Going After Her
19 Capítulo 19
Notas iniciais
LEON
Não foi difícil conseguir uma viagem para o Cazaquistão sem levantar nenhuma suspeita. Sempre foi um agente extremamente participativo e principalmente, que esteve envolvido no caso há meses atrás. Todos sabiam que se afastou do caso tão somente por causa da mulher que agora é sua esposa. O único empecilho era ter que deixa-la sozinha nos Estados Unidos, Sherry e Helena estariam lá, Hunnigan também, mas Leon simplesmente não sentia seguro de deixar o país e deixa-la para trás agora. Sendo assim, trouxe-a consigo.
O hotel em que se hospedaram era luxuoso e confortável, Manuela ficaria bem ali enquanto ele estivesse ausente, afinal, quando se propôs a ir para aquele país, não poderia somente cuidar de seus assuntos pessoais. Leon estava de volta à investigação. Abriu o notebook para receber os dossiês, os depoimentos e os relatórios dos demais agentes que cuidaram do caso durante os meses em que ele esteve ausente.
Não demorou muito até que Manuela chegasse com uma xícara de café quente e sentasse ao seu lado. Leon sorveu o liquido fumegante e amargo sem tirar os olhos da tela, mas sua mente estava longe. Estava no encontro que teria com Ada muito me breve, estava no alívio que sentia por não ter transado com Manuela aquela noite, estava na possibilidade de ser pai de alguém. Filhos... desde de Raccoon City nunca pensou no assunto, sempre viveu um dia de cada vez, também nunca fez planos com Ada Wong... somente amou essa mulher um dia de cada vez. Dormia, e quando acordava, ainda estava vivo, o mundo ainda girava, o trabalho ainda esperava por ele e ainda continuava amando a espiã, por mais que tentasse evitar ou negar... pronto para mais um dia. Essa foi sua vida durante todos esses anos.
Pai?
Desde quando era sensato por mais alguém num mundo como esse? Civis lá fora não sabem, ou não suspeitam, sobre o quanto o mundo em que vivem é frágil. Mas Leon sabe... e Ada também. Mesmo assim um bebê está a caminho. O fato dela ter engravidado, depois de ter dado prosseguimento a gestação, por si só, já o chocava mais do que qualquer outra revelação. Ada não era mulher de ser pega de surpresa... era?
Antes não queria pensar, queria ignorar... porque isso só lhe provocava dor, mas agora que trabalhava com a real possibilidade de ser o pai daquele bebê, esse fato se tornou escancarado em seu corpo e mente. Ada vai ter um filho... Ada vai ter um filho... Ada vai ter um filho...
“ – Está nervoso?”
Manuela chamou-lhe a atenção, com sua voz calma e suave. Percebeu que apertava a xícara com muita força.
“ – Talvez... um pouco. Bem... eu acho que estou apavorado.” – Como será que Ada se sentiu quando soube?
Antes de ir dormir, Manoela lhe deu um beijo de boa noite, na bochecha, como deveria ser. Leon tinha trabalho amanhã, mas hoje dormiria no sofá.
ADA
Muito embora Alexei tenha conseguido resgatar muita informação na residência de Shi Chao, detalhes importantes foram perdidos durante o ataque em que o velho acabou assassinado. Pelo menos, não estavam começando tudo do zero. Ada soltou um longo suspiro enquanto empunhava sua TMP e com Jake sempre ao seu lado.
Tiveram aquela conversa sobre compromisso... sobre futuro... sobre o bebê, conversa que Ada se prontificou em interromper. Agora, ela tinha um Jake visivelmente inseguro ao seu lado, era difícil desgrudar dele durante todo o dia. E as noites, embora calorosas para ambas as partes e extremamente intensas, chegavam a incomodar um pouco a espiã, Jake queria assumir o controle o tempo todo, ficando quase sempre frustrado quando ela virava ao jogo e se tornava a ativa do momento. Estava difícil segurar o homem, que agora além de um apetite sexual maior do que antes, resolveu bancar o machão.
