Gold Saints - The High School
7 Dia de Feira
Notas iniciais
O dia seguinte, sem aquele nerd que era mais calado que ativo, pareceu muito mais silencioso do que antes. Seu lugar ficou completamente vago... O professor havia ficado um tanto desgostoso sem saber o que dizer... Seu melhor aluno havia voltado pra sua terra natal, sem possibilidade qualquer de volta. Eu sentava no meu lugar e minha visão era praticamente de camarote àquele vago.
Já estava no fim da segunda aula e próximo à hora do almoço. Eu via aquele rapaz de cabelos grandes e cacheados de um jeito disperso, como se o mundo fosse um enorme breu e sem valor, aquela imagem me fez doer o coração. Eu sabia como ele se sentia naquele momento e, quando todos foram comer, eu sentei ao lado daquele rapaz que me fitava e indagava com aquelas bolas azuladas.
— Posso me sentar aqui? – Dizia colocando meu material na mesinha.
— Er... Hmm... P... Pode! – Por fim, deu um sorriso.
As aulas continuaram e eu ao lado dele. Parecia que aquele pequeno gesto fosse suficiente para acabar com aquela tristeza e vazio em seu coração. No fim das aulas, Milo não parava de falar sobre a aula que tomávamos, eu suspirava firme para aguentar aquilo, quando ouvi uma voz.
— CALMA!! Deixem-me pelo menos prender o recado! – Era o inspetor Dohko, que estava rodeado de alunos.
— Mas o que está acontecendo? – Perguntou Mu, que chegava naquele instante.
— Oh sim... – Dizia sorrindo aquele inspetor. – É que o diretor Shion ditou o dia da feira cultural! Então vai haver inscrições e as turmas inscritas serão sorteadas para representar esses cargos que aí estão. Acho que o professor de vocês já os inscreveram... Mas não sei como será sem o Camus...
Não estava apenas aquele rapaz ali junto ao inspetor, mas como seu primo Shaka, o atleta Aiolia e o grandalhão Aldebaran... Ainda mais que eu chegava com Milo naquele instante. Todos meio que olharam para o rapaz que ficou meio sem graça e saiu. Eu não sabia o que dizer ou agir, tentei seguir ele.
— Milo, espere! Acredito que o senhor Dohko falou aquilo sem querer! – Ele não me respondia, apenas caminhava pelos corredores apressadamente. – Milo, para onde está indo? – Foi então que ele parou e me olhou.
— Para casa, Shura... – A sua voz era baixa e triste, assim como seu olhar.
Eu fiquei petrificado com aquilo que ele disse, no tom que ele disse, eu estava tão perdido que eu não sabia o que fazer ao certo. Apenas observei que todos estavam apreensivos com aquela notícia, com isso, eu me aproveitei e segui para minha casa, onde, ao chegar, desabei na cama e fiquei olhando para o teto. Na minha cabeça passava mil coisas, uma delas, era saber como estava Milo... Num ato de loucura, eu acabei ligando para ele. Ao atender...
— Ah... Oi Milo... Sou eu, Shura! Quero saber se... – Eu não queria falar besteiras, mas depois engoli a seco. – ...Você se incomoda de eu amanhã também me sentar ao seu lado?
— Hã? – Dizia meio disperso. – Puxa cara, por mim, tudo bem...
— Não te atrapalhei não, né? – Tentava eu puxar assunto, sem tocar no real motivo da ligação.
— Ah... Não! Eu estava terminando de estudar!
— Oh... Tem notícias do Camus?
Aquela frase, que escapou sem querer, criou um breve silêncio. Eu voltei a engolir a seco pelo o que foi dito por mim. Quando eu ia chamá-lo, ele voltou ao telefone.
— Tenho... Chegou bem de viagem... Mandou-me uma mensagem pelo Whatsapp.
— Que bom, não é? E...
— Shura, tenho que desligar! – Dizia me cortando. – Minha mãe quer que eu faça umas coisas aqui em casa. Obrigado por ligar!
Eu cheguei a pensar em alguns instantes o que ele acabou de dizer, foi a resposta em relação ao que eu citei sem querer. O dia passou e a terça-feira já estava chegando. Eu me encaminhei para o colégio, como o de sempre, cheguei na sala e lá estava ele, imparcial, olhou para mim e ajeitou a mesa ao seu lado, sorridente. Aquilo me deixou confuso e eu apenas me sentei. Antes de iniciar as aulas, senhor Dohko chegou na sala, dando o recado do que a sala iria fazer na feira cultural.
— A turma 2A – 3 fará... Sobre comida! – Ditou aquele senhor.
A turma ficou agitada, era a primeira vez que a turma pegava algo... Simples, porém complicado. Eu, particularmente, sei nada de cozinha. Os murmúrios que eu ouvia naquela sala, era de que sempre pegavam fatos mais históricos, em principal, eras antigas, tudo, como sempre, liderados por Camus, que no dia seguinte, já estava com tudo pronto. Era só murmúrios... Para meus ouvidos.
— Ok turma... – Disse a professora. – Amanhã eu vou entregar o material para fazermos nossas comidas. Vou escolher as mais fáceis, pois não vai dar tempo de fazer as mais complicadas!
