Goddess and Monster - Part 1
14 Capítulo 12 - A intimidade de nós dois - Parte 1
Notas iniciais
Sansa esperava ansiosamente por uma nova estalagem. Estava se acostumando a essa vida e detestava quando tinham que dormir ao relento. Ou então, que chegassem logo ao castelo das Gêmeas.
No entanto, o Cão lhe dissera que eles teriam que esperar mais um dia e se hospedar numa estalagem pela região. Precisavam bolar um plano e descobrir como estava o clima nas terra dos Freys.
Sandor não deixou que Sansa andasse a cavalo com Amina novamente. Ele a apertava contra seu corpo, como se tivesse medo de que ela fugisse. Sansa deixou que ele fizesse isso. Não queria ter que contrariá-lo e deixá-lo nervoso.
A floresta começou a se dissipar e dar lugar a uma campina verde e brilhante. O céu estava claro, o sol batia forte e um vento frio rodeava a planície. Logo adiante, estava o Ramo Verde que se expandia até uma fortaleza cinza ao longe. Sandor sabia que eram as Gêmeas e se perguntou se Sansa conhecia o lugar.
Ele não queria levar Sansa para aquele inferno. Sabia como Walder Frey era um pária e sabia que aquela família era monstruosa. Ele não confiava em Lorde Frey, por conta de todos os boatos que corriam sobre ele não ser um santo. Ninguém naquele reino era santo, mas Sandor conseguia compreender o que queria dizer sobre aquele homem. Lorde Frey iria negociar com quem lhe oferecesse mais. Sandor tinha dúvidas se o jovem Stark poderia oferecer algo melhor que os Lannisters.
Sua ideia era trancar Sansa em uma estalagem até que o casamento acontecesse e depois, ele iria ao encontro dos Starks para entregar a menina. Ele sabia que ela iria desconfiar por estar trancada numa estalagem por tanto tempo. Iria reclamar sobre estarem tão perto de sua família.
A verdade é que Sandor não queria deixá-la. Se entregasse Sansa à sua família, ele teria que partir. Não iria aceitar nada vindo dos Starks. Não queria um trabalho, não queria ser guarda daquela família gelada. Receava que Robb Stark e sua mãe iriam querer sua cabeça por conta de todos os boatos que correram durante esse tempo. Sandor só queria algum dinheiro para fugir dali.
Mas ele queria que Sansa fosse junto. Até pensou que poderia realmente sequestrá-la e levá-la para longe. Ou que poderia simplesmente pedir.
Sansa nunca aceitaria fugir com ele.
Afastando seus tristes pensamentos da cabeça, ele olhou para a cabeça ruiva da menina que abraçava. Ele poderia aproveitar algum momento com ela antes de entregá-la para sua família. Era sua missão. Era seu pacto. Mas Sandor poderia aproveitar seu primeiro plano. Trancá-la em uma estalagem até sua família sair daquelas torres.
Sansa e Amina estavam se dando muito bem. Ele ouvia suas conversas por todo o dia. Na verdade, quem mais falava era Amina, mas Sansa também compartilhava suas desventuras em Winterfell. Quando eles paravam para suas necessidades e para comer, as duas ficavam entre risos e cochichos e deixando Sandor incomodado.
Sansa, por outro lado, apesar de achar a viagem agradável depois da chegada de Amina, não via a hora de encontrar sua família. Ela já havia decidido: iria arranjar um cargo para Sandor e pediria para que Amina fosse uma de suas aias. Ela tinha muito o que compartilhar com Sansa.
Na última estalagem antes de seguirem para as Gêmeas, Sandor não deixou que Sansa conseguisse um quarto com Amina. Ela queria que Sandor ficasse sozinho em um quarto, já que a estalagem estava livre. Mas Sandor retrucou diversas vezes de que era perigoso e ele não iria arriscar a vida da menina quando estavam tão próximos do fim da missão.
No entanto, como ainda era dia, Sandor decidiu se organizar antes de partirem para a próxima viagem. Ordenou que as duas mulheres ficassem no quarto e que não saíssem. Sandor iria buscar informações e elas deveriam se alimentar e descansar para o caso de qualquer fuga ou evento inesperado.
– Se alguém aparecer, você precisa tirá-la daqui – ordenou Sandor para Amina, quando ele a pegou pelo braço, para um canto. – Leve-a para as Gêmeas, mas não a entregue antes de saber se a família dela está lá. Ela está em suas mãos, Amina, eu vou te caçar no inferno se algo de ruim acontecer a ela.
Amina não se assustou com a ameaça. Ela estava acostumada a receber pressão e não se amedrontou. Sabia da responsabilidade que teria ao ficar sozinha com Sansa. Mas ela gostou de Sandor, finalmente, confiar nela por conta própria.
