Golden College

18 Do The Right Thing


Notas iniciais
Hello, peoples... Gente, sem palavras para agradecer a todos vocês que deixaram um comentário no capítulo anterior, vocês não sabem o quanto é importante pra mim. E é incrível como a maioria das pessoas que comentam são as mesmas desde os primeiros capítulos, com um ou outro comentário de leitor novo. E eu sou muito, muito grata a vocês por todo esse carinho. Vontade de dar um beijo e um abraço apertado em cada um de vocês. Obrigada também a Sarah, que mesmo super atarefada, betou o capítulo. E também aceito os xingamentos pela demora, os motivos eu deixarei para explicar nas notas finais. E então, vamos, finalmente, ao capítulo 18 (Fazer a coisa certa)

CAPITULO 18 – GOLDEN COLLEGE

Do The Right Thing

Os jogadores de futebol estavam iniciando os exercícios de treinamento de força e potência quando Milo avistou Lune se aproximando do estádio e fazendo um sinal para chamar o treinador. Ele viu o treinador assentindo depois de ouvir Lune falar alguma coisa e mostrar alguns papéis. Em seguida, os dois caminharam lado a lado para o meio do campo, perto de onde os jogadores estavam.

— Pessoal... — Kanon pediu a atenção dos garotos, que colocaram suas anilhas no chão para o ouvirem. — O senhor Balron é estudante de Psicologia e está fazendo um estudo sobre tensão dos jogadores em finais de temporada. Ele irá observá-los e fazer algumas perguntas entre um intervalo e outro do treino. Milo, como você é o capitão do time, o senhor Balron deseja começar por você. — Kanon se virou para o Lune. — Seja breve, não quero que isso atrapalhe o treino dos meus jogadores.

Lune confirmou com um balançar de cabeça e agradeceu novamente ao treinador.

Ao se aproximar de Lune, Milo pegou uma garrafa de Gatorade na bolsa térmica próxima ao banco e se sentou. Lune sentou-se também ao seu lado.

— Seja breve. Você ouviu o que o treinador disse. — Milo deu um generoso gole em sua bebida.

— Eu refleti sobre a nossa conversa na festa e tive uma ideia de como ajudá-lo a descobrir quem foi o garoto que aprontou para o seu primo.

Milo virou o rosto na direção de Lune, intrigado.

— Como?!

— Bem, não me lembro do nome do garoto, tampouco da sua fisionomia, mas acho que sou capaz de reconhecer a sua voz, ou até mesmo o seu jeito de falar...

Primeiramente Lune viu os olhos de Milo brilharem, depois sua expressão mudou para confusa.

— Mas por quê? Por que está fazendo isso? O que quer em troca? Eu já disse que...

— Meu Deus! Quanta desconfiança! — Lune fingiu-se de ofendido. — Você, por acaso, nunca quis ajudar alguém só porque era a coisa certa a fazer?

Milo coçou a nuca, enquanto refletia por um momento. Talvez Lune fosse realmente um cara legal, ele pensou. Também pensou que tinha que parar de ficar duvidando das boas intenções do rapaz só porque o garoto era um Ômega Chi. E, bem, agora ele não deveria mais dar importância a essas coisas de fraternidade. Não depois da decisão que tomara. Então ele balançou a cabeça e até sorriu, antes de falar:

— É uma ideia meio maluca, mas acho que pode dar certo!

Lune fez um grande esforço para não parecer muito empolgado, o que era exatamente como ele estava. Sim, ele estava muito empolgado porque finalmente havia encontrado a deixa que precisava para conquistar a confiança do jogador. Por que não havia pensado nisso antes?! Se soubesse que bancar o bom samaritano era o caminho, já teria encarnado esse personagem há muito tempo. Ainda que achasse isso tudo uma chatice, aqueles músculos bronzeados de Milo (como ele fez questão de conferir quando chegou no estádio e o viu pegando aquelas anilhas pesadas) valiam esse sacrifício.

— Pensei que se eu assistisse aos treinos e pudesse interagir com vocês, eu poderia ser capaz de identificá-lo... — explicou sua ideia. — Mas preciso de sua ajuda. Teremos que conversar bastante sobre o relacionamento entre vocês, para confirmar minhas impressões. Isso exigirá que nos encontremos algumas vezes fora daqui...

Milo balançou a cabeça em afirmação e bebeu outro gole do Gatorade enquanto olhava para um de seus colegas.

— Fica de olho naquele cara ali. — Apontou com a cabeça na direção de Aspros. — Esse cara é um pé no saco e vive implicando comigo e com Aiolia. Ele implica até com o treinador. Se eu tivesse que desconfiar de alguém que poderia ferrar o time, desconfiaria dele. Nem consigo imaginar que seja outra pessoa.

Lune olhou para o garoto que Milo acusava, com o dedo no queixo, fingindo o observar com interesse. Mas a verdade é que Lune já sabia que aquele não era o garoto que havia colocado sonífero na água de Aiolia. Não que ele se lembrasse de quem era que estava conversando com Paul. Oh, por Deus! Estava tão bêbado naquela noite, como poderia se lembrar? Claro que esse negócio de reconhecer pela voz também nunca daria certo. Lune sabia que só iria reconhecer quem era o dito cujo porque Paul lhe contara quem ele era na noite passada, num acordo que os dois fizeram.

Quando Lune percebera que essa seria uma oportunidade perfeita para se aproximar e ganhar a confiança de Milo, ele não pensara duas vezes. Fora até Paul e o intimidara a falar. Claro que o outro, à princípio, se fez de desentendido, porém, quando percebera que não havia saída e que Lune iria acusá-lo de qualquer maneira se não o ajudasse, como fizera questão de deixar claro, teve certeza de que fazer acordo era a melhor opção. Até porque, Lune havia proposto ajudá-lo nas acusações de estupro e assédio e ter um amigo como Lune num momento em que estava tão ferrado era muito melhor. Além do mais, não havia provas mesmo sobre seu envolvimento nesse caso, e o máximo que poderia acontecer era o seu primo ser expulso do time e da fraternidade. E, sinceramente, Paul não se importava nem um pouco com isso.

Nesse momento outro jogador se aproximou para pegar água, e Lune fingiu fazer algumas perguntas a Milo, como as que faria para os demais jogadores. Poucos minutos depois, dispensou o capitão do time e chamou Aspros para ir em seguida.

