Goddess and Monster - Part 1
15 Capítulo 13 - A intimidade de nós dois - Parte 2
Notas iniciais
A cama estava preparada para que pudessem dormir e havia um grande pedaço de bolo em cima da mesa próxima à lareira. Estavam tão entretidos que Sansa nem ouviu Amina entrar. Quando ela havia entrado?
Sandor pareceu não se importar com a presença de Amina. Apenas fechou a cara e colocou sua habitual carranca.
– Trouxe bolo de limão para você, Lady Sansa. – avisou Amina.
Sansa lhe deu um sorriso tímido e tentou ler a expressão de Amina. Ela não parecia saber de tudo o que fizeram. Ou escondia isso muito bem.
Sansa se aproximou da mesa e sentou-se para comer o bolo de limão. Amina sentou na outra cadeira e Sandor foi à lareira e remexeu o fogo.
– Por que a senhorita está toda molhada, Lady Sansa? – perguntou Amina, parecendo inocente. Sandor soltou o que parecia uma risada. E Sansa abaixou a cabeça, tentando esconder o rubor.
– Ela ajudou a me dar banho. – respondeu Sandor. Sansa teve vontade de estapeá-lo.
– Oh. – fez Amina e nada mais disse. Voltou ao seu sorriso aberto, observando Sansa comer o bolo de limão.
Sansa se remexeu na cadeira.
– Quando partiremos? – perguntou Sansa quando Sandor terminou de remexer a lareira.
– Provavelmente, em dois dias.
– Tudo isso? Por que não podemos partir amanhã?
– Sua família não está nas Gêmeas ainda. Não podemos arriscar pisar naquele lugar sem proteção. – Sandor se aproximou da mesa. Ele não estava acanhado de ficar sem gibão na frente das duas mulheres. Parecia natural, mesmo sabendo que Sansa se sentia um pouco tímida. Amina não se incomodava e lançava olhares famintos para o peitoral de Sandor.
– Vamos ficar aqui? – Sansa estava começando a se desesperar. Não podiam ficar jogados numa estalagem por dois dias. Era perigoso.
– Vamos. E você não sairá desse quarto, por segurança – anunciou Sandor. – Amina pode sair. Eu sairei para garantir informações, mas você ficará aqui.
Sansa se irritou. Fechou a cara com a ideia de ficar trancada dentro de um quarto por dois dias. Sandor esticou a mão para arrancar um pedaço de seu bolo e comer. Isso a irritou mais ainda.
– Não sou um pássaro para ficar trancado. – disse Sansa, terminando de comer seu bolo. Estava cansada de ficar trancada. Já não bastava ter ficado presa na Fortaleza Vermelha?
Sandor lhe deu um sorriso de lado, tocou-lhe o queixo.
– Você é o meu passarinho. – sussurrou, se afastando.
Amina se remexeu na cadeira e Sansa reparou que ela tinha a expressão triste.
– Acho que está na hora da senhorita dormir, Lady Sansa. – disse Amina, indo até a cama e afastando os cobertores para que Sansa se deitasse.
– Pode sair daí. Você não irá dormir na cama. Eu vou – rosnou Sandor. – Estou cansado de você ter regalias, nem deveria estar conosco.
Amina colocou as mãos na cintura.
– Onde já se viu? Um homem como você dividir a cama com uma lady? – perguntou Amina com cinismo. – Ela deve dividir a cama somente com o senhor seu marido.
Sandor fechou a cara mais do que já havia fechado.
– Hipócrita – xingou Sandor. – Você acha que pode chegar aqui e nos dar ordem?
– Por que não pede camas separadas nas estalagens? – provocou Amina. – Entendo que queira protegê-la e por isso pede por apenas um quarto. Mas as camas? Não precisa ser cama de casal! Você era um cavaleiro juramentado e deveria agir como tal! Não deveria dividir uma cama com uma donzela que nem está prometida a você, sor!
– EU NÃO SOU NENHUM SOR! – gritou Sandor, pronto para estapear o rosto de Amina, quando Sansa lhe tocou o braço, puxando-o para longe.
– A cama é grande e cabe nós três – acalmou Sansa. Ela o empurrou pelo peitoral e o choque que levou ao sentir aquelas pequenas mãos geladas em sua pele o fez voltar a razão. – Não me importo de Amina dormir conosco. E também não me importo de dividir a cama com você.
Sansa tinha o rosto tão calmo e relaxado, mas ainda amedrontrado com a estupidez de Sandor. E ele se lembrou do quão bonita ela era. Ele assentiu, desgostoso.
Amina subiu na cama e deu tapinhas para que Sansa fosse até ela. Sandor apagou algumas velas, deixando apenas a da mesa de cabeceira ao lado da cama. O quarto ficou no escuro, a lua iluminava pela sacada e a única vela acesa tremulava com o vento. Sandor fechou a sacada, expulsando o vento frio e foi para a cama.
Sansa ficou entre os dois, Amina e Sandor. Esperava que eles não brigassem com ela os separando. Ficou deitada de barriga para cima, não queria virar de costas para nenhum deles. Mas os dois se viraram para ela e sentiu-se pressionada com os olhares que eles davam.
