Goddess and Monster - Part 1
10 Capítulo 9 - Culpas e remorsos
Notas iniciais
A melancia que o velhote cortara ficou para trás. Sandor perdera a vontade de comer e sabia que Sansa não voltaria a fazê-lo também.
Evitou que o cavalo andasse devagar demais ou corresse para que Sansa não ficasse mais enjoada. Ela mascava outra folha de hortelã, deitada no peito de Sandor. Não emitiu nenhum som, nenhum choro ou gemido e Sandor percebia que ela estava tentando ser forte. Ou, talvez, ela estivesse esgotada pelo vômito.
Quando se aproximaram da Estalagem de Ferro, uma pequena pousada no meio da floresta e às margens do tridente. Era a última estalagem por terras da Coroa.
Quando Sandor solicitou um quarto para eles, apenas colocou a menina lá e deixou-a sozinha, para que pudesse assimilar as informações e desabafar. Ele decidiu que esse era o melhor para ela.
Ele resolveu jantar cedo, na cantina da estalagem, enquanto o sol tinha acabado de se pôr. Jantou sozinho e bebeu o máximo de vinho que conseguiu. O que enfretariam não seria fácil. Aturar a menina triste que se transformaria em uma menina lamurienta iria trazê-lo muita dor de cabeça.
Sandor percebeu que não poderia levar Passarinho para Winterfell e seu plano de se refugiar por aquelas terras estavam acabados. Winterfell fora destruída e sabe Deuses onde estavam os Starks. Não seria uma informação difícil de se conseguir. Iria deixar a menina onde quer que sua família estivesse e fugiria de Westeros. Era o melhor futuro que ele poderia optar.
Uma garçonete de meia idade se aproximou e além de ele pedir mais vinho, pediu por informações sobre os Starks. Não queria ser tão indiscreto, mas era o melhor que poderia fazer.
A mulher lhe trouxe mais vinho e e ele pediu que ela preparasse comida e vinho para Sansa. Mas antes, ela lhe disse que onde estavam os Starks.
– Segundo o que ouço por aqui, proclamaram o jovem lobo como Rei do Norte. Os Starks estão em Correrrio, para o funeral de Lorde Hoster– contou a mulher de cabelos negros e rechonchuda. – Mas ao que parece, irão para as Gêmeas. O irmão da Lady Stark irá se casar com uma das filhas Frey. Alguns viajantes estão indo para aqueles lados para ajudar na cerimônia.
Aquela informação fora suficiente para Sandor. Não iriam para Correrrio, pois não daria tempo de chegar lá, mas poderiam ir para as Gêmeas e a menina Sansa iria assistir ao casamento de um de seus tios e ao mesmo tempo se unir à família. Seria uma comemoração e tanto.
***
Sansa sabia o quanto ela precisava chorar e colocar tudo para fora. Mas não sabia que reação deveria ter. Seu coração não estava só triste, mas raivoso, rancoroso, cheio de remorsos.
Por um momento, ela acreditava que a morte de seus irmãos era sua culpa. Se não fosse por seu pedido de se casar com Joffrey, e se mudarem para Porto Real e seu pais abandonar seu lar e sua morte causar uma guerra... Era tudo culpa sua. Não havia dúvidas. Se tivesse ficado em Winterfell, nada disso teria acontecido.
Ou não.
Sansa se perguntou se teria sido diferente se tivesse ficado para trás. Seu pai iria para Porto Real e, provavelmente, seria morto. Tudo teria acontecido de qualquer forma. Talvez, seria mais lento, já que ela ajudou a acelerar o processo com sua boca grande. Mas ele poderia ter morrido de qualquer forma.
E mesmo assim, Robb teria ido à guerra. Não para capturar suas irmãs, mas para vingar o pai e limpar seu nome e o nome da família.
E então... ela teria morrido. Ela teria visto Winterfell ser destruída e morta pelos Greyjoy.
Greyjoy. Theon Greyjoy. Nunca simpatizara com aquele rapaz. Ela não entendia por quê o pai o mantinha em sua casa. Ele era sarcástico, nojento, egoísta e invejava Robb. Isso era nítido. Agora, ela o odiava mais ainda pela morte de seus irmãos.
