Gold Saints - The High School
6 Uma Despedida Amarga
Notas iniciais
Aiolia não conseguiu se tornar o grandioso atleta que queria realmente se formar, seus sonhos pareciam ter sido destruídos, muito mais naquele instante. O torneio havia acabado e todos nós estávamos numa espécie de sala, que parecia ser um clube. Eles chamavam aquele lugar de “Fã Clube do Aiolia”, mas era só para ficar no local, onde se reuniam. E eu estava lá, olhando aquele rapaz de cabelos mel e olhos verdes estar ao longe.
Nós estávamos mórbidos naquele lugar. Um silêncio nos rodeava, ao ponto de ouvirmos nossas próprias respirações. Estavam comigo, Mu e seu primo Shaka, além de Aldebaran, que tentava consolar o nosso “herói”. Ele estava abatido e calado.
— Aiolia, não fique assim... – Dizia o grande amigo. – Preste a atenção, seu irmão com certeza vai entender!
— Não! – Exclamou. – Eu vou ser tão bom quanto meu irmão! Vocês irão ver!
Aioria se levantou, parecia firme e convicto daquilo, eu apenas o olhava, assustado, mas o olhava com certa desaprovação. Até que ele sentou novamente e bufou triste, parecia que caiu na realidade.
— Não se sacrifique mais do que já faz, Aiolia. – Ditou Shaka preocupado. – Vamos para casa? Eu e o Mu levaremos você até lá!
— Mas... Vocês... Não moram do outro lado? – Perguntei.
— Oh sim! – Respondeu Mu. – Mas vamos encontrar meus pais no mercado, que é perto da casa de Aiolia!
Enquanto Aldebaran ajudava a levantar o amigo abatido, eu apenas suspirava e seguia para a minha casa, onde uma janta me esperava junto a uma cama para dormir. O dia seguinte amanheceu tímido, com algumas nuvens, meu sono ainda era embalado, quando em outro lugar, um telefone tocava...
— Allô? Non… Oui… Oui… D’accord! (Alô? Não... Sim... Sim... Ok!) – Falava aquela voz.
Voz era triste e desapontada, após colocar o telefone do ganho, ficou um tempo segurando aquele objeto, como se aparasse. Alguns segundos foram suficientes para aqueles dedos alvos retirarem o telefone do gancho e repousar nos teclados marfim. Aquela mão parecia tremer, com os toques nervosos e agitados, que erravam constantemente o número que digitava.
— Vous venez ici, s’il vous plaît? (Venha aqui, por favor?) – Finalizava, apesar de parecer firme, no fundo estava trêmula e salivava demais.
Não sei quanto tempo havia passado, mas sei que eu estava lendo umas tiras de jornal, que ganhei de um vizinho, além de fazer os passatempos que vinham em mesma página. Eu já havia tomado meu café e apenas ouvi aquele grito de baixo da minha janela, ao ver, era Milo, cheio de sorrisos, como se algo de muito, muito, mas MUITO bom fosse lhe acontecer. E o pior, aquele sorriso me incomodava. Acho que estava entendendo os sentimentos do “bbf” deste...
— Diga Milo, o que quer? – Falei sem delongas.
— Ah cara, tô indo na casa de Camus. Quer dar um pulo lá? Pode ser que ele libere aquela TV gigante e os games dele!
— Ok... Já vou!
Suspirei. Sabia que se eu negasse a tudo, ele iria me perturbar e não queria que ele me enchesse por isso. Troquei de roupa e avisei aquela senhora, que me deu carta branca para sair e ainda me deu uns trocados, caso eu quisesse algo da rua. Parecia que ela queria que eu me divertisse, não disse nada, apenas saí de casa e segui com aquele rapaz em direção ao grande condomínio não muito longe dali.
Ele me falava suas desventuras e eu apenas suspirava, pedindo para chegarmos ao apartamento. Após pegarmos o elevador, seguíamos pelo corredor que se iluminava conforme passávamos, até atingir aquela porta com aquela escrita francesa. Eu pensei em dar soquinhos, quando Milo retirou de um lugar uma chave, era o esquema de emergência, caso perdesse a principal. Ele abriu e depois colocou a chave no lugar de novo, por fim, entramos.
— TADAIMAAAAA! (Chegamos) – Berrava aquele rapaz.
— Bon... – Vinha aquele jovem de longos e bons cabelos e ao me ver, pareceu se assustar, chegando a arregalar os olhos. – Shura? Milo, por que o Shura está aqui? Pedi para você vir aqui e só!
