Notas iniciais
Teias de aranha, Jesus, quanta teia! Mais de um mês sem postar e a única coisa que posso pedir é PERDÃO! Não, eu NÃO abandonei vocês e nem a fic! E nem vou dizer que fiquei atolada de coisas. Na verdade, até tive meus momentos estressantes, mas boa parte da culpa do atraso é a falta de criatividade. Quase todos os dias eu pensava na fic e quando não fazia isso, eu abria o documento, mas a vontade e ideia de escrever não vinham! O que aconteceu? Acabei mudando o rumo da história! De qualquer forma, espero não demorar a partir de agora! E aí? O que vocês me contam de bom? Podem contar tudo! Enquanto isso, leiam o capítulo!

O sol estava forte quando Sansa e Sandor saíram da Estalagem de Ferro, apesar do tempo começar a esfriar. Sansa sabia que estavam cada vez mais próximos do Norte por causa do clima que estava familiarizada e se sentia cada vez mais confortável com o fato.

Sandor, no entanto, reclamava do frio que sentia toda vez que tinha oportunidade. Ela não conseguia entender como ele sentia frio mesmo com aquela armadura e tirou a conclusão que eram apenas resmungos. Resmungos de implicância.

Sansa sabia o quanto Sandor estava se esforçando para levá-la sã e salva para sua família. Cada vez mais ela percebia que o esforço era grande. Ele não fazia mais as gracinhas que soltava quando estava no castelo, brincadeiras sobre ser um passarinho. Antes de saírem, eles treinaram mais uma vez com as adagas e ela teve um pouco de progresso. Sentia-se orgulhosa por isso. E percebia que ele estava começando a mudar seu olhar sobre ela.

Quando estavam no castelo, Sansa era apenas uma menina que precisava seguir as ordens so rei para sobreviver. Foi apenas sobrevivência. Sobrevivência que deu errado. Sandor sempre a criticava por isso, sempre com pequenas ironias e sarcasmos entre ouvidos pelos cantos do castelo. Ela sabia o quanto ele tinha razão, e não percebia que poderia encontrar alguém confiável no Cão de Caça. A verdade é que nunca confiara em ninguém desde que seu pai fora assassinado. Não arredaria o pé para mostrar que o Cão estava certo, pois não sabia qual seria a reação do homem. E não sabia ao certo se poderia confiar nele. Ele era o Cão de Caça do Rei e não iria mentir para a Majestade. Não iria dar às costas.

E além disso, tudo se misturava ao fato de que Sansa tinha medo do Cão. Aquela cicatriz terrível que tanto temia lhe trazia pensamentos que não eram agradáveis. Sentia náuseas quando olhava e sempre imaginava que aquela marca piorava o humor de Sandor Clegane. Ele era um homem grande e forte e ficava pensando se a cicatriz não o fortalecera. Tinha medo de apanhar dele no castelo. Aquelas mãos gigantes fariam uma marca tão feia quanto a dele em seu delicado rosto.

Mas Sansa apanhou dele. E ela o esfaqueou também, fazendo novas cicatrizes. Ela também teve outros machucados pelo corpo e começou a se lembrar de quando buscou por remédios paras as feridas de Sandor. Ou de quando Sandor ajudou-a com suas próprias feridas. Aquilo parecia ter sido há tanto tempo que Sansa até se esquecera dos doloridos. Olhou para a própria cicatriz fina e rosada na palma de sua mão, de quando fizeram o pacto.

Agora que estavam fora dos arredores do castelo, bem longe das garras dos Lannisters, o Cão parecia ser mais dócil. Não pelo humor, mas por ter demonstrado atitudes que Sansa não conhecia. A cicatriz horrorosa não era mais tão ruim assim. Sansa se acostumara e aprendera a conviver, tentando sempre mantê-la fora de seu campo de visão quando possível. Mas aprendera que ela tinha um significado e isso a tornava mais inofensiva. Ela confiava, mas ao mesmo tempo, não confiava nele. Confiou quando ele lhe garantiu que a tiraria daquela prisão e confiou nele para demonstrar seus desprezos. Mas não podia confiar totalmente, disso ela sabia. Ele lhe estapeou e várias vezes, mostrou intimidade que ele nunca o fizera no castelo. Apesar de todo seu falatório sobre não ser um cavaleiro, não ser um sor, não ser um lorde digno de nome, Sandor não era tão confiável e diferente das mentiras da realeza.

No fim das contas, Sandor Clegane era apenas mais um homem nojento que sobrevivia apenas para matança, bebida e mulher.

E foi então, depois de tanto tempo que Sandor a mandava procurar por pontos fracos dos inimigos, que Sansa percebeu que seu maior inimigo era o próprio Cão. E ela precisava encontrar os pontos fracos dele.

Sandor poderia fazer o que quiser com Sansa. Percebeu que aquele pacto e aquela cicatriz boba em sua mão não passava de palavras mais bobas ainda. Ele a machucara mesmo lhe prometendo o contrário. Sabia que quando tivesse a chance, ele a estupraria se pudesse. Sabia que ele tinha uma honra, mas ele daria um jeito se quisesse.

E foi quando percebeu que conheceu Sandor de diversas formas. Tanto bêbado, quanto sóbrio, tanto raivoso quanto dócil. Mas não tanto quanto ela gostaria para descobrir seus pontos fracos com mais clareza. Ele não lutava por dinheiro, nem por títulos, nem por terras. Mas havia um ponto que Sansa começou a perceber com mais atenção.

Quando Sandor não aceitara Amina, e quando a mulher lhe contara algumas informações, Sansa pensou duas vezes. Ele era um homem que gostava de mulher, mas não gostava da facilidade e da humilhação de uma outra mulher resolver seus problemas. Ele mesmo os resolvia, até mesmo quando o assunto era o sexo. E então, Sansa se lembrava de Amina lhe dizendo certos... fatos.