Amina saiu do quarto para deixar Sandor e Sansa sozinhos e pedir por comida para as duas.
Sandor se aproximou de Sansa. Ela tinha o rosto calmo e suave, parecia feliz, mas ao mesmo tempo ansiosa.
– Estamos nos aproximando. – disse Sandor.
– Eu sei. Estou ansiosa para encontrar minha família. – confessou Sansa, um pouco tímida.
Sandor pegou nas mãos da menina. Estavam geladas. Queria ficar ao lado dela para protegê-la e lhe garantir que tudo daria certo.
– Eu preciso que você fique aqui com Amina – Sandor começou a explicar. – Vou comer. Vou conseguir informações e fazer um plano para chegarmos lá de maneira segura.
Sandor fez menção de sair do quarto, mas Sansa o segurou pelo braço. Ela o puxou para que ficassem bem próximos.
– Eu não quero que você vá.
Ela não queria que ele fosse embora e deixasse-a sozinha. Mas ela sabia que aquelas palavras tinham um peso maior. Sansa não queria que Sandor fosse embora depois de encontrar sua família. Ela queria que ele ficasse e tinha tanto medo de perdê-lo.
Por alguma razão, ela tinha um pressentimento e seu peito apertava de angústia. Imaginava que fosse por conta de Sandor. Tinha medo de que aquela fosse a última vez que eles estariam juntos. Tinha medo de que algo acontecesse enquanto ele estivesse fora.
Sansa o olhou bem nos olhos, levantou uma das mãos para tocá-lo no rosto queimado. Ela se esforçou para não fazer uma careta e não ter nojo, mas a pele queimada tinha uma textura esquisita e ela se arrepiava com isso. Ela queria ver alguma segurança naqueles olhos cinzas. Alguma garantia de que ele voltaria.
Sandor colocou sua própria mão sobre a de Sansa. Aquele toque era especial e queria prolongar o momento. Mas não poderia perder tempo ali, precisava encontrar informações e levá-la de volta para casa. E ao mesmo tempo, queria agarrá-la para um beijo. Queria fazer todas as coisas sujas que ele já havia feito com outras mulheres. Queria dizer que ela era especial e que ele não iria deixar que nada lhe acontecesse.
Mas só o que fez foi tirar a mão suave de seu rosto.
– Eu vou voltar depressa. – garantiu Sandor. Apertou a pequena mão dela esperando que isso lhe passasse segurança.
Quando Sandor deixou-a sozinha, a menina percebeu o quanto a ausência dele angustiava seu coração.
Amina logo voltou sorridente. Mas perdeu o sorriso ao encontrar Sansa quase chorando. Tratou logo de abraçá-la, confortá-la.
– Tudo dará certo. Você não precisa se preocupar. Não confia em Sandor? – perguntou Amina.
Sansa pensou por um momento. Aquela era uma questão estúpida. É claro que confiava em Sandor. Mas por outro lado, ela não confiava. Não confiava no homem vil que era, não confiava na fúria de Sandor. Quando o homem estava em fúria, ele ficava cego e não pensava antes de fazer. Ela já tinha experimentado sua fúria e não gostaria de tentar de novo.
Seu único desejo era que ele controlasse a fúria e não deixasse que ele cegasse a ponto de não vê-la. É claro que um Sandor raivoso era de extrema utilidade, mas queria que ele não depositasse nela. Era algo a se trabalhar.
Amina soltou-a do abraço com outro sorriso no rosto e levou-a para se sentar na cama.
– Então, o que você quer saber, Lady Sansa? – perguntou Amina, com um sorriso malicioso.
Sansa se lembrou dos momentos em que ficavam aos cochichos. Ela perguntou várias vezes para a mulher sobre os homens. Perguntou se ela poderia ajudá-la a controlar um homem. E Amina sempre respondeu que isso era possível e que iria ajudá-la.
Sua ideia era controlar Sandor. Sansa queria que ele fosse domado. Só assim, ele aceitaria ficar com ela, servir os Starks.
Por conta disso, Sansa fez diversas perguntas para Amina sempre que elas tinham a chance de ficar sozinhas. Perguntou o que realmente acontecia numa noite de núpcias e a mulher lhe contou com detalhes. E mesmo com o espanto de Sansa, ela tentou acalmá-la. Disse também por que os homens procuravam as prostitutas e o que elas costumavam fazer. Nada muito diferente da noite de núpcias, é claro. Mas as prostitutas tinham um poder de sedução que as senhoras não tinham.