Quando acabou o treino, Lune ainda não havia conversado com todos os jogadores. Enrolara de propósito, só para ter a desculpa de voltar no próximo treino e, consequentemente, ter mais motivos para conversar com Milo. Sem contar que estava sendo ótimo ficar ali observando de perto aqueles jogadores lindos, musculosos e cheios de testosterona tentando mostrar quem era o mais forte.

— E então? Conseguiu alguma coisa? Acha que pode ser o Aspros? — Milo acompanhou Lune até a saída, enquanto os outros colegas se dirigiam para o vestiário. Estava literalmente roendo as unhas de curiosidade.

— Estou com algumas suspeitas, mas acho cedo demais para ter certeza, preciso de mais algum tempo, não quero acusar a pessoa errada. Poderíamos combinar de nos encontrarmos hoje à noite para que eu te conte minhas impressões.

— Hoje à noite não dá. Tenho um compromisso importante...

— Bem, o seu compromisso vai até tarde? Porque eu não me importo de esperar.

— Sim, vai até bem tarde. Podemos nos encontrar amanhã cedo, depois da aula, num barzinho que tem fora do Campus. Assim não vamos chamar atenção de ninguém aqui.

Lune ficou decepcionado, esperava que pudesse se encontrar logo com Milo. No entanto, não havia nada que pudesse fazer; não ficaria insistindo e bancando o desesperado. Lune, então, sugeriu que os dois trocassem seus números de telefone para que entrassem em contato caso surgisse algum imprevisto.

— Então está certo, não se esqueça do nosso compromisso amanhã.

— Que compromisso?! — Milo ouviu a voz de Camus atrás de si. Virou-se rapidamente e cumprimentou o namorado com um selinho.

Isso fez Lune ficar mal-humorado e desejar chicotear Camus até arrancar-lhe o couro. Entretanto, ele manteve seu semblante com ares de simpático e cumprimentou o ruivo, que respondeu ao comprimento de má vontade, irritado com o sorriso claramente falso do outro. Depois disso, Lune se despediu e saiu. Camus continuou querendo saber.

— Que compromisso é esse, Milo?

— Prometi ajudá-lo num trabalho da faculdade. Ele está fazendo um documentário sobre tensão de jogadores universitários em final de temporada e eu, como capitão do time, fiquei de passar algumas informações sobre os jogos para ele. — Milo usou a mesma desculpa que estavam usando para os colegas do time. Sentiu-se muito mal por mentir para Camus, logo agora que eles haviam se acertado. Só que ele não poderia contar a verdade. Tinha medo de que o namorado não entendesse e achasse que era coisa da fraternidade, ou pior, que também começasse a implicar com o time de futebol. Sem contar que ele iria exigir que Milo levasse o caso para o treinador, e Milo não queria fazer nada antes de saber exatamente o que estava acontecendo e o porquê. E Deus sabe o que Aiolia poderia fazer se descobrisse sobre isso! Ele também temia pela atitude do primo e queria preservá-lo.

— Por quanto tempo vai durar esse trabalho? — Camus não gostou nada, nada dessa ideia.

— Acho que será somente essa semana... mas esquece isso, e só mais um trabalho de faculdade... — Milo falou, não conseguindo desfazer do sorriso de satisfação por Camus ter ido até lá vê-lo. Queria abraçá-lo e beijá-lo, só não o fez porque estava todo suado do treino e porque sabia que Camus não gostava daquele tipo de exposição em público, embora o local estivesse vazio, uma vez que os outros jogadores estavam no vestiário.

— O seu aniversário está chegando, e eu preciso saber o que você gostaria de ganhar de presente — Camus foi logo falando os motivos que o levaram até ali, naquela hora. Precisava resolver isso logo, pois providências deveriam ser tomadas, caso Milo escolhesse o que ele tinha em mente.

— Eu quero um bolo de Camus com cobertura de sorvete de chocolate... Hum... — Milo fez uma expressão de quem se deliciava com a ideia.

— Bem, como eu já imaginava que você diria algo assim, eu fiz uma listinha com algumas opções para te ajudar na escolha.

Milo revirou os olhos, divertido. Fazer listas era tão a cara de Camus. Assim como perguntar o que o outro gostaria de ganhar de presente, ao invés de fazer uma surpresa.

— E então, vamos às opções... — Camus listou algumas coisas como camisa, relógio até que finalmente falou algo que fez os olhos de Milo brilharem: — uma viagem...

— Não precisa falar mais... já escolhi. Uma viagem romântica, só nós dois... — piscou para o namorado, sorrindo com malícia. — Assim, podemos comemorar com meu bolo de Camus coberto de sorvete de chocolate.

— Posso pensar na possibilidade de colocar isso no pacote de viagem, se você prometer se comportar — Camus retribuiu o sorriso, fazendo Milo ficar todo empolgado, começando a fazer contagem regressiva.

— Eu prometo. Mas uma viagem em pleno final de semestre não vai atrapalhar o seu projeto? O prazo de conclui-lo está se esgotando...

— Já me programei para agilizar algumas coisas do meu projeto, de modo que um final de semana fora não prejudique o andamento das pesquisas. Por sorte, o seu aniversário é na sexta-feira. Nós sairemos no final da tarde de sexta para não perdemos a aula e retornaremos no domingo.

— Você já sabia que seria essa a minha escolha e já tinha programado tudo, não é?

Camus balançou a cabeça positivamente.

— E você fez uma listinha de opções de lugares, eu suponho...

— Sim, eu fiz — Camus tirou outra lista do bolso. — Por isso não pude esperar até à noite para falar sobre isso, pois temos que fechar logo o pacote, se quisermos ficar em um bom lugar...

— Amor, escolhe o lugar que você quiser, me surpreenda... — Milo não quis dizer a Camus que essa mania dele de sempre perguntar o que outro queria e nunca fazer surpresas era meio sem graça.

— Oh, Milo!!! — Alguém gritou. — O treinador já está nervoso, te esperando para a reunião. Anda logo! Ele disse que se tiver que vir ele mesmo te arrastar...

— Eu já estou indo... — Milo bufou.

— Vai lá... — Camus não queria atrapalhar mais a reunião do time. Ainda que não apreciasse jogos de futebol, sabia da importância do esporte nas faculdades americanas. Às vezes, os jogadores eram tratados com deuses ali dentro do campus. Sem contar que Milo havia ganhado uma bolsa de estudos graças às suas habilidades como jogador.