Sandor sempre se mostrara muito atraído por Sansa. Mas ela sempre fora tola para perceber. Não queria aceitar o fato de que aquele monstro tinha algum interesse em Sansa, uma donzela tão bonita e uma lady da alta sociedade.

Era por isso que Sandor sempre foi mais bondoso para com Sansa. Ele aceitou levá-la para perto de sua família e Sansa nunca conseguiria agradecer a ele. Não que Sandor fosse um homem de agradecimentos, mas ela sabia que ele poderia exigir alguma coisa. Ele não fazia nada de graça. Era um homem como os outros.

Depois que Sansa passara dias pensando, ela percebeu que Sandor não se contentaria com terras, títulos, ouro, poder. Ele não era desse tipo.

Mas ele se contentaria com uma única coisa: Sansa Stark.

Não imaginava-o pedindo sua mão aos Starks. Não imaginava-o lhe pedindo com educação por alguma coisa com ela. Então, Sansa percebeu que Sandor estava apenas esperando para dar o bote. Estavam próximos de concluir sua missão de entregá-la a sua família. E o que ele faria? É claro que ele tentaria atacá-la antes disso. Sansa até pensou que ele não seria estúpido de fazer algo ruim a ele e se arriscar a ter sua cabeça cortada por seu irmão. Mas alguma coisa ele tentaria. Como já tentou várias vezes. Ele se aproveitaria dela quando ela menos esperasse e precisava estar preparada.

Foi quando, numa noite, ela percebeu o que poderia fazer para que isso não acontecesse. Para que ele se tornasse dócil para ela e pudesse controlá-lo como quisesse. Percebeu como poderia agir para que ele não lhe cobrasse por um agradecimento de surpresa e nem fizesse nenhuma loucura. E claro, para apenas agradecer por todo o esforço que Sandor havia feito por ela.

Parecia estúpido, já que seu plano era um pouco audacioso, mas sempre se lembrava de suas cortesias e precisava reconhecer o quanto o homem lutara para mantê-la viva e agradecê-lo da forma como ele merecia.

Pensava em como poderia seguir com seu plano, mas parte de sua mente lhe dizia que era errado, pois ela era uma lady, precisava seguir suas cortesias. O que lhe passava pela cabeça era sujo demais para que ela prosseguisse.

Sansa era uma lady, uma donzela em perigo que precisava ser salva por um cavaleiro nobre e honrado, como Jonquil. Uma lady de uma das principais e mais honradas casas de Westeros.

E filha de um traidor.

E apenas por esse pequeno fato é que Sansa pensava que poderia seguir com seu plano em paz.

***

Quando Sandor percebeu, estavam quase chegando à próxima estalagem. A cavalgada fora longa, e ele ficou em silêncio boa parte do tempo. Sansa também e ele agradecera por isso.

Ela estava de capuz e não o olhava desde que saíram da estalagem. Pararam para comer e para necessidades e Sansa continuava impassível e calada. Em certa parada que fizeram, ele decidiu provocar.

– Não canta mais, Passarinho? – perguntou Sandor, enquanto cortava um pedaço de carne de coelho que assava. O dia estava claro, mas os galhos de árvore não deixavam que a luminosidade adentrasse o bosque.

– Não sei nenhuma canção. – respondeu Sansa sem emoção.

– Você costumava cantar enquanto estava no castelo. – comentou Sandor, percebendo que ela não parecia raivosa ou chateada. Apenas pensativa.

Sansa não comentou de volta. Ela comeu a carne sem a careta de desgosto que costumava fazer. Ela não parecia mais tão fresca quanto antes, mas sem deixar sua boa educação de lado.

Escondidos na floresta, eles treinam, mais uma vez, os ataques e defesas com a adaga de Sansa. Ele tentava esforçá-la ao máximo, pois não sabiam quando ela iria precisar se defender. E tinha medo de que ela tivesse que se defender sozinha, de novo. Apesar de estar melhorando, Sansa ainda tinha receios de ataque.

Ele só conseguia fazê-la atacar quando atiçava sua paciência. Falava para Sansa como ela era filha de um traidor e que todos os filhos dela teriam a traição no sangue. Mas ele sempre usava essa abordagem e ela acabou se acostumando com isso. Precisava encontrar outras ofensas.

– Você sabia que seu irmão lobo te prometeu a um Lorde vassalo? – perguntou Sandor, com uma adaga nas mãos, andando de lado, se preparando para o ataque, enquanto Sansa fazia o mesmo. Seus olhos estavam compenetrados nos dela. Mas quando Sansa ouviu aquilo, ela parou de andar e ajeitou a postura, franzindo o cenho, desconfiada.

– Do que você está falando? – perguntou Sansa. Mas antes que Sandor respondesse, ele avançou para cima dela, arranhando a adaga em seu vestido, rasgando-o na região do colo. Ela saltou para trás, assustada, e verificando se não havia sido cortada. Por sorte, ela estava sem nada. Olhou-o de olhos arregalados e raivosos.

– Nunca faça isso! Não desante, não se deixe desarmar! Não importa o que digam, nunca mostre que te afeta! – brigou Sandor, com a voz mais rouca que o normal, o que indicava que ele estava bravo com ela.

Sansa voltou a sua postura de ataque.

– Foi só uma mentira. Mas seu irmão mais velho foi nomeado Rei do Norte entre seus comparsas, menina, ele deve ter te prometido a alguém – explicou Sandor e Sansa queria revirar os olhos quando ouviu a palavra “comparsa”. Era a forma de ele se referir às casas fiéis aos Starks. Como se tivesse nojo.

– Ele não fez isso. – disse Sansa, sem deixar sua postura de luta como Sandor lhe ensinara.