Seus irmãos. Seus pequeninos irmãos Bran e Rickon. Eram tão pequenos e inocentes que ela não conseguia acreditar como eles poderiam ter morrido. Simplesmente morrido. As vidas se esvaíram de seus corpos com a mesma facilidade que a vida se esvaiu do corpo de seu pai. Era sofrimento demais para duas crianças inocentes e ingênuas.
Lágrimas brotaram de seus olhos. Lágrimas de tristeza, solidão e raiva.
Como fora burra de acreditar que poderia ter se casado com Joffrey e se tornar rainha. Como fora burra de deixar que seu pai abandonasse Winterfell e ainda a levasse junto.
Se não fosse por ela, talvez, ele não estaria morto. Talvez, ela poderia ter impedido a morte de seus pequenos irmãos. E ela não estaria percorrendo Westeros sozinha com o Cão de Caça, se arriscando a ser morta. Nada disso estaria acontecendo.
Seria bom ser morta. O sofrimento iria embora e ela poderia ser livrada da culpa que a atormentava. Com uma morte, seus pais a perdoariam, seus irmãos a perdoariam, Robb a perdoaria e até Arya a perdoaria. Seria digno para o mundo se ela morresse e nenhum problema seria trazido à tona novamente.
Ela se jogou em frente à lareira, nem se importando como era o quarto grande e com uma cama de casal. Não se importando se teria que dividir a cama com Sandor. Não se importando com sua fome. Apenas se jogou no chão e continuou a chorar. E dessa vez, não eram mais lágrimas silenciosas, mas um choro alto e soluçante.
Ela tirou a capa e colocou a mão em seu coração. Doía. Doía muito saber o quanto ela era a causadora de problemas e o quanto suas consequências a atormentavam. Ela queria poder arrancar o coração de seu peito com o vazio e remorso que sentia.
E chorava tanto que nem se importava com mais nada. Se ela chorava alto, não importava se iriam descobri-la e levá-la de volta para Porto Real. Seria bom. Seria morta logo.
E percebeu o quanto ela senti nojo de si mesma.
***
Quando Sandor entrou no quarto, ele não imaginava ver a cena da menina Passarinho. Ele hesitou e pensou em sair do local, mas algo o prendia ali.
Ele poderia confortá-la. Poderia lhe dizer que tudo ficaria bem. Mas ele não tinha mais essa garantia. Ela estava se machucando sem que a encostassem nela. Estava se machucando internamente e ele não poderia protegê-la disso. Percebeu o quanto era insignificante sua presença diante do sofrimento da menina.
Sandor não sabia lidar com mulheres chorosas. A menina ruiva estava jogada no chão, chorando copiosamente, em frente à lareira. Ele não queria ter que consolá-la, mas ela estava sozinha e já não confiava nele. Se ele fugisse, ela teria motivos de sobra para nunca mais ter sua confiança.
Ele se aproximou dela, ajoelhando-se. Afagou o cabelo dela, afastando-o do rosto. Tomou-a em seus braços, levantando-a. A menina envolveu seus braços, e deitou seu rosto no pescoço dele, Sandor sentindo sua respiração e lágrimas. Ele se sentou na poltrona de frente à lareira, colocando-a em suas pernas, ajeitando-a em seu colo. Sandor nunca fora tão gentil assim com uma mulher. Mas Sansa não era uma mulher, era uma menina. Ele acariciou o rosto dela, sentindo-se seduzido. Ela tinha os olhos marejados, o rosto molhado.
Os olhos triste de Sansa se transformaram em olhos sedutores e ele se perguntou quando que ela se tornou tão mulher. Onde ela aprendera a fazer aquele olhar. E teve medo que a inocência de seu Passarinho, que tanto almejava proteger, estivesse escapando de seus dedos.
Sansa colocou sua mão no lado do rosto bom de Sandor, deixando-o surpreso. Ela aproximou seu rosto, sentindo seu hálito e deixando que o hortelã embriagasse suas narinas. Sansa roçou seu nariz no nariz de Sandor e aproximou os lábios. Os lábios não se tocaram, mas estavam próximos e Sandor podia sentir a temperatura quente que os lábios da menina transmitiam. Ela roçou sua boca na boca dele, de leve, apenas para deixá-lo sentir.
