ADA

Quando Jake lhe abriu os olhos, já estava com doze dias de atraso menstrual. Em seus quarenta anos de vida, isso nunca aconteceu. Mesmo assim, não se preocupou, justamente por não ser mais nenhuma mocinha, achou que dalí para frente, atrasos e até mesmo meses sem qualquer sangramento seria algo normal até o dia em que finalmente, parasse completamente.

Bem lá no fundo, rezou para que fosse justamente isso. Não acreditava em Deus, mas rezou para que aquele moleque estivesse errado, delirando, dizendo asneiras. Mas conforme os dias foram passando, mais Jake parecia estar certo. Hoje, completam 14 dias naquela base, e finalmente o dia de ir embora.

Queria mais do que tudo se livrar dele, afinal, mais uma vez o destino lhe pregou essa peça miserável... outro Wesker descobrindo um segredo seu. O primeiro foi o pai, o único no mundo a saber de sua fraqueza em Raccoon, quando quase botou tudo a perder quando se apaixonou pó um policial recém formado. Albert Wesker cobrou um preço alto, é verdade, mas foi o único a lhe estender a mão depois disso, e foi graças a ele que ela pôde se recuperar. Agora, dezessete anos mais tarde, depois de finalmente ter se livrado de um, vem outro... Wesker Junior, para ser o detentor de mais um segredo seu. Jake não sabia sobre ela e Leon, e no que depender dela, nunca virá a saber, mas sabia que agora ela carregava um feto de quase oito semanas dentro da barriga.

Era algum tipo de maldição ou piada do destino. Dois Weskers com a vida e o destino dela nas mãos, justo ela, famosa por não deixar rastros, rabo preso ou ponto sem nó. E parece que nesse assunto, o filho saiu exatamente ao pai. Jake não abriu o bico, e Ada era obrigada a reconhecer que não sabia dizer que teria sido dela sem o mercenário ao seu lado durante esses últimos dias.

Jake foi um exemplo de discrição, sempre ajudando a disfarçar os enjoos, a inventar as melhores desculpas para ela se ausentar de reuniões ou de visitas ao centro medico. Ele passou a lhe trazer as refeições no quarto e comerem juntos para que ninguém visse ela enjoar, tudo sob a desculpa de dar a entender, que ambos estavam ficando mais próximos e preferindo comer em reservado para conversar a sós. Não seria nenhuma surpresa se a essa altura já estiver correndo um rumor sobre os dois estarem transando.

Ada bufou. Nada disso importava, mesmo sem nenhum exame de sangue para comprovar, ela já perdeu as esperanças de Jake estar enganado. Tudo o que lhe restou foi tentar ganhar tempo, manter o segredo até sair daquela base, e então, pensar no que iria fazer. E claro, a preocupação de tentar adivinhar o que este Wesker lhe pediria em troca da ajuda dessa vez.

Alguém bateu à porta antes de entrar, ela não precisou olhar para saber que era Jake.

“ – Está pronta?” – Ele perguntou.

“ – Sim.” – Respondeu me maneira nada animada enquanto se punha de pé e andava até suas malas. Quando ia apanha-las do chão...

“ – Ei! O que pensa que está fazendo?” – Jake tomou a frente e tomou todas as malas para ele. “ – Olha o peso disso. Esqueceu do seu estado?”

“ – Não, Muller, eu não esqueci. Gostaria de falar mais alto?”

“ – Eu estou falando das suas costelas quebradas!” – Ele rosnou.

Claro, as costelas... Disso ela realmente esqueceu. Deixou que o rapaz resmungasse qualquer coisa enquanto levava toda a bagagem – a dela e a dele. Jake tinha um jeito bem particular de ser cavalheiro, um jeito bruto, bronco e nada delicado. Uma versão ligeiramente civilizada para ogros, prestativo, mas ainda selvagem até os ossos. Não sabia dizer se ficou assim graças ao ambiente hostil em que cresceu, ou se puxou isso da mãe... por que do pai, definitivamente não foi.