Sansa não queria ser uma dessas senhoras. Ela não queria ser traída por seu marido e sua conversa com Amina a fez pensar em como ela poderia evitar isso. Seu pai, já casado, voltara com um filho bastardo nos braços e detestaria que isso acontecesse com ela. Nunca iria perdoar seu marido se isso acontecesse. Amina garantiu que era possível que ela não passasse por isso se soubesse cuidar de um homem direito. E Sansa sentiu curiosidade em saber o que poderia fazer para isso.
Uma crescente curiosidade invadiu seu interior novamente. Ela sabia o que acontecia entre um casal na noite de núpcias. Agora, ela queria saber o poderia fazer para seduzir um homem. Sansa sabia que isso poderia ser necessário.
Desde que começou a observar Sandor, ela percebeu que vinho e mulher eram importantes para ele. Sandor nunca deixaria de buscar por vinho. Ela só não sabia o que ele fazia em relação as mulheres. Desde que saíram de Porto Real, ela nunca tinha visto Sandor se relacionando. E se perguntou se ele fazia em Porto Real. A Guarda Juramentada não podia procriar.
No entanto, Amina lhe explicara, uma vez, que o sexo não era só para procriação. É claro que ela sabia disso. Só não conseguia imaginar Sandor com outra mulher. Um pequeno sentimento brotou dentro dela e não soube dizer o que era.
Ciúmes? Inveja?
Ela não sentia ciúmes de Sandor, mas nojo. Ele era sempre rude e Sansa detestava isso. Mas ela reconhecia seu valor.
Sandor mudara todos os seus planos, que Sansa nem sabia quais eram, para salvá-la. E mesmo depois de dias se irritando com sua cortesia, ele não deixou de protegê-la. Poderia ter se irritado e tê-la vendido para um bordel. Ou deixado-a em algum canto para que alguns homens a estuprassem. Ele poderia ter feito muitas coisas com ela e só agora Sansa percebera isso. Poderia ter morrido, ser vendida, ser violentada e abusada. Mas Sandor nunca deixou. Ele mesmo poderia ter feito qualquer uma dessas coisas com ela. Mas ele nunca fez.
Mesmo que ela tenha provado um pouco de sua fúria e abuso, Sandor nunca deixou de lhe dar conforto. Ele dava suas próprias economias para garantir bons quartos em estalagens; quando dormiam na floresta, deixava que ela ficasse com seu manto; protegia-a quando tinha medo e frio; cuidava dela quando se machucava e chorava.
Sandor tinha um grande valor. Tinha medo de que ele não aceitasse nenhum pagamento de sua família e ela sempre se sentiria culpada por não agradecê-lo. Ela precisava pagá-lo.
– No que pensa, querida? – perguntou Amina, passando a mão em seus cabelos, tão carinhosa como sempre fora.
Sansa não hesitou.
– Você me ensinaria a seduzir um homem?
***
A pequena estalagem antes de chegar às Gêmeas não era tão movimentada. Sandor agradeceu por isso. Mas seria mais difícil de arrumar informações. Ele olhou por toda a taberna, esperando por alguém confiável. Ele não confiava em ninguém.
Ele ainda tinha muitas moedas do Torneio da Mão do Rei e das vendas das joias de Sansa. Era o suficiente para aguentarem por um tempo ali até chegar às Gêmeas. Mas teria que arranjar mais dinheiro para fugir de Westeros.
Deixar Westeros significa abandonar Sansa em mãos que ele não confiava. É claro que ela estaria com a família, mas não era seguro. Em tempos de guerra, não dava para confiar em todo mundo. Ele sabia que muitas coisas poderiam acontecer se os Starks perdessem a guerra. Sansa seria vendida para qualquer homem, ser entregue ao Rei Joffrey e ter sua cabeça arrancada, ser vendida para um bordel. Ele queria protegê-la.
Ele ouviu homens contando sobre o casamento nas Gêmeas. Mas não retirou muita coisa dali. Sentou-se em uma mesa afastada, pediu por vinho e comida. Pensou em um plano.
Se eles ficassem ali até o casamento acabar, poderia arranjar um jeito de encontrar a família Stark no meio do caminho. Mas ficar ali, por mais vazio que fosse, era arriscado. Não podiam ficar muito tempo em um só lugar, com uma recompensa por suas cabeças sendo oferecido pelo rei.
Ele pensou em buscar por algum casebre abandonado por ali, para que ficassem escondidos. Mas a guerra não os deixaria ficar em paz. Também era tão arriscado quanto ficar na estalagem.