Segundo um levantamento feito por Shi Chao, Syaoran madou executar dois membros da própria Tríade por traição. Teoricamente, estavam fazendo negócios não autorizados com terroristas da Al Zayn. O sumiço do dinheiro e um caixa dois não declarado a Tríade foi provado... mas o envolvimento da Al-Zayn, não. E era isso que Ada veio descobrir. Era um bairro isolado de Oskemen, as figuras típicas dessa parte da cidade eram facilmente reconhecíveis, dos viciados, às prostitutas, dos traficantes de drogas aos ladrões de carro. Chegaram ao enorme galpão, onde sabiam que acontecia um pouco de tudo, desde o desmanche de carros de luxo, até o preparo de heroína e cocaína para a venda – e claro não poderia esquecer, das prostitutas que frequentavam o local a espera de sobras.
Parados em frente a porta do escritório, Ada fez o sinal para que Jake entrasse na frente. O sussurros lá dentro eram audíveis, embora pouco. Isso era bom, os pegariam de surpresa. Chegaram até ali sorrateiramente, não precisavam abrir fogo e matar vinte, trinta ou quarenta homens para pegar uma única informação com apenas um deles. Com um chute estrondoso, Jake arrobou a porta de ferro, lá dentro o homem gordo, suado e sujo tinha as calças areadas até os joelhos enquanto se movia dentro de uma mulher extremamente magra, visivelmente drogada, empurrando-a contra a escrivaninha. O gordo olhou para a pistola que tinha no canto da mesa, mas nem teve tempo de pensar em pegá-la.
O rapaz edonês se moveu com tanta rapidez da porta até o gordo que todos ali, inclusive Ada tiveram a impressão de só ter visto a sombra do longo casaco preto de mover feito um borrão.
“ – Quieto porquinho... quietinho.” – Sussurrou Jake, em russo, enquanto segurava o gordo pelo pescoço e o prendia contra a parede.
Ada não teve trabalho com a mulher, ela estava tão drogada, provavelmente nem estava consciente. A espiã a amarrou numa cadeira assim mesmo, os braços tão brancos e magros picados por causa da heroína, um olhar tão vazio quanto o de um zumbi. Voltou sua atenção para o resto.
Jake já havia amarrado o gordo em uma cadeira também. As calças do homem já pendiam nos pés, o pauzinho minúsculo já estava flácido e escondido atrás da enorme barriga que caía por cima. Os olhinhos de gordo, pequenos e escondidos atrás das bochechas rosadas se moviam com medo, mas ele não dizia uma única palavra, não era louco para isso. Imediatamente Ada buscou pelo livro caixa enquanto escutava Jake torturar o gordo com palavras em russo, algo sobre cortar o pauzinho dele fora se abrisse o bico ou sobre usar a barriga dele pra fazer toicinho.
Haviam anotações sobre o recebimento de uma grande quantia em dinheiro ali, dinheiro demais para se tratar apenas de drogas e desmanche de carros roubados, nomes de policiais envolvidos, e claro, os nomes dos dois chineses mortos a mando de Syaoran. Ada ligou o computador, o gordo idiota nem se deu ao trabalho de por uma senha, e assim como ele previa... aquele galpão era uma fachada, havia uma grande soma de recursos doados e recebidos a pelo menos cinco membros conhecidos da Al-Zayn.
“ – Jake, me empresta a sua faca?”. O ex-mercenário prontamente o fez. Era uma faca de respeito, grande e muito afiada, porém imprópria para ser carregada por um corpo feminino sem chamar a atenção. Combinava com Jake. Aproximou-se do gordo lentamente, brincando com a faca. “ – Senhor Dimitri Valuikov... alguma vez na sua vida, já viu uma grávida irritada?”
O gordo continuava calado, talvez paralisado de medo.
“ – A dona te fez uma pergunta!” – Disse Jake entre os dentes dando um tapa de mão aberta em cheio no ouvido do gordo.”
“ – Escuta... eu não sei de nada... eu só cuido do dinheiro. Eu juro.”
“ – Oh... sua esposa sabe das prostitutas, Senhor Valuikov?” – Ada percebeu a aliança de casamento. “ – Ou talvez ela saiba, mas não fale nada, por medo, porque sabe que você não cuida só do dinheiro porra nenhuma! Você é um bandido, aliciador, cafetão, traficante de uma figa. Olha bem pra mim!” — Puxou o gordo pelos cabelos e empurrou a faca contra a garganta embaixo do papo gordo. – “ – Você tem medo do que a Al-Zayn vai fazer com você? Eu não teria no seu lugar, depois de saber que se meteu com a Tríade!”
