma olhada em algumas matérias aqui do site que falam sobre como conquistar um amigo. Algumas foram feitas com as garotas em mente, mas valem para todos.

É isso aí, Leão. Deixa uma resposta aqui nos comentários depois, com sua experiência, beleza?

* * *

Mais tarde, na sala de reuniões da república dos Ômega Chi, veteranos e calouros estavam reunidos para mais um ritual da iniciação.

— Amigos, chegamos aos dias mais fraternos do nosso calendário grego — disse o presidente da casa, Radamanthys. — É o fim de semana dos irmãos.

Todos aplaudiram em expectativa, alguns até assoviaram antes de ele continuar:

— Como vocês sabem, hoje é o dia em que nós, veteranos, prometemos guiá-los e ajudá-los em cada passo da candidatura, além de ensiná-los a história e as tradições dos Ômega Chi.

— Eu ainda não entendi como isso funciona... — Afrodite comentou em um sussurro para o seu amigo Julian, que estava sentado ao seu lado.

— É uma espécie de apadrinhamento, onde um veterano fica responsável por um calouro para orientá-lo e ajudá-lo na iniciação. Esse irmão mais velho poderia, inclusive, ajudá-lo a se livrar de alguns trotes. — Julian deu uma piscadinha para Afrodite.

— Gostei disso. Espero que você seja o meu irmão mais velho — falou, voltando a prestar atenção na fala de Radamanthys.

— Nosso vice-presidente irá fazer o sorteio de cada um dos calouros e, em seguida, o sorteio do veterano que será o irmão mais velho...

— Espera aí. — Um calouro levantou a mão.

— Diga, Lune...

— Mas não seremos nós que faremos a escolha? Digo, o meu primo, que já participa de uma fraternidade em outra faculdade, me disse que é o candidato quem escolhe o seu irmão mais velho; quer dizer, ele escreve num papel sua preferência e acrescenta mais duas opções na lista, para o caso daquele irmão já ter sido escolhido...

— Cada fraternidade possui sua própria maneira de fazer essa escolha, Lune. Confesso que a maioria das casas faz algo parecido com o que você colocou, mas nós, não. Acreditamos que a sinergia cósmica fará o seu trabalho. Bem, até agora, deu tudo certo.

— E se eu for sorteado com alguém que eu não me dou bem, por exemplo?

— Você tem problemas com alguém dessa casa, Lune? — Radamanthys respondeu com outra pergunta.

— Foi apenas um exemplo, eu me dou bem com todo mundo... Eu acho...

— Ótimo, é justamente isso que nós pregamos. Somos como uma família, todos os nossos membros são considerados como irmãos, por isso deixamos que a sinergia cósmica faça seu trabalho e escolha aquele que irá nos ajudar.

Lune não concordava com isso, mas levando em consideração que eram todos uns falsos naquela casa e que ele não acreditava que existisse muita amizade sincera ali, aquilo não faria diferença. Até porque os candidatos mal conheciam os veteranos mesmo...

— Então eu vou começar o sorteio — disse DeathMask, com estranho bom humor. Claro que ele não se dava bem com todos, principalmente com alguns calouros. Tudo bem, ele não se dava bem era com Afrodite e também não queria ser irmão mais velho de Lune, Valentine ou qualquer outro veado. E fora exatamente por conta disso que havia tirado o seu nome do sorteio, aproveitando-se de que fora ele quem preparara tudo. — Vamos pegar o nome do primeiro candidato.

Na mesa à sua frente havia duas bandejas com pedacinhos de papéis dobrados. Do seu lado esquerdo estavam o nome dos candidatos e do lado direito os veteranos. Ele pegou um papel do lado esquerdo.

— Candidato Valentine — DeathMask disse, escolhendo agora um papel do seu lado direito. — Seu irmão mais velho será... Hum... — Fez cara de suspense por alguns minutos, deixando Valentine quase roendo a unha. — Só posso te dizer que você estará em boas mãos, já que ele também é o meu irmão mais velho e me ajudou muito na minha iniciação.

Os demais aplaudiram, pois já sabiam quem era o irmão mais velho de DeathMask, e Paul colocou a mão na boca, tentando conter uma gargalhada. Só que não conseguiu, atraindo a atenção de todos para si.

— Algum problema, Paul? — Radamanthys quis saber, incomodado. Era ele o irmão mais velho de DeathMask e, agora, também de Valentine.

— Não! Claro que não! Me desculpem, é que eu viajei aqui lembrando de uma cena que vi outro dia.

— Ótimo, então pare de viajar... — disse Radamanthys, caminhando até Valentine, ficando ao lado do seu “irmão mais novo” depois de se cumprimentarem de forma amigável. DeathMask continuou o sorteio e Radamanthys, então, falou baixinho para Valentine. — O que eu disse sobre sinérgica cósmica?

