Going After Her
17 Capítulo 17
JAKE
Estava envergonhado pela noite anterior. Alexei merecia uma surra, ele não tinha o direito de fazer uma piada tão rude como aquela, o Agente merecia... morrer. E lamentava muito ter bebido aquela vodca, se não o tivesse feito, a essa hora, Ada estaria com ele se arrumando para um funeral – o de Alexei — e Jake não estaria se sentindo quase um morto.
O olho esquerdo já abria um pouco, estava roxo e tinha um corte na sobrancelha, Ada deu os pontos hoje de manha, fez o mesmo com o corte que ele tinha no lábio. Jake passava a língua e sentia que dois molares estavam faltando.
“ – Que pena, não foi um da frente. Podíamos mandar fazer um dente de ouro... ia ficar bonitinho em você” – Ela disse enquanto costurava a boca dele.
Jake gostava quando Ada se mostrava atraída por qualquer característica de “mau elemento” que ele tivesse, fossem as roupas, ou a cicatriz, o tamanho ou até mesmo desejando mais alguns, nem que fosse um dente de ouro. Isso lhe provocava um certo alívio, afinal “O Outro” lá, era todo boa pinta, tipo esses atores de filmes de ação... e segundo o pouco que Jake pôde investigar no dia anterior enquanto ela estava sem querer falar com ele, um outro namorado que ela teve, o tal do John Clemens, o cientista da Umbrella que Long-Weng falou... era bem dizer a mesma coisa. Pra falar a verdade, era cara de um focinho do outro, até a franja era igual!
E se Ada prefere assim, os bonzinhos? Os bonitinhos de cabelinho impecável? E se ela prefere um Ken pra Barbie? Pela segunda vez na vida, Jake sentiu uma mistura de decepção e terror, em que ele se via preferindo que no passado, Ada e seu pai tivessem sido amantes... pelo menos assim ele teria certeza que “bad boys” também faziam o tipo dela.
Quando a banheira terminou de encher, entrou nela devagar, a água estava muito quente. Embora estivesse calor lá fora, um banho pelando era revigorante depois da surra que levou. Apanhou um sabonete, uma bucha e aos poucos foi tirando a sujeira de sangue e terra que tinha no corpo. Pelo menos Ada parecia não estar mais brava com ele... Talvez tenha sido o Alexei quem a acalmou, talvez não. Mas se ela deixou que ele dormisse ao lado dela naquele estado, e no dia seguinte nem brigou por ele ter sujado o travesseiro e o lençol, então é porque o humor dela já melhorou consideravelmente.
Olhou para o próprio peito e os braços antes de se afundar completamente na banheira molhando até a cabeça. Uma tatuagem. É, talvez eu faça uma, bem grande, ou mais de uma, pegando todo o braço, costas, ombro, peito e uma parte do pescoço. Jake sempre achou tatuagem uma idiotice, mas agora pensava que talvez Ada fosse gostar de vê-lo com uma... e ainda por cima, ficando ainda mais diferente do “Outro”. Quando voltou a superfície, jogou os cabelos ensopados para trás.
Jake ficou novamente submerso, dessa vez até o queixo se concentrando apenas na quentura da água, deixando que ela relaxasse todos os seus músculos doloridos, depois apoiou a cabeça na beirada e fechou os olhos, quando a temperatura começou a abaixar, ficando morna, o ruivo sentiu que poderia cochilar ali mesmo, mas não o fez, afinal escutou o barulho da porta se abrir e Ada entrar. Ele não precisava abrir os olhos para saber que era ela, já conhecia os passos, o jeito dela andar com os passinhos silenciosos de gata, o perfume que ela deixava no ar... abriu-os depois, só pra ver ela se despir.
Ada já estava bem grávida, ainda não tinha o barrigão enorme que ela queria e ficava invejando outra grávida na rua, mas também não era mais aquela coisa mirradinha que a deixava tão frustrada. Ele não desviou o olhar das curvas dela nem por um segundo, nem enquanto ela se despia, nem enquanto ela caminhava em direção a ele... Gostosa! Também não disfarçou a ereção que ele tinha e sabia que era visível para ela mesmo embaixo daquela água, então se ela entrasse ali era porque...
E ela entrou.