— Não, eles que comecem sem mim...

— Você disse que posso escolher, então... está tudo certo. Já sei para onde vamos...

— Para onde? — Milo perguntou, meio contraditório. Adorava surpresas, mas, ao mesmo tempo, sempre ficava se remoendo de curiosidade.

— Você disse que eu deveria te surpreender — Camus deu um sorrisinho, e Milo temeu que Camus escolhesse um lugar muito frio. Ele sofria tanto com temperaturas muito baixas, e Camus parecia adorá-las.

— Oh, Milo, deixar para namorar à noite!!! — A pessoa novamente gritou, e Milo teve vontade de socar o infeliz.

Antes que isso realmente acontecesse, Camus se despediu com um selinho e saiu para que namorado fosse se reunir com os demais jogadores no vestiário.

* * *

Enquanto isso, na república dos Ômega Chi, os garotos também estavam em reunião para decidirem sobre a permanência de Paul na fraternidade. Radamathys, que presidia da cabeceira da mesa, ao lado do tesoureiro Julian e do vice-presidente DeathMask, ouvia atentamente a queixa de Paul em relação àquela reunião.

— Sinceramente, não entendo o motivo de alguns “irmãos” armarem um complô para que a fraternidade vire as costas para mim num momento em que estou sendo injustamente caluniado. Não fui expulso nem da universidade, porque eu deveria ser expulso da fraternidade? Eu não fiz nada de errado. Vocês estão sendo injustos.

— Mas é muito cara-de-pau mesmo... — Julian cruzou os braços, fazendo cara feia para o olhar cínico que Paul o lançava. — Em primeiro lugar, a faculdade não te expulsou no meio dos seus estudos para evitar que você os processe, mas eu duvido muito de que você seja aceito no próximo semestre. E em segundo...

— Em segundo lugar — disse Lune, que acabara de adentrar a sala, recebendo um olhar de Paul que questionava sua demora —, tanto a faculdade, quanto a justiça e, imagino eu, a fraternidade, sabem que devem levar em consideração a lei de presunção de inocência. Todo acusado é considerado inocente, até que se prove o contrário. E que eu saiba não é nenhuma prova contra Paul, além das palavras duvidosas desses garotos.

Valentine olhou para o amigo como que questionando “desde quando você defende o Paul?”, mas recebeu apenas um gesto indicando que conversariam sobre isso depois.

— Para início de conversa — Julian respondeu —, você está atrasado, e isso acarretará em punição para todos os candidatos. — Os outros olharam para Lune com vontade de esganá-lo, mas ele não deu importância. — E calouros também não têm o direito de opinar em reuniões. — Então se virou para DeathMask. — Acho que não está fazendo o seu trabalho direito. Se não consegue liderar os candidatos, como pretende ser presidente da fraternidade?

DeathMask fez uma careta para Julian e lhe mostrou o dedo do meio.

— Estamos fugindo do foco da reunião — Radamanthys se pronunciou. — E acredito que num assunto importante como esse os calouros devem opinar sim, Julian. Afinal, durante a investigação eles poderão ser interrogados, e devemos manter nossas falas coerentes com o que decidirmos aqui.

— Ótimo, porque eu quero falar... — Afrodite se manifestou e, então, começou a fazer algumas acusações contra Paul, chamando-o de estuprador, o que rendeu uma grande confusão. Uns apoiando Paul e outros apoiando Afrodite.

— Eu não sou estuprador! — Paul gritou, em meio ao burburinho no ambiente e olhou para Radamanthys como que pedindo ajuda.

O presidente pediu silêncio antes de falar:

— Essa confusão não irá nos levar a nada. É primordial que permanecemos unidos aconteça o que aconteça. Lá fora está cheio de GDIs¹ procurando uma brecha para detonar o sistema de fraternidade. Imagina o que irão fazer se não ficarmos unidos...

— E o que você acha que devemos fazer, Radamanthys — alguém perguntou.

— A faculdade está tentando evitar que isso vire um escândalo, e nós devemos fazer o mesmo para não colocarmos em risco nossa reputação fraterna. Porque todos nós sabemos que ninguém vai dizer “o Paul fez isso”. Quem é Paul? — ele perguntou e, em seguida, respondeu: — É um ômega Chi. É isso que irão dizer...

— Reputação Fraterna?! — Afrodite questionou. — Você quer que sejamos coniventes com um estuprador por causa de reputação fraterna?

— Não é isso o que eu estou dizendo, Afrodite. Estou dizendo que devemos permanecer unidos...

— E se um irmão diz que é inocente, devemos acreditar nele... — Orpheu deu a sua opinião.

— E o garoto até vai retirar a queixa... — Paul complementou, dando aquele seu sorriso indolente, esperançoso de que todos acatassem a ideia de Radamanthys.

— Você está ameaçando-o, seu idiota! ... — Afrodite acusou, fazendo Paul olhar para ele com os olhos cheios de ódio, e os dois recomeçarem um bate-boca.

— Existem provas — Julian os interrompeu, chamando a atenção de todos. — Ou melhor, uma testemunha! Era isso que eu estava tentando contar antes de Lune se intrometer.

— Do que você está falando?! — Paul franziu a testa.

— Um amigo, que não vou revelar o nome agora, estava no bar naquela noite e viu você subindo com o garoto para o andar de cima. Ele achou estranho, porque todos já conhecem sua fama. Então ele subiu para confirmar se era mesmo você e te viu aos beijos com o garoto, já quase tirando a roupa dele antes mesmo de entrarem no quarto.

O queixo de todos foi parar no chão.

— E daí? — Lune tentou ajudar Paul. — O seu “amiguinho secreto” viu Paul beijando outro cara. Grande coisa! Isso não prova que foi um estupro, é só a confirmação de que Paul é mesmo gay.

— Eu não sou gay, Lune! — Paul bufou. Que grande ajuda ele está me dando, pensou, irritado. Paul realmente não acreditava que era gay. Na sua visão, ele era apenas um cara hétero que gostava de ficar com garotos delicados de vez em quando.