— Nakayama Sensei! – Aquela voz doce ecoou pela sala, era Aphrodite. – Se quiser, eu posso patrocinar... Compro algumas comidas, as mais difíceis... Que tal?
Aquela professora parou para pensar e olhava com sorriso. Concordou com a ideia e parecia pensar ainda mais sobre tal coisa. O dia de aula acabou e seguimos para as nossas casas. No dia seguinte, ela veio com uma lista e as pessoas foram escolhendo o que poderia ajudar. Eu me consenti com a ideia de Aphrodite, pensei em dar o dinheiro para o resto, mas o meu dinheiro está retido pelo governo. A senhora que mora comigo ajudou-me com algumas coisas e assim, com o passar do tempo, chegou o final de semana, juntamente com a feira.
— Então é assim que é a feira cultural de vocês? – Perguntei.
— Ah sim! – Respondeu-me Aldebaran. – Até que está sendo divertido ficar na parte da cozinha! Apesar de ser coisas simples, estamos fazendo sucesso! – Depois pôs-se a rir.
Realmente, a feira era interessante. Falávamos sobre a nossa região e a cidade de Nagano. Cada turma falava de um tema... Financeiro, turismo, costumes, comida... Era várias coisas, fazendo tudo ser divertido. Eu nunca tinha tido algo assim, mas eu abria o sorriso quando via tudo.
Nossa turma fazia rotatividade, grupo de quatro, mais ou menos... E a minha “ronda”, estava eu, Milo, Aphrodite e Mephisto; eu e Aphrodite na venda, Milo no caixa e Mephisto cuidado da reposição. Até que um momento, apareceu uma mocinha, de cabelos curtos e róseos, pequena perto de mim, olhava-me com seus olhos arredondados e lilases. Olhava para mim e pediu-me um bolinho de arroz.
— Tome... Volte sempre!
Eu sorri e ela olhava para frente, eu não sabia para onde olhava e parecia fitar algo. Mephisto estava trazendo mais alguns bolinhos, quando a menina sorriu e depois foi embora, antes daquele rapaz, aparentemente mais velho, chegar.
— O que ela queria? – Disse para mim, ríspido.
— Não sei, ela apenas comprou um bolinho...
Do nada ele pulou o balcão e começou a caminhar em direção daquela menina, pegando-a pelo braço e fazendo-a encará-lo. Eu não conseguia ver, mas aquilo chamou a atenção de Milo, além de Aphrodite, que chegava do banheiro naquele instante. Já com Mephisto e a menina...
— O que você está fazendo aqui? Está sozinha, não? – Encarou.
— Hunf! – Ditou a menina. – Até onde eu sei, a feira é pública, então eu posso ir e vir como eu quiser... E sim... Estou só!
Mephisto ainda a encarava, quando apareceu o inspetor Dohko, com o diretor Shion. Eles pareciam conversar alegremente, até fitarem aquela cena. Sem muitas delongas, ambos foram de encontro aos dois, que pareciam iniciar uma briga.
— Mephisto, o que está fazendo com esta jovem? – Indagou Shion.
— Solte a menina! Ela é apenas uma civil. – Interceptava Dohko, que segurava o rapaz.
— Obrigada, senhores... – Falou a menina, que caminhou rápido para o exterior do colégio. Enquanto isto, Mephisto bufava, sendo segurado por Dohko.
— Mephisto... – Iniciou Shion. — Você havia dito que não iria dar problemas neste colégio! Tanto que, pelos históricos das outras escolas, você vem evoluindo! Quer realmente estragar tudo? – O rapaz parou de fazer força e virou o rosto. – O que tem a me dizer?
— A presença dela não é um bom sinal. – Dizia o rapaz se ajeitando. – E já estou indo, senhor Shion... Não precisa mandar advertência! – E começou a caminhar para fora.
— Mephisto! – Chamou Dohko, o rapaz apenas olhou. – Não queremos que vá. Volte para seu stand, a feira ainda não acabou!
O diretor percebeu as palavras do inspetor e tossiu, como se usasse sua sabedoria para entender o que estava acontecendo e dar o veredicto final.
— Sim, Mephisto! Não precisa ir... Acredito que ela não vai voltar e você pode voltar ao stand, melhor, vá caminhar pela feira... Já está no fim mesmo, não é? – Ele tocou o rapaz pelo ombro e foi caminhando com o mesmo até o stand, onde estava eu e os outros da turma. – Estou sabendo que alguns desses bolinhos, foi você que fez, não é? – Então aquele homem pegou um dos bolinhos e mordeu. – Sério que foi você quem fez?
— Sim... Este deve estar um pouco carregado no curry, eu meio que perdi a mão na última remessa. – Falava o rapaz um tanto envergonhado.
— Não está bom! – Falava o inspetor, com dois na mão. – Parabéns! Por isso que eu andei ouvindo que estes bolinhos eram saborosos!
Mephisto voltou a estar sem graça e aqueles homens nos pagou, um pouco a mais do que estava no preço. Aphrodite o parabenizou e os outros também. Mephisto cozinhava bem, para um rapaz como ele, era algo estranho de se imaginar, porém, mais entranho ainda, era aquilo que aconteceu. Quem era aquela menina e por que Mephisto se importava tanto com ela?
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