“ – T...Tríade?”
Ada sabia que ele estava de olho em seus traços chineses.
“ – Não se faça de idiota! Os homens com quem você tratou, acha que vieram de onde? Hao Ming e Fan Haidong, de onde você os conhece?”
“ – Qin! O nome dele era Qin Mao Shi. Eu juro por Deus. Ele prometeu tirar a policia da nossa cola, arrumou contatos pra gente revender a cocaína dele, também ofereceu uma grande soma em dinheiro. Em troca ele só pediu que a gente recebesse o dinheiro, a carga e entregasse aos Afegãos, si isso.!”
“ – Carga? De quê?”
“ – Eu não sei. Eu só recebia e entregava. Eu não olhei! Eu não olhei!”
Tirou a faca do pescoço do gordo. “ – Sabe, senhor Valuikov? Infelizmente, você parece estar falando a verdade.”
“ – Infelizmente?”
“ – Sim. E devo te dizer... o senhor entregou os pontos fácil demais, nem nos deu trabalho. Isso significa, que quando eu e meu companheiro formos embora, também nos entregará com a mesma facilidade.”
“ – Não! Não eu não v...” – O gordo parou de falar após Ada fazer um movimento rápido com o braço.
Rápida e letal. Mesmo depois de alguns bons meses sem matar alguém. A faca de Jake era boa. Cortou a garganta do gordo como se fosse manteiga, o sangue dele escorria abundantemente pelo peito e pela sua enorme barriga.
“ – Acabamos por aqui, Jake.” – ela virou o cabo da faca para o ruivo devolvendo-a, deu uma ultima olhada na prostituta que ainda agia como se nem estivesse ali. Não preciso mata-la. E caminhou rumo a saída.
LEON
Finamente chegou o grande dia. Sabia que era constrangedor, depois de todos aqueles beijos e de quase terem ido longe demais, e agora estar tão nervoso por ver Ada outra vez, na frente de Manuela. Mas estava. Não podia evitar. Leon se flagrava pensando em como ela estaria, de barrigão ao mesmo tempo se amaldiçoava por isso, por ainda alimentar esperanças de um final feliz, quando do outro lado da corda, se tem aquela mulher de vermelho.
Por fim, sabia que não adiantava pensar. Era agora ou nunca. Conversaria com ela, a olharia nos olhos e botaria tudo preto no branco. Trocou de camisa pela terceira vez, botou a jaqueta por cima e saiu do quarto. Na antessala, estava Manuela e parecia aflita.
Ela caminhou até ele e o abraçou. “ – Boa sorte.”
“ – Obrigado.”
“ – Leon... dessa vez, não saia de lá até arrancar a ultima palavra, escutar até a ultima sílaba.”
Leon deixou os ombros caírem. Manuela tinha razão, mas ele estava com medo... medo do que seria obrigado a escutar.
O encontro estava marcado para as duas, mas Leon preferiu chegar bem antes. Estava tão nervoso que nem conseguiu almoçar. O lugar era enorme e Ada não disse em que parte específica ele deveria esperar, bem, isso não era problema. A espiã sempre o encontraria e ele sabia disso.
Sentou-se em um banco que estava vazio, numa parte mais isolada do parque. Esperou ali por um longo tempo, ele sentia ser longo, mas nem olhou para o relógio para conferir se foi mesmo tanto tempo assim. Quando sentiu que alguém passou por trás e sentou ao seu lado, ficou surpreso de ver que era Jake Muller.
“ – Leon Kennedy. Então você veio.” – Muller parou de raspar a cabeça, agora tinha uma vasta cabeleira vermelha e rebelde. Uma voz grave e calma e a expressão era indefinida, a boca era um traço reto de lábios finos e os olhos escondidos atrás dos óculos escuros. Exceto pelo cabelo ruivo, tudo isso e as roupas pretas fizeram Leon lembrar de alguém que só conheceu por foto. Wesker!
Não esperava vê-lo ali. “ – Aonde ela está?”