— Ah, por favor, criatura. Pare de tentar negar o óbvio — Lune revirou os olhos, impaciente, antes de cochichar para Paul. — É melhor você assumir que ficou com o garoto e que foi consensual do que todo mundo achar que você o estuprou, seu burro.

Paul não gostou de ser chamado de burro, mas não podia discordar de que o outro estava certo. Realmente, ficava cada vez mais complicado negar que ficara com o garoto e, mesmo que continuasse negando, ninguém iria mais acreditar nele depois da revelação de Julian. Maldito! Como já estava ferrado mesmo, ele tinha que se preocupar agora apenas com a sua defesa.

— Eu transei com o garoto — finalmente assumiu, e todos os olhares se viraram em sua direção, atentos. — Mas não o forcei a nada. Foi ele quem veio atrás de mim... — Quando viu seus “amigos” mais chegados, como Faraó e os outros, o olhando com cara de desprezo, ele cerrou os punhos. Ficou tão irritado, que sentiu até um certo prazer em dizer: — E querem saber? Eu gosto mesmo de foder com garotos bonitinhos, e não sou o único aqui. — Direcionou o seu olhar para Radamanthys, como que dizendo que se o líder não fizesse alguma coisa, também seria revelado.

O burburinho começou novamente, alguns garotos estavam curiosos em saber de quem Paul estava falando; outros pareceram preocupados.

Radamanthys não esboçou nenhuma reação de medo, embora por dentro tivesse receio de que Paul contasse o que sabia. Então, bateu o martelo, fazendo todos se calarem e virarem em sua direção. Tudo bem, ele tinha um plano “B” e, ainda que o desgraçado do Paul não merecesse sua ajuda, encerrar aquele caso traria mais benefícios do que deixar Julian ganhar o que queria.

— Você não é o único aqui em muita coisa, Paul. Acho que estamos perdendo o foco da reunião e o tempo está passando. Além de Paul, temos um outro caso a julgar.

— Outro caso? — Julian arqueou uma sobrancelha.

— Sim, além da sua reivindicação para discutirmos a permanência de Paul na fraternidade, também temos uma reivindicação para discutirmos a sua, Julian.

— O quê?! — Todos ficarem espantados. Aquilo foi tão de surpresa que fez cessar toda os cochichos que giravam em torno da orientação sexual de Paul e de quem seriam os enrustidos que ele falara.

Radamanthys respirou fundo e olhou para Faraó, como que avisando que era para seguir o combinado.

— Fui eu, Julian, que fiz a queixa a Radamanthys. Eu estava achando muito estranho essa sua amizade com aquele tal de Sorento...

— Não posso mais ter amigos em outra fraternidade? É proibido isso?

— Não é proibido. — Faraó respondeu. — O que não pode é um dos nossos principais membros tramar contra nós. Tenho informações vindas de fontes confiáveis de que você está tramando com os Gamma Phi para nos rebaixar na semana grega².

Julian arregalou os olhos, e todos ficaram abismados com a notícia.

— Isso não tem o menor cabimento! Por que eu faria uma coisa dessas se eu também sou membro dessa fraternidade?!

— Por que eles lhe prometeram a liderança da Gamma Phi, se ela nos superasse e conseguisse o posto de melhor fraternidade do campus — Faraó contou.

— Não se esqueça de que trabalho no jornal, Julian, e que tenho olhos por todos os lugares nessa Universidade. — Radamanthys se levantou e se inclinou para frente, com as mãos em cima da mesa. — Você nega que recebeu essa proposta?

Julian não conseguia responder. Estava muito surpreso e se perguntando como eles haviam descoberto sobre a proposta.

— E suponho que tenha sido eles que o induziram a tentar me expulsar da fraternidade, só para criar atrito entre os nossos membros. — Paul colocou lenha na fogueira. Trazia no rosto seu sorriso indolente de satisfação.

— Isso é loucura! Estou sendo vítima de um golpe, vocês não têm provas dessas acusações. Não posso ser acusado por suposições de suas falsas “fontes confiáveis”. Cadê aquela conversa toda de inocente até que se prove o contrário — Agora era Julian quem estava com medo de ser expulso da fraternidade.

— Tem toda razão — o presidente falou, olhando nos olhos de Julian — É a sua palavra contra a de quem te acusa, assim como e a palavra de Paul contra a de quem o acusa. Dois casos semelhantes. — Radamanthys se levantou, olhando para todos os integrantes da fraternidade, falando com a sua voz de liderança. — Quero deixar bem claro que acredito em Paul e Julian quando eles dizem que são inocentes e que sou totalmente contra toda essa desconfiança em relação aos nossos irmãos. — Radamanthys sabia que era verdade que Julian havia recebido essa proposta, mas ele não estava disposto a ceder um de seus membros mais ricos para o Gamma Phi, e daria um jeito de reverter isso a seu favor. — Somos uma fraternidade e devemos permanecer unidos. — Colocou sua mão no ombro de Julian, como se dissesse “estou do seu lado”. — Os irmãos antes de tudo. Os irmãos antes das fofocas e intrigas. Mas essa é a minha vontade, não posso impor a vocês porque também sou a favor da democracia. Sendo assim, deixarei que vocês decidam. Quem deseja que Julian e Paul sejam expulsos da fraternidade levantem a mão.

Todos permaneceram parados, ainda sem entender direito o que estava acontecendo. Os amigos de Julian olharam para ele; queriam a expulsão de Paul, mas... E Julian? Os que queriam Julian fora da fraternidade, não queriam votar contra Radamanthys, que havia deixado bem clara a sua posição.

Todos ficaram sem saber o que fazer e, por isso, ninguém levantou a mão. Sem dar tempo para que os garotos refletissem, Radamanthys bateu o martelo.

— Paul e Julian continuam aqui, tendo o nosso apoio, e o assunto está encerrado.

Esse golpe não vai ficar assim! Julian resmungou, olhando para nada, seu rosto se transformando em uma careta.

Radamanthys saiu da sala assim que bateu o martelo e foi até a varanda fumar um cigarro, antes pegou um litro de uísque no barzinho da sala. Estava ficando sem paciência para lidar com seus colegas de fraternidade.

* * *

DeathMask fora ao banheiro logo após Radamanthys finalizar a reunião. Ele estava saindo de uma das cabines quando ouviu a voz de Afrodite e resolveu continuar lá, até que o loiro saísse ou entrasse em outra cabine, só para não ter que cruzar com ele.