Jake sorriu. Definitivamente ela não estava mais brava com ele. Ajeitou-se melhor na banheira e recebeu o corpo dela em cima do seu, assim como o beijo que ela ofereceu. A boca dele estava cortada e tinha fios de sutura espetando, mas se Ada não ligava pra isso, ele também não. Tudo o que queria era continuar com os olhos no corpo molhado a espiã enquanto a ensaboava devagar e ver ela ficar arrepiada, mas foi forçado a fecha-los quando ela serpenteou os dedos nos cabelos dele, depois agarrando um tufo e puxando-os para trás com força, agora, ele com o pescoço exposto, Ada dançava a língua nele, mordia com força e chupava também. Doía o cabelo, doíam as mordidas, mas Jake estava gostando. Não era a primeira vez que ela o agarrava assim... e ele gostava.
Então foi por isso que ela pediu pra eu deixar o cabelo crescer...
Quando ela chegava assim, Jake sabia, não adiantava querer tomar qualquer iniciativa, até se mover muito a atrapalharia. Quando ela era a dominante, tudo o que lhe restava fazer era ceder, deixar que fosse do jeito dela e claro, aproveitar o prazer do ataque feroz que só ela era capaz de dar. A banheira começou a esvaziar, foi ela quem abriu o ralo com os pés, conforme a água escoava e seus corpos ficavam expostos pouco a pouco, o desejo e as carícias aumentavam, não demorou até que Ada finalmente o colocasse dentro dela. A espiã não tinha unhas compridas, mas era o suficiente para arranhar, e Jake sentia o peito arder enquanto tinha as unhas dela cravadas nele. Limitou-se a pousar as mãos no bumbum perfeito que ela tinha e deixar que ela fizesse todo o resto. Gozaram juntos e dessa vez tudo o que ele escutou sair dos lábios dela foi um gemido cansado. Jake gostava disso também, quando via Ada aliviada e ainda tremendo em cima dele por causa do orgasmo, normalmente era quando ele virava o jogo e a provocava até ela estar pronta para ele novamente, mas não dessa vez, sabia que já estavam atrasados e tinham compromisso, além dele ainda estar em frangalhos por causa da noite anterior.
De qualquer forma a abraçou forte e a beijou com carinho uma vez mais antes de irem para o chuveiro. Agradecido por fazer as pazes e por ela ainda desejá-lo, mesmo com a cara toda arrebentada.
Vestiram-se e tomaram o mesmo rumo que Long-Meng e a família (a oficial) e seus capangas. Uma marcha fúnebre de carros completamente negros até os vidros e blindados, todos para o funeral de Shi Chao. Jake usava óculos escuros e não os tirou nem quando entrou no templo budista para continuar escondendo parte de seu olho roxo e pescoço. Alexei não podia usar nem um cachecol ou algo do tipo para esconder as marcas no pescoço, não com aquele calor miserável, mas pelo menos a barba meio loura, meio grisalha ajudava a esconder um pouco do lábio inchado.
Era de se esperar que uma morte naquela circunstância fosse dar o que falar. Eram muitos comentários e muitas teorias sobre quem faria um atentado como aquele. Long-Meng achou prudente que a segurança fosse reforçada depois que Ada o alertou sobre a conversa estranha que tiveram durante a festa na casa principal. Mas tudo o que Jake tinha, era a estranha sensação que Ada deveria estar bem longe de todos eles, o que tinha um leve palpite sobre ser impossível.
Shi Chao deixou dois filhos, um era viciado e o outro parecia não ter vontade de cuidar dos negócios do pai... o que por mais incrível que pareça, foi a salvação dos dois. Quando voltaram para casa, Ada se livrou da roupa preta e formal, colocando um shorts curto e um bustiê, apanhou um garrafa de água gelada e foi para o quarto ficar na varanda. Jake queria mesmo era se trancar com ela no quarto e ligar o ar condicionado, nasceu para climas frios... o calor definitivamente não era seu habitat, mas era obrigado a reconhecer que Ada pensativa, sob o sol e com aquelas roupas era sim, uma vista que valia a pena.
Aproximou-se dela e ajoelhou, para ficar mais ou menos na mesma altura que ela sentada numa cadeira de varanda, apoiou as mãos e o rosto na barriga dela, o pivete mexeu. Beijou-a.
“ – O que vai fazer agora?”