“ – Já vem. Ela não passou bem depois do almoço, precisou descansar. Eu vim na frente, pra que você não pensasse que nós furamos.”
Isso demonstrava que Ada e Jake estavam juntos, afinal, ainda tinham contato e ele estava envolvido em questões pessoais. “ – Nós? Eu não lembro que ter marcado alguma coisa com você.” Leon sabia que soou mais irritado do que deveria demonstrar.
Jake deu um sorriso que Leon sabia ser de puro deboche. O ruivo sentou ali, altivo e sério, senhor de toda a situação e sorria como se Leon fosse uma criança, ignorou a provocação de Leon. Apenas riu. O garoto estouradinho que ele conheceu em Lanshiang, o insuportável que dava ataques de ciúme com Sherry, o grandão que apesar de grande, tremia de raiva e se sentia extremamente inseguro quando Leon chegava perto... agora estava ali sentado, e rindo, enquanto chamava a ele mesmo e Ada de “nós” com tanto ar de superioridade. Nesse minuto, quem queria estourar, falar merda e dar demonstrações de toda a sua insegurança, era Leon.
O agente se conteve. Sempre foi contido e continuaria sendo. Lembrou das palavras de Manuela... ficaria e escutaria tudo até o final. Então Jake ficou de pé.
“ – Vamos andando Kennedy. Vamos encurtar um pouco o caminho pra barrigudinha.” – ele disse e andou na frente.
Leon o seguiu, ainda processando o fato de Jake chamar a espiã de “barrigudinha” com tanta intimidade. Caminhavam numa direção oposta, ainda mais deserta.
“ – Ada demora muito?”
“ – Ela vai demorar o tempo que precisar. O importante é o bem estar dela e do menino, não você.” – Disse Jake sem perder a calma, nem aumentar o tom de voz. Apenas seco e com desprezo. Leon quis soca-lo ali mesmo. Jake podia ser grande, mas não era dois.
Tudo bem, se Jake queria jogar esse jogo, que assim seja. “ – O que houve com ela?” – Perguntou de forma natural, apostando que a máscara de civilizado de Jake Muller não demoraria a cair.
“ – Azia. Esse menino parece determinado a deixa-la sem comer. No inicio foram os enjoos. Agora a azia. Eu acho que é porque ele fica chutando o estômago dela, bem aqui... sabe?” – Botou a mão na região epigástrica – “ – Revira tudo lá dentro.”
De novo, Jake falava de mãe e filho com muita intimidade, dando inclusive a entender que conhecia o corpo da Ada e onde o bebê a chutava. Que esteve com ela esse tempo todo.
“ – Escuta, então eu já sei que vocês estão aqui e Ada só precisa melhorar. Você não precisa ficar. Eu prefiro esperar sozinho.”
Jake não pareceu surpreso. Apenas tirou os óculos escuros lentamente e os guardou na parte de dentro do paletó. Então encarou Leon, no fundo dos olhos. O agente sabia agora, não estava mais diante de um garoto.
“ – Kennedy. Eu sei boa parte da estória de vocês, eu sei de Bruxelas... e eu lamento muito que as coisas tenham ficado confusas a esse ponto. Sabe, apesar de tudo, eu te admiro e respeito muito, principalmente por tudo o que você fez pela Sherry. Mas eu não sinto nenhum pesar em te dizer que eu e a Ada estamos juntos. E quando eu digo juntos, é juntos mesmo. Ada Wong é a minha mulher, nós vamos ter um filho. Ela não quer vir sozinha.”
“ – Você sabe tão bem quanto eu que ela não pode ter certeza de quem é...”
“ – Não. Não diga isso.” – Jake o interrompeu. “ – Eu sei quem é o pai. Nós fizemos um teste de DNA.”
“ – Como assim?”
“ – Bem, eu e ela não tínhamos um... relacionamento... Até ela descobrir do bebê, nós só tivemos duas noites juntos. Ela foi bem honesta comigo, me chamou, disse do bebê e disse que não tinha certeza se o pai era eu ou você. Ela queria fazer o mesmo contigo. Eu disse pra ela fazer o teste antes de te contar da gravidez mas ela insistiu em te contar de uma vez... então ela marcou com você e o resto você já sabe...”
