Going After Her
6 Capítulo 6
ADA
Puxou o celular da bolsa e o segurou entre as mãos durante um longo tempo. Desde que saiu da base, decidiu liga-lo somente duas vezes até hoje, e nessas duas vezes se arrependeu amargamente. As mensagens de Leon chegavam, e ela não podia responder. Sabia que ele estava esperando por ela, mas o que diria a ele?
A situação era delicada. Ada sempre foi fria e controlada, se desesperar era algo fora de cogitação, mas era obrigada a reconhecer que algo parecido com pânico, ou seja, algo maior do que um simples medo, tomou conta dela desde que Jake a confrontou na cabine de tiro. Ela estava em meio a uma missão, a organização estava toda concentrada em desmantelar o que sobrou da Familia, uma crise política assolava o mundo... aquele bebê não poderia ter escolhido pior hora para chegar. Já se sentia pressionada o suficiente com a proposta de Leon...
Leon... Ele disse estar disposto a dar o passo mais difícil, ele abandonaria os Estados Unidos? Iria com ela para qualquer lugar? Ada acreditava que sim, porém não tinha coragem de simplesmente aceitar tal proposta. Muitos levantariam inúmeras teorias para ela não aceitar a proposta, mas poucas pessoas sabem a verdade. A Ada nunca foi permitido falhar, e uma vez, ela falhou... ela foi responsabilizada por isso, e “o tal policial em Raccoon city”, também foi. Se ela simplesmente aparecesse com Leon ao seu lado, e as pessoas erradas descobrissem que se trata da mesma pessoa... Ela não tinha certeza das consequências.
Ada não tinha uma resposta para dar a ele, mas tinha o filho dele dentro da barriga. E agora? Se eles voltassem a se encontrar, ele acabaria descobrindo, e se descobrisse, o martelo estria batido. Era um caminho sem volta, ela nunca mais conseguiria bota-lo para fora de sua vida. Conhecia muito bem aquele homem para saber, que no momento em que ele soubesse do bebê, nenhuma força no mundo seria capaz de detê-lo – enquanto ele estivesse vivo. Portanto, decidir contar a novidade para Leon, é automaticamente aceitar a proposta inicial dele, de deixar que ele entre em sua vida de uma vez... então, viriam as consequências incertas.
Preferiu ficar calada até então, levou uma surra, tomou Raio-X, teve um começo de gravidez muito complicado e após os 35 anos... Seria horrível provocar todo um maremoto com essa noticia, quando as chances da gravidez simplesmente não vingar eram tão grandes. Mas agora, era diferente... Seu coração ainda estava amolecido por ter visto o seu bebê na tela do ultrasom. Até hoje, podia se considerar uma mulher anestesiada, apenas processando o começo do caos sem saber ainda o que fazer. Mas agora estava bem acordada, tudo se tornou real quando ela viu aquela coisinha minúscula, com pouco mais de cinco centímetros e nem 50 gramas de peso, numa imagem aumentada de ultrasom, cruzando e descruzando as perninhas, chupando a mãozinha, quando escutou o som do coraçãozinho dele tomar conta da sala de exame. Deu pra ver inclusive uma coisinha ainda mais microscópica entre as pernas dele, confirmando que era um menino.
Em que parte do mundo seria certo esconder isso de Leon? Ela não precisava de um pai para ter um filho – embora a hora definitivamente não fosse a melhor para isso – caso ela quisesse um – mesmo uma mulher como ela não sendo o tipo mais indicado para ser mãe. – Mas as coisas fugiram de seu controle de tal maneira há dezessete anos, que agora se via gerando a criança da pessoa mais maravilhosa para ser pai que um dia ela já conheceu, e eles se amavam, loucamente. Ninguém planejou, aconteceu, e esconder de Leon a verdade seria sem sobra de dúvidas a pior de suas crueldades.
“ Precisamos conversar. É urgente...” – digitou com pressa, Leon dizia estar no Cazaquistão em sua ultima mensagem. – “ ... Me encontre no café em frente ao Parque Municipal, eu estou a caminho.” – e enviou.
Quando saiu do toalete, avistou Jake esperando por ela na recepção e torceu para que ele não perguntasse o motivo dela te demorado tanto.
