LEON

O maldito perfume de Ada Wong, de alguma maneira ainda estava impregnado nele, nas mãos, na roupa, talvez no rosto também. Assim como ainda podia sentir o gosto dela na boca, apesar da mordida. Ela tinha toda a razão então, durante anos foi mesmo um passivo, indiferente e que agora perdeu o completamente o controle porque viu que acabou? E não apenas isso, por que testemunhou pela primeira vez, Ada acompanhada de outro homem e o quanto ele parecia feliz ao lado dela. Era difícil assimilar o que viu, a espiã nunca pareceu tão humana e tão bela, tão frágil... nunca imaginou como ela seria de barrigão, pronta pra ser mamãe, talvez tenha sido esse o erro, nunca imaginou que ela poderia fazer algo assim um dia, nem mesmo com ele. Leon foi obrigado a ver de perto, tudo o que perdeu para depois ser rejeitado por ela outra vez!

Socou uma coluna de concreto, sem se importar muito com a dor que veio depois. Observou o punho esfolado e se flagrou imaginando, como ficaria o punho de Jake Muller depois de socar uma parede... Sempre achou graça e até mesmo riu do moleque. Afinal, sempre pareceu tão ridículo todo aquele ciúme que ele sentia da Sherry por causa de uma paixãozinha infantil que ela teve por Leon e lutou muito pra deixar claro ao namorado que passou, como o grandão sempre ficava inseguro e se sentia tão diminuído quando Leon estava por perto. Não era intencional, não era por maldade, para falar a verdade Leon sempre teve duas mãos esquerdas com as mulheres, sempre ficava sem jeito perto delas, a própria Ada é uma boa testemunha disso. Se interessou por Hunnigan uma vez, e nunca conseguiu nada com ela além das respostas mais atravessadas possíveis. Em Tall Oaks, assim que conheceu Helena, depois de um ano sem ter noticias de Ada, também se interessou pela jovem agente, foi praticamente atração a primeira vista mas o sentimento não foi recíproco. Ada sempre disse que ele era bonito e ela não foi a única, mas ainda assim, Leon era um desastre com as mulheres. Jake Muller tinha ciúme de um trintão que arrancava suspiros de jovenzinhas que ele salvou, Manuela, Sherry e Ashley... Mulheres de bar, secretárias... mulheres que conheceu em situações extremas onde ele provou seu valor sem precisar abrir a boca... e só. E Leon achava isso engraçado, achava o rapaz descontrolado, possessivo... Leon achava Jake um menino ridículo as vezes.

Isso acabou hoje, quando Leon sentiu na própria pele o que era o medo e a dor de se perder alguém, o que era ver aquilo que você ama te ser tomado por outro homem e por causa disso se ver constantemente perguntando o que esse outro tem de melhor. E foi com muita amargura que se arrependeu por cada vez que sentiu desprezo pelos sentimentos do mercenário e principalmente de cada vez que se julgou tão superior a ele. Lembrou-se de uma discussão que tiveram, uma vez que voltava a pé da agência com Sherry, de braços dados com ela e rindo, então encontraram Jake na esquina... O ruivo soltou fogo pelas ventas, segurou Sherry pelo cotovelo e foi rude com ela, cobrando o fato dela tê-lo deixado esperando por horas, ter esquecido o encontro, e que ele sabia muito bem “Por quê” ela esqueceu...

“ – Foi porque estava com ele!”– rosnou olhando para Leon.