Amina pegou sua mão, entrelaçando-as, e Sandor pareceu perceber, pois agarrou a cintura de Sansa e a puxou para ele. Amina soltou uma risada abafada e fechou os olhos para dormir, sem soltar a mão de Sansa.
Sandor puxava Sansa para si, seus corpos se colando. Ele meteu o nariz em seu pescoço e fungou como um cachorro, fazendo jus ao seu nome. Sansa queria se afastar dele, mas não podia se mover direito. E tê-lo tão perto de si a deixava arrepiava. Ela não entendia o porquê de ficar arrepiada com Sandor. Nem gostava dele.
Sansa podia ouvir a respiração de Sandor em seu ouvido. Ela agora cheirava a limão.
– Obrigado, Sansa. – sussurrou Sandor em seu ouvido, como se segredasse o agradecimento.
Sansa esboçou um leve sorriso, visto por Sandor. Não se lembrava de Sandor lhe agradecer alguma coisa. Ela soltou-se de Sandor, delicadamente, debruçou-se sobre Amina e apagou a vela sobre a mesa de cabeira com um delicado sopro. Depois, voltou ao seu lugar, pegando na mão de Amina e se aninhando ao corpo de Sandor e sendo puxada pela cintura, mais uma vez.
***
Sansa abriu os olhos e lá estava o peito marcado de Sandor. Estava virada para ele e totalmente aninhada, a mão do homem pesando sobre sua cintura, a cabeça ruiva deitada no braço dele, que se arrastava para as costas dela. Ela podia ver, por entre os pelos ralos, as cicatrizes grossas e brancas com mais clareza.
Sansa colocou a mão no peito de Sandor, para tentar se afastar, sem acordá-lo. Foi em vão. O menor movimento fez o Cão abrir os olhos pertubados e puxar a cintura dela para si novamente. Quando viu que era manhã e que Sansa estava em seus braços, Sandor pareceu ter percebido o que fez. Ele a soltou e a menina conseguiu se afastar.
Quando se afastou, a ruiva percebeu que o outro lado da cama estava vazio.
– Parece que a puta te abandonou. – insinuou Sandor. Nem de manhã, ele sossegava seu sarcasmo. Ele se levantou e se esticou
– Para onde ela deve ter ido? – perguntou Sansa, triste com a ausência de Amina. Continuava sentada na cama
– Espero que ela tenha ido embora. – respondeu Sandor, rude como sempre.
– Não fale assim! Eu lhe ofereci um emprego como aia! – reclamou Sansa. Sandor lavou o rosto em uma bacia de água e se virou para ela.
– E como você pagará? Com o corpo? – riu Sandor. – Ela irá adorar.
Sansa se levantou, aproximando de Sandor, os punhos cerrados e começou a socar o peito dele.
– Pare com isso! Pare de insinuar que sou uma... – começou Sansa, batendo no corpo dele.
Sandor agarrou seus pulsos, fazendo-a parar.
– Uma o quê? Prostituta? – Sandor soltou outra risada. – O que você estava fazendo ontem, Passarinho? Agindo como lady?
Sansa fechou a cara com a provocação. Queria bater nele de novo, mas ele apertava seu pulso. A porta do quarto se abriu e Amina entrou. Ela carregava uma bandeja de frutas, pães, queijo e uma jarra. Correu para colocar a bandeja na mesa e separou Sandor e Sansa. Obrigou o homem a soltar os pulsos dela e a puxou pela cintura.
– O que está acontecendo aqui? Batendo em Lady Sansa? – perguntou Amina, com o peito estufado, ao lado de Sansa, pronta para qualquer ato que Sandor cometesse.
Ali, Sandor percebeu como as duas mulheres eram parecidas. Eram ruivas belíssimas. Apesar de seu desprezo por Amina, não podia negar sua beleza. Ela tinha olhos verdes, ao contrário dos olhos azuis de Sansa. Também era mais baixa que seu Passarinho. Tinha feições de mulher formada, sem a inocência que Sansa possuía. Os seios fartos sempre pulavam do decote e era tão curvilínea, que se não a conhecesse, Sandor tinha certeza que se perderia naquele corpo.
Por um breve momento, fantasiou como seria ter as duas mulheres nuas na cama, beijando uma a outra e apenas esperando que Sandor entrasse em ação. Imaginou como seria ter as duas mulheres em seus braços e se perguntou se isso seria possível, um dia.
Mas não conseguia pensar em gostar de Amina. Ela era prepotente, audaciosa, abusada e vadia. Tão diferente de seu Passarinho tímido. Apesar de tudo, conseguia entender o sentimento que Amina tinha por Sansa. Era a única parte que se identificava com a mulher. Sansa despertava uma sensação de que precisava ser protegida a todo momento, como se fosse se quebrar de tão delicada.
E mesmo ali, identificando-se com Amina, percebeu que a mulher sentia muito mais que necessidade de proteger. Ela olhava para Sansa como os homens olhavam para as mulheres que amavam. Não se lembrava de ter visto muitos gestos de amor em sua vida, mas sabia como era esse olhar. Sabia como era o olhar de amor.
A pose protetora de Amina fez Sandor se amenizar e suspirar, cansado. Foi até a mesa para beliscar alguma comida.
– Deixa para lá.
