Notas iniciais
Nossa, eu demorei pra caramba! E cara, vou avisar: provavelmente eu vou demorar de novo. Tenho muitas coisas para fazer e quando o tempo me sobra falta inspiração, fim de ano é uma loucura pra mim. E outra coisa, toda vez que eu atualizo essa fic, umas dez pessoas atualizam também, então minha história passa pra segunda página e assim fica difícil de saber quando eu atualizo. Tense, yeah. Então fiquem atentos, certo? Espero que curtam.

Pisquei algumas vezes antes de voltar à realidade. Eu estava de pé, atrás do sofá, com os braços cruzados e com toda a minha atenção direcionada para o sorriso do Sterling. Era bom ver que ele estava bem depois de ter fugido de mim ontem à noite. Não tinha vestígios de preocupação ou receio em seu rosto. Havia somente seu jeito largado e seu sorriso preguiçoso. Tenho notado que algumas horas longe dele têm sido cruéis de se passar. Eu ficava preocupada e cheia de vontade de ligar para ele, e o fato de termos meio que discutido ontem só aumentou a minha ansiedade de falar com ele. O incrível é que eu estou aqui me remoendo e ele parecia estão tão em paz, como se nada tivesse acontecido e isso fosse somente mais uma sessão de filmes que estávamos fazendo. Senti-me estúpida e imbecil por me preocupar tanto com uma coisa que não nem tirava um pingo de sua atenção. Evito um revirar de olhos como demonstração de repreensão à mim mesma e deixo escapar um suspiro desanimado. Me preocupar de mais com as coisas sempre me causou problemas, mas mesmo sabendo disso não é como se eu pudesse simplesmente bloquear esse instinto. É tão natural quanto corar, que é o que provavelmente eu estou fazendo agora. Nesse caso por timidez, talvez pelo fato de ele me dispensar um olhar estranho – que eu interpretei como repulsa em relação ao meu comportamento estranho – e me chamar para sentar ao lado dele no tapete. Não é como se eu quisesse manter distância, mas não sentei muito perto. Ele pareceu estranhar de novo as minhas ações e me lançou um olhar com ares de quem queria uma explicação. Como eu iria dizer que era apenas um ato de precaução? Afinal, como ele pode agir com tanta simplicidade e calma? Por que quem saiu quase aos prantos ontem a noite não foi eu.

Tudo estava soando de forma tão desconexa. Talvez eu só estivesse criando sentimentos imaginários em lugares que eles não podiam simplesmente existir. Sinto como se a cor do meu rosto estivesse se esvaindo aos poucos agora, perdendo o rubor da timidez, dando lugar a brancura da incredulidade. Ontem as minhas palavras foram tão sinceras, pareciam fazer todo o sentido do mundo para mim. Então a raiz do problema talvez estivesse ai. Elas faziam sentido somente para mim. Procuro desviar dos olhos claros dele, sentindo-me incapaz de encará-los. No fim eu apenas tenho sido uma grande ingênua. Uma típica boba romântica e sem escrúpulos algum, criando situações e imaginando coisas sem eira nem beira. Tudo fica mais difícil quando descubro que sou facilmente decifrada por ele, tão exposta quanto um livro aberto. Isso ficou claro quando o ar dele mudou de questionador para um olhar preocupado.

—Demi, você pode, por favor, me falar o que diabos está acontecendo? – ele praticamente sussurrou, colocando o violão de lado,

No entanto eu estava imersa em demasia na minha redoma de pensamentos para me preocupar em esboçar alguma expressão amigável ou falar palavras tranqüilizadoras. E ele ainda mantinha o olhar atento sobre mim. Frear meus instintos estava tão difícil que pensei apenas em me render e deixar o meu modo irracional agir. Quando ele ousou falar mais alguma coisa eu já tinha me jogado em um abraço. Com a rapidez da minha ação ele caiu para trás, cingindo minha cintura protetoramente. Resultado não foi nada menos do que nós dois jogados no chão, eu sobre ele, abraçados sofregamente.

—O que foi...?

—Sterling, só cale a boca, okay? – ele riu como se estivesse descrente, o que me fez relaxar – Você me assustou ontem.

—Eu... Me desculpe.

Nunca mais faça isso. – eu não sabia se ele tinha escutado, saiu mais baixo que um sussurro. No entanto a forma como ele respirou profundamente, cingiu minha cintura e acariciou os meus cabelos dizia que ele tinha entendido perfeitamente.

—Olha, eu sei que a gente precisa conversar. Só não vamos tornar isso muito difícil, tudo bem? Eu não quero brigar com você Dems.

—Eu sei, eu sei. Eu só quero falar que a gente não precisa se desentender por essa coisa estranha que eu tenho sentido ultimamente, mas você talvez tenha percebido que isso não é culpa minha. Por Deus, eu não quero perder a sua amizade de jeito nenhum. Você é uma das pessoas mais importantes para mim agora. E se você quiser um tempo para pensar, tudo bem. Só não esqueça que eu estarei esperando você, para sairmos e brincarmos como temos fazendo nos últimos dias. Eu estou totalmente disposta a esperar o quanto você quiser.

