Gods of cultivation

4 Capítulo dois: A cidade fantasma - Os portões infernais se abrem. Parte: um.


Notas iniciais
O mundo é passageiro E está prestes a desaparecer Mas você está aqui E quero apenas protegê-lo … Eu fecho meus olhos em uma prece silenciosa Porque, enfim, alcançarei A paz final Na manhã deslumbrante — Kalafina (Hikarifuru)

Capítulo dois: A cidade fantasma — Os portões infernais se abrem. Parte: um.


— Ei você, homenzinho! — O corpo de Jimin resetou no lugar.

Seus olhos continuavam paralisados na estrutura gigante da cor do sangue à sua frente. Não sabia se por ainda estar surpreso com a mudança repentina dos eventos, ou porquê não tinha coragem o suficiente para procurar com as orbes translúcidas o interlocutor daquele chamado.

De qualquer forma, seja qual for o motivo, o dono daquela voz assustadoramente grossa definitivamente estava chamando à sua atenção. Não a de outa pessoa, mas, exatamente, à sua.

" Talvez não seja comigo. " — Jimin realmente se agarrou a esse pensamento, ignorando à todo custo aquele chamado.

Infelizmente, o silêncio perpétuo não durou tanto quanto Park queria. Tampouco a sensação de estar, agora, sendo observado, findou. Ele respirou fundo, analisando rapidamente sua situação atual não com extrema cautela, mas com garantias seguras de que sairia vivo dali, independente do desenrolar da trama.

— Eu sou Orken! — O ser rugiu com orgulho e maestria. — O guardião terrestre deste portão. Quem é você, homenzinho? E o que você quer aqui?! — Orken, como se apresentou a criatura, ditou, olhando-o de baixo para cima.

Jimin mordeu os lábios, encolhendo-se em seu próprio corpo.

Em sua memória existiam falhas que ele mesmo não saberia como concertar, porventura, entre uma lembrança e outra, Jimin conseguia lembrar-se vagamente sobre os portões infernais e de seus dois guardiões monstruosos.

O portão infernal existia muito antes dele.

Não havia muitas explicações sobre o seu surgimento ou criação, no entanto, essa estrutura se localizava no fim da cidade infernal; um limbo entre o inferno real e a terra.

Muitas almas Yang quando migram para o além são automaticamente levadas para o inferno, porém à aquelas que são deixadas para trás e quando não se tornam cadáveres errantes[1], esses espíritos ficam entre a “vida” e o além. O limbo portanto estava entre esse meio termo, uma vez que fantasmas com grandes quantidades de energia Yang tinham a habilidade de criar cascas com aparência humana para que pudessem vagar na terra como um.

Antigamente, não costumava existir tantos fantasmas com uma energia exorbitante de Yang, mas fazia tanto tempo que Park não tinha contato com esse mundo, que ele já não saberia afirmar com certeza o grau de aparição dessas criaturas.

O limbo inicialmente foi popularizado a partir desses fantasmas, e até aí, os portões infernais nunca realmente tinham se aberto. Ninguém além de Seokjin sabia o que tinha por trás daquela porta, mas com o nascimento da quinta calamidade, décadas atrás, os portões foram finalmente abertos por ela.

Goyohan miso[2], ou em outras palavras, Byun Baekhan, a primeira calamidade a aparecer no mundo, atravessou os portões infernais com um exército de criaturas exentricas e mitológicas, declarando-se modestamente o rei do Limbo. Os fantasmas, sem chance alguma de vencerem aqueles monstros que exalavam pura energia Yang em batalha, renderam-se ao seu poder absoluto sem qualquer tipo de resistência. Uma escolha sábia a quem quer que veja.

Nomear oficialmente Goyohan miso trouxe grandes vantagens para os próprios cidadãos da cidade, afinal, frequentemente os Deuses e os cultivadores humanos os enfrentavam, e para continuarem existindo eles precisavam estar em guerra contínua sempre que o Limbo era invadido. Claro que, não era qualquer um que conseguia faze-lo. Como este lugar existia entre o além e a mortalidade, uma linha tênue separava infinitamente ambas fronteiras, não permitindo que um humano comum consiga atravessa-la.

Dizem que, se um mortal acidentalmente cair dentro da fronteira, ele apenas vagara pela eternidade sem chegar à lugar algum. Essas pessoas com o tempo, obviamente não estariam mais vivas. Mas elas também não estariam ou seriam mortas.