“ – Alexei vai até a casa de Shi Chao, ele deve descobrir pistas sobre as informações do velho.”
“ – Mas já?”
“ – Sim, ele foi e eu fico... nós continuarmos aqui por mais alguns dias pode dar ao assassino a falsa impressão que não fomos atrás das provas.”
“ – Alguns dias?”
“ — Se tudo ocorrer como eu estou esperando... talvez nós viajemos outra vez.”
Jake ergueu as sobrancelhas. “ – Mas... você está no sexto mês, essa investigação pode durar meses. Tudo bem que a sua gravidez tem sido tranquila, mas acha uma boa ideia ficar viajando? Depois do que aconteceu ontem... talvez...”
“ – Jakob...” – Ela passou as mãos nos cabelos de Jake – “ – Foi por isso que eu te contratei. Eu preciso de você, justamente porquê a minha vida é assim... e eu não posso parar. Eu tinha medo de acabar caçada por alguém da Familia durante esse tempo, mas não... aconteceu algo pior. Talvez, se eu estivesse perto, Syaoran estaria vivo agora e eu estaria livre...”
“ – Livre? Como assim?”
Ada tinha um olhar triste. “ – Nada. Bem... eu só queria te agradecer por ontem. Talvez deixar o prédio foi mesmo a melhor opção. Eu já pedi desculpas pro Alexei antes dele partir, agora eu te peço também. Você fez o seu trabalho muito bem, não fez nada errado... fez a sua parte.”
“ – Eu...” – Jake pensou duas vezes se continuava ou não, talvez fosse melhor esperar o pivete nascer e toda essa situação familiar se resolver, mas daí lembrou que para quem tem uma vida como a dele e Ada, talvez o amanhã nem exista, o incidente de ontem foi um bom exemplo disso. “ – Eu estava falando sério ontem.”
“ – Ontem?” – Ada pareceu confusa. Claro, disseram tantas coisas ontem.
“ – Eu amo você.” – A chinesa pareceu surpresa embora tentasse disfarçar. Jake podia perceber que ela apenas processava a informação em silêncio. “ – Isso é sério. Ontem... eu falei demais, disse muita coisa pro Alexei, mas era tudo verdade. Eu te amo, Ada Wong. Você não me apresenta como seu namorado, me afasta o quanto pode de assuntos íntimos seus, eu nunca nem fui ao médico com você... nem vi o pivete no ultra-som. Então, eu até hoje não sei o que você pensa, ou se você tem planos para nós. E... eu sei que você ainda pensa nele...”
Nesse momento Ada pareceu assustada e se afastou. Mas Jake continuou.
“ — ... e eu não me importo, porque mesmo que você não diga, eu sei que você tem sentimentos por mim também, você está comigo é isso o que importa. Eu só queria deixar claro, com todas as palavras, pra que você nunca tenha dúvidas sobre o que nunca foi dito. Alexei me perguntou, o que eu esperava de nós dois... Eu só queria te dizer que você é tudo o que eu espero, porque eu não imagino mais a minha vida longe de você.”
Ela soltou um riso amargo, quase um deboche, Jake sentiu que era como se ela não acreditasse. Aquilo doeu em Jake, pois não era difícil imaginar que ela já tenha escutado promessas antes, não era difícil deduzir que foram promessas feitas por Leon – o tipo que todos acham que sempre cumpre suas promessas, e, no entanto, se estão ali hoje, é porque foram promessas falsas.
Apanhou as mãos da espiã e as segurou forte. “ – Olha! Você não percebe? Nós temos tudo a ver. Você mesma me disse isso uma vez, nós pertencemos a mesma espécie. É tão mais fácil com a gente... Sem grilos, sem diferenças, sem julgamentos. Nós vivemos no mesmo mundo, e a gente pode fazer nele o nosso final feliz, nós três, eu, você e o pivete... ele nem precisa saber que...”
“ – Jake, para.” – Ada não parecia brava, mas aquilo foi uma ordem. “ – O meu filho tem pai.” Puxou as mãos de volta, levantou-se e voltou para o quarto.
