Going After Her
10 Capítulo 10
HELENA
Era uma manhã agradável em Washington, levemente ensolarada, o que lhe proporcionou a possibilidade de usar um vestido de cores leves e não tão formal. Era um vestido verde de seda que ia até a altura dos joelhos, usava um salto médio pois uma cerimônia de manhã não permitia um salto muito alto. Dentro da bolsa, carregava acessórios não muito comuns para uma “padrinha” (como se ser uma padrinha, já não fosse algo incomum o suficiente!), as alianças, uma pistola e seu distintivo.
Um homem, que ela nem entendia por quê tinha sido convidado, não parava de encara-la. Ele era bem alto, 1,90cm ou mais, era negro e bem forte. Possuía um porte elegante e atlético, dentes impecavelmente brancos, olhos vivos e brilhantes. Helena não conseguiu evitar de sorrir quando ele se aproximou.
“ – Essa pedra de jade é perfeita em você, senhorita...?
“ – Harper.”
“ — Combina com o seu vestido e realça seus olhos castanhos. Infelizmente o brilho dela está ofuscado pela beleza da dona do pescoço que a carrega.”
Tá, fazia um bom tempo desde a ultima vez em que ganhou uma cantada – pelo menos uma cantada não estúpida ou ofensiva – ainda mais de um jovem senhor com um sotaque tão diferente, falando um inglês tão formal. “ – Oh. Vejo que temos um entendedor de pedras aqui. Senhor...?”
“ – Capitão Stone. Mas pode me chamar de Josh.”
“ – Capitão?”
“ – BSAA – West Africa.”
“ – Helena. Agente da D.S.O. e... padrinha do noivo.”
“ — Vim passar as férias na casa de uma amiga, convidada do noivo, Jill Valentine.”
Nisso, chegam duas mulheres, uma morena e uma ruiva.
“ – Vejo que o Capitão Stone já se socializou bem.” – disse a morena estendendo a mão. “ – Prazer, Jill Valentine. E você é?”
“ – Helena Harper.” – Aceitando o aperto de mãos.
“ – Oh meu Deus! Você não imagina o quanto eu ouvi falar à seu respeito!” – Disse a ruiva, visivelmente emocionada e a abraçando forte. “ – Oh, me desculpe, eu nem me apresentei. Claire, Claire Redfield.” – e em seguida abraçando-a novamente.
Helena então sorriu. “ – Eu também escutei muito a seu respeito.”
“ – Então, você vai mesmo ser Padrinha?”
A agente federal bufou deixando os ombros caírem. “ – Fazer o quê, se o nosso amigo não tem nenhum amigo homem próximo? Falando nisso, o seu irmão não vem, mesmo?”
Claire tentou não parecer preocupada com o fato do irmão e seu amigo não se falarem direito. “ – É... eu soube que eles andaram se estranhando. Meu irmão é cabeça dura, um teimoso. É obvio que Leon nunca ia atirar...”
Depois dos eventos em Lanshiang, quando a poeira finalmente conseguiu abaixar, tanto Leon quando Chris, começaram com eventuais discussões sobre se o louro teria ou não sido capaz de atirar quando ambos lutavam por causa da falsa Ada Wong. Desde então, a amizade nunca mais foi a mesma, por mais que Leon tentasse se explicar, Chris no fundo, no fundo... sabia a verdade. Ele sabia que naquele momento não importava o que Ada tinha feito ou não, mesmo que ela fosse culpada, Leon o teria matado só para protegê-la.
Sinto muito Claire. Sinto muito por você estar enganada. Sinto muito por nem eu, nem Leon termos coragem de te contar a verdade. Mas eu estava lá, e eu sei. Leon teria matado o Chris, e digo mais, se ele não fizesse, eu o faria. Depois de tudo o que Leon fez por mim, depois de tudo o que passamos juntos, quando eu já não tinha mais ninguém... Foda-se, foda-se o que é certo ou o que é errado, eu não permitiria que ele sofresse, e eu ficaria ao lado dele não importa o que ele escolhesse fazer, inclusive, matar o seu irmão! E ainda é assim... e será assim pra sempre.
Helena sorriu disfarçadamente. Pensar em Leon dessa maneira sempre a deixava emocionada, principalmente quando só ela sabia o inferno que ele estava vivendo agora, e que ela não podia fazer nada para ajudar. Quanta decepção. Ada não decepcionou somente a Leon, decepcionou Helena também.
“ – Se vocês me dão licença, eu tenho um noivo para apadrinhar.”
