Give Your Heart A Break
11 Capítulo 11- Ultimo Passo Para Me Apaixonar
Notas iniciais
POV Danielle on
Eu não sabia como proceder naquela situação. Dez minutos antes eu estava me preparando psicologicamente para afasta-la e agora a estava consolando-a.
Receosa, pus minha mão em suas costas e comecei a afagar suas costas. Mesmo com toda a estranheza da situação, ainda consegui notar que o perfume que aquela encrenca em forma de humana exalava era muito bom. Era suave e doce. Diferente de sua aparência e personalidade intensas e firmes.
Passamos um tempo indeterminado assim, até que senti suas lágrimas diminuírem até sessar. Céus! Eu poderia viver mil anos e jamais encontraria atriz com tamanho talento. Uma única oportunidade e ela poderia ser a maior ganhadora de M’s de Melhor Atriz da história.
Nos separamos e nos encaramos por um momento, então eu sugeri que no lugar de estudar, poderíamos ver um filme.
Ela disse que tinha um dvd dentro do caderno, que ainda não tinha assistido, mas estava bastante curiosa. O filme se chamava “A Verdade Sobre Jane”. Pode-se dizer que é um filme interessante para “recém-criadas” (lésbicas recém-descobertas).
Assim que ela tirou o dvd e colocou de volta na capa, minha mãe entrou pela porta da sala.
Laura: _Danielle. –me cumprimentou com razoável educação, mas o tom seco de sempre. –E você é? –se dirigiu a Natasha. Por um instante me deu vontade de rir, pois eu já havia as apresentado.
Ana: _Nós já se conhece, dona. Eu sou a Natasha e venho aqui estudar com a Damasceno.
Laura: _Garota de Preto?
Ana: _É, dona Laura.
Laura: _O que aconteceu com... Bem, você? –mamãe gesticulou apontando para a Natasha inteira. Não pude deixar de reparar que, apesar do afastamento emocional, nós ainda éramos muito parecidas.
Ana: _Nada não, dona Laura. –a pose de rebelde sumiu e uma garota educada surgiu. –Será que eu não poderia dormir aqui hoje, por favor?
Laura: _Talvez. Você quer dormir aqui por quê?
Ana: _Eu e minha mãe tivemos uma desavença e se ela me vir ainda hoje, não vai dar coisa boa. Prometo que é só por uma noite, até ela esfriar a cabeça. As minhas amigas moram muito longe daqui e eu to sem dinheiro pra ir perguntar de alguma delas se eu posso dormir na casa de alguma. E, geralmente, as mães delas não gostam que eu durma com elas por causa da minha...
Danielle: _Roupa. E maquiagem escura. –a interrompi antes que ela falasse “opção sexual”, minha mãe não ia gostar de saber que a garota que estudava com sua filha era lésbica, supus. Minha mãe abriu a boca, mas antes que pudesse falar, a interrompi. –Só por essa noite, mãe. Por favor.
Laura: _(suspiro de irritação, soltando fortemente o ar). Ok, fica. Desde que você e você... –apontou pra mim e depois para Natasha. –Fiquem longe de mim.
Danielle: _Ok. Nós prometemos.
Depois disso, mamãe subiu para tirar as roupas de trabalho e eu fiquei fazendo companhia a Natasha até a hora de dormir.
Então lhe mostrei o quarto de hospedes e lhe entreguei roupas de dormir. Não pude evitar de rir quando a olhei vestida na roupa em questão.
Ana: _Ei, do que tá rindo, Damasceno? –perguntou pondo as mãos na cintura e erguendo uma sobrancelha.
Danielle: _Nada. É que é estranho ver Natasha Zambianchi de pijaminha fofo branco com babadinhos roxos. Mas tenho que admitir que ti cai muito bem.
Dei uma breve risada e ela me encarou com carinha de brava por um momento, mas depois suavizou a expressão e tirou a mãos da cintura.
Ana: _Obrigada. –proferiu de repente.
Danielle: _O que?
Ana: _Obrigada. Sabe, por hoje. Se não fosse dia de estudar, eu teria procurado Sophie depois da discussão e ela ia rir da minha cara. Então obrigada.
Ela se aproximou e me abraçou forte, depois, ainda com os braços ou meu redor, ficou olhando pros meus olhos e se aproximou do meu rosto. Fiquei sem reação, só vi quando ela fechou os olhos e colou os lábios nos meus. Fiquei estática sentindo aquela boca macia na minha até ela passar a língua pelo meu lábio inferior pedindo passagem, eu fechei os olhos e concedi de bom grado.
Alguns segundos, não tão poucos assim, se passaram e ela se separou bruscamente de mim pondo as duas mãos sobre a boca.
Ana: _Damasceno, me desculpa. Eu não sei o que deu em mim. Eu só... Eu quis... Eu não resisti... Eu não... Não devia...
Danielle: _Zambianchi, calma.
Ana: _Eu sei que você não é gay, mas, os seus olhos, a sua boca. Eu não tive como resistir...
Danielle: _Zambianchi, fica calma. Eu não to zanga...
Ana: _É melhor. Melhor você sair. Nossa você é tão linda e eu quero ti beijar de novo.
Danielle: _Respira. Espera, o que você acabou de dizer?
Ana: _Boa noite, tchau.
Ela me empurrou porá fora do quarto e fechou a porta rapidamente na minha cara logo em seguida. Pude ouvir o barulho dela de recostando na porta e escorregando até o chão. Eu bati algumas vezes e pedi para ela abrir, mas ela ignorou. Se eu soubesse naquela época que era só atuação, eu poderia até ter batido palmas.
Mas eu não sabia, então fui para o meu quarto e fiquei “matutando” os fatos da noite.
O olhar culpado, as palavras das frases desconexas. Mas o que eu mais pensava eram aqueles lábios deliciosos sobre os meus. Sua língua habilidosa dançando com a minha dentro das nossas bocas.
Foi como magia. Era magia. Uma magia que só a boca da Natasha havia me causado. Se ao beijar Maressa eu já sabia que gostava de garotas, não restou sequer uma sombra de duvida depois que beijei Natasha.
O Ultimo passo para me apaixonar por aquela encrenca havia sido dado. O ultimo passo para o meu triste declínio.
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