Jake podia sentir o sangue correr mais rápido. Ele sentia raiva. “ – É mesmo? Cadê ele então? O que você vai dizer pro pivete quando ele começar a perguntar?” – Assim como ele esperava, ela não tinha uma resposta pra dar. Ada tinha os olhos brilhantes e rasos d’água, não gostava de vê-la assim, mas ao mesmo tempo, sabia que só tinha dito a verdade.
“ – É isso o que você sabe sobre o amor, Jake Muller? Se você soubesse mesmo o que é amar, saberia que se trata de um sentimento tão forte que você não escolhe pelo que combina mais, tem mais a ver ou pelo caminho mais fácil e lógico. Você ainda é muito jovem, eu demorei muito tempo até aprender e me resignar com o fato de que o amor, quando acontece, simplesmente acontece. Pronto. Você não escolhe e nem consegue evitar. Se não foi assim, então não é amor. Me diz, te fez bem desistir da Sherry? Isso não te magoa? Deixa-la para trás só porquê eram diferentes? Tem certeza que está mesmo bem resolvido com isso? Não sente que algo lindo e puro que te pertencia foi tomado de você? Não se sente frustrado com o mundo e com você mesmo? ”
Não sabia como que aquela conversa chegou na Sherry, e para falar a verdade, nem queria saber! Já tinha motivos o suficiente para esmurrar uma parede até quebrar. Vê-la falar de amor e não ser para ele, depois dele ter aberto o coração era mais humilhante do que podia imaginar. Ouvir uma mulher como ela, famosa por ser tão fria, tão controlada e calculista, falar de amor daquela maneira... só significava que Leon a fez perder o juízo! Foi até Ada e a segurou pelos braços, puxando-a para si, forçando-a a olhar para ele. “ – Eu sei que você ainda o ama...” – Jake sentia como se tivesse enfiado um punhal no próprio peito. “ – Mas olha no fundo dos meus olhos e diga que seus sentimentos por mim não são tão fortes. Pior que isso, diga que nesses seis meses, eu não te fiz uma mulher feliz!”
De novo, Ada não tinha uma resposta, nem mesmo uma evasiva. Jake sorriu, pela primeira vez sentindo que teve alguma vitória naquela conversa, mesmo não sendo a que ele esperava.
“ – Você não sabe Jake... a diferença entre amar e estar apaixonado.”
Jake não respondeu, apenas a beijou. Nisso ela tinha razão, não existia beijo mais apaixonado, arrancou um gemido dela quando o interrompeu. “ – Então... arranquei uma confissão de que está apaixonada por mim?” – a espiã ficou vermelha, mas não disse uma palavra e nem precisava. “ – É assim que começa. Ada... com a gente dá certo! Você também já sabe disso, só não quer aceitar... mas o seu lugar é comigo!” — Curvou-se um pouco para seus rostos ficarem próximos, não deixou que ela desviasse o olhar, tomou a boca dela e sentiu alguma resistência no inicio, mas Ada não demorou a ceder. “ – Vê?”
“ – Psiu! Eu não quero mais ter essa conversa. Nem mais uma palavra... Jakob.” – Ela não parecia estar com raiva, e sua voz era suave. Jake teve apenas a impressão que ela desistiu. Dessa vez foi ela quem o beijou, foi ela quem o levou para a cama. E mesmo sem a conversa acabar com ele queria, Jake tinha certeza, Ada seria sua... era só uma questão de tempo.
LEON
Desde que chegou na agência, evitou aprofundar qualquer assunto com Helena durante todo dia. Na verdade, estava apavorado que ela descobrisse o que tinha acontecido, dos beijos que trocou com sua atual esposa e pior, suas intenções em relação a Manuela. Leon não achava que fosse ser repreendido, mas a verdade era que não queria se mostrar tão fraco. Não faz nem um mês que disse a Helena com todas as letras que não tinha a menor intenção de tocar num só fio de cabelo da Manuela... pelo menos, não tão cedo... E não conseguiu ficar nem trinta dias sob o mesmo teto que ela, sem quase ir pra cama com a moça.
Leon ainda não entendia, por que estava se reprimindo. Manuela era linda, tinha bom coração, embora fosse meiga e delicada tinha personalidade e era uma mulher extremamente forte, lutadora, era honesta e o amava... o que mais ele poderia querer? Ada devia estar feliz, seria mãe, seguiu o caminho dela... Ada o traiu... Sendo assim, por que agia feito um estúpido? Por que rejeitava o amor que Manuela tinha a oferecer? Por que não conseguia tirar Ada da cabeça? Acabou! Ada acabou!