Valentine corou e sorriu disfarçadamente para ele.

Enquanto isso, Lune reprimia uma careta quando foi anunciado o seu irmão mais velho. Orhpeu?! Era um zé ninguém naquela casa, seu amigo Valentine é que tinha sorte de ter pegado o presidente da fraternidade.

Os minutos foram passando e, depois de terem saído quase todos os candidatos, Afrodite continuava em expectativa, ainda esperando pelo seu nome sair no sorteio. Foi então que DeathMask falou, sem disfarçar a careta:

— Candidato Afrodite! — DeathMask colocou a mão na bandeja, de má vontade, sacudindo bem os papéis antes de pegar um deles. Fez uma carranca e olhou fixamente para o candidato quando leu mentalmente o nome que estava escrito ali: Julian.

Afrodite sentiu seu coração bater mais rápido. Só não sabia se era pela ansiedade em saber quem seria o seu irmão mais velho ou se era porque DeathMask despertava aquele tipo de reação nele sempre que o olhava assim, tão diretamente; ainda que fosse com aquele ódio todo, quase palpável. Só que ele manteve sua postura altiva, como sempre, e sustentou o olhar com a mesma arrogância que lhe era direcionada, deixando claro que o outro não o intimidava.

Sorriu para Julian quando sentiu que ele havia colocado a mão em seu ombro, como uma forma de apoiá-lo.

O vice-presidente da fraternidade não gostou daquilo. Julian era mesmo um bastardo idiota! E, com certeza, aquilo não seria bom para os seus planos, já que Julian iria fazer tudo para ajudar Afrodite. Claro que faria isso somente para desafiá-lo, para afrontá-lo. E o bastardo sempre conseguia, assim como conseguira dar um jeito de colocar Afrodite dentro daquela casa e protegê-lo quando DeathMask contara para Radamanthys sobre o envolvimento dele com um Sigma Tau. Sem contar que Julian ainda tinha alguns puxa-sacos que o apoiavam como futuro presidente. Não, aquilo não estava certo. O irmão mais velho de Afrodite tinha que ser alguém que estivesse do lado de DeathMask para ajudá-lo a infernizar a vida de Afrodite até que ele desistisse da fraternidade, ou fizesse alguma coisa para que ele não fosse aceito ao final do período de testes.

O problema era que todos os seus amigos mais chegados, os de confiança, que, assim como ele, não gostavam de Afrodite, já haviam sido sorteados. Quer dizer, ainda restava uma única pessoa naquela casa na qual ele confiava o suficiente para infernizar a vida de Afrodite. E essa pessoa era...

— DeathMask! — anunciou finalmente, fazendo o queixo de todos se espatifarem no chão, inclusive o do próprio Afrodite.

Ah, meu Deus! Eu quero morrer! Afrodite sentiu suas pernas bambas e um bolo se formar em sua garganta. Mesmo assim, ele apenas jogou seus cabelos para trás com as costas das mãos e continuou sustentando o olhar de desafio direcionado para DeathMask.

Radamanthys franziu a testa. Sabia que o nome do colega não estava entre aqueles papéis; ele mesmo, como presidente, havia concordando com isso, já que DeathMask era o responsável pela iniciação e preferia não suportar mais essa tarefa. Entretanto, ainda que não concordasse com o que o colega acabara de fazer, o presidente dos Ômega Chi achou melhor não interferir, pois acabaria causando problemas e atraindo desconfianças para a sua administração naquela casa, sem contar que ele queria deixar DeathMask em seu lugar como presidente depois que se formasse. Então, apenas fez vistas grossas, eles conversariam sobre aquilo mais tarde, ainda que ele tivesse que o punir antes por sua ousadia.

Já DeathMask sorria maquiavélico para Afrodite, antes de continuar o sorteio. Iria fazer aquele veadinho afeminado comer o pão que o diabo amassou, ou melhor, o pão que ele iria amassar.

Ah, sim, aquilo seria interessante!

* * *

Mais tarde, quando já passava de uma hora da madrugada, DeathMask cogitou a hipótese de que aquilo talvez não seria mais tão interessante quanto ele imaginara, quando se viu na situação em que estava.

— Você vai passar a noite inteira aqui sentado, Mask, bebendo uma cerveja atrás da outra? — Helena questionou.

— Vou... — ele respondeu seco, bebendo mais um gole.

— Não é justo. Está todo mundo se divertindo na pista de dança, e você aí só bebendo.

— Então vai se divertir com eles. — Merda! Quanto mais ele bebia, mais a voz e a presença de sua namorada se tornavam irritantes.