Sandor lutou para não beijá-la. Lutou para não tomá-la como sua ali mesmo. Não conseguia entender o que ela estava fazendo e como ela tinha coragem, depois de tanto nojo que demonstrou ao homem. Deixou que ela cuidasse da situação e apenas deixava que seus lábios se encostassem levemente, de forma tão inocente e terna que ele se sentia jovem novamente. Era um velho que necessitava de vinho e protistutas para sobreviver e ter aquela menina inocente em seus braços só mostrava o quanto ele estava vivo.
Seus ouvidos apurados detectaram passos no corredor e, bruscamente, Sandor afastou sansa, jogando-a de lado para a cama, tirando-a de seu colo. Ele se levantou e andou pelo quarto. Precisava de água gelada e não havia nada ali além de uma jarra de água em temperatura ambiente.
Uma fraca batida foi ouvida e Sandor abriu a porta, deixando que a estalajadeira entrasse com uma bandeja de comida para Sansa. Ela deixou a refeição em cima de uma mesa rústica de madeira e saiu do quarto sem um pio.
Sansa, jogada na cama, se ajeitou e disse para Sandor, que estava de costas para ela, olhando para a lareira apagada.
– A comida é para você. Eu já jantei lá embaixo. – avisou Sandor, se abaixando e começando a acender o fogo. O quarto estava quente, mas ele sabia que logo esfriaria com o anoitecer.
– Não estou com fome. – disse Sansa, limpando as lágrimas de seu rosto, sua voz ligeiramente chorosa.
– Você colocou tudo para fora. Precisa comer – ordenou Sandor com uma voz rouca que fez Sansa ajeitar sua postura. Ele se virou para ela depois que a lareira se acendeu, aquecendo o quarto. Ele parecia tremer e tinha as pupilas dilatadas. Não olhava para Sansa e não se movia. Foi aí que Sansa percebeu que ele estava desconcertado. – Alimente-se! – disse e saiu do quarto, batendo a porta, sem neolhar para ela.
Ela o deixou desconcertado. Constrangido. Ela nunca imaginaria que veria Sandor assim. Nunca imaginou que poderia conhecer um lado tímido de Sandor. Pensou se, na realidade, ele não estava se controlando para evitar que certas situações acontecessem. É claro que sim. O verdadeiro Sandor não ficaria tímido diante de uma menina. Ele estava se controlando para não agarrá-la como várias vezes ele já o fez. Sansa estava vulnerável, dentro de um quarto com uma cama de casal e o homem se controlava.
Internamente, Sansa quis sorrir, apesar de toda a tristeza. Conseguiu descobrir um ponto fraco de Sandor: Ela mesma.
***
Pouco depois de deixar o quarto, Sandor foi para os estábulos alimentar seu cavalo, Estranho. Escovou o pelo do animal com uma escova que um jovem rapaz lhe arranjou, alimentou-o com cenouras e deixou um balde de água para que se hidratasse.
Não queria ter que ficar rondando a estalagem, pois não queria ser reconhecido. Mas não queria ter que voltar para o quarto. Só conseguira aquele quarto com cama de casal. Não iria dividir e nem ser seduzido por Sansa. Onde estava com a cabeça?
Ela andou em volta das estalagens, analisando os inquilinos, depois entrou na cantina e se sentou em uma das mesas para beber mais vinho. Algumas mulheres corpulentas vieram oferecer seus serviços, e Sandor teve a chance de apalpá-las um pouco antes de enxotá-las para longe. Não queria ter outra mulher. Não estava com humor para isso. E o vinho só o piorava.
Quando Sandor decidiu que não poderia dormir nos estábulos, ele voltou para o quarto, mais de um hora depois que saíra. Sansa já havia se banhado, o quarto cheirava a fogo de lareira e rosas. Ela vestia uma camisola branca que lhe fora arranjada e o fogo deixava que seu corpo fosse notado sob o pano. Ela terminava de comer e beber vinho quando ele chegou.