As mulheres se aproximaram, receosas. Ele as olhou e decidiu colocar seu gibão e sair do quarto, sem dizer mais nada. Não avisou aonde iria e nem o que faria e o coração de Sansa deu um salto de angústia, esperando que ele não fizesse nada de errado.
Amina lhe olhou carinhosamente e a puxou para se sentar junto à mesa. Serviu suco e cortou queijo para Sansa. Depois, ficou parada ao lado dela, como uma verdadeira aia faria.
Sansa estranhou a situação.
– Não irá se sentar? – perguntou Sansa.
– Sou sua aia agora, não sou? – perguntou Amina, com um leve sorriso nos lábios. — Sei qual é o meu lugar.
Sansa revirou os olhos e bufou. Então, sorriu para Amina e apontou a cadeira para que a mulher se sentasse.
– Não quero comer sozinha. Por favor, sente-se. – convidou.
Amina se sentou na outra cadeira, de frente para Sansa. Pareciam duas amigas antigas e Sansa se lembrou de Jeyne Poole e Shae. Um sentimento de saudade bateu em seu peito e uma vontade de chorar veio em seus olhos. Mas se esforçou para sorrir e começar a comer. Serviu um copo de suco para Amina e começou a comer.
– Ele te machucou? – perguntou Amina. Sansa não queria ter que falar sobre as grosserias de Sandor logo de manhã.
– Não. Sim... – ela suspirou. – Bem, estou acostumada.
– Não deveria estar acostumada a ser machucada.
Sansa deu de ombros e lembrou-se de seu tempo em Porto Real.
– Quando eu estava nas mãos de Joffrey, sem os guardas de meu pai para me proteger, sozinha naquele castelo, eu apanhava todos os dias – contou Sansa. Soava triste e distante. – Clegane nunca levantou a mão para mim.
– E quando saem do castelo, ele bate em você, te machuca e te deixa marcas – retrucou Amina. – Olhe para seus pulsos. Estão vermelhos! Foi só o cão sair da coleira que mostrou a sua verdadeira face.
– Não fale assim de Sandor – defendeu Sansa. Não queria defendê-lo, pois tudo que Amina falava era verdade. Mas ao contrário da mulher, ela tentava entendê-lo. – Ele tenta e se esforça para me proteger. Não tem obrigação nenhuma em fazê-lo, mas optou por isso. Eu entendo que ele esteja estressado. Está tudo nas costas dele. Proteger-me não parece um trabalho fácil. Ainda mais quando dão recompensas pelas nossas cabeças!
Amina assentiu, mostrando-se entendida.
– É por isso que você me perguntou sobre sedução? Sobre como funcionam os homens?
Sansa mordeu um pedaço de queijo, pensativa. Não tinha receio em contar seus pensamentos para Amina.
– Eu tinha um plano de amansá-lo. Para que não fosse tão rude comigo. Amansar um cão é recompensá-lo – explicou Sansa, mordendo outro pedaço de queijo. Era amargo, mas muito delicioso. – Sandor se contenta com um pouco de vinho e uma mulher na cama. Eu não posso ser sua mulher, mas posso ceder um pouco.
Amina sorriu. Ela conseguia dar uma amável sorriso maduro.
– Eu sei o que fez ontem, Sansa. Eu consegui ver por entre o desenho vazado do biombo. Vocês estavam muito entretidos – contou Amina. Sansa arregalou os olhos, abaixou a cabeça e corou. — Não precisa ter vergonha. Você fez o que achou certo. Não era isso que queria? Amansá-lo?
– E mesmo assim, ele continua tendo o prazer de ser rude. – lamentou Sansa, olhando para seus pulsos levemente vermelhos.
– Ele não irá amansar enquanto eu estiver perto – explicou Amina. Comeu uma uva antes de continuar. – Ele jamais te trataria mal se eu não tivesse estado aqui. Se você não tivesse me defendido para dividir a cama com vocês.
Sansa abaixou a cabeça novamente. Estava triste por ter cometido outro erro com Sandor, sem perceber. Mas por que ela se importava tanto com o que ele ia deixar ou não de pensar?
– Olha – Amina tocou a mão de Sansa. – Hoje a noite, irei conseguir algum dinheiro – e sorriu maliciosa. – Vou deixá-la sozinha com ele. Amanse-o de novo e você verá que consegue controlá-lo sempre que quiser.
Sansa sorriu em agradecimento. O que mais queria era controlar Sandor. Queria que ele fosse seu Cão. Por mais que o desprezasse e sentisse medo do homem, sentia-se segura com ele.
O café da manhã se passou, as duas conversaram sobre outras curiosidades de Sansa e em pouco tempo, Sandor voltou para o quarto. Ele pegou sua espada, jogada em um canto, e obrigou Sansa a se levantar. Disse-lhe que iriam treinar sua defesa.
– Aqui? – perguntou Sansa, um pouco confusa. Pegou sua adaga ao lado da bacia de água onde Sandor lavara seu rosto mais cedo.
– É, aqui. Ou você quer treinar lá fora e ser reconhecida por esses miseráveis? – Sandor soltou uma risada rouca. – Vão arrancar sua cabeça por alguns tostões.
