Give Me Love - Cancelada!
26 Descobertas.
Notas iniciais
— “Ser mãe: sensação estranha de proteção, alívio e amor. É algo que você não conhece, mas já ama... É algo que não espera, mas se surpreende quando chega... É algo único, sentimento único de ser mãe.”
Leon’s POV
Eu estava apenas com a moto, então não poderia levar Violetta para o hospital dirigindo, porque ou eu pilotava o transporte ou a segurava, que ainda estava meio tonta e sonolenta. Tia Maria e o meu pai ainda estavam no trabalho, então optei em recorrer para a nossa vizinha, Dona Ana, ela era bastante simpática e poderia nos levar para o Pronto-Socorro com o seu carro que mais vivia parado na garagem do que circulando pelas ruas.
Deixei Violetta sentada no sofá da nossa casa, enquanto atravessava a rua para ir falar com a nossa vizinha. Apertei a campainha e fui recebido pela mesma, que se prontificou para nos levar. Agradeci e corri para pegar Violetta, para que finalmente pudéssemos ir.
Entrei dentro do carro no banco traseiro e deitei Violetta no mesmo, apoiando sua cabeça em meu colo. Eu fazia carinho em seus cabelos, que agora estavam grandes, enquanto sussurrava a música que eu havia feito para ela no violão. Notei que um sorriso minúsculo cresceu no canto dos seus lábios, o que fez meu corpo relaxar por um instante.
Chegamos ao Pronto-Socorro em poucos minutos, despedi-me de Dona Ana e a agradeci novamente. Entrei com Violetta no colo e corri para a recepção, onde uma mulher de aparência cansada estava atrás do balcão.
– Oi, minha... Minha amiga está passando mal, vocês precisam me ajudar – Falei para a mulher rapidamente, enquanto apoiava Violetta melhor em meu colo. Ela ainda estava muito branca e os lábios estavam arroxeando cada vez mais.
– Claro, vou chamar um enfermeiro com uma maca – A mulher levantou-se do balcão enquanto mascava um chiclete que provavelmente já teria acabado o açúcar.
Pouco tempo depois, chegaram dois enfermeiros com uma maca branca, ajudando-me a deitar Violetta ali. Eles ajeitaram seu corpo, levantaram a grade das laterais e seguiram em direção a uma porta grande e branca.
Afastei-me um pouco do balcão e suspirei pesadamente, pegando o meu celular de dentro do bolso e discando o número de Fran, que eu já sabia decorado. Minha amiga encheu-me de perguntas, coisas que eu nem sabia ao certo, mas acabou concordando que nós conversássemos depois e ela visse logo para cá. Não telefonei nem pra o meu pai e nem pra tia Maria, eu queria saber primeiro o que estava acontecendo com Violetta e só depois de ter certeza, contar a bomba.
– Ei, mocinho... Venha aqui, por favor – Vire-me para procurar a voz que falava um pouco alto e de uma maneira rouca. E era comigo. Era a mesma mulher que havia ido procurar os enfermeiros, mas agora não mascava mais o chiclete e havia colocado um par de óculos bastante grossos e horríveis. Aproximei-me meio receoso, aquela mulher me dava um pouco de medo. Gostaria de saber como um hospital tão famoso como esse, poderia colocar uma figura como aquela para atender nossos desejos e aflições – Você precisa preencher a ficha da paciente.
Ela colocou uma ficha enorme sob o balcão e me entregou uma caneta, para que eu pudesse responder o questionário. Terminei em pouco tempo e entreguei para a mulher, que tinha uma puta cara de fumante, saindo de perto dela o mais rápido e indo para o mais longe possível. Sentei em uma cadeira próximo a um senhor gordinho de mais ou menos 50 anos, que lia calmamente um jornal. Peguei o meu celular e desbloqueei a tela, acessando minha galeria de fotos e encontrando um print meu do Instagram de Violetta, onde havia uma foto em que estávamos na minha moto.
– Sua namorada? – Ouvi o senhor perguntar enquanto olhava a foto que estava na tela do meu celular. O olhei melhor e afirmei com a cabeça.
– É, pode-se dizer que sim... Nós estamos dando um tempo – Aquelas palavras foram como facas no meu estomago. Eu sabia e tinha plena consciência de toda a situação que estávamos vivendo, mas relatá-la doía demais.
– O tempo é o melhor remédio, meu jovem. Ele cura tudo. Até a traição mais profunda, é claro que se o amor ainda estiver acesso – O senhor sorriu docemente para mim e em seguida deu batidinhas simpáticas em minhas costas. Confirmei com a cabeça em agradecimento e ele voltou a ler o seu jornal calmamente. Tentei absorver todas as palavras daquele senhor e agarra-las como se fosse uma lição para a minha vida.
