Give Your Heart A Break

2 Persecution? No chance.


Notas iniciais
Esse veio rápido, não? Erros vão ter, não revisei direito. E provavelmente terá repetições, uma coisa que me irrita mas que não consigo evitar. Isso é a ansiedade de postar. Chega, espero que gostem do capítulo.

Assisti CSI a noite inteira, me apegando aos detalhes, pensando em toda e qualquer coisa relacionada a crimes, formas de matar uma pessoa dolorosamente e sangue. Rios de sangue. Quase ri com meus ponderamentos sádicos, mas ainda estava tentando manter o controle deles, então não tentei esboçar nenhuma expressão.

Tomo um longo banho, aproveitando para meditar em baixo do chuveiro e só depois tento dormir. Apesar de não ter percebido, eu estava mesmo exausta, já que não fiz muito esforço até pegar no sono. No entanto já era bem tarde, ou muito cedo, dependendo do ponto de vista, então acordei às onze horas e meia na manhã seguinte. Levantei um pouco mais animada. Minha blusa do Mickey estava toda amassada, mas não me importei com isso. Ninguém ia me ver assim mesmo. Prendi o meu cabelo num coque frouxo e parti para a cozinha, em busca de cereais, morangos, leite e mel. Comi lentamente o meu café-da-manhã-quase-almoço, assistindo alguma coisa na televisão que eu não prestei realmente atenção. A minha mente já traçava coisas para se fazer em um sábado à tarde. Talvez eu devesse chamar as garotas e passar o dia no shopping.

Troquei de roupa, colocando uma calça de moletom preta e uma camiseta de manga curta branca. Correr, por que não? È uma ótima opção para começar bem o dia. Isso se tornou parte da minha rotina após a reabilitação, me fez entrar em forma e virou um bom vicio. Nunca acreditei quando me diziam que esportes era como chocolate, que você não vive sem depois de um tempo fazendo, ou comendo. Prendo meu cabelo em um rabo de cavalo, coloco meu óculos Wayfarer vermelho e pego meu Ipod. Decido ir até o parque, que não costumava ser cheio tão cedo. Faço um leve alongamento perto das grades, e fico correndo por lá durante uns cinqüenta minutos, tentando ignorar claramente algumas lentas alheias. Sem chance, não estava com muita paciência para ficar agüentando muitas fotos, então decido sair dali. Durante a volta pra casa, esbarro distraidamente em uma pessoa, e quando me viro para pedir desculpa noto olhos claros me observando com uma das sobrancelhas erguidas. Me apoio em uma das pernas e coloco as mãos na cintura, revirando os olhos na tentativa de parecer aborrecida.

—Você? Caramba, por que não me deixa em paz, garoto?

Ele sorriu e eu também.

—Sério que você quer isso? Bom, de qualquer forma quem tropeçou em mim foi você. Não tenho culpa, só estava passando. Então por favor, quero as minhas desculpas.

Solto uma risada engrandecida por minha vontade de deixar clara a divertida ironia contida nela. O tom da voz dele parecia sempre o de uma atuação. Meneio a cabeça ainda sorrindo.

—Até parece, Knight. Mas e ai? O que está fazendo aqui? Está me perseguindo ou é só impressão?

—Na verdade, Lovato, eu estava indo ao cinema. Tem um filme ótimo em cartaz. Só que ai você esbarrou em mim e atrapalhou os meus horários, sabe?

—Filme? Eu estava mesmo precisando fazer alguma coisa hoje.

—Não, você não foi convidada mocinha.

—Não? Então está bom, eu procuro assistir um filme com outra pessoa. Uma pessoa mais legal, mais divertida.

Giro nos calcanhares para voltar a minha caminhada pra casa, reprimindo o sorriso de modo que ele não visse e começo uma contagem regressiva. 3, 2, 1...

—Calma Demi, eu estava brincando. Venha, eu estou te convidando.

Viro o rosto para trás, encontrando-o de braços cruzados em uma expressão forçosamente azeda. Era clara a vontade que ele tinha de rir, o canto de sua boca estava tremendo.

—Vai esperar eu tomar banho, me trocar e tudo?

—Se você demorar mais que uma hora eu te abandono.

Sorrio e volto até ele, puxando-o pelo pulso até a minha casa, que já não estava tão longe. Assim que entramos disse para ele ficar a vontade e liguei a televisão, jogando o controle em sua direção.

—Assista o que quiser, mas se você quebrar alguma coisa, eu vou fazer você consertar com suas próprias mãos.

—Pode deixar amiguinha. – respondeu ele com um quê de diversão, sem parecer prestar realmente muita atenção.

Tirei a camiseta no corredor, esquecendo por um momento que tinha visitas. Entrei rapidamente no quarto. Não me prendi muito a isso, então fui logo para o banho. Coloquei um short jeans claro, uma larga camisa branca e o meu Ray-ban preto. Sequei os cabelos e prendi novamente, deixando a franja solta. Converse, pulseiras, colares, bolsa e celular. Voltei pra sala, rindo ao ver ele jogado no meu sofá.

—Nem demorei tanto, não é?

Ele me olhou de cima a baixo com um sorriso e olhou no relógio em seu pulso. Deu de ombros e se levantou.