Sandor não queria entregar Sansa e deixá-la protegida. Pensou que se conseguisse mais algum dinheiro, poderia levá-la para longe de Westeros até a guerra cessar. Poderia até pedir à Amina para arranjar dinheiro fácil. Mas Sansa nunca aceitaria sair dali. Fora de Westeros, ele teria mais garantia em protegê-la. Poderiam dormir tranquilos, sem se preocupar com qualquer barulho que escutassem.
Levar Sansa até às Gêmeas também era arriscado. Se tivessem sucesso em ir até lá, já era um passo. Mas garantir proteção de Sansa Stark dentro das Gêmeas? Seria tão perigoso quanto dormir na floresta.
Se Sandor aceitasse ficar com ela, o que aconteceria quando saíssem das Gêmeas? Winterfell estava queimada. Ela não tinha para onde voltar, teria que caminhar com sua mãe e seu irmão para a guerra, se hospedar em casas vassalas e tentar encontrar a proteção de outros senhores que não eram os seus. Só de pensar em Sansa sozinha pelo mundo, recebendo proteção de outras pessoas que não fossem ele, o estômago de Sandor se revirava. Ou talvez fosse a fome.
Quando as costelas de porco chegaram junto do vinho, Sandor comeu como se fosse sua última refeição. Ele pediu por mais vinho antes que a caneca acabasse. E enquanto comia, prestou atenção.
A taberna ainda tinha alguns viajantes, pessoas que estavam em busca de um emprego no casamento nas Gêmeas. Muitos partiriam mais tarde ou na manhã seguinte. O casamento era em três dias. Ouviu alguns homens dizerem que os Starks já se aproximavam do local. A família de Sansa ainda não estava nas Gêmeas.
Não adiantava arriscar levá-la para lá. Ela não estaria segura. Decidiu que passariam dois dias naquela estalgem por mais arriscado que fosse. Fugiriam se necessário.
Quando terminou sua comida, decidiu dar uma volta. Iria arranjar algumas roupas. Não queria ficar de armadura para cima e para baixo, correndo o risco de ser reconhecido. Já bastava seu rosto desfigurado para isso. Ele conseguiu um gibão claro e calças marrons grossas. Era o suficiente.
Voltou para o quarto, já de noite, a taberna se enchendo aos poucos, e rezou para que as moças estivessem vestidas. Rezou também para que Amina não estivesse se aproveitando de Sansa. Sabia bem que tipo de mulher era ela. Passou pelas escadas e corredores vazios, e respirou fundo, decidindo dar algumas batidas na porta. Percebeu que elas poderiam abrir para qualquer um e que precisavam criar um código para que fosse reconhecido sem arriscá-las.
– Quem é? – perguntou Amina, por detrás da porta.
– Sou eu. – resmungou Sandor. Pelo menos, a mulher era esperta.
Amina abriu a porta lentamente, colocando a cabeça para fora para ter certeza de que era o homem e deixou-o entrar. Ela estava vestida. Sansa também. Sandor suspirou aliviado.
A cama ficava de frente para a porta e Sansa estava deitada de lado. Sandor visualizou aquele corpo curvilíneo, desejando tirar o vestido dela. Contentou-se em apenas observar a menina comendo frutas de forma tão sensual. Sensual para ele. Seus cabelos estavam jogados, deixando seu pescoço exposto, sua cabeça apoiada na mão, o cotovelo apoiado na cama, seus lábios vermelhos de tantas frutas e o sugo delas escapando por sua boca. Era uma cena deliciosa.
– Vejo que conseguiu algumas roupas. – Amina o tirou do transe e ele a amaldiçoou por isso. Ele olhou carrancudo para ela, depois para as roupas e de volta para Amina.
– Sim.
Amina deu um sorriso caloroso, como ela sempre dava. Foi até a banheira que havia no quarto, próxima a sacada. Havia um biombo por perto, mas não tapava a visão da banheira.
– Sansa e eu tomamos banho, a água não está tão suja, se não se importa. – avisou Amina
Sansa e eu. Sandor se perguntou que tipo de frase era aquela. Elas tinham tomado banho juntas ou separadas?
– Você e Sansa? – perguntou Sandor, não se importando em ser atrevido. Sansa pareceu ter percebido a intenção da pergunta. A menina estava ficando esperta. Não sabia se era por conta da presença de Amina.
– Separadas – disse Sansa. – Mas Amina me ajudou a me banhar.
– E ela me ajudou. – completou Amina, sorridente. Sandor odiava aqueles sorrisos.
Sandor bufou e foi para perto da banheira, colocando suas novas roupas em um banco de madeira. Amina o seguia e ele estava ficando irritado.
– O que você quer, mulher? – perguntou.
– Quer ajudar para tirar sua armadura? – perguntou a atrevida Amina.
Sandor gargalhou.
– De você? Não aceito nenhuma ajuda sua.