JAKE

Depois de quatorze dias, a missão inicial não mostrou qualquer progresso. O resultado disso, foi ter que voltar ao Cazaquistão e esperar pelo contato de Ada Wong mais uma vez. Durante todo o tempo em que esteve com ela, Jake não conseguiu ficar um minuto tranquilo. Pensava nela o dia inteiro, numa preocupação constante. Não só pela situação em si, por saber o quanto ela estava em maus lençóis. Mas pelo pânico de talvez ter sido ele a lhe provocar um dano ainda maior.

Ele a golpeou na barriga, quebrou as costelas dela, esmagou-a contra o chão, deslocou o braço dela. Por culpa dele, Ada fez um raio-x, tomou uma porção de remédios. Ela estava passando muito mal, vomitando muito, sempre tonta, sentindo muitas dores... Talvez a essa altura, já perdeu o bebê...

“Eu matei o bebê dela... Eu matei o bebê dela...” – Esse pensamento torturou-o dia e noite enquanto estavam na base, fez com que ele quisesse tomar conta dela, ajuda-la e vigia-la o tempo inteiro, pouco importando o quanto ela já estava irritada com aquilo. – “Se o bebê morrer, é culpa minha. Eu matei o bebê dela...”

Tais pensamentos agora o torturam ainda mais, pois está há dias sem noticias dela, só aguardando contato por motivos única e exclusivamente profissionais. “ A culpa é dela, ela devia ter tomado cuidado!” – Pensou, e se arrependeu logo depois, envergonhado... quantas vezes sua mãe também não escutou acusações desse tipo? “Então aquele exibido miserável devia ter tomado cuidado!” – Pensou no Agente, quem mais poderia ser o pai? “Será que ela já deu a noticia pra ele? Como será que ele reagiu? O que eles vão fazer?” – Então ele voltou a suspeita inicial de que talvez a essa altura já nem existisse mais nenhum bebê, não por causa da surra que ela levou, mas por quê... “Não seja idiota Jake. Você ainda tem alguma duvida que ela se livrou do nenê? É isso que mulheres como ela fazem, e sem um pingo de dor na consciência. Ela é muito... muito diferente da minha mãe. E eu aqui, todo preocupado com ela, morrendo de remorso. Imbecil, aposto que ela vai chegar, entrando alegre por aquela porta e simplesmente agindo como se nada disso nunca tivesse acontecido.”

O encontro estava marcado no quarto de hotel onde Jake estava hospedado. Ela estava atrasada, quando Jake sentiu fome, precisou pedir comida no quarto para não ter que sair e correr o risco dela não o encontrar ali. Os pratos sujos já estavam jogados em um canto e ele já sentia fome outra vez, então escutou as batidas na porta.

Quando abriu a porta, a mulher que viu estava longe de parecer alegre, mas também não parecia triste. Ada chegou a esboçar um sorriso antes de cumprimentá-lo e finalmente entrar. Ela tirou o véu e sentou na cama, quando...

“ – Que cheiro é esse?”

Jake olhou para o canto onde estava os pratos sujos e lembrou, porém nem teve tempo de formular qualquer resposta, a mulher correu para o banheiro e trancou a porta. “É, parece que ainda tem bebê ali.” . Recolheu a louça e colocou no corredor e seguida abrindo todas as janelas para o vento entrar. Quando ela voltou, rezou para que o cheiro já tivesse saído. Então ele a observou melhor, ligeiramente pálida, usando bem menos maquiagem, tentando disfarçar as olheiras e parecer bem a todo custo.

“ – Eu ia te perguntar como você está, mas acho que isso responde tudo. Quantas semanas?”

“ – Pelos meus cálculos, dez... talvez mais, talvez menos... sei lá.”

“ – Como assim, você ainda não procurou um médico? Não fez nenhum exame?”

