Godless Soul
2 Contagem Regressiva
Notas iniciais
Obrigada por todas as reviews lindass! Quando eu tiver tempo eu respondo uma por uma. Daisuki minna!!
Chapter 1: contagem regressiva.
- AHH! ENVY, ME SOLTA! — gritou o homúnculo enquanto brincavam.
Envy colocara Lie nas costas e segurava suas pernas, sem soltá-las por mais que ela pedisse. Ele queria saltar de prédio em prédio carregando-a, apenas por diversão. "Só que não é nada divertido quando você está sendo carregada!" Lie pensou enquanto ele fingia que a derrubaria do telhado.
- Tem certeza? — ele respondeu à pergunta dela, soltando um sorriso malicioso.
- AAH! — ela se agarrou a ele. — Não! Por favor, me põe de volta no telhado calmamente.
- Sem chance!
Ele deu alguns passos para trás no telhado.
- Vamos lá, vou fazer a contagem regressiva.
- Envy, para com isso, droga.
- Um! — ele riu. — Dois!
- Envy! Espera, você é pesa...
- Três!
E saiu correndo para a beira do telhado. Lie fechou os olhos e quando ele chegou à ponta, pulou. Ela soltou um grito razoavelmente alto e eles pousaram do outro lado, destruindo parte do telhado e, assim, caindo. Mais uma vez, Envy caiu em caiu em dela.
- ENVY, SAI DE CIMA DE MIM — gritou enraivecida. — Estou começando a pensar que você faz isso de propósito!
- Oopa — ele falou, se erguendo.
- Foi por isso que eu falei — disse dispensando quando ele estendeu-lhe a mão para ajudar a levantar, fazendo isso sozinha. — Você esquece qual o peso da sua forma verdadeira, não é?
- De vez em quando — ele deu de ombros.
- Idiota. — ela revirou os olhos.
Ele sorriu maliciosamente de novo.
- É, mas mesmo assim você me ama.
- Sorte sua.
Ele a puxou pelo braço e lhe deu um beijo.
- Quer fazer de novo?
- Que parte? A que a gente cai porque você é muito gordo ou a que você me beija?
- Ei! Eu não sou gordo.
- Não assim — respondeu rindo e lhe plantando outro beijo nos lábios.
- Vamos sair daqui antes que alguém chame a polícia por termos destruído a metade superior do prédio.
- Pode ser — ele respondeu assentindo.
Quando saíram, um burburinho estava se formando ao lado deles na rua. Por um minuto, Lie achou que fosse graças ao estrondo que ela e Envy haviam feito quando caíram, mas logo viu que a atenção de todos estava voltada para uma banca de jornal próxima.
Ela franziu o cenho. Não era normal tal concentração de gente naquele ponto da Cidade Central, muito menos àquela hora. Se aproximou do bando de gente, tentando espiar, mas tudo o que conseguiu ver eram cabeças e vários jornais indistinguíveis.
- Huh — fez e cutucou uma garota de capa preta. Ela se virou e Lie encarou seus olhos amarelados tremendamente familiares. — Com licença, mas o que está acontecendo?
- Uma notícia nos jornais — disse ela, avaliando Lie de cima abaixo. — Parece que um famoso médico que ajudava na reconstrução de Ishbal foi assassinado.
O homúnculo arregalou os olhos, sem palavras. Envy, que estava ao seu lado, falou por ela:
- Médico? Ishbal? Será que não está falando do Marcoh?
Lie o olhou, e de volta para a garota quando esta voltava a falar:
- Precisamente o Dr. Marcoh.
- Mas como foi que aconteceu? Quer dizer... Eu conhecia o Marcoh, ele não era burro. Ele sabia alquimia o suficiente para não cair em truques de um assassino normal.
- Isso me lembra de uma coisa, Lie. — Envy falou e a garota de capa preta lhe mediu dos pés à cabeça também. — E se não tiver sido alguém normal? Como antigamente.
- Estou imaginando.
- Ahn, esperem — a garota falou e puxou um jornal do monte que conseguiu alcançar. Deu algumas moedas para o atendente e se virou outra vez, fungando o nariz pequeno. — Vejam. Oh, parece que ele foi morto de modo peculiar. — Ela franziu as sobrancelhas perfeitas e expressivas. — Que tipo de assassino deixa um desenho de ouroboros em sangue na parede ao lado da vítima?