O que tem em mente? — Ele percebeu que Afrodite estava falando no celular. — Ah... A “aula extra” agora à tarde será uma ótima opção, já que o “senhor” tem planos para o final de semana, nos quais eu não estou incluso... Eu sei, eu sei que você já me explicou... Tudo bem, é que estou irritado com outras coisas. É... É a fraternidade. Vamos ver o que você fará então para me consolar... Está bem... Te vejo daqui a pouco. Beijos

DeathMask fez uma cara feia, não gostando nada, nada daquela conversa e saiu de dentro da cabine. Quem era o bastardo filho da puta com quem Afrodite falava daquele jeito?

— Se tem planos de sair agora, é melhor repensar, pois preparei algumas atividades para os candidatos... — abriu a torneira e lavou as mãos, evitando contato visual. Só de pensar nos dois ali sozinhos, depois daquela ligação na noite da festa, seu corpo já começava a formigar.

— Radamanthys acabou de dispensar todo mundo — Afrodite rebateu, olhando no espelho e ajeitando o cabelo. — E, ah, eu quero deixar bem claro que não vou compactuar com o que decidiram na reunião. Esse idiota violentou o meu amigo Evan e tentou fazer o mesmo com o Mu, portanto, vai pagar pelo que fez.

— Acho melhor você não ficar falando essas coisas por aí. Como seu irmão mais velho devo alertá-lo de que ir contra uma decisão do grupo pode custar a sua expulsão.

— Irmão mais velho... — Afrodite bufou de maneira sarcástica. — Se quer saber, não me importo mais em ser expulso, não sei se ainda quero fazer parte dessa fraternidade...

DeathMask sentiu seu estômago se contorcer em desconforto ao ouvir aquilo. Não entendeu muito bem o porquê disso, já que seu desejo era justamente ver Afrodite fora da fraternidade.

— Eu sabia que você não aguentaria, eu te avisei que aqui não era para fracos...

— Prefiro ser um fraco a tentar proteger um estuprador.

— Você viu ele dizendo que foi consensual...

Afrodite se virou de frente para DeathMask, de braços cruzados, numa posição de questionamento, depois balançou a cabeça.

— Ou você se faz de desentendido ou deve ser muito lesado se realmente acredita nisso.

— Esse garoto subiu para o quarto com as próprias pernas... E se ele não quisesse, poderia muito bem ter evitado, feito alguma coisa, trocado uns socos... não é nenhuma garotinha. Foi mesmo um babaca em ter dado a queixa e se exposto desse jeito, devia ter ficado calado e seguido a vidinha dele.

Afrodite abriu e fechou a boca umas duas vezes, sem acreditar no que ouvira.

— Você não pode estar falando sério! Sabe, eu sempre achei divertido implicar com você, porque achava que você fosse apenas um garoto perdido que tinha dificuldades de se aceitar. Mas parece que eu estava errado. Talvez você também seja um mal caráter escroto...

— Você se acha melhor do que eu, não é?! — DeathMask bateu o punho na pia, sentindo ofendido. — Acha que é bonzinho?! Só que eu sei que você já aprontou das suas... que já foi pego fumando maconha em festas e que quase seria preso por dirigir bêbado, se seus pais não tivessem dado um jeito de abafar o caso para evitar que isso fosse para a mídia. E agora você quer nos criticar por tentar abafar um caso que prejudicaria nossa reputação?! Vai à merda, Afrodite. Você e a porra da sua hipocrisia.

Afrodite o olhou, espantado. Como DeathMask sabia dessas coisas? Ele havia feito, sim, algumas travessuras na época do colégio para chamar atenção dos pais e não se orgulhava disso. Mas ele era uma pessoa diferente agora.

— Nós temos uma pasta com a ficha de cada garoto que se candidata aos Ômega Chi e que temos intenção de aceitar — DeathMask contou, percebendo o questionamento no olhar do outro. — Radamanthys é quem consegue essas informações. Por que você acha que todos aqui fazem o que ele quer? Eu li toda a sua ficha e, acredite, eu poderia ficar aqui o dia inteiro te lembrando por que você não é melhor do que eu. Então não me chame de escroto só porque eu não fico por aí me fingindo de bom moço. Eu sei que você também não faz parte do time dos santinhos.

— Eu sei que não sou nenhum santo e que já fiz algumas coisas questionáveis, mas... não me compare com um estuprador!

— Você é que me comparou, porra! — DeathMask estava nervoso. Só de pensar que Afrodite poderia achar que ele um dia obrigaria alguém a fazer sexo feria totalmente o seu orgulho. Ele nunca faria esse tipo de coisa, pelo amor de Deus! — Eu não sou esse tipo de cara...

— Então por que está protegendo um?

Sinceramente, DeathMask não sabia ao certo a resposta. Chegara a se questionar se essa era mesmo a coisa certa a se fazer. Porém, não seria ele a ir contra uma decisão do grupo, ainda mais por um problema que não era seu.

— Eu queria só ver se você estaria assim tão revoltado se não tivesse sido com seus amiguinhos. Se fosse um garoto ou garota qualquer do Campus que você sequer conhecesse, que não fosse do seu círculo de amizade. — DeathMask falou. — Por que a verdade, Afrodite, é que ninguém está nem aí quando não é com a gente. Então não venha com a merda da sua hipocrisia tentando me dar lição de moral.

Afrodite deu alguns passos em direção a DeathMask.

— É aí que você se engana. Existem pessoas que se importam, sim, com os problemas dos outros. E sei de uma turma que está fazendo um levantamento dos casos de estupro dentro do campus da Golden College e até de outras faculdades, e vamos publicar uma matéria sobre o assunto para chamar atenção da sociedade para os casos.

— Radamanthys jamais deixará que esse artigo seja publicado. Ele tem total poder dentro do jornal e lá só é publicado o que ele aprova.

— Quem está falando de jornal da faculdade quando se tem amigos que trabalham no New York Times?

DeathMask abriu a boca e arregalou os olhos. Já Afrodite, ainda que tenha amado o efeito que suas palavras causaram no outro, chegou a se questionar se tinha sido uma boa ideia ter revelado o plano. No entanto, como já tinha contado mesmo, fez questão de acrescentar:

— Se você está tão preocupado com a sua reputação, terá que fazer bem mais do que simplesmente bancar o covarde.