E essa foi a segunda vez que Jake o empurrou com uma espalmada no peito quando tentou se aproximar – a primeira foi logo no primeiro encontro, em Lanshiang – E pela segunda vez, Leon preferiu não render mais conversa, nem aceitar a provocação daquele galinho de briga, simplesmente porque Sherry parecia enormemente apaixonada por Jake, e apesar de grosseiro, o sentimento parecia ser recíproco, os dois tinham passado por muita coisa e talvez fosse demais cobrar doçura e gentileza constante de uma rapaz que teve uma vida tão difícil. De qualquer maneira, sentia raiva de Jake, e o achava sim, inferior, burro, arrogante e até mesmo um garoto ruim por causa de momentos como esse. Hoje Leon percebeu não ser tão melhor que Jake como acreditava ser... Segurou Ada pelo cotovelo, beijou-a a força, foi extremamente rude com ela... e ela estava grávida. Sentiu os olhos arderem outra vez, mas não ia chorar. Leon nunca foi um homem de choro fácil, assim como também não foi de grito fácil, bem como nunca foi de demonstrar amor muito facilmente. Será que foi aí que o Jake ganhou a Ada? O rapaz era transparente como um cristal, tinha os sentimentos sempre a flor da pele e não sentia vergonha em expô-los, com certeza gritou e explodiu com Ada também, pode tê-la irritado inúmeras vezes, mas pelo menos nunca escondeu o que sentia e sempre mostrou que se importava... Ganhou Ada pela insistência, ela na esquiva e ele no ataque frontal, até o momento em que ela não teve mais para onde correr, no caso, um teste de gravidez positivo. Sim, pode ter sido exatamente isso.

Isso era injusto, o fato de não saber como mostrar seus sentimentos, não significa que Leon não os tivesse... Sempre teve muito a perder, muitas pessoas que dependiam dele, sempre pisando em ovos no trabalho... Era difícil simplesmente jogar tudo para o alto. Jake Muller era o oposto, jovem demais, completamente sozinho, era um mercenário e sua natureza era não se apegar a nenhuma causa e nunca escolher um lado, já quebrou todos os tabus e cruzou todas as linhas. Jake Muller não tinha absolutamente nada a perder e por isso, se atirou de cabeça. E ganhou.

Leon sentia falta dela, sentia a dor da perda – até por que no fundo, em suas fantasias mais secretas, sempre acreditou num final em que ambos estariam juntos – e mais, temia por ela. Afinal Ada carrega os genes “Wesker” com ela e o agente sabia muito bem nos riscos que isso implica, para Jake, para ela e para a criança inocente que estava para chegar. Era difícil engolir que a partir de hoje, ele oficialmente deveria aceitar que tudo o que viesse a acontecer com aquela mulher não era mais problema dele, que ele deveria simplesmente virar as costas... para sempre.

O radio chamou, era Hunnigan.

“ – Leon, algum sinal do Dr. Rachid?”

“ – Ainda não. Já terminei de verificar todo o prédio.”

“ – Então daremos inicio a segunda etapa da missão. Na penúltima saída ao leste você encontrará dois túneis, o da esquerda te levará até os trilhos de um pequeno trem para transporte de carga, esse será o seu acesso a segunda base, o prédio subterrâneo, assim que tiver lá dentro, entre em contato imediatamente. “

O agente olhou para trás uma última vez antes de deixar o prédio. Tentou imaginar em que parte Ada estaria agora, se ela estava mesmo melhor, se estava tudo bem com o nenê dela. Se perguntou como Jake podia concordar em deixar a mulher trabalhar naquelas condições. E por fim, talvez fosse mesmo um idiota, mas simplesmente era quase impossível de acreditar que aquilo, foi realmente o adeus.

ADA

No fim das contas, essa missão reservou para ela mais emoções do que o prometido. Não esperava encontrar Leon ali, mas uma vez que ele estava lá, talvez isso tornasse tudo ainda mais fácil. Gostaria de confessar a ele que não sentia por ele toda a raiva que demonstrou, mas infelizmente foi necessário. O tapa, a mordida e botá-lo par fora. Além do mais, escutar da boca dele que o bebê que ela carregava era de Jake, que ela o traiu e enxergar nos olhos dele que de fato ele acreditava no que dizia, era triste. Talvez não para a antiga Ada, mas para a Ada atual, completamente sensibilizada pelos hormônios da gravidez, não foi fácil.

