Godless Soul
3 Quem é Deus afinal?!
Notas iniciais
Ainda estou sem tempo pra responder as reviews pessoal, mas estou lendo todas! Obrigada, vocês são demais >3<
Um pouquinho de Edward aqui pra vocês.
Beijoss
Chapter 2 : Quem é Deus afinal?!
O trem expeliu mais um jato de fumaça branca contra o ar diurno. A estação de Resembool estava até que cheia para a época do ano. Edward Elric, no entanto, não estava atento a nenhuma das outras pessoas na estação, a não ser a uma única loira de olhos azuis que no momento não parecia muito animada com sua partida.
- Winry, vai ser apenas uma reunião, eu prometo – Edward insistiu pela milésima vez naquele dia.
- Não tenho tanta certeza. Estou com um pressentimento ruim, Ed. Por favor, fique aqui.
- Winry... – ele murmurou com um suspiro.
Alphonse apareceu na janela do vagão ao lado do irmão, soltando um longo sorriso.
- Winry! Vamos voltar bem, não se preocupe! E não pretendemos ficar por lá, você não tem o que temer.
Ela sorriu para Alphonse.
- Al...
- É, ele está certo! – disse Edward. – Nós vamos volt...
- Não, não vão! – ela protestou. Os irmãos a observaram, assustados. – Ed, Al, eu estou vendo tudo o que vai acontecer daqui para frente. Vocês estão me prometendo agora que voltarão, mas, não sei como, tenho certeza de que não nos veremos tão cedo.
Edward sustentou o olhar dela. Ele mesmo não tinha certeza de se ia voltar logo da reunião com o Führer, mas estava otimista quanto a isso. Sorriu para Winry a fim de demonstrar confiança.
- Do que está falando, sua boba? Claro que vamos nos ver logo. Mesmo que eu e o Al entremos em confusão, você vai ter que aparecer para concertar meu automail.
Ela sorriu e baixou o olhar.
- Acho que você está certo.
- Claro, eu sempre estou ce... Ai! – disse, porque Alphonse lhe pisara o pé que não era um automail.
Outra baforada de fumaça saiu do topo do trem e ele começou a andar depois de um longo apito. Antes que o trem começasse a se distanciar muito depressa, Ed esticou-se para fora da janela e deixou um delicado beijo de despedida na bochecha de Winry. Com um sorriso pretencioso, voltou para dentro do vagão e começou a acenar.
- Até mais, Winry!
Com uma risadinha, Al concordou.
- Tchau Winry! Até breve!
Ligeiramente atordoada, a loira observou-os começando a se distanciar e começou a correr para acompanhar a janela do trem, esbarrando em algumas pessoas. Ela parou no final da plataforma, acenando entusiasticamente.
- Até! Voltem bem, por favor!
Alphonse fechou a janela e sentou-se. Edward sentou de frente para ele, observando a paisagem.
- Ei, onii-san, você e a Winry, não é? – provocou o caçula.
Ed se espreguiçou e deu de ombros, inclinado a não responder. Em vez disso, tentou mudar de assunto.
- O que você acha que ela quis dizer com “pressentimento ruim”?
- Hm. Bem, acho que talvez só seja coisa da cabeça dela. Por que nos meteríamos em confusão agora? Já não somos mais crianças.
- Não acho que é de nos metermos em confusão que ela tem medo. – murmurou Edward voltando a olhar para a janela.
- Então do quê, onii-san?
- De a confusão nos meter no meio de si.
Alphonse ficou por um momento calado. Sabia que as probabilidades disso ocorrer não eram mínimas. Não deveria ser à toa que Mustang os chamara para ir à Central, afinal de contas. Não queria se gabar, mesmo que mentalmente, mas ultimamente não era para qualquer missão boba que o Führer os contatava. De alguma maneira, Al imaginava que tinha o mesmo pressentimento de Winry para com essa viagem. Não voltariam tão cedo a Resembool e ainda estava quase certo em sua mente que entrariam numa situação perigosa.
Repentinamente, o trem começou a frear. Edward e Alphonse começaram a olhar ao redor. Eram quase os únicos no trem a não ser por um homem que parecia estar de férias graças a suas vestes e uma mulher com uma criança.