—Isso tudo ai é só pra ir ao cinema comigo? – riu-se ele.

—Claro que não, seu idiota. É sempre bom estar apresentável. Câmeras, cliques, você sabe.

—Tudo bem então. Eu não ligo para o que você veste, fica linda de qualquer jeito.

Solto uma risada tímida e empurro-o levemente quando ele dispensa um piscar de olhos galanteador.

—Você está muito engraçadinho pro meu gosto. – visto a minha melhor expressão de falso desprezo – Vamos logo, a gente vai perder os horários das sessões.

—Na realidade, a gente já perdeu uma das sessões.

—Sério? Ah não...

— Eu estava brincando, mas bom saber que você confia em minhas palavras – desdenhou com outro sorriso.

—Arg Knight, vamos logo! – não espero ele ter alguma reação, somente pego o controle e desligo a televisão, puxando-o para fora de casa em seguida.

Já estávamos dentro do carro, a caminho do shopping quando ele soltou uma piadinha que me deixou um tanto quanto surpresa.

—Eu costumo tirar a roupa no quarto, sabe? Com a porta fechada. – e assoviou um ritmo qualquer, despreocupadamente.

—Por que é que você está falando isso? – perguntei cinicamente, já sabendo o motivo de tal brincadeira. Apertei as mãos no volante, pensando em coisas que não me fizessem enrubescer.

—Não sei, vai ver é por que você saiu arrancando a camiseta lá sua casa, sem nem se preocupar com o seu inocente convidado que estava sentado no sofá.

Ele virou o rosto em minha direção com um sorriso, e olhando de esguelha ele não parecia nada além de divertido. Relaxei um pouco e ri desconcertada. Com ele era tudo tão simples.

—Eu não tenho culpa. Minha casa está sempre vazia, não fico me preocupando com essas coisas. Já me acostumei a fazer o que eu quero, aonde e na hora que eu quero.

Estacionei o carro e rapidamente descemos, adentrando o shopping despreocupadamente. A diferença de luz me fez fechar os olhos assim que tirei os óculos.

—Acho melhor a gente se apressar, o filme daqui a pouco deve começar – Disse Sterling, olhando em seu relógio.

Dirigimos-nos para o lado esquerdo do shopping, ele me puxando repetidamente de algumas lojas que eu insistia em entrar para ver as coisas. Assim que paramos em frente ao cinema, ele se encaminha para uma das três cabines de venda que tinha ali.

—Por que você não compra os tickets e eu vou pego a pipoca?

—Nossa, e não é que você pensa Lovato?

Rio e dou um soco fraco em seu braço, seguindo para a pequena fila que ficava do lado direito do cinema, na parte externa. Nos encontramos depois de uns três minutos.

—Vamos?

—Você não vai nem querer saber qual é o filme? – ele perguntou com um olhar descrente.

—Não, isso não importa muito. Vamos entrar logo, se não vou comer essa pipoca aqui mesmo.

Ele me olhou por mais um tempo, mas não me importei, somente o peguei pela mão e o levei para dentro do cinema. Ficamos mais ao fundo, e ele não pareceu se importar com os olhares curiosos que as pessoas lançavam para nós. Eu já estava até acostumada, mas ainda incomodava um pouco. Quando o filme começou, eu estava mais entretida com a cor das poltronas na frente do que com qualquer outra coisa.

—É realmente um filme muito bom não acha, Dems? E não faz nem três minutos que começou.

—Uhum. – respondi mesmo sem ter escutado mais que duas ou três palavras.

Depois de um pequeno silêncio tive a impressão se ouvir novamente a voz do Sterling.

—Que bom que você gosta de beber gasolina com hambúrgueres queimados.

E então minha mente vagou em espaços que eu não sabia que existia. No meio de tudo isso, me sentia num mundo diferente. Um furacão de pensamentos começou a rodar em minha cabeça, e eu literalmente fiquei tonta. Só depois de um tempo é que me dei conta de que deveria dar alguma manifestação de vida, e como ainda estava meio alienada só confirmei novamente.

—É. – demorou alguns segundos para que eu juntasse suas palavras, e elas não fizeram muito sentido em minha cabeça. – O que?

Quando me virei em sua direção, ele riu e pegou um pouco da pipoca que estava entre nós dois.

—Você quer ir embora? Sério, eu não vou me importar.

Voltei meus olhos para os dele, que brilhavam com o reflexo das luzes coloridas que vinham da tela. Não seria justo ir embora agora. Ele me convidou, me esperou e me fez rir como eu não ria já havia um tempo. Meneio a cabeça, dando um meio sorriso e pegando mais algumas pipocas.

—Não, sério. Só estava um pouco distraída, vamos voltar a assistir.

No fim não acabei prestando muita atenção. Era algo sobre um casal, que no começo eram somente amigos, mas que se envolveram em uma relação meio colorida. Era uma comédia, mas eu só ria quando o loiro ao meu lado também o fazia, para dar uma leve impressão de que estava mesmo entretida. Na realidade eu ria de sua risada. Me chame de louca, mas o som que fazia me contagiava.

Notas finais
Em breve um novo capítulo, que está prontinho. Beijos.