Amina não desfez seu sorriso, apenas se contentou em olhar para Sansa. Elas já tinham criado um laço que fazia com que se comunicassem pelos olhares e Sandor se incomodou com isso. Ele não se lembrava de já ter se comunicado através dos olhares de Sansa.
Sansa não saiu de sua posição.
– Posso ajudar você, se quiser. – ofereceu Sansa, parecendo tímida. Apenas parecendo. No fundo, Sandor sentia um tom de ousadia.
Ele não respondeu, mas lhe lançou um olhar de agradecimento. Esperava que ela entendesse que aquilo era um sim. Mas também era um não, já que não podia se aproveitar das ofertas ousadas de Sansa. Ela ainda era uma lady.
Mas a menina parece ter entendido. Ou não. Nem Sandor sabia se queria que ela o ajudasse ou não. E Sansa se levantou e se aproximou, pronta para ajudá-lo, ainda tímida.
– Irei ver se há bolos de limão. Você quer, Sansa? – perguntou Amina, se dirigindo à porta.
– Claro! – Sansa sorriu abertamente e Amina saiu do quarto.
E lá estavam os dois sozinhos, prestes a ter mais um momento de intimidade. O membro de Sandor pulsou com o pensamento e ele sentiu necessidade de afastá-la.
– Não preciso de ajuda. – rosnou. Ela o olhou tímida, mas confiante. Sugo de fruta ainda escorriam por seus lábios vermelhos. Sandor deu um passo para trás, esperando que ela desistisse e se afastasse.
Mas ela não desistiu. Sansa começou a apalpá-lo pela cintura, em busca das amarras presas ao couro e metal. Sandor decidiu adiantar e tirou as ombreiras, o metal que cobria seus braços, sua luvas, as mangas. Sansa o ajudava a retirar tudo e colocar de lado. Ele levantou os braços para que ela o ajudasse a tirar a armadura. Sentiu as mãos dela passando por seu corpo enquanto levantava aquele pesado material de couro e metal. Estava apenas com uma cota de malha encardida, as botas e os calções , que a menina tratou de desamarrar com as mãos geladas. Ele a interrompeu e Sansa o olhou confusa. Não queria que ela tirasse seus calções.
E Sansa não se deu por satisfeita. Empurrou o homem para se sentar na cama e se ajoelhou diante dele para retirar suas botas. Sandor sabia que ele não cheirava bem, mas a menina não reclamou e nem fez careta em momento algum. Seus pés estavam descalços e ela se levantou, pegando a cota de malha e estendendo por todo o corpo de Sandor para retirar pela cabeça dele. Ele sentiu a mão gelada em sua pele e se arrepiou. Quando estava sem a camisa, Sandor percebeu, através da luz da lareira e das velas espalhadas, que o rosto de Sansa estava ruborizado. Ela já estava com as mãos nos laços dos calções, mas o seu rosto foi o suficiente para que ele a parasse novamente.
– Passarinho, eu posso fazer isso sozinho. – avisou Sandor, se levantando, afastando-a delicadamente. Seu membro pulsava fortemente.
Sansa apenas assentiu, tímida. Sua doçura ainda permanecia, apesar da ousadia. Sandor se aproximou do biombo e o arrastou para que tapava a banheira da visão de Sansa. Não queria que ela o visse se banhar. Não de novo. Dessa vez, ele precisava se aliviar e não queria que ela acompanhasse.
Sandor sentiu as mãos de Sansa em suas costas nuas, passando por sua cintura e empurrando a barra dos calções. Ele retirou as mãos dela, um pouco rude demais.
– Passarinho, vá arrumar a cama para dormir. – pediu Sandor, se afastando de Sansa e indo para trás do biombo.
Sandor retirou os calções rapidamente, seu membro estava ereto e ele entrou na água morna. Precisava se aliviar urgentemente. Envolveu a mão em seu membro, pulsante e quente e o alisou. Mordeu o lábio para não gemer, nem gritar, apesar do movimento rápido fazer a água se espalhar e fazer muito barulho. Nem percebeu que o biombo era de madeira vazada e nem se importava. Apenas esperava se aliviar logo e que Sansa não o visse. Estava quase deitado na banheira, quando ouviu os passos de Sansa se aproximando. Ele parou por um momento e olhou por entre a madeira vazada, perguntando-se onde estava a menina.
Sansa se ajoelhou atrás de si, tão silenciosa que Sandor só percebeu quando as mãos dela passaram por sobre o ombro dele e alisaram seu peito. Uma das mãos tinha um pedaço de pano úmido e ensaboado. Sandor se recompôs. Ainda tinha o membro na mão e esperava que ela não tivesse visto, o que era muito difícil, considerando que estava muito visível dentro da água. Ele se sentou ereto e tentou se afastar dela.