Ele fez menção de se retirar, mas se assustou quando DeathMask o puxou pelo braço e apontou um dedo em sua face.

— Nunca mais me chame de covarde! — DeathMask já estava de saco cheio de ouvir desaforos da boca de Afrodite. — Eu posso até aceitar seus argumentos em relação a Paul, mas não vou aceitar mais que você me trate assim. Minha paciência com você já está chegando aos limites!

— Tô morrendo de medo — Afrodite não se deixou intimidar, mesmo sabendo que o porte físico do outro era bem mais avantajado do que o seu e que numa briga entre os dois ele poderia sair perdendo. — O que posso fazer se você é mesmo um covarde... se você não passe de um capacho de Radamanthys...

No segundo seguinte, Afrodite sentiu o baque das suas costas na parede, enquanto as mãos de DeathMask o seguravam pela gola da camisa. Afrodite fechou os olhos quando o punho de DeathMask veio em sua direção, mas este apenas esmurrou a parede ao lado, na tentativa de extravasar um pouco a sua raiva.

— Eu devia esbofetear esse seu rosto perfeitinho até ficar irreconhecível! Assim você saberia porque ganhei o meu apelido.

— Experimenta, valentão... Antes disso, eu acabo com você. — Afrodite tentou socar o rosto de DeathMask, só que este reagiu rápido e conseguiu segurar-lhe os pulsos com toda a força, imobilizando-os. Afrodite tentou então chutá-lo, mas suas pernas também foram presas pelas pernas de DeathMask.

— Vamos, quero ver você se achar o bonzão agora — DeathMask sorriu, meio sádico.

— Desgraçado! — Afrodite tentava se soltar, em vão. No processo, uma de suas coxas deslizou por entre as pernas de DeathMask, fazendo este soltar um gemido contido — Me largue, seu idiota! Se você não me largar...

— Você vai fazer o quê? — DeathMask perguntou, sem tirar o sorriso do rosto.

— Se prepare para sofrer as consequências...

DeathMask sorriu ainda mais, como que duvidando que o outro conseguisse cumprir a ameaça, o que deixava Afrodite ainda mais irritado. No entanto, DeathMask tinha que admitir que ficava impressionado em como o outro não se intimidava e continuava com aquela língua afiado e aquele nariz empinado, mesmo estando em desvantagem. E o pior é que o desgraçado parecia ficar ainda mais sexy quando estava arisco daquele jeito. Aquele rosto lindo, aquela pele pálida sem nenhum defeito, os olhos densos e intensos, os lábios rosados e macios, o cheiro gostoso que Afrodite tinha... DeathMask estava começando a ficar excitado, principalmente porque quanto mais o outro tentava escapar, mais seu pênis se esfregava na coxa dele.

Afrodite também estava com a respiração completamente alterada com aquela proximidade toda e suas tentativas de se soltar já não eram mais tão fortes quando ele se deu conta do que estava acontecendo com o seu corpo.

— Me solta, idiota!

E, de repente, seus pulsos foram soltos. Mas Afrodite mal teve tempo de se afastar, pois, logo em seguida, sentiu as mãos de DeathMask passando pelos seus braços e repousando em sua cintura, ao mesmo tempo em que sentiu os lábios dele beijando os seus. Afrodite colocou suas duas mãos sobre o peito de DeathMask para empurrá-lo para longe. Mas, ao invés disso, apenas manteve suas mãos ali, acomodando-se mais naqueles braços que passou a envolver sua cintura. Por que o beijo daquele idiota tinha que ser tão bom?! Estava tão extasiado que quase se deixou levar.

Quase.

Um jorro de lucidez o fez acordar para realidade, e, num movimento brusco, deu um empurrão forte em DeathMask.

— Ficou maluco? — indagou, sua respiração ofegante. — Que mania de ficar me agarrando no banheiro! — Lembrou-se de que já trocaram beijos ali, numa situação parecida com aquela, ainda que soubesse que havia sido ele a beijar DeathMask na primeira vez, para provocá-lo.

— Qual é... Você quer isso tanto quanto eu...

— De onde você tirou essa ideia de que eu quero alguma coisa com você?

— E aquelas coisas que você falou que iria fazer comigo, quando me ligou? — DeathMask começou a relembrá-lo de algumas falas.

— Não seja idiota, eu... eu estava bêbado e achei que estava falando com outra pessoa... Eu nunca que ligaria para você...

— Com quem então você pensou que estava falando?! — DeathMask exigiu saber, enciumado. Já imaginava que não era o babaquinha Sigma Tau de cabelos lilás. Não depois do show que o quarterback do time havia feito no Starbucks. Todo mundo só falava disso na faculdade.

— Desde quando eu te devo satis... — Antes que Afrodite pudesse concluir sua fala, ele foi puxado para dentro de uma das cabines. — O quê...?

DeathMask pressionou-lhe a boca com a mão e subiu no vaso sanitário, para evitar que as pessoas que tinham entrado notassem que havia quatro pernas ali. Eles não estavam mais se beijando, mas como iriam explicar aquela ereção e aquela respiração ofegante?

Você acha que o Paul estava falando de quem quando disse que havia mais enrustidos aqui? — Era a voz de Valentine, um pouco hesitante, como se sondasse alguma coisa.

Acho que ele estava falando de DeathMask — respondeu Lune, e Afrodite fez um grande esforço para não dar uma gargalhada da careta que DeathMask fez.

DeathMask?!

Eu percebi que ele é a fim de mim, a criatura chegou a me perseguir no início do semestre... Até que é bonitinho, mas você sabe que meu interesse é outro... — Lune explicou e, dessa vez, foi Afrodite quem olhou para DeathMask embasbacado.

DeathMask apenas fez um movimento de negação, sem entender de onde diabos Lune havia tirado essa ideia. O que DeathMask sequer imaginava era que Lune tinha certeza de que o líder dos candidatos era a fim dele, por conta das investidas que fizera para trazê-lo para a fraternidade.

Eles ouviram o barulho da descarga, da torneira da pia sendo aberta e, por último, os passos dos garotos afastando-se do banheiro.

DeathMask desceu do vaso, e Afrodite saiu rapidamente da cabine, indo até a pia e jogando água no seu rosto, pensando numa conta matemática. Aquilo sempre funcionava para abaixar sua excitação.