– Agora, o Norte quer independência. Não aceitam ser liderados por um rei traidor e tão jovem quanto Joffrey – disse Sandor. – E precisam fortalecer suas amizades.

Sansa sorriu por instante, mas estava muito mais feliz por dentro. Estava orgulhosa de seu irmão, de sua família, de sua casa e do Norte por todo o esforço para se tornarem independentes e não serem governados por aquele idiota do Joffrey. Só agora conseguia compreender o quanto era importante o Norte ter independência.

Ela tentou atacar Sandor, mas ele deu um pulo para trás e tentou atacar-lhe o braço. Sansa se desviou e viu Sandor esboçar um sorriso orgulhoso.

– Então, a princesa do Norte está aprendendo. – declarou.

– Princesa?

– Agora que seu irmão é Rei do Norte, isso te fará Princesa do Norte. Não gosta da ideia? – perguntou Sandor, mas Sansa percebeu que havia um leve sarcasmo em sua voz.

Sansa decidiu não responder. Por dentro, estava sorridente com o título. Ela já sabia que era uma princesa, mas não imaginava que ele seria chamada assim tão cedo. Estava acostumada com Passarinho.

– É claro que gosta. É o que sempre quis, não é? Ser da realeza e ter seus empregados para fazerem tudo para você. Ter seus vestidos preciosos, seus vassalos se curvando por onde você passa. Agora só falta você ser Rainha. Aproveite suas aulas e mate seu irmão.

Sansa se ofendeu com aquilo. Jamais mataria seu irmão por um título. Ela poderia atacá-lo, mas sabia que ele iria se defender e seria tudo em vão. Decidiu esperar.

– Resta saber quem vai ter o poder de ganhar poder da casa de um Rei – começou a dizer. – Quem irá ter o prazer de te tomar como esposa e te foder toda noite até você parir um filho.

Sansa cerrou os olhos, pronta para qualquer ataque. Ele estava começando a irritá-la e ela podia sentir sua barriga se remexer de ódio.

– Quem vai ter o prazer de ter a sua boceta para comer, Princesa? Quem vai te arrancar canções de amor? – riu Sandor. – Será que seu irmão já te prometeu a algum velho barrigudo como Rei Robert?

Sansa fez uma careta de nojo, arrancando mais risadas de Sandor. Detestava Rei Robert por nunca ter tido uma postura correta de Rei e tinha nojo só de pensar em ter que se casar com alguém como ele. Perguntou-se como a Rainha Cersei conseguiu aguentá-lo.

– Sabem o que dizem por aí, Princesa? – perguntou Sandor, esboçando um sorriso malicioso em seu lábios e Sansa já imaginou o que vinha por aí. – Que um certo Cão de Caça sequestrou a prometida do Rei Joffrey e está fodendo-a de todos os lados – Ele riu, mas Sansa não. Ela tentou não demonstrar nenhuma reação. – É uma honra poder comer a boceta de uma Princesa. – E quando, por fim, disse isso, ele fez uma exagerada reverência, curvando-se, como se ela realmente fosse da realeza.

E essa foi a deixa que Sansa aproveitou. O ódio subiu por suas entranhas e espalhou-se pelo corpo até que Sansa correu em direção ao homem, gritando de ódio. Sandor percebeu o que acontecia e se levantou, mas não rápido o suficiente para impedí-la. Sansa se jogou para cima de Sandor, que deixou sua adaga cair, jogando-o no chão e montando em seu corpo, fechando a mão em seu pescoço e apontando a adaga para o rosto do Cão.

O desprezível rosto do Cão.

Por um momento, Sandor sentiu medo. Sansa tinha olhos vermelhos de ódio, boca escancarada para mostrar seus dentes, como um lobo o faz quando está pronto para atacar sua presa e seu corpo tremia. E percebeu que tremia de ódio. Seu rosto foi ficando mais vermelho e ela tinha respiração ofegante. Seus dedos finos estavam suados e gelados em volta de seu pescoço. As mãos do homem nem pensaram em impedí-la.

– NUNCA FALE DA MINHA FAMÍLIA! NUNCA FALE DESSA FORMA COMIGO! NUNCA FALE DOS MEUS VASSALOS! –gritou Sansa. E Sandor notou que não era mais um treinamento.

– Se quiser ir em frente, Princesa, deve apontar a faca ao meu pescoço. – avisou Sandor, tentando ficar tranquilo para que a menina se tranquiliza-se. Ele não sabia se aquilo era possível. Ele notou que ela parecia uma loba agora.

Sansa guardava seus sentimentos para si e guardou muito ódio e rancor por muito tempo enquanto esteve no castelo. Ele deveria ter adivinhado que, mais cedo ou mais tarde, ela iria explodir.

Sansa continuava com a faca apontada ao seu rosto, ignorando o aviso. Por um momento, Sandor não sabia mais se ela seria capaz de atacá-lo.

– Você não é ninguém para falar de mim ou da minha família ou do Norte. Do meu lar. – disse Sansa, a voz raivosa, mas sem berros.

Sandor colocou, devagar, suas mãos sobre a mão que segurava a adaga. Ele se manteve ali por um tempo até que os olhos, a expressão e os ombros de Sansa relaxaram. O toque dele a fez suspirar e afrouxar o aperto em volta do cabo da adaga. Sandor pegou a arma e jogou para longe, deixando Sansa ainda em cima de si. Ela também afrouxou a mão sobre o pescoço dele, olhando para suas mãos, como se não entendesse o que tinha acabado de fazer. Suas pequeninas mãos tremiam e Sandor as pegou novamente. Tomou impulso para se sentar, Sansa em cima de si, seus corpos mais pertos e ele a abraçou pela cintura. Podia sentir o hálito de hortelã da princesa, sentir o cheiro de loba que ela emanava, contar as sardas que ela tinha no nariz e navegar pelo azul dos olhos dela. Ela não pareceu se importar com a proximidade.