Claro que ele sabia... Helena e aquele maldito beijo. Mas Leon não entendia, porquê Ada fugiu daquela maneira então. Por quê aquela cena a ofendeu? Se ela dormiu com Jake, ele podia beijar Helena!
“ – Bom, eu não sei o que passou na cabeça dela depois pra mudar de ideia. Ela só disse que eu tinha razão, talvez fosse errado bagunçar a sua vida, te atrapalhar com a moça e um novo relacionamento, por causa de um bebê que poderia nem ser seu. Então, quando o teste ficou pronto e a minha paternidade confirmada, não havia mais motivos para te falar nada.”
“ – Eu gostaria de ouvir isso da boca dela. Ela devia ter me procurado para dizer que nós não temos mais nada o que falar um pro outro.”
“ – Oh, sem dúvidas vocês tinham muito o que conversar. Talvez ela devesse ter te procurado para dar os parabéns pelo casamento.” – Jake foi irônico.
Certo, um filho com Jake Muller e o casamento com Manuela... Talvez ela tivesse razão, palavras não eram necessárias para por um ponto final.
Leon não sabia o que falar. Era inacreditável que tudo tenha acabado assim. Se tivesse conversado com Ada no dia em que ela chamou, por mais que seu orgulho fosse ferido, talvez tivesse tido a oportunidade de salvar dezessete anos de estória, mesmo com ela carregando o filho de outro homem no ventre. Mas não, houve o desencontro... e Jake, aquele moleque, foi o esperto que aproveitou a oportunidade quando teve.
Ada e Jake estavam juntos... ela seria mãe... nunca mais a tocaria outra vez, nunca mais teriam seus encontros furtivos, faíscas não sairiam em cada vez que se esbarravam por acaso. Um dia chegou a acreditar que de alguma maneira, suas vidas se uniram de tal forma que em algum ponto desse encontro, se tornaram uma só. Ele estava enganado. Acabou.
Seria demais, já que chegou até aqui, pelo menos esperar para falar com ela?
Jake Muller atendeu o radio, a voz feminina era bem conhecida de Leon.
“ Jakob, está com Leon aí?” – Yakob? Desde quando...
O ruivo sorriu: “ – Sim senhora.”
“ Eu estive pensando... tem como você conversar sozinho com ele? Se não puder, marcamos outro dia. Meu estomago esta me matando e os meus pés também...”
“ — Ainda não melhorou, Amor?” – Amor?
“ Se você puder voltar rápido...” – a voz estava carente... e carinhosa. “ Eu to sozinha aqui e... traz picolé, aquele de cereja.”
“ – Tá certo, me dê um minuto. Eu já estou indo.” – ele respondeu de forma apressada, sem olhar para Leon, mas o loiro escutava tudo.
“ Não demora. Te amo.”
“ – Também te amo.” – E desligou. “ – Coisa de grávida. Ada acha que picolé de cereja alivia o estômago.”
Era a voz dela... ele conhecia bem...
“ – Então Kennedy, prefere marcar outro dia, ainda tem alguma dúvida?”
Dúvida? Todas! Queria saber por que ela escolheu Jake e não ele. Queria perguntar o quão insignificante foi o que viveram durante dezessete anos pra ela jogar tudo assim no lixo. Mas Leon Kennedy... o mesmo que demorou dezessete anos para criar coragem de lutar por ela, não era do tipo de cobrava e se revoltava. Era a hora de aceitar a realidade... e deixar os dois – na verdade os três – em paz.
JAKE
Voltou para o hotel onde estava hospedado a passos largos. Quem poderia julga-lo pelo que fez? Ele esteve ao ledo de Ada quando ela mais precisou, ele cuidou dela e do bebê com a própria vida, ele fez por ela o que aquele almofadinha não fez em dezessete anos. Um homem vigia o que é seu, cuida daquilo que tem... Leon não cuidou, então perdeu, simples assim. Quem ele pensa que é agora, para meses mais tarde aparecer bancando o galante, o responsável, o pai presente e o bom moço? Agora, depois que o pior já passou. Me poupe Kennedy! Devia ter pensado nisso antes. Antes de deixa-la sozinha. Agora ela é minha. Minha!
