Give Your Heart A Break
19 Capítulo 19- Game Over parte final
Notas iniciais
POV Danielle Onn
Depois de fazer as pases com o demônio, fiquei contando o tempo para contar logo para a minha mãe sobre nós. Eu sabia que seria a pior e mais traumatizante experiência da minha vida, então eu queria que passasse logo. Mas ao chegar a hora, adivinha? Eu travei. A Natasha teve que vir me buscar na sala.
Andamos lado a lado até minha humilde residência e em frente ao portão, travei de novo. Oh diazinho que eu tava pra trava.
Ela entrelaçou nossos dedos, fazendo-me olhá-la. O sorriso torto nos lábios rosados cobertos de gloss era a única coisa confiável naquele rosto punk, mas eu sorri de volta como uma tolinha apaixonada, então entramos.
Minha mãe chegou cerca de meia hora depois e os meus nervos estavam quase atravessando a pele de tão a flor.
Laura: _Oi, Ana,
Ana: _Oi, dona Laura.
Laura: _Porque estão de mãos dadas?
Ana: _Quer que eu diga ou você diz?
“Tá brincando? Acha que eu vou enfrentar esse monstro? Fala você que insistiu tanto.”
Danielle: _Tudo bem, eu digo. Mãe. Eu e a Nata... Ana Paula estamos namorando.
Laura: _Vocês. Duas garotas. Cujo uma teoricamente é minha filha. Estão namorando? –sorriso de escárnio.
Danielle: _Sim. Eu realmente gosto dela, mãe. E eu queria que senhora soubesse. Eu não posso evitar, faz parte de mim.
Laura: _Ana Paula, vai pra casa.
Ana: _Mas, Dona Laura...
Laura: _Ana Paula. Vai Pra Casa.
Então ela abaixou a cabeça como se estivesse muito mal por não poder enfrentar esse momento comigo e eu engoli em seco com o olhar da minha mãe.
Danielle: _Mãe, eu...
Laura: _Cala a boca, pirralha filha de uma... (respiração forte e profunda). Só não completo porque você infelizmente saiu de mim. Não basta querer ser vagabunda mirim, ainda quer ser sapatão?
Danielle: _Eu não sou vagabunda. Não fico com várias garotas. Ela é minha namorada. E não é bem uma coisa que a gente escolhe, mãe. Eu nasci diferente e fui percebendo isso com o tempo.
Laura: _Sai da minha frente, sua sapatão. Eu tenho vergonha de ser sua mãe.
De todas as coisas ruins que minha mãe já havia dito, essa foi definitivamente a pior. Senti como se mil adagas penetrassem o meu peito. A olhei boquiaberta enquanto meus olhos se enchiam de lágrimas, depois corri, subindo as escadas e batendo a porta do meu quarto.
Acordei no meio da madrugada, desci as escadas para tomar um copo d’água. Vi minha mãe, a mesma mãe que me menosprezou deitada de mau jeito no sofá. Três garrafas vazias de vinho indicavam que ela havia caído de bêbada. Suspirei, subi as escadas novamente e peguei um lençol e um travesseiro. Voltei a descer, ajeitei a minha mãe do melhor jeito que meus braços raquíticos de 12 anos permitiam, a cobri com o lençol e fiz uma leve carícia em seu cabelo tão loiro quando o meu.
Laura: _Patrick? Sinto sua falta. –ela resmungou.
Danielle: _Eu também sinto. Mais do que tudo. –sussurrei e beijei a testa da minha mãe. –Eu te odeio tanto. Porque não consigo não te amar? –uma lágrima escorreu e eu fui fazer o que tinha de fato ido fazer antes de voltar pro quarto e dormir de novo.
No outro dia acordei mais cedo do que o normal pra ir pra escola porque, se acham a minha mãe ruim esperem até pegá-la de ressaca.
Estava triste e ia me consolar com a minha namorada na hora do recreio. Não precisei sair da sala, pois ela já estava lá na porta. Não só ela como todas as PP’s. Franzi o cenho ainda sentada ma cadeira enquanto os demais alunos se espremiam tentando sair da sala sem tocar n’As Garotas de Preto.
Danielle: _O que estão fazendo aqui?
Sophie: _Você contou pra sua mãe sobre você e ela?
Danielle: _Eu contei.
Ana: _Eu disse, Bradshow. You lose.
Sophie: _Fuck you, punk bitch.
Danielle: _Me desculpem, mas não estou entendendo nada.
Ana: _Ah, por favor. Deixa de ser idiota. A gente te tapeou, loira. Eu não me apaixono. E se fosse me apaixonar, não ia ser por uma quatro olhos sem graça como você.
Danielle: _Mas... Mas... Por quê?
Ana: _Porque eu perdi meu tempo com você? Primeiro: por diversão. Segundo: Porque eu apostei com a Bradshow aqui. E ontem você me deu a vitória. Agora volta pras suas drogas de livros e sua solidão intelectual. –meus olhos encheram de lágrimas e ela fez biquinho e mudou o tom pra me humilhar ainda mais. –Own. Vai cholar. Own. Tadinha. Uma dica, gata:Nunca confie em bad-girls.
Sophie gargalhou, Estephane soltou um risinho bobo e a Marina sorriu torto, o que ficava meio assustador com a maquiagem escura. Ainda bem que depois eu “a salvei”.
A líder piscou pra mim, mandou um beijo no ar e se virou para ir embora. Respectivamente a seguiram Sophie, Estephane e Marina. Eu fiquei lá chorando e remoendo na minha cabeça as vezes em que meus instintos me disseram pra me afastar da Zambianchi. E não foi a única coisa que havia me dito pra eu me afastar daquela encrenca. Eu devia um podido de desculpas a Maressa. Eu sabia onde encontrá-la e ia atrás dela.
A quadra estava cheia, mas eu podia reconhece-la pelos cabelos cacheados tão lindos. Esperei até que o intervalo acabar e, como eu previa, ela foi a ultima a ficar.
Danielle: _Rêssa, nós podemos conversar?
Maressa: _Lopez pra você. Agora você quer conversar? Com seus olhos vermelhos e as marcas de lágrimas no seu rosto, eu acho que eu não preciso perguntar o porque, não é?
Danielle: _Me desculpa, okay? Eu tava apaixonada e a Zambianchi sabe enganar.
Maressa: _Eu sempre soube disso. E te avisei. Eu sou sua prima, te conheço desde que nasceu. Eu tenho uma foto fingindo que tava segurando você quando era bebê e você confia mais da po**a de uma punk do que em mim.
Danielle: _Não é bem assim. Eu só não via nela esse monstro todo. Mas agora sei que você tava dizendo a verdade.
Maressa: _Sinto muito te informar, garota, mas agora é tarde. E eu agradeceria se não falasse mais comigo. Eu não gosto de conversinha com loiras vadias. Tchau.
Danielle: _Rêssa, espera...
Maressa: _Me observe virar de costas e te ignorar.
Então ela foi embora. Eu perdi minha dignidade, o resto do respeito da minha mãe, minha “namorada” e o mais próximo que eu tinha de uma amiga.
É, realmente eu sozinha consegui me enfiar em um baita de um buraco. E esse é o Game Over para Danielle Damasceno.
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