“ – Não.”

“ – E quando pretende fazê-lo?”

“ – Agora eu não posso, acho que não poderei tão cedo... talvez nunca possa.”

“ – Por quê?”

Ela bufou “ – é... complicado...” – e depois riu. “ – Você podia parar de fazer perguntas difíceis, se eu ficar nervosa vou vomitar de novo.”

Estava envergonhado outra vez. O fato de nem ao menos tentar confirmar de quantas semanas estava e aparentemente, nem querer saber, não apenas mostra que ela não tirou o bebê, mas que isso nem lhe passou pela cabeça. Por que a julgou tão duramente? Por que ela era bonita demais? Por que era uma mulher forte? Por que era espiã? Por que preferiu ficar solteira e ter um amante à se casar? Isso são pré-requisitos para uma mulher rejeitar o filho? Até parece que mulheres que bancam “as santas” não fazem isso... Mais uma vez, se sentiu idiota.

“ – Mas isso não está normal. Desde que você esteve na base tem vomitado assim? Tá magra, pálida, parece cansada. É arriscado. E você tem que pensar no beb...”

“ – Jake, para!”

Trincou os dentes sabendo que tinha ido longe demais. A verdade é que ele mesmo reconhecia ser sutil como um elefante. Mas estava honestamente preocupado com ela. Não sabia dizer se foi simplesmente simpatia a primeira vista, o fato de precisar da Ada para colher informações sobre seu pai, se foi por causa dos machucados que provocou nela ou por ter sido ele a “descobrir” a situação e ajuda-la durante aqueles dias na base, o fato é que acabou envolvido. Talvez ela nem soubesse disso ainda, mas ele já não podia mais virar as costas ou ignora-la como se não fosse um problema dele, muito embora talvez, ela venha a lhe jogar justamente isso na cara, caso ele insista em pressiona-la.

Então alguém bateu a porta mais uma vez.

“ – Abre, é o Alexei.” – Disse Ada.

Jake deixou o homem de cabelos prateados entrar. “Alexei, tudo bem, vamos chama-lo assim.”

“ – Oi linda.” – ele deu um selinho de leve nos lábios de Ada, mas algo tão rápido e sem sentimento que nem pareciam um casal. “ – Nossa, você está um trapo. O que aconteceu?”

“ – Eu sei.”

“ – Senhor Muller!” – Jake aceitou o aperto de mão firme e o tapinha nas costas ainda pensando como Ada aceitava que o amante a chamasse de trapo e ainda achando graça nisso. “Como assim o que acontece? Você fez isso com ela.”– “ – Então Madame, você me disse que tinha uma coisa importante pra me contar, conseguiram os documentos?”

“ – Não.”

“ – Então a missão ainda está na mesma? Precisam de ajuda?”

“ – Não... para falar a verdade, eu e Jake acabamos de chegar, ainda nem começamos.”

“ – E me chamaram por quê?”

Ada tremeu. Jake nunca presenciou uma cena assim, e para falar a verdade, nem queria. Aliás, isso era uma conversa de casal, certo? Por que ela resolveu tê-la bem ali?

“ – Tô grávida.”

Imediatamente Jake lançou o olhar para o outro agente, sim, estava mais curioso para saber a reação dele do que qualquer outra coisa. O homem de cabelos prateados lambeu os lábios e guardou as mãos nos bolsos da calça. A expressão era fria feito um iceberg.

“ – Ah. Claro que está. De quanto tempo?”

“ – Não sei exatamente, umas dez semanas.”

“ – É o que?!” – finalmente ele se alterou. “ – E você só me conta isso agora?”

“ – Alexei. Eu não quero discutir. O que está feito, está feito.”

“ – Ah! Tá explicado por que você me escondeu. Por que você sabia que eu nunca te apoiaria a ir adiante com essa loucura!”