– Nossas cabeças. – Sansa corrigiu. Não havia necessidade de corrigir um fato tão mórbido, mas não queria que ele pensasse que sairia vivo se ela fosse capturada e morta. Se ela morresse, ele deveria morrer junto por não ter feito sua proteção direito.
Sandor apenas se limitou a rir. Amina continuou sentada na cadeira, um pouco apreensiva com a situação que se passaria.
– Como você se defende de uma espada, menina? – perguntou Sandor.
Sansa não respondeu. Não podia se defender de uma espada com uma pequena adaga.
– Não defende – respondeu Sandor, sem esperar por sua resposta. – Você ataca.
Sansa não atacou. Continuou parada com a adaga na mão.
– Eu já sei como me defender com uma adaga, Clegane. Não está na hora de me ensinar a usar uma espada? – retrucou. Parecia uma criança mimada.
Sandor suspirou. Jogou a espada aos pés dela, fazendo um clank alto e pegou sua própria adaga.
Sansa deixou a adaga de lado e pegou a espada. Era pesada. Mais pesada do que imaginava. Segurou-a com as duas mãos para aguentar o peso. Sandor riu.
– Essa não é uma espada de duas mãos, menina.
Amina soltou um risinho baixo.
Sansa tentou equilibrar a espada com uma mão só, mas quando Sandor a atacou, ela se limitou a levantar a espada e se abaixar. Sandor soltou outra risada e mandou-a se levantar.
Seguiram treinando e lutando. Sansa conseguirá arrancar um pouco de sangue do braço de Sandor, rasgando seu gibão, mas o homem não machucou Sansa em nenhuma vez. Estava sendo um pouco gentil. O braço de Sansa já começava a doer com o peso da espada.
Quando Sansa deu um passo em falso, Sandor teve a oportunidade de atacá-la no braço que segurava a espada. A adaga a cortou feio no antebraço e ela se abaixou, segurando o corte com uma das mãos, numa reação defensiva. Ela largou a espada no chão e gemeu pelo corte. O sangue começava a vazar de seus dedos.
Amina, rapidamente, amparou Sansa. Colocou a mão no braço dela, tentando fazê-la com que deixasse ver o ferimento.
Sansa se afastou. Sentia uma dor aguda e seus olhos lacrimejaram. Lembrou-se dos tempos em Porto Real, quando apanhava dos guardas de Joffrey.
Amina tentou puxar seu braço, numa tentativa protetora de ver o machucado. Sandor jogou a adaga de lado e se abaixou de frente para Sansa. Ele resmungou e se xingou de vários nomes. Ordenou que Amina buscasse um pano limpo e água.
– Vamos, menina, me deixe ver o ferimento. – pediu Sandor, insistente.
Sansa se afastou de novo, as lágrimas saindo de seus olhos. Ela apertava o ferimento cada vez mais forte.
Amina voltou com um pano limpo e uma jarra de água. Molhou o pano e entregou para Sandor.
– Deixe-me ver. Confie em mim. – pediu Sandor, novamente. Sansa o olhou nos olhos, aquela expressão de menina coitada que ela sempre fazia quando se machucava. O coração de Sandor se apertou com os olhos que demonstravam a dor que ela sentia. Ela era imaculada e não podia deixar que isso acontecesse.
Sansa tirou a mão do ferimento. O corte não foi profundo, mas era comprido. O cheiro de sangue subiu pelas narinas e ela virou o rosto. Sandor apertou o pano molhado contra o ferimento. Sansa se contorceu de dor e Amina a abraçou.
– Não precisa ter medo. Não foi nada grave. – acalmou Sandor. Ele olhou significativo para Amina. A mulher assentiu e saiu do quarto. Iria buscar algum remédio para o machucado.
Sandor continuava apertando o corte, e Sansa não se contorcia mais. Ela já tinha se cortado antes, quando Sandor fez o pacto, mas o corte tinha sido menor. Ele tentou acalmá-la sentando ao lado dela, puxando-a para seu corpo.
– Dói... – sussurrou Sansa. Disse baixinho para que Sandor não ouvisse e não se irritasse com suas ladainhas. Ele apertava o pano em seu braço e reparou no que ela disse.
– Vai passar. – Sandor tentou consolar. Ele esticou a mão e limpou algumas lágrimas de Sansa com seu dedo grosso e bruto. Mas foi um gesto gentil, um toque leve que fez Sansa fechar os olhos.
– Você irá dormir comigo? – perguntou Sansa subitamente. Tanto ela quanto Sandor se assustaram com a pergunta. Ela não tinha a intenção de expor seu pensamento, mas seu medo e sua dor a fizeram ficar vulnerável.
– Por que eu dormiria com você? – perguntou Sandor, incerto.
– Para me proteger. – Sansa respondeu, percebendo que apenas queria uma proteção. Aquele ferimento só mostrava o quanto ela era frágil. Ela não tinha chance no mundo se estivesse sozinha. Queria que ele ficasse perto dela. Tinha medo de se afastar, de ser encontrada por Lannisters e não ter a chance de reecontrar sua família. Sandor era sua chance e ela queria ser protegida. Era a única coisa que valorizava no homem.