– Estou orgulhoso de você, Princesa. – disse Sandor recebendo um olhar penetrante de Sansa.

Ela parecia que ia chorar, mas não o fez. Apenas fez questão de sair de cima dele e Sandor não a impediu. Andou até a árvore mais próxima, respirando profundamente, com um turbilhão de pensamentos.

Sandor se levantou e tocou seus ombros.

– Vamos embora. Logo, irá anoitecer. – alertou Sandor.

Voltaram para o cavalo, percorrendo floresta adentro, paralelamente à Estrada do Rei. Estavam perto de uma área movimentada e não podiam se arriscar. Mas logo, teriam que ir para a estrada para passar pela ponte que ligava à Estalagem do Estroncamento.

Sandor pensou, durante todo o caminho, no quanto Sansa estava progredindo tanto na luta quanto em sua maturidade. Ela estava crescendo, isso ele nunca poderia negar, e estava se tornando mulher. E se flagrou pensando em como ela seria a mulher ideal. Sansa tinha suas cortesias e boa educação, requisitos básicos para uma boa mulher, e estava se tornando uma amazona, uma guerreira, talvez. Ela seria independente de homens e se tornaria uma mulher forte, digna de respeito que uma princesa merece. Era assim que uma Princesa deveria ser e percebeu que estava treinando para que Sansa se preparasse para governar o Norte.

Assim que Robb morresse, ela seria a herdeira do trono. Mas a Sansa antiga, boba e educada, nunca seria respeitada por seus vassalos. A nova Sansa, em crescimento, receberia o respeito que merecia. E sentiu-se orgulhoso por ser o protetor e instrutor de uma princesa. De uma futura Rainha.

Se Sansa fosse rainha, ele poderia ser seu protetor, de sua Guarda Real. Mas até ela tomar o poder, demoraria alguns bons anos. Se dependesse do irmão de Sansa, Robb, ele nunca tomaria lugar nenhum na guarda da família. Jamais seria confiado a proteger algum Stark. Ser desertor tinha lá suas desvantagens.

Só lhe restava fugir de Westeros e se virar por Essos. Quanto mais longe estivesse, melhor. Não tinha lugar para traidores da realeza em Westeros.

Foi quando percebeu que teria que planejar sua partida o quanto antes. As Gêmeas estavam por perto e teria que fugir assim que deixasse Sansa em segurança de sua família. Deveria ir para o porto mais perto e tomar um navio para Essos.

Quem sabe um dia, quando tivesse notícia da morte do irmão de Sansa, Sandor não voltaria para proteger a menina.

***

Quando chegaram na Estalagem do Estroncamento, Sansa logo colocou seu capuz, rezando aos Deuses Antigos para que não reconhecessem nem ela, nem Sandor.

Eles pararam nos estábulos e Sansa acompanhou Sandor para guardar Estranho.

– Fique sempre perto de mim! – ordenou Sandor.

Sansa estava sempre de cabeça baixa enquanto andavam. O lugar não estava tão movimentado quanto esperava e agradeceu intensamente por isso.

Sandor pediu por um quarto e o homem rechonchudo que estava atrás do balcão na recepção da cantina esbravejou que havia apenas cama de casal. Sansa reparou que o Cão a olhou por um instante, mas ela não o fez de volta. Ele pediu pelo quarto, sem esperar por uma resposta de Sansa.

Chegaram aos quartos, no movimentado segundo andar. O quarto ficava numa ponta do local, bem afastado das escadas e da movimentação e ruídos. Sansa se surpreendeu com a grandeza do quarto, diferente dos quartos das outras estalagens. A cama de casal tinha um dossel com madeira ornamentada e mosquiteiroS finos de cor azulada. Próximo à lareira, estava uma poltrona. Do outro lado do quarto, estava um biombo com uma banheira atrás. O quarto tinha uma sacada, logo em frente à poltrona, a porta ficava na mesma parede que a cama era encostada. Um armário grande próximo à banheira e uma mesa com duas cadeiras perto da lareira. A decoração era confortável, com velas por todo canto, flores frescas que emanavam um perfume suave.

Sandor jogou suas coisas em um canto e Sansa relaxou com o ambiente do quarto. Ela se sentou por um instante em uma cadeira. Não queria sujar a poltrona ou a cama com seu vestido sujo. Pediu para que Sandor tentasse lhe arranjar um vestimenta nova.

Sandor saiu do quarto para pedir por um banho, roupas novas e comida. E para analisar o local também. Estava mais vazio que o costume e ele não gostava nada disso. Desconfiava de qualquer mudança. Um rapaz mais jovem, da idade de Sansa, veio atendê-lo, garantindo que todos os pedidos seriam atendidos. O rapaz ordenou a uma senhora que fosse preparar o banho para Sansa.

No entanto, o rapaz era intrometido. Ofereceu vinho a Sandor, disse para se sentar, comer e perguntou de onde vinha, para onde ia, qual era o nome, casa. Ele foi seco em todas as questões e apenas deu respostas vagas como: Do Inferno, de onde vinha; Pro inferno, para onde ia; Remungos para seu nome e sua casa. Mas só quando o rapaz perguntou de Sansa, que Sandor abriu os olhos para o que ele queria. Pegou o garoto pelo colarinho e disse que a donzela não lhe pertencia. Sandor o empurrou para tirá-lo do caminho e exigiu que trouxessem a comida para seu quarto. Não ia aguentar ficar com olhares tortos das outras pessoas. Logo reconheceriam seu rosto.

