Notas iniciais
Voltei! Um pouco atrasado! Próxima semana vou tentar postar o capítulo na segunda como combinado. De qualquer forma, boa leitura!

Andrew revirava freneticamente o seu quarto, ele parou por um segundo e conferiu o horário:

—Eu vou me atrasar... -Pensou ele irritado. -O que eu faço...?

Ele considerou as suas prioridades e decidiu que poderia passar o dia inteiro se escondendo da sua professora se necessário. Andrew agarrou tudo o que precisava e correu para fora da sua casa. Ao chegar na escola, ele estava excecionalmente nervoso:

—O que eu vou dizer se a professora me perguntar da chave...eu posso dizer que entreguei a outro professor, mas e se ela for falar com esse professor? -Pensava ele enquanto caminhava para a sua sala. -Calma, se ela me deu a chave assim tão facilmente, talvez ela não seja tão importante...

A situação era preocupante já que Andrew sequer possuía a capacidade de se expressar corretamente para outros estudantes. Pagar para fazer cópias novas das chaves perdidas não seria muito caro, mas ele teria que pedir dinheiro aos seus pais, e consequentemente, explicar a situação. Ele sentia que era o único culpado em perder o objeto e por isso não queria pedir ajuda.

Por outro lado, ter que explicar o que aconteceu para a professora era um tanto quanto constrangedor e ele não gostaria de ser visto como alguém irresponsável. Andrew continuou a pensar sobre o problema sem nunca chegar a uma decisão concreta e o tempo passou. Mas estranhamente a professora não veio ao seu encontro. Ao perceber que a sua última aula tinha acabado, ele suspirou aliviado enquanto se preparava para voltar à casa:

—Parece que me preocupei à toa...

—Já indo para casa, Andrew? -Disse uma voz peculiarmente familiar.

Andrew virou-se para trás lentamente e sentiu o seu coração deixar de bater durante alguns instantes. Ele entrou em pânico e não soube como reagir:

—Bom dia, professora.

—”Bom dia”, Andrew? Já passam das quatro. -Riu ela enquanto se aproximava. -Agora que lembrei, mas ontem eu te dei o molho de chaves que tem a chave da sala dos professores, certo?

Andrew ainda não havia se preparado mentalmente para esse momento e por isso tropeçou nas suas palavras e expressões faciais. Ele franziu a sua testa enquanto tentava sorrir e, culposo, sussurrou:

—Desculpa...

—Você perdeu ela? Mas não se preocupe, existem outras, eu só preciso fazer mais uma cópia para mim depois. -Respondeu a professora. -De qualquer maneira, tente procurar por ela mais um pouco. Eu já vou embora, tenho alguns compromissos. Até amanhã!

Andrew balançou a sua mão para se despedir apenas por instinto. Ainda tentando entender o que tinha acabado de acontecer, ele pousou a sua mão sobre seu o peito e percebeu a velocidade em que o seu coração batia:

—Acabei por realmente me preocupar à toa... -Sussurrou ele para si mesmo. -A professora foi muito compreensiva então o mínimo que eu podia fazer era achar essas chaves.

Ao sair de dentro da escola, ele percorreu o seu caminho habitual e ao chegar em casa dirigiu-se ao seu quarto. Enquanto tentava relembrar a ordem das suas ações no dia anterior, ele procurou em todos os lugares que conseguiu imaginar, mas sem sucesso.

—Ah... -Suspirou ele cansado. -Onde será que aquilo foi parar?

Enquanto a sua mente afundava-se em pensamentos, ele ouviu alguém bater na porta do seu quarto.

—Talvez a mãe tenha chegado mais cedo. -Pensou ele se dirigindo até a porta.

—Então, como vai a vida? -Perguntou Matthew carregando um saco de batatas.

—Ma, o que você veio fazer no meu quarto?

—Você normalmente vem ao meu então eu pensei em inverter um pouco as coisas. Quer uma? -Disse Matthew oferecendo as batatas.

—Não, isso é muito gorduroso. Está uma bagunça aqui dentro, mas eu acho que você pode entrar e talvez até mesmo me ajudar a procurar.

—Procurar o que? -Perguntou Matthew entrando no quarto de Andrew.

Os dois sentarem-se na cama, Andrew respirou fundo e explicou a história. A primeira reação de Matthew foi rir de forma descontraída.

—A situação é séria, eu fui irresponsável e perdi as chaves de uma maneira estúpida. -Retrucou Andrew.

—An, a única pessoa que devia estar preocupada com isso tudo seria a tua professora, mas pelo o que você disse, até mesmo ela não se importa tanto assim.

—Mas...ela foi tão compreensiva, eu não queria decepcioná-la...

—Acredite, você vai decepcionar muitas pessoas ao longo da sua vida. É impossível agradar todo mundo. Ela foi gentil contigo então você deveria ser honesto com ela, dizer que procurou, mas não achou e seguir em frente com a tua vida. Ninguém é perfeito.

Andrew observou o seu irmão com os seus olhos repletos de admiração:

—O que foi? -Perguntou Matthew percebendo a atenção que recebia. -Porque você está me olhando dessa forma?

—Você é surpreendentemente uma pessoa sábia, Ma.

