Give Your Heart A Break
20 Capítulo 20- Moraes e Damasceno- Primeiro Encontro
Notas iniciais
POV Danielle Onn
Passei duas semanas sem olhar pra cara da minha mãe e sem ir pra escola. Me escondia até ela sair pra trabalhar e depois ficava no meu quarto comendo porcarias e assistindo o máximo de filmes românticos ou de comédia romântica que passavam.
No dia em que fechou essas suas semanas, eu acabei parando em um dos TeleCine onde estava passando um filme bastante interessante chamado Meninas Malvadas. Esse filme, pra quem não viu, é muito legal e eu super recomendo. Vou fazer um resumo básico: Cady é uma garota que cresceu na África e sempre estudou em casa, nunca tendo ido a uma escola. Após retornar aos Estados Unidos com seus pais, ela se prepara para iniciar sua vida de estudante, se matriculando em uma escola pública. Logo Cady percebe como a língua venenosa de suas novas colegas pode prejudicar sua vida e, para piorar ainda mais sua situação, Cady se apaixona pelo garoto errado. Nisso ela começa a sabotar as garotas populares e tals.
Um pouco antes do fim do filme, eu peguei no sono. Parecia que eu tinha acabado de piscar e já tinha acordado, mas o estranho era que eu estava na cama e eu tinha dormido no chão. Olhei pra porta e lembrei que tinha deixado trancada desde cedo, então fiquei bem confusa.
Moraes: _Olha, acordou a bela adormecida. –tomei um susto com a voz sarcástica que preencheu o quarto e um susto ainda mais quando saltei da cama e me deparei com a minha própria figura no espelho, mas sem imitar os meus movimentos e com roupas totalmente diferentes das minhas.
Damasceno: _Você... Você sou eu?
Moraes: _E eu lá tenho cara de ser uma nerd perdedora? Eu sou o que você nunca vai ser, Danielle Damasceno. Sou Danielle Moraes, uma loira linda e poderosa que quebra corações e não me deixo levar por qualquer conversinha fiada.
Damasceno: _Então você não existe?
Moraes: _Eu Existo. –pronunciou entre dentes. –Eu sou sua raiva e sua vingança. Eu sou quem pode fazer a Zambianchi pagar.
Damasceno: _Você pode?
Moraes: _Sim, eu posso. Mas pra isso você tem que me deixar guiar as suas ações. Faça das minhas, suas escolhas. Me deixe assumir o controle.
Damasceno: _Como eu faço isso?
Moraes: _Vamos começar mudando esse seu visual ridículo. Vista-se como eu. Seja linda como eu, tire esses óculos e coloque lentes de contato. Vá para a escola e mostre que um coração partido é a sua destruição, mas também o seu renascimento.
Damasceno: _Mas como eu posso fazer isso? Eu não tenho dinheiro.
Moraes: _E todas aquelas caixas no seu guarda-roupa?
Damasceno: _Mas aquele dinheiro é o dinheiro que a minha mãe me dá por me maltratar.
Moraes: _Então você merece. Use-o.
Damasceno: _Mas... Eu não sei.
Moraes: _Eu sei! Então faça o que eu mando, garota inútil.
Damasceno: _Está bem. Eu faço.
Moraes: _Acorde.
Damasceno: _Eu estou dormindo?
Moraes: _É claro que está, sua imbecil. Senão seria uma louca falando com o espelho. Agora acorde e eu lhe direi o que fazer.
Então abri os meus olhos e estava de novo deitada no chão com uma leve dor no pescoço. Engoli em seco e fui para a frente do espelho. Ainda estava com as minhas roupas, mas quando olhei para meus olhos estavam com um brilho diferente, um brilho de raiva e vingança, então aquela minha própria voz distorcida para uma voz melodicamente irônica surgiu em minha mente.
“Pegue as caixas e veja quanto dinheiro há lá dentro. Depois vamos ao shopping nos divertir um pouco”.
Embora aquilo me assustasse um pouco e me fizesse questionar a minha sanidade mental, eu obedeci.
Havia cinco caixas cheias e a que ainda estava em uso. Comecei a separar por valores pra depois ficar mais fácil de contar. Havia três pilhas, uma de notas de vinte, uma de cinqüenta e uma de cem. Nenhuma nota menos. Comecei a contar.
Ao terminar, tomei um grandíssimo susto. Pensei que tivesse quatro/cinco, até seis mil reais naquelas caixas, mas havia nada mais, nada menos que vinte e oito mil duzentos e oitenta reais, isso mesmo que vocês leram vinte e oito mil duzentos e oitenta.
“É, acho que isso deu pra fazer uma transformação.” –pensou a Moraes.
“Acha?” –pensei eu.
“Vá logo antes que sua mãe chegue” –ordenou-me e eu, mais uma vez, obedeci.
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