Era uma igrejinha pequena, com uma quantidade mínima de convidados e uma cerimônia durante a manhã, para ser bem simples. Os noivos não fariam festa. A própria Helena cogitou a ideia de se fazer tudo em um cartório somente, mas então Hunningan esclareceu, que agentes estariam vigiando o casamento e sua veracidade o tempo inteiro, sabendo-se que a noiva era católica desde pequena, poderia parecer suspeito um casamento somente no civil, num cartório qualquer, desprovido de qualquer cerimônia ou sentimento.
Entrando na sacristia, ela viu o noivo, usando um terno claro que o deixava um pouco pálido, mas nem assim ele deixava de ser um homem muito bonito. Ele lutava com a gravata de uma maneira mais do que estabanada.
“ – Até que enfim! Meu Best Man... faça o seu serviço e venha me ajudar com isso.” – Disse Leon.
Helena achou graça mas conteve o riso, se aproximou dele, ajeitando bem a gola em volta do pescoço branco com a barba feita e arrumando a gravata azul clara dele. Quando terminou, ajeitou o paletó claro contra o peito forte e o encarou uma ultima vez.
“ – Você está ótimo. Essa gravata azul realçou seus olhos... Manuela é uma mulher de muita sorte. Pena ser tudo uma...”
“ – Psiu.” – Leon a repreendeu – “ – Quer que alguém escute?” – cochichou.
Ela se conteve. Ele tinha razão, não se sabe quem poderia escutar aquela conversa. Mas a verdade era que Helena foi contra tal ideia desde o começo, chegando inclusive a se oferecer para casar com Manuela se fosse preciso. Porém, mais uma vez, Hunningan disse que isso seria muito pouco verossímil.
Leon não era homem de ficar falando de seus sentimentos, mas ela o conhecia o suficientemente bem para saber o quanto ele estava sofrendo. E ela também sabia que Manuela o amava de todo o coração, qualquer mulher que botar os olhos na mocinha consegue perceber isso. Jogar um homem tão machucado e decepcionado, carente e amargurado num casamento com uma moça tão linda, jovem e perdidamente apaixonada, disposta a fazer por ele tudo o que Ada não fez... só podia ter um final. E ao contrário do que muitos pensam, não é um final feliz. Não é, simplesmente por que Leon não a ama. Helena só podia ver a pobre Manuela, cega de amor aceitando as migalhas que Ada deixou sobrar, e Leon usando Manuela para preencher um vazio que nunca será preenchido. Isso pode consolar durante algum tempo, pode transmitir uma felicidade inicial, mas que será falsa e que inevitavelmente irá acabar. E quando isso acontecer, restará uma Manuela despedaçada e um Leon cheio de remorso e com ódio de si mesmo.
Quando Leon se virou e partia rumo a capela, Helena tomou a mão dele e o puxou de volta.
“ – Eu só quero que saiba que não há mais nada que eu deseje nesse mundo inteiro, do te ver feliz, Leon. Eu vou te apoiar, sempre, não importa o que você faça. Quando as coisas complicarem, você sabe que pode me chamar... não sabe?”
Leon deu um sorriso seco. “ – E por quê você acha que eu te escolhi pra padrinho?”
“ – Babaca!” – Helena o beijou na bochecha e o abraçou uma ultima vez antes de deixa-lo ir.
Com apenas quinze minutos de atraso, (embora fosse mais do que o suficiente para Leon pigarrear e tentar afrouxar a gravata umas quinhentas vezes), os dois violinistas contratados tocaram suas primeiras notas. Primeiro entrou Sherry Birkin, a única dama de honra, linda como um anjo em um vestido azul celeste, ela tem feito um trabalho maravilhoso, não só com Leon, mas também com Manuela, ambas tinham uma estória muito parecida e ambas se apoiavam. Sherry tem sido uma boa amiga e um bom apoio.
Então, logo em seguida, após o começo da marcha nupcial, surgiu a noiva, toda de branco, num vestido simples de seda e renda, mas que caía perfeitamente em seu corpo magro. Manuela se tornou uma mulher bonita, mesmo sem perder a carinha de menina, assim como Sherry, embora ao contrario desta, Manuela tinha altura. Ela era alta, magra, elegante, tinha a pele morena, os cabelos num tom de castanho médio e grandes olhos verdes, tão meigos, era como se Leon tivesse garimpado duas esmeraldas raras e brilhantes no meio daquela floresta sul americana.
Isso vai dar merda!