Deixou para sair quando percebeu que Helena já havia ido embora, não queria trombar com ela nos corredores ou na garagem. Antes de ir para casa, sabia muito bem onde deveria parar. Estacionou o carro próximo a uma loja de conveniências, onde era seu primeiro destino. Não estava decidido a seguir adiante com aquilo, mas caso acontecesse, não poderia ser pego desprevenido. Apanhou uma caixa de preservativos sem se preocupar muito com a marca ou o preço, já caminhava em direção ao balcão quando uma mulher que estava abaixada na prateleira ao lado levantou-se rapidamente, trombando nele com toda a força.
“ – Desculpa!” – Ela exclamou.
“ – Helena?!” – Leon estava tão surpreso quanto ela, fugiu dela o dia inteiro para encontra-la justo ali.
“ – Ora, Ora, Agente Kennedy. Vejo que tem diversão planejada.” – Ela disse, em tom de pouco caso, segurando uma caixa de absorventes nas mãos.
“ – N...Não é nada disso!” – Helena arqueou uma sobrancelha. “ – Não aconteceu nada...”
“ – Mas pelo visto, vai acontecer.”
“ – Honestamente, eu não sei. Só achei que se for acontecer, eu devo ser responsável.” – Olhou para a caixa que tinha nas mãos, mas estava pensando no significado da palavra – responsabilidade – que nesse caso, ia muito além de simplesmente não engravidar Manuela. Algo ainda lhe dizia para ficar longe da moça, provavelmente era só seu amor, cego, insano e estúpido pela espiã que nunca foi nem nunca será sua. Leon foi tomado por uma tristeza súbita. – “ – Puff... acho que vou ter que ler as instruções de novo... eu nem me lembro a ultima vez que eu usei isso aqui. A ultima vez foi há anos...” – Soltou um longo suspiro. “ – Bem, eu vou indo.”
Helena não se despediu, nem respondeu. Ela ficou calada por um longo tempo, com o olhar perdido.
“ – Helena?”
“ – Leon... a última vez que você transou com a Ada foi há tanto tempo assim? Digo... Você saiu de férias para a Espanha ainda esse ano, e encontrou com ela lá certo?”
Leon rangeu os dentes, e chegou até a apertar a caixa de camisinhas com força o suficiente para amassa-la. Por que diabos Helena tinha que falar da Ada agora? Era para fazê-lo desistir de dormir com a Manuela?
“ – Não Helena, a ultima vez foi em Bruxelas. Porra, isso te interessa?”
Helena não se importou com a raiva dele, ela parecia distante. “ – Bruxelas? Mas isso foi a pouco tempo... você disse que há anos... Mas em Bruxelas... Bruxelas? Leon, você não usava camisinha com a Ada?”
“ – Escuta, que conversa mais sem pé nem cabeça! Você quer me provocar, é isso? Quer saber....” – Aquilo era a gota d’água. Ficar ali em pé conversando sobre como ele e a Ada transavam ou não. Helena sempre foi sádica, ficava provocando, falando sobre a Ada o tempo inteiro, sempre fez isso desde Tall Oaks. Chata, inconveniente! Antes achava que ela era uma desocupada cuidando da vida amorosa dele, mas agora, depois da maneira ingrata que Ada saiu da vida dele, porque Helena ainda insistia em fazer isso? Achou que ela tivesse parado.
Já estava longe, rumo ao balcão, deixou Helena falando sozinha, quando algo o acertou na cabeça com toda força fazendo todos na loja olhar pra ele. Foi uma caixa enorme de absorventes.
“ – Leon!” – Helena gritou. Depois caminhou em direção a ele em passos largos. “ – Responde a minha pergunta!”
“ – Ela é uma mulher experiente, madura e sabe se cuidar! É muito diferente da Manuela! Eu não tinha porque me preocupar com ela!” – Leon disse em tom firme, mas quase cochichando, enquanto aos poucos as pessoas deixavam de olhar para ele.
“ – Ah, é mesmo? Suponho que a gravidez dela tenha sido planejada então?” – Disse a morena cruzando os braços. “ – Você conhece o pai?”
“ – Sim! Eu conheço!”
