Gold Eyes

13 Capítulo 13


Se correríamos o risco de enfrentar uma multidão inteira de mortos-vivos apenas para resgatar uma amiga? Se arriscaríamos nossas vidas para isso? Nem precisamos dizer a resposta em voz alta quando Kobashi pisou fundo no acelerador, nos levando direto à minha casa.

–Poderemos usar as balas dessa vez, não é? — Yuri perguntou, seus olhos brilhantes encarando hipnóticos o resto de nós. Ela abraçou a metraladora que tinha entre as mãos, e todos sabíamos que ela não aceitaria um não como resposta.

Posicionamo-nos cada um numa parte do Amarok, abrindo as janelas e prontos para atirar no primeiro zumbi que aparecesse em nossa frente. Tão qual Scorpio falou, estávamos ainda há metros de distância da minha rua logo que vimos a primeira infestação deles. Scorpio gritou eufórico quando ouviu os primeiros tiros disparados por nossas armas.

–Onde vocês conseguiram esse tesouro todo?! — ele perguntou a Kobashi, que guiava sério o automóvel rumo aos mortos-vivos.

–Outra hora eu te conto — um pequeno sorriso convencido escapou dos lábios dele, assim que um trio de zumbis foi destroçado quando colidiu com o carro.

–Os corpos deles são fracos — Nagisa argumentou, sua voz estando alta para ser ouvida através dos tiros.

–Mas eles se multiplicaram mesmo assim — falei, também com a voz elevada — Mesmo sendo corpos mortos que só andam atrás de comida, eles quase tomaram conta do mundo. Não podemos brincar com eles assim não.

Nagisa sacudiu a cabeça, concordando comigo.

–P-pare o carro! — Yuri gritou de repente, sendo a primeira a perceber que se continuássemos em frente, teríamos o carro dominado pelos zumbis.

Era hora de partir para a segunda parte do plano.

Fechamos os vidros às pressas e Kobashi foi o único a descer do carro, sua roupa e seu corpo protegidos por um grotesco colete policial à prova de balas. Seus olhos, que agora estavam escondidos por um par de óculos escuros, pareciam sorrir por trás das lentes.

–Esperei minha vida toda por algo assim — ele falou consigo mesmo, sorrindo exaltado. O garoto apertou o objeto redondo e metálico que tinha em mãos, como se quisesse senti-lo uma última vez, antes de finalmente soltar o pino.

–MORRAM, DEMÔNIOS — Kobashi gritou, lançando com todas as suas forças a bomba na concentração de zumbis.

Nós nos abaixamos dentro do carro, mas não conseguimos tirar os olhos da janela. Kobashi só teve tempo de jogar seu corpo ao chão antes do impacto acontecer.

Até aquele momento, não sabíamos quantos metros ao seu redor a bomba alcançava. Só que bastou vermos a quantidade de zumbis a serem mutilados, as árvores e carros de quase toda a rua sendo arremessados para os lados até atingir os muros das casas, que notamos, aturdidos, o quão poderoso era aquele brinquedinho que Kobashi havia encontrado naquela casa.

Tínhamos mais três bombas apenas. Tomara que não matássemos nenhum de nós usando elas.

Demorou até a rua se acalmar e a poeira baixar. Kobashi, voltando arfando para dentro do carro, limpou seu rosto repleto de suor e fuligem e ligou o Amarok. Todos ainda com os vidros fechados mas com nossas armas em mãos, esperamos nosso amigo nos guiar para dentro daquele campo, que agora imaginamos não estar mais tão minado assim.

Notas finais
Hmm hmmm, o que ainda os espera?!