Gold Eyes

12 Capítulo 12


Os olhos injetados de sangue do morto-vivo me encararam vorazes e com força. Já estava ficando automático: pegar qualquer utensílio que fizesse o menor barulho, mirar no meio da face do zumbi e acertá-lo até que ele caísse no chão. Quando saímos da Catedral, passamos a ser cinco. Cinco para lutar contra eles, cinco para permanecermos juntos e continuar procurando pelos outros.

Acertando um canivete suíço na cabeça de um zumbi que se aproximava de Yuri pelas costas, virei em seguida para o último zumbi que havia nos percebido ali, e o encarei por um breve segundo nos olhos antes de atacá-lo. Não sei se foi o brilho do sol naqueles olhos tingidos de sangue, mas alguma coisa nele me pareceu por um instante diferente. No entanto, só tive tempo de estudar seus estranhos olhos dourados por uma fração de segundo antes de enfiar uma faca dentro de um deles. Chutando-o no meio do estômago, derrubei-o no chão, sem tempo para encará-lo por uma segunda vez.

–Precisamos ir — Nagisa disse, puxando Scorpio pelo braço e o guiando até o Amarok que tínhamos escondido a um quilômetro dali.

Como na ida, o caminho que Kobashi escolheu permanecia sem nenhuma infestação de zumbis ou corpos mutilados. Aquela rua, que parecia apenas vazia como num domingo qualquer, era uma das poucas em que ainda podíamos encontrar intacta assim. No meio do caos ao redor de nós, um santuário estava sobrevivendo à sua própria maneira. Só mais tarde, ironicamente, eu iria me lembrar que aquela era a rua da Saudade...

–Qual a boa notícia que você tem para nós, Scorpio? — foi a primeira coisa que Yuri disse, quando entramos no carro e nos afastamos dali.

Nosso amigo sorriu, misterioso.

–Minene está viva — ele disse, contente — E está na cidade, sim.

Todos nós, tão despedaçados com o caco que havia sido nosso último encontro com ela, ficamos incrivelmente esperançosos e felizes com a notícia.

–E onde ela está? — perguntei, ansioso, limpando uma mancha de sangue que havia secado em minha testa.

Scorpio ficou pensativo por um momento, olhando as ruas pelas quais passávamos antes de nos encarar mais uma vez.

–Ela está na sua casa, Shiro, mas problema é que o lugar está todo infestado de zumbis. Ela não consegue sair sozinha de lá e não sei se vamos conseguir entrar também...