Sandor não respondeu. Também não tirou a mão do rosto da menina. Aquele toque só era a confirmação para a pergunta dela. Queria que Sansa percebesse isso. Abaixou o polegar e acariciou seus lábios vermelhos e macios, desejando beijá-la novamente.
Amina voltou, interrompendo-os. Sandor tirou a mão do rosto de Sansa, mas Amina havia percebido a cena. Ela tinha uma pequena lata de ferro, abriu e revelou um creme pastoso e verde.
Sandor tirou o pano do corte. Havia parado de sangrar, mas uma fina linha vermelha continuou. Ele limpou o sangue ao redor da pele e lambuzou os dedos com o creme, passando levemente sobre o ferimento.
Sansa gemeu baixinho de dor. Ardia e doía.
Depois, Amina arranjou gaze limpa e Sandor enfaixou o braço de Sansa. E enquanto Amina se afastava para guardar o pote de remédio e jogar fora o pano sujo, Sandor inclinou a cabeça e depositou um beijo sobre a gaze, onde estava o ferimento.
Aquele era o seu sim para a proteção que ela pedia e Sansa entendeu, esboçando um humilde e aliviado sorriso.
Sandor, novamente, não deixou que Amina e Sansa saíssem do quarto. Queria protegê-las de todo o mal que poderia aparecer. Quando a noite chegou, ele ordenou que o jantar fosse enviado para o quarto e decidiu comer sozinho na taberna.
Mesmo depois da ordem de permanecer no quarto, Amina se arriscou a descer para a taberna e sentar-se ao lado de Sandor no jantar. Ele resmungou e brigou, mas ela não voltou ao quarto.
– Quanto tempo até chegarmos às Gêmeas? – perguntou Amina. Ela bebia uma caneca de vinho enquanto Sandor comia.
Sandor lhe lançou um olhar raivoso. Não queria conversar sobre aquilo no meio da taberna. Mas decidiu sussurar.
– Vamos embora amanhã.
– E como faremos isso? – perguntou Amina, com dúvida da certeza de Sandor.
– Vou arranjar um camponês para que nos acompanhe – explicou Sandor. – Será útil e não repararão em nós com tanta facilidade. Parecerá que somos convidados.
– E você já arranjou o camponês?
Sandor ficou calado. A verdade é que ele não possuía tanto dinheiro para sustentá-los. Não sabia nem como iria pagar a estalagem, provavelmente iria vender sua espada para isso. Não queria confessar para Amina sua falência.
– Nós vamos embora amanhã, pois precisamos. – disse, finalmente.
– Como assim, precisamos?
Sandor tomou um grande gole de vinho antes de continuar.
– Não tenho mais tanto dinheiro – confessou o homem. – Para eu conseguir que um camponês nos acompanhe, eu teria que lhe dar alguma coisa. Ou ele nos entregará para um maldito Lannister. As nossas cabeças valem mais que nosso ouro. A espada é a única bosta que tenho para vender.
Amina ficou pensativa. Não imaginava que o problema fosse dinheiro. Quanto mais ficassem ali, mais gastariam. Mas se saíssem das estalagens, estariam correndo perigo constante. As cabeças de Sandor e Sansa valiam algum ouro. Aquilo era ambicioso e tentador. Quantos caçadores de recompensas não estariam atrás deles agora? Amina estava com a faca e o queijo na mão. Poderia ser rica, morar em Porto Real e exigir um cavaleiro de nome para se casar.
Mas jamais trairia os dois companheiros.
E no entanto, dinheiro não era problema para ela. E nem para seus companheiros. Ela conseguia dinheiro fácil o tempo todo.
– Eu posso conseguir nosso sustento – avisou Amina, com um pequeno sorriso malicioso nos lábios. – Mas você terá que subir para ficar com Sansa. Não podemos deixá-la sozinha.
Sandor pensou em como Amina era mandona. É claro que ele não podia deixar Sansa sozinha.
E antes que ele pudesse impedí-la ou lhe dar outra ideia, ela se levantou, observando os homens na taberna. Sandor fez uma careta de nojo. Não queria ver a mulher caçando homem. Terminou seu jantar e carregou a caneca de vinho consigo, subindo para o andar de cima e indo para o quarto de Sansa.
A porta estava trancada, como ele ordenara. Bateu algumas vezes e resmungou para que ela soubesse quem era. Tinham que criar um código de batidas para essas situações. Mas agora era tarde, em breve, ela estaria com a família e não precisariam se esconder nas estalagens.
Afastando os pensamentos levemente tristes, Sandor entrou no quarto quando Sansa abriu a porta. Percebeu que ela havia acabado de jantar e parecia um pouco apreensiva com a presença dele no quarto.
Sandor se sentou na cama, bebeu outros goles de vinho e tirou suas botas.
– O que foi, Passarinho? – perguntou Sandor, quando o olhar insistente dela começou a irritá-lo.
– Onde está Amina? – perguntou Sansa.
Sandor resmungou novamente. Não queria ter que responder que Amina estava caçando homem para sustentá-los. A parte racional de Sansa nunca aprovaria essa situação e lutaria com ele para que arranjasse dinheiro sem ter que usar o corpo de outra mulher. Decidiu omitir a informação.
– Saiu para dar uma volta.