Durante toda a cerimônia, Leon nunca pareceu tão nervoso. Helena sabia muito bem que casamento nunca fez parte dos planos do amigo. Soube inclusive que há muitos anos, ele terminou um namoro com uma moça por quem ele foi muito apaixonado, justamente porque para ele, casamento era algo fora de cogitação. Nesse ponto, Ada era o par ideal. Mesmo num casamento de mentira, ela entendia a aflição que Leon deveria estar sentindo por estar ali naquele altar.
“ – Leon Scott Kennedy, é de livre e espontânea vontade que você aceita Manuela Angela Hidalgo Fuentes Muñoz como sua legítima esposa, para amar, honrar, respeitar e ser-te fiel, na alegria e na tristeza, na riqueza e na pobreza, na saúde e na doença, sempre, por todos os dias de sua vida, até que a morte os separe?” – Perguntou o padre.
“ – Sim.” – Leon respondeu.
“ – Manuela Angela Hidalgo Fuentes Muñoz, é de livre e espontânea vontade que você aceita Leon Scott Kennedy como o seu legítimo esposo, para amar, honrar, respeitar e ser-te fiel, na alegria e na tristeza, na riqueza e na pobreza, na saúde e na doença, sempre, por todos os dias de sua vida, até que a morte os separe?”
“ – Sim.” – Nesses poucos dias, Helena quase não a escutou falar, era uma menina tímida. E agora, escutava-a pronunciar uma palavra tão curta, que a salvava de um perigo, mas a colocava em outro...
Não é nessa hora que ele deveria perguntar se alguém tem algo contra esse casamento, que fale agora ou cale-se para sempre. E então aquela piranha de vermelho entrar aqui e acabar logo com isso?
“ – Sendo assim, diante dos olhos dos homens, e aos olhos de Deus, em nome da Santa Igreja e do nosso Senhor Jesus Cristo, eu os declaro, marido e mulher.” — O padre se virou para Leon e completou. “ – Pode beijar a noiva.”
Leon pareceu hesitar um segundo, Manuela parecia assustada e sem saber o que fazer. Então o louro tirou o véu delicado que ela tinha no rosto, devagar, tomou o rosto quase infantil entre as mãos e a beijou.
Eu vou repetir... Isso vai dar merda!
ADA
Por dois dias Ada experimentou um desespero sem igual. Ela não se lembrava de alguma vez na vida ter sentido pânico, no mais amplo sentido da palavra. Mas dessa vez, ela o fez. O tempo todo os flashes de ter Jake morrendo em seus braços enquanto ela gritava por socorro, voltavam para lhe assombrar. Assim como ela ter tentado erguer aquele homem com mais de 100 quilos o Maximo que podia e arrasta-lo para o mais próximo da vila.
Felizmente, graças as crianças curiosas que seguiam Jake o tempo inteiro, a ajuda chegou. Sempre soube que o povo mongol podia ser considerado o mais hospitaleiro do mundo, mas infelizmente, sob essas circunstâncias, ela descobriu que isso era uma absoluta verdade. Jake foi carregado pelos nômades até dentro de uma tenda, onde uma família aflita os receberam, enquanto crianças e outros curiosos se aglomeravam do lado de fora, apavorados.
Fizeram tudo o que podiam para salva-lo, mesmo acreditando que ele morreria antes mesmo do médico chegar da vila chegar. Quando o médico chegou, Ada já havia rasgado a garganta de Jake a fim de fornecer alguma via aérea ao rapaz que já estava com todas fechadas. E ele chegou bem a tempo, encontrando o pobre Jake com os lábios azuis e sem batimentos, enquanto Ada, desesperada, lhe fazia uma massagem cardíaca.
Foram muitas doses de adrenalina, muitos corticosteroides... tantos outros medicamentos que Ada nem se lembrava de todos. Quando Jake abriu os olhos outra vez, ela soube que ele estava consciente, mas não podia falar, graças a boca e a língua inchada... e ao buraco na garganta. Então ela segurou em sua mão e o apertou forte. “ – Eu estou aqui, Jake. Eu estou aqui.”
Durante dois dias, todos os nômades ajudaram como podiam, assustados com o fato do rapaz ainda estar vivo, rezavam e prestaram seus sentimentos para ela e seu bebê. Era assustador, Jake ardia em febre e alucinava, as vezes dizia coisas sem sentido... as vezes gritava por ela, perguntava aonde ela estava e pedia que ela não fosse embora. Porém outras vezes ele simplesmente gritava, quase capaz de acordar todos os acampados com seus berros insanos durante a noite.