“ – Oh! Aí está você!” – Disse ele. – “ – Então, já passam das 14:00. Eu to com fome, quer aproveitar e levar o pivete pra comer também?”
“ – Pivete?”
“ – Como o Senhor seu marido, eu tenho o direito de perguntar como a minha digníssima esposa está de saúde, certo? O doutor me falou que era um menino.” – Ele disse em tom irônico.
Ada até pensou em xingar. Tudo bem que ela ainda tinha um leve roxo no lado esquerdo do pescoço, graças a surra que levou daquele grandão, no lugar dele, também estaria cheia de remorso por ter batido numa grávida, mas a intromissão dele já estava indo longe demais. (No lugar dele, espionaria tudo em silêncio, claro!). Contudo hoje não era dia de brigar, acabou de conhecer o seu bebê, estava se preparando para dar a noticia a Leon, reconhecia que estava bastante ansiosa com isso, curiosa para ver a reação dele. Leon era tão inocente as vezes, não seria nada surpreendente se ele simplesmente demonstrasse uma felicidade enorme, pura e genuína, se esquecendo completamente de todas as complicações que a noticia envolve. Mesmo assim, ela estava ansiosa por ver isso. Logo, a ultima coisa que queria era perder tempo se irritando com Jake.
“ – Não posso, eu vou almoçar com outra pessoa.”
LEON
Ainda estava sozinho quando leu a mensagem de Ada pela enésima vez, apertando o telefone tão forte que quase podia senti-lo trincar. Seu coração ainda batia forte, num galope acelerado que só podia ser comparado as batidas de um desesperado. Muito embora estivesse mais calmo, embora não parecesse. Ainda lembrava da forma como saiu daquele hospital, caminhando mais rápido do que suas pernas eram capazes, esbarrando nas pessoas...
““ – Com licença, eu estou um pouco atrasado, eu trouxe a minha esposa para uma consulta e precisei sair para atender o telefone. Acho que nos desencontramos. Eu poderia falar com o médico? ”
Foi tudo o que conseguiu fazer depois de sentir o chão sumir debaixo de seus pés, num estado de choque tão grande que era como se nem mesmo estivesse ali, era como se fosse um expectador da tragédia de uma outra pessoa.
““ – Eu sinto muito, tive um chamado do trabalho e... enfim, Como ela está?”
“ – Eles estão bem. Todos dois. E parabéns, é um menino.””
Ada estava grávida... E Jake Muller era o pai.
“Não se preocupe Senhor Baikulev, eles estão bem cuidados agora. No próximo bebê, por favor, nos procure mais cedo.””
Leon não aguentou ficar ali nem para escutar o resto. Quando voltou a sentir as pernas, sabia que estava tremendo. Seu primeiro pensamento foi o de ir até lá e descontar toda a raiva e frustração que sentia... mas infelizmente não conseguiu. Imediatamente voltou a ser o mesmo Leon de sempre, aquele que fica calado, aquele que engole os sapos a seco, o mesmo contido idiota incapaz de botar seus sentimentos para fora. Virou as costas e foi embora. Bufando. Tremendo. Com a boca seca. Apertando os punhos. Sem nem ao menos saber para onde estava indo.
Foi por isso que ela sumiu.
De repente tudo fazia sentido. Ela era uma espiã recolhendo amostras de material potencialmente bélico há anos. Por isso estava em Raccoon City, por isso lhe apontou uma arma na Espanha, por isso estava na Eslava Oriental... Só recrutar Jake não seria o suficiente, que outra maneira seria mais conveniente e fácil para carregar os genes de Albert Wesker do que esse? Seduzir o rapaz, evolve-lo, e então ele mesmo “doaria” seu DNA de muito boa vontade, sem nem ao menos desconfiar que a intenção era essa.
Ela era mesmo uma vadia muito esperta. Quem no mundo poderia desconfiar de algo assim? Tantas pessoas lhe avisaram, foram tantos sinais que só ele não quis enxergar. Como pôde ter sido tão estúpido? Sentia a face arder de raiva, e só quando tentou ler a placa com o nome da rua para finalmente saber onde diabos tinha ido parar, percebeu que estava tudo embaçado, porque estava chorando.