— É o que eu vou fazer. — Helena saiu, chateada e pisando alto.

Afrodite revirou os olhos.

Aquilo era um saco! Como se não bastasse ter que passar a noite inteira algemado a DeathMask, o idiota ainda se recusava a se levantar daquela cadeira, e ele tinha que ficar ali sentado, ouvindo suas reclamações e, de brinde, as reclamações de sua namorada chata. Para piorar a situação, Shura não respondia as mensagens que ele mandava. Na verdade, ele nem as tinha visualizado ainda. O que diabos Shura estava fazendo? Oh, Deus, aquela com certeza não estava sendo uma noite fácil.

DeathMask compartilhava desse mesmo pensamento. O que diabos havia dado na cabeça de Radamanthys para resolver algemá-los? Se ele soubesse que o presidente da fraternidade tinha em mente algo assim, ele jamais teria escolhido Afrodite como seu irmão mais novo.

O que DeathMask não sabia com certeza, mas já desconfiava, era que Radamanthys só havia tido essa ideia justamente por conta da armação que DeathMask fizera sem a sua autorização. Absolutamente nada naquela república podia acontecer sem que o presidente autorizasse. E, como punição pela ousadia de DeathMask em burlar o sorteio, Radamanthys resolvera algemar o irmão mais velho ao irmão mais novo, usando a justificativa de que aquilo era um símbolo da ligação entre eles. A maioria dos garotos curtiram a ideia e entraram na brincadeira. Mas claro que DeathMask não curtira nem um pouco essa história.

Maldito Radamanthys! Amigo da onça!

DeathMask bufou. Sabia muito bem o quanto Radamanthys era controlador e vingativo, mas aquilo era demais! Ele não via a hora de ele ser o presidente daquela fraternidade. Assim, poderia fazer as coisas do jeito que ele achasse melhor.

E como se ficar algemado a Afrodite não fosse um tormento o suficiente, ele ainda estava com uma vontade incontrolável de ir ao banheiro. Mas em hipótese nenhuma ele faria isso, algemado àquele veado.

— Eu também quero dançar... — Afrodite reclamou.

— Problema seu... — DeathMask bebeu mais um gole e fechou os olhos, tentando se concentrar para não urinar nas calças. Seria vergonhoso!

Afrodite crispou os lábios e voltou a mexer no celular, enquanto DeathMask ficou resmungando e tentando bisbilhotar o que Afrodite digitava.

— Trocando mensagens com o namoradinho?

— É — Afrodite respondeu.

DeathMask fez uma careta.

— Você tem muita sorte por eu não ter contado a ninguém que você está dando para um babaca do Sigma Tau.

— Na verdade, você contou. Só que o Julian me defendeu, e eu ganhei uma nova chance. E, por favor, melhore esse seu vocabulário. Essa expressão é podre, e eu me recuso a ouvi-la... E que careta é essa?

— Preciso ir ao banheiro...

— Está esperando o quê, então, idiota? — Afrodite fez menção de se levantar, mas foi puxado por DeathMask.

— Eu não vou mijar com você do lado.

Afrodite revirou os olhos, sem paciência.

— Deixa de frescura, está na sua cara que você está passando mal...

DeathMask, que já não estava aguentando mais se segurar, tentou levantar-se; porém, como estava tonto, acabou se desequilibrando e só não caiu porque Afrodite o segurou. DeathMask sentiu aquele formigamento característico, que sempre surgia quando era tocado por Afrodite, e rapidamente tentou afastar os braços do outro.

— Eu posso muito bem levantar sozinho. Não me segure desse jeito. O que os outros vão pensar?

— Vão pensar que eu devo ter feito algo de muito ruim na encarnação passada para ter que ficar a noite toda algemado a um babaca como você. O que você queria? Que eu te deixasse cair e de quebra caísse junto com você? — Levantou o braço um pouco impaciente, mostrando a algema. — Estamos amarrados.

DeathMask praguejou e eles seguiram para o banheiro, sem trocarem nenhuma palavra. Quando chegaram lá, DeathMask falou, enquanto desabotoava a sua calça:

— Não olhe!

Afrodite revirou os olhos e gargalhou de modo falso.

— Até parece! Está com medo de que eu veja o quanto é pequeno? Aposto que o meu é maior do que o seu — falou com descaso, mas não deixou de dar uma espiadinha discreta para conferir. Uau! Mas não era mesmo!

DeathMask gemeu de alívio quando terminou.

— Nunca! — exclamou orgulhoso, enquanto fechava o zíper da calça. — No colégio, DeathMask júnior ganhava de todos os meus colegas. Eu era o superdotado da classe.

Afrodite revirou os olhos.