Nem o médico sabia explicar que tipo de reação era aquela, na qual o jovem não se salvava, mas também não morria – o que deveria ter acontecido. Ada não podia contar a verdade, não podia contar que o organismo de Jake era diferente... Tudo o que restava era esperar que as coisas não piorassem. Os tremores, a agitação e as alucinações pareciam ter terminado agora. Mas a febre ainda era de 41ºC e muito difícil de abaixar, quando abaixava, nunca era por muito tempo.
Há dois dias, Ada estava sentada ao lado do leito de Jake, sem dormir nenhum único minuto e quase sem comer.
Ada jogou a cabeça apara trás, exausta e profundamente triste. Eram os hormônios da gravidez, só podia ser culpa deles, não havia outra explicação. Uma vez, há muito tempo, outro homem também quase morreu para protegê-la, aquilo foi um marco na vida dela e ela fez questão de responder à altura quase morrendo para salva-lo também. Mas a verdade é que, nem mesmo Leon, nem por ele, por mais que o ato daquele jovem policial de ter levado um tiro por ela a tenha tocado profundamente, o suficiente inclusive para mudar o seu destino pelo resto da vida, ainda assim, ela não se desesperou, se manteve fria e seguiu adiante.
Mas agora, quando ela olhou para o lado e viu o filho do Wesker ali, jogado e moribundo, ela não pôde evitar que uma profunda tristeza tomasse conta de seu coração, quando finalmente percebeu que lutava desesperadamente para que as lágrimas não terminassem de brotar de seus olhos já marejados d’água. Então ele abriu os olhos. E aqueles olhos azuis nunca pareceram tão sem vida.
“ – Ada...” – Ele disse com a voz fraca e sorriu. “ – Você ainda está aqui.”
Imediatamente Ada saiu da cadeira onde estava e praticamente se jogou até ele, ela acariciou-lhe o rosto, tentou afagar os cabelos vermelhos mas então viu que eram muitos curtos para isso.
“ – Não chora.”
Apesar da voz de Jake nunca ter soado tão doce, Ada nunca sentiu tanta vergonha. Só uma única pessoa no mundo inteiro a viu chorar e mesmo assim, foi uma vez só. Ada nunca quis testemunhas para as suas lágrimas, e agora, tinha mais uma.
“ – Eu não estou chorando. Foi só um cisco que caiu no meu olho.”
Ela não sabia porque estava se justificando. Provavelmente ele não ia lembrar disso, isso, se ele sobreviver.
“ – Sede...” – Ele tinha a voz dificultosa. Os lábios estavam rachados de tão secos.
Ada correu até a a jarra d’àgua enchendo um caneco e voltando até Jake. Ela sentou-se ao lado dele na beira do colchão e ajudou-o se inclinar segurando-o pela cabeça. Ele parecia estar com muita sede, mas se arrependeu imediatamente de dar um gole tão grande. Ele levou as mãos a garganta e choramingou de dor, quando o fez, sentiu os fios de sutura no pescoço. Ele olhou para ela assustado.
“ – Eu sinto muito... foi uma cricotomia... eu tive que fazer, você não podia respirar.”
Ela queria explicar mais, explicar que era por isso que ele não estava conseguindo falar ou beber água direito, tanta dor não era só por causa da sede. Mas achou melhor ficar quieta, se eles estava mesmo consciente, ele sabia disso tudo.
“ – Eu... pensei... que... eu... tinha... anticorpos...super...”
“ – Psiu. Quieto.” – ela cochichou. “ – Sim, e dessa vez foi justamente isso que quase te matou.”
“ – Mas... o vírus C...”
“ – Isso não é um vírus, Jake. É um veneno de cobra, é uma toxina... seus anticorpos te protegeram no começo, mas depois te fizeram um choque anafilático.” – Ada sentiu o toque dele em sua face, ela sabia que estava com uma machucado ali, o ganhou quando Jake a empurrou no chão.”
“ – Eu... te... machuquei.”
“ – Para de falar.”
“ – Desculpa...”
“ – Para de falar, Jake. Quer mais água? Eu sei que dói, mas você precisa beber.”
Jake forçou mais um pouco, Ada o ajudou.
“ – Hoje de manhã você começou a fazer febre. Uma febre está insistente. O Maximo que eu consegui abaixa-la foi até 38ºC. Agora está 39ºC, vamos torcer para não subir.” – ela suspirou, exausta. Se levantou do colchão e voltou para a cadeira de montar que ficava ao lado. Era tão desconfortável, e o bebê também não cooperava. Daria qualquer coisa por uma cama e uma soneca, mas ao mesmo tempo não tinha coragem de sair de perto de Jake.