Por fim, Goyohan miso os via como sua família, e não permitia de forma alguma que seus entes fossem exorcizados ou destruídos diante de seus olhos. Um ato nobre para um ser profano. Seria honrável, se todas as criaturas com um núcleo de energia Yang não se abstivesse da sede por sangue e vingança. Esta calamidade sabia das necessidades vorazes de suas criaturas, e entendendo sinceramente o porquê ele e seus irmãos não eram aceitos de forma alguma no mundo, Byun Baekhan pessoalmente rendeu-se.

Tanto no Limbo quanto no Céu, sua enigmática colaboração para com sua própria captura foi vista por todos como um plano que levaria a destruição dos três mundos. Portanto, os Deuses decidiram que um cerco deveria ser feito antes que Baekhan pudesse por seus planos hediondos em prática.

A chamada Queda do quinto[3] deu-se ao sucesso dessa missão, aparentemente, impossível. Sem qualquer perda do lado celestial ou ferimento, no entanto, diz-se que na verdade Goyohan miso apenas ergueu suas mãos para o alto e deixou-se ser preso.

Após ser levado e entregue diretamente à Seokjin, que em momento algum envouveu-se à essa guerra, um estranho tratado entre o céu e a cidade fantasma surgiu logo depois, assustando não só os seres divinos como a própria corja infernal. Afinal, o quão verdadeiro aquela história poderia ser? Foi um choque e ao mesmo tempo, a razão pela qual muitas coisas mudaram em ambos mundos.

No início muitos viam aquelas condições como estúpidas e impossíveis de serem respeitadas. Para todos, era impossível que seres celestiais tivessem qualquer ligação com seres infernais — e vice versa — mas, a ordem já havia sido dada e marcada pelo Deus Kim. O que automaticamente obrigou os Deuses à verem interinamente a última palavra dita, como a certa.

Assim, os Deuses não poderiam adentrar deliberadamente a cidade fantasma, tampouco fazer algo contra alguém lá dentro caso entrasse por algum motivo específico. Na verdade, criaturas divinas eram estritamente proibidas na cidade e se fossem pegos, por algum motivo, eles seriam imediatamente mortos. Acusados por quebrarem o tratado de paz que seu mestre Baekhan se sacrificou para conquistar.

Mas assim como a balança pende com o peso para um lado específico. O equilíbrio que foi dado à humanidade e aos Deuses estava constantemente em contrastaste ao fato de que a partir do momento em que os monstros deixassem a cidade com o intuito de pincelar o mundo em tons vermelhos. Os infratores sofreriam do mesmo destino de suas vítimas.

Eles apenas haviam colocado-os cada um em seu quadrado, dando a punição devida em troca daquele que desrespeitassem cruzar a linha que foi criada.

Desde então, os Deuses ignoravam a existência do limbo. Uns até concordando com o fato de que sua existência era necessária para o equilíbrio da balança celestial. O que, particularmente, Jimin concordava também.

Enfim... Byun Baekhan nunca voltou do céu, mas graças à ele, seu povo vivia, relativamente, em paz. Hoje, talvez, tão bem quanto os Deuses.

Graças as informações dessa calamidade, os Deuses, — tanto os três Grandes, quanto os Deuses abaixo deles — finalmente tiveram uma noção maior do que existia do outro lado dos portões. Não é como se eles pudessem ter total noção disso no entanto.

Terror, foi assim que a calamidade Goyohan miso descreveu o inferno primeiramente. Os Deuses nunca de fato provaram um terror verdadeiro então eles poderiam apenas se apegar ao literal da palavra. O que nem de longe, deixava claro o que é o inferno. A calamidade infernal Baekhan, incrivelmente, também os informou sobre como uma calamidade nascia e porquê especificamente ele foi o primeiro a abrir os portões.

Aparentemente, para que pudesse abri-los, seria necessário uma gota de energia infernal do abismo sem fim — título dado a “mãe” de toda calamidade existente no inferno — que por incrível que pareça, eram extremamente poucas. Ou de uma gota de sangue de uma própria, já que estás criaturas vieram diretamente de lá. Ou seja, parecia muito mais fácil abrir os portões de dentro do inferno, do que ao contrário.

Goyohan miso também deixou claro que para se tornar uma calamidade seria preciso passar por provas que desafiavam mais do que sua força física, agilidade e espírito. Sua própria existência era colocada à prova assim que adentrasse o território do abismo sem fim, e que em Eras, poucos demônios foram capazes de voltar de lá. O abismo sem fim era localizado nos confins do inferno, e todos que iam rumo à ele, ou chegavam até o fim ou pereciam em uma das diversas armadilhas do lugar.

