Give Me Love - Cancelada!
25 Mudanças vs Amor.
Notas iniciais
Leon’s POV
– Oi minha linda – Forcei o máximo possível de um sorriso convincente quando Fernanda veio correndo toda feliz até a mesa onde nós estávamos sentados, segurando em sua mão um pote cheio de sorvetes e outras guloseimas em cima.
– Oi tio – Nanda deu-me um beijo estalado na bochecha e bagunçou os meus cabelos, hábito que ela havia adquirido da irmã. Notei que Francesca ficou incomodada com a volta repentina da menina, mas não podíamos expulsá-la dali.
– Pirralha, vai lavar a mão – Francesca tocou nas mãos da irmã assim que a mesma se sentou para saborear o doce que ela estava com tanta vontade de comer. Nanda fez uma careta, o que ocasionaria muitas risadas minhas, se eu não estivesse tão tenso com a situação em que estávamos vivendo – Anda, vai.
Fernanda levantou-se da cadeira e seguiu para o banheiro da sorveteria, batendo a porta assim que entrou no local. Olhei para Francesca que estava mais branca que o normal. Ela suspirou pesadamente e uma sensação de pavor percorreu o meu corpo por inteiro.
– Anda Francesca, o que você acha que está acontecendo com a Violetta? – Soltei as palavras de uma vez só, quando achei que não iria conseguir mais falar sem ser naquela hora. Minha amiga jogou os cabelos pra trás e olhou para suas pernas, encarando-me em seguida.
– Sinceramente? – Ela ainda fez o favor de perguntar aquela bosta. Caralho, era pra isso que estávamos lá, certo? Pra descobrir a verdade sobre o que estava acontecendo com Violetta.
– É claro que sim, né – Resmunguei ficando mais nervoso do que já estava.
– Eu acho que a Vilu está grávida, de verdade – Francesca falou ao soltar todo o oxigênio que estava preso em seu corpo.
Grávida? Oi, Francesca? Estamos em uma conversa séria, brincadeiras à parte, por favor.
– Francesca, por favor, não faça essas brincadeiras. É sério, daqui a pouco eu tenho um ataque fulminante aqui – Respondi depois de passar a palma da minha mão esquerda no meu rosto completamente suado. Era até engraçado essa suposição de Violetta estar grávida, isso meio que era impossível. Nunca transamos sem camisinha, ela estava tendo enjoos e tonturas, mas poderia ser qualquer coisa e não necessariamente uma gravidez.
– Eu não estou brincando, Leon. Você acha que eu estaria tirando onda da situação nessa altura do campeonato? – Francesca grunhiu as palavras e olhou fixamente nos meus olhos. É, ela não parecia estar brincando.
– Caramba – Escondi meu rosto novamente entre minhas mãos e suspirei pesadamente, tentando organizar minhas ideias dentro da minha cabeça – Se ela estiver mesmo grávida, eu vou matar o desgraçado que fez isso.
– Leon, bota alguma coisa nessa sua cabeça, porra! Eu sei que no fundo você é inteligente... – Francesca praticamente explodiu, fazendo com que nós recebêssemos olhares dos outros clientes da sorveteria. Ela respirou fundo e vimos Nanda voltando do banheiro, pegando o sorvete em cima da mesa, que estava derretendo por sinal, e indo comer na área infantil. Ótimo, menos um problema – Você foi o único cara com que a Violetta já foi pra cama, seu idiota.
– Mas nós sempre nos cuidamos – Eu tentava entender aquela situação embaraçosa. Nem sabíamos se Violetta estava grávida de fato, mas só a suposição dava arrepios em qualquer um. Eu não estava preparado para ser pai, de maneira nenhuma. E o nosso futuro? E o futuro dessa suposta criança? Somos estudantes do ensino médio, somos tecnicamente meio-irmãos e ainda por cima somos sustentados pelos nossos pais casados. É, estava ficando cada vez pior.
– Você usou camisinha naquele episódio do acampamento? – Francesca perguntou erguendo as sobrancelhas e sorrindo de maneira sarcástica. Uma lembrança percorreu minha mente e lembrei que eu estava bêbado, não estava consciente dos meus atos e nem das suas consequências. A julgar pela minha reação, Francesca sorriu e continuou a falar – Pois é. Não sabemos se ela está mesmo grávida, mas se a Violetta estiver você acabou de arrumar a maior bronca da sua vida.
– Puta que pariu Francesca! O que eu faço?
– Primeiro você deve ir pra casa e encontrar a Violetta e ter uma conversa séria com ela – Francesca levantou-se da sua cadeira e foi para mais perto de mim, encostando sua mão direita em minhas costas arqueadas – Segundo... Bem, faça essa primeira parte e depois decidimos o que fazermos.
– Eu estou muito fodido, não é? – Levantei minha cabeça encarando os olhos maravilhosos da minha melhor amiga. Eles me passavam uma tranquilidade absurda e aquilo era tudo que eu precisava. Notei que uma lágrima havia escorrido pelo meu rosto. Francesca sorriu ternamente e depositou um beijo no final da gota d’água.