Sansa o olhou com aqueles olhos vermelhos e inocentes. Ela tinha comido quase toda a comida e Sandor se sentiu um pouco menos preocupado. Ele percebeu que não poderia se afastar dela e nem agir de forma estranha e decidiu que tudo não passara de um descuido da garota, que estava carente e necessitando de proteção. Fingiria que nada acontecera e que aquilo não o afetara.
Ele se sentou na frente dela, junto à mesa, roubando-lhe um gole da caneca de vinho. Sansa lhe lançou um olhar de reprovação, mas nada falou. Continuou a comer as batatas e a coxa de frango com as mãos. Sandor a observava com atenção e ela não parecia se incomodar com sua presença. Não mais.
– Sansa?
Ela não fez menção de olhar, mas acenou com a cabeça para que ele prosseguisse.
– Sua família está em Correrrio. Seu avô faleceu. – contou Sandor, sem rodeios.
Sansa levantou o olhar entre uma mordida e outra. Demorou um tempo com seu olhar arregalado, mas, por fim, suspirou cansada. Ela já sabia disso. A estalajadeira lhe contara na segunda vez que ela viera ao seu quarto, na ausência de Sandor.
– Mais morte na família. – disse pesarosa e continuou a comer. Não se lembrava de ter conhecido seu avô. Ele era um velho doente desde que se conhece por gente. Talvez o tivesse conhecido. Não se lembrava. Seus dias longe da civilização a fizeram esquecer muitas coisas e se preocupava se, um dia, iria acabar esquecendo sua família também. – É para lá que vamos?
Sandor a estranhou. Ela não mantinha a voz esperançosa de antes. Apenas parecia pesarosa e cansada.
– Não. Não vai dar tempo de ir até lá – explicou Sandor. – Seu tio Edmure Tully está de casamento marcado com uma das filhas de Lorde Frey.
Sansa apenas revirou os olhos. O que estava acontecendo com a menina? Ela não era de ter atitudes esnobes como estava tendo agora. Foi quando Sansa pegou uma garrafa de vinho do chão e encheu sua própria caneca. E Sandor entendeu.
Ele não estivera fora por uma hora e foi tempo suficiente para ela se embebedar.
Ela terminou de comer e beber da caneca. Levantou-se com a garrafa nas mãos e se jogou no chão, próxima a lareira.
Sandor foi atrás, se ajoelhando e tirando a garrafa das mãos dela, que resmungou.
– Isso não é para uma lady como você! – brigou Sandor quase gritando.
Sansa apenas bufou antes de dizer:
– É só o que tenho agora.
Sandor não gostou do pessimismo da garota. Não era ela a pessimista ali. Sansa era a menina sonhadora que imaginava a vida como nas canções e tinha esperanças de um futuro digno perto de sua família. E agora, estava agindo como se nada lhe restasse. Por um lado, Sandor entendeu seu sentimento. Sabia que ela estava triste pela morte dos irmãos e apenas queria esquecer tudo isso. Era o que ele costumava fazer quando se lembrava que estava sozinho no mundo. Mas ela ainda tinha a mãe e o irmão e a pequena Arya que estava perdida pelo mundo. E se nada lhe restasse, ainda tinha o irmão bastardo da Muralha.
Sandor suspirou e sentou-se ao lado dela, tomando um grande gole de vinho.
– Isso não é verdade, menina – disse Sandor tentando parecer convincente. – Você ainda tem a sua mãe e seu irmão. É para onde vou levá-la.
Sansa tinha olhos marejados que brilhavam com o fogo da lareira.
– E se não restar eles? Estamos em tempos difíceis, Cão – disse Sansa, fazendo questão de chamá-lo pelo apelido de Porto Real, mas sem entender o porquê sentira vontade de fazê-lo. – E se eles não estiverem vivos quando chegarmos lá?
Sandor não falou nada. E isso foi uma brecha para que Sansa continuasse.
– É tudo culpa minha.
Sandor a observou se perguntando o que era culpa de Sansa. Continuou calado.