Ada nunca se importou com o que pensavam dela. E também nunca se preocupou com que conclusões Leon tiraria e como ele lidaria com elas. Nunca soube ao certo o motivo. Se era por sua completa autossuficiência, ou se era porque no fim das contas, Leon sempre acreditava nela mesmo, não importa qual acusação, até mesmo quando ela era culpada. No entanto dessa vez, ela era inocente e ele não apenas não acreditou nela, como ele mesmo a acusou, julgou e condenou. Ela sabia muito bem quem era, sabia muito bem de seus crimes e de seu passado e nunca exigiu que Leon esquecesse ou a perdoasse, mas mesmo assim, por algum motivo, ele o fez. Mas agora... ser acusada quando se é inocente? Justo por ele? Depois de tudo o que ela fez por ele... se ele soubesse... O quanto era difícil.

Passou a mão na barriga enquanto Jake e Alexei forçavam a porta do elevador para o primeiro andar subterrâneo do segundo prédio. “Estamos sozinhos, filho. É só você eu. Perdoe-me por isso.”. Olhou com carinho para Jake, ele era jovem, era cheio de sentimentos conflituosos, por ter crescido achando que foi rejeitado pelo pai, pela pobreza extrema, por ter perdido a mãe a única pessoa que ele tinha no mundo, foi traído pelo homem que o acolheu e que achava ser um amigo, então veio a Sherry e o relacionamento conturbado com ela, a perda do bebê... era compreensível que o rapaz não conseguisse encarar tudo isso de frente. A antiga Ada Wong, não o compreenderia tanto, mas esta, a mais madura, simplesmente adorava aquele rapaz, em pouco tempo Jake já havia se tornado uma de suas poucas pessoas favoritas no mundo inteiro. Até que ponto foi certo ter se envolvido com ele o tanto que se envolveu? Era difícil saber, mas numa coisa o ruivo tinha razão: ela não tinha como negar que se apaixonou por ele, muito menos que ele a fez sim, uma mulher muito feliz. Os dois combinavam, com eles tudo fluía fácil, natural como respirar. Não haviam dúvidas que apesar de todos os pesares, ambos seriam felizes juntos e que Jake seria inclusive, um padrasto maravilhoso. Era muito a ser pensado, muito a ser decidido...

... Ada não conseguia sentir raiva de Leon, não por muito tempo, nem mesmo quando ele merecia. Uma vez, quando era muito jovem, assistiu um filme aonde no final, uma senhora dizia: “O coração de uma mulher é um oceano profundo de segredos”, na ocasião nada poderia lhe parecer mais cafona, para aquela antiga Ada, mimada, egoísta, egocêntrica e incapaz de receber um não. Depois de Leon, tal cafonice não poderia ser mais lógica, a mais pura verdade.

“ – Vem.” – Era Jake, chamando-a. Ele a pegou nos braços e a colocou dentro do elevador arrombado com uma entrada pelo teto. Segundo Alexei, o alvo já foi encontrado por ele e agora tudo o que restou, era colocar o plano final em prática. Ada respirou fundo.

Caminharam com certa pressa até a única suíte exclusiva do alojamento. Num movimento rápido já abriram a porta para pegar o homem literalmente desprevenido, com a porta do banheiro aberta e sentado no vaso. O homem não esperava por eles, e não tinha nem uma arma por perto, não tentou correr nem reagir. Jake e Alexei o puxaram ainda com as calças arriadas para o quarto e o jogaram no chão.

“ – Vista-se homem. Nos poupe desse cena deprimente.” – Disse Alexei.

“ – Acredito que saiba quem eu sou.” – Ada disse chegando mais perto. “ – Qin Mao Shi.”

Qin Mao estava assustado, e não era para menos. E ele sabia que uma vez encontrado, era o fim da linha. As regras da Tríade eram claras e duravam há mais de séculos, não haviam exceções, nem para Qin Mao Shi... nem para Ada Wong. “ – Eu sei o que vão fazer comigo. Vou morrer de qualquer jeito, então pense numa proposta melhor antes de querer arrancar qualquer informação de mim!”

Alexei puxou o homem pelos cabelos. “ – Existe coisa pior que a morte espertinho. Eu se fosse você, abaixava o topete e vomitava logo tudo de uma vez.”

Ada olhou o homem de cima a baixo, não tinha raiva dele, que parecia até bastante amador agora que foi pego e posto de frente com o seu destino final. Não era tanta surpresa, foi um plano ousado... ousado demais para dar certo, só um membro tão fraco e infiel teria aceito. “ – Não podemos fazer isso aqui. Não do jeito que ele merece. Quando ele começar a gritar, todo o andar vai ouvir.” – Disse Ada.

