Gold Saints - The High School

2 O Temível Primeiro Dia!


Notas iniciais
Após o acidente com seus pais e estar numa nova vida, Shura agora tem que enfrentar seu primeiro dia na sua nova escola e amigos. Como será que ele vai reagir?

Eu havia acordado e encontrado aquele uniforme completo: calça, blusa, blazer, sapatos... Tudo do meu número, que cabia perfeitamente em mim, sem estar apertado ou folgado demais. Eu encontrei aquela senhora com um “obento” nas mãos e uma maleta. Ela me entregou, juntamente com o café que me esperava. Aquilo parecia mais um conto de fadas, do que uma realidade em si. Tomei meu café e segui para o tal colégio.

Estava a algumas quadras daquela casa que eu estava alojado. Não é que não tenha sido bem recepcionado! Mas eu fui encaminhado rapidamente para a minha classe, quando eu mostrei o papel de inscrição. E lá estava eu naquela turma, querendo ser o mais discreto possível, mas quem me ajudou a chegar na sala, avisou à professora local que eu era o tal novato. E para que ela fez isso? Eu abruptamente fiquei igual a um tomate! Hiper vermelho! Ela queria que eu me apresentasse, após todos darem bom dia! Eu me encolhia com a maleta em minha mão, segurando firme.

— Vamos lá! Apresente-se! – Dizia aquela mulher a mim.

Eu estava bem assustado, via pessoas, as mais estranhas possíveis e de variados tipos! Não era como a minha escola, que todos eram iguais, menos o corte de cabelo, pois aí seria radicalismo! Eles não eram como eu, eles eram estranhos, misturados, de diversos gostos! Eu estava atônito, sem graça, desesperado. Eu olhava para aquela turma que olhava para mim e para aquela professora.

— O que foi? Não vai se apresentar? – Continuava aquela mulher.

— Professora! – Levantou um dos alunos, ele tinha o cabelo curto no tom loiro-mel e grandes olhos verdes. – Acho que ele precisa de um pequeno empurrãozinho! Posso ajudá-lo?

— Ah sim! Pode sim, Aiolia!

Aiolia era o nome daquele rapaz. Quando a professora deu o aval para que ele viesse até a mim, ele realmente veio, deixando-me bem mais acuado. Estávamos de frente de um para o outro, ele parecia me olhar e sorria demais para mim. Eu engolia a seco e não sabia como reagir, até que ele colocou a mão em meu ombro.

— Oi, eu sou o Aiolia! Tenho 15 anos! Meu irmão, Aiolos, foi um grande atleta do colégio e eu tenho o maior orgulho disso! E você, de que bairro é, pois jamais te vi?

Ele estava sorridente e eu acanhado. Eu olhava para tudo em minha volta e para ele. Eu não sabia se seu sorriso era assustador ou acolhedor, aquilo me dava um medo terrível e um frio na espinha. Até que eu não aguentei aquela tortura visual e fui me rendendo aos poucos...

— Olá, eu sou Shura, eu também tenho 15 anos, mas eu não sou desta cidade, eu sou de Osaka, porém meus pais... – Neste momento eu parei e travei. Engoli a seco e continuei. – Eles viajaram a negócios pela Europa e me deixaram com uma tia aqui em Nagano, pois as viagens são longas e sem destino certo. Prazer... Em... Conhecê-lo... Aiolia!

Finalmente eu consegui “falar” algo. Eu o olhava e ele a mim. Até que do nada ele abriu aquele sorriso, me deixando completamente assustado, depois me olhou sério, como se eu tivesse feito alguma coisa. Meus olhos se arregalaram.

— Certo, agora repita isso para a turma inteira! – Disse-me, encarando.

— O QUÊ?! – Assustei-me com aquela decisão tão espontânea daquele rapaz.

— Brincadeira! – Voltou-me a dizer sorridente, puxando-me num “meio-abraço”. – Galera, é o seguinte! Este é o Shura, ele é de Osaka, porém seus pais estão em viagem lá na Europa e ele ficou aqui e agora está conosco!