As pessoas tumultuavam as escadas e os corredores e ele resmungava baixinho. Só queria ir para o quarto, beber seu vinho, recém reposto, dormir e comer. Mas se esqueceu completamente que estava sozinho e se amaldiçoou mais uma vez. Estava cansado das ladainhas de Sansa.

***

Sansa saiu de seu banho, com a água escaldante. Enrolou-se numa toalha que mais parecia um trapo velho. Deixou o biombo, olhando para a camisola rosada e um vestido azul que lhe arranjaram. Eram simples, mas seriam suficientes para o frio que estava por vir.

Sansa aproveitou a quentura da lareira recém acesa, deixando que as gotas de água se evaporassem de seu corpo.

O corredor estava sempre movimentado e sempre levava um susto quando ouvia gritarias. Seu coração se acelerava por momentos quando achava que alguém estava por vir. Acostumou-se tanto com os ruídos do corredor que não reparou quando o quarto realmente iria ser invandido.

Sandor entrou no quarto, abrindo a porta com um estrondo. Sansa tomou um susto, dando um pulo, deixando a toalha cair no chão, na frente de Sandor.

Sandor ficou petrificado com a visão nua daquela menina que não era mais tão menina. Era uma mulher. Seu corpo era desenvolvido como o de uma mulher.

Sansa sabia que ele ficaria impressionado com seu corpo. Ela mesma se impressionava com o quanto mudou. Suas curvas estavam mais acentuadas, seus quadris mais largos, coxas torneadas e seios mais volumosos. A pele branca estava avermelhada pelo calor da água e os pingos ainda lhe escorriam, escondidos pelos ralos pêlos ruivos em seu vértice. Ela não teve nenhuma reação. Estava envergonhada, mas não poderia se mover, se proteger. Teria que levar seu plano adiante e deixou que Sandor se alimentasse daquela visão. Ele estava boquiaberto, mas não tão assustado. Seus olhos estavam semicerrados e emitiam uma verocidade inquieta.

Sandor fechou a porta com um empurrão, causando um barulho que fez Sansa pular novamente. Ele se aproximou de Sansa, lentamente, estranhando que ela não se afastava. Sansa estava com o corpo quente, ele podia sentir. Parou a sua frente, observando todo aquele corpo que desejava com tanto fervor. A respiração dela estava ofegante, e seu peito se inflava acentuando seu seios. E com seus dedos, percorreu o colo da mulher até chegar em seus seios firmes, tomando o mamilo entre os dedos e dando um ligeiro apertão.

Sansa se arrepiou com o toque e Sandor percebeu. Ela queria que ele reparasse em todas as suas reações. E para isso, precisava começar a desejá-lo. Ela imaginou aquele homem lhe devorando a boca e deixou que seus olhos transmitissem tanta verocidade quanto os olhos dele. Queria que ele reagisse. Queria que ele fizesse alguma coisa. Tomasse o primeiro passo.

E ele o fez. Agarrou Sansa pela cintura, colocando sua grandes mãos aquecidas nas costas dela, levantando-a ligeiramente, de tão apertado que ele a abraçou e colou seus lábios nos lábios macios da menina.

Sansa sentiu seus seios se pressionarem contra a armadura dele, as mãos do homem em sua lombar apertavam forte sua pele, deixando-a marcada, enquanto a outra mão dele se cravava em seus cabelos, sentindo-o aquecer sua orelha. Ele tinha lábios molhados e gosto de vinho, e isso só fez com que ela sentisse uma inflamação entre suas pernas. Era a segunda vez que um homem a beijava, mas a primeira vez que alguém o fazia com tava voracidade. Quando Joffrey a beijara, alguns longos tempos antes, foi apenas um beijo seco e tímido, aqueles lábios descascados e sem gosto de nada, tão diferente dos lábios de Sandor. Ela não sabia o que fazer, deixou que ele a guiasse.

Sandor não esperou que a menina abrisse a boca, empurrou sua língua contra os lábios dela, obrigando-a a abrir. Ele explorou a boca dela com sua língua, sentindo gosto de morango se misturando ao vinho. Perguntou-se onde ela tinha comido morangos. Ela parecia corresponder, meio desajeitada, mas tentava mover seus lábios. Logo, ela estava acompanhando-o, tentando explorar a boca dele com a língua tímida. Um volume em suas calças começou a se formar, deixando seu corpo quente. Sandor sentiu os braços finos e molhados da jovem rodearem seu pescoço, sentindo-a se esticando e se obrigou a tirar a mão de seus cabelos e pousar nas costelas da menina. Passou o polegar pelas costelas aparentes secando as gotículas de água, enquanto a outra mão se abaixava mais e pousava na bunda de Sansa. Ele deu um aperto forte, fazendo-a gemer em sua boca. Ele latejou com o gemido.

Quando foi que ela aprendeu a ser tão experiente? Ela não era, dava para perceber que era desesperada, mas Sansa estava se entregando muito facilmente. Ela deveria rejeitá-lo, ignorá-lo, ter nojo. Mas ela não demonstrou nenhuma reação negativa e isso fez a razão possuir os pensamentos obscuros e embriagados de Sandor. Com certa dificuldade, ele colocou as duas mãos nas costelas dela e a empurrou, segurando-a bem longe de seu corpo.

– O que você está fazendo, menina? – perguntou Sandor ofegante, de olhos arregalados e confusos.

Sansa tinha olhos famintos e a respiração ofegante. Ela não parecia enojada, nem assustada. Apenas... sedutora. Ela não respondia e isso assustava Sandor. O que ela pensava? O que ela queria? Ele colocou as mãos em seus ombros, dando uma leve sacudida para ver se ela acordava de que ele era o Cão de Caça, o homem do rosto desfigurado que ela tanto tinha nojo.

– Você não gosta? – perguntou Sansa, timidamente, abaixando a cabeça.

Como ele poderia não gostar? Aquele beijo, aquele corpo nu em seus braços, só para ele.