– A morte de meu pai, a morte de Septã Mordane, a morte de meus irmãos, o sumiço de Arya. Tudo culpa minha – as lágrimas não se aquietavam mais e caíam de seus olhos, escorrendo por suas bochechas coradas. – Se não fosse por meu desejo de me casar com aquele verme. Se não fosse por por meu desejo de ir para aquele inferno. Nada disso teria acontecido.
– Nada disso foi culpa sua, Passarinho. – consolou Sandor, tomando outro gole da garrafa de vinho. – Por que tem tanta certeza disso?
– Você não vê? – perguntou Sansa, finalmente o olhando. – Meu pai não queria aceitar o cargo de mão do Rei. Ele o fez por mim, para que eu fosse a prometida do príncipe Joffrey.
– Seu pai aceitou o cargo por ser amigo do Rei Robert, menina. – tentou consolar mais uma vez.
– Eu era a prometida dele, Cão! Eu iria me casar com aquele verme! Eu insisti para que ele me levasse para Porto Real para que eu me tornasse princesa e então, rainha de Westeros. – Sansa tinha olhos vermelhos e raivosos. – Eu contei coisas horríveis sobre meu pai para a Rainha Cersei, acreditando que ela me ajudaria. Acreditei que Joffrey me amava e perdoaria meu pai e me ouviria. E, no entanto, todos estão mortos. Todas as boas pessoas estão mortos. Logo, o restante da família estará morta, pois eles são bons também. Até mesmo Arya, que é uma peste, mas tem um coração bom. Só eu sobreviverei, pois eu não sou boa. E só os ruins que sobrevivem nesse mundo.
Sandor apenas observou e escutou com atenção. Bebeu outro gole antes de passar para que Sansa bebesse mais vinho. Ela estava inconformada e ele não sabia bem o que dizer. Por parte, ele compreendia o que ela sentia, mas não concordava com nada do que ela falava.
– Você não tem culpa de nada. Você é boa, Sansa – garantiu Sandor. – Você lutou por seu pai e desafiou o rei para salvar sua família. A culpa não é sua se foi inocente de acreditar nas misérias que os Lannisters contavam. Não é culpa sua se aquele Rei Verme a enganou.
Sansa soltou uma risada tímida. “Rei Verme”.
– Rei Verme. – e desatou a rir, fazendo Sandor esboçar um sorriso confuso.
A gargalhada dela era contagiante e logo, Sandor não resistiu. Eles riam diante da lareira como se aquela fosse uma piada muito engraçada. A risada de Sansa encheu o coração de Sandor de alívio.
– Eu aprendi da pior forma, não é? – perguntou Sansa, quando parou, subitamente, de gargalhar.
– Sim, Passarinho – confirmou Sandor pesaroso. – Você aprendeu sobre a vida de forma ruim. Há coisas piores.
– Coisas piores que a morte de metade de minha família? – Sansa o olhou incrédula.
– Você poderia ter se casado com aquele moleque.
Sansa ficou pensativa, voltando a olhar para o fogo.
– O que teria acontecido se eu tivesse me casado com ele? – perguntou Sansa, sabendo da resposta, mas queria ter certeza e ninguém melhor que o Cão do Rei para responder.
– Ele a teria humilhado logo no dia do casamento. Obrigando vários homens a tirar suas roupas de acordo com a tradição – Sandor respondeu sem nem pensar na resposta, pois sabia exatamente o que aconteceria a ela. – Na noite de núpcias, ele bateria em você. Não com suas próprias mãos, mas daria um jeito. Como bateu em todas as prostitutas que seu tio Tyrion lhe arranjou. Você teria mais marcas que tivera durante seu noivado. Provavelmente, ele manteria eu e sor Meryn dentro do quarto, assistindo-o fodê-la de todos os jeitos e se você não fizesse algum agrado a ele, Meryn entraria em ação para espancá-la. No meio do ato. De quebra, ele me obrigaria a bater em você também. Afinal, sendo só dele, poderia fazer o que quisesse e teríamos que obedecer.
Sansa estremeceu com a resposta, sentindo imensa vontade de chorar de medo, mesmo sabendo que estava muito longe do Rei Verme e muito longe de tudo aquilo acontecer.
– Se você não fosse forte, não iria durar muito, menina – supôs Sandor. – Você acabaria morrendo de tanto apanhar.