As calamidades, que eram quatro no total — pelo menos naquela época — nunca demonstraram interesse real em deixar o inferno. Parecia ser uma lei silênciosa entre eles, contudo, estas criaturas não impediam que outros fossem em seu lugar. Doando seu sangue à todos que tivessem coragem o suficiente de ir até eles pedir por isso.

Quando a quinta calamidade surgiu, sendo ela Baekhan, ninguém esperava que ele fosse atravessar os portões levando consigo um exército. Ninguém no entanto, o impediu. Há quem diz até hoje que todos aqueles monstros que o acompanharam apenas estavam fugindo do horror que era viver no inferno. Mas muitos tinham suas dúvidas sobre isso, ficando assim, mas um fator importante em aberto sobre as calamidades, a cidade fantasma e o inferno.

Jimin soube dessa história após ler os livros divinos. Mas ele não estava conseguindo se recordar em detalhes o que Baekhan disse sobre os guardiões que ele deixou nos portões. Entre os quatro Grandes Deuses, ele era o mais novo, logo, quando foi criado, Baekhan já tinha sido preso por Seokjin e todos já tinham seguido em frente novamente.

Antes de cair no mundo mortal, os portões nunca haviam sido abertos de novo, mas agora, aparentemente, eles se abriram exatamente duas vezes. Duas vezes! Isso, se tratando de quem ele tinha noção. Namjoon e Taehyung haviam passado por eles, mas quem pode prever se outros seres não fizeram o mesmo? Além disso, como diabos eles estavam conseguindo tão facilmente o sangue de uma calamidade? E pensando nisso, como ele passaria pelos portões sem o sangue de uma?!

" E fica cada vez mais complicado... " — Jimin resmungou mentalmente, mas em seguida, ele arregalou os olhos. Finalmente se lembrando do que tanto queria.

Os portões infernais eram guardados por dois yaomos[4] raros de quatro patas. Uma criatura descrita como horrenda e intrépida.

As histórias dizem que esses yaomos impiedosos são capazes de acabar com seus inimigos com uma única mão, vendo que sua força bruta era uma de suas maiores armas. Sua soberba no entanto, entre todos os monstros ao seu redor, era exageradamente excessiva. Devido sua força física e sua falta de empatia, essas criaturas são dadas como ideais para tomar a linha de frente de um exército. De longe, sendo considerado o guerreiro ideal.

Jimin engoliu em seco. Ele teria mesmo que enfrentar essa coisa?

Quando uma penumbra cobriu o corpo de Jimin de repente, impedindo que a luz do sol o alcançasse. Sua expressão ficou sombria e enquanto ele encarava a criatura com mais de dois metrôs de altura posicionar-se em sua frente para encara-lo com olhos frios e mortíferos. Provavelmente, cansada de esperar por uma resposta. Todos seus instintos de sobrevivência gritaram em aviso prévio.

" Se eu apenas fugir e bater minha cabeça em uma rocha, posso fingi que perdi a memória novamente. Talvez daqui mais setecentos anos, as coisas estejam melhores. " — Refutou, verdadeiramente pensando no assunto, porém, todas suas ideias e seu próprio ser estremeceram quando ouviu:

— Homenzinho, você não me ouviu?! — Jimin encarou-o, dessa vez, com uma atenção maior.

A criatura tinha um corpo esbelto que lembrava o corpo de um cachorro de porte grande. Talvez, cinco vezes maior que um cachorro de porte grande normal. Sua pelagem era preta e brilhante, tão brilhante que eram como lâminas afiadas. Deixando-o ainda mais ameaçador.

Onde deveria ser sua cabeça, caso ele fosse completamente um animal, estava um tronco seguido de um peitoral firme e trincado. Sua pele era negra bem como sua própria pelagem e sendo tão polida e límpida, era como se sua pele fosse perolada como a pedra preciosa em si. Sua postura ávida e atenta era de um verdadeiro guerreiro, e Jimin sentiu-se extremamente ameaçado não só por sua aparência, mas pelo olhar afiado que ele o lançava.

Jimin abriu e fechou a boca como quem quisesse o responder, mas seus olhos prenderam-se nas orbes escuras da besta. Lanbaoshi em seus milhares de anos nunca havia encontrado um ser como aquele e ao estar de frente com o desconhecido, nunca imaginou que além de aterrorizado ele estaria... fascinado? Completamente hipnotizado.