– E se não fosse eu? A porta estava aberta! Sansa, você é uma criança! Não pode agir assim! – disse Sandor, tentando não sair raivoso, apesar de sua voz estar mais rouca que o normal.

Ela se ofendeu com a crítica. Criança.

– Eu não sou criança! Olhe para o meu corpo! – Sansa sorriu internamente. Nem ela sabia de onde saía todas aquelas falas e atitudes. O beijo só lhe encheu de coragem para prosseguir com o que queria.

Sandor olhou de relance para aquele corpo. Não queria que o calor em suas calças aumentassem. Ele não poderia tocá-la, não poderia rompê-la. Tinha que entregá-la intacta para sua família, ou teria sua cabeça pendurada nos portões de Winterfell.

Sandor não queria mais falar com ela. Queria apenas sair daquele quarto quente que começava a emanar um odor de suor. Suas partes latejavam e se virou, meio desnorteado, e viu alguns morangos em uma bandeja de ferro, antes de abrir a porta e sair.

***

Quando Sansa percebeu o que tinha acabado de acontecer, ela tratou de correr e trancar a porta. Tinha medo de que alguém além de Sandor entrasse e não tinha pensado que isso poderia acontecer. Deveria ser mais cuidadosa dali pra frente.

Ela caminhou pelo quarto e parou de frente ao espelho que havia na frente do biombo. A lareira atrás ofuscava seu corpo, mas dava para ver suas silhuetas em meio às sombras. Ela tinha um corpo bonito e sabia que poderia usá-lo como Cersei lhe falara. Sansa só não imaginava que ele era tão poderoso.

Tinha medo de seu plano, de suas ideias e pensamentos. Tinha medo de que Sandor perdesse o controle e fizesse algo que não queria. Ela precisava ter o controle de tudo.

Não queria quer Sandor a visse nua. Nem queria se deitar com ele. Mas ela sabia que, com o tempo, isso seria cada vez mais difícil de impedir. À medida que se afastavam da civilização, Sandor deixava seu lado cão falar mais alto. Ele estava mais agressivo, lhe dizia coisas obscenas e até tentava também. Ela conseguia perceber um certo auto controle nele, mas que, muitas vezes, era impossível de ser evitado.

A falta de civilização teve efeitos fortes em Sansa. Ela colocou suas garras e presas para fora e percebeu a pessoa forte que era. Ela tinha poder, era inteligente e poderia usar tudo a sua volta ao seu favor. Era só questão de saber usar. Estratégias.

E então notou que a civilização, sua família, os costumes e as septãs só colocavam regras em sua vida. Perguntou-se de onde veio a ideia de que só poderia se deitar com um homem depois que se casasse. Perguntou-se por quê ela tinha que ser tão educada e gentil com as pessoas se nenhuma delas era educada e gentil com ela.

Ficar tão longe de casa só fez com que seu lado animal despertasse. E as cortesias, regras, bordados, histórias não importavam mais. Não importava se iria se deitar com Sandor ou não. Queria colocar seu plano em prática, controlá-lo. Pois, a cada passo, ele estava mais selvagem. E ela precisava domá-lo. Esse era o único plano que importava.

O vinho e seu corpo eram as únicas coisas que poderiam domá-lo e era isso que iria usar. Mostrar-lhe gratidão. Sim, usar seu corpo como agradecimento não era mais uma ideia tão ruim assim.

Percebeu que estava mudada e amadurecida. Mas não o suficiente para seduzir um homem tão carrancudo como Sandor. Ele gostava do carnal, do obsceno. E ela só tinha ouvido histórias românticas de Septã Mordane. E por um momento, gostaria que Amina estivesse ali para ajudá-la. Ela saberia seduzir Sandor e poderia lhe ensinar os truques.

Com aqueles pensamentos, colocou o vestido azul e agradeceu que ninguém havia lhe reconhecido ainda. Ainda assim, não poderia arriscar e colocou a capa suja por cima do vestido. Trançou seus cabelos para que eles não ficassem tão expostos.

Quando abriu a porta, o corredor estava lotado de mulheres corpulentas e homens fedidos que gritavam e riam sem parar. Mas havia uma única mulher tão bonita quanto ela e que se destacava naquela confusão. Não podia ser...

A mulher não a viu e desceu as escadas com um homem gordo e bêbado.

Ela não queria passar naquela confusão e respirou pensando no que faria quando um rapaz jovem, de cabelos pretos e olhos castanhos que, vagamente, lembrava seu irmão bastardo, parou a sua frente com um sorriso aberto. Sansa tomou um leve susto.

– Posso ajudar, milady? – perguntou o rapaz.

Ela não gostou de ser chamada de milady. Dava a impressão de que tinham descoberto sua identidade.

– Pode me trazer o jantar? – perguntou Sansa, tentando ser educada, mas um pouco exausta da confusão.

O rapaz apenas assentiu e saiu correndo entre os outros hóspedes e Sansa, finalmente, fechou a porta, tendo um pouco de silêncio e sossego. Ela pegou alguns morangos da bandeja em cima de um mesa, perto da porta, onde havia uma bacia com uma jarra de água. Foi até a sacada, a noite estrelada, o céu tão escuro e a lua crescente. A movimentação no andar debaixo era grande agora. A floresta se estendia por todo o horizonte e podia ver algumas montanhas ao longe. Imaginava que algum lugar ali à frente era seu lar, Winterfell. Mas ainda faltava muito para o Norte e, finalmente, se sentir segura.

***

Sandor voltou para o andar debaixo, se instalando em uma mesa e ordenando, grosseiramente, pelo jantar. Não se importava se Sansa comeria ou não. Depois, ele levaria sua comida.