- Onii-san, o que está havendo?
- Não sei, Al.
A porta do vagão se abriu depois de alguns longos minutos e um funcionário apareceu seguido por uma figura bizarra vestida numa capa preta.
- O que houve, senhor? – perguntou Edward ao funcionário do trem.
- Esta senhorita embarcou. – ele respondeu simplesmente, um tanto afetado, e saiu enquanto a garota continuava caminhando até se dirigir a seu lugar na cadeira ao lado da dos Elric. Edward sentou de novo embora ainda lançando um olhar desconfiado à pessoa que embarcara.
- Onii-san – perguntou Alphonse um tanto baixo. – Como o trem para a fim de que uma única pessoa embarque sem que esteja numa estação?
Ed recostou.
- Isso não acontece sempre.
Ed continuou olhando furtivamente para a garota ali sentada, observando-a dos pés à cabeça embora a maior parte dela estivesse coberta por sua capa. Ele arregalou um pouco os olhos de repente, franziu o cenho e se virou para Alphonse começando a conversar num tom que esperou parecer casual.
- Ei, Al.
- Hm?
- Por que será que o Mustang está nos chamando hein? Não deve ser para cobrar os quinhentos e vinte cenz que ainda devo a ele.
- Ahn. Eu não sei, onii-san.
- Será que tem algo a ver com homúnculos?
- Hein? Eu não sei, por que teria? Os únicos homúnculos restantes no país, se é que ainda estão aqui, são a Lie e o Envy, não?
- Não sei, algo me diz que tem mais.
Alphonse ficou por um momento sem entender.
- Como assim, onii-san? Mais homúnculos? Desde quando?
- Tenho a impressão de que tem mais algum perambulando por aí. Quem sabe não esteja até... Próximo demais?
Nesse momento, ela saltou em direção a Ed, mas ele já estava preparado. Deu a volta e puxou o braço da garota de modo a imobilizá-lo e eles ficaram se encarando por um longo momento.
- Eu sabia. Só estava esperando uma deixa, não é?
Ela sorriu de modo afetado.
- Como descobriu?
- Você não escondeu bem o ouroboros, não acha?
Ela tentou outro movimento para dar um chute no abdômen de Edward, mas Alphonse lhe passou uma rasteira e ela caiu para trás. Ed imobilizou-a no chão segurando-a sob si. As pessoas do outro lado do vagão começavam a se assustar.
- Não precisam se preocupar, está tudo sob controle. – Alphonse disse com um sorriso simpático.
Edward encarou a garota e tirou seu capuz, mas não ficou surpreso a constatar que não era um rosto conhecido. Ela tinha uma faixa na testa e cabelo verde-claro meio esbranquiçado. Olhos amarelados como os dele e um sorriso temperado de malícia e ironia.
- Droga, eu esperava que vocês adormecessem. Assim poderia entrar na mente de vocês com mais facilidade e fazê-los apodrecer de dentro para fora.
- Esse é o seu poder?
- Não exatamente. Mais uma habilidade, eu diria, algo que eu uso quando estou de bom humor.
- Quem é você? – Alphonse perguntou.
- Podem me chamar de Pandora.
- E o que quer conosco? – Ed completou.
- Na verdade fui encarregada de matar vocês, mas acho que você já deu conta de mim, não é, Edward?
Algo no tom de ironia dela fez os Elric acharem que era um blefe muito grande.
- Quem te mandou? – Al perguntou.
Ela ficou séria por um momento e depois começou a rir histericamente, balançando as pernas com força como se quisesse se soltar – mas na realidade essa nem ao menos era a intenção.
- Responda! – Edward rosnou, segurando-a contra o chão.
- Quem me mandou? Bem, Deus me mandou! É só o que tenho a dizer!
- Deus?
- Sim! Sabe, aquele ser todo poderoso que manda nascer e morrer, matar e reviver? Esse mesmo.
- Pare de dizer bobagens e responda!
- Eu já respondi, droga! Mas que coisa, vocês humanos são tão estranhos! Justo no momento em que estou falante e disposta a colaborar, mandam-me mentir!