“ – Então encontramos um jeito de leva-lo em silencio. Eu tenho um plano. Jake!” – O ruivo tinha a pistola em mãos e vigiava a porta quando Alexei atirou o corpo trêmulo de Qin Mao nos braços. “ – Segura isso.”

O chinês pareceu ainda mais assustado agora que estava sob o poder de Jake, que conseguia parecer mais assustador que Alexei mesmo com a máscara de gás.

Alexei abriu um mapa em seu computador de mão e mostrou para Jake, o túnel mais a leste, com os trilhos para o transporte de carga. “ – Jake, parece estar inativado. Mas devemos nos certificar que o local está limpo primeiro.”

“ – Tudo bem, vocês dois vão e eu fico aqui tomando conta dele.” – Ada disse, grudando uma fita adesiva na boca e Qin Mao e puxando-o pelo cabelo, arrastando-o para a cadeira.

“ — E te deixar aqui sozinha? Pirou mulher?” – disse Jake.

“ – Outra opção é leva-la Junto conosco, para um trajeto potencialmente inseguro, que nós não sabemos nem as condições e muito possivelmente vigiado por sentinelas.” – Disse Alexei.

“ – Então vai sozinho e eu fico com ela.”

“ – Não!” – Ada suspirou. “ – Jake, o sujeito está amarrado e todos achando que ele ia dormir, eu estou armada e ninguém vai nos procurar aqui. Em compensação mandar Alexei sozinho pode arriscar todo o plano, até porque depois que vocês traçarem todo o trajeto seguro de ida, um de vocês precisa ficar lá vigiando enquanto o outro volta para me buscar. Não vai adiantar nada limpar a ida e não manter a barra limpa depois.”

“ – Você me disse que ficaria bem da ultima vez que eu de deixei, e no entanto você sabe muito bem o que aconteceu.” – Jake rosnou.

Era verdade, aquilo não estava nos planos. “ – Eu só acho que nada é mais arriscado do que demorarmos mais tempo aqui do que o necessário. E já perdemos tempo demais. Você tem uma ideia melhor, Jakob?” – Talvez a única saída fosse ela amolecer o bruto um pouco. Ada se aproximou de Jake dando-o um beijo no pescoço e depois outro no rosto, penteando o cabelo revolto dele suavemente com a ponta dos dedos. “ – Eu só quero voltar pra casa. Hn? Eu estou tão cansada. Eu só quero voltar pro nosso cantinho, nosso lago, nosso bosque e descansar por lá. Mas pra isso, a gente tem que terminar o serviço e sair daqui.” – e então beijou-o finalmente na boca. “ – O pequeno Albert precisa finalmente de um lugar calmo para nascer.”

Foi engraçado ver o rosto de Jake se contorcer num misto estranho de susto, surpresa e indignação.

“ – Albert?!?! Você só pode estar de sacanagem! Não... você não pode estar falando sério.”

Ada riu. É no fim, foi mesmo engraçado. “ – Se essa foi a sua reação, espere até ver a do meu pai. Eu sei, também achei algo de extremo mal gosto mas com uma pitada de humor por cima, algo deliciosamente mórbido. Até por que, você tem problemas com o seu pai mesmo depois de morto, não eu. Será interessante ter um Albert na minha vida outra vez, devo confessar. É portanto, o melhor nome que eu poderia dar a ele.”

“ – Tudo bem. Eu estou indo então.” – Disse Jake fingindo resignação, mas Ada sabia que era falso, ele estava fingindo só porque pensava que se ele continuasse a protestar, aí sim que ela não mudaria de ideia. O rapaz deu três passos para frente e depois voltou. “ – Isso é uma putaria com o pivete!”

“ – Eu sei, e é bom ele ir se acostumando. E é uma putaria com você também... já posso imaginar, Albert tirando suas noites de sono, te mordendo, cagando e vomitando em você. Depois o Albert adolescente, te desafiando, gritando com você e dizendo coisas como ‘você nem é meu pai’ ‘não fode’ ‘eu te odeio’ e etc. Eu simplesmente não posso perder essa oportunidade.”

