Glitter In The Air

10 Capítulo 10 - Devaneios


Notas iniciais
Gente, o capítulo tá ridiculo, e eu já vou logo avisando. É que eu realmente não estou tendo tempo para fazer nada a não ser estudar. Acreditam que logo na primeira semana de aula eu já tive dois livros para ler, três trabalhos e, daqui á duas semanas eu tenho 8 provas ? Então, desculpem-me se eu demorar ou pelos capitulos pequenos... Ou qualquer outra coisa.

Vi como Sharon saiu quase fazendo buracos no chão com aquele salto quinze enquanto saía trotando do shopping, se eu não estivesse tão ferrada, eu até riria da cena.

Minha mãe quase implorara para que Jack fosse conosco pra casa e, depois de meus vários olhares em direção á ele que diziam “Se você aceitar, cuidado pra não beber nada envenenado.”, ele decidiu pensar racionalmente e dizer que não.

Minha mãe até esquecera o que fora fazer no shopping depois de todo o drama e mico que me fizera passar, tanto que até fomos logo para casa. Dá pra acreditar que ela estava me forçando a beijar o idiota do Johnson? Ah, fala sério! O papel das mães não era nos afastar dos maus indivíduos? Então, porque ela ta me empurrando para o pior deles?

Por todo caminho até em casa minha mãe falou maravilhas do Jack e me repreendia a cada segundo por ter escondido-o por tanto tempo. Fala sério! Ela não ficou com ele mais de meia hora e já o conhece tão bem para dizer que ele é um bom partido? E isso de tê-lo escondido por tanto tempo? Eu o conhecera hoje!

Definitivamente, eu tenho de arrumar um psiquiatra para minha mãe, urgentemente.

Quando chegamos em casa eu simplesmente sai correndo do carro e fui para o meu quarto, não estava nem um pouco a fim de escutar nenhuma idiotice a mais que minha mãe pudesse dizer, que, cá pra nós, eram muitas.

Joguei-me na cama enquanto pegava o controle do som e ligava o mesmo. Não me dei sequer o trabalho de tirar os tênis, a preguiça e frustração eram tantas que fui com tudo e me embrulhei, ainda que fizesse um calor dos infernos em Michigan.

Passei o resto da tarde assim, fritando embaixo dos edredons com jeans, tênis e blusa de frio num calor de 34° C. Para que vejam o que não faz a preguiça.

Quando não estava agüentando mais, me levantei da cama jogando todos os edredons no chão e fui em direção ao meu armário pegar alguma coisa para vestir depois que eu tomasse banho.

Não demorei mais de vinte minutos sob a água fria e sai enrolada numa toalha para logo vestir o pijama que havia escolhido minutos atrás. Sim, eu iria vestir um pijama ás quatro horas da tarde. Algum problema?

Eu não tinha nada pra fazer, nada, mas nada mesmo. Se eu soubesse ao menos o que tinha acontecido nas aulas, capaz que teria dever de casa, mas nem isso eu tinha. E nem morta eu desceria para assistir televisão e correr o risco de encontrar minha mãe por lá e ela me encher de perguntas escrotas sobre o Jack, que, provavelmente eu não saberia responder e ela me xingaria pelo fato de eu estar escondendo fatos sobre ele dela, ou então pelo fato de eu não conhecer meu próprio suposto namorado.

Sentei-me em minha cama e olhei para os lados em busca de alguma coisa útil que eu pudesse fazer, e, aparentemente, não tinha nada! Sequer arrumar meu quarto eu tinha, já que a dona Clara, nossa empregada, já fizera o favor de arrumá-lo pra mim.

Valeu ai dona Clara, agora nem arrumar meu quarto pra passar o tédio eu posso!

Ah, fala sério, será que a doença do Jack e da minha mãe estão sendo transmitidas pra mim? Porque, qual é! Que pessoa com perfeita sanidade mental estaria reclamando pelo fato de o quarto não estar bagunçado para que a mesma o pudesse arrumar?

Inspecionei meu quarto mais uma vez e vi algo que a mundo tempo não via. Meu antigo violão escondido em meio á parede e meu armário de roupas. Levantei-me e fui em direção ao mesmo, peguei-o e voltei outra vez para a cama. Fazia tanto tempo que não tocava que capaz que não me lembrava sequer como se tocava a nota Dó.

Sabe, eu nunca fui uma garota muito sociável, nem mesmo quando eu morava em Seattle, eu tinha apenas duas amigas por lá, e, na maior parte do tempo, quando eu não tinha coragem de dizer o que realmente acontecia comigo, eu passava horas e horas em meu quarto compondo qualquer coisa. Quando mais nova escrevi até uma musica sobre a minha duvida se as formigas faziam coco, mas, acho que isso é um fato que eu não deveria revelar, não é?

Enfim, finjam que não disse isso.

Tirei a capa empoeirada de meu violão e o analisei por alguns instantes... Estava com vontade de tocar, mas não tinha idéia se ainda me lembrava das notas, ou como se segurava aquilo. Mas, então, tentar não custa nada não é? Hm, se bem, que nesse caso custa sim, alguém para afinar as cordas depois.

Coloquei o violão em cima da cama e fui em direção ao meu armário e peguei uma caixinha lilás e voltei outra vez para onde se encontrava meu violão. Abri a caixinha e tirei de lá algumas partituras, e peguei uma das que eu mais gostava de tocar, não era minha, claro que não, eu jamais conseguiria compor algo do tipo, eu apenas me identificava com ela...

Cruzei minhas pernas em cima da cama enquanto começava a tocar... De certo modo eu me identificava com ela, principalmente, quando chegou em seu meio...

(…) Her feeling she hides

Her dream she can\'t find

She\'s losing her mind

She\'s falling behind

She can\'t find her place

She\'s losing her faith

She\'s falling from grace

She\'s all over the place (…)

Era tão patético cantar aquilo que era praticamente a minha essência. Tão... Assustador reconhecer que você realmente era aquilo sem que ninguém te dissesse e ainda continuar do mesmo modo... Dói saber que é covarde e não ter algo a se prender para voltar a ter coragem. É como estar num vácuo, ou presa num labirinto sem saída... É como não ter vida.

Ta legal, eu sei que já estou parecendo uma emo em fase final de transição, mas não precisa se assustar não que eu não irei até a cozinha pegar uma faca e tentar tirar a minha vida, até porque, se eu for á cozinha, é bem capaz deu encontrar a minha mãe desmiolada que com certeza dirá algo constrangedor de mim para meu pai, o que causará uma briga, que puxará outra e que me deixará com insônia... Como sempre acontece.

Em meio aos meus devaneios eu dormi, não sei ao certo como, só vi quando acordei e já era de manhã. O que significava: dar de cara com a minha mãe eufórica, ter que aturar o Jack mala idiota Johnson e correr da Sharon e seu clã para não correr o risco de sofrer homicídio.