Na porta de sua suíte, Alexei o aguardava.
“ – Como ela está?”
“ – Dormindo como um anjo. Nem acordou para perguntar onde você foi.”
“ – Obrigado, Alexei. Por tudo.” – O Agente. Foi ele quem contou detalhes sobre Ada ter procurado o americano para contar do filho, mas mudou de ideia quando o encontrou beijando uma amiga. – Leon sabia que ela estava a caminho, e mesmo assim beijou outra na frente dela. Maldito! – Foi Alexei quem telefonou adulterando a voz para que Leon pensasse que fosse Ada, também foi ele quem o ajudou a construir toda aquela mentira para Leon.
O Agente apertou forte a mão de Jake e deu-lhe um tapinha nas costas. Antes de ir embora, disse: “ – Jake. Finja que esse dia nunca aconteceu. Não se arrependa. Você fez a coisa certa.”
Já sentia raiva de Leon, depois de tudo o que Alexei contou, seu ódio só aumentou. Coisas que ele nunca saberia, que Ada nunca contaria. Jake nunca poderia adivinhar que Alexei desaprovava tanto o caso que Ada tinha com o agente norte americano. Leon sempre foi um falso, um sonso. Nunca lutou por ela, nunca fez por merecê-la. Uma vez ou outra tomou partido dela, mas era no calor do momento. Quando a poeira abaixava, ele voltava ser o “Leon bom demais” para se envolver com uma “bandida”. Pois que seja então. Que vá embora e já vai tarde!
Entrou no quarto em silêncio, buscando não acordar a mulher que dormia na cama logo a diante. Andava na ponta dos pés, ainda tentando controlar a descarga descomunal de adrenalina que circulava em seu sangue, graças ao que tinha feito. Parou para observar Ada... Ela dormia um sono tranquilo, sem nem imaginar o que ele tinha feito.
Não vou pensar nisso. Eu fiz o melhor pra ela. Ela e o pivete vão ser muito mais felizes comigo.
A mulher diante dele dormia nua enroscada em cobertas macias, deitada de lado com uma mão sobre a barriga. Tudo o que Jake queria era cobri-la de beijos. Tirou as próprias roupas com cuidado e os sapatos também, depois se enfiou nos cobertores da espiã, ela não abriu os olhos e nem se moveu, mas Jake sabia que ela acordou quando ele entrou, apenas tentava voltar dormir... e ele não deixaria. Encaixou o corpo ao dela, beijando-a na nuca, sentindo o perfume único... Minha.
Levou o indicador e o dedo médio à boca, molhando-os com a própria saliva em seguida tocou Ada lá em baixo entre as pernas, sem aviso, sem pedir licença, desistiu da nuca e tomou um seio na boca enquanto a massageava vigorosamente.
“ – Jake!” – A principio ela pareceu irritada, mas molhada do jeito que ficou, não podia negar que estava gostando. Ela gemeu quando Jake enfiou o primeiro dedo. Minha.
Beijou-a com selvageria. “ – Quer que eu pare?” – Perguntou antes de sugar um mamilo com tanta força que a fez gritar.
“ – Agora que me acordou, termina!” – Minha.
Adicionou mais um dedo e Ada mexeu as ancas pedindo mais. O pau de Jake já estava quase dolorido de desejo, implorando por alívio. Foi quando tirou os dedos e finalmente entrou nela. Minha!
LEON
Chorava por dentro, como já vinha chorando ao longo te todos esses meses, mas como sempre, por algum motivo, as lágrimas nunca saltavam para fora. Ninguém no mundo conseguiria adivinhar o tamanho de sua infelicidade de frustração, o sentimento de derrota que ele tentava esconder de todos, principalmente de si mesmo em cada garrafa de uísque que esvaziava.
No caminho de volta para o hotel, fez questão de comprar três garrafas do único remédio que disfarçava o enorme sentimento de vazio que lhe consumia por dentro. Ao entrar em sua suíte, nem teve coragem de encarar Manuela nos olhos. Aquela mocinha de 16 anos que ele salvou na America do Sul não fazia ideia da merda de homem que ela escolheu para herói. Ele podia ser bom com armas e uma missão, mas era um fracasso em todo o resto.