Sansa cerrou as sobrancelhas, desconfiada.
– Sozinha? – perguntou a menina.
– É, sozinha – disse Sandor, irritado. – Ela quer descobrir se há um jeito seguro de irmos para as Gêmeas. – Sandor se levantou e deixou a caneca de lado. – Não sei quais os planos de Amina e não vou ficar correndo atrás dela para saber, menina!
Sansa abaixou a cabeça.
– Tudo bem, me desculpe incomodá-lo.
Sandor não falou mais nada. Apenas observou a menina com os cabelos vermelhos lhe caindo sobre a face.
– Vejo que terminou seu jantar – observou Sandor. – O que pretendia fazer agora?
Sansa não levantou a cabeça, mas olhou para o lado, parecendo um pouco tímida em responder.
– Estou esperando Amina voltar para me ajudar a banhar.
Então, Sandor entendeu a apreensão de Sansa. Ela queria se banhar e ele estava atrapalhando. Ele respirou fundo antes de responder.
– Amina não voltará cedo. É melhor se banhar sozinha. — avisou Sandor.
Sansa fez menção de falar, abriu a boca várias vezes, mas não expôs nenhuma frase.
– Não vou te atrapalhar. E não vou olhar. – garantiu Sandor, se sentando na cama, de costas para onde ficava a banheira. Sansa não confiava nele, mas não tinha outra alternativa a não ser arriscar-se.
Ela foi por trás do biombo e começou a tirar suas roupas. Já nua, entrou na água morna, esperando relaxar, mesmo sabendo que havia um homem no quarto. Não era um homem qualquer. Era Sandor Clegane que havia lhe salvado diversas e diversas vezes. Mas também era o Cão, que lhe batera e a humilhara muitas vezes. Ela tinha suas dúvidas em saber quem era quem nessas duas facetas que ele mostrava.
Sansa pensou se confiava em Sandor. Ele fizera muito por ela e jamais a deixaria pra trás. E não mentiria para ela. Ou mentiria? Ele já havia feito isso, mas sempre para lhe proteger. Era tudo o que Sandor fazia. Proteger.
Pensou se Sandor entenderia suas dúvidas e lamentações. A presença de Amina a ajudava a pensar. Ajudava-a a se sentir mulher e aprender sobre coisas que não aprenderia com sua mãe ou nenhuma septã. Amina lhe abriu os olhos para muitas coisas.
E no entanto, Amina não era tão diferente de Sandor. Quando ela parava para observar, percebia que Amina era a versão feminina do Cão. Era safada, gostava de falar besteiras, beber vinho. Só que era mais educada.
Se Amina era tão parecida com Sandor, será que ele entenderia Sansa? Será que ela poderia se arriscar a fazer perguntas e se entregar a ele?
Saiu do banho, enrolando-se num pano felpuldo. A gaze em seu braço tinha uma enorme mancha vermelha. Sansa perguntou-se se deveria trocar o curativo. Tomando coragem, saiu de trás do biombo, esperando que Sandor não lhe lançasse um olhar malicioso.
É claro que ele a olhara. Mas sem a malícia.
Sansa ficou um pouco constrangida. Ele já havia visto-a nua algumas vezes. Mas sempre por necessidades. Ela também já havia tocado-o...
– Acho que preciso de um novo curativo. – disse Sansa, estendendo o braço dolorido para que Sandor visse a mancha vermelha. Ele saiu da cama de um salto.
Sansa sentou-se na cama, esperando ele pegar um pedaço de pano úmido, a lata com o creme pastoso e uma nova gaze. Ele se ajoelhou a sua frente, começando a retirar a gaze velha. Sansa estava constrangida por estar enrolada em um pedaço de pano e não com trajes decentes.
Não pense dessa forma. Pensou Sansa. Era Sandor Clegane, ele já a vira nua e ela precisava continuar tendo coragem para seduzi-lo.
– Sandor, o que você costuma fazer nas horas livres? – perguntou Sansa. Péssima pergunta.
Sandor soltou um bufo de risada.
– Que horas livres, Passarinho?
– Bem... quer dizer, quando você estava em Porto Real – a pele de seu braço repuxava com o ferimento e ela sempre contorcia-o como defesa. – Quando você não estava com Joffrey.
Sandor demorou para responder. Parecia concentrado em limpar o ferimento.
– Eu comia umas putas no bordel de Mindinho.
– Petyr Baelish tinha um bordel? – surpreendeu-se Sansa. Ela nunca tinha ouvido nada parecido e nem poderia imaginar que o homem tão educado e limpo tinha um... bordel.
Sandor riu de sua inocência. E percebeu que ela havia se surpreendido mais com o fato de Mindinho ter um bordel do que o fato de ele ter falado palavras fortes perto dela. Ele sabia que Sansa estava mudando. Esse era o dedo de Amina em seu pequeno Passarinho.
– O que Amina ensina a você? – perguntou Sandor.
Sansa não queria ter que responder a uma pergunta assim. Não queria que ele soubesse do conteúdo das conversas com Amina. Era pessoal e íntimo.
– O que você faz com as moças do bordel? – ignorou a pergunta de Sandor e se surpreendeu com a pergunta sem inocência que fizera.
