Gold Eyes 2
7 Capítulo 6
–Você está perdendo a consciência, Shiro — falavam comigo, mas minha mente parecia querer divagar para cada vez mais longe — Acorde!
Abro os olhos, sentindo minha pulsação, quente, mais rápida que o normal. Os olhos de Jonathan e Gilbert me encaravam, receosos.
–É sua terceira bateria de exames — disse o doutor, tirando as agulhas e outros apetrechos de meus braços — Precisa se esforçar mais se quiser lutar contra isso.
–Estou me esforçando — murmurei, levantando devagar — Me desculpem por isso.
–Não peça desculpas — Gilbert retrucou, apressado. Seus olhos fitavam os meus, querendo interrogá-los — ÀS vezes tenho dúvidas se você quer mesmo sobreviver, Shiro... Parece que você não tem motivo, e por isso se esforça quase nada.
Abri a boca, mudo e aturdido.
–E-eu estou me esforçando! — exclamei, alto até demais.
Olhei de Gilbert a Jonathan, esperando uma resposta, mas nenhum deles disse nada.
O doutor sacudiu a cabeça, me observando com um sorriso cansado.
–É melhor você descansar agora. Durma um pouco e vá recuperar suas forças. Em breve voltaremos a nos falar.
Eu ia contestá-los, ia dizer que estava bem, só que quando me pus de pé, a tontura tornando minha vista embaçada e minhas pernas trêmulas, percebi que precisava mesmo de um descanso.
Me despedindo dos dois e bebendo mais dois generosos copos d'água, segui para meu quarto. O canto de um bem-te-vi foi a última coisa que ouvi antes de eu fechar os olhos e me entregar a um sono de pedra.
Não sei quanto tempo se passou, mas só abri os olhos outra vez quando ouvi minha porta ser arrastada e alguém entrar sorrateiro ali dentro. Percebi que colocavam alguma coisa por sobre a cômoda ao meu lado, e quando abri os olhos para descobrir quem estava dentro do quarto, a pessoa já havia fechado a porta, sua sombra sendo a única prova de que aquela presença não era nenhuma ilusão.
Pisquei duas vezes, esticando o corpo e tensionando os músculos antes de olhar para a cômoda. Um prato de comida estava sobre uma bandeja, a fumaça típica de algo recém-saído do fogo dançando e se espalhando pelo ar. Sento na cama e coloco o a bandeja em meu colo. Carne de porco, arroz, abóbora e caldo de feijão. Senti minha boca se encher de água, embora eu não sentisse cheiro algum.
Assim que comi, tomei banho e saí do quarto, o brilho do sol ainda estava forte ali do lado de fora e não tardou até alguém vir ao meu encontro. Scorpio e Kobashi se assustaram quando me viram de repente, e por um instante eu achei que havia alguma coisa de errada comigo.
–Você está doente, Shiro? — Kobashi perguntou, vindo em minha direção.
Pisquei, confuso.
–Claro que não.
–Você dormiu por dois dias inteiros — Scorpio disse, a voz mais arranhada que o normal.
–Não pode ter sido tudo isso — soltei uma risada histérica, embora a careta dos dois me afirmasse que aquilo era mesmo verdade.
Quando abri a boca para contra-argumentar, os dois se entreolharam rapidamente, Kobashi puxando-me em seguida pelo braço.
–Você tem que ver isso — o assunto, subitamente, agora parecia ser outro. — Você vai adorar ver o que nos espera.
Sem esperarem por uma reação minha, acabei sendo arrastado até o grande pátio do convento, pensando mil possibilidades do que podia ter acontecido, mas jamais imaginando que encontraria aquilo que na realidade encontrei. Encarei meus amigos, os dois ansiosos e motivados para a caçada que enfrentariam a seguir, enquanto eu... Eu nunca teria aquele sorriso deles no rosto, quando eram os gritos e grunhidos deles que ecoavam com força e vontade por todo o céu.
Olhei em volta, tarde demais descobrindo o que em breve teríamos que enfrentar.
–
Os pedregulhos rolavam com cautela por sobre o chão coberto de sangue e morbidez. Talvez tudo tenha começado sem que ninguém percebesse, sem que notássemos a presença deles se unindo e nos cercando. Porém, quando os vimos, já era tarde demais. Os mortos-vivos estavam em todos os portões, em todas as nossas rotas de fuga. Eles haviam dominado tudo
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