Girls in Black
2 Wanna my mom back
Notas iniciais
Denise estava sozinha naquele lugar mofado, com a cabeça baixa pensando em como sairia dali. Ela, que sempre foi otimista estava sem esperanças dessa vez. Ela também não conseguia raciocinar direito porque estava morrendo de medo e não era tão inteligente quanto a Mari
Se eu pudesse me comunicar com ela pelo menos, ela pensou. Ela estava encharcada de suor e de sangue que ela nem sabia se era dela. Ela olhou em volta para achar uma solução mas tudo o que ela achou foi marcas de arranhão de unhas na parede e sangue seco. Ela engoliu em seco nessa hora. Seu estômago roncou. Quanto tempo ela não comia? Horas? Não tinha como saber. O jeito era continuar pensando em algo.
Suas pupilas dilataram quando ela ouviu um barulho na porta. Alguém abriu e de primeira ela não enxergou direito, mas sabia que era o assassino. Ela teve o impulso de recuar, mas sabia que não iria adiantar.
– Olá, minha querida. – ele perguntou com uma voz cínica. – Dormiu bem?
***
Mari estava bebendo café no quarto de seu amigo Lucas tentando falar com Denise pela milionésima vez.
– Por que ela não atende? – ela perguntou furiosa. – Aposto que está dormindo.
Seu amigo Lucas apenas sentou na cama, e franziu o cenho.
– Que estranho, ela nunca larga o celular. – ele disse.
Lucas era o amigo de infância delas, elas visitavam ele às vezes, quando surgia algo urgente. Lucas desde pequeno adorava o mistério, e talvez o motivo de ser amigo delas, que sempre se metiam em furadas. Mas agora é diferente. Mari não confiava na polícia, e queria descobrir mais sobre o assassino chamado Thomas. Ela sabia que não conseguiria resolver sozinha, então ligou para ele logo depois de Denise.
– É, mas enfim, vamos conversar sobre o serial killer Thomas? – ela perguntou.
Ele apenas balançou a cabeça em concordância e se levantou, andando até um mural de fotos. Mas não era um mural de fotos qualquer, aquele mural estava cheio de fotos do Thomas e notícias sobre ele.
– Descobriu alguma coisa? – Mari perguntou, indo até lá também.
– Não muito. Mas nessa foto aqui – ele apontou para uma foto meio embaçada – Mostra que Thomas tem uma tatuagem no braço direito.
Mari cerrou os olhos, afim de enxergar melhor e percebeu que ele estava certo, ele realmente tinha uma tatuagem.
– Como conseguiu essa foto? – ela perguntou, curiosa.
– Eu tirei. – ele disse tranquilamente.
No mesmo momento Mari arregalou os olhos e virou espantada para o amigo. Sabia que ele, além de detetive era fotógrafo. Mas mesmo assim era arriscado.
– O quê? – ela berrou. – Por que não me disse antes?
– Estou dizendo agora. – ele explicou na maior naturalidade do mundo. – Eu estava andando na rua e ele apareceu bem de longe, correndo. Então eu o segui.
Mari estava sem reação. Mas se ela queria respostas, teria que se arriscar, assim como Lucas, que estava observando as imagens do mural.
– Mais alguma pista? – ela perguntou suspirando.
Ele negou com a cabeça. Pegou as chaves e o dinheiro e caminhou até a porta e antes de sair ele disse:
– Mas se quiser procurar respostas, fique à vontade. – ele disse apontando para o quadro.
Ela apenas assentiu e voltou o olhar no mural. Ela começou a prestar atenção nos noticiários sobre as vítimas e percebeu que tinha uma ligação. Todas as vítimas morriam de olhos abertos. Até aí, poderia ser uma coincidência. Mas algumas vítimas tinham o globo ocular cortado, e outras não. Ele cortava o olho de uma vítima e da outra não, consecutivamente. Ela olhou na data das mortes das vítimas e percebeu que estava certa. Annabeth Linn, teve o olho cortado. 01/12/2014. Lilly Collins não teve. 13/12/2014. Roberta teve os olhos arrancados alguns dias depois, 25/12/2014, e assim, repetidamente. Ela notou que as vítimas eram sempre mulheres e o dia era sempre ímpar.
Lucas voltou com um saco de compras e a olhou curioso, sabia que tinha descoberto algo. Ela contou tudo a ele, que a olhou chocado.
– Ele sempre espera doze dias para sequestrar uma vítima também. A polícia sabe disso, com certeza. – Lucas disse revirando os olhos.
– Mas por que ele faz isso? Por que ele espera doze dias para matar alguém? Esse cara é louco. – ela disse, bufando.
– Só agora percebeu isso? – ele disse, tristemente. – Sabe o que é pior? Hoje é o décimo segundo dia desde que ele matou alguém.
***
– Moço, por que está fazendo isso? – ela perguntou baixinho.
Ele se aproximou do rosto dela e simplesmente pegou a cadeira e se sentou em frente à ela. Pela sua surpresa, ele tirou o capuz. Ela viu um rosto branco e suado. Ele tinha o cabelo curto e negros como os seus olhos. Ele era bonito, apesar de que ela só sentia desprezo e medo o olhando.
– Você acha que matei aquelas pessoas por prazer? – ele perguntou a olhando nos olhos.
Ela olhou confusa para ele, sem saber o que responder. Qualquer coisa que eu disser pode determinar ou não o meu fim, ela pensou.
– Não sei. Você matou por prazer? – ela perguntou, rouca.
Ele sorriu minimamente e olhou para baixo. Ele pareceria uma pessoa normal, se não tivesse matado tantas pessoas.
– Não. Na verdade, eu apenas procuro... algo nessas pessoas. Quando não acho eu não posso simplesmente deixar a pessoa ir embora viva. É arriscado. – ele disse com calma.
Ela olhou para baixo, porque tinha medo de encarar muito ele.
– Há muito tempo atrás eu tive uma mãe. Acho que todos tiveram, né. – ele riu, apesar de Denise não ter achado graça.
– Ela era a única que se importava comigo. Mas, uma vez ela simplesmente morreu. – ele disse, pensativo.
Denise sabe que Mari iria acabar achando ela. Morta, talvez, ela pensou. Ela resolveu arriscar em conversar com ele; Ela sempre fazia isso para ganhar tempo.
– Sinto muito. – ela disse.
Ele apenas balançou a cabeça negativamente rindo, se levantando para pegar uma faca que tinha na mesa. Denise não sabia como não tinha visto antes. Ela começou a se desesperar e a gritar, o que ela sabia que não iria adiantar.
– Ei, ei, não vou te matar, não agora. – ele disse, fazendo ela se acalmar um pouco.
– É só um lembrete. Se não for boazinha comigo, infelizmente terá a garganta cortada. – ele disse com uma falsa tristeza.
Ele se sentou na cadeira novamente e voltou a encará-la. Ela estava respirando desregular e suava frio. Ela nunca passou por algo como isso.
– Só quero ter minha mãe de volta, Denise. – ele choramingou.
Denise não sabia como alguém poderia ser tão louco.
– Espera... Você quer que eu... – ela deixou morrer a frase.
– Que seja a minha mãe? Puxa, como você descobriu? – ele disse sorridente.
Ela apenas o encarou, sem saber como reagir.
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