É claro que essa seria a reação dele. Jake nem sabia por que cogitou que fosse diferente. Talvez por que julgou que Ada fosse mais capaz de escolher um pai pro filho dela do que sua mãe um dia foi.

“ – Para falar a verdade, o seu apoio não me interessa. Muito menos a sua opinião.”

“ – Na hora de fazer a merda precisou da minha ajuda, você sabe muito bem como. O mínimo que eu esperava de você era que fosse cuidadosa pelo menos com... isso! Por quê não se cuidou?”

Chegou a perceber que a própria Ada já estava fora de si, e que já se levantava da cama com uma expressão quase assassina. Mas ignorou-a. A própria raiva já era tão grande que o fez tomar a frente e empurrar o sujeito, espalmando-o no peito. “ – Ô meu irmão! Tá pensando que tá falando com quem?”

“ – Jake, deixa ele.”

“ – Se não queria um bebê, podia ter evitado você mesmo. Eu posso até te ajudar, posso arrancar o seu saco agora, Mané!”

O agente que antes estava preparado para empurrar Jake de volta, parou e o olhou de maneira confusa. “ – Do que você está falando, rapaz?” — Um segundo depois, ele e Ada arregalaram os olhos. “ – Ei. Eu não sou o pai!”

“ – Ah, claro que não é. Cara, hoje você merece um prêmio de originalidade.”

Então Ada gargalhou alto. Jake ficou confuso. Era como se ele tivesse simplesmente contando a ela a piada do século.

“ – Jake... Esse daí não conseguiria me fazer um filho nem se eu tentasse muito! Muito!

A confusão de Jake triplicou. “Mas... que porra está havendo aqui?” foi quando sentiu uma mão grande, firme, o segurar pela nuca. No começo pensou que fosse um golpe, mas não era... definitivamente não era. Quando voltou a si, ele tinha os olhos verdes daquele homem o encarando como se fosse uma presa, e a respiração dele estava a apenas alguns centímetros da sua.

“ – Escuta Jake, rapazes grandões e mau encarados não fazem o meu tipo. Eu prefiro os miudinhos, com carinha de anjo, sabe como é...” – Piscou um olho enquanto ajeitava a cola do casaco de Jake, que estava petrificado. – “ – Mas se um dia você quiser experimentar uma coisinha diferente, talvez eu abra uma exceção.”

“ – Alexei, você está assustando ele...” – Disse Ada, divertida com a situação. Suas bochechas até ganharam alguma cor e Jake agradeceu internamente por ela parecer melhor.

“ – Tá, parei.” – O agente então finalmente o empurrou

Ok. Isso era algo mais inesperado ainda. Então eles não eram amantes, e Ada realmente tinha um amigo. E ele parecia revoltado.

“ –Então, Ada Wong. O que vai fazer agora? Contar pra ele, casar e viver feliz pra sempre? Ou é apenas esse maldito relógio biológico que vocês mulheres tem, apitando loucamente te pedindo pra parir?”

“Ele? Então Alexei sabe quem é o pai?”

“ – Eu ainda não sei o que eu vou fazer.” – Ada pareceu envergonhada, e Alexei finalmente satisfeito por vê-la acuada. – “ – Você podia ser meu amigo, ao invés de uma bicha ingrata e me ajudar a achar uma solução.”

“ – Eu tenho uma solução. Quando essa merdinha nascer, eu vou bota-la num cestinho e mandar entregar lá na porta daquele bonitão. Deixa ele tomar conta da lambança que ele fez! Aliás, Jake, você sabia que o pai é...”

“ – CALA A BOCA!” – Um silêncio mortal tomou conta do quarto após o grito de Ada. “ – Eu só vou avisar uma única vez, nunca mais, nem ao menos pense em falar o nome dele outra vez. Só você sabe. E eu quero que continue assim. Abre o bico e eu juro que te mato, ou morro tentando.” – Ela apontava o dedo na cara daquele homem como se não parecesse que há apenas alguns minutos ela fosse desmaiar de tanto vomitar. “ – Jake eu vou fazer xixi, se esse sujeito continuar a falar merda, atira ele pela janela.”