*
Uma médica alta e magra chegou à recepção chamando pelos parentes de Violetta Castillo. Saí do meu transe por completo e caminhei até a morena, onde havia uma prancheta cheia de anotações e que ela segurava com todo o cuidado do mundo.
– Me acompanhe, por favor – Ela sorriu delicadamente e fomos andando até o corredor onde Violetta havia entrado com os enfermeiros quando chegamos. Um pânico havia triplicado em mim, mas a julgar pelo rosto da médica, acho que não era nada muito grave.
Fomos andando por um corredor extenso e que não tinha tantas pessoas, apenas alguns enfermeiros levando comidas e remédios para os pacientes das outras portas que também eram um tanto assustadoras. Paramos em frente a uma daquelas portas. Quarto 314.
– Doutora... Letícia – Forcei os olhos para ler o nome que estava bordado em seu jaleco. Doutora Letícia Guedes – Como é que está... Minha meia-irmã?
– Ah, vocês são irmãos? – A médica sorriu docemente – Pensava que vocês eram namorados – Não sei se era minha impressão, mas parecia que aquela mulher estava dando em cima de mim. Mas foda-se, eu queria era saber como estava à saúde de Violetta.
– É uma situação meio complicada... Nossos pais se casaram há pouco tempo, então eles nos consideram meio-irmãos. Mas tivemos um relacionamento já – Tentei explicar da forma mais resumida para aquela mulher que mais queria saber da minha vida do que falar o que eu realmente queria saber – Enfim Doutora, eu gostaria de saber como está a saúde da Violetta.
– Presumo que o bebê que ela está esperando é seu – Ela ajeitou melhor os óculos delicados que estavam postos em frente aos seus olhos e sorriu discretamente. Suspirei pesadamente. Francesca estava certa. Eu ia ser pai. Eu estava literalmente fodido.
– Sim, é meu – Passei uma das minhas mãos no rosto e respirei fundo, soltando o ar pela boca. Nós estávamos no Ensino Médio e não tínhamos como sustentar essa criança, pelo menos não do jeito que estávamos. Mas eu precisava arranjar uma maneira de sustentar minha família e eu iria achar, nem que fosse preciso ir ao inferno – Como ela está? E o bebê?
– A julgar como ela chegou aqui, está tudo ótimo. Violetta está com uma anemia muito forte, além dos enjoos frequentes e normais de inicio de gravidez, os sintomas da doença apenas pioraram. Aqui estão várias vitaminas para que ela possa se recuperar e o bebê possa crescer de forma saudável – A médica me entregou vários papéis com nomes de remédios esquisitos. Eu iria cuidar agora da vida da minha mulher e do meu filho – Com o bebê está tudo ok. A gravidez ainda está no primeiro mês, provavelmente a menstruação dela ainda nem atrasou. Mas sugiro que vocês já procurem um Ginecologista e Obstetra para o Pré-Natal da criança, é muito importante esse acompanhamento, tanto para ela como para a nova vida que está surgindo.
– Não se preocupe, nós iremos fazer tudo certinho – Apertei a mão da médica com a mão que estava menos suando frio. Meu coração parecia que ia sair pela boca, mas era impedido pelo nó forte que estava preso em minha garganta. Eu queria fugir para um lugar onde só existisse eu, Violetta e o nosso filho. Um lugar onde não houvessem problemas e nem pessoas maldosas. Um lugar onde poderíamos transbordar todo o amor que existia entre nós dois, sem que ninguém nos recriminasse com palavras ofensivas ou um olhar cruel – Posso vê-la?
A médica apenas assentiu e disse que voltaria uma hora depois para ver como ela estava. Meu peito se encheu de medo, nervosismo e aflição, mas era agora ou nunca. Nós precisávamos conversar e decidir como íamos seguir nossas vidas, de preferência juntos.
Dei duas batidinhas de leve na grande porta branca e assustadora, entrando de maneira calma no quarto. Coloquei primeiro a cabeça e visualizei Violetta deitada na cama, com uma bata azul, os cabelos presos em um coque e uma bolsa de soro sendo ligada pela sua veia. A respiração dela estava ritmada e parecia estar tendo um sono leve, com os mais belos sonhos e uma vida fácil. Aproximei-me dela e notei os detalhes do seu rosto, tão linda, tão minha... Como eu amava aquela mulher.