Aquele rapaz era louco! Eu estava no meio de um bando de loucos! Loucos que eu jamais imaginei em estar ao lado! Todos aplaudiram e após calaram-se, algo quase bipolar! Após aquela apresentação, completamente sem jeito, o loiro rapaz voltou ao seu lugar, ao lado de duas pessoas de cabelos longos, um, mais loiro que ele e outro de roxeados cabelos. Eu ainda estava acanhado com tudo! Então ouvi aquela voz feminina novamente perto de mim.

— Bom, pode ir se sentar! Tem um lugar lá trás! Depois eu remanejarei as posições, conforme o local que gostar! – Era a professora, vindo doce.

— Sim, sensei! Estou indo!

Eu a respondi, completamente nervoso e sem muitas reações, eu realmente não sabia o que fazer ao estar no meio de tanta gente, no mínimo louca! Cheguei a duvidar se aquilo não era um manicômio e eu fui internado, achando que eu tinha uma vida maravilhosa em Osaka e realmente meus pais eram viajantes e eu vim para este lugar! Mas era apenas o meu primeiro dia... Se continuasse, com certeza eu ia acreditar de estar realmente numa clínica especializada em malucos!

Comecei a caminhar para o único lugar que tinha disponível naquela sala. Era bem ao fundo, ao lado de um armário antigo, não sei dizer ao certo, pois, no lugar que eu me encontrava, eu via tudo muito confuso, ainda não tinha uma clareza a meu ver daquela escola e, em principal, daquela sala de aula. Todos estavam em silêncio, até mesmo eu! Então finalmente cheguei próximo à carteira vazia, que parecia estar lá, apenas me esperando, quando ouvi uma voz grave ecoando ao meu lado.

— Pais viajando? E você com essa cara de “quero fugir daqui”? Você pode ter enganado a todos, menos a mim! – Dizia aquele rapaz, um pouco mais corpulento e parecia ser mais velho que todos ali.

— Phiphinho! Assim vai acabar assustando o rapaz! Ele é apenas um novato! – Mal ouvi aquela voz tenebrosa, veio uma voz mais doce, porém masculina, ao olhar, vi uma figura estranha de cabelos longos caracolados e um rosto fino.

— Aphrodite... Ele tem que saber a dura verdade de que... – Estava falando aquele rapaz, quando uma voz o cortou.

— Mephisto, não importune ao novo aluno! – Era apenas a professora, querendo colocar ordem naquele fundo daquele lugar.

Eu me assustei novamente, com o jeito bravio que tinha naquela sala. Fui atacado por um rapaz corpulento, como se fosse do clube de boxe, com a roupa completamente amassada e emaranhada, botões faltando para fechar a blusa e sem a jaqueta por cima, seus cabelos azulados e arrepiados, contrastavam com seu jeito de vestir. Ele estava sentado na última carteira da fileira que dava para a parede e me olhava com um olhar fúnebre de seus azulados olhos, eu cheguei a engolir a seco! Na carteira ao lado estava aquele rapaz, bem vestido e limpo, o inverso do outro, sorria para mim, como se fosse um colega antigo, que nos conhecêssemos há tempos.

— Eu... Eu vou me sentar! – Dizia todo atrapalhado, olhando para aquilo.

— Tudo bem, lindinho! Seja bem vindo e sinta-se à vontade!

Aquele rapaz, que nem sei se é rapaz mesmo, apesar de usar roupas masculinas, falava comigo doce e eu olhava para o outro, que me encarava feio. Aquele cara estava certo, eu queria fugir, para muito longe! Voltar para casa e lá ficar até sumir de uma vez. Mas eu não podia naquele instante e segui para o lugar que estava a mim de direito. Quando eu olhei, eu estava bem próximo daqueles dois, umas duas carteiras à esquerda de mim! Eu não sabia se prestava a atenção na aula, naqueles dois, que eu acreditava que aquele cara estava olhando para mim ou se viajava em pensamentos “alegres”, para esquecer aquele lugar. Até que deu a hora do lanche.