— Não acredito que você ficava medindo o tamanho do seu pau com os seus amigos. Depois diz que odeia viadagem.

— Isso não é viadagem, todo garoto já fez isso. Bem, quando eu digo garoto, não estou incluindo os veados.

Afrodite estalou a língua.

— Sei... E ei...! Você se esqueceu de dar descarga e, por favor, lave essas mãos! Isso é nojento!

DeathMask deu a descarrega, antes de se dirigir à pia para lavar as mãos.

— Nojento é um homem beijar outro homem — ele falou, fechando a torneira. — Isso sim é que é nojento.

Afrodite o olhou de forma sarcástica antes de dizer:

— Bem, você não parecia estar achando nojento quando me beijou aquele dia, lá no Sanctuary.

DeathMask sentiu como se tivesse levado um soco na boca do estômago.

— Eu não... não sabia que você era um homem. Eu... eu achava que estava beijando uma mulher.

Afrodite sorriu provocante e, olhando diretamente nos olhos de DeathMask, se aproximou mais, ficando frente a frente com ele, que cambaleou para trás, batendo as costas da parede ao tentar fugir. Ele sentiu seu corpo esquentar quando os lábios de Afrodite roçaram nos seus.

— Agora você sabe que sou um homem — Afrodite sussurrou e passou a mão pelo volume da calça do outro. — E, ainda assim, DeathMask júnior está ficando animado com um simples toque meu.

DeathMask gemeu quando sentiu a mão de Afrodite apertar seu pênis sobre a calça. Seu coração batia descompassado, e, sem pensar direito, puxou Afrodite pela cintura para dar-lhe um beijo. Mas, nesse exato momento, Afrodite ouviu vozes e se afastou abruptamente.

— ...Cara, a ex-namorada de Radamanthys está dando mole pra mim...

A porta do banheiro foi aberta.

O coração de Afrodite parecia que queria sair pela boca. No impulso de desbancar DeathMask pelo o que ele havia dito, acabara se deixando levar. Por Deus! Ele estava saindo com um homem lindo, inteligente e cavalheiro! Por que diabos sempre perdia a cabeça quando estava perto daquele troglodita idiota?!

— Fica longe da Pandora se não quiser confusão... Ei, está tudo bem, DeathMask? — perguntou um dos garotos que acabara de entrar ao vê-lo pálido, jogando água no rosto.

— Vai se foder. — Foi o que disse DeathMask, irritado. Só não se decidia se a irritação era por quase ter beijado Afrodite, ou se era por alguém ter atrapalhado isso.

— Calma aí! Só estou querendo ajudar...

— Ele está passando mal porque bebeu demais — Afrodite tentou justificar, para evitar desconfianças. — Não é, DeathMask?

DeathMask passou um rabo de olho para Afrodite e resmungou.

— Mas acho que agora ele já está melhor. Vamos...

Quando eles já estavam do lado de fora do banheiro, DeathMask puxou Afrodite para um canto da parede.

— O que você pensa que estava fazendo?! — DeathMask berrou, entre os dentes, ainda sentindo seu coração descompassado. Até a tontura causada pela bebida parecia ter melhorado com o susto que levara por quase ter sido pego gemendo pelos toques de Afrodite.

Eu estava fazendo?! Foi você que tentou me beijar, senhor “sou um hétero superdotado e odeio veados”... — Fez uma imitação malfeita do sotaque italiano de DeathMask.

— Você me provocou... Eu, eu... não sou de ferro! E estou bêbado... E você sabe que tem cara de mulher...

— Mas não sou uma mulher! — gritou, afetado pelo tesão e pela raiva. Ao perceber que poderia chamar atenção de outras pessoas, achou melhor dar fim àquela discussão. — Oh, quer saber, isso nunca mais vai acontecer.

— Assim espero, e é melhor irmos atrás de Radamanthys para nos soltar...

— Já está passando da hora...

DeathMask fechou os olhos. Tinha certeza de que se continuassem juntos daquele jeito depois do que acabara de acontecer...

Ficou arrepiado só de pensar nisso. Sim, porque ele não acreditava que seria capaz de se segurar em outra situação como aquela.

* * *

Notas finais
Perdão por ter deixado Milo e Camus de fora desse capítulo, mas estava ficando muito grande. Bem, acho que chegou a vez de Aiolia parar de correr atrás de mulheres gostosas e tomar coragem de descobrir até onde vai a toca do coelho. Hahahah... E por falar em Aiolia, imagina só quando ele souber o que o Paul tentou fazer com o Muzinho... Bem, então por hoje é só. Fantasminhas, se tiverem um tempinho, não deixem de me dizer o que estão achando da história, please. Beijos, meus amores, até o próximo capítulo.