Give me love- Fabine
3 Chance
Notas iniciais
Narradora
Fabinho ouviu batidas na porta e mesmo contra sua vontade foi atender, Santa uma das vizinhas fechou a cara quando o viu, para ele, isso não importava nenhum pouco, não precisava que gente pobre como ela o tratasse bem.
—Cadê a Margot?- perguntou sem rodeios.
—Não sei, por aí talvez.
—Ela me pediu para ajudá-la a passar a roupa- falou prestativa.
—Tanto faz—Fabinho deu espaço para que entrasse e soltou a porta que fez um pequeno estrondo.
—Sabe garoto, você deveria tratar melhor as pessoas, não há nada na vida melhor do que ter amigos, pessoas que gostam da gente à nossa volta.
—As roupas estão no cesto- falou cortando a mulher à sua frente.
—Santa- Margot apareceu e cumprimentou a amiga.
—Você havia me pedido para vir, então estou aqui.
—É que ando cheia de coisas para fazer que as vezes me falta tempo.
—Amiga você sabe que eu só venho aqui por sua causa e não por esse...moleque.
—Oi mãe- Fabinho apareceu de repente surpreendendo as duas.
—Oi filho- Margot ficou feliz ao ouvi-lo chamar de mãe.
—Estava vendo na tv, aquele ator que morreu um tal de Jonathan James, tinha a minha idade quase né?!
—E a mesma falta de juízo- Santa falou enquanto terminava de separar as roupas.
—É eu sei, eu tenho feito muita besteira, queria até mãe, falar com você- falou se aproximando de Margot- Pedir desculpa e agradecer não ter desistido de mim- Margot se derreteu toda acreditando que o filho estava realmente arrependido.
—Oh meu filho- o abraçou- Desistir de você é a mesma coisa de desistir de mim- beijou-lhe a bochecha- Eu vou colocar a mesa.
—É assim que você deveria tratar sempre a sua mãe- Santa falou baixinho para que apenas Fabinho a ouvisse.
—É eu sei- se fez de arrependido- Santa, de onde foi que você tirou que Jonathan James não valia grande coisa?- perguntou curioso.
—Ah, ele era um mentiroso, aproveitador, casou com a louca da Barbara Ellen que tinha idade para ser mãe dele ainda diz que foi por amor.
—Mas essa Barbara teve outros noivos, não teve- finalmente entrava no assunto que realmente o interessava- Teve aquele diretor de cinema o tal Plínio Campana.
—Ah esse foi o primeiro marido, mas logo ele pulou fora, percebeu que aquela lá posava de mãe estremada, mas não passa de uma chave de cadeia.
—É tanto exagero Santa- Margot falou rindo da amiga.
—Ah você não lembra, ela jogou a noiva do campana para escanteio pra logo dar o bote, lembro muito bem.
—Essa história faz tanto tempo que eu nem lembro mais- Margot desconversou.
—Mas eu lembro, eu já morava em São Paulo saiu em tudo que é revista, ”Barbara Ellen rouba o noivo da amiga", e olha que a Irene era muito mais bonita que ela hein.
—Eu cheguei a vê-la no teatro, era boa atriz viu?!
—Que fim levou essa Irene?- Fabinho sentia que a cada descoberta aproximava-se ainda mais da sua própria história.
—Sumiu, aí a Barbara casou com o Plínio que era diretor da novela e pegou o papel que era da Irene, pra mim essa moça sumiu foi de desgosto.
—Plínio campana e Irene Fiori- Fabinho olhava fixamente para o anel de esmeralda, que estava em seu bolso- Claro que eu não poderia ser filho de indigente, claro que minha mãe para me deixar um anel desse tinha que ser especial, mas como eu fui parar naquele lar? O que aconteceu?- viu uma foto da barbara em uma revista e a olhou com ódio- Se você tem uma coisa haver com isso, se foi você que separou o meu pai da minha mãe se prepara sua perua, eu vou acabar com a sua vida- falava baixo para que as mulheres à sua frente não ouvissem.
(...)
Silvério olhava na internet uma receita de molho especial que pretendia usar em uma de suas receitas, a filha iria adorar com certeza, aliás ela nunca havia rejeitado sua comida, quando de repente Giane entra furiosa e bate a porta com força o surpreendendo.
—O que é isso filha?- falou surpreso por sua atitude.
—Como é que o Bento pode ainda pensar na Amora hein?- ela passou pela sala tirando os sapatos e os jogando no canto, seguiu então até a geladeira e tirou uma jarra com água.
—O Bento sabe que você gosta dele?- Silvério aproximou-se da cozinha e se apoiou na porta.
—O que é isso pai, não é nada disso que você está pensando não- tentou desconversar.
—Ah não então por que essa crise de ciúme?
—Eu não tô’ com ciúme pai, eu tô’ com raiva- passou pelo senhor que a observava da entrada da cozinha- Tô’ com raiva do Bento por que ele é muito burro entendeu?! Só porque ele viu a Amora na rua ele acha que pode voltar a ter aquela mesma amizade de antes.
—No caso eles eram namorados- Silvério a corrigiu.
—Tanto faz, eu só- suspirou- eu tentei convencê-lo de que isso não ia acontecer e ele me chamou de mala, chata, arg. Por que homem tem que ser tão teimoso?
—Filha- Silvério se aproximou da Giane sentando ao seu lado no sofá- O Bento não pode saber o que você sente, se você não contar- beijou-lhe na cabeça- Pense nisso.
Seu pai tinha razão, Giane sabia que estava certo, sim ela gostava do Bento, sim ela sentiu ciúme, mas como poderia simplesmente falar pra ele, que o amava, que sempre o amou, desde que eram duas crianças, não tinha coragem de por tudo a perder, por a amizade que tinham em risco ao afirmar o que aos poucos todos vão descobrindo, em sua cabeça era uma confusão, como que para algumas coisas era corajosa, batia de frente, falava sempre a verdade e para outras, era tão covarde, tão medrosa, talvez seja isso mesmo, o amor nos torna covardes, cegos, perfeitos idiotas.
...
Fabinho
Até que a Santa serviu para alguma coisa, agora que eu sei que a Barbara teve algo haver com a separação dos meus pais, eu só preciso arranjar um jeito de me aproximar dela e além de fazê-la pagar por tudo, conseguir uma forma de unir os dois novamente para que eu possa ter a família que eu mereço.
—Parece que eu não precisarei me esforçar muito- vi uma notícia na internet em que Amora faria uma festa para oficializar o noivado com Maurício Destri, filho de Nathan Vasquez dono da agência de publicidade Class Mídia, será a minha chance.
—Falando sozinho filho?- Margot me questionou.
—Só pensando alto, só pensando.
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