« "Don't touch me, I may shatter" she told quietly, while stepping away from me. Sparkles in her blue eyes. She was like a masterpiece — too beautiful, but heartless. I kept coming to her attempting to save her from the darkness, but she pushed me away, every single time. She doesn't realize she needs help urgently, or else, she'll die.»

" Preciso de ajuda..."

"O quê? Peço desculpa?"

"Estava a dizer que preciso de ajuda para encontrar um livro."

"Segunda vez esta semana" pensei. É a segunda vez esta semana que fico consumida pelo livro que estou a ler, e esqueço-me de cumprir os meus deveres. Deveres esses que consiste em atender clientes numa pequena livraria local, que apresenta apenas uma vantagem: ler livros, sem pagar. Mas às escondidas do meu patrão, Mr.Clarks.

Robin Clarks é um homem já com alguma idade, julgando pelo seu cabelo grisalho. A sua aparência não é simpática. Contudo, se lhe dermos uma oportunidade, percebemos que tem muitas histórias para contar e livros mágicos para mostar, incluindo o que estou a ler agora.

É um romance antigo. Não tem autor escrito em parte nenhuma do livro. Por vezes penso que foi o próprio Robin que o escreveu. No entanto, ele insiste que o encontrou no topo da estante 'E' {romances esquecidos}, enquanto escolhia livros para jamais vender e, deste modo, reduzir a área da loja para diminuir despesas.

O seu pequeno negócio não é muito lucrativo, devido à falta de clientela. Como o próprio diz: " A vossa geração carece apaixonados pelos livros". Penso que essa foi uma das razões pela qual me contratou — faço parte da mínima percentagem de pessoas que amam ler.

E hoje, parece que estou a atender outro membro do clube — um rapaz tímido e adorável que procura o best-seller de ficção-científica. É fascinante a diversidade de pessoas que entram pela porta degradada da livraria. O rapaz ajeitou os óculos, pagou pelo livro e apressou-se para a saída, olhando obsessivamente pelo ombro, como se estivesse a ser perseguido.

Sorri para mim própria, abanei a cabeça e mergulhei de novo nas páginas amarelas e finas do meu livro. Apenas para ser trazida de volta à superfície por um riso vindo do armazém.

"Mr.Clarks!" exclamei, escondendo o livro.

"Sim querida. Já sabes que não podes ler no trabalho. Muito menos esse livro sagrado. Dá-me o já!" exigiu.

Lembro-me de ele me mostrar com paixão e dizer que não lhe podia tocar. Todavia, resistir a um bloco de páginas antigas não era algo que eu planeava fazer.

"Não me vai despedir por uma estupidez destas, certo?" interroguei o homem, com humor na voz.

"Claro que não. Que parvoíce. Sei perfeitamente o quanto precisas deste emprego e também partilho da tua curiosidade por livros. Mas tens de perceber que há coisas que, por mais curiosos que estejamos, não podemos tocar."

Com isto, desapareceu no armazém, deixando-me a apreciar as estantes ou arrumar livros que, eventualmente, estivessem fora do lugar, para o resto do dia.