— Mas Camus, eu achei legal trazer um amigo, já que poderia liberar a TV e o...
— MERDE, Milo! – O grito cortou a felicidade do outro. – Vous... Vous... (Você... Você...)
Camus parecia irritado e não era apenas com a minha presença, havia algo a mais, ao ponto dele virar-se e falar palavras em francês, que não entendia nada. Eu olhei para Milo e este parecia boquiaberto.
— Camus, amigão... O que... Aconteceu? Fala comigo!
Ele foi correndo e eu tentei impedir, mas ele conseguiu atingir o amigo, o encarando. Eu olhava para aquela cena e ficava cada vez mais sem graça. Camus olhava para o amigo com um olhar vago e triste. Sim, havia algo a mais!
— Milo... Eu... Nós... – Virou o rosto e após se soltou daquele momento. – Não poderemos mais ser amigos... – Aquilo fez o rapaz de cabelos cacheados arregalar os olhos. – Terei que voltar para França e possivelmente, serei obrigado a me formar lá... Pardon...
O mundo caiu para os dois, principalmente para os de cabelos cacheados. Milo chegou a desabar ao chão, ficando com aquele olhar perdido, sem vida ou até mesmo vontades. Era pesado o momento e eu, de camarote, via aquela ruína aos meus olhos, totalmente sem graça. A única coisa que eu fiz, foi chegar perto de Milo e este agarrar a mim como uma criança, chorando de soluçar.
— Diz que ele não pode ir... Por favor! Diz que é mentira! Tínhamos tantos planos juntos! Por favor... Fala para mim que não é verdade!
Seus olhos azuis acusavam uma dor jamais vista por mim. O clamor inundava aquele céu claro de orbes, me deixando cada vez mais sem graça. Eu olhava para o outro, que colocava a mão no rosto e negava tudo.
— Desculpe Milo, mas não! – Falei de forma dura e suspirei mais uma vez. – Não pense nisso, Camus apenas vai para o país dele e vai poder falar com você pelo telefone, internet e mensagens! Com certeza ele não vai deixar de se comunicar com você, haverá férias e vocês poderão se encontrar! Agora pensem em mim, que não tenho meus pais!
Foi então que eu percebi que ditei besteira. Para o pessoal daquela turma, eu era apenas um aluno passageiro, onde os pais estão gozando as delícias da Europa e eu trancafiado com uma simples parenta. Camus olhou para mim, pois notou o que eu disse, já Milo, este parecia entre várias questões de vida que não sabia se chorava mais ainda ou se conformava com a dor pelas palavras que eu dei.
O jovem de cabelos cacheados, ainda segurava em minha roupa, mas aos poucos eu sentia aquilo se aliviar e suas mãos descerem. Ele se levantou, ficando ereto. O outro o olhava, sabia a dor que sentia, porém se surpreendeu ao ser abraçado do nada por aquele amigo. Eu não conseguia ouvir o que ele dizia para o outro, mas via que os olhos de Camus se arregalavam com aquilo. Aos poucos, o mais frio se rendeu ao abraço, repousando as mãos abertas nas costas um tanto largas.
— Merci, Milo... Tentarei manter contato! – Falava Camus, com lágrimas no olhar e brincando com o cabelo do amigo.
Realmente aquele rapaz de europeias seguiu para o aeroporto no mesmo dia. Ajudamos a ele fazer as malas e fechar toda a casa. Naquele lugar, de vindas e idas, parecia que havia dois corações se dilacerando, sofrendo por afastamento. Milo e Camus sempre estudaram na mesma sala, desde que o francês veio para o Japão, prometia para o amigo estudarem na mesma faculdade em Tóquio, dividindo apartamento e deveres. Aquele momento foi um dos poucos que eu vi no rosto daquele rapaz de azulados e lisos cabelos, em brotar um sorriso, pouco visto.
Ele deu as costas e seguiu para o corredor informado, seu voo estava próximo de sair, mas Milo queria uma última despedida, porém Camus parou, já não podia voltar. Aquele rapaz não caiu o sorriso e olhou para nós.
— Au revoir, mes amis! (Adeus, meus amigos)
Ele acenava e sumia perante a todos que passavam por ele. Toquei no ombro daquele menino de cabelos cacheados, que acordou de algum plano. Começamos a caminhar de volta para as nossas casas.
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