—O “surpreendentemente” foi meio desnecessário, mas de qualquer forma, não sou eu que sou sábio, e sim você que é inocente demais. Eu acho que você deveria passar mais tempo tentando conhecer a si mesmo, isso te faria se entender melhor e ter menos problemas.

—O que conhecer a si mesmo significa? Isso parece abstrato demais. -Respondeu Andrew. -E de qualquer forma, mesmo se eu soubesse o que fazer para conhecer a mim mesmo, eu não teria tempo para isso. Meu cronograma já anda bem apertado com as coisas da escola, principalmente com a época dos exames finais começando.

Matthew levantou-se, colocou a sua mão sobre a cabeça de Andrew e bagunçou os seus cabelos:

—Meu irmãozinho cabeçudo, boa sorte com a tua procura. Eu já vou indo, não quero te atrapalhar. Mas se quiser falar comigo, sabe onde me encontrar...

—Você podia me ajudar a procurar! -Reclama Andrew. -Ou não passar a tua mão toda gordurosa no meu cabelo!

Matthew sorri enquanto lentamente caminha para fora do quarto:

—Se você não achou até agora é porque a chave deve estar em outro lugar, deve ter caído do teu bolso no caminho para casa ou algo do gênero.

—Isso é uma possibilidade... -Suspira Andrew.

Sozinho com os seus próprios pensamentos, havia um pequeno sentimento de desconforto que rondava a sua cabeça, mas ele decidiu ignorar aquilo por enquanto e focar-se nas suas outras prioridades. O resto do seu dia fluiu normalmente, ele jantou com os seus pais e depois retornou aos seus estudos. Andrew acordou na manhã do dia a seguir determinado a falar a verdade para sua professora. Mas conforme o tempo passava e ele aproximava-se do seu objetivo, a sua determinação ficava cada vez mais fraca:

—Talvez eu não devesse dizer nada hoje e continuar procurando...talvez ela se esqueça também...

Quando deu por si, ele já estava a chegar no corredor da sala dos professores e desistir já não era uma opção. Já tendo esquecido as palavras que ele tinha preparado anteriormente, Andrew continuou aproximando-se:

—É só uma chave...não é possível ser tão difícil assim... -Pensava ele tentando se acalmar. -Eu só tenho que entrar na sala dos professores, onde várias pessoas vão me observar, e...eu...só tenho que dizer...

Andrew viu a porta da sala dos professores e agarrou a maçaneta:

—Tenho que abrir a porta logo, vai ser muito constrangedor se alguém passar e me ver aqui simplesmente parado e segurando a maçaneta. -Pensou ele juntando determinação. -Está tudo bem, no 3: 1...2...3...

Ele abriu a porta e viu os olhares de todos os professores viraram na sua direção. Andrew esqueceu o que tinha para dizer. A sua mente esvaziou-se completamente. Um segundo de silêncio que parecia durar uma eternidade:

—Sim? -Perguntou um dos professores.

Andrew retornou à realidade e com os seus olhos rapidamente procurou a sua professora:

—Ah, professora. -Disse ele fazendo contacto visual enquanto levantava a sua mão numa tentativa de acenar.

Ela levantou-se da sua cadeira e caminhou na direção de Andrew:

—Sim? O que foi, Andrew?

Ele cerrou o seu punho enquanto olhava para baixo e relembrou das palavras do seu irmão. O mínimo que ele podia fazer para recompensar a bondade dela era ser honesto:

—Desculpa.... -Murmurou ele tentando fazer contacto visual. -Eu procurei, mas não consegui achar as chaves.

—Entendo. -Sorriu a professora. -Não há problemas, eu vou simplesmente fazer outra cópia. Era só isso?

Ele respirou aliviado:

—Sim, era só isso.

—Então até a nossa próxima aula. -Disse ela regressando ao seu lugar.

Andrew apenas se afastou enquanto fechava a porta. Ele demorou alguns segundos para entender que tinha realmente conseguido fazer aquilo. Diante da sua pequena conquista, ele sorriu brevemente e caminhou para a sua próxima sala.

Andrew respirou fundo mais uma vez enquanto sentava-se no seu lugar

—Eu achei que fosse ser algo muito difícil, mas acabou por ser bem simples. Me sinto estúpido por ter perdido tanto tempo pensando sobre isso. Ma estava certo...

—Andrew, essa caneta que estava no chão, é tua -Perguntou uma jovem sentada próxima.

—Não... -Sussurrou ele envergonhado.

—Desculpa, eu não ouvi, pode repetir?

—Sim...

—Ah, então a caneta é tua. Aqui, pode ficar com

ela.

—Obrigado... -Disse ele de forma inaudível.

Andrew segurou a caneta e viu a garota retornar ao seu lugar:

—Eu acabei de fracassar miseravelmente em algo tão simples... -Pensou ele olhando para a caneta nas suas mãos.

Mas dessa vez ao invés de continuar a pensar sobre isso, ele largou a caneta em cima da sua mesa e riu silenciosamente:

—Ah, eu sou tão estúpido...

Notas finais
Mais um dia inesperadamente caótico na vida de Andrew, mas pelo menos ele está aprendendo com os seus erros! O que acharam? Deixa um comentário aí. Até a próxima!