— Aqui não é seguro — disse DeathMask. — Eu vou subir para o meu quarto e, depois, disfarçadamente, você vai para lá...

Oi? Afrodite se virou para ele com um olhar interrogativo.

— Você bateu com a cabeça?! Que eu me lembre, até poucos dias, você era o senhor “eu sou muito hétero e tenho nojo de homossexuais” — Afrodite fez uma imitação tosca da voz do outro.

DeathMask coçou a cabeça, meio constrangido. Devia ter batido mesmo a cabeça para propor aquilo, mas... foda-se! Ele já tinha chegado ao seu limite. Queria Afrodite e DeathMask júnior estava a ponto de explodir. Além disso, depois da conversa que tivera com sua prima (sim, ele havia refletindo sobre isso) chegou a pensar que, quem sabe, discretamente, em segredo, não fosse de todo mal experimentar algo diferente.

— Eu sou hétero! Mas — fez uma breve pausa — talvez eu seja um hétero curioso.

Afrodite passou um rabo de olho para o meio das pernas de DeathMask antes de dar um sorrisinho sarcástico.

— Estou vendo o tamanho da sua curiosidade. Mas não pense que irá matá-la comigo — deixou claro. — Por que você não vai procurar Lune? Ele te acha bonitinho — proferiu a última frase com um tom de despeito e jogou seus cabelos para trás, fazendo menção de sair do banheiro.

— Afrodite — DeathMask o chamou. — Não conta para ninguém, tá...

— Até parece, babaca idiota! Afrodite bufou e sair resmungando, com vontade de quebrar alguma coisa na cabeça de alguém. De preferência na cabeça de DeathMask. Droga! Por que esse maldito tinha o dom de despertar nele esse misto de raiva e excitação?

DeathMask respirou fundo, frustrado. Deus! O que ele tinha na cabeça?! E se Afrodite contasse para alguém essa história de hétero curioso?! Olhou para DeathMask júnior.

— Pare de me arrumar problemas!

Depois disso, jogou um pouco de água no rosto e saiu do banheiro, indo direto para a varanda. Chegando lá, sentou-se ao lado de Radamanthys, que fumava tranquilamente.

— O que foi aquilo com o Julian? — perguntou, acendendo também um cigarro.

— Acabei de salvar a sua candidatura como presidente da fraternidade. Foi isso. Se Julian conseguisse o que queria, você nunca recuperaria seu prestígio novamente. Alguém tem que se preocupar com isso, já que você ultimamente anda no mundo da lua, pensando em Deus sabe o quê. — Radamanthys deu um trago demorado em seu cigarro, antes de colocar um pouco mais de uísque em seu copo.

— Mas será que fizemos a coisa certa em não expulsar o Paul?

— Até alguns minutos atrás você estava do lado dele. Isso agora é porque descobriu que ele é realmente ficou com um garoto?

— Não! Não é por isso... — Em outras épocas, DeathMask seria o primeiro a transformar a república na Santa Inquisição e promover a queima aos veados. Mas ele não estava mais em condições de julgar Paul por se sentir atraído por garotos, sendo que ele acabara de convidar um para ir para o seu quarto. — E se realmente foi um estupro? Não sei se quero apoiá-lo...

— Desde quando você se preocupa com isso? — Radamanthys arqueou uma sobrancelha. — É melhor esquecer esse assunto. E você não precisa apoiar, só não precisa colocar mais lenha na fogueira, como o Julian está fazendo. E fique de olhos nos candidatos, não quero ninguém questionando a decisão da assembleia de hoje, deixe isso bem claro.

— Ah, tá... — Coçou a barba, que estava por fazer, pensando na reação de Radamanthys se soubesse o que Afrodite estava aprontando. — Eu queria te contar uma coisa...

— Fale...

— É sobre os Sigma Tau....

Radamanthys o olhou com chacota, fazendo cara de riso. Ele logo imaginou do que se tratava, pois havia visto o vídeo.

— Que papel ridículo!

— Aquilo foi uma afronta contra a nossa fraternidade, eles não podem sair impunes!

— Você iria levar uma surra daquele garotinho, DeathMask...

— Eram quatro contra mim! — Ele se indignou. — E eu estava bêbado.

Radamanthys balançou a cabeça e riu novamente com sarcasmo. Mas depois chegou a uma conclusão.

— É, vamos dar uma lição neles — falou, fazendo um largo sorriso aparecer no rosto de colega. — Isso também será uma ótima distração para os Ômega Chi. Eles precisavam de algo para se unirem novamente e nada melhor do que um trote contra os babacas Sigma Tau.

— E eu já tenho uma ideia do que fazer... — DeathMask complementou.

* * *

Algumas horas mais tarde, no quarto do líder dos Sigma Tau, Milo e Aldebaran discutiam.

— Você não pode estar falando sério! — Aldebaran não aceitava a ideia de Milo deixar a fraternidade por conta do namorado. — Que tipo de amor é esse que exige esse tipo de coisa?!

— Na verdade, ele não exigiu, Aldebaran. Fui eu que decidi...

— Não posso acreditar nisso. — Aldebaran balançava a cabeça. — Você ama isso aqui.

Milo fechou os olhos e puxou o ar com força para os seus pulmões. Aquilo estava sendo doloroso, e o seu amigo não estava ajudando muito.

— É a coisa certa a fazer... — falou, entrando no banheiro do quarto para pegar algumas coisas; estava arrumando uma mochila, iria dormir com Camus em um hotel perto da faculdade.

— Coisa certa?! — Aldebaran virou a cabeça para o lado, com uma expressão de interrogação. — Abrir mão de uma coisa que você gosta por um garoto que não está nem aí pra você é a coisa certa? Desde quando isso?

— Ele me ama, não diga bobagens — Milo prontamente retrucou.

— Você claramente o ama, só que ele não te ama não. Ele implica com tudo que você faz e gosta! Isso é amor?!

— E desde quando você entende de amor, Aldebaran?! — Aquela conversa já estava o irritando. — Além dos mais, ele tem os motivos dele, e sei que parte disso é culpa minha.

— Olha, se for para amar assim, não quero mesmo não... prefiro continuar solteiro, caçando por aí até achar a pessoa que me aceite com os meus gostos...