Ada virou as costas e se trancou no banheiro outra vez. Jake e o Agente se encaravam sem ousar levantar a voz.

“ – Viu? Já foi mijar. Dizem que as grávidas mijam o tempo inteiro.”

“ – Você ouviu a moça? São doze andares.” – Ameaçou Jake.

LEON

Já estavam a uma semana no Cazaquistão. Helena estava num mau humor insuportável para todos os humanos que viviam sobre a Terra. Ele entendia, ela se recusava a usar um véu e não se importava em chamar a atenção sendo exatamente o que ela era. Mulher, ateia, americana e que adora atividades nada esperadas de uma mulher naquela região, como por exemplo, entrar num bar acompanhada de um homem e encher a cara. Para piorar todos ali sabiam que ambos trabalhavam para o governo dos Estados Unidos, algo que na atual circunstância, não provocava muita simpatia nas pessoas. Os olhares tortos, as cantadas fora de propósito e muitas vezes os desprezo de alguns a estavam tirando do sério.

Mas isso não o irritava ou preocupava, pelo contrario, achava engraçado e assistir as explosões da parceira (embora ainda achasse perigoso o fato dela portar uma arma...). Ela era sua única distração alí em meio a tantas preocupações. Os dados enviados na ultima reunião eram preocupantes. A CIA tomou conhecimento de que Ada e Jake estavam em contato. Isso era previsto, Leon sabia que seria uma questão de tempo. Inclusive, que se os dois apareceram juntos em uma reunião da ONU, é porque provavelmente era esse o objetivo. Aparecer.

O que lhe incomodava era outra coisa... havia um agente duplo na organização para qual Ada trabalhava, Leon tomou conhecimento disso há pouco tempo. Se segundo os dados colhidos por ele, os boatos eram que Ada e Jake estavam muito próximos, os próprios colegas estavam começando a suspeitar que ambos começaram um caso.

Leon sempre foi contido, nunca foi de falar demais ou demonstrar seus sentimentos. Para falar a verdade, até aceitar e reconhecer o que sentia para ele mesmo, frequentemente era uma tarefa difícil. Aceitar que era ciumento, foi algo recente. Um dos motivos por nunca ter mergulhado de cabeça e “ido atrás dela”, como disse Helena uma vez, foi justamente esse. Sim, reconhecer que era amor e não apenas paixão foi difícil, reconhecer que nunca conseguiria ser feliz com outra pessoa a não ser ela, também foi difícil (e lhe custou uma lista de corações partidos, de todas as mulheres “normais” com quem ele tentou ter um relacionamento “mais fácil”, “mais possível” e... “normal”) mas a pior parte, foi deixar de lado o ciúme que sentia.

Quando a conheceu, ela era uma jovem a procura do namorado John. Depois disso, estava sempre enrolada numa espécie de trabalho-amizade-divida ou seja lá que porra era aquela com Wesker, no qual ela teve sérias dificuldades para encerrar, nesse meio tempo, escutou Jack Krauzer chama-la de “Puta num vestido vermelho” a primeira vez, e outro fato já não tão recente, foi descobrir que o mundo quase acabou porque ela “partiu o coração” do lunático do Simmons. Somado a isso, o fato de saber muito pouco, ou quase nada a respeito dela.

Ignorar tudo isso e simplesmente ama-la sem se importar com mais nada, não foi fácil. Leon não era tão bonzinho e compreensivo quanto as pessoas pensavam que ele era. O que houve ali foi o fato de ter um amor tão grande que fez todo o resto parecer pequeno. E justo agora que finalmente tomou a decisão de levar sua estória com Ada adiante, e assumi-la como uma parte indispensável da sua vida... vem mais essa fofoca.