Leon apenas rezou para qualquer Deus que a esposa não fizesse perguntas, então lembrou que tais entidades não existem, pois elas nunca atendem suas preces.
“ – Que cara é essa? O que aconteceu?”
“ – Aconteceu o que estava na cara, o que era obvio, mas mesmo assim eu não quis acreditar.” – Abriu uma garrafa, assim como os primeiros botões de sua camisa, sentou-se no sofá e quando se preparava para dar o primeiro gole, o celular tocou. Era Helena. Leon o atirou longe com tanta força, que ele parou de tocar, provavelmente quebrou. “ – Aceita?” – Ofereceu um gole a Manuela, antes de finalmente tomar o primeiro.
“ – Você devia falar com ela. Deve estar aflita esperando noticias.”
“ – Se ela abrir a boca mais uma vez sobre Ada Wong, eu juro, quem vai perder os dentes é ela!”
Nunca levantaria a mão contra Helena... mas gostaria tanto que ela simplesmente calasse a boca! Leon dava o segundo gole quando Manuela segurou sua mão, delicadamente, tirou-lhe a garrafa.
“ – Não faz isso.”
“ – Você não é a minha mãe!” – Tentou pegar a garrafa outra vez, mas Manuela não deixou, colocando-a longe.
“ – Tem razão. Não sou... nem quero ser.”
Leon arregalou os olhos quando ela o beijou. Não retribuiu, nem ao menos se moveu. “ – O que está fazendo?”
“ – O que você acha?” – Beijou-o mais uma vez, sentando em seu colo.
Tentou afasta-la, delicadamente. “ – Eu já disse que não pode ser assim, Manuela. Eu não vou me aproveitar de você pra esquecer os meus problemas.”
“ – Não seja estúpido!” – Pela primeira vez na vida, Leon escutou Manuela falar em um tom firme. “ – Eu sou uma mulher de 29 anos, virgem, que viveu trancada esses anos todos. Você acha mesmo que eu espero um conto de fadas? Eu não quero, eu só quero uma vida! Para de me olhar como aquela menina moribunda que você conheceu.”
“ – O que deu em você?”
Leon sentiu as mãos de Manuela passeando, ainda sem jeito pelo seu peito. Ela forçou-o a encara-la. “ – Eu estou me aproveitando de você, Leon. E se você está de coração partido... vai me dar o que eu quero.” Sem saber como nem por que, já retribuía o beijo quando ela o beijou outra vez.
“ – O que você quer?”
“ – Você. Agora.”
E que toda aquela dúvida sobre isso ser certo ou não, simplesmente vá para a casa do caralho. Talvez pudesse fazer Manuela feliz. Dar uma chance a ela, poderia vir a ser dar uma chance a si mesmo também. Por quê ficar afogando as mágoas no álcool quando tinha uma mulher como aquela diante dele, disposta a aceitar somente o que ele tinha a oferecer e nada mais? Ele seria fiel, atencioso, presente, a trataria com carinho e respeito. Eles já estavam até casados. Talvez ela tivesse razão, era um começo.
Pegou-a no colo e a levou para a cama. Quando começou a despi-la a coragem quase fugiu da moça. Não fazia sentido, uma mulher que estava tão corajosa minutos atrás, quando finalmente consegue o que quer, ficar com vergonha por causa de umas cicatrizes.
“ – Você me disse que era uma mulher, e pra eu parar de te olhar como aquela menina moribunda. Então prove. Eu quero te ver.”
Sabia que soou talvez um pouco rude, mas estava determinado a acabar com aquela insegurança de uma vez por todas. E Manuela prontamente obedeceu, ajudando-o a livra-la de toda a roupa. Leon varreu cada centímetro do corpo dela com os olhos. Sim, era muitas cicatrizes... foram transplantes de fígado, rim, pulmão. Mas mesmo assim ela ainda era bela, tinha seios pequenos, firmes e duros, era magra e delicada, pele dourada levemente acobreada e pernas longas e torneadas.
Vinte e nove anos, trancada desde os 16 e virgem. Devia ser frustrante. Beijou-a por inteiro, da boca, ao pescoço. Do pescoço até os seios. Barriga, ventre, até chegar por entre as pernas da moça. Ela deixou todo o ar escapar com a surpresa quando Leon começou a explora-la ali com a boca. Leon viu as mãos magras de Manuela se agarrarem aos lençóis.