Sandor riu de novo. Ele sempre ria quando Sansa tentava parecer menos ingênua.
– Você sabe o que acontece com um homem e uma mulher dentro de um quarto, Passarinho. – afirmou. Ele sabia que Sansa não era tão ingênua assim.
Sandor terminou de trocar o curativo dela, não deu um beijo como da última vez. Apenas olhou para ela, em seus olhos, um pouco cansado da conversa inútil que teria com Sansa se continuasse em seu jogo de perguntas.
– Passarinho, aonde você quer chegar? – perguntou Sandor diretamente.
Sansa olhou para baixo, para seu novo curativo. Deveria? Ou não?
– Tenho que te agradecer, menina. – Sandor voltou a dizer. Tentando interromper qualquer tipo de conversa íntima que poderia ter com ela.
– Me agradecer?
– Por ontem. Deveria me pedir alguma recompensa. – sorriu Sandor. Um sorriso simpático, Sansa reparou.
Ela ficou pensativa. Voltaria ao assunto que ele interrompera.
– Quero que você me mostre alguma coisa... – sussurrou o pedido. Não disse muita coisa, mas aquela frase demonstrava muito para Sandor. Ele entendia o que ela queria dizer. Como Amina entenderia.
Sandor se levantou, queria tirar seu gibão, mas não queria assustá-la. Pegou a caneca de vinho e terminou de entorná-la pela garganta. Precisava ser forte para mostrar algo que valesse para Sansa. Estava meio atordoado com o pedido.
Mas Sandor entendeu. Entendeu o que ela queria. É claro que ele poderia fazer isso. Não precisava tomá-la. Poderia lhe agradecer de outras formas.
– Pode se despir, Sansa. – ordenou Sandor, seu tom grave, mostrando que não estava de brincadeira.
Sansa relutou em tirar o pano felpuldo em torno de seu corpo. Mas como ele ordenara tão verdadeiramente, ela aceitou. Levantou-se e deixou que o pano caísse no chão, revelando toda a sua nudez. Sua pele molhada brilhava no calor da lareira.
E Sandor só conseguiu apreciar a visão. Os pequenos seios, a barriga plana e curvilínea, as pernas finas, mas pareciam deliciosa. Seu membro se contorceu em sua calça. Aproximou-se de Sansa, querendo tocá-la e jogá-la na cama, mas não podia perder a cabeça. Tocou em seus ombros, sentindo a pele macia, descendo para seus seios, apertando-os em sua palma. Curvou-se para depositar alguns beijos no pescoço de Sansa, agarrando-a pela cintura, alisando suas costas, descendo para a bunda redonda e dando um apertão forte que deixaria marca naquela pele branca. Mordeu a pele no pescoço dela, sugou entre os dentes, querendo deixar outra marca.
Ela fez menção para beijá-lo nos lábios, mas Sandor não deixou. Tocou nos lábios dela, empurrando dois de seus dedos por entre seus dentes, obrigando-a a mordê-los. Seu membro pulsou novamente.
– Deite-se. – mandou o homem enquanto empurrava-a com força sobre a cama. Sansa se deitou, um pouco incerta do que estava fazendo.
Sandor se ajoelhou a sua frente, Sansa tapou seu próprio sexo, tímida. Sandor agarrou seus tornozelos e puxou-a, arrastando-a sobre a cama para que ficasse bem na ponta dela. Sem nenhuma delicadeza, retirou a mão dela sobre o sexo e afastou seus tornozelos, deixando-a aberta e exposta para ele. Dobrou os joelhos dela, aquela visão deixando seu membro quase se explodir de excitação.
Sansa sentia uma sensação esquisita pelo corpo, algo bom. Seu sexo pulsava, dolorido e ela não entendia o porquê.
Sandor encostou os lábios na parte interna das coxas dela, a pele recém limpa cheirava a lavanda, misturava-se com limão e embriagava seu interior. Pegou um pedaço de pele por entre os dentes, sugando novamente. Queria marcá-la como sua de todas as formas que pudesse. Queria que seu futuro marido visse aquelas marcas e se sentisse um traste por ter uma mulher que já pertencia a outro. Queria punir qualquer homem que fosse tocá-la no futuro.
Sansa sentia um frio na barriga, seu vértice continuava dolorido e por algum motivo, achava que melhoraria se Sandor estivesse mais próximo de si. O que ele iria fazer?
Sandor olhou para Sansa. Dali, a visão era maravilhosa. Estava esperando por ele, a barriga plana encolhida de excitação, os seios subindo e descendo, os olhos fechados e a respiração ofegante. Ele nem havia começado e já sabia que ela estava excitada. Nem tocara-a ainda. Reparou nas mãos segurando o lençol da cama.
– Vou te mostrar como Amina poderia te satisfazer. – disse Sandor, um pouco arrependido de usar o nome de Amina na situação, mas talvez isso atiçasse sua curiosidade. Amina deveria estar dando para alguém em troca de dinheiro e ele não poderia se sentir mal por ter citado-a.