Leon sabia que era mentira... ou pelo menos repetia isso para si mesmo todos os dias. Afinal, eles estavam juntos agora, e dessa vez, pra valer. Por que diabos ela faria uma coisa assim? Ainda mais o Jake. Aquele rapaz podia ter todos os defeitos do mundo, mas qualquer um que botasse os olhos naquele um, saberia que ele estava completamente apaixonado pela Sherry. “Ou pelo menos estava...”.

Nada disso lhe incomodaria... se não fosse pelo ultimo detalhe. Ada prometeu que entraria em contato assim que saísse da base de treinamento (ela inclusive contou que Jake estaria lá, sem que ele precisasse perguntar nada), no entanto, segundo fontes, três agentes da organização estavam lá, no Cazaquistão e dois deles eram justamente Ada e Jake. Por quê ela não entrou em contato? Nem mesmo respondia suas mensagens. Estaria fugindo dele?

Buscar por Ada para tirar satisfações nunca foi tão fácil. Simplesmente porque dessa vez, essa foi justamente a missão enviada pela Casa Branca: Investigar o que ela e Jake estavam fazendo ali.

Leon olhou pela ultima vez o relatório em suas mãos. Ada e Jake estavam escondidos sob nomes falsos e usando o mesmo sobrenome, como marido e mulher. Tudo bem, isso não quer dizer nada, aquele era um país de maioria mulçumana, e somando a isso, um numero considerável de católicos ortodoxos, seria mais fácil agirem sem chamar atenção se fossem casados. Alí também denunciava que amanhã o Senhor Baikulev e a Senhora Baikuleva tinham uma consulta marcada num hospital geral.

“ – Certo. Não interessa o que vocês estejam fazendo lá. Eu vou encontra-la e você vai me responder, por que está fugindo de mim.”

JAKE

Gostaria de dizer que estava tranquilo por finalmente convencer Ada a procurar um médico. Ela já fazia as contas de treze ou quatorze semanas de gravidez, e os enjoos pareciam ter cessado. Sempre que se viam a primeira coisa que o mercenário procurava era algum sinal de barriga, o que demorou a acontecer. Ada tinha um corpo trabalhado e uma musculatura abdominal bem firme, talvez por isso, tudo o que via era uma leve estufadinha no baixo ventre, como se ela apenas tivesse comido além da conta ou com má postura. Se ela não dissesse, ninguém poderia adivinhar que ela estava grávida.

E por isso Jake não estava tranquilo. Fez questão de cuidar pessoalmente dos nomes falsos preparados somente para a consulta médica e que depois, seriam descartados. E claro, fez questão de ir com ela. Um motivo era o receio de que ela mudasse de ideia e não fosse. O segundo, era porque queria tirar pessoalmente o peso do mundo que carregava nas costas. Queria saber que o bebê a mamãe estavam bem, muito embora tinha sido ele a dar uma surra histórica neles.

Agora, lá estavam. Sentados aguardando seus nomes serem chamados. Viu que fez mesmo bem em ter ido, não havia uma única mulher sozinha ali para esse tipo de consulta, se Ada o tivesse feito, com certeza teria chamado muito a atenção.

“ – Senhor Baikulev, pare de sacudir o pé. Parece mais nervoso que eu.” – Disse Ada em russo. Dessa vez usando roupas largas e um véu branco, discreto.

“ – Sim Senhora.”

Então uma enfermeira chamou-os. Jake se levantou, mas Ada o fez sentar novamente. “ – Aonde pensa que vai? Ter você xeretando meu exame ginecológico já é o fim da picada.” – Cochichou rispidamente.

“ – Tudo bem amorzinho. Esqueci que você é tímida.” – ele provocou, em russo também, ganhando em troca um olhar assassino antes dela finalmente cruzar a porta e sumir.