Lie tirou o jornal das mãos dela, ignorando a forte marca de ironia em sua voz — ironia demais até para a pessoa mais sádica quando se tratava de um assassinato brutal. Ela olhou para a foto que ilustrava o jornal. Realmente, a marca de um ouroboros idêntica à sua tatuagem no abdômen escorria em sangue na parede fotografada. Próximo a ela, um monte de lona cobria o formato de um corpo que jazia inconfortavelmente no chão. Na imagem ao lado estava o retrato do rosto deformado do médico.
- Envy, olha isso! — exclamou puxando-o ao lado.
- Eu sei, eu sei, estou vendo! — ele reclamou.
- Sabe o que significa?!
- Você está ficando neurótica.
Ela deixou o jornal não muito cuidadosamente com a garota de capuz e começou a sussurrar para que ninguém mais a escutasse.
- Ele virá atrás de nós. — rosnou — O Mustang!
- O quê? Por que viria?
- O símbolo de ouroboros! Significa que tem mais algum homúnculo por aqui, mas Mustang vai achar que fomos nós!
- Por que diabos mataríamos o Marcoh? — ele perguntou sabiamente puxando-a para longe da concentração de pessoas, pois ela começava a falar alto demais.
- Não sei, mas você acha que ELE vai saber?!
- Fale baixo, droga!
- Desculpe, mas estou nervosa!
- Controle-se! Não tem motivos para se preocupar no momento. Ele não sabe onde nós estamos.
- Com licença? — disse alguém ao lado de Lie. Era a garota de minutos atrás. Ela lhe estendia o jornal que a outra praticamente atirara nela agora pouco. — Você pode ficar com ele, eu já sei os detalhes da notícia.
- Uh... Obrigada — respondeu, um tanto desconfiada, pegando o jornal. Por que a garota estaria no meio da balbúrdia se já sabia detalhes da notícia antes de ler?
Ela sorriu e começou a andar para o outro lado da rua.
- Ah, espera! — falou Lie, mas ela já estava do outro lado. — Qual seu nome? — perguntou o mais alto que pôde.
A garota baixou o capuz, mostrando um longo cabelo verde preso num rabo de cavalo com algumas mechas brancas e uma faixa preta amarrada atrás que cobria parte da raiz do cabelo e da testa. Dali ela parecia mais baixa, embora tivesse quase a altura de Lie. O homúnculo franziu o cenho, entendendo o porquê de aqueles olhos terem-lhe parecido tão familiares no começo.
- Pandora — respondeu. — Mas me chame de Pan.
E então ela virou as costas e seguiu seu caminho.
Apesar de o sol estar forte e o céu num tom azul claro quase ofuscante do lado de fora, dentro daquele quarto parecia que nem havia amanhecido. As cortinas brancas foram puxadas com força e sem jeito para cobrir a janela fechada e apenas alguns feixes de luz passavam por entre pequenas aberturas. Mesmo que desse para enxergar os poucos móveis do quarto, a luz não era o bastante para interromper o sono pesado da garota dorminhoca com curtos cabelos vermelho-sangue, estirada de qualquer jeito na cama de solteiro do hotel.
A porta abriu-se lentamente enquanto um par de olhos verdes hesitantes e amedrontados espiava. A escuridão continuava no quarto como há uma hora, quando tentara entrar de novo e ela – a ruiva – continuava na mesma posição.
- Kirii-sama... – murmurou com sua voz fina, em dúvida se tentava acordá-la ou não.
Ela entrou no quarto e fechou a porta bem devagar, caminhando pé ante pé até o lado da cama, quase tremendo devido à hesitação. A luz que entrava da janela refletia em seu cabelo rosa claro comprido até a cintura enquanto ele balançava ao lado dela. Mas antes que a garota conseguisse colocar a mão no ombro de Kirii, esta se ergueu repentinamente com seu habitual canivete vermelho estendido contra a outra. Um grito rápido soou e a garotinha de cabelo cor-de-rosa caiu para trás.