O que Sansa fez foi uma atitude sem medidas. Ela estava ficando louca se achava que poderia ficar nua com a porta destrancada. Mas Sandor sabia que não era com isso que deveria se preocupar.

Ver Sansa nua e não tendo nenhuma reação de se cobrir. Ter aquele corpo em seus braços e não receber nenhum olhar de nojo ou rejeição. Beijar aqueles lábios e não levar nenhum tapa pelo atrevimento. Suas partes se reviravam só de pensar.

Sandor sabia que a menina estava mudando e estava pensativa nos últimos dias. Ele se perguntou se ela pensava nele. Se ela imaginava os dois juntos e se suas reações e sentimentos em relação a ele tinham mudado. Ela tinha um bom coração e não acreditava que ela poderia estar lhe enganando.

Quando deu por si, a comida já estava a sua frente e ele nem havia reparado. Ele comeu feito um ogro esfomeado e nem se importava com os outros olhares. Sabia que os outros homens também eram tão ogros como ele. Sorte de Passarinho não estar ali. Estaria repreendendo-o como sempre.

Já estava na sua sexta caneca de vinho quando uma moça ruiva e corpulenta se aproximou. Ele já ia mandar Sansa voltar para o quarto, mas quando a olhou, não era Passarinho. Ela tinha olhos verdes ao invés dos azuis celestes.

– Olá cachorrão! – disse Amina, com uma voz estridente que fez Sandor revirar os olhos.

Sandor se revoltou com o apelido, não queria ser reconhecido, pegou-a pelo pulso, obrigando-a a sentar.

– Está revoltado? – perguntou Amina, com sorriso nos lábios.

– Não me chame assim. Não estrague nossos disfarces! – pediu Sandor. – Eu nem conheço você!

– Ei! Calma! Vim em paz! – ela roubou um gole de vinho da caneca de Sandor. – A ruivinha veio com você?

Sandor sabia que ela estava falando de Sansa e só pelo olhar daquela bela mulher, viu que desejava por Passarinho. Seu Passarinho.

– Isso não te importa. – respondeu grosseiramente.

A ruiva fez bico e tomou outro gole.

– O que faz aqui? – perguntou Sandor. Não gostava dela desde que descobrira que era uma garota de programa comprada por Sansa.

– Soube de um bordel que está pagando bem no Norte. Dizem que os homens por lá são bem calorosos. – explicou Amina.

Sandor fez uma careta de nojo. Uma puta correndo atrás de clientes. Nunca tinha visto isso antes.

Ele pediu por outra caneca de vinho para ele e para Amina. A mulher não iria sair dali tão cedo. Seus seios quase escapavam de seu vestido frouxo e marrom. E Sandor percebeu a semelhança com Sansa. Elas tinham a mesma pele branca, mas Amina tinha muita sardas pelo corpo e rosto. Seus olhos eram verdes e seus seios eram grandes. Ela tinha feições de mulher. Talvez, as feições que Sansa ganharia quando fosse mais velha. Seus lábios eram carnudos, um pouco mais que os de Sansa. E ele percebeu como seria bom beijar os lábios de Sansa novamente. E como seria bom beijos os lábios de Amina novamente. Ou então, ter as duas com os lábios em seu corpo.

Ele decidiu afastar os pensamentos, sacudiu a cabeça e esvaziou a caneca de vinho. Tinha que sair dali e dormir. Não aguentava mais os ruídos infernais daquele lugar. E ainda não queria correr riscos.

Sandor se levantou para ir até o quarto, e Amina foi atrás. Ele não se despediu e deixou que ela viesse aos seus calcanhares. Seria bom para Sansa ter uma presença feminina.

Ele chegou cambaleante pelos corredores e Amina segurou-o pelas costelas, tentando ajudá-lo. As pessoas passavam e empurravam e a sua vontade era de jogá-los escada abaixo. Abriu a porta num estrondo, rezando para Sansa não esta nua novamente. Além dele mesmo, Amina também era um perigo, visto a despedida das duas.

Sansa estava sentada junto a lareira, escovando os cabelos que alguém teria lhe arranjado. A mesa estava posta e os pratos vazios, o que significava que ela tivera um jantar recentemente. Ela usava uma camisola branca e virou-se quando Sandor entrou.

Sansa não ficou surpresa quando viu Amina, mas se levantou rapidamente, deixando a escova de lado e ajudando Sandor a se sentar na cama. Amina fechou a porta e voltou para o casal, abrindo um grande sorriso para Sansa. A menina retribuiu com um sincero e recatado sorriso. Sandor revirou os olhos. Dava para ver a faísca que saía dos olhos de Amina todas as vezes que olhava para Sansa.

– Como vai você, Lady Stark? – perguntou Amina, se aproximando de Sansa. A menina não se afastou e deixou que a mulher lhe pegasse pelo rosto e desse um beijo em sua bochecha.

Sandor se perguntou como ela descobriu suas identidades. Mas decidiu não tocar no assunto por agora. Queria apenas dormir.

Ele pegou seu manto de cima da cama e estendeu no chão, se jogando sobre ele.

Sansa se virou para ele, confusa.

– Você pode dormir na cama. – convidou a menina.

Sandor revirou os olhos. Mas que diabos Sansa estava falando? Ele havia atacado aquele Pássaro e ele não fugia!

Sandor apenas resmungou e continuou deitado, ao lado da cama. Dava para ver as duas mulheres e Sansa pegou nas mãos de Amina e parte de si se enciumou.

– Fico feliz que esteja aqui. – disse Sansa para Amina. Sua voz soava sincera.

– Fico feliz de ter te encontrado. – disse Amina, tocando nos cabelos de Sansa.

Sandor revirou os olhos mais uma vez. Quantas vezes ele fizera isso hoje? Levantou-se de supetão e se dirigia a porta.