Os minutos passaram... então fez uma hora. Depois, uma hora e mais alguns minutos. Jake sentia que a qualquer momento abriria um buraco no chão de tanto andar para lá e para cá. Então, finalmente, ela voltou.

“ – E aí?”

Ada tinha uma expressão enigmática, uma mistura de preocupação com felicidade. “ – Tudo bem.”

“ – Tudo bem como? Tudo bem com bebê? Ele tá no peso? Você não come, só vomita! Ele tem todos os pedaços? É retardado? Você tomou raio-x!”

A espiã revirou os olhos. Olhou em volta e então sorriu. Tocou-o no rosto delicadamente como se fosse dizer algo doce e então disse: “ – Não é da sua conta. A propósito, vai tomar no cú.” Dessa vez, tudo em mandarim. E saiu rumo ao toalete.

“ Lá vai ela mijar outra vez.”

Jake bufou e deixou os ombros caírem. Então lembrou de quem era e onde estava. Era o marido daquela mulher... e no Cazaquistão, eles nunca lhe negariam informação. Foi até o posto de enfermagem.

“ – Com licença, eu estou um pouco atrasado, eu trouxe a minha esposa para uma consulta e precisei sair para atender o telefone. Acho que nos desencontramos. Eu poderia falar com o médico?”

“ – Claro, vou chama-lo. Como é o seu nome?”

“ – Baikulev.”

Deu graças a Deus por Ada não ter como adivinhar que ele estava ali, só rezou para que o médico não demorasse muito, caso contrario, ela iria embora sem ele quando não o encontrasse esperando por ela na recepção. Chegou até a sorrir quando finalmente o homem de jaleco branco veio até ele.

“ – Senhor Baikulev. Sua esposa já saiu, pensei que estivesse na recepção esperando por ela.”

“ – Eu sinto muito, tive um chamado do trabalho e... enfim, Como ela está?”

“ – Eles estão bem. Todos dois. E parabéns, é um menino.”

Respirou aliviado ao ouvir que estavam os dois bem. “ – Um menino é?”

“ – Sim. E apesar da hiperêmese não tratada, e do déficit nutricional, o tamanho do feto está normal. Infelizmente não é mais possível fazer o exame da translucência nucal, para rastrear alguma má formação congênita. Ela me disse que precisou fazer um Raio-X e não sabia da gravidez na ocasião.”

“ – Sim. É verdade.” – Jake estava novamente preocupado.

“ – E só depois de muita insistência ela aceitou fazer uma amniocentese. É um exame de risco quase zero onde nós colhemos um pouco do liquido amniótico para análise, mas a maioria das mães ficam receosas. O resultado deve ficar pronto em poucos dias. Eu também receitei algumas vitaminas e um Ácido Fólico, o exame de sangue ainda não está pronto, mas eu acho que ela está anêmica. Não se preocupe Senhor Baikulev, eles estão bem cuidados agora. No próximo bebê, por favor, nos procure mais cedo.” – O medico riu.

De repente um estrondo assustou os dois. Jake olhou em volta e tudo que viu foi uma enfermeira aparentemente xingando alguns palavrões quanto recolhia as bandejas e os remédios do chão. Parece que algum bruto saiu dalí esbarrando nelas e derrubando tudo, ou algo assim.

Continua...

Pessoas, faltam dois point of view que deveriam estar prontos ainda hj. SO QUE, eu vi o tamanho que esse treco ficou e decidi picar...

Dez paginas! Por Zeus!

Mas acho que você já vão adivinhar o que vai acontecer...

Dragon Killer: obrigada pela recomendação!!! ^^

Enfim, vou ver o que faço aqui, se aproveito o gás pra ir digitando logo o próximo e postar ainda essa madrugada, so que eu to beeem ocupadinha aqui tmb... é natal, casa cheia, etc....

Só prometo que o meu nível de ruindade vai se elevar ao Maximo no próximo capitulo...hehehehehe

Beijokas na bundas! Fui!