Então, finalmente chegou uma mensagem dela pedindo um encontro. Por um segundo pensou em apenas ignora-la, afinal, o que havia para ser conversado? Ela recusaria sua proposta naquele dia na Bélgica, inventando um milhão de desculpas esfarrapadas e pisando em seu peito uma ultima vez, com a cara mais lavada do mundo, como se não tivesse sido fria e vagabunda o suficiente para guardar um de seus roubos dentro de si da maneira mais amoral que alguém poderia fazê-lo.
Depois foi tomado por um fio de esperança ridículo e infantil. O mesmo sentimento que ele passou dezessete anos dando ouvidos, em Raccoon City quando Anette a acusou, na Espanha quando apenas a entregou Las Plagas sem nem tentar reagir, quando a defendeu com tudo o que tinha na China, quando apontou uma arma para Chris, só para defende-la... Mesmo receoso, mesmo sempre com um pé atrás, na hora “H”, quando precisava escolher um lado, sempre ficou ao lado dela, defendeu-a de tudo e de todos... Esse sentimento, que no final, foi o que o trouxe até aqui e finalmente o jogou no limbo. O estranho sentimento de que ele deveria procura-la, tentar conversar com ela, e que na verdade, fôra tudo um grande mal entendido, que ela teria uma boa explicação para aquilo tudo.
Felizmente, dessa vez, esse sentimento não durou. Leon não se orgulhava disso, mas foi tomado por um enorme desejo de vingança. Estava ferido, frustrado, humilhado. Sabia que ela não se importava com isso, e sabia que uma mulher como ela não tinha sentimentos para um dia sentir tal dor nas mesmas proporções que ele. Mês assim, ele tinha o orgulho ferido, finalmente. Estava cansado de nunca responder, de sempre se conter, de sempre ponderar antes de agir. Tais atitudes so faziam as pessoas – principalmente as mulheres – o acharem um idiota, um tapete, um capacho para ser pisado. Dessa vez queria dar uma resposta a altura, queria fazer com que Ada sentisse nem que fosse um milésimo da dor e da humilhação que ele estava sentindo agora.
Helena já havia recebido o seu convite para chegar até alí poucos minutos antes do horário marcado com Ada, ele podia ver a jovem se aproximar depois de dobrar a ultima esquina.
“ – Leon, o que houve? Eu to cheia de trabalho. Você não podia marcar um café num lugarzinho mais longe não? A gente vai demorar mais de uma hora pra voltar e...”
O agente ignorava tudo o que a parceira dizia, sua atenção era exclusivamente em vigiar o momento que Ada finalmente aparecesse.
“ — ... eu só vim porque você me disse que era importante...” – Helena continuava.
Foi quando finalmente a viu surgir no fim da calçada. Quando ele teve certeza que ela olhou em sua direção e o identificou, ele não pensou duas vezes...
Helena ainda resmungava qualquer coisa não importante, quando ele e puxou bruscamente pela cintura e calou a boca dela com um beijo. Leon aproveitou o fato dela ter ficado confusa com a surpresa e a abraçou forte, para garantir que ela não conseguisse escapar. Quando ela tentou protestar, se soltar e soltou um gemido que se não fosse pela força de ele estava usando, teria sido um grito, ele a segurou pelos cabelos e a apertou mais forte.
Aquela mulher era forte, e ele sabia disso, a força com que ela o empurrava estava machucando o seu peito, mesmo assim ele não soltou, só o fez quando sentiu uma dor colossal por entre as pernas quando ela lhe deu uma joelhada, isso obrigou-o a soltá-la, o que ele não esperava foi estar tão despreparado pro cruzado de direita que veio logo após, o murro mais irado que já recebeu na vida, bem no queixo.
“ – Que porra é essa! Ficou maluco?” – Ela berrou fazendo todos na calçada pararem para olhar.
Leon não teve nem coragem de olhar para ela. Apenas sentiu algo solto dentro da boca misturado a um gosto metálico de algo inundando sua boca. Quando cuspiu, viu seu dente quebrado cair na calçada misturado uma quantidade considerável de sangue. Olhou a sua volta, e viu que Ada não estava mais ali.
Sem dizer uma palavra, nem querer dar nenhuma explicação, virou as costas para Helena e foi embora.
CONTINUA...
Tá aí people, a parte que estava faltando.....rs
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