– O que é isso, passarinho? – perguntou, assustado.
– Vim lavar suas costas. – respondeu, sua voz soando inocente.
Ele tirou a mão de seu membro, ainda ereto, esperando que a água o escondesse. Sansa empurrou seu ombro delicadamente, para que ele se afastasse da borda da banheira e ela esfregasse suas costas. Sandor não deveria deixá-la fazer isso.
– Sansa... – ele começou, mas a menina o interrompeu.
– Amina me contou o que acontece com os homens na presença de mulheres – disse Sansa, soando calma. – Sei o que estava fazendo. Ela também me explicou isso.
Ele queria ver seu rosto para ver se ela estava tranquila mesmo.
– Então é sobre isso o que andam conversando aos cochichos? – perguntou Sandor, sarcástico. Seu coração se encheu de ódio por Amina, mas curiosidade por Sansa. – O que os homens fazem ou deixam de fazer?
Sansa esfregava as costas de Sandor com muita delicadeza e a sensação era imensamente boa, o que só piorava sua situação abaixo da cintura. Ele sentia cheiro de lavanda e imaginou que ela estivesse o lavando com aromas.
– Ela me explicou sobre coisas que Septã Mordane deveria me contar. – explicou Sansa.
Sandor soltou uma risada grossa e rude.
– Você acha que sua Septã iria lhe ensinar as mesmas coisas que uma prostituta te ensina? – perguntou Sandor, colocou a mão sobre seu membro, esperando que a dor latejante passasse logo. Sansa o puxou para que encostasse de novo na borda da banheira. Ela o esfregou nos ombros e logo, estava esfregando os cabelos dele.
– Em breve, eu casarei. Tenho certeza de que Robb já me prometeu para alguém – contou Sansa. Ela aparentava calma, mas imaginava que seu rosto estava vermelho. Suas mãos massageavam o couro cabeludo do homem. – Eu não quero parecer uma estúpida em minhas núpcias. Nem temorosa. Quero estar preparada para o que vier, pois sei que não me casarei com quem amo.
O coração de Sandor pulou. Casamento. É claro que seu irmão já devia ter arranjado um para ela. E só de pensar em ver Sansa se casando com outro...
– Vou pedir a Robb para que Amina seja minha aia.
Amina sendo sua aia. Sandor estava curioso para saber o que mais a prostituta tinha ensinado sua menina.
– Então Amina lhe explicou o que eu estava fazendo aqui? – perguntou Sandor, desafiador e sarcástico. Gostava do jogo de perguntas que deixava Sansa constrangida. – O que mais ela te ensinou?
Sansa molhava o cabelo de Sandor torcendo o pano sobre sua cabeça. Ela deixou o pano de lado, colocou as mãos em seus ombros e se debruçou sobre ele.
– Que os homens gostam de beijos aqui. – e beijou seu pescoço com os lábios macios e gelados. Sandor se arrepiou e seu pênis latejou. Ele rapidamente colocou a mão para conter a pulsação.
– Não deveria fazer isso. – alertou Sandor, preocupado com o que Sansa poderia estar insinuando. Seu Passarinho não era tão ousado. Ou era?
– Estou apenas deixando boas lembranças para você, já que irá embora em breve. – explicou Sansa, se movendo para o lado da banheira, onde Sandor pudesse ver seu rosto. Ela esfregava o braço dele, enquanto a outra mão do homem ainda estava em suas partes.
Já que irá embora em breve”. Ela imaginava que ele iria embora, iria deixá-la. Mas nunca pensou que ela estaria tão conformada. Por que não estaria? Sansa nunca desmonstrou gostar do Cão.
– Você não deveria nem estar me banhando. Deveria guardar isso para o senhor seu marido.
Sansa deu de ombros, mas Sandor percebeu que ela tinha o rosto corado e lutava para não olhar para onde estava a outra mão do homem.
– Quando você for embora, irá levar consigo todas as lembranças de nós dois. Quem irá saber? Quem irá nos julgar? – indagou Sansa. Ela esfregava sua mão.
– Ela também lhe disse que as mulheres podem se tocar? – perguntou Sandor, curioso. Sentia certo ciúme de saber que Amina ensinava certas coisas a ela.
Sansa conseguiu corar mais ainda. Estava quase da cor dos cabelos. Mesmo à meia luz, ele conseguia ver seu belo rosto.
– Sim, ela me contou.
– E você já fez?
– É claro que não! – respondeu Sansa, indignada. Sandor soltou uma risada rouca, mas depois se lembrou de outra coisa que o fez perder o riso.
