Going After Her
18 Capítulo 18
LEON
“ – A verdade é que... ela não tem como ter certeza que o filho não é meu.”
Manuela escutou tudo atentamente. Nos olhos dela não havia ressentimento, tristeza ou repreensão. Sua esposa não era nada alem de um poço interminável de compreensão, durante todo o tempo.
“ – Mas... você precisa saber. Se for seu... não pode deixa-lo.” – Ela disse aflita.
Leon entendeu pela preocupação dela, exatamente o que ela quis dizer na conversa passada, quando disse que nada que viesse dele poderia ofendê-la. E um filho, definitivamente era uma parte dele.
Foi complicado contar para ela o que aconteceu. Manuela já conhecia Ada, do sono conturbado, dos sonhos bons e talvez até dos pesadelos em que Leon deixava escapar o nome da espiã. Por um lado sentia-se aliviado, por ter a consciência limpa de sempre ter sido honesto com ela, o futuro agora era mais incerto do que nunca e não fez promessas que não pudesse cumprir, muito menos começou o que não poderia continuar. Mesmo assim, teve medo de tê-la ferido ao falar de sua conturbada estória de amor com outra mulher. E no fim, falar de Ada doeu muito mais em Leon, do que em Manuela.
“... é impossível você me magoar, porque nada que venha de você pode me ofender.”
Por que tinha que ser assim? Por quê Ada não escolheu ficar com ele quando pôde? Por quê ela simplesmente não o carregou com ela ainda naquela manhã em Bruxelas? Ele teria ido... Por que quando finalmente tomou a decisão de ir atrás dela, tudo deu errado? Por que Manuela o amava gratuitamente, sem esperar absolutamente nada em troca? Por que no fim das contas, dentre os quatro envolvidos, a sorte parece ter sorrido só para Jake Muller?
Talvez eu devesse ter dito, me leve com você, se você me levar agora, eu vou.
Nunca pensou que um dia pagaria um preço tão alto por ser sempre tão péssimo com as palavras. Leon se flagrou lembrando de tantas oportunidades que teve ao longo desses dezessete anos, em que talvez uma frase sua, teria feito toda a diferença.
“ – O que vai fazer?” – Manuela perguntou.
“ – Eu não sei.”
E de fato não sabia. A mulher que pode estar carregando o filho dele no ventre é uma espiã internacional, que pode estar escondida em qualquer canto do mundo, e que ele nem faz ideia de onde começar a procurar. Durante míseras semanas, teve um numero pra contato, onde so lhe era permitido enviar curtas mensagens de texto... mas depois do que aconteceu, provavelmente tal via de contato já foi perdida. “ – Eu não sei Manuela... a última vez que eu a vi foi no Cazaquistão, eu fui até lá investigar ações criminosas de um grupo terrorista chamado Al-Zayn e trafico de B.O.W’s pela eurásia... É quase certo que ela estava em missão também, nós sempre nos encontramos assim, contudo eu acabei mais envolvido com você e em evitar que você fosse deportada, outros agentes assumiram a questão no oriente... E quanto a ela, eu duvido muito que ela ainda esteja trabalhando... bem, no estado em que ela está...”
“ – Como você pode ter certeza? Você não sabe pra quem ela trabalha, pode ser alguém que a obrigue a continuar mesmo grávida.”
Um calafrio horrível correu a espinha de Leon. Manuela tinha razão... e a noticia ruim poderia ir além disso, a verdade é que os empregadores de Ada poderiam ser pessoas que nem admitissem ela dar prosseguimento a gravidez. Quatorze semanas... ela deixou ir muito longe para alguém que quisesse abortar. E se ela tivesse que esconder o bebê, ou se esconder? Isso, se fosse filho dele, ou de um outro qualquer... Eram hipóteses. Mas se for filho de Jake Muller, era certeza, ela obrigatoriamente seria forçada a esconder a paternidade da criança, e muito provavelmente fugir...
Ninguém em sã consciência teria um neto do Wesker na barriga e anunciaria isso...
A essa altura, Leon já estava mais do que convencido que toda aquela sua teoria inicial sobre gerar um neto do Wesker apenas por motivos científicos era absurda. Principalmente quando lembrava do rapaz a conversar com o médico, verdadeiramente preocupado com Ada... a cara de idiota que ele fez quando soube que era um menino. Eles terem escolhido nomes falsos para ir fazer o exame, Ada ter ficado dias desde que voltou da base sem responder suas mensagens... tudo falava a favor de que Jake também poderia ser o pai. Talvez ela tivesse sem coragem de contar, ou pensando em como dar a noticia.
O brilho que aquele maldito tinha nos olhos... o sorriso bobo... depois a preocupação mais genuína... tais lembranças faziam Leon ter certeza que Jake acreditava ser o pai sendo assim, é porque ele e Ada estavam transando. Isso era uma certeza para Leon, hoje não tão certa quanto antes, mas ainda era forte. Contudo Helena tinha razão, transou com Ada sem proteção, e o tempo batia... o bebê também pode ser seu.
