Give me love- Fabine
4 Reencontro
Notas iniciais
Narrador(a)
Surpresa, confusa, chocada, quantos e quantos adjetivos para descrever como Margot estava naquele momento, havia entrado no quarto do filho enquanto o mesmo estava no banho e encontrou um dossiê contendo diversas informações sobre seus supostos pais, agora fazia sentido a cena de mais cedo, a forma como ele a tratou, como conversou com a vizinha e amiga, Santa, era puro interesse.
—Filho, você não tem nada para me contar?- perguntou enquanto terminava a decoração de uma encomenda.
—Não, por quê?- perguntou sem entender onde queria chegar.
—É que quando entrei em seu quarto vi vários papéis sobre o tal Plínio Campana e a Irene Fiori...
—Anda mexendo nas minhas coisas agora- falou grosseiro.
—Não é isso filho, mas agora entendo porque deu tanta corda para a Santa hoje mais cedo, é porque a Irene tem um anel igual o seu não é?
—Vê como as coisas se encaixam?- falava querendo a convencer.
—Filho isso não diz nada...
—Está vendo como você é, por isso que eu não te contei- falava com desprezo- Como isso não diz nada, sabe existe DNA, é só eu pedir um teste para o Plínio e provar que sou filho dele e estou rico.
—E você acha que ele vai te dar alguma coisa sabendo que você só o procurou por interesse?
—Você é egoísta, você quer é que eu morra aqui, pobre e ferrado, mas do seu lado, só que eu sou filho da Irene Fiori e do Plínio Campana e eu vou atrás do que é meu.
Antes mesmo que inutilmente pudesse aconselhar o filho mais uma vez, alguém bateu na porta dando por encerrada a conversa dos dois.
—Oi Margot- uma mulher entrou a cumprimentando- Vim buscar o meu bolo, está pronto?
—Está quase pronto, venha cá- chamou-a para ver sua encomenda.
Enquanto Margot mostrava seu trabalho para a cliente, Fabinho vasculhou a bolsa da senhora que havia deixado sobre o sofá e retirou todo o dinheiro, aproveitando a distração das duas saiu da sala antes que notassem o roubo.
(...)
Lara entrava na floricultura Acácia amarela observando Giane que regava algumas flores, havia projetado tudo em sua cabeça, após o escândalo que a florista fez em frente ao casamento de Tina e Vitinho, mas como alvo Amora Campana, viu uma boa oportunidade para denegrir a imagem da rival.
—Linda essas orquídeas não é?- chamou a atenção de Giane que se aproximou.
—Lara Keller na Acácia Amarela- a jovem logo percebeu que não se tratava de um encontro casual- Que honra.
—Espera aí que eu estou te reconhecendo- continuou com o seu teatro- Não foi você que ameaçou contar altos babados da Amora lá no casamento?
—Quer parar de teatrinho e ir direto ao ponto?- claro, Amora Campana sempre, já estava cheia de como aquela garota sempre se metia em sua vida.
—Nossa direta você hein?- falou um pouco surpresa- Tudo bem, de onde você conhece a Amora?
—Eu moro em frente ao lar do Tio Gilson, onde a Amora morava antes de ser adotada pela Barbara Ellen.
—Hum, então você sabe tudo sobre o passado dela?!
—Olha aqui nem vem não, eu cometi um erro hoje, mas eu já me arrependi valeu? Então se você quiser saber algo ba-ba-do da Amora fica à vontade, mas me deixa fora disso.
—Calma, olha eu sou sua amiga- tentava convencer a florista a entregar os pontos.
—Amiga- Giane forçou uma risada- Eu que não queria uma amiga que se presa a um papelão desses de engravidar de um cantor gay só para ficar aí rica e famosa.
—Nossa como você é grossa- como sempre Lara afirmou o que todos já haviam dito, Giane era grossa, chata, ciumenta, todos tinham o mesmo conceito para a moça que cuidava das flores sendo espinho.
Margot
Sempre percebi que o meu filho era um rapaz ambicioso, sua ambição sempre era maior do que ele conseguia, nunca firmou em nenhum emprego pois não se via em um trabalho medíocre como muitas vezes afirmou. Agora eu estava completamente decepcionada, com seu jeito imaturo de ser, de agir inconsequente como se fosse um adolescente.
—Eu tenho certeza policial, foi ele- Dulce apontava para Fabinho como o autor do roubo no qual foram levados seus pertences.
—Olha rapaz, você já não é réu primário, não tem mais colher de chá para você, então é melhor confessar logo e entregar os pertences dessa senhora que podemos fingir que nada aconteceu- o policial tentava negociar com ele.
—Mãe, acredita em mim, eu não roubei nada- insistia, mas infelizmente eu não acreditava nele.
—A única vez que eu me separei da minha bolsa foi aqui e era ele que estava na sala, apenas ele e depois disso sumiu meus documentos, cheques, cartões, dinheiro, só pode ter sido ele, roubou meus documentos para falsificar a minha assinatura, eu tenho provas que ele comprou algumas roupas nessa loja aqui- balançou um papel.
—Você é maluca, claro que eu não te roubei.
—Não foi ele, não foi o meu filho- me via no dever de defendê-lo, não poderia deixá-lo ir preso novamente.
—Como pode ter tanta certeza- Dulce exaltava-se.