Ele pareceu adivinhar seus pensamentos. Ele não disse nada, provavelmente por causa da garganta machucada, mas se afastou para o outro canto do colchão, oferecendo um lugar para ela. Ada não estava em condições de recusar, e a bem da verdade é que Jake estava em um estado que nem teria como se comportar mal ao lado dela. Mesmo assim, ela pensou duas vezes, não por medo da reação dele, mas sim, da reação dela mesma...
Jake se encolhia por entre as cobertas e as peles que os nômades lhe deram para cobrir, com os olhos ainda abertos e tão cansados... ele estava esperando por ela, e a oferta foi sincera e completamente desprovida de malicia. Recusar poderia magoa-lo. Sendo assim, ela tirou as botas e as blusas que as mulheres do acampamento a emprestaram, ficando somente com a legging preta e o top de malha vermelha que ela usava por baixo da blusa. Deitou ao lado dele, devagar e dividiram as cobertas. Ele estava sim, pelando de febre ainda, porque lá dentro estava bem quente, os travesseiros ainda estavam um pouco úmidos graças a todas as vezes que Jake transpirou ali, Ada podia até sentir o cheiro do suor dele, mas ela não ligava. A verdade é que deitar ali e sentir aquele calor e aquele cheiro, foi algo tão confortável e agradável, que ela até se assustou.
Decidiu não apagar a lamparina, não teria como velar o sono dele de luz apagada.
“ – Não... vai dormir?” – Ele perguntou.
Como ela poderia dormir? Quem pode deitar a cabeça no travesseiro e dormir tranquila quando ali tão perto estava o homem que salvou a vida do seu filho, ardendo em febre, depois de lutar tão bravamente contra a morte? Talvez ela sobrevivesse a picada da cobra, mas seu bebê, com certeza não. Há dois dias ela pisou nos sentimentos dele, jogou com ele e o colocou pra fora. Tudo o que ela queria era não envolve-lo, e mesmo assim, ela quase o mata. Leon nunca ganhou nem um muito obrigado por todas as vezes que a salvou, talvez porque no fundo ela sinta que sua vida nem vale tanto assim. Mas Jake era diferente, Jake salvou a vida do seu filho.
Ada tocou a face do ex-mercenário suavemente, com todo o carinho do mundo, e o beijou na boca. Os lábios dele estavam feridos e inchados, depois de dois dias ali naquele estado, o hálito dele estava ruim, mas mesmo assim... Ada não se importou. Ela riu e chorou enquanto fazia carinho nele, então disse: “ – Você é tão idiota, Jake. Tão idiota.” – E o beijou outra vez. “ – Você não sabe o quanto o seu pai ficaria decepcionado quando soubesse a idiotice que você fez.”
Jake, ainda lento e febril, chegou mais perto dela, ele a abraçou e pousando a mão e o antebraço contra as costas dela. Eles encostaram um nariz contra o outro e Ada fechou os olhos para sentir melhor o carinho das unhas dele. Ela sentia o calor elevado dele, o hálito e o cheiro do suor, e tudo isso só a confortou, estar ali com lado dele a deixava estranhamente aliviada e feliz.
E ele a beijou na boca mais uma vez, e na testa, e no queixo, no pescoço... e ele a abraçou mais forte... “ – Idiota... foi ele... de não... ter... caído por você.”
Se abraçaram mais forte e suas pernas se enroscaram, enquanto se beijavam mais uma vez.
Continua...
Então pessoas, eu disse que ia correr com os capítulos, não disse?
Acredito não demorar a terminar essa fic, mesmo com muita... MUITA coisa ainda pra acontecer. A principio eu ia colocar mais dois ou três point of view nesse capitulo, mas então achei que ia ficar muito misturado.
Enfim... Vou logo avisando que nos próximos capítulos, que já está odiando o Jake, vai odiar MUITO mais, e cada vez mais e mais... até as reviravoltas começarem a acontecer... muita água ainda vai rolar embaixo da ponte...hehehehe
Como o prometido, tivemos o Leon nesse capitulo. Mas sob o pov da Helena. Ela terá outro pov, lá pelos últimos capítulos... portanto, a´te o fim da fic, eu pretendo continuar toda a narrativa somente nos pov’s Ada, Leon e Jake.
Beijos pessoas!
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