— N-não... Eu... Não te ouvi? — A criatura, com uma expressão duvidosa, travou o maxilar e curvou seu corpo humano até estar cara a cara com o Park.

Ela tinha uma expressão séria e intimidadora. E mesmo quando ela começou a fareja-lo, Jimin não foi capaz de mover um músculo. O ser franziu o cenho, mas antes que Jimin se desse conta, as mãos grandes e fortes o agarraram pelo pescoço. Park sentiu seus pés deixarem o chão e quando se deu conta, estava preso no ar acima da cabeça da criatura.

— Você tem cheiro divino. Deuses são proibidos na cidade fantasma! — Ele rugiu. Orken por si só tinha uma força sobrenatural, então, se ele ousasse colocar um pouco mais, o pescoço de Park instantaneamente quebraria.

Jimin se agarrou a mão do yaomo, puxando o ar desesperadamente enquanto se debatia. Sobre o olhar cheio de aversão do demônio, ele podia sentir sua consciência aos poucos o deixando e embora a adrenalina fizesse seu corpo reagir, sua mente não conseguia encontrar uma forma de se livrar das mãos do ser.

Estava perto de desmaiar quando teve uma imensa vontade de rir.

" Então é assim. Você realmente não mudou nada! Você continua fraco e inútil. Um miserável! Lanbaoshi?! Deus da criação? Que bela porcaria! PARK JIMIN! VOCÊ É ABSOLUTAMENTE NADA! Por que simplesmente não morre?! "

Neste momento, Jimin sentiu algo quente correndo por suas veias. Era como se seu corpo estivesse sendo incinerado de dentro para fora. Ele rugiu de dor, sentindo uma energia excruciante queimar seu espírito. Tinha a sensação de que essa energia o rasgaria no meio, e enquanto tentava lidar com ela, procurava violentamente levar oxigênio aos seus pulmões.

Sua mente contudo estava em êxtase devido a tantas emoções, e em um único segundo, Jimin de repente não sentiu mais nada.

Seus olhos brilharam intensamente, realçando a transparência do azul acinzentado em suas retinas e, quando Orken as percebeu, por um instante, seu corpo recuou. Sua mão, seguindo seu movimento instintivo, afrouxou o aperto, dando liberdade para sua vítima não só respirar, mas automaticamente reagir. Jimin encarou friamente o demônio, pressionando seu pulso com uma força superior descomunal à sua.

A criatura guinchou de dor e o aperto em seu pescoço diminuiu um pouco mais.

Toda tensão no entanto subitamente se esvaiu quando um único floco de neve caiu entre o demônio e Jimin e, assim que a neve se desfez sobre a pele da besta, um prisma de gelo cresceu de dentro de sua carne, consequentemente, perfurando seu braço. Lanbaoshi foi solto no processo. Mas quando caiu no chão, de joelhos, ele não sentiu absolutamente nada.

Em seus olhos lágrimas brotaram e num piscar, elas banharam sua tez alva. Eram lágrimas constantes e intensas, contudo, na expressão do Park sequer havia vida. Era como ver uma imensa pedra de gelo derreter devido a repentina luz forte do sol e isso em nada mudar sua textura. Em contraste aos seus mínimos detalhes albinos, àquelas lágrimas na verdade o deixavam ainda mais bonito.

Jimin ergueu a cabeça e observou calmamente a criatura urrar um pouco mais de dor mas, no instante seguinte, ele sussurrou com um tom de voz extremamente gélido:

— Fuyu... mate-o. — Nesse exato momento, um lampejo esbranquiçado cortou o ar. E logo em seguida, a cabeça da criatura se desprendeu do corpo, caindo violentamente no chão num baque ensurdecedor. Rolando em direção ao corpo de Jimin.

Devido a incisão agressiva, porém certeira, o corte jorrou um punhado de sangue como um chafariz. As gotas de sangue banharam tudo ao seu redor, — inclusive o corpo de Park — deixando um intenso mar vermelho se formar alí. Só então, quando o corpo de Orken tombou no chão sobre uma grande poça de sangue que Jimin pareceu voltar a si.

Ele encarou a cena com certo horror, e se afastou da chuva carmesim se rastejando para trás.

O Deus da criação respirou fundo. Embora ele se lembrasse de tudo que ele havia acabado de fazer, não era como se ele se orgulhasse. Ele sabia exatamente o que havia acontecido com seu corpo, e ter noção disso não o agradava nenhum pouco. Não era estando parcialmente conciente de seus atos que ele derrotava o inimigo, sendo assim, quando se levantou, ele reverênciou três vezes o cadáver da criatura.