- AHN! K-K-Kirii-sama!!
A ruiva olhou para a baixinha, franzindo o cenho em confusão.
- Ah, era você, Mi-Cha – Kirii Kylie constatou. – Já disse para não tentar me acordar assim, normalmente não paro para ver quem é antes de usar o canivete.
Mi-Cha Kyoung se levantou do chão desajeitadamente, fazendo várias mesuras seguidas.
- Desculpe! Desculpe! Desculpe!
Kirii assentiu.
- Sem problemas, pare de se desculpar.
- Ahh! Desculpe! – Mi-Cha disse, referindo-se ao ato de desculpar-se. Mas quando notou que fizera de novo, disse: — Ah, droga! Desculpe-me, Kirii-sama!
Kirii revirou os olhos.
- Mas o que houve para você me acordar?
- Uhh... Err, na verdade...
- Que horas são agora?
Mi-Cha colocou o dedo nos lábios, pensando.
- 16 horas, 34 minutos e 49 segundos contando a partir da menção da palavra agora. – respondeu a menor. Sua memória e noção do tempo e espaço eram características que sempre lhe foram muito aparentes.
- Ahn, você me acordou cedo! – Kirii disse. Normalmente ela não tinha horários fixos para dormir, eram apenas baseados no momento em que ela deitou na cama. O que dessa vez deveria ser por volta das 14 horas, logo após o almoço.
- Desculpe-me Kirii-sama, mas o Führer marcou de encontrá-la daqui a 4 minutos e 55 segundos.
- Ah, é mesmo, não é? – ela se levantou e começou a ir em direção ao banheiro, fechando-se lá.
– Mas militares sempre se atrasam, ainda mais sendo o Führer, não é? Mi-Cha, pode pegar minha toalha, por favor?
Mi-Cha abriu as cortinas e a janela, pegou uma toalha jogada num canto do quarto e correu até o banheiro, abrindo a porta e passando-a por uma fresta. Depois se virou e começou a mexer na mala desarrumada de Kirii.
O barulho da água no chuveiro começou a correr.
- Que missão será que o Führer vai nos passar? – perguntou Kirii de dentro do banheiro. – Quer dizer, bleh, para nos chamar dos confins de Briggs para vir até a Central precisa ser algo muito importante.
- Não gosto de dar minha opinião sobre o que não sei, Kirii-sama, mas imagino que seja algo sobre a série de assassinatos que começou a surgir na cidade.
- O quê?! – perguntou. – Uma série de assassinatos?! Quer dizer que um Serial Killer bunda-mole aparece e nós temos que vir de Briggs para cá para resolver a bagunça? Essa cidade não tem alquimistas qualificados para esse tipo de idiotice?
Mi-Cha mordeu o lábio e selecionou um short cor de cobre e uma blusa listrada em branco e vermelho para a amiga.
- Ah, se for isso ele vai ver só. – disse Kirii. O som de água parou de soar no banheiro. – Mi-Cha, minhas roupas, por favor. Argh, se for isso eu vou enfiar aquele título de Führer na cara dele e mandá-lo congelar em Briggs para ver se ele aguenta o frio e as ordens da Armstrong.
Mi-Cha passou as roupas para Kirii por uma fresta da porta de novo.
- Creio que eles já se conhecem, Kirii-sama.
- Impossível! Aquele homem nunca mais seria o mesmo depois de conhecer a General de Divisão!
- Ainda sim, imagino ter escutado a Armstrong-sama falando algo sobre o Führer. Ela falou de um modo que julguei íntimo demais para uma relação meramente profissional.
A porta do banheiro se abriu e Kirii saiu, começando a calçar a bota marrom – na qual havia um círculo de transmutação desenhado na sola, já que ela precisava dele para suas transmutações -, prendendo o cinto na roupa e guardando suas coisas usuais, como seu canivete.
- Ah, é, bem... Se você se lembra, deve ser verdade. Você e essa sua maldita memória.
Mi-Cha assentiu, pegando sua bolsa e começando a se preparar para sair.
- Quanto tempo nós temos?
- Humm. 58 segundos, Kirii-sama.
A outra sorriu.
- É tempo muito mais que suficiente!
Fale com o autor