“ – Hey, vocês dois... por favor, deem um tiro no meu ouvido.” – Disse Alexei já na metade do corredor, apenas esperando por Jake.

“ – Eu acho melhor você ir.” – Ajeitou a gola do casaco de Jake uma ultima vez. O beijou uma ultima vez.

“ – Isso não vai ficar assim. Essa conversa ainda não terminou.” – ele respondeu, beijando-a rapidamente e saindo.

“ – Quem me dera...” – Ada suspirou tristemente antes de fechar a porta. Então guardou sua TMP na cintura, enquanto lançava o seu olhar mais gélido para o homem amarrado que tinha diante de sí.

JAKE

Albert!

Era obvio que Ada estava brincando. Ou não? Jake concluiu então, que talvez seu pai não tenha sido sempre o monstro que todos pintam, bem, não com todos. Ou pelo menos não 24 horas por dia. Ada não sentia raiva dele e sempre falou do Wesker com muito respeito até com uma ponta de gratidão. O filho da puta também deve ter mostrado alguma qualidade para ter conquistado a sua mãe, principalmente para ela tê-lo protegido tanto.

E já era a segunda vez em menos de três horas que Ada fazia planos de um futuro ao lado dele, isso enchia Jake de segurança e felicidade. Poderia haver presente melhor? Talvez, depois de tantos anos remoendo tanta raiva, ele estivesse finalmente pronto para amar um Albert afinal. E o mais importante, aquilo que ele sempre quis desde pequeno, mas nunca confessou, Ada estava dando a chance dele finalmente ser amado por um Albert também.

“ – Jake, temos três logo a frente, dois a esquerda e um a direita.” – Alexei o alertou assim que chegaram a entrada do túnel.

“ – Eu fico com os da esquerda.” – Respondeu.

Fizeram um ataque rápido, Alexei torceu o pescoço de um, e Jake esmagou a cabeça de dois. Não muito distante, havia um vagão de carga abandonado, onde os dois esconderam os corpos. Dez metros adentro do túnel, apareceu a primeira barreira, uma porta elevadiça de chumbo fechada por uma trava eletrônica.

Alexei puxou o teclado portátil e o computador de mão com o resto da parafernalha para hackear a senha de segurança. Não demorou mais do que dois minutos. Mais dez metros a diante, uma outra barreira, que fizeram o mesmo, porém nessa quando a porta se abriu, haviam oito sentinelas armados. Eliminá-los não foi difícil, mas foi sim, arriscado. Afinal eram oito homens armados e com o elemento surpresa – então o túnel não estava tão abandonado assim.

Fizeram o possível para esconder os oito corpos, dentro de caixotes ou cobrindo-os com terra, pedras e lona velha. Quando terminavam de esconder o último corpo, o barulho agora familiar de outro porta elevadiça se abrindo ecoou pelas paredes úmidas do túnel. Jake e Alexei se entreolharam em alerta e imediatamente correram até ela com suas armas em mãos, a medida que a porta seguinte ia se abrindo, ambos tinham a arma apontada para a figura que aparecia aos poucos, prontos para atirar, quando Jake viu quem era, Alexei o fez abaixar a pistola prontamente.

“ – Agente Kennedy, o que faz aqui?” – Ele perguntou com sua voz modificada, escondido em sua máscara.

“ – Eu te conheço?” – O loiro perguntou.

“ – Eu mandei você ir embora.” – Disse Jake. Fez uma promessa a Ada, disse que ficaria longe do Kennedy e ficou. Mas ela não disse nada sobre o que fazer quando Kennedy viesse até ele.

“ – Escuta, Muller. Eu não quero mais confusão. Se você quiser terminar a nossa briga outro dia, eu estou a sua disposição, mas agora eu tenho um trabalho a fazer e até onde sei, você também.” – O louro olhou em volta... “ – Falando nisso, cadê ela?”

Jake sabia muito bem por quem Leon estava perguntando.

“ – Não é da sua conta.”