– Não se preocupe, estamos todos juntos nessa – Ela sorriu ternamente e afagou os meus cabelos de uma maneira carinhosa. Meu Deus, como eu amava aquela garota – Eu amo você, anjo.
– Eu também te amo, obrigado por tudo, obrigada por ser quem você é – Segurei na mão de Francesca e depositei um beijo carinhoso ali – Eu preciso ir pra casa conversar com a Violetta.
– Tudo bem, vai lá.
Despedimos-nos com um abraço e fui até Nanda dar um beijo nela. Saí da sorveteria, subi na moto e coloquei o capacete. É, eu tinha que resolver minha vida.
Violetta’s POV
Havia acabado de sair do meu banho depois de uma prova ridícula de Física que eu fui obrigada a comparecer. Para completar, eu havia passado mal novamente no Colégio e Francesca ficou enchendo minha cabeça com todas as frescuras dela, só esperava que minha mãe não ficasse sabendo também do ocorrido. Se eu passasse mal de novo, eu iria ao médico para apenas provar que aquilo não era nada de mais.
Ouvi meu celular tocando de dentro da bolsa e corri para achá-lo, já que aquilo estava pior que o meu guarda-roupa da minha antiga casa. Quando finalmente o peguei, vi que era um número desconhecido no visor, mas atendi mesmo assim.
– Alô?
– Olá, boa tarde. Meu nome é Ane, sou a Diretora da Faculdade de Letras do Arizona – Ouvi do outro lado da linha uma voz suave feminina, com um português bastante divergente do oficial. Meu coração praticamente parou ao ouvir as palavras que aquela pessoa havia me dito.
– Oh meu Deus, boa tarde – Engasguei as palavras, tentando não parecer uma idiota que estava super surpresa.
– Bem, seu nome é Violetta Castillo? – A mulher perguntou do outro lado da linha.
– Sim, sou eu mesma – Praticamente gritei as palavras. Não estava acreditando que aquilo estava acontecendo comigo.
– Bom querida, estou ligando para avisar que você passou na nossa seleção para o novo teste do segundo semestre de nossa faculdade. Meus parabéns, seu currículo é simplesmente exemplar – A mulher falou com uma alegria contagiante. Podia sentir que ela estava sorrindo do outro lado da linha.
– Muito obrigada! A senhora não sabe o quanto eu esperei por esse momento! – Fui obrigada a me sentar na minha cama, antes que eu caísse dura no chão de tanta emoção. Eu havia me escrito e mandado meu currículo para essa faculdade ano passado, com a esperança de chegar em casa e receber um telefonema desses, correndo para contar ao meu pai a novidade. Infelizmente, as coisas não saíram pelo caminho que eu planejei, mas elas estavam acontecendo, e isso já me deixava imensamente feliz.
– Posso imaginar minha querida – A mulher respondeu alegre da mesma maneira. Como ela era simpática – Nós mandamos um e-mail sobre a confirmação e todas as informações que você precisa saber. Você tem 72 horas para retornar a ligação ou mandar um e-mail confirmando ou não sua participação no nosso teste, está bem?
– Ok, ligarei antes disso. Muito obrigada – Sorri enquanto falava com aquela mulher. Depois de tantos problemas, confusões, eu podia sentir que minha vida estava começando a melhorar e meu carma astral estava indo embora.
– Nós que agradecemos. Ficarei no aguardo, boa tarde novamente – E desligou. Eu simplesmente deixei o meu celular na cama e passei a pular histericamente na cama. Eu finalmente havia passado para uma das melhores faculdades do mundo e no curso que eu amava, o qual eu queria fazer pelo resto da minha vida! Tudo bem que era apenas uma seleção para o teste principal, mas isso já era uma conquista e tanto.
Senti passos aproximando-se do quarto e vi que Leon havia parado em frente da minha porta, analisando-me de cima a baixo.
– O que você quer? – Prendi melhor minha toalha em meu corpo, cruzei meus braços em frente ao meu peito e o observei.
– Eu quero saber a verdade sobre você – Leon entrou no meu quarto com uma cara nada simpática. Como ele queria saber de algo que não existia? Todos ao meu redor estavam ficando obcecados com isso, literalmente.
– Não tem nada pra você saber – Sentei-me novamente na cama, com uma sensação esquisita passando por mim novamente. Violetta, por favor, não vá passar mal agora, pelo menos, não aqui e, principalmente, não com ele.
– Claro que tem, porra! – Leon aproximou-se mais de mim – Você sabe que eu tenho haver com isso. É o meu direito!
– Direito de quê, criatura? – Gritei o máximo que eu pude, mas minha voz já estava ficando fraca.
– Do filho que você está esperando! Ele também é meu! E eu preciso saber a verdade vinda da sua boca – Ele abaixou-se na minha frente e tocou o meu rosto com delicadeza. Não consegui pronunciar mais nada e muito menos falar que ele estava ficando louco. Apenas senti o meu corpo mole cair sobre seus braços e ele ajeitando-me em seu colo, alegando que iríamos para o hospital naquele instante.
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