Sansa abaixou os olhos. Sabia que ele estava lhe dizendo que ela era fraca demais para sobreviver àquilo tudo.
– É por isso que está me treinando? Para que eu seja menos fraca? – perguntou inocentemente, olhando nos olhos.
Ele apenas assentiu com a cabeça.
– Se eu não conseguir te proteger, você o fará por si mesma.
Sansa desviou seu olhar. Ela sabia que não era forte o bastante para se proteger e nem acreditava que conseguiria se tornar uma guerreira com os treinamentos de Sandor.
– Você se tornou Princesa do Norte, Passarinho. – contou Sandor, achando necessário que ela soubesse do fato.
– Como? – ela o olhou. A estalajadeira não havia lhe contado isso.
– Proclamaram seu irmão mais velho como Rei do Norte – explicou o homem. – Se você acredita que eles estão em risco, você não será só herdeira de Winterfell, mas Rainha de Winterfell também.
Sansa ficou pensativa. Aí estava um motivo para ser forte e aprender a ser mais responsável e esperta. E percebeu que poderia aprender muita coisa com Sandor, mesmo não confiando nele. O Cão estava ali por causa de um pacto e de uma recompensa. Ela tinha que tirar proveito do que ele tinha a oferecer.
E com toda aquela conversa, ela percebeu que ele apenas queria fortalecê-la. E se arrependeu de ter escrito uma carta escondida, enquanto ele não estava. Esperava que ele não descobrisse.
Sua cabeça rodou e ela percebeu que tinha bebido muito vinho. Estava na hora de dormir.
– Vou dormir – anunciou Sansa, se levantando cambaleante. Sandor se levantou também e observou-a se jogar por dentro das cobertas na cama de casal. E Sansa percebeu que era uma boa hora para se aproveitar de colocar seu pequeno plano em prática. O plano que envolvia o ponto fraco de Sandor Clegane. – Você vai se deitar comigo?
Sandor não acreditava no que ouvia. Ela estava ficando louca? Estava convidando-o para dormir com ela.
Ele não pensou duas vezes e se jogou por dentro das cobertas do lado da menina. Queria se encostar nela, mas estava sujo, com aquela armadura nojenta.
– Você poderia tirar a armadura, está frio. – disse Sansa, com a voz sonolenta, parecendo um sussurro.
Aquelas palavras foram suficientes para causar um efeito entre as pernas de Sandor. Ele não aguentou nem se deitar direito e relaxar e saiu da cama subitamente. Sansa o olhou, pensativa e confusa.
Droga! Pensou Sansa. Ele não estava caindo.
Sandor se afastou e saiu do quarto batendo a porta.
Ele decidiu onde iria dormir. Nos estábulos com Estranho. E em pouco tempo estava lá, ajeitando o feno para se deitar, com a mão na espada, pronto para qualquer ataque. Estranho estava deitado ao seu lado. Confiava em seu cavalo. Era o melhor a se fazer. Era o melhor para se controlar e não fazer nada de errado. Tinha aguentado o suficiente até ali. Estava próximo de concluir seu plano de entregar Sansa em segurança para os Starks. Se fizesse algo impulsivo, ela poderia fugir, não estavam tão longe. E pior, teria sua cabeça cortada pelos Starks. E ele não sabia o que era pior: ser traidor para os Lannisters ou um estuprador para os Starks.
***
Na manhã seguinte, Sandor acordou com os raios solares lhe esquentando a face. Ele se levantou em um supetão. Estranho estava lá, em pé, observando-o e nenhuma ameaça estava próxima. Ele decidiu sair dali antes que o restante dos inquilinos acordassem.
O tempo estava frio, com céu limpo, mas ele sabia que estava próximo de chover. Ele nunca se enganava, já que as nuvens brancas estavam aumentando e ficando carregadas. Iriam enfrentar chuva na estrada e desejou que pudessem ter abrigo mais para frente. A próxima parada seria a Estalagem do Estroncamento, que era perto dali. Talvez, o último lugar seguro de tempestades que Sandor se lembrava.
