Give Your Heart A Break

7 The sound of your laughter.


Notas iniciais
Capitulo novinho para vocês. Espero que gostem. Acho que não tenho nada pra avisar. E só eu não sei recomendar um fiction? Eu já tentei, mas era no layout antigo do nyah -Q. Ah, vocês já sabem que os erros são inevitáveis para mim, certo? Então tá. Aproveitem.

Eu sabia qual era o motivo que estava me impedindo de ir dormir, mas tentei convencer a mim mesma que era apenas falta de vontade. Ele me respondeu pouco tempo depois, com uma pequena mensagem, dizendo apenas para passar em sua casa amanhã no final do dia. Foi o suficiente para me fazer palpitar. Só ai que consegui pegar no sono, mas mesmo assim dormir não foi exatamente a palavra certa já que acordei mais cedo que o habitual na manhã seguinte. Meu dia todo caminhou em função de expectativas que eu sabia que tinha que frear, para o meu próprio bem. Mesmo assim meus pensamentos pareciam agir sozinhos e toda vez me pegava distraída com eles. Algum momento entre a troca de programas na televisão ligada na sala eu me dei conta de que meus devaneios eram somente direcionados as reações que ele teria com a minha decisão. Tudo dependeria da forma que ele levaria para resolver as coisas. Eu tinha a solução, pelo menos parecia uma, agora cabia somente a ele decidir o que fazer com... Isso que eu estava sentindo. Não havia nada mais que ansiedade em mim agora. A vontade de resolver tudo isso de uma vez parecia querer sair saltitando, correndo para perto dele e acabando com isso de todas as formas. Talvez assim ainda pudéssemos voltar a nos falar amigavelmente e ainda com sorte poderíamos voltar a ser os amigos imbatíveis que temos sido na ultima semana.

Para o meu horror o dia se arrastou lentamente, como se em vez de ir para frente os ponteiros do relógio simplesmente voltassem dois minutos a cada dez segundos avançado. Nada me pareceu interessante, nem mesmo o comercial que promovia o novo episódio de CSI – e se isso não me animou, não sei mais o que me animaria. Nos últimos dias eu fechava os olhos as nove e um e quando abria novamente já eram dez horas. O tempo passava voando. Essencialmente hoje isso pareceu apenas um fantasma inexistente. Por vezes eu tive quase certeza que nunca passaria das três horas da tarde. Alguém algum dia me disse que a melhor forma de passar o tempo é dormir. Bom, eu verdadeiramente tentei, no entanto consegui apenas olhar para o teto e as paredes do meu quarto, evitando roer as unhas com a aflição. Reviro os olhos pouco antes de levantar e praticamente cambalear até o piano negro que estava num canto da sala. Passo os dedos pelas teclas, levemente, sem tentar prender um sorriso de canto. Música, um dos poucos métodos de relaxamento que funcionam. O mais eficiente de todos, penso enquanto sento-me e preparo alguns acordes para aquecer. Não demorou muito até eu começar a deslizar os dedos rapidamente, tocando a introdução de Until You’re Mine. Junto minha voz ao som doce do piano, e começo a cantar os primeiros versos da música. Ultimamente tenho me identificado tanto com o sentido das minhas velhas letras de musicas que parece até brincadeira mordaz. Solto um suspiro cansado, engasgando com minhas palavras.

Só algumas horas mais tarde é que eu me arrependo de ter ficado tão ansiosa com a chegada do fim desse dia tão longo. Agora tudo o que sentia era pavor e um aperto enorme da garganta. Sem falar as borboletas na barriga, que pareciam ter virado garras. Isso não me parecia uma coisa muito boa de sentir. Sabe aquela coisa que você espera muito e no final, quando tem a chance de pegar ou realizar, bate um medo de não ser como você esperava ou planejava? Por que geralmente as coisas costumam sair dos eixos e trilham para lugares bem perigosos. Toda aquela experiência que aprendi forçosamente devido aos fatos do final do ano passado abriu muito os meus olhos, e finalmente em conseguia aplicá-la em algo no meu dia a dia complicado. Mesmo que seja ruim, no final as decepções com pessoas que menos esperamos sempre trás algum ensinamento importante, que você vai levar para a vida toda. Por exemplo, você tem que aprender em quem pode confiar. Eu ainda uso isso como lema, e tem sido uma das coisas mais úteis na minha vida. A questão agora é entender por que eu sentia que podia confiar tão cegamente em Sterling. Do tipo deixá-lo me guiar pelas bordas de um precipício enquanto mantenho meus olhos firmemente vendados, ao ponto de acreditar nas maiores maluquices e nas histórias loucas que ele podia possivelmente contar. De fazer sua verdade, minha verdade.

Suspirar agora me pareceu uma coisa certa. Pareceu aliviar alguma coisa estranha dentro de mim. Como se tirasse um peso da minha garganta. No entanto não foi o suficiente para me acalmar. Já estava quase na hora de ir encontrá-lo, e do mesmo modo que queria muito o ver sentia que estava indo para uma guerra num país desconhecido. No entanto os inimigos me eram bem familiares. O medo, a dor, os sentimentos. E o local em que eu travaria essa batalha era um solo tão íntimo, mas mesmo assim tão complexo que nem parecia uma parte de mim. Digo, tem lugar mais óbvio que a minha própria mente? E eu estava travando uma luta com outra parte. Meu corpo inteiro parecia se recusar a se levantar – isso tem realmente acontecido muito ultimamente, digo essa letargia – do chão para começar a me arrumar. Com uma força de vontade desconhecida eu me levanto e caminho em direção ao banheiro, convencendo a mim mesma de que um longo banho de banheira me ajudaria a relaxar e ainda me ajudaria a escolher as palavras certas para usar.