Leon tentou se imaginar uma mulher grávida de uma bomba relógio, como seria se o bebê fosse filho de Jake, provavelmente precisando de um tempo para pensar se teria o bebê ou não, se arriscaria a própria vida, ou não. E se for meu... Bem, seria a mesma coisa, afinal como Manuela disse, não se sabe pra quem Ada trabalha, nem o que lhe é permitido. Ou até mesmo que ela tenha ficado com medo da reação deles, e preferido esperar a gravidez chegar num estágio onde eles não tivessem outra escolha a não ser aceitar.
Tentou pensar... se ele fosse uma espiã, jurada de morte inúmeras vezes, envolvida nas conspirações mais sombrias das pessoas mais poderosas do mundo, que vive fugindo, nunca segura e aos quarenta anos de idade se vê com um filho na barriga, onde o pai pode ser um agente do governo norte americano, ou Jake Muller/Wesker... o que ele faria? E só chegou a uma única conclusão... independente de quem seja o pai, o que Ada estava fazendo não era nada além de um enorme ato de amor. Não era prudente, não era racional nem muito menos a atitude fria e prática que um espião da categoria dela deveria ter.
Era sempre assim, Ada era misteriosa, mas mesmo distante, as vezes fazia coisas que o deixava profundamente emocionado e simplesmente perdido sem saber afinal, o que é aquela mulher. Ao ponto de que, mesmo por uma fração de segundos, se perguntou, mesmo que ela e Jake estejam juntos, mesmo que Muller seja o pai... se ainda assim valeria a pena tentar outra vez. Ele a amava... por Deus, ele ainda a amava tanto!
“ – É uma mulher corajosa.” – Disse Manuela, quase num sussurro.
“ – Manuela... eu nem sei o que eu faço se for meu. Que direitos eu tenho? Que direitos ela me permitiria ter? Eu não sei.” – Lamentou, enquanto internamente remoia, sem saber exatamente o porque, a hipótese de um Jake e uma Ada felizes, em algum lugar distante, criando o filho dele.
Eram muitas hipóteses, muitas perguntas sem respostas... muitos arrependimentos. Ela me chamou pra conversar... eu devia ter ido, eu devia ter escutado o que ela tinha para me dizer, na pior das hipóteses teria sido o ponto final definitivo e eu não estaria na angústia que eu estou agora. Então olhou para Manuela. Sem nem ao menos poder seguir em frente.
“ – Você deveria tentar o numero que você tinha. Na pior das hipóteses, o numero já não existe mais. O que você tem a perder?”
Por sorte, por algum motivo misterioso, Leon não apenas ainda tinha o numero gravado na memória, como ainda tinha o aparelho.
JAKE
Assim como Ada previa, chegou a hora de finalmente deixarem a propriedade de Long-Meng. Jake pensou que o velho fosse se opor, afinal ele parecia estar interessado no bem estar da filha grávida, mas não. Ada passava longas horas a sós com o pai, conversando sobre nem o Diabo faz ideia do que, e o velho foi o primeiro a querer Ada conduzindo a investigação pessoalmente.
Jake não estava satisfeito com isso. Por ele, o melhor a fazer era Ada ficar quieta, em um local seguro, pelo menos até o pivete nascer. Mas já aceitou que quando se trata de Ada Wong, muita coisa estava simplesmente além da sua compreensão. Queria que não fosse assim, depois de tudo o que passaram e fizeram juntos, esperava que a espiã estivesse disposta a finalmente partilhar tudo com ele. Jake também aprendeu que com Ada, as coisas não funcionam assim...
Estavam então, à caminho do Cazaquistão novamente. E para variar, Ada estava em mais uma longa reunião com o pai. A Jake coube apenas arrumar a bagagem e encaixotar toda a tralha. Jake não entedia... Ada e ele dividiam a cama, o banheiro, fodiam sempre que podiam, ela deixava que ele arrumasse suas roupas, seus documentos, objetos pessoais... ele tinha acesso a tudo! Esse não era o comportamento de uma pessoa cheia de segredos, mas então, porquê ele tinha a sensação que ela evitava se entregar completamente? Que não existia um relacionamento propriamente dito entre os dois? Talvez fosse apenas o jeito dela...
Em uma caixa Jake colocou todos os aparelhos telefônicos, rádios, notebooks, rastreadores e algumas quinquilharias que eles não estavam usando. Tinha a impressão de que muita coisa ali inclusive, já estava até quebrado. Estavam sempre precisando de alguma linha limpa, com números de países específicos, ou números usados somente para um único fim, alguns eram usados uma única vez e depois eram descartados... ou pelo menos deveriam.
Jake praguejou alguns palavrões e decidiu colocar pelo menos os celulares para recarregar, os que não estivessem funcionando, ele poderia descartar ali mesmo. Eram nove ao todo, com o uso de uma extensão, conseguiu coloca-los todos por perto. Alguns ligaram imediatamente, outros não. Decidiu ir organizando as roupas enquanto esperava que alguns deles dava sinal de vida. Era um pouco irritante, ele ter que arrumar tanta tralha de mulher, cosméticos e acessórios.. era complicado, ele sabia que não estava fazendo certo e que provavelmente Ada o repreenderia se algo chegasse fora do lugar.