– Ela te tocou?
– Não! – Sansa repetiu. Seu rosto parecia se explodir em vergonha.
Sandor suspirou aliviado e soltou outra risada rouca.
– Você não quer me dar mais lembranças boas para guardar? – pediu Sandor, desafiador. Ela não gostava das insinuações dele, mas ele só se divertia. – Toque-se para mim.
No mesmo momento do pedido, Sansa parou de esfregá-lo.
– Não, Cão. Não farei isso! – ela parecia indignada com o pedido. Sansa voltou a lavar sua mão. Ele mexeu os dedos e esfregou a pele macia da mão da menina.
– Então, deixa que eu faça isso. – os dedos dele insinuando uma dança sensual por sobre a mão dela. Ela retirou rapidamente.
– Vou me guardar para o meu marido, sor.
– Não sou nenhum sor. Se eu fosse, estaria controlando meu pau duro e não seria banhado por uma lady – e dizendo isso, ele tirou a mão de seu membro ereto e levantou o quadril, revelando-o por entre a água. Sansa virou o rosto, envergonhada e Sandor soltou outra risada rouca. Ele voltou a se sentar e a tocou em seu braço. – Não vai me dar mais nenhuma lembrança boa? Vou embora e todos os seus pecados irão comigo.
Sansa voltou a olhá-lo. Sandor agora acariciava seu membro, sem vergonha de se exibir a Sansa. Tinha olhos famintos e um sorriso malicioso. Ela estava indignada e de sobrancelhas franzidas.
– O que você quer que eu faça? – perguntou Sansa, com certo medo da resposta que ele daria.
Sandor apontou a cabeça para sua mão trabalhando em seu membro. Alisava de cima para baixo devagar.
– Já me viu sem roupa. Agora falta tocar em um pau, Passarinho. Vou te ensinar o que o seu marido vai querer que faça.
Sansa não olhava para baixo, estava com o rosto virado novamente. Corava mais que sua pele permitia.
– Eu farei isso com meu mari... – Sansa tentou dizer, mas Sandor a interrompeu.
– Sansa, eu preciso dessa lembrança. Olhe para mim! – ordenou Sandor e Sansa o olhou. Ela tinha uma careta de nojo e desprezo, a mesma careta que ele estava acostumado a receber dela. Mas ainda precisava que ela o tocasse. Ansiava por isso e estavam muito próximos de que acontecesse. Seu membro latejava por isso.
Sansa, finalmente, olhou para sua mão sobre o membro. Ela só conseguia ver através da água cristalina e ouvir o movimento dela feito pela mão dele. Sansa não via seu pênis e ele não iria sair dali para mostrar. Só queria que ela o tocasse. Ela aproximou sua mão e finalmente, o pegou.
Quando Sandor sentiu a mão macia e gelada de Sansa envolver seu pênis, ele deixou um gemido alto e rouco escapar de sua garganta. Ela estava parada, mas ele envolveu a mão dela com a sua e a ajudou a alisar seu membro. Apertou a mão dela e soltou outro gemido ao sentir-se apertado e alisado.
Por outro lado, Sansa estava corada, com uma careta e sensação que misturava nojo e vergonha. Ela se surpreendeu com a pele macia e quente e mesmo debaixo d’água, parecia melado. Mas queria se guardar para o senhor seu marido, que seria alguém belo como nas canções. Não queria ter que fazer essas intimidades com o Cão. Ela o olhou enquanto alisava o membro dele para cima e para baixo. Sandor tinha os olhos fechados, a boca entreaberta, e soltava alguns grunhidos que a assustavam. Mas seu rosto parecia relaxado e ele parecia gostar. Isso a satisfez um pouco. Estava fazendo algo que deixava o raivoso Sandor relaxado e satisfeito. Mesmo que fosse um pouco proibido.
Seu estômago se revirou ao pensar em quanto isso era proibido. Estava tocando um homem antes de seu casamento. E este homem não era seu marido e nunca seria. Mas então, a voz de Amina lhe veio à cabeça. Não tenha medo da sua luxúria, Sansa. Você tem todo o direito de ter desejos e nenhum deles são proibidos. Na visão de Amina, o que estava fazendo não era proibido. Mas na visão de sua Septã, de sua mãe e de toda a sociedade que conhecia...
Mas a sua curiosidade crescente de saber o que viria a seguir não a fez parar. E um calor entre suas pernas cresceu quando Sansa pensou que Sandor poderia fazer o mesmo com ela. Sansa nunca havia sido tocada. Tirando as vezes que Amina lhe tocou de propósito e Sandor a tocou por provocação. Queria saber o que ele sentia e por que era tão bom assim.