Aproximei os meus lábios de sua testa e depositei um beijo leve, apenas relembrando o quanto era bom tocá-la e ter minha boca em contato com qualquer parte do seu corpo. O sono de Violetta estava tão leve, que ela se mexeu apenas com o simples carinho que eu fiz e foi abrindo os olhos, tentando se acostumar com a claridade que estava presente no local.
– Oi – Sorri amarelo. Não queria ter a acordado, ela precisava descansar. Agora ela tinha outra vida dentro dela e os dois precisavam se cuidar.
– Oi – Ela sorriu. Uma alegria aflorou pelo meu corpo, pelo menos ela não parecia estar com raiva e nem me expulsou dali, isso já era um bom sinal. Tomei liberdade de segurar em suas mãos e ela automaticamente as apertou – Você... Você já sabe?
Apenas confirmei com a cabeça.
– De tudo?
– Absolutamente tudo.
– E...?
Seus olhos castanhos estavam mais claros que o normal e eu podia sentir apenas com aquele olhar, o desejo que ela tinha de ter respostas ou apenas opiniões de pessoas envolvidas na situação. Os lábios dela estavam um pouco secos, parecia que ela estava tendo dificuldade de respirar.
– Olha, vou ser sincero com você – Isso é jeito de se começar uma conversa sobre esse assunto, Leon? Porque eu sou tão patético?! Mas, para a minha surpresa, ela apenas afirmou com a cabeça, prestando atenção em cada movimento que eu fazia – Eu nem prestei atenção em todos esses sintomas, quem foi que me abriu os olhos foi Fran, hoje. Então eu juntei as peças e montei o quebra-cabeça, tendo quase certeza de que você estava mesmo grávida. Eu estou assustado, na verdade eu estou apavorado. Mas esse meu desespero não pode ser comparado com o tamanho do meu amor por você... E muito menos com o amor que já está crescendo dentro de mim em relação a essa joia que está surgindo – Dito isso, pousei nossas mãos sob a barriga dela. Não havia nada de diferente, mas parecia que agora eu podia sentir toda aquela energia de ser pai, de uma nova vida estar dependendo de você – Nós estamos no Ensino Médio e não somos independentes. Nossos pais são casados e nos consideram irmãos. Mas Violetta, eu juro, eu juro com todas as minhas forças que vocês vão ser as pessoas mais felizes desse país todo. Vai ser difícil? Vai! Mas eu vou estar com você, pra tudo.
Vi as lágrimas saindo dos olhos de Violetta e só notei que também estava chorando, quando senti uma lágrima caindo sob meu braço.
– Eu amo você, amo você mais que tudo...
– Eu também amo você – A voz dela saiu embargada, mas continuava doce do mesmo jeito. Violetta era outra pessoa quando chegou aqui, mas eu a transformei da maneira mais doce possível – Mas eu preciso que você saiba de uma coisa...
– Tudo bem, pode falar.
– Filho não segura relacionamento nenhum – Aquelas palavras doeram no fundo da minha alma – Eu sei que estou em falta com você e que você já foi muito paciente comigo e com todas as minhas “frescuras”. Mas eu preciso te pedir mais tempo. Tempo pra organizar e decidir como vai ser minha vida. Mas fique sabendo que eu amo você... Não sei como e nem quanto, mas tudo vai se ajeitar. Eu prometo.
Apertei as mãos dela com mais força e nos abraçamos. E choramos. Choramos juntos, pois precisávamos dividir os problemas e compartilhar o nosso amor, como sempre fizemos. Eu guardei as palavras do senhor da recepção e guardei as de Violetta agora. O tempo. Ele seria a cura de tudo.
*
Tia Maria e o meu pai chegaram uma hora depois, provavelmente Dona Ana havia informado para eles que nós estávamos aqui no Hospital. Um pânico crescia dentro de mim. Agora era a hora da verdade.
– Mãe? – Violetta finalmente tomou coragem para contar a verdade. Tia Maria levantou-se da cadeira em que estava sentada e se aproximou da filha, segurando em suas mãos.
– Sim, querida.
– Eu preciso te contar uma coisa...
– Pode falar, meu amor. Estou escutando.
– Mãe... É... Eu estou grávida – Violetta jogou as palavras e soltou as mãos de junto das da mãe, esperando sua reação. Meu pai arregalou os olhos mas ficou quieto, sentado ao meu lado.
– Grávida? – Tia Maria sussurrou para ela mesma, sentando de volta no lugar em que estava. Ela parecia realmente desorientada.
– Sim – Violetta afirmou rapidamente. Suas pupilas pareciam dilatadas a meu ver – E tem mais.
– Mais? – Tia Maria arregalou os olhos como o meu pai fez, atenta as palavras de Violetta.
– O filho que eu estou esperando é do Leon.
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