— Bela criatura, me desculpe por não lutar com você justamente, eu acidentalmente perdi o controle de meus poderes. — Ele se ergueu, repentinamente, franzindo o cenho. — Mas se não fosse dessa forma, você teria me matado então... Espero que não haja rancor entre nós! — Dessa forma, Jimin deu de costas, olhando ao redor. — Onde foi parar... — Ele murmurou, mas o reflexo de uma luz extremamente branca fez seus olhos brilharem em alegria. Ao longe, cravado entre as bases do portão infernal estava Fuyu, sua espada espiritual.

Jimin tinha um sorriso amoroso no rosto. Havia tanta coisa acontecendo, uma atrás da outra, que ele sequer se lembrou dela. Um pouco decepcionado consigo mesmo, ele à chamou. A espada, com sua lâmina tão branca quanto os cabelos de seu dono, e tão límpida quanto seus olhos, estremeceu de onde estava. Atendendo ao chamado do Park, ela voou de volta em sua direção.

Quando o Deus tocou em seu cabo fino que alternavam do branco para dourado, ele à sentiu ainda mais friorenta. Jimin a segurou firmemente quando cristais de gelo nasceram da ponta da lâmina cobrindo-o completamente até a pedra dourada cravada no meio do cabo. Com o sorriso um pouco maior do que o de costume, ele sentiu sua alma se conectar a espada. A pedra dourada brilhou, e correspondendo ao seu efeito, o gelo despedaçou-se em pequenas lascas resplandecentes.

Surgindo em seu lugar uma elegante banhia de tons cinzentos, com relevos em formatos que representavam a neve sendo levada pelo vento. Ele encarou sua espada por longos segundos que pareceu uma eternidade, no entanto, um grito estrondoso o levou de volta ao mundo real. Jimin varreu o ambiente com o olhar, encontrando um pouco distante uma mulher com corpo de serpente.

Essa criatura, apesar de não ter pernas e se rastejar exatamente como um cobra devido a estrutura óssea abaixo de sua cintura era excepcionalmente bonita quando não estava prestes a devorar suas vitimas. Jimin por outro lado não teve tempo para apreciar sua aparência como fez com o yaomo de quatro patas, porque no instante seguinte, vários soldados Orcs surgiram carregando suas lanças, escudos e espadas.

Como se isso lhe passasse certa segurança, Park segurou Fuyu veementemente. Ele estava claramente disposto a lutar. Dessa vez, sem perder o controle ou lutar imprudentemente. Mas como se Jimin tivesse acabado de usar toda a sorte que pode ter acumulado depois de tantos anos de azar, seu corpo pendeu para o lado e sua visão rodou.

Em uma reação realmente rápida, ele cravou Fuyu no chão e se apoiou à ela. Se caísse, não tinha certeza que seria capaz de se levantar.

— Usei tudo o que eu tinha? — Ele grunhiu, olhando para os lados.

Estava prestes a ser cercado quando sem se aprofundar muito em pensamentos, prendeu sua espada na cintura agilmente, deu de costas e correu, ainda vendo o mundo ao seu redor girar em contrapartida.

— Peguem ele!

— Ele assassinou o Mestre Orken!

As vozes dos Orcs tendiam ser altas e roucas, contudo, entre tantas outras, uma prevaleceu, fazendo os poros de Jimin dilatarem e seus instintos gritarem perigo.

— PEGUEM ESSA CRIATURA VIVA! EU ARRANCAREI SEUS DEDOS E COMEREI SUAS TRIPAS ENQUANTO OUVIMOS SEUS GRITOS. VAMOS VINGAR ORKEN DESTRUINDO CADA PEDAÇO DESSE QUE OUSA ASSASSINAR UM DOS GUARDIÕES INFERNAIS! VAMOS ESTRAÇALHAR SEU ESPÍRITO E ALIMENTAR A CIDADE COM SEUS MEMBROS! — Todos soldados liderados por aquele Orc em específico soltaram um grito de guerra à plenos pulmões, fazendo a espinha de Park congelar.

Já havia lido sobre essa raça e o que havia descoberto não poderiam deixa-lo mais enjoado. Era quase como se eles fossem os porcos da raça demoníaca e infernal. Não que bestas como aquelas precisassem de higiene ou humanidade, eles não passavam de bestas, contudo, o que esses seres eram capazes de fazer com suas vítimas conseguia ser absurdamente nojento e assustador.