Ele subiu as escadas da estalagem e, cambaleante, chegou até seu quarto. Não queria fazer barulho, mas seu sono e ressaca o fizeram abrir a porta com brutalidade. Ele entrou no quarto, se esbarrando no batente.
Sansa acordou com o ruído e abriu os olhos lentamente. Ela sabia que Sandor estava no quarto, podia sentir o cheiro de feno e vinho. Mas se apoiou nos braços para ter certeza do pensamento.
Sandor estava parado no meio do quarto, observando Sansa. Ela o estranhou e ele nem sequer disfarçou.
– O que foi, Cão? – perguntou Sansa, esfregando os olhos e se sentando na cama.
Sandor olhou para a banheira do outro lado do quarto, bem longe da lareira apagada.
– Preciso tomar banho.
Sansa assentiu. Ele precisava mesmo de um banho. Ela esfregou os olhos de novo. Levantou-se, revelenado a camisola fina. Iria sair do quarto para que Sandor se banhasse, mas não poderia sair com aquela camisola. Se escondeu atrás de um biombo perto da banheira e colocou seu vestido da noite anterior. Ele estava um pouco limpo, ela tentou lavá-lo na banheira, mas sem muito sucesso.
– Vou pedir para a estalajadeira esquentar sua água. – avisou Sansa, assim que saiu detrás do biombo e pronta para sair do quarto.
– Não é necessário, tomo banho com essa água mesmo. – rosnou Sandor, com seu humor matinal. Seria bom uma água gelada para afastar seus pensamento proibidos.
– A água é a mesma de ontem, eu tomei banho com ela. – explicou Sansa.
– Não precisa. – rosnou novamente, finalizando a conversa.
Então, Sansa percebeu que era outro momento que poderia aproveitar para que ele caísse em caísse em seu plano aos poucos.
– Quer ajuda para tirar a armadura? – perguntou Sansa, ingenuamente.
Sandor revirou os olhos. Estava de costas para ela. E seu membro respondeu novamente.
– Não, menina. Apenas saia do quarto. – respondeu Sandor, já retirando as fivelas das armadura que ficavam no ombro.
Sansa não saiu do quarto. Decidiu agir. Foi até ele, ficando de frente para o homem e ajudou a tirar sua armadura, abrindo as fivelas nas laterais de seu abdômem. Sandor não reclamou, nem rosnou. Deixou que a menina fizesse isso. Perguntou-se onde ela aprendeu a abrir as fivelas, mas lembrou-se que ela tinha muitos irmãos homens e achou normal que ela tivesse algum conhecimento. No entanto, ela ainda parecia desajeitada. Mas não reclamou.
Sansa se ajoelhou para ajudar com a armadura da coxa e fez isso rapidamente, deixando o homem só com a calça de malha. Não fez menção de olhar para as partes do homem e levantou-se rapidamente. Sandor estava agora de cota e calça de malha e retirou as botas com seus próprios pés. Sansa até pensou em desatar o laço de sua calça, mas estaria sendo atirada demais e Sandor desconfiaria de suas gentilezas.
Ela o olhou nos olhos e deu um sorriso inocente. Sandor queria agradecer e agarrá-la ali mesmo e levá-la para a banheira consigo, mas se controlou. Faltava pouco para ela se unir à família. Desejou que ela saísse do quarto. Não esboçou sorriso nenhum
E sem esperar por um gesto de agradecimento, Sansa saiu do quarto, parecendo contente e deixando Sandor confuso em seus próprios pensamentos.
–--
Cenas do próximo capítulo (Capítulo 10):
Sandor entrou no quarto, abrindo a porta com o estrondo. Sansa tomou um susto, dando um pulo, deixando a toalha cair no chão, na frente de Sandor.
Sandor ficou petrificado com a visão nua daquela menina que não era mais tão menina. Era uma mulher. Seu corpo era desenvolvido como o de uma mulher.
...
Ele se aproximou de Sansa, estranhando que ela não se afastava. Sansa estava com o corpo quente, ele podia sentir. E com seus dedos, percorreu o colo da mulher até chegar em seus pequenos seios firmes, tomando o mamilo entre os dedos e dando um ligeiro apertão.
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