E antes que Sansa pudesse dizer alguma coisa, Sandor se aproximou de seu vértice e lambeu toda a sua fenda, lentamente e com a ponta da língua. Ele ouviu Sansa soltar um gemido baixinho e a respiração ficar mais ofegante. Sabia que poderia prosseguir. Lambeu novamente, dessa vez, com mais força, usando toda a sua língua, abrindo-a devagar. Lambeu por mais algumas vezes, enquanto arrancava gemidos cada vez mais frequentes de Sansa. Queria que ela gemesse alto, queria que ela gritasse seu nome.
O verso dos joelhos de Sansa estavam apoiados no ombro de Sandor e ela percebeu como a posição era constrangedora. Seu cérebro não deixava que ela agisse contra isso. Queria continuar naquela posição enquanto ele a provava. Sentiu as mãos dele agarrarem suas coxas e desejou que ele apertasse sua pele.
Sandor continuou seu trabalho. Quando não usava a língua, sugava o clitóris da menina e isso aumentava a respiração dela. Não era mais uma menina. Era uma mulher. Um mulher deliciosa. Aumentou a força e a velocidade em suas lambidas e Sansa gemeu alto. Como ele queria.
Queria que ela sentisse tudo o que ele sentiu no dia anterior. Seu membro explodia de dor sob a calça e ele se sentiu obrigado a libertá-lo. Acariciou com uma das mãos. Sandor parou de chupá-la, pegou as coxas dela e empurrou para cima, obrigando-a a colocar seus pés nos ombros dele. A posição ficava cada vez mais constrangedora, mas Sansa não se importava mais. Ele parara o que estava fazendo e isso a frustrou. Atrevida, soltou o lençol e com uma das mãos, agarrou os cabelos de Sandor, empurrando-o para si, obrigando-o a voltar a lambê-la.
Sandor sorriu com a atitude, feliz por continuar a prová-la. Enquanto acariciava-se, decidiu usar os dedos a seu favor. Empurrou um dedo contra a fenda apertada de Sansa, sentindo todo o mel da nova mulher escorrer. Sansa gemeu alto outra vez, como ele gostava. Seu dedo deslizou facilmente e ele fez alguns movimentos delicados para não machucá-la.
Sansa agarrou uma mão nos lençóis, puxando-o e deixando-o desalinhado, enquanto a outra mão se prendia nos cabelos de Sandor, empurrando-o cada vez mais contra si.
Sandor moveu o dedo com mais velocidade, enquanto sua língua continuava seu trabalho habitual, e acariciava-se na mesma velocidade. Queria se libertar, mas não enquanto ela não se libertasse.
Sansa sentia-se bem, muito bem. Ela nunca sentira nada parecido. A boca dele enviava ondas de calor e prazer por todo o seu corpo, deixando-a mole e cansada, mesmo que estivesse deitada. Queria mover seus quadris, mas tinha medo de machucar Sandor. Queria bater seus pés em suas costas, mas também tinha medo de lhe causar algum roxo. A única coisa que se atrevia a fazer era puxar os cabelos dele com força. Queria que acabasse, mas ao mesmo tempo, queria sentir para sempre. Pensou se havia alguma forma de intensificar o que sentia e decidiu arriscar mexer seus quadris lentamente. Isso parece só ter atiçado a vontade de Sandor e ele aumentou mais ainda a velocidade de seus movimentos.
Sandor sentia os pés de Sansa empurrarem seus ombros. Até que ela esticou as pernas, fechando-as ligeiramente, prendendo o rosto dele entre elas, e alisando as costas dele com os pés. Os quadris dela se remexiam lentamente contra seu rosto e deixou que ela o fizesse e tentasse acompanhar o ritmo de sua língua. Seu couro cabeludo começava a ficar dolorido, mas nada se comparava a dor que sentia em seu membro, pronto para se libertar. Os gemidos agudos de Sansa só mostravam o quando ela necessitava de seu toque e ele percebeu o quanto gostava da selvageria que ela demonstrava naquele momento.
Foi quando, com um último movimento forte de seu dedo e uma mordida leve em seu clitóris, Sansa soltou o gemido mais alto da noite, deixando que qualquer pessoa a ouvisse, e seus quadris diminuíram de ritmo e força, os dedos em seus cabelos se afrouxaram, e seu sexo se apertou em seu dedo, deixando-o mais melado que antes.
– Oh, Sandor... – chamou Sansa, sua voz fraca.
E aquele último chamado que mais parecia um sussurro foi o suficiente para que ele também se libertasse, derramando todo o seu leite sobre o chão do quarto e sua calça.
Sansa sossegou os quadris, as pernas pesaram nos ombros de Sandor, e a respiração do casal estava ofegante. Sandor se arrumou, guardando seu membro e enlaçando a calça. Segurou as coxas pesadas de Sansa, afastando-as de seus ombros, curvando-se mais sobre ela e depositando um beijo leve em sua barriga. Subiu sobre ela, segurou-a pelas costelas, puxando mais para cima, até que sua cabeça deitasse no travesseiro. Ajoelhado sobre ela, tirou seu gibão e deitou-se ao lado dela. Os olhos dela continuavam fechados, a respiração ofegante, os seios subindo e descendo, enquanto todo o seu corpo estava amolecido.
E quando Sansa abriu os olhos azuis, tudo o que ele recebeu foi um sorriso cansado de agradecimento, suficiente para fazê-lo descansar ao lado dela e fechar os olhos.
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