– Você poderia nos deixar e voltar para seu quarto? – pediu Sandor, tentando soar simpático e educado. Sansa deveria enxergar seu esforço. – Precisamos dormir. Temos uma longa viagem pela frente.

Amina não tirou os olhos de Sansa quando disse:

– Não tenho quarto, dormirei em qualquer lugar.

Aquilo fez Sandor bufar, mas percebeu como Sansa o olhou como um cão abandonado.

Mas que sete infernos Sansa estava fazendo? Eles não conheciam Amina e ela já tratava a mulher como se fosse uma velha amiga.

– Ela pode dormir comigo. – avisou Sansa para Sandor. Esse era o motivo de seu olhar suplicante.

– Retirou meu convite? – desdenhou Sandor.

Sansa levantou o nariz, impassível e firme em sua resposta. Ela parecia uma mulher quando tomava essa postura.

– Não, você pode dormir conoso. – e dizendo isso, abraçou Amina pelos ombros.

Sansa estava perdendo a cabeça. E Sandor gostaria de encontrá-la de volta.

– Eu vou dormir no chão. Façam o que quiserem.

As duas ruivas se deitaram na cama, Amina ajudando Sansa a se ajeitar, colocando seus cabelos para o lado, cobrindo-a com cuidado. Tendo todo o amor e cuidado que Sandor nunca teria. Ela se apoiou no cotovelo e acariciou os cabelos de Sansa para que dormisse.

Quem Sansa pensava que era para dar tanta intimidade àquela mulher?

Sandor voltou para seu manto, se jogando no chão sobre ele. Uma parte de si estava raivosa com Amina e com seu atrevimento e abuso. A outra parte fazia suas partes baixas revirarem só de pensar naquelas duas ruivas, uma que tanto desejava e outra tão corpulenta, deitadas juntas numa cama.

Decidiu deixar os dois pensamentos de lado e dormir.

***

Mal tiveram tempo de fechar os olhos e descansar quando foram acordados por cascos de cavalos, tilintar de metais, gritos roucos de homens e berros estridentes de mulheres. Sandor se levantou de supetão, já pegando a espada da bainha e colocando uma mão protetora sobre o braço de Sansa.

Ela e Amina acordaram assustadas e a mulher teve o reflexo de sair da cama e pegar uma adaga pendurada em sua coxa.

– O que é isso? – perguntou Amina.

Sandor deu de ombros e fora até a porta, abrindo-a devagar. Não viu nada além da correria dos hóspedes.

Amina foi até a sacada e viu os cavalos com diversos homens bem vestidos com armaduras e tecidos carmesins com um brasão...

– Os Lannisters! – avisou Sandor, completando os pensamentos de Amina.

– Lannisters? – perguntou Sansa, assustada e se levantando.

– Tropas Lannisters! O que querem aqui? – perguntou Amina.

Sandor fechou a porta e trancou-a com uma tábua. Ele olhou para Amina que tinha expressão preocupada. E sem pensar, ele deu passos largos em sua direção e pegou-a pelos cabelos.

– O que você fez? – esbravejou Sandor.

– Não fiz nada! – Amina apontou a adaga para ele, mas Sandor estava com uma espada em seu pescoço.

Sansa tocou na mão de Sandor, tentando-o parar.

– Por favor, não a machuque! – pediu Sansa.

Sandor olhou raivoso para Sansa, ela tinha olhos culpados e perguntou-se porquê a menina se doía por aquela mulher. Isso fez com que ele forçasse a espada no pescoço de Amina e fechasse mais as mãos entre seus cabelos, arrancando-lhe um gemido de dor.

– Fui eu! Foi culpa minha! – confessou Sansa, desesperada, sacudindo o braço de Sandor, para obrigá-lo a soltar os cabelos de Amina.

Sandor soltou os cabelos de Amina e pegou os de Sansa.

– O que você fez? – repetiu a cena.

Amina colocou a adaga para Sandor, tentando impedir que ele machucasse Sansa. Ela era idiota de acreditar que Sandor iria fazer algum mal a Sansa. Ela era esperta por achar isso, pois Sandor não controlava mais sua raiva.

Os passos apressados foram ficando mais volumosos e próximos.

– Precisamos fugir. Não temos tempo para isso! – avisou Amina.

– Você não irá com a gente! – disse Sandor.

Sandor analisou as janelas, e estava pronto para deixar o lugar. Sansa pegou o vestido que lhe arranjaram. Não daria tempo para se trocar, mas teria que levá-lo. Não queria ficar de camisola por aí.

– Eu estou aqui há dois dias e sei por onde fugir – avisou Amina. – Confie em mim!

Sandor se virou para ela, raivoso. Queria bater a cabeça dela na parede e cortar seu pescoço. Mas Sansa logo se colocou ao lado dela e ele sabia que não poderia fazer nada de errado.

– Nós confiamos em você. – disse Sansa. Ela não se importava mais se confiava ou não. Apenas queria sair dali. E se algo desse errado, Sandor a protegeria.

E antes que os guardas entrassem no quarto, arrebentando a porta, Sansa, Sandor e Amina já estavam sobre os cavalos fugindo da Estalagem do Estroncamento. Mais uma vez, fugindo.

Notas finais
✿( ͡° ͜ʖ ͡°) ✿( ͡° ͜ʖ ͡°) ✿( ͡° ͜ʖ ͡°) E aííí? Curtiram? Enlouqueceram? Espero que sim, pq essa é a intenção! hahahahahahahahahahahhahaha Não deixem de comentar o que acharam! Ou criticar ou me tacar pedras! To aceitando tudo! Mudei o rumo da história, pois vi que muitos gostaram da Amina. Eu não poderia deixá-la de lado, claro! Agora o negócio vai ser BABADO! Espero que tenham gostado e tentarei não demorar, juro!