“ Você se toca, Manuela?” – Perguntou enquanto usava o dedo para massagea-la. Maravilhado com a face corada dela, num misto de tesão louco, felicidade e nervosismo extremo. Leon sorriu quando ela não quis responder. Tímida.
Empurrou um dedo para dentro dela, de leve. “ – Te machuca?”
Manuela se agarrava mais aos lençóis e mordia o lábio. “ — N..não. Ah... um pouco...”
Leon sabia que aquela primeira vez era complicada. Não porque lhe disseram, ou leu a repeito. Já viveu na pele. Mary McBruce, no porão da casa de Gary Burcker, foi a primeira vez dela e a primeira vez de Leon também. Ele estava tão nervoso que gozou antes mesmo de entrar nela, quando tentaram a segunda vez, ela gritou e chorou de dor... em parte porque isso deve mesmo doer pra burro, mas também porque ele era um adolescente burro, inexperiente e que fez tudo errado. Talvez pudesse fazer Manuela ter alguma boa experiência ali e não somente dor.
Pôs as coxas dela nos ombros e voltou a dar prazer a ela com a boca outra vez, esticava os braços para tomar-lhe os seios de vez em quando. Talvez ela não se tocasse mesmo... pelo menos, não com frequência, porque gozou bem rápido, de um jeito que qualquer homem por mais lento que fosse, conseguiria perceber.
Ficou aliviado por isso, por ter conseguido fazer Manuela ter pelo menos um orgasmo – a pobre Mary não teve direito a isso – agora, enquanto tirava as próprias roupas, lembrou-se de um detalhe, algo importante que ele definitivamente não deveria ter esquecido.
“ – Oh merda!” – Lamentou olhando pelos cantos do quarto, possivelmente em alguma gaveta da cômoda, alguns hotéis oferecem sem pedido prévio. Então Manuela riu.
“ – Eu tenho. Tá no banheiro, dentro da minha bolsa. Sabe... vai que...”
Garota esperta.
Voltou de lá com o preservativo em mãos. Deitou-se ao lado dela, beijou-a e a provocou-a até ter certeza que ela estava pronta. Colocou o preservativo com todo o cuidado, até por que, era o único. Leon já havia se posicionado sobre ela, quando teve uma ideia melhor. Num movimento rápido, virou-se costas deixando que Manuela ficasse por cima. Não disse uma palavra, mas ela parecia ter entendido o olhar de Faz você...
Leon ainda tinha os dedos por entre as pernas dela, ele a massageava usando o polegar. Evitou olhar quando ela se posicionou sobre ele forçou a entrada, mas não conseguiu evitar de olhar a expressão de dor que ela fez. Foi difícil e por um momento Leon achou que ela fosse parar, mas não... ela era determinada, três investidas firmes, alguns choramingos e pronto, estava feito, ele estava dentro dela e agora ela era oficialmente uma mulher feita. Ergueu o tronco para beija-la a fim de aliviar a dor que ela ainda sentia enquanto cavalgava nele devagar.
Manoela o abraçou enquanto escondia o rosto contra o pescoço de Leon, o louro sabia que não havia motivos para prolongar aquilo, era a primeira vez da moça, era dolorido para ela, deixaria para mostrar a ela tudo o que ele sabia fazer em outras ocasiões, e essas não faltariam. Deitou-a contra o colchão e ficou por cima, mais quatro investidas, lentas e profundas enquanto a beijava foi o suficiente para que Leon terminasse.
Saiu de dentro dela e a puxou para o seu peito onde deixou que ela descansasse. Quando sentou-se para tirar o preservativo, Leon tinha o sangue da esposa na virilha, tinha sangue dela no lençol. Instintivamente olhou para ela preocupado com o que fez.
“ – Você está bem?”
“ – U-hum.” – Ela respondeu enquanto sorria.
“ – Arrependida?”
“ – Muito.” – Ela o puxou de volta. “ – De ter trazido só uma camisinha.”
Leon respirou aliviado. Manuela nunca pareceu tão feliz.
Continua...
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