Alphonse e Edward trocaram olhares. Que homúnculo estranho. Ela estava rindo e falando quase como uma garota tagarela falando sobre compras. Quando seus olhares vagaram de volta para Pandora, ela já parara de falar e olhava-os com seriedade e irritação.
- Pan está irritada. Pan está com raiva. Pan está frustrada. Pan quer que Edward saia de cima dela ou Pan terá que fazer algo que Pan não quer fazer contra ele.
Edward soltou uma risada cética.
- Não sairei de cima de você antes que me responda algumas perguntinhas.
- Já respondi perguntas o suficiente. Pan vai pedir mais uma vez: saia de cima.
Os olhos dela começaram a ficar mais brilhantes, quase como se ela realmente esperasse que ele não a obedecesse.
- Onii-san – disse Alphonse. – Acho melhor ouvi-la, você não sabe o que ela pode fazer...
- Al! Deixe disso, sabemos lidar com homúnculos. Além do mais, o que essa pirralha poderia fazer?
Isso pareceu irritar muito Pandora.
- Pan não é pirralha. Pan já cansou de pedir. Pan vai fazer você aprender a não subestimá-la!
No momento seguinte, Alphonse caiu de lado. Edward arregalou os olhos para ele e voltou-se para Pandora de novo.
- Al! O que fez com ele?!
O homúnculo sorriu.
- Pandora vai fazer Edward Elric viver o pior pesadelo dele...
Ed arregalou os olhos e olhou ao redor. O trem, que antes era novo – quase um top de linha da estação Central – agora estava velho e enferrujado e parara de se mover. Olhando por uma janela, o céu era uma mistura de um roxo fúnebre com um amarelo queimado doloroso enquanto o sol se punha no mais horroroso dos fins de tarde, que manchava a visão de tudo ao redor com um tom sépia decadente.
Edward olhou ao redor novamente. Os demais passageiros do trem agora estavam deitados no chão, completamente mutilados. As paredes e poltronas manchadas pingavam sangue sobre pegadas e marcas de mãos enquanto um riso estridente ainda ecoava demonstrando a crueldade do agressor.
- Impossível... – Edward murmurou consigo mesmo, horrorizado. – Impossível! – ele se virou para o irmão. – Al! Uh...!
Alphonse estava ali, de fato. Mas não estava ainda sim. A única coisa que mostrava que algum dia ele pusera seus pés naquele trem era seu corpo igualmente massacrado e seu sangue espalhado numa grande poça vermelha em tom de morte.
- Al... – Edward murmurou, sentindo o coração disparar. Seus olhos foram atraídos para o corredor, onde havia uma figura agora sem capuz, em pé, que sustentava seu olhar com determinação e maldade. Ed trincou os dentes e cerrou os punhos. – Pandora – rosnou.
- La-la-la-la-laa-la! – ela cantarolou, feliz. – Está gostando, Edward?
Ela sorriu mais, entretanto isso não durou muito, pois no segundo seguinte uma voz ecoou de modo que tanto o homúnculo quanto o humano pudessem escutar claramente. Era uma voz feminina e jovem, mas seu tom era de quem já vivera muito.
- Chega – disse a voz. – Volte.
Pandora pareceu chateada.
- Ah! Deixe-me brincar mais um pouco!
- Não me faça repetir, Pan – a garota se emburrou ao ouvir isso, mas logo seu sorriso voltou a crescer com as próximas palavras da voz anônima: — Você ainda vai ter tempo para se divertir, eu prometo.
- Ainda tenho que matá-los?
- Não. Apenas volte. Tenho outros planos para estes dois agora.
Pandora assentiu com um suspiro melancólico.
- Tudo bem, então. Pan tem que obedecer a ordens.
- De quem era aquela voz?! – perguntou Edward, num rosnado.
- Eu já lhe disse! – ela respondeu. Sua voz ecoando lentamente. – Deus!
No momento seguinte, Pandora desaparecera e ao redor de Edward várias cobras cobriam o chão. Ele levantou rapidamente, mas não adiantou, pois elas continuavam subindo-lhe pelas pernas e entrando pela barra de sua calça até que ele ficou completamente coberto por elas e não conseguiu mais ficar em pé.
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