—Por que você pensou que eu iria querer passar um tempo longe de você? – riu meneando a cabeça – Nem tinha passado pela minha cabeça essa possibilidade.

Ele voltou a sorrir, e sua expressão tinha algo como um alívio misturado com diversão. Sorri de volta, me sentindo leve, prestes a flutuar. Todo o peso invisível que parecia estar nas minhas costas sumiu num piscar de olhos. Tudo aparentava estar voltando a se encaixar nos lugares certos. Saí de cima dele cuidadosamente, sentando-me a seu lado. Em minha mente pensamentos piscavam em uma afirmação: adeus drama desnecessário. Que voltem os filmes de comédia, quero um longo tempo longe de lágrimas e preocupação. Sterling também não parecia mais tenso. E oh, isso era tããão bom.

Fiquei na casa dele até o final do dia, e fizemos tudo como uma semana atrás. Primeiro fomos para a cozinha tentar fazer qualquer coisa para comer assistindo filmes. A minha sugestão de fazer uma simples pipoca de microondas foi rejeitada, e em seu lugar veio uma proposta de bolo do chocolate. Insisti para que ele pegasse a receita já que não queria a minha ajuda, mas o orgulho masculino dele negou até o ultimo minuto de preparo. Acabei ficando apenas como uma mera ajudante e no final já tinha faria e açúcar para todos os lados. Deixei o cabelo preso, por que era a única parte intacta e limpa que eu ainda matinha. Os cabelos dele estavam mais brancos do que loiros, o que resultou em muitas piadas e risadas da minha parte. Minha camiseta estava simplesmente imunda de calda de chocolate por culpa das brincadeiras do Sterling, mas ele não ficou muito atrás. Ambos concordamos que não era nem um pouco sensato nós ficarmos sujos, então eu fui até seu quarto e escolhi uma camisa xadrez de cor vermelha para mim, que mais ficou parecendo um vestido, e uma branca sem estampa para ele. Fui me trocar no banheiro e quando voltei ele já estava trocado, a blusa preta estava jogada no braço do sofá. Apesar de toda a desorganização o bolo acabou ficando bom, e nós dois devoramos metade assistindo o filme Se Beber Não Case dois. Fiquei em negação ao olhar o relógio e constatar que já estava tarde de mais, apesar dele negar e me pedir para ficar. Quase aceitei, mas eu precisava ir embora. Não fazia sentido eu dormir aqui, até por que não é como se não estivéssemos sendo observados e além de tudo tínhamos acabado de nos acertar, uma pequena recaída pode destruir muita coisa.

—Foi muito bom passar o dia com você, Ster. Eu já estava com saudades disso tudo. – digo sorrindo de canto.

—Eu sei. Eu sou mesmo muito bom em fazer bolos, não é? – ele riu e me abraçou, completando logo após – Estou brincando. Também adorei ficar aqui em casa com você, rindo e sujando você de farinha de trigo.

—Está ficando engraçadinho de novo. – desdenho rindo – Você também não ficou muito atrás em questões de sujeira.

Já estava quase saindo quando me lembro que tinha deixado a minha blusa suja em cima do sofá dele, então me viro, no entanto sou parada pelo corpo do Sterling, que me olhava com ares inquisidores. Dei de ombros, fazendo uma típica cara de casualidade.

—Minha camiseta. Ela está no sofá. – Desvio dele e me encaminho até a blusa, mas novamente sou parada, dessa vez pelas mãos dele puxando minha cintura para trás, me colocando de frente para ele. Digo as palavras cheias de falsa indignação, apesar de meu coração estar quase subindo pela minha garganta – O que é? Me deixa ir pegar a minha blusa, garoto!

—Não, nada disso.

—Oras, mas porque?

—Ela simplesmente vai ficar comigo. – ele responde rindo.

—Mas ela está suja de calda de chocolate! – devolvo revirando os olhos.

—Eu não me importo com isso.

—Isso não está fazendo sentido pra mim.

—Simples. Você está com uma camisa minha, e eu quero a sua para mim.

—Não seria mais fácil pegar uma limpa? Olha, me devolve que eu compro uma nova pra você. – digo tentando passar, ficando na ponta do pé para tentar enxergar a camiseta por cima do ombro dele.

—Claro que não, Dems. Eu quero uma com o seu cheiro.

Voltei rapidamente meus olhos para os dele, a boca entreaberta em uma mistura de surpresa e descrença. Senti-me derreter por dentro, mesmo com a minha mente gritando para me afastar o mais rápido possível. Queria ter forças para dizer que ele não podia ficar fazendo isso comigo, por que apesar de ser de certa forma inquebrável, eu me machucava facilmente com decepções amorosas. E o meu amigo já estava querendo arranjar um espaço maior no meu peito. Meneio a cabeça e puxo a nuca dele para dar um lento e macio beijo em sua bochecha, dizendo um pequeno tchau. Em poucos segundos eu já estava acelerando o carro, fugindo da vontade de voltar lá e me afundar nos braços dele.

Notas finais
Olha, eu sei que é enrolação de mais, mas é um modo de fazer as coisas ficarem mais... Hum, gostosas de se ler? Calma que a hora da Demi e do Ster já está chegando *laughs*
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.