Muitos sentados em suas carteiras, eles tinham obentos como o meu, alguns mais caprichados e outros simples, com alguns sanduíches e frutas. Por fim, eu abri o meu, estava bem feito, três bolinhos de arroz pequenos, alguns legumes e uma maçã, possivelmente para sobremesa. Enquanto comia, ouvia aquelas vozes, daqueles dois a minha esquerda...

— Toma, Phiphinho! Os biscoitos que você adora! – Era aquele cara duvidoso.

— Ah, sim! Obrigado, Aphrodite! – Era aquele rapaz mais velho.

Eu olhava para aquilo e não entendi ao certo o que significava! Parecia que os dois não eram apenas amigos, era como se um ajudasse o outro. Espere... Um ajudando o outro? Aquele ser com jeito de desprezível poderia ajudar alguém? Era o que eu via, o marrento ajudando o outro a ajeitar as mesas e dar o lugar e após fizeram uma espécie de picnic. Eu tentei desviar meu olhar para o meu lanche, mas no momento em que eu iria comer, uma sombra ornou ali.

— Olá! – Dizia para mim, uma voz rouca.

Eu fui virando o olhar e vi um rapaz alto de longos cabelos castanhos escuros e pele morena. Ele tinha um sorriso largo além de uma estatura bem alta. Eu olhava para ele com os olhos arregalados e pestanejava muito, não entendia o que ele fazia ali, em minha frente, só sei que aquele sorriso me assustava.

— Oi, você é o novato não é? – E engoli a seco. Do nada, eu o vi levantando a sua mão e eu fechei rapidamente os olhos. – Prazer, sou Aldebaran! Gosta de esportes? – Eu ouvi aquilo e abri os olhos, ele estava com a mão na minha frente, para ser apertado.

— Ah... Sim... Oi! – Eu ainda estava assustado. – Não... Me interesso muito... Mas...

Aquele garoto gigante me dava um pouco de arrepios, eu tentava falar, ou melhor, não falar! Eu não queria muito fazer amizades e nem muito menos ficar ali! Então eu fui tentando despachar aquele gigante, mas acho que não fui feliz, pois ele me olhou feio!

— Como assim, não se interessa?! Esportes é uma questão de vida saudável!

— É que... – Eu tentava falar, mas eu não conseguia.

— Aldebaran, ele disse que não se interessa muito! – Ouvi atrás daquele grandão, uma voz calma. – É o primeiro dia do Shura, quando estivermos na aula de educação física, saberemos o que ele deseja! – Eu vi então o rapaz de longos cabelos lilases que tinha um olhar sublime.

— Mas Mu... – Indagou o grandão, que falava um pouco mais acanhado. – Ah... Ok! Eu já entendi... – Aquele rapaz grande saiu e eu vi o outro mais calmo.

— Olá Shura, eu sou o Mu! Aldebaran é assim mesmo, mas é muito doce! Seja bem vindo ao Minerva School! – De repente o chamaram. – Ah, deixe-me ir! Vejo você depois!

Aquele rapaz, simpático até, saiu. Seguiu aquele rapaz alto, além daquele que me abordou no início e mais um loiro, muito similar a ele. Eu voltei para o meu lanche e comia calmamente tudo, mas sempre olhando para tudo e todos, muito desconfiado. O horário do lanche acabou e as aulas voltaram. E eu sempre ali, naquele canto, calmo e quase isolado! Já considerava ali meu recanto!

As aulas terminaram pontualmente às 15h e eu sempre muito isolado. Assim como eu entrei naquele colégio e passei o momento das aulas, eu saí dele. Calado, na minha, querendo sumir dali o mais rápido possível dali e não estava falando apenas do colégio, mas como também de toda a cidade! Mas a minha realidade era outra! Eu voltei para aquela casa humilde, me trancando diretamente naquele quarto destinado para mim, sem a menor vontade de sair. Meus dias estavam apenas começando...

Notas finais
Agora parece que o nosso "herói" enfrentou o primeiro dia, será que ele vai aguentar até o fim ou ele irá sucumbir?