–Vai ser A Batalha Épica — Scorpio disse, dando ênfase em cada uma das palavras.

–Com licença — alguém de repente segura meu pulso. Eu e os outros olhando para trás todos ao mesmo tempo.

–Gilbert — Scorpio disse, olhando curioso e surpreso para o gigante de óculos escuros.

–Preciso do amigo de vocês emprestado — ele falou, referindo-se a mim — Vão os dois para a base sul. Levem todas as armas que tiverem com vocês. E peguem os coletes e as máscaras protetoras também. São elas que vão ajudar a decidir se a vida de vocês será salva ou não.

Vi os olhos de ambos os meus amigos brilharem, ao mesmo tempo de espanto e heroísmo.

–A grande caçada vai começar? — Kobashi perguntou.

Vi o sorriso de Gilbert resplandecer.

–Muito mais que isso, meu caro amigo. Se tudo der certo, essa será uma das últimas ou, se tudo der certo, nossa última caçada.

–Como assim? E o resto dos zumbis?

–Vocês verão durante a luta — Gilbert disse, enigmático, antes de continuar — Um mágico não revela seus truques.

E não esperou a reação seguinte deles, me arrastando depressa pelo braço em direção ao porão.

–O que quis dizer com aquilo? — perguntei a ele, intrigado com seu segredo.

Ele abriu um sorriso de vitória, seus olhos encontrando os meus.

–Hora de salvar o mundo, Shiro.

E, por um breve instante, eu fiquei com medo do que me aguardava a seguir.

–Você só pode estar brincando, né?!

Quando dei por mim, havia uma outra entrada secreta escondida no porão. Enquanto todos se preparavam do lado de fora, ali dentro eu descobria toda a verdade.

–De jeito nenhum — Gilbert retrucou, convicto.

Olhei para as selas individuais dispostas nos dois lados do estreito cômodo e tive que me apoiar na parede de concreto para não cair.

De acordo com Jonathan, em cada uma das selas, eles haviam colocado um zumbi, aplicando em cada um uma mistura do sangue meu e de Gilbert. Quando abriram a porta daquele lugar pela primeira vez para mim, o que eu via dentro das selas, por trás das roupas rasgadas e machucados pelo corpo, não eram os zumbis. Meus olhos varreram assombrados entre cada um dos humanos que estavam ali.

–Quando vão nos tirar daqui? — um deles perguntou, encarando a nós três.

Outra mulher se levantou do banco de sua sela, ajeitando cuidadosamente o cabelo antes de observar seus visitantes.

–Podem me emprestar um hidradante, por favor? Minha pele está horrível.

Eu quase pude sentir a colisão dentro de mim. A Cura... finalmente havíamos encontrado ela?!

–Testamos nessa amostra a axpiração da mistura de sangue e células de vocês em metade do grupo e, na outra, a injeção direta da mistura — Jonathan explicava os detalhes a Gilbert, e eu tentava ao máximo compreender aquele milagre — As duas formas resultaram no que vocês estão vendo diante de si. Demorou apenas pouco mais de duas horas para a transformação ser concluída. Os corpos ficaram inconscientes a partir do momento em que a mistura começou suas reações dentro do organismo deles, mas depois desse tempo eles voltaram a abrir os olhos.

–Quanto tempo que estão trancados aqui dentro desde que voltaram a serem humanos? — a voz de Gilbert, embora se mostrasse calculada, estava realmente em êxtase.

–Quase três dias, senhor. E o sangue deles, de acordo com minhas coletas e pesquisas, está cada vez mais puro. Não há mais nenhum vestígio de uma mutação genética nos corpos deles.

Gilbert respirou fundo, seus olhos percorrendo lentamente o pequeno aposento.

–Hora de aplicar isso em grande escalha, então. Certo, Jonathan?

–Sim — o médico sorriu, incrivelmente esperançoso e confiante.

–Venha, Shiro — Gilbert agora olhava para mim, seus olhos ardiam em brasa. Ele estava mesmo obstinado a salvar o mundo e eu era o único ali que podia ajudá-lo nisso. — Nosso trabalho ainda não está acabado.

Notas finais
Hoo, então será que descobriram a cura?!
Ansiosa para o próximo capítulo!