— RÁPIDO, NÃO DEIXEM QUE ELE CHEGUE NA AVENIDA PRINCIPAL! ELE PODE ACABAR DESTRUINDO O GRANDE DESFILE DAS MÁSCARAS!

— M-mas senhor, se i-isso acontecer... O- o rei vai...

— NÃO RESMUNGUE E APENAS CAPTURE-O! ARRANQUE SUAS PERNAS SE PRECISO, MAS PEGUE-O!

Ao ouvi-los, Jimin rapidamente acelerou os passos o quanto pode, usando o fato de que, por eles serem grandes e carregarem um armamento pesado, não fossem tão ágeis como ele próprio. Park claramente ainda estava tonto por causa do uso impróprio de sua energia, e em sua correria, tropeçava em uma pedra ou outras. Ele sentia que estava prestes a desmaiar, virando-se de uma esquina para a outra, Jimin de repente saiu no que vinha à ser o centro da cidade.

Claro, se os portões infernais ficavam ao fim dela, obviamente não teria muitos monstros ao redor deles. Talvez seja por isso que até agora não havia visto outras criaturas. Nesse exato momento, Jimin pode sentir violentamente a diferença de mundos. Ele estava, definitivamente, muito longe de casa.

O Grande mestre suspirou, aceitando sua morte.

" Se eu voltar para trás.... Talvez eu tenha a chance de fugir e realmente bater com a cabeça numa rocha. "

— ALÍ, IRMÃOS, LÁ ESTÁ O ASSASSINO DE ORKEN!

— PEGUEM ELE!

— NÃO PERMITAM QUE ELE FUJA!

Jimin choramingou, voltando imediatamente a correr. Ele tentava usar seus poderes mas não havia uma única gota de energia Yin sobrando. A esquina que mais lembrava uma viela suja e fétida foi ficando cada vez mais cheia. Em torno de sete Ocs estavam preparados para avançar, deixando-o entre a cruz e a espada.

Com os olhos trêmulos e mãos suadas, Park encarou minuciosamente os olhos cheios de irá. Se as armas em suas mãos fossem vivas, diria agora que elas estavam famintas por rasgar sua carne. Ele riu amarelo e olhou para trás, os monstros ainda transitavam de um lado para o outro, agitados e distraídos o suficiente para não notarem eles alí.

Mas mais do que eles, Jimin finalmente entendeu que por causa da situação, ele mesmo se esqueceu de que lutas não eram travadas apenas com os punhos. Ele olhou fixamente para aqueles monstros que em sua maioria, parecia estar exatamente vestido como o Deus. Não com as mesmas roupas, claro, mas assim como suas vestimentas estavam ensanguentadas, à deles seguiam da mesma forma.

Além disso, cada monstro usava uma máscara youkai[5] em seu rosto, escondendo-se completamente. Todos pareciam estar em clima de festa, e embora fosse dia, isso não amenizou a próstição dos demônios para com o evento.

Haviam muitas barracas de comidas e acessórios, não sendo muito diferente de uma feira humana, pelo menos nesse quesito, já que, o que eles vendiam fossem coisas realmente macabras. Se Jimin soubesse usufruir bem do ambiente ao seu redor, ele facilmente seria capaz de despistar aquelas criaturas e encerrar sua perseguição.

Jimin sorriu, todo presunçoso.

— Eu adoraria ter meus dedos arrancados e minha tripas comidas, no entanto, vou ter que adiar nosso encontro para mais tarde. — Ele piscou um de seus olhos e se infiltrou na multidão.

Os Orcs avançaram, mas quando fizeram o mesmo, já era tarde demais. O Park simplesmente havia desaparecido. Quando o Orc que parecia comanda-los surgiu, sua expressão estava contorcida de puro ódio.

— Encontre-o. Caso o contrário, suas famílias serão mortas diante de seus olhos.

Notas finais
[1] Cadáveres errantes = São cadáveres movidos por fantasmas de energia Yang [2] Goyohan miso = Traduz-se no literal para "sorriso sereno" 미소 - miso/sorriso 고요한 - goyohan/sereno. [3] Queda do quinto = Título dado ao cerco contra calamidade Byun Baekhan. [4] Yaomos = traduz-se para "demônio". [5] Youkai = youkai, é uma classe de criaturas sobrenaturais do folclore japonês, que inclui o oni (lit. “ogro”), a kitsune (lit. “raposa”) e a yuki-onna (lit. “mulher da neve”).