— Isso aqui é passageiro mesmo, só estou antecipando minha saída. Além do mais, o ano que vem é meu último ano e preciso me dedicar mais aos meus estudos. A liderança da fraternidade tem me roubado muito o tempo.

— E quanto ao outro problema, você vai me deixar sozinho para resolver?

Milo respirou fundo. Ele havia contando para Aldebaran sobre o caso do traidor do time, pois confiava totalmente no amigo e, como Aldebaran seria agora o presidente da fraternidade até que houvesse uma nova votação, ele achou que o outro deveria estar a par do que estava acontecendo, ainda que Milo acreditasse que o traidor não fosse um de seus irmãos da fraternidade.

— Não, claro que não. Eu já estou resolvendo isso. — Fechou a mochila e a jogou nas costas. — Agora, vamos descer que o pessoal está esperando a gente lá em baixo, e eu tenho que me encontrar com o Camus.

— Milo, não conta para eles hoje. Tá todo mundo se divertindo, num clima bom, não estraga isso agora. — Aldebaran estava tentando dar um tempo, porque ele tinha esperanças de que o amigo mudasse de ideia.

Milo estalou a língua e coçou a cabeça.

— Eu vou ter que contar para eles, Aldebaran.

— Você ainda vai morar aqui até o final do semestre, então... espera ao menos para contar quando você estiver perto de sair.

Apesar de sair da fraternidade, Milo tinha intenções de morar na república até as férias de inverno, uma vez que não dava para mudar para um dormitório da universidade antes do novo semestre.

— Mas não posso continuar como presidente.

— Eu tomarei conta de tudo, só não vamos contar para eles agora.

Milo fechou os olhos e balançou a cabeça vagarosamente, aceitando o pedido do amigo, antes de direcionar para a porta. Aldebaran o seguiu, resmungando:

— Poxa, Cara! Quem vai dar aqueles discursos chatos e enfadonhos nas reuniões, aquelas explicações que começam lá da raiz e não tem fim... A gente vai sentir falta...

— Ei! Meus discursos não são enfadonhos, são necessários... — E então Milo começou um discurso explicando a importância de seus discursos, enquanto eles desciam as escadas.

Encontraram os amigos reunidos na sala, em clima de harmonia. Mime tocava um violão e cantava “I can’t get no” dos Rolling Stones, enquanto os outros garotos batiam palmas no ritmo da música e faziam a segunda voz.

Aldebaran se juntou ao grupo e sentou-se no chão perto do sofá, onde Aiolia estava sentando com Mu deitado no colo dele, recebendo cafuné. Milo seguiu direto para a porta. Não quis nem se aproximar para não ficar pesando no quanto gostava daquilo e do quanto sentiria falta.

— Para onde ele foi? — Abel perguntou. — Não vai se juntar com a gente?Ele é um dos que mais gosta desses momentos de música.

— Ele vai ao cinema com o namorado.

— Nossa! Está todo mundo namorando, só eu que não arrumo nada mesmo! — Algol reclamou, fazendo bico.

— Eu te acho bonitinho, Algol, mas você fica se fazendo de difícil — Aldebaran brincou, só para implicar.

— Ah, sai fora! — Algol exclamou, fazendo os outros garotos caírem na gargalhada. — Gosto de garotas lindas, delicadas e cheirosas e não de brutamontes roncadores.

— Vem cá, dá um beijinho — Aldebaran implicou mais um pouco, indo para perto de Algol, que correu para outro lugar, arrancando mais risadas dos outros meninos.

— Mime, canta uma música romântica aí para os dois entrarem no clima — Abel pediu.

— Até tu, Brutus! Até meu parceiro resolveu ficar de sacanagem comigo.

— Eu vou cantar uma música, me passa o violão aí, Mime — Aiolia se ofereceu, fazendo Mu, que estava deitado com a cabeça em seu colo, se levantar.

— Ah, não!!! — Ikki reclamou, em tom de brincadeira. — Empolgou com o show que deu e, agora, acha que é cantor...

— E você sabe tocar? — Mime estreitou os olhos, em dúvida.

— Fiz aulas de violão e bateria na época do colegial...

— Jogador de futebol, cantor, advogado... quantos talentos mais você tem, amor? — Mu sussurrou para o namorado, que se estufou o peito, sentindo-se todo envaidecido.

— O amor é cego mesmo, viu — falou Aldebaran que havia escutado, estalando a língua.

— E a inveja é triste! — Aiolia retrucou, abraçando Mu e dando beijinhos nele.

— Logo você vai descobrir que fez a escolha errada, Muzinho. Mas eu ainda estarei aqui para te consolar...

— Tira esse olho gordo do meu amor. — Aiolia possessivamente apertou o abraço em volta de Mu.

— Ai, que gracinha, gente! Merece música... — Mime fez um sinal de coração com as mãos.

Todos, menos Aldebaran, começaram a imitar Aiolia chamando Mu de amor, numa implicância descontraída, deixando Mu com as bochechas pinicando

Foi naquele clima que Mime começou a tirar algumas notas do violão da música The Scientist da banda Coldplay e então começou a cantar, fazendo todos se calaram para ouvir aquela linda voz.

E foi assim que eles passaram boa parte da noite, entre brincadeiras e músicas.

* * *

Notas finais
Gente, me perdoem a demora em atualizar. É que eu não estou conseguindo escrever ultimamente, não estou conseguindo me concentrar. Já passei um dia inteiro, sem fazer mais nada além de tentar escrever e não sair nenhuma cena, mesmo que a ideia e o que quero dela esteja na minha cabeça. O problema é que minha vida está uma bagunça, minha cabeça está uma bagunça. Eu queria muito terminar logo minhas histórias, tenho tantos outros plots que gostaria de começar, mas... nem histórias novas estou conseguindo escrever. Sinto dores de cabeça quase todos os dias e estou sempre me sentindo tão cansada, até mesmo quando não trabalho. Enfim, não quero entrar em detalhes, nem ficar aqui bancando a coitadinha, mas acho que vocês merecem uma justificativa. Eu não tenho intenções de desistir da fic, mas resolvi parar de ficar me cobrando por um tempo. Sim, eu ficava muito chateada quando não conseguia escrever, quando demora para postar.... Mas resolvi deixar acontecer, afinal, eu quero que isso seja um descanso para os meus problemas. Me desculpem o desabafo. Então é isso. Beijos no coração de vcs. Beijos e até o próximo.