“ – Ela te disse que ele era o pai?”
“ – Aonde você quer chegar?”
“ – Leon... pelo amor de Deus, quando ela te contou que estava grávida?”
“ – Ela não me contou. Pra falar a verdade, eu nem a vi! Nós tínhamos uma missão no Cazaquistão, lembra? E eu soube que ela estava lá com outro agente, os dois sob um nome falso com uma visita marcada num hospital. Eu achei melhor eu mesmo ir verificar, antes que enviassem outro agente, eles estavam sob suspeita, era um hospital, podia ser um roubo de material biológico... ou o próprio Vírus – C. Quando eu cheguei lá, eu so encontrei o filho da puta conversando com o médico dela, ela tinha feito um ultrassom, ele tava lá se gabando, com cara de bobo quando o médico contou que ia ser um menino.”
“ – Você sabe que para ver o sexo do bebê pelo ultrassom, tem que ter no mínimo 13 semanas de gestação, não sabe? E sabe que todo ultrassom tem uma margem de erro de até duas semanas à mais ou à menos. Não sabe?”
“ – Não! Eu não sei, Helena! E nem quero saber!” – Filhos não faziam nem nunca fizeram parte de seus planos. Além do mais, esse negocio de ultrassom e bebês, era assunto de mulher.
A morena sacudia a cabeça sem tirar os olhos dele. “ – Eu sabia que não podia confiar em você! Eu te perguntei se você tinha certeza Leon!”
“ – E tenho! Eu fui lá! Eu vi o papai babão e o médico conversarem! Ninguém me contou, eu vi!”
“ – Como a Ada pode ter certeza que o filho é dele, se vocês transaram sem proteção em Bruxelas?” – Leon finalmente abaixou a guarda e entendeu onde ela quis chegar. Mesmo assim, estava relutante. Mas Helena continuou. “ – Tá certo, se o cara estava lá, desse jeito... todo babão e orgulhoso que ia ser pai, podemos concluir que a Ada transava com ele também, mas ela só poderia ter certeza que o filho é dele com um teste de DNA, se ela tiver feito uma amniocentese.”
O louro fechou os olhos, sem acreditar no que ouvia, muito menos no que tinha feito. “ – Ela fez esse exame aí... mas o resultado ainda ia sair...” – Falou com a voz tão fraca e trêmula que ele mesmo mal pôde escutar. Os fragmentos do que viu e ouviu naquele hospital começavam a se juntar. Um embrulho estranho tomou conta do estomago de Leon, ele sentia que ia vomitar. Levou as mãos à cabeça, desesperado. “ – Eu não acredito.” – a voz ainda era fraca.
“ – Você é quase um irmão pra mim Leon, eu seria capaz de morrer por você. Mas honestamente, você só não é mais burro por falta de e espaço! Como você pôde ter deixado o seu ciúme te cegar a esse ponto? E daí que ela te traiu? O filho ainda pode ser seu! Se ela não te contou dessa possibilidade é por que prefere o outro, provavelmente... Mas você tem todo o direito – e dever – de tirar isso à limpo!”
Leon sentiu as pernas balançarem, o peito apertar, os olhos começaram a marejar d’água... “ – Ela me chamou pra conversar nesse mesmo dia... disse que era importante...” – tentou falar de novo, mas a voz tremula custava a sair. “ – Mas eu estava com raiva, porquê vi o outro...” – De tudo o que fez de errado, pelo menos não teve até agora a crueldade de dizer o nome de Jake Muller, nem pra Helena e nem pra ninguém, pois a essa hora, poderia ter condenado o próprio filho à morte... “ – Então e te beijei na frente dela...”
Helena não disse mais nenhuma palavra, apenas olhava para ele, incrédula. A verdade era que não havia mais nada a ser dito. Não havia palavras que o consolassem pelo o que ele tinha feito, nem que o fizessem sentir melhor. E agora, depois do que fez, conseguiria entrar em contato com a Ada de novo? Por quê ela lhe explicaria qualquer coisa depois de tantos meses? E se...
E se ela for inocente? E se Jake só estava lá cumprindo o papel da identidade falsa dele? E se o bebê for meu?Mesmo que todas as respostas sejam as melhores possíveis, eu estraguei tudo, ela nunca vai me perdoar.
Continua...
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