Sansa havia perguntado a Amina o que fazia o sexo ser tão bom a ponto dos homens terem que procurar bordéis. Ela disse que era algo mágico e só saberia quando sentisse. Mesmo a luxúria, tão suja, era algo bom.
Sandor a obrigou a aumentar a velocidade. Estava quase se libertando, o prazer passando por todo o corpo dele. Ele apertava sua mão, e ela apertava seu membro. Tinha medo de machucá-lo, mas ele não reclamou em momento nenhum. Seu braço estava ficando cansado e o movimento espirrou água por todo seu corpo, deixando seu vestido molhado. Ela se segurou na borda da banheira e Sandor apertou seu pulso com a outra mão. Ele agora soltava alguns suspiros roucos e abriu os olhos para observar o que Sansa fazia. Seu olhar era selvagem e assustava a menina.
Sandor tirou a mão do pulso de Sansa e tampou a cabeça de seu membro. Não queria que Sansa se assustasse mais do que já estava. O prazer que sentia por todo o corpo se intensificou e se uniu em seu membro para explodir em êxtase. Sandor soltou um curto gemido rouco.
– Sansa... – ele a chamou delicadamente durante o êxtase. Parte de Sansa se sentiu confusa e a outra parte se sentiu... orgulhosa.
Ele fez a mão de Sansa parar. Seu leite foi jorrado contra a mão, evitando que explodisse para fora da água e assustasse a menina e escorreu por todo o comprimento, melando a mão de Sansa. A expressão dela não era mais de nojo ou desprezo, mas de curiosidade.
Além do pouco orgulho, sentia vergonha. No entanto, sua curiosidade falava mais alto. Apesar de Sandor ter soltado sua mão, ela continuou segurando o membro dele que se amolecia. Ela acariciou mais um pouco apenas para se lembrar de como era tocar em um homem. Estava melado e ela entendeu que era a semente do homem. A semente que engravidava. Amina havia lhe explicado sobre isso. Sansa se sentiu suja. Era proibido. Lembrou-se de outra coisa que Amina havia lhe contado. Quando você se sentir suja com a luxúria, você pode selar um beijo, que isso fará o amor voltar à memória do casal.
Sansa soltou o membro de Sandor. Ele estava encostado na banheira, o rosto suado estava relaxado e sonolento. Sandor respirava ofegante, com um ligeiro sorriso nos lábios. E antes que ele pudesse dizer qualquer malícia que a fizesse se sentir mais suja, Sansa selou seus lábios nos do homem. Ela se apoiava na banheira e não tinha a menor intenção de prolongar o beijo. Mas Sandor pousou a mão em suas costas, puxando-a para si. Ele empurrou a língua contra os lábios dela. Lábios que pareciam frutas vermelhas. Sansa abriu sua boca, tímida, e deixou que Sandor a invadisse novamente. Não que ela não tivesse gostado na primeira vez, mas depois de tudo aquilo... Era tudo tão proibido.
Ele dançava a língua dentro de sua boca e ela se arriscou a fazer o mesmo. A mão dele segurou seu rosto. Era uma mão quente e grande e aquele simples gesto a fez sentir-se protegida.
E então, Sansa percebeu que não podia deixar Sandor ir embora. Um pequeno gesto dele já passava toda a segurança que ela precisava. Onde iria encontrar outro homem que a protegesse daquele jeito?
Isso fará o amor voltar à memória do casal. Eles não se amavam. Ela não o amava, mas estaria pronta para amor seu senhor marido, no futuro. Ele também a protegeria do mal.
Não como Sandor. Apesar de todos os seus defeitos e suas grosserias, ele era como um cão. Ele fazia jus ao seu nome. Era leal a ela. Como foi leal a Joffrey.
Isso fará o amor voltar à memória do casal. Não havia amor ali e isso fez Sansa separar-se de Sandor, interrompendo o beijo. Ela não o amava. Sansa se afastou dele e se levantou. Estava molhada, tanto em cima quanto... embaixo.
Sansa não deixaria seu trabalho incompleto e pegou uma toalha para Sandor. Ele se levantou, de costas para ela e a menina enxugou suas costas. As cicatrizes eram feias naquela região. Tanto quanto no resto do corpo. Recusou-se a olhar para baixo. Já tinha tido muito por uma noite. Sandor pegou a toalha e terminou de se enxugar, enquanto saía da banheira e Sansa lhe dava os novos calções para vestir. Ele recusou o gibão e disse que iria dormir desnudo.
Quando eles saíram detrás do biombo, o coração de Sansa saltou pelo peito e quase saiu pela boca. Amina estava sentada na ponta da cama, com seu clássico sorriso acolhedor.
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