—Porque fui eu- menti- Foi eu que roubei, no momento que você foi ao banheiro eu peguei tudo, e depois fui nessa loja e comprei algumas roupas para o meu filho que ele estava precisando.
—Por que você fez isso Margot?- Dulce falava decepcionada.
—Para pagar dívidas.
—Se você tivesse dito antes, eu poderia ter ajudar- me olhava penalizada- Olha se me entregar meus documentos eu retiro a queixa.
—Eu não posso, eu joguei fora.
—Me desculpa Margot, mas eu não posso fazer nada então, eu vou manter à queixa e prestar o B.O contra você.
(...)
—Como você é ré primária poderá aguardar o julgamento em liberdade, mas não poderá sair da cidade- o delegado parecia perceber que eu mentia- Assine aqui.
—Mãe não assine nada antes de falar com um advogado- Fabinho que me acompanhava falou.
—Com que dinheiro eu vou pagar um advogado?
—Não precisa se preocupar com isso, conheço um ótimo defensor público- o delegado me ajudou.
—Quer saber eu vou arrumar um advogado para você mãe- Fabinho saiu e me deixou sozinha mesmo com todos os meus protestos para que continuasse ao meu lado.
—Dona Margot, você tem certeza do que está fazendo?- o delegado tentou me convencer de falar a verdade.
—Tenho delegado, tenho sim- falei enquanto assinava a folha que havia me entregue.
Fabinho
Quem diria que aquela idiota se entregaria em meu lugar, mas até que foi bom, assim eu poderei seguir com meu plano facilmente, vou conseguir encontrar os meus pais verdadeiros e vou ser rico, como eu sempre deveria ter sido.
A deixei na delegacia sozinha e fui para casa o mais rápido que pude, peguei todos os meus pertences necessários e saí de casa, irei atrás do que eu quero, e é assim que vou encontrar a minha verdadeira vida.
O universo conspirava a meu favor, a rua estava deserta quando vi uma moto que era a minha cara e se ela combina tanto comigo, merece ter um dono como eu, olhei ao redor para ter a certeza que ninguém olhava quando fiz uma ligação direta e subi na moto saindo o quanto antes daquele bairro de gente pobre, o céu é o limite.
—Cheio?- o frentista perguntou quando parei no posto que havia na estrada.
—Enche tudo- falei e caminhei até uma banca de revistas que havia ali, Amora estava na capa, como frequentemente está- Amorinha, estou chegando.
Narradora
Verônica andava de um lado para o outro sem saber mais o que poderia ser feito para resolver o único problema que insistia não ter solução, as flores para a decoração, havia se empenhado por completo para que a festa de noivado do filho fosse magnífica, mas justamente quando faltava poucas horas recebeu o comunicado da empresa responsável pelas flores que não poderia ser entregue a encomenda.
O pânico a consumiu, como se viraria para resolver esse problema? Ligou para inúmeras floriculturas da cidade, mas ninguém aceitava uma encomenda, o local mais próximo onde havia uma floricultura era justamente a da garota que quase provocou um grande escândalo envolvendo Amora, mas era sua única chance de não por tudo a perder.
—Ah graças vocês chegaram- falava aliviada ao ver os floristas entrarem na residência com a encomenda.
—Desculpa o atraso, o trânsito não estava nada fácil- Bento desculpou-se.
—A gente trouxe também umas flores soltas como você pediu tá?!- Giane se pronunciou.
—Coloquem ali por favor- indicou uma mesa- São lindas as flores.
Com a contribuição de todos organizou as flores pelo local, colocando-as em mesas e hastes que haviam por ali.
—Ah Verônica- Barbara aproximou-se da produtora do evento- Queria falar com você sobre uma coisa... olha só quem está chegando- viu Natan e Maurício entrarem no local.
—Olá meu amor- Natan cumprimentou a esposa- Tudo bem Barbara?
—Melhor agora- Barbara insinuou-se para o marido da “amiga”.
—Tá linda a decoração- Maurício foi até a mãe e beijou-lhe a bochecha- Você arrasou.
—Eu não ia me perdoar se alguma coisa desse errado na sua festa meu filho.
—E minha noiva?- perguntou à Barbara.
—Ah, ela já está descendo para receber os convidados- aproximou-se do genro- Verônica por favor despensa logo esse pessoal, que eles estão muito mal vestidos.
—Esse pessoal Bárbara, salvou a festa da sua filha- aproximou-se do tal “pessoal”- Bento, eu não tenho como agradecer, eu vou lá dentro pegar o cheque.
—Não precisa se preocupar, depois você acerta com a gente- falou educado.
—Eu faço questão- falou antes de entrar em casa.
—É, missão cumprida- Giane falou alto como se anunciasse para todos que o trabalho estava concluído.
—Nossa eu não vejo a hora de tomar um banho e cair na cama- falava cansado.
—Eu também- Giane concordou com o amigo.
Enquanto aguardavam o cheque que Verônica traria, viram Amora sair de casa e ir em direção à Maurício e o cumprimentar com um beijo, Bento sentiu-se mal com a situação.
—Amora- chamou pela antiga namorada que voltou sua atenção junto com o noivo para o florista, no mesmo instante um motoqueiro apareceu ficando entre eles e deixando todos curiosos, até revelar sua identidade.
—Agora o reencontro está completo- Fabinho falou ao tirar o capacete surpreendendo à todos.
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