“ – Olha...” – Leon interrompeu o que estava para dizer e olhou para o alto juntamente com Jake no momento em que terra e pedras começaram a cair do teto. “ – O que é isso?”

Então o alarme começou a tocar e junto com ele o radio do agente norte americano também.

“ – Hunnigan?”

“ – Leon, volte, imediatamente! Uma avalanche soterrou o local e o túnel está prestes a desmoronar.”

Uma avalanche... soterrou...

“ – Ada!” – Jake gritou enquanto corria para o lado oposto da saída, tentando fazer o caminho de volta. Os dois homens que ficaram para trás gritavam algo que Jake não parou para ouvir, a quantidade de terra que caía do teto ficava cada vez maior, ao mesmo tempo que o chão começou a ficar completamente elamaçado. Oh não, água não!

A porta elevadiça que outrora estava aberta, agora estava fechada novamente, o tremor de terra ficava pior, água brotava do chão. Jake entrou em desespero imaginando que com certeza os andares mais profundos do prédio subterrâneo que estavam completamente alagados... a água não demoraria para chegar até onde Ada estava. Ela deve ter percebido... ela percebeu e saiu. A trava eletrônica ficava por dentro, não tinha como abrir por fora. Jake cravou as mãos na parte inferior da porta elevadiça e começou a fazer força para erguê-la. As mãos, os braços, os ombros e até as pernas de Jake doíam de tanta força que ele fazia, ele não se lembrava de alguma vez na vida ter de esforçado tanto, não sabia nem dizer quanto pesava aquela porta maciça e chumbada, só sabia que tinha que abri-la. A medida que a porta ia subindo aos poucos, mais terra ia caindo do teto, mais água brotava do chão, uma pequena passagem se abriu, mas Jake não podia soltar a porta para passar.

“ – Jake, onde ela está?” – Leon chegou, sujo de terra e ensopado. Jake não conseguiu ao menos perceber que era tanta terra assim caindo.

“ – Eu não posso.... soltar.” – Jake sentia que iria sucumbir a fraqueza a qualquer segundo. “ – Ala oeste, nesse mesmo andar, alojamento 03, é a única suíte privativa, ela esta lá com um refém.” O ruivo chorou quando Leon se abaixou e cruzou a porta antes mesmo que ele pedisse, mas não soltou a porta pois escutou Alexei se aproximar.

“ – Muller, cadê o Kennedy?”

“ – Anda logo... Alexei, vá ajudar... por favor.”

O Agente mascarado pareceu confuso, como se não pudesse decidir para que lado correr. “ – Solta essa porta Jake, vamos embora daqui, a gente acha um caminho alternativo para entrar lá... isso aqui vai desabar!”

“ – VAI LOGO!”

Alexei finalmente obedeceu. Quando certificou-se que o Agente finalmente cruzou o porta, Jake não a soltou por que quis, mas sim porque um grande volume de terra e pedra caiu em cima de si.

LEON

Correu o mais rápido que pôde, sem se importar com o perigo eminente. Leon tinha água e lama até os tornozelos e isso era um mal sinal, sentiu um aperto no peito quando escutou um desmoronamento e o barulho da porta de chumbo caindo violentamente lá onde Jake estava. Mas não devia pensar nisso, devia manter o foco em resgatar Ada e o bebê.

Por sorte, a porta seguinte estava aberta, Leon podia escutar o alvoroço e a gritaria dos sentinelas e funcionários sobreviventes naquele andar, junto com a gritaria do alarme e as luzes vermelhas piscando. Só precisava passar desapercebido por eles e chagar até Ada... foi quanto um forte golpe na nuca o fez perder os sentidos...

Continua...

Pessoas, UM MILHÃO de desculpas por esse não ser o último capítulo, mas já são oito paginas, o passado foram 12... eu tentei “economizar” fazer pequeno, passar batido por onde podia e onde não podia que era pra ter certeza que caberia tudo.... mas.... está muito grande. Não dá, tive que tesourar! MAS, porém, contudo, todavia e entretanto... o próximo será SIM o último. E após ele, teremos um epílogo. FINALMENTE!