Então deveria ter feito você mesma! Ele responderia.
Depois de quase tudo pronto, foi até a cozinha e pegou uma garrafa d’água. Era quase seis da tarde, mais ainda assim estava calor. Pensou em tomar um banho, mas concluiu com muitas boas lembranças que era melhor esperar Ada chegar. Voltou para o quarto, e então escutou o barulho de um dos aparelhos vibrar no chão. Não deu atenção, poderia ser porque a recarga acabou. Mas então o aparelho vibrou novamente.
Chegou mais perto e o tomou nas mãos, haviam mensagens chegando ali. Abriu a primeira. O numero era anônimo, mas Jake não demorou a descobrir quem era...
“ Ada, se você receber essa mensagem, por tudo que há de mais sagrado, retorne. Eu sei que as coisas não terminaram bem, mas nós precisamos conversar.”
Foi a primeira. Então veio a segunda.
“ Eu já verifiquei que o numero ainda existe.”
E a terceira.
“ – As mensagens estão chegando Ada. Eu já sei! Pelo amor de Deus... nós precisamos conversar.”
Era a porra do Leon! E era obvio que ele tinha meios, principalmente com aquela hacker da Hunnigan para saber se o numero estava ativo. Maldita hora que eu liguei essa merda!
“ Olha, só uma conversa. É tudo o que eu te peço. Escolhe um lugar, qualquer um e eu vou. Eu sei que não estou em condições de te pedir coisa alguma, mas em nome de tudo o que a gente viveu nesses dezessete anos, me dê uma última conversa.”
Jake sentiu aquilo que ele já não sentia há muito tempo. A familiar sensação de que estava prestes a perder tudo o que tinha. O fantasma que já o assombrou duas vezes, e agora voltou, para tirar dele qualquer felicidade. Queria saber o que fazer. Apertou o aparelho entre as mãos, pronto para destruí-lo, Ada nunca saberia. Então chegou mais uma.
“ Tá certo, você não vai responder. E eu entendo. Eu só quero que você saiba, que não vai conseguir fugir pra sempre. Com a gente é assim... sempre foi, e você sabe muito bem disso. Cedo ou tarde a gente vai se encontrar, e você vai ter que me dizer, se o filho que você espera é meu.”
Definitivamente... estava tudo perdido. Ele sabia da gravidez da Ada. Jake sabia que precisava fazer alguma coisa, que se ficasse ali só assistindo, perderia tudo. E se o Kennedy tivesse razão? Talvez fosse pedir demais da sorte que Leon e Ada nunca mais se encontrem outra vez. E quando isso acontecer... Não! Não! Não podia permitir que algo assim acontecesse, precisava fazer algo e tinha que ser antes que Ada voltasse. Foi então que a ideia que seria sua salvação, passou como um flash.
Leon nunca perguntaria a Ada, algo que ele já tivesse todas as respostas...
“Pirou? Do que você está falando? De onde tirou essa ideia?” – digitou e mandou.
A resposta chegou quase que instantaneamente. “Eu não vou tratar disso por mensagem de texto, Ada! Vai querer me encontrar por bem ou por mal?”
Quem esse sujeito pensa que é? De onde ele tira tanta certeza que vai conseguir encontra-la? Ele está blefando! Mas e se não estiver? Talvez o melhor jeito de evitar que Leon encontre a Ada, seria encontrando-o primeiro...
“Tá certo, Kennedy. Se você insiste... Me encontre no Zhastar Park, em Oskemen no sábado. As duas em ponto. Vá sozinho. P.S. estou destruindo esse aparelho agora mesmo, pra você não encher mais a porra do meu saco.”
Não esperou uma resposta antes de cumprir o prometido. Em um segundo o aparelho era apenas cacos em sua mão direita. O coração de Jake saltava na garganta, os braços tremiam de raiva. Rangia os dentes enquanto tentava segurar o choro. Sem pensar direito no que estava fazendo, foi para o lado de fora da casa, precisava descontar em algo, ou alguém... antes que fizesse uma besteira. No seu caminho tinha uma amendoeira, o soco que Jake desferiu contra o caule da arvore foi tão forte que ele escutou o barulho dela rachar, mas ainda estava inteira. Mais dois socos, um imediatamente após o outro, cada um carregado de mais raiva que o anterior, foram o suficiente para levá-la ao chão. Caminhou sem rumo por entre as arvores, completamente fora de si, Jake via tudo vermelho... escolheu uma outra árvore, dessa vez bem mais grossa. E ali mesmo encostou a testa, com o braço esquerdo a abraçou puxando o ar profundamente até que com um só grito começou a desferir uma porção de socos com a direita. Sem se importar com mais nada, nem com a própria mão que começou a sangrar.
Continua...
Fale com o autor