Parada em frente ao espelho eu me recusava a pensar que estava tentando ficar bonita para Sterling. Ele nunca pareceu ligar para esse tipo de coisa, ou pelo menos nunca demonstrou que se importava, mas foi involuntário quando minhas mãos deslizaram de gaveta em gaveta procurando por roupas certas. No final eu estava vestindo apenas uma calça jeans escura, uma longa camisa branca e um cinto negro por cima, delineando a cintura. Tanta bagunça e roupas jogadas em cima da cama para somente escolher um simples conjunto como esse. Parecia apenas certo estar assim. Não era muito chamativo, mas não era um trapo dos piores. Não era nem desprezível ou fora de moda. Era... Casual, básico, o tipo de roupa para se usar em um passeio até a casa de um amigo. Olho no grande relógio prateado que estava pregado na parede antes de pegar minha bolsa, o celular e desligar as luzes da casa, deixando somente as do jardim acesas. Antes de sair mandei uma pequena mensagem para Sterling, avisando que estava indo.

Fiz todo o trajeto do corredor para o jardim lentamente, tentando atrasar os segundos. Tirei o carro, tendo mais cautela do que de costume e acelerei assim que vi a pista livre de carros. Maldisse a falta de trânsito, não teria desculpas se eu chegasse tarde. Tarde o suficiente para ele já ter dormido, ou saído para a gente adiar essa conversa. No entendo em menos de quinze minutos eu já estava estacionando na frente de sua casa. Somente quando saio do carro é que percebo que ele tinha respondido a minha mensagem, dizendo para entrar assim que eu chegasse, a porta já estava aberta. Bom, isso tornava as coisas um pouco fáceis. Ele parecia querer me dar a liberdade de me sentir em casa, sem tensão, cobrança, complicações. Mas o medo ainda estava ali, pendendo entre a minha garganta e meu peito, fazendo meu estômago dar voltas e voltas com a ansiedade acumulada.

Travo o carro e saio respirando o ar fresco da noite. O céu estava limpo, sem nuvem alguma, mas enegrecido de uma forma encantadora. Sem lua. Desço os olhos até o jardim da casa de Sterling. Era pequeno, a grama aparentava ter sido cortada a pouco tempo e ao canto tinha algumas plantas que eu não fazia idéia de qual espécie pertenciam. Abro o portão e caminho lentamente por cima da trilha reta de pedra, tentando enxergar por de trás das cortinas que cobriam as janelas pela parte de dentro. As luzes estavam ligadas, mas eu não conseguia identificar nenhum barulho. Tento tocar a campainha antes de entrar, por educação, mas depois de dois minutos sem resposta eu apenas abro a porta cautelosamente, o chamando antes de entrar. Fecho a porta atrás de mim, e com o ambiente fechado, abafando os barulhos da rua, posso escutar o som baixo e suave de um violão. Olho ao redor, procurando por sinais de vida. A casa era moderna e bonita, de um jeito diferente. Não tinha muitas cores, o branco, preto e marrom escuro prevalecia. O chão tinha um piso lustroso, e as paredes eram claras. Os móveis tinham tons escuros e apesar de tudo reluzir, podia se notar uma pequena bagunça espalhada pelos cantos. Parecia uma típica casa de homem solteiro. Não evito um sorriso ao constatar isso.

—Sterling? – chamo um pouco mais alto dessa vez.

Com uma das sobrancelhas levantadas procuro o cômodo de onde o único som que se fazia soar vinha. Viro à esquerda, tentando sem muito sucesso abafar ao máximo o som irritante que o meu salto preto fazia no assoalho. Paro abruptamente ao ver finalmente os cabelos loiros e brilhantes do rapaz que eu estava procurando. Ele estava sentado no chão da sala, uma das pernas flexionadas e o violão no colo, numa pose relaxada. Tocava alguma musica que eu não consegui identificar – eu nem tentei realmente – enquanto acompanhava com seu Ipod ligado num volume alto. Não quis atrapalhar, apenas senti vontade de ficar ali observando os músculos de deus braços e costas trabalhando preguiçosamente enquanto ele trocava os acordes. A camiseta preta que estava grudada em seu corpo não me atrapalhava em nada. Prendo um suspiro, temendo que ele pudesse ouvir, e mordo o canto do lábio inferior, piscando lentamente. Todo o meu esforço pareceu ser em vão por que depois de alguns segundos ele aparentou sentir meus olhos sobre ele e se virou. Eu podia sentir que estava corando ao ser pega, mas dispensei somente um sorriso envergonhado. Ele me observou por alguns momentos antes de rir docemente. E o som de sua risada misturada à sua expressão tranqüila me fez esquecer o que tanto ensaiei para falar.

